terça-feira, 10 de março de 2020

Você não consegue melhorar? Tente a humildade

WOMAN STANDING

Não fique obcecado em subir a qualquer custo, há algo mais importante

Amontanha é uma imagem da Quaresma. Partindo do deserto, na planície, eu subo a montanha. Saio do vale e subo até os cumes.
Eu gosto de escalar montanhas. O esforço me assusta no início. Então eu vou devagar, passo a passo. E à medida que avanço, melhora.
O sol, o calor, o cansaço, tudo pesa. Mas eu não me desespero. Espero chegar ao cume. É o desejo da alma, não baixar a guarda, não jogar a toalha, não parar de lutar.
Quero alcançar o lugar mais alto e tocar o cume mais alto.
O coração não está satisfeito em viver no vale, na planície, onde falta altura para ver a paisagem que me cerca.
Muitas vezes as árvores não me deixam ver a floresta. Os problemas me perturbam e não me deixam provar a vida, aproveitar o que funciona no meu ambiente.
O coração anseia pelos cumes, sonha em subir ao topo e daí ter uma vista privilegiada do vale. Eu quero avançar. No caminho, um passo segue o outro. E o coração continua sonhando.
Quando você chega ao topo, as coisas parecem diferentes. Dizem que no topo da montanha os problemas de antes parecem pequenos.
É verdade que os problemas atuais permanecem grandes, com certeza, mas eles não me afetam mais da mesma maneira. O peso da tempestade nos meus ombros pode ser o mesmo, mas minha mudança de perspectiva diminui o peso.
O ânimo é tudo para continuar lutando. Importa muito mais que o físico. Se eu afundar em depressão e tristeza, é impossível seguir em frente, mesmo que eu esteja fisicamente apto.
O ânimo desempenha um papel decisivo. É a centelha que me ajuda a superar essa barreira intransponível que me separa do sucesso. Meu ânimo me ajuda a subir as encostas mais íngremes. Ou me retém no vale, incapaz de dar outro passo.
A montanha parece grande demais para minha força quando estou cabisbaixo. Então a chave está no meu olhar, na minha atitude. O novo olhar é o que muda a realidade.
Hoje penso nas montanhas da minha vida. Aquelas cúpulas que despertaram todos os meus desejos. Aquelas montanhas que eu subo para ficar sozinho, em paz, mais perto de Deus.
Quem me incentivou a subir alto quando eu duvidava de minhas forças? Alguém me encorajou. Alguém me deu a mão quando eu mal podia avançar.
Jesus pega seus amigos pela mão e os puxa. Ela os submete a um esforço maior, encorajando-os na ascensão. Ele quer que eles cheguem ao cume com ele.
Nem sempre tenho forças para subir sozinho. Eu não tenho coragem. Eu preciso de pessoas próximas a mim para puxar meu braço, para me tirar da minha apatia e tristeza.
Digo: “Aguardamos o Senhor. Ele é nossa ajuda e nosso escudo”.
Para isso eu tenho que reconhecer minha pobreza. Eu sou pequeno. Só com a minha força não consigo avançar. Eu preciso que Jesus me arraste. Eu preciso do elevador que me leva às alturas.
Eu quero caminhar até o cume nos braços de Jesus. Somente três apóstolos foram escolhidos naquela tarde para escalar o monte Tabor. Pedro, João e Tiago. Os mais próximos.
E os outros? Eles não tiveram a possibilidade de subir com Jesus para o Tabor. Eles ficaram na planície. Eles não viram sua glória. Eu estaria entre os escolhidos de Jesus? Ficaria feliz em ver outros irem enquanto eu ficasse no vale?
Eu gosto de estar em todas as festas. Ser levado em consideração e valorizado sempre. Dói quando os outros são mais apreciados que eu.
Eu quero ser um daqueles filhos favoritos de Jesus. Um dos chamados a estar com Ele em momentos importantes. Eu gosto de me sentir especial em suas mãos.
Quero escalar os cumes ao lado dele e ser o mais próximo. E quando não me sinto tão valorizado e escolhido? Ciúme e inveja surgem. Eu me sinto desprezado.
Hoje, é bom me alegrar quando os outros são mais valorizados do que eu, mais apreciados. Dizia o cardeal Rafael Merry del Val em suas ladainhas de humildade:
Do desejo de ser elogiado, do desejo de ser aplaudido, do desejo de ser preferido aos outros, do desejo de ser consultado, do desejo de ser aceito, do medo de ser humilhado, do medo de ser desprezado, do medo de ser repreendido, do medo de ser caluniado, do medo de ser esquecido, do medo de ser ridicularizado, do medo de ser insultado, do medo de ser rejeitado, livrai-me Senhor. Que outros sejam mais amados que eu, que outros sejam mais estimados que eu, que outros cresçam e despertem uma melhor opinião das pessoas e eu diminua, que outros sejam elogiados e que eu seja ignorado, que outros sejam empregados em cargos e eu seja julgado inútil, que os outros sejam preferidos a mim em tudo, que os outros sejam mais santos do que eu, desde que eu seja o mais santo possível.
Peço para viver assim. Alegre quando me escolhem e também feliz quando me deixam de lado. Com paz nos dois momentos. Quando sou apreciado e quando não sou.
Quando eu consigo escalar o cume e quando fico sozinho no vale por não ter sido levado em consideração. Sempre feliz.

