sábado, 8 de setembro de 2018

Sobre estar longe de Deus


Não importa o formato, tamanho ou cor da pedra que te fez tropeçar e logo depois cair. O Senhor te quer de volta porque Ele sente a sua falta. Você pode estar na Igreja ou ter se afastado dela. Pode estar no ministério trabalhando para o Senhor ou não estar mais na missão que Ele te deu. Pode orar todas as noites somente para agradecer ou pode não falar nenhuma palavra sequer a Deus. Ele olha para você e diz: “Eu sinto sua falta”. Ele sente falta da forma que você cantava que transmitia uma unção sobrenatural a quem te ouvia. Ele sente falta de quando chegava em casa depois de um dia cansativo e logo ia falar com Ele, pois estava morrendo de saudades do lugar secreto. Ele sente falta de quando você abria o coração e chorava sem medo, pois se sentia profundamente amado (a) e aonde há amor não há medo, pois o amor lança fora o amor como diz a Palavra de Deus. Ele sente falta de quando pegava a Bíblia e pedia para o Espírito Santo lhe ensinar e revelar o que você não conseguiria ver sem Ele. Portanto, não há nada que você tenha feito ou deixado de fazer que vai diminuir a falta que Deus sente de você. Hoje pode ser o dia que você vai voltar. É só levar até Ele o seu coração arrependido e que deseja voltar aos braços do Pai. Ele te chama pelo nome. Ele conhece cada pensamento seu. Ele te perdoa e não julga jamais. Quer voltar? Ele te oferece um recomeço e joga todo pecado no mar do esquecimento. Não se importe com o que as pessoas podem dizer ou pensar sobre você se reconciliar com Deus, mas se importe em agradar somente o coração do Pai que sente saudades suas imensamente porque Ele te criou para viver em comunhão com Ele. Volta. Ele te espera

Fonte: diario-empoeirado

14 gennaio NON VI MOSTRATE DEBOLI COL DEMONIO 5 minuti con Padre Pio

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O Espírito Santo, a Virgem Maria e a Comunhão Eucarística



O Espírito Santo foi o agente divino da Encarnação. Preparou Maria para a dignidade de Mãe de Deus, preservando-A de toda mancha em sua Conceição Imaculada, semeando em sua alma desde esse instante as mais belas virtudes e cultivando-a depois.

Ao soar o momento de formar e animar o Corpo de Jesus, tornou fecundo o seio da Santíssima Virgem, continuando a habitar n'Ela após a execução desse mistério, e cobriu-A com sua sombra a fim de temperar os ardores do Sol divino que Ela trazia em si.

Ora, a Eucaristia, pela Comunhão associa-nos à glória de Maria e às alegrias de sua maternidade, e o Espírito Santo desempenha em nós igual mister que na Encarnação.

Procuremos portanto nos unir ao divino Espírito Santo quando formos comungar, e nos lembremos de que a disposição que Ele espera de nós é a de Maria ao exclamar: "Ecce Ancila Domini" (Lc 1,38).

Que o Espírito Santo nos prepare para a Comunhão, fale por nós e agradeça a Jesus em nosso nome, e que, por meio d'Ele, se estabeleça o reinado de Jesus em nós.

S. Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Ao Anjo da Guarda




Ó Anjo de Deus que és minha guarda, pela piedade superna a mim, a ti cometido, salva, defende e governa. Amém, Jesus.

Rogo-te, Anjo bento, a cuja providência eu sou encomendado, que sempre sejas presente, em minha ajuda. Ante Deus Nosso Senhor, apresenta os meus rogos a Suas mui piedosas orelhas, para que, por Sua misericórdia e tuas preces, me dê perdão de meus pecados passados e verdadeiro conhecimento e contrição dos presentes, e aviso para evitar os pecados vindouros, e me dê graça para bem obrar e até ao fim perseverar.

Afasta de mim, pela virtude de Deus todo-poderoso, toda a tentação de Satanás. E, o que não mereço por minhas obras, tu alcança por teus rogos por mim, ante Nosso Senhor, que em mim não haja lugar e mistura de alguma maldade.