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Por que a vida espiritual é diferente para cada pessoa?

MODLITWA

Cada um de nós é criado de forma única, e o que funciona para algumas pessoas pode não dar certo para outras

Avida dos santos o intimida? Eles tiveram vidas sagradas e corajosas, muitos passaram noites inteiras em oração ou sem comer um único pedaço de pão durante o dia. Mas será que podemos viver de acordo com o exemplo deles?
A boa notícia é: não! Ou seja, nunca teremos a mesma vida espiritual que eles tiveram! Não copiamos (e não devemos) copiar tudo o que eles fizeram!
São Francisco de Sales explica em sua “Introdução à Vida Devota”:
“Quando Deus criou o mundo, ele ordenou que cada árvore desse frutos segundo sua espécie; e mesmo assim Ele pede aos cristãos – as árvores vivas de Sua Igreja – que produzam frutos de devoção, cada um de acordo com sua espécie e vocação. ”
Cada um de nós é criado por Deus de forma única e irrepetível, e o que funciona para algumas pessoas pode não dar certo para outras. São Francisco de Sales passa a oferecer alguns exemplos concretos:
“Seria apropriado que um bispo tentasse levar a vida solitária de um cartuxo? E se o pai de uma família fosse tão independente ao prever o futuro como um capuchinho, se o artesão passasse o dia na igreja como um religioso … essa devoção não seria ridícula, mal regulada e intolerável? Não obstante, esse erro é frequentemente cometido, e o mundo, que não pode ou não discriminará entre a devoção real e a indiscrição daqueles que se consideram devotos, resmunga e encontra falhas na devoção.
Basicamente, São Francisco de Sales está tentando argumentar que a vida devocional parecerá diferente de pessoa para pessoa. A mãe ou o pai não devem passar o dia inteiro na igreja, enquanto os filhos estão correndo pela casa sem comida. Um pároco não deve se trancar em sua reitoria para orar como um eremita e só sair aos domingos. Cada indivíduo tem uma vocação única e sua vida de oração refletirá essa vocação.
Isso não significa que um homem ou mulher que trabalha tenha uma “desculpa” para evitar orar todos os dias. Pelo contrário, pede-se que que eles consigam discernir ativamente como podem incorporar suas vidas espirituais na vocação que estão vivendo.
São Francisco de Sales afirma essa verdade central, exortando-nos a buscar a perfeição na vocação para a qual Deus nos chamou:
“É claro que uma devoção puramente contemplativa, como é especialmente apropriada à vida religiosa e monástica, não pode ser praticada nessas vocações externas, mas existem vários outros tipos de devoção adequados para liderar aqueles cujo chamado é secular, nos caminhos da perfeição. O Antigo Testamento nos fornece exemplos em Abraão, Isaac e Jacó, Davi, Jó, Tobias, Sara, Rebeca e Judite; e no Novo Testamento, lemos sobre São José, Lídia e Crispo, que levaram uma vida perfeitamente devota em seus ofícios … Certifique-se de que, onde quer que nossa sorte seja lançada, podemos e devemos buscar a vida perfeita.”
Lembre-se, é a qualidade de nossa oração que conta, não a quantidade, mesmo que um santo recomende fazer tais e tais orações todos os dias. Não se preocupe com a aparência de sua vida de oração, mas com o conteúdo dela e como você está crescendo em seu relacionamento com Deus.

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Por que eu rezo e o sofrimento não acaba?

WOMAN SUFFERING

Em Jesus, amor e sofrimento se tornam uma coisa só

Por que eu rezo pelo alívio do meu sofrimento, mas Deus não dá um fim nisso?
Essa é uma pergunta difícil, pois está ligada ao problema do sofrimento. O problema da dor. O problema do mal. Estamos acostumados a pensar nisso de uma maneira abstrata, mas quando o sofrimento atinge nossa vida real, as respostas do Catecismo sobre Deus podem nos dizer muito (embora, muitas vezes não queiramos ouvir).
Eu tive que pensar sobre isso quando um leitora levantou a questão comigo. Comecei dizendo a ela que entendia por que as respostas tradicionais a deixam sem graça.
Quando minha mãe estava morrendo, ela me perguntou – através de uma máquina, porque ela não podia falar, nem comer, nem se cuidar: “Por que Deus permite isso?”. Todas as chamas sobre Deus trazendo o bem me pareciam inadequadas naquele momento. Então, eu apenas a olhava com lágrimas nos olhos, incapaz de falar.
Na mesma época, descobrimos que o grupo católico ao qual eu havia dedicado minha vida adulta tinha sido fundado por um pedófilo que usou meu grupo para enriquecer a si mesmo e perpetuar uma vida dupla. Nem tudo, mas muito do que eu pensava ser minha vocação acabou se baseando nas mentiras de um monstro.
Essas coisas sinalizavam que eu tinha que mudar minha vida inteira, e a oração não era uma solução rápida para nada disso.
Foi por isso que respondi à minha filha do jeito que eu fiz esta semana. Depois que ela se sacrificou enormemente para fazer uma viagem missionária à Índia, a viagem foi cancelada por causa do coronavírus e redirecionada para uma viagem doméstica.
“Mas isso significa que Deus abençoará esta viagem de uma maneira especial, certo?” ela perguntou.
“Espero que sim”, eu disse. “Mas, honestamente, às vezes você descobre que isso significa apenas que você recebeu a primeira de uma série de decepções. Geralmente, o sofrimento é seguido por outro ainda pior. ”
Então, como entender o motivo do sofrimento? Eu tenho uma resposta em quatro partes:
– 1.°: os piores sofrimento que vivi sempre foram adoçados pelo amor.
Minha mãe sorria constantemente enquanto morria, inspirando a todos. Nosso segundo filho mais novo nasceu na mesma semana em que aprendemos a verdade sobre o padre que admirávamos – e o filho trouxe um enorme amor para nossa casa. Às vezes, especialmente quando sofremos, vem o amor e torna a vida mais bonita.
– 2.°: essa vida não é tudo o que existe.
Isso não significa que essa vida não importa, mas significa que nossa perspectiva pode estar errada. Adoro como o Papa Bento XVI fala: “A vida eterna não é uma sucessão interminável de dias no calendário, mas algo mais como o supremo momento de satisfação, no qual a totalidade nos envolve… Seria como mergulhar no oceano do amor infinito … mergulhar sempre de novo na vastidão do ser, na qual somos simplesmente inundados de alegria. ”
O céu também é a mansão de Deus, um novo céu e terra, e um encontro com o próprio amor e com nosso verdadeiro lar.

– 3.°: em Jesus Cristo, amor e sofrimento se tornam uma coisa só.