E se, algumas vezes, me vires errar o bom caminho e seguir os erros dos pecados, tu procura de me volver a meu Salvador, pelas carreiras da justiça. E quando me vires em alguma tribulação e angústia, faz que me venha adjutório de Deus, por teus doces socorros.

Rogo-te que nunca me desampares, mas sempre me cubras e visites e ajudes e defendas de toda a fadiga e guerra dos demônios, vigiando de dia e de noite, em todas as horas e momentos. Onde quer que andar, guarda-me e acompanha-me.

Isso mesmo te peço, meu guardador, que quando desta vida partir, não deixes que me espantem os demônios, nem me deixes cair em desesperação, nem me desampares, até me levar à bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, e com todos os santos, para sempre folguemos em a glória do paraíso, que nos dará Jesus Cristo Nosso Senhor, o qual, com o Pai e com o Espírito Santo, vive e reina para sempre.
Amém.



(Ordem e regimento - Xavier - doc. 66 - Retirado do livro: Obras Completas - São Francisco Xavier)

domingo, 26 de agosto de 2018

Uma oração de quase 600 anos ao Santíssimo Nome de Jesus

JESUS

Esta ladainha foi composta pelos santos João de Capistrano e Bernardino de Sena no século XV

ALadainha ao Santíssimo Nome de Jesus foi composta por São João de Capistrano (1386-1456) e por São Bernardino de Sena (1380-1444) e aprovada para uso privado pelo Papa Sixto V em 1585. O Papa Leão XIII a aprovou para uso público na Igreja em 1866. Quem a recitar poderá receber indulgência parcial se cumprir o requisito básico para toda indulgência: estar em graça e com a disposição de abandonar todo tipo de pecado, inclusive o venial.

Ladainha ao Santíssimo Nome de Jesus

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
(A cada próxima invocação responder: “Tende piedade de nós”)
Pai Celeste que sois Deus,
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus,
Espírito Santo, que sois Deus,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Jesus, Filho de Deus vivo,
Jesus, esplendor do Pai,
Jesus, pureza da luz eterna,
Jesus, Rei da glória,
Jesus, sol de justiça,
Jesus, Filho da Virgem Maria,
Jesus amável,
Jesus admirável,
Jesus, Deus forte,
Jesus, Pai do século futuro,
Jesus, Anjo do grande conselho,
Jesus poderosíssimo,
Jesus pacientíssimo,
Jesus obedientíssimo,
Jesus, manso e humilde de coração,
Jesus, amante da castidade,
Jesus, amador nosso,
Jesus, Deus da paz,
Jesus, autor da vida,
Jesus, exemplo das virtudes,
Jesus, zelador das almas,
Jesus, nosso Deus,
Jesus, nosso refúgio,
Jesus, pai dos pobres,
Jesus, tesouro dos fiéis,
Jesus, bom Pastor,
Jesus, luz verdadeira,
Jesus, sabedoria eterna,
Jesus, bondade infinita,
Jesus, caminho e vida nossa,
Jesus, alegria dos anjos,
Jesus, rei dos patriarcas,
Jesus, mestre dos apóstolos,
Jesus, doutor dos evagelistas,
Jesus, fortaleza dos mártires,
Jesus, luz dos confessores
Jesus, pureza das virgens,
Jesus, coroa de todos os santos,
Sede-nos propício: perdoai-nos, Jesus.
Sede-nos propício: ouvi-nos, Jesus.
(A cada próxima invocação responder: “Livrai-nos, Jesus”)
De todo o mal,
De todo o pecado,
Da vossa ira,
Das ciladas do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das vossas inspirações,
Pelo mistério da vossa santa Encarnação,
Pela vossa natividade,
Pela vossa infância,
Por toda a vossa santíssima vida,
Pelos vossos trabalhos,
Pela vossa agonia e pela vossa paixão,
Pela vossa cruz e pelo vosso desamparo,
Pelas vossas angústias,
Pela vossa morte e pela vossa sepultura,
Pela vossa ressurreição,
Pela vossa ascensão,
Pela vossa instituição da Santíssima Eucaristia,
Pelas vossas alegrias,
Pela vossa glória,
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: perdoai-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: ouvi-nos, Jesus.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós, Jesus.
Jesus, ouvi-nos.
Jesus, atendei-nos.
Oremos:
Senhor Jesus Cristo, que dissestes: “Pedi e recebereis; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á”, nós Vos suplicamos que concedais a nós, que Vo-lo pedimos, o afeto do Vosso divino amor, a fim de que Vos amemos de todo o coração, palavra e obra e nunca cessemos de Vos louvar. Fazei-nos ter sempre, Senhor, igual temor e amor pelo Vosso Santo Nome, pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do Vosso amor, Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.