Jesus foi o “servo sofredor” a vida toda. Ele chora quando Lázaro morre, ele chora sobre Jerusalém, sofre infidelidade e traição, sua sangue e reza para que o cálice da Paixão possa passar por ele – e depois abraça a vontade de Deus, mesmo que isso signifique tortura e morte.
Em Cristo, amor e sofrimento são uma coisa só, e isso cria nossa doçura final e nosso caminho final para a vida eterna, onde “todas as lágrimas serão enxugadas”.
– 4.°: se você não acredita em mim, pergunte a Jesus.
Não tenho certeza se tudo isso foi afirmado da melhor maneira possível, e talvez pareça apenas banalidades. Mas se Jesus é quem nossa fé diz que ele é – e ele é -, então você tem um certo recurso. Pergunte a ele. Diga: “Senhor, ajude-me a entender por que  isso está acontecendo”.
Perguntei a ele várias vezes durante os dias mais sombrios e recebi minha resposta: o amor é fundamental, a dor é temporária e nossos desejos mais profundos de paz e alegria estão lá porque Deus os cumprirá.

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Nunca desista de lutar contra o pecado



Sempre é tempo de conversão!

O pecado é o grande mal desta vida; custou a vida de Deus morto na cruz para podermos ficar livres dele. Ele é a raiz mais profunda de todos os males. São Paulo diz que “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23); quer dizer, toda lágrima, toda dor e a morte, têm a sua causa primeira no pecado, desde o pecado original até os nossos pecados pessoais. O pecado é “amor de si mesmo até ao desprezo de Deus”, disse S. Agostinho (A cidade de Deus, 14,28).
Jesus veio nos trazer a libertação contra a “escravidão do pecado”. “Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado pelo pecado” (Rom 6,6).
Deus disse Caim: “É verdade, se fizeres o bem, andarás de cabeça erguida; mas se fizeres o mal, o pecado estará à porta, espreitando-te. Tu, porém, poderás dominá-lo” (Gen 4,7). É possível dominar o pecado com a graça de Deus. Não temos desculpas diante da derrota para o pecado. São Paulo disse que:
“Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (1 Cor 10,13).
Se Deus não nos abandona na tentação, então, se caímos no pecado é porque não fizemos o que Jesus mandou: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito é forte, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). Sem vigiar e orar não venceremos o pecado. Deus avisa: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Eclo 3,27).
Deus disse a seu povo: “O mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças, nem fora de teu alcance… Mas esta palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração: e tu a podes cumprir” (Deut 30,11-13). Podemos cumprir os mandamentos de Deus e não pecar.
A Bíblia traz várias listas de pecados. “As obras da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos previno, como já vos preveni: os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5,19-21). Outras listas podem ser vistas em Rm 1,28-32; 1Cor 6,9-10; Ef 5,3-5; Cl 3,5-9; 1Tm 1,9-10; 2Tm 3,2-5.
Temos de lutar com todas as forças contra o pecado porque ele nos separa de Deus e mata a nossa alma. São Tomás de Aquino diz que “há duas mortes; a primeira quando o corpo se separa da alma; a segunda quando a alma se separa de Deus”. Para a primeira haverá a ressurreição; mas para a segunda não há solução, a alma se separa definitivamente de Deus, é o inferno, a frustração absoluta e definitiva.
O Catecismo diz que: “O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso” (n.1861).
Fomos criados para participar da vida bem-aventurada, feliz, de Deus; viver sem ele, para sempre, é a morte da alma. Santo Agostinho disse que “é desígnio de Deus que toda alma desregrada seja para si mesma o seu castigo”. “Eu pecava, porque em vez de procurar em Deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros. Por isso precipitava-me na dor, na confusão e no erro”. O salmista diz que “O que ama a iniquidade odeia a sua alma” (Sl 10,6). O pecado é a nossa tristeza, a santidade é a nossa alegria, diz o Santo.
É tão grave o pecado que a Carta aos hebreus manda “resistir até o sangue na luta contra o pecado” (Heb 12,4). Muitos preferiram o martírio do que o pecado.
Na Quaresma, sobretudo, Deus nos dá uma grande oportunidade de conversão, de deixar o pecado, de romper com o mal. O profeta Joel nos pede: “Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, pronto a arrepender-se do castigo que inflige” (Joel 2,13).
Você vê que no carnaval, muitas pessoas se escondem atrás de máscaras, de fantasias, para fazer o que querem, o que acham que as fazem se sentir melhores (de uma certa forma). Da mesma maneira, também em nossa relação com Deus fazemos isso, mascaramos nossos pecados para nos sentirmos melhores (de certa forma). Fugimos de Deus e de nós mesmos. Se não formos sinceros com Deus, não podemos crescer em nossa vida interior, não podemos ter uma verdadeira conversão, e esfriamos na fé. É preciso coragem para enfrentar a nós mesmos e nossos pecados e nos voltarmos de coração a Deus.
A Igreja nos dá os remédios contra o pecado: a vigilância sobre os sentidos, o jejum, a esmola, a oração, a meditação da Palavra de Deus e de bons livros, a Confissão e a Eucaristia. Quem usa esses remédios, mesmo que caia, acaba vencendo sobre os pecados. É uma luta dura, mas necessária, sem a qual não podemos agradar a Deus e ser felizes.
“O jejum purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência, extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da castidade”, diz S. Agostinho.
O profeta nos diz: “Volta, Israel, ao Senhor teu Deus, porque foi teu pecado que te fez cair” (Oséias 14, 1). “Eis o que diz o Senhor à casa de Israel: Buscai-me e vivereis!” (Amós 5, 4). “Buscai o bem e não o mal, e vivereis; e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis” (Amós 5, 14).
Nunca podemos desanimar na luta contra o pecado, pois o Catecismo nos diz que: “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero”. Cristo. que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” (n.982).
Prof. Felipe Aquino