https://pt.aleteia.org/2018/08/23/uma-oracao-de-quase-600-anos-ao-santissimo-nome-de-jesus/

Liberdade II: Há liberdade sem verdade?

Liberdade e verdade
No texto «Liberdade-I», lembrávamos uma realidade evidente: se o nosso raciocínio, se o nosso modo de pensar na vida e nas coisas da vida, nas escolhas pessoais e nas decisões, é confuso ou errado, como poderemos escolher “bem”?
E muito importante perceber que a falta de lucidez do pensamento é uma doença mortal da liberdade. Pensar mal leva a escolher mal. Mas são poucos os que reconhecem que “não pensam bem”. Acham que se “eles” pensam, que se “isso” é o que “eles pensam”, então está bom! Será? Vamos fazer uma reflexão muito simples.
Podem servir-nos, como referencial, algumas experiências do cotidiano. Um conhecido, por exemplo, conta-nos que resolveu ir com o filho de São Paulo ao Rio de Janeiro: uma viagem-prêmio que o pai prometera (pai sentimental, que premia a mera obrigação) se o filho passasse de ano. Aí temos os dois, mais a mãe e uma irmã, no carro, com o bagageiro atulhado. O rapaz premiado assume o volante. Está ansioso por chegar ao Rio. – “Você conhece a saída de São Paulo para a Via Dutra?”, pergunta-lhe o pai. O moço sorri com ar de suficiência. Nem se digna responder. Claro que sabe! E, ei-lo rodando por um emaranhado de ruas, de mãos e contramãos, de viadutos e elevados. Vai com uma segurança magnífica. Pega atalhos de homem esperto. Até que, duas horas depois, todos percebem que estão indo exatamente em sentido contrário, rumo ao Mato Grosso, na direção Oeste…
Outra experiência, que dispensa comentários, é a dos fracassos e decepções no casamento, que nos cercam, infelizmente, em quantidade quase incontável. Em muitos desses casos lamentáveis, o que houve – além de sérias falhas morais – foi um engano. A pessoa – apesar das observações objetivas de amigos, de colegas, de familiares – empenhou-se em casar-se com fulano ou sicrana. Achava que os outros não a entendiam. Só ela sabia. Até que, passados poucos meses, ou um ano, ou dois, teve que dizer, com a cara coberta de vergonha: “Eu me enganei”, “Eu não sabia”… Agiu com total independência, com absolua “liberdade”, mas sem nenhum conhecimento profundo, sem a base da razão esclarecida, que é imprescindível para se viver a verdadeira liberdade.
A verdade, sangue arterial da liberdade
O Papa João Paulo II não se cansou de insistir em que «o conhecimento da verdade é condição para uma autêntica liberdade» (ver Encíclica Veritatis Splendor, n. 87). Com essas breves palavras, estava dizendo algo de essencial. É óbvio que, se um engano – uma falta de conhecimento da realidade, da verdade das coisas – em assuntos como o casamento ou a profissão, pode ser funesto e até mesmo frustrar a nossa vida, mais ainda nos pode arrasar o erro a respeito dos verdadeiros bens, do verdadeiro ideal, do verdadeiro sentido da nossa vida. Oxalá não sejamos daqueles que só se dão conta de que erraram redondamente quando já estão sem retorno, na velhice ou à beira da morte: “Eu achava”, “Eu não percebi”, “Agora é tarde”…
A liberdade autêntica precisa da verdade, que lhe dá sentido, rumo e firmeza; que é como a estrela que lhe marca o rumo; que a orienta e a potencia para construir e não para destruir. É – dizia alguém – como o sangue arterial para o corpo!
Isso é o que não conseguem entender os que confundem a liberdade com o desejo e a autenticidade com a simples espontaneidade irrefletida. Perdidos num “espontaneísmo” simplório, e num conceito também superficial da liberdade -entendida como livre vazão dos gostos e desejos -, não conseguem se aprofundar, nem conseguem entender aquelas pessoas que são livres de verdade: aqueles que agem movidos por um ideal bem conhecido, por um raciocínio objetivo e sábio, fruto de séria reflexão; os que, por isso mesmo, tomam decisões inteligentes e livres, não atreladas, como a carroça ao jumento, aos estados de ânimo e às oscilações dos desejos.
São Josemaría Escrivá, que amou e defendeu a liberdade com paixão, tem, sobre este tema, umas palavras que vale a pena meditar: «O Amor de Deus marca o caminho da verdade, da justiça e do bem. Quando nos decidimos a responder ao Senhor: a minha liberdade para Ti, ficamos livres de todas as cadeias que nos haviam atado a coisas sem importância, a preocupações ridículas, a ambições mesquinhas. E a liberdade – tesouro incalculável, pérola preciosa que seria triste lançar aos animais – emprega-se inteira em aprender a fazer o bem. Esta é a liberdade gloriosa dos filhos de Deus» ( Amigos de Deus, n. 38).

[Adaptação de um trecho do livro de F. Faus, Autenticidade & Cia]

DEUS QUIS QUE ASSIM SE PROCEDESSE QUANTO AO SACRAMENTO DA CONFISSÃO

Quem manda, faz leis! (Diálogo entre o discípulo e o mestre)

(Discípulo) Padre, tenha a bondade de esclarecer ainda mais alguns pontos. Antes de tudo, a Confissão é mesmo necessária para apagar os pecados?

(Mestre) Sim, a confissão é indispensável. Assim como a água é necessária para lavar as manchas, não podemos lavar e destruir os pecados sem a confissão. Foi estabelecida por Deus, e Jesus Cristo a confirmou.

(Discípulo) Não lhe teria sido possível estabelecer as coisas diferentemente?

(Mestre) Sim, podia tê-lo feito, sendo Ele Deus, mas desde que achou preferível proceder assim, não nos resta senão obedecer. De mais a mais haveria uma maneira mais fácil? Não! Suponhamos que, por exemplo, para cada pecado tivesse ordenado uma esmola grande: quantas não a achariam penosa e impossível? Suponhamos ainda que tivesse estabelecido um jejum; quantos não poderiam ou não quereriam fazê-lo? Suponhamos ainda que tivesse exigido uma longa peregrinação; quantos nesse caso, mesmo querendo, não a poderiam realizar? Mas com a confissão não há nada disso, para quem quer que seja, por qualquer pecado e número de vezes, só é necessária uma coisa: confessar-se a um Ministro, cuja escolha é livre, no modo mais secreto e tudo está perdoado. Ah! diga-me: se a lei humana ou civil agisse da mesma maneira, se bastasse apresentar-se a um juiz e confessar a culpa para receber o perdão, haveria ainda prisões e penitenciárias?

(Discípulo) Absolutamente não! todos se confessariam, mesmo os mais velhacos.

(Mestre) Por que, então, achamos penosa a confissão sacramental?

(Discípulo) Pois seja: mas não bastaria uma confissão feita diretamente a Deus? Quê necessidade há de se, correr ao Sacerdote, pondo-o ao corrente dos nossos interesses?

(Mestre) Quem manda faz leis! Ouça: O Presidente e o governo mandam que paguemos impostos; pois bem, faça uma experiência; vá à capital do país para pagar diretamente ao Presidente e ao Governo. Dir-lhe-iam: vá ter com o nosso encarregado, o coletor e pague a ele, você poderia protestar à vontade que a situação não mudaria. Querem que paguemos, mas ao coletor. O mesmo dá-se com a confissão. Deus perdoa, mas por meio dos seus encarregados, que são os confessores.