sexta-feira, 6 de março de 2020

A SANTIDADE NO TRABALHO COTIDIANO[1]


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         Ponto de luz«Ao ser assumido por Cristo, o trabalho se nos apresenta como realidade redimida e redentora: não é apenas a esfera em que o homem se desenvolve mas também meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora» (É Cristo que passa, n. 48).
O carpinteiro, filho do carpinteiro
A primeira coisa que lembra são Josemaria nesta frase é que o trabalho humano foi assumido por Cristo. Este é o ponto de partida desta meditação e das que vêm a seguir.
Que nos diz o Evangelho? Comecemos por umas palavras de São Lucas: Quando Jesus iniciou o seu ministério público, tinha cerca de trinta anos, e era tido como filho de José (Lc 3,23).
Ao começar a pregar o Reino de Deus e a avalizar a sua pregação com os milagres, Jesus tinha cerca de trinta anos. Antes disso, o que fez?
A resposta a encontramos em uma frase dos conterrâneos de Jesus na  cidadezinha de Nazaré, a aldeia que o viu crescer, tornar-se adolescente e chegar à maturidade.
Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe?. Era a primeira vez que Jesus pregava na sinagoga de sua aldeia, deixando admirados os que o ouviam: De onde lhe vem esta sabedoria e esta força miraculosa? (Mt  13,54-55).
Isso significa que Jesus era conhecido, como a maioria de nós, pela sua família e pelo seu trabalho.
Indo mais a fundo, isso significa que Jesus, Deus feito homem, quis passar a maior parte de sua vida – cerca de trinta anos – trabalhando e convivendo com Maria e José, no calor de um lar, sem se dedicar a nada fora da vida e do trabalho ordinários.
Sim, o próprio Deus – o Verbo encarnado – assumiu o trabalho humano e a família, e os transformou em vida e experiência sua, em algo de divino e, portanto, realidade santa.
Por isso, entende-se que são Josemaria, inspirado por Deus, proclamasse sempre que o trabalho é – como citávamos acima – «meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora».
De forma sucinta, dava aos seus filhos este lema: «A nossa vida pode-se resumir dizendo que temos que santificar a profissão, santificar-nos na profissão, e santificar outros com a profissão»[2].