(Discípulo) É mesmo! E eu que nunca tinha pensado nisso!

(Mestre) Quanto ao pormos outra pessoa a par dos nossos interesses, tenha paciência, de que negócios se trata nesse caso? Trata-se de pecados e não de interesses. Quando você sente uma forte dor de cabeça ou de dentes será que você, para não pôr ninguém ao par dos seus casos, não corre ao médico ou ao dentista, para se ver livre dela? E quando o acusam será que você não procura um advogado para que o salve de uma condenação?

(Discípulo) Oh! eu corro logo ao médico ou ao advogado e conto tudo; procuro até explicar as coisas direitinho.

(Mestre) Então só no que diz respeito à Confissão, que é segredo impenetrável, divino, é que receamos dar a conhecer os nossos interesses? Ora! Essas são desculpas muito magras que denunciam má vontade!

(Discípulo) Todavia Padre, o senhor deve reconhecer que é duro manifestar misérias…

(Mestre) Reconheço que realmente é bastante duro, porque o nosso amor próprio fica um pouco humilhado, mas devemos pensar que isso é um dever, uma necessidade. E ao médico, será que não se confessam certas misérias?

(Discípulo) Ah! contanto que ele nos cure…

(Mestre) Pois bem, ou queremos receber a graça e voltar a ser filhos de Deus, ou queremos ficar sendo filhos do demônio, escravos do inferno: não há outra saída, e para nos conseguirmos livrar é indispensável que nos confessemos, sem o que não pode haver nem paz, nem perdão, nem Paraíso. Quem manda faz leis. Eis a prova dos fatos. São Bento conta nas suas crônicas que um religioso chamado Pelágio, tendo por infelicidade cometido um pecado grave na mocidade, deliberou não o confessar. Passava assim os meses e os anos numa aflição enorme, atormentado sempre pelo remorso. Um peregrino, passando por lá, disse-lhe como se Deus o iluminasse: “Pelágio, confessa-te; Deus conceder-te-á o perdão e terás sossego”. Mas ele teimou em não falar, e iludindo-se que poderia obter o perdão sem a confissão, resolveu fazer grandes penitencias. Entrou num convento; e ali pela humildade, pela obediência, pelos jejuns e mortificações, conquistou a admiração de todos, e foi sepultado com muito pesar nos túmulos da Igreja, conforme o hábito da época. Na manhã seguinte o Sacristão achou o corpo em cima do túmulo e o enterrou de novo. Mas, também nos dias que se seguiram, achou-o novamente fora da sepultura. Avisou então o abade: este correu para junto do cadáver com os outros monges, e disse:
— Pelágio, foste sempre obediente em vida, obedece também depois da morte. Dize-me, estás por acaso no purgatório? Tens necessidade de sufrágios ou é desejo divino que sejas posto num lugar mais digno?
— Ai de mim! Eu estou no inferno por causa de um pecado omitido desde muitos anos e pelo qual esperava obter misericórdia por outros meios. Tirem-me daqui, e enterre-me em campo aberto, como um jumento.
Conta-se que uma freira, tendo cometido um pecado desde sete anos, nunca o quis confessar, na esperança de alcançar o perdão igualmente. Para esse fim, fechou-se em um convento e se tornou religiosa. Devido à sua vida austera e a prática de todas as virtudes, foi eleita abadessa, cargo que desempenhou com escrúpulo exemplar. Mas, depois de morta apareceu às religiosas, toda rodeada de chamas, e, gritando desesperadamente dizia: “Não rezem por mim que estou condenada por causa de um pecado que nunca confessei desde “sete anos”.

(Discípulo) Pobres! e uma só palavra na confissão teria chegado para os tornar felizes, não é Padre?

(Mestre) Justamente! e dessa maneira vivem num inferno quando em vida, e vão para ele depois de mortos. E no entanto, creia-me, não é pequeno o número desses infelizes que não querem convencer-se de que, para eliminar os pecados é indispensável a confissão, da qual, além disso, o coração sente necessidade.

(Discípulo) Como é que o coração sente necessidade dela?