Santificar a profissão
             Como você acha que foi o trabalho de Jesus na oficina de José?
Sem a menor dúvida, foi um trabalho bem feito, acabado com carinho. Imitar Jesus nisso é a primeira condição para «santificar o trabalho»: fazê-lo bem, com a maior perfeição possível – dentro das nossas limitações –, transformando-o assim numa obra digna de ser ofertada a Deus.
Você acha que daria para falar de «amor» perante um trabalho marretado, «despachado» às pressas, incompleto, defeituoso?
Jesus colocava muito amor no trabalho porque, naqueles trinta anos da vida oculta, via nas tarefas diárias a vontade do Pai, que está comigo; e não me deixou sozinho, porque faço sempre o que lhe agrada (Jo 8,29).
Com isso, desvenda-se para nós outra luz sobre o trabalho santificado: fazê-lo sempre na presença de Deus, que «está aqui, que me vê e que me ouve». Ao dedicar-nos ao trabalho, em qualquer momento podemos escutar o Senhor que nos diz, no íntimo da alma: «Cuida bem disso» E procuraremos responder-lhe: «Com a tua ajuda, vou me esforçar para que fique o melhor possível».
«Persuadi-vos – escrevia são Josemaria – de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. É só oferecê-lo a Deus e pôr mãos à obra, que já Deus nos escuta e nos alenta»[3].
Era muito agradável ouvir são Josemaria dizer: «Diante de Deus, nenhuma ocupação é em si grande ou pequena. Tudo adquire o valor do Amor com que se realiza»[4] (ele sempre escrevia com A maiúsculo a palavra amor, referida a Deus). Quando visitava a Universidade de Navarra, da qual era fundador e Grão Chanceler, comentava que, se alguém lhe perguntasse qual era o trabalho mais importante naquela Universidade, não saberia dizer se era o do Reitor ou o da mais simples encarregada da limpeza. Dos dois, o mais importante seria aquele que fosse feito com mais amor de Deus.
É uma verdade que deveríamos ter especialmente presente em épocas de desemprego e subemprego. Se alguma vez somos forçados a aceitar um trabalho que está por baixo do nosso preparo e da nossa experiência, não esqueçamos que – enquanto procuramos outro trabalho melhor – Deus espera que realizemos o atual com a categoria do trabalho de Jesus em Nazaré[5]. «Minha mãe – dizia o poeta Charles Péguy – empalhava cadeiras com o mesmo espírito com que os antigos construíam as catedrais».
O Cardeal Albino Luciani, poucos dias antes de ser eleito como Papa João Paulo I – «o Papa do sorriso» –, escreveu uma nota biográfica sobre são Josemaria, na revista Il Gazzetino, de Veneza. Fazia eco aos ensinamentos de Mons. Escrivá, e dizia: «É lá, bem no meio da rua, no escritório, na fábrica, que nos fazemos santos, desde que cumpramos o nosso dever com competência, por amor de Deus e alegremente, de forma que o trabalho cotidiano não se torne o “trágico cotidiano”, mas antes o “sorriso cotidiano”».
Podemos resumir este capitulo com a seguinte frase de são Josemaria: «A dignidade do trabalho baseia-se no Amor. O grande privilégio do homem é poder amar, transcendendo assim o efêmero e o transitório»[6]
[Capítulo do nosso livro Deus na vida cotidiana]
—–
[1] Neste capítulo e nos seguintes, meditaremos sobre o trabalho dentro da perspectiva da santificação do cotidiano, ou seja, do “nosso trabalho de cada dia”. Não focalizaremos, portanto, nem a teologia – muito rica – do trabalho, nem o valor social do trabalho, tal como o expõe a Doutrina Social da Igreja. Pode ser útil consultar a Encíclica Laborem exercens, de são João Paulo II, e o livro do teólogo J.L. Illanes, A santificação do trabalho, Ed. Quadrante, São Paulo 1968.

[2] cf. Carta 15-X-1948, n.6. Citada por A. Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, vol III.
[3] Homilia Trabalho de Deus, em Amigos de DeusI, n. 67
[4] Sulco, n. 487
[5] cf. a nossa Novena do Trabalho, em www.padrefaus.org/novenas
[6] É Cristo que passa, n. 48

SANTIFICAR-SE COM O TRABALHO


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Uma escada de amor

Ponto de luz«O cristão não pode ser superficial. Plenamente mergulhado no seu trabalho diário entre os demais homens, seus iguais, atarefado, ocupado, em tensão, o cristão tem que estar ao mesmo tempo totalmente mergulhado em Deus, porque é filho de Deus» (É Cristo que passa, n. 65).

No começo do capítulo anterior, lembrávamos – com palavras de são Josemaria – que o trabalho é «meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora».

Como santificar-nos a nós mesmos com o trabalho? Para entendê-lo bem, recordemos de novo que a fé nos ensina que a santidade é a plenitude do amor. A caridade (o amor) – diz são Paulo –, é o vínculo da perfeição. E afirma que ser um cristão perfeito consiste em progredir no amor  (cf. Col 3,14 e Ef 5,2).

É claro que a santificação pessoal no trabalho não é automática. Pressupõe pedir humildemente a ajuda da graça de Deus, e esforçar-nos por não perdê-lo de vista. «Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado.
E está como um Pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos –, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando… e perdoando»[1].

No meio do trabalho, precisamos rezar mentalmente orações muito breves que mantenham o «aquecimento do amor», como pequenos gravetos que se lançam nas brasas de uma lareira.  Basta dizer jaculatórias simples, como por exemplo: «Jesus, eu te amo!», ou «Ofereço-te esta hora de trabalho pela conversão do meu filho»…

Amor e virtudes

Esse clima espiritual, cultivado habitualmente, nos fará crescer na santidade. Como é que isso se notará? Eu lhe diria que, sobretudo, pelo amadurecimento das virtudes: mais fé, mais otimismo, mais compreensão, etc[2].

Completemos esta meditação fazendo-nos umas poucas perguntas práticas sobre as virtudes. Começaremos pelas virtudes «cardeais» (prudência, justiça, fortaleza e temperança); e, a seguir, examinaremos as  «teologais» (fé, esperança e caridade).

Exame sobre as virtudes cardeais 

  • Prudência:
– Tenho o hábito de refletir e, em muitos casos, de estudar a fundo, sem precipitação, antes de agir?
– Tenho a humildade de confrontar a minha opinião com a de outros colegas, e valorizo as sugestões recebidas?
– Quando, no trabalho, já fica definida uma solução, procuro levá-la logo à prática com decisão, sem demora?

  • Justiça:

– Sabendo que o trabalho de outras pessoas depende do meu, procuro ser diligente e pontual, para não prejudicá-los?
– Exijo dos subordinados horários abusivos de trabalho, que os impedem de atender decentemente aos deveres familiares?
– Sem uma estrita e urgente necessidade, protelo, nem que seja por uma hora, o pagamento de salários?

  • Fortaleza:

– Enfrento as dificuldades do trabalho com coragem, sem cair no desânimo nem em reclamações inúteis?
– Venço a moleza, a lentidão e o descuido nas diversas tarefas, mesmo que ninguém me cobre nada?
– Quando devo corrigir colegas ou subordinados, faço-o com clareza e delicadeza, sem cair na ira nem na prepotência?

  • Temperança:
– Venço a curiosidade desordenada na internet; evito perder o tempo com conversas inúteis ou indecentes?
– Ao terminar o trabalho, na “happy hour” ou no final de semana, abuso da bebida?
– Queixo-me com frequência do calor, do frio ou de qualquer moléstia física?

Perguntas sobre as virtudes teologais

  • :
– Procuro realizar bem o meu trabalho, com a consciência de estar assim cumprindo a vontade de Deus? Ofereço o trabalho a Deus? Rezo, pedindo a Deus que me mostre o que espera de mim naquela tarefa?
– Procuro na oração e na Eucaristia as forças necessárias para trabalhar como um bom cristão?
–Nas dificuldades e sofrimentos do trabalho, vejo Jesus que me pede, ajudá-lo a carregar a Cruz como um bom Cireneu?

  • Esperança:
– Estou convencido de que o trabalho feito de olhos postos em Deus nunca é inútil no Senhor, como dizia são Paulo [3]?
– Peço com confiança a ajuda de Deus nos trabalhos mais difíceis?
– Lembro-me de que Cristo disse: De que adianta ganhar o mundo inteiro, se acabas perdendo a tua alma[4]?