(Mestre) Vou prová-lo. Não há muito, os jornais da Itália divulgavam a notícia de que um sapateiro da cidade de Bassano, no Vêneto, num ímpeto de cólera tinha arremessado um ferro contra um netinho de poucos anos, matando-o. Apavorado, escondeu o cadáver, e, durante a noite, foi enterrá-lo num bosque. Por muitos dias procuraram o pequeno desaparecido, cada qual fazia as mais estranhas conjeturas, mas nem pensavam no sapateiro, cujo crime ninguém presenciara.
Podia, pois ficar tranquilo e sossegado e viver alegremente. Mas, no entanto, desde o dia fatal, não cantou mais as suas alegres canções, não bateu mais o martelo com ânimo, se tornou triste e pensativo. Vendeu a casa, os apetrechos da profissão e fugiu para a América. Lá estava completamente salvo; podia, pois esquecer tudo e ser feliz. Qual nada! Depois de dois anos voltou, apresentou-se diretamente ao juiz e confessou o crime. A justiça indagou, procuraram-se no bosque os míseros restos da vítima, fez se o processo. Antes de pronunciar a sentença que o condenaria definitivamente, o juiz virou-se para o assassino e perguntou:
— Diga-me, ó desgraçado, como é que o senhor, que tinha enganado a todos e podia ficar sossegado na América, vem entregar-se à justiça e obrigar-nos a condená-lo?
— Senhor juiz, respondeu o réu, não é verdade que enganei a todos. Só enganei aos homens, o mesmo não se deu com Deus. Desde aquele dia não tive mais sossego, a sombra do menino perturba-me o sono, vejo sempre a minha mão escorrendo sangue. Condene-me à prisão, condene-me à morte, mas que esta vida de remorso acabe para sempre. O coitado tinha tomado o caminho errado, se, em lugar de ter tomado o rumo da América, do tribunal, do cárcere, da desonra, tivesse corrido aos pés do confessor, ah! não teria visto a sombra de sua vítima, nem a mão pingando sangue; mas, recebendo a absolvição, teria tranquilizado incontinente a consciência.

(Discípulo) É verdade, Padre; a Confissão é uma necessidade do coração.

(Mestre) Tanto melhor para nós se nos servirmos dela em todas as ocasiões para qualquer eventualidade. Quando um espinho se nos enterra no pé ou quando um cisco nos entra nos olhos, não achamos mais sossego enquanto não nos livrarmos do espinho ou do grãozinho de pó. O mesmo se dá com o pecado; não nos deixa em paz enquanto não o extirparmos com a confissão. Deus assim o quis e quem manda, faz leis!

(Discípulo) Como deve ser consolador o perdão de Deus depois de anos e anos de remorsos, não padre?

(Mestre) Ah, sim! e nenhuma alegria no mundo se lhe pode comparar. A confissão, além de ser uma necessidade do coração, é ainda o maior consolo das almas aflitas. O fato seguinte bem o demonstra:
O Padre Bridaine, grande missionário francês, pregava durante as missões, numa cidade dos Alpes. Um velho oficial da cavalaria foi ouvi-lo por curiosidade, porque já ouvira falar naquele orador famoso. Deus quis, que, naquela noite, o Missionário falasse justamente na necessidade da confissão. A palavra simples, mas quente e persuasiva do servo de Deus, penetrou até o coração do militar, que resolveu confessar-se. De fato, foi à sacristia, atirou-se aos pés do Padre Bridaine que o acolheu com bondade e amor. Depois de feita a confissão levantou-se, e beijando a mão do Padre, exclamou bem alto, para que todos o ouvissem: “Sinceramente, na minha vida nunca senti tamanha consolação e nem uma alegria tão grande como agora que tenho comigo a graça de Deus. Acho que nem o próprio rei, que sirvo há trinta anos pode ser mais feliz do que eu!”. As palavras que o velho oficial francês pronunciou, poderiam pronunciá-las todos os que, depois de vencidas todas as dificuldades, vão confessar-se, e se confessam bem. Aqui também não é demais repetir: Quem manda, faz leis, mas as leis de Deus são tão doces e suaves!
(Da obra Confessai-vos bem, do Pe. Luiz Chiavarino)