  • Caridade:
– Vejo os colegas como amigos e companheiros, não como rivais?
– Esforço-me por compreender os outros, evitando críticas negativas? Caio em mexericos?
– Evito comentários que impliquem desprezo ou ofensa de superiores e colegas?
– Rezo pelos outros e lhes faço o bem que posso no meu ambiente profissional?
[Capítulo do nosso livro Deus na vida cotidiana]
—-

[1] Caminho, n. 267
[2] Sobre esse tema, pode ser útil o nosso livro A conquista das virtudes, Ed. Cultor de Livros, São Paulo 2014.
[3] 1 Cor 15,58
[4] Mt 16,26

segunda-feira, 2 de março de 2020

QUARESMA: 1- O SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO


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1 – O SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO


 Se alguém quiser
Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mat 16,24). Ao dirigir essas palavras aos discípulos, Jesus fala de algo que depende de nós. Algo que podemos fazer ou não -Se alguém quiser…-, algo que pertence, portanto, à nossa livre iniciativa.
Sempre a Cruz – a mortificação pequena ou grande – deve ser tomada livremente: só se nós queremos, é que sacrificamos um fim de semana para dar assistência aos pobres; se nós queremos, deixamos de ir ao cinema para visitar um doente; se nós queremos, assumimos em casa os trabalhos mais sacrificados; se nós queremos, mortificamos a curiosidade, a gula, a destemperança no falar, etc.
Sacrifícios voluntários? Mortificação? Meter na nossa vida mais “cruzes”, quando a vida já traz tantas sem procurá-las? Por quê?
O Espírito Santo  nos responderá pela boca de São Paulo.
Este Apóstolo usa com frequência de uma comparação: a imagem dos dois homens que estão sempre brigando dentro de nós: o homem velho e o homem novo. Poderíamos traduzir por “homem modelado pelos parâmetros mundanos, pagãos” e “homem modelado – conforme a imagem de Cristo – pelo amor, pela graça do Espírito Santo”.
Assim, escrevendo aos Efésios, São Paulo pede-lhes: Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê das suas ideias frívolas […]. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em justiça e santidade verdadeiras (Ef 4,17.22-24). É claro que lhes está propondo uma luta constante, mediante a qual deverão arrancar – como se arrancam no jardim as ervas daninhas – o homem velho, para revestir-se do homem novo.
As mesmas ideias, mais sinteticamente expostas, encontramo-las na Carta aos Colossenses: Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem dAquele que o criou (Cl 3,9-10).
Um terceiro texto, dirigido aos Gálatas, completa os anteriores: Os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências (Gl 5,24). Para entender o que quer dizer, é preciso ter presente que, na mesma carta, havia explicado o que é a carne e as suas concupiscências (palavra que literalmente significa maus desejos), mostrando que por carne entende – como é comum em textos bíblicos – a vida egoísta, afastada da graça de Deus e mergulhada no materialismo, cujo deus é o ventre […] e só tem prazer no que é terreno (Fil 3,19).
Característica típica do homem velho é a de se deixar dominar pelos desejos da carne, que – como explica detalhadamente o Apóstolo – são fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdia, bandos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes (Gál 5,19,21).
Esta é a carne que deve ser crucificada, ou seja, mortificada, dominada e vencida com a renúncia, com a luta, com a Cruz.
Purificação voluntária
A mortificação voluntária – que faz parte essencial da luta do cristão – é um meio necessário de purificação.
Santo Agostinho tem um pensamento muito profundo a esse respeito. Lembra que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e que o pecado “deformou” essa imagem e apagou a semelhança. A graça de Deus, recebida no Batismo, fez-nos renascer para uma vida nova, dando-nos a graça. É tarefa nossa colaborar com a graça para limpar os males que nos deformam; só assim a graça nos devolverá à “forma” primeira, que é a imagem do ser de Deus [1], a autêntica personalidade dos filhos de Deus.
Como é sugestiva essa ideia, para nos ajudar a compreender que a formação cristã não se limita ao conhecimento da verdade, da doutrina – a ler, estudar, aprender- , mas exige um trabalho de purificação –de limpar, de extirpar, de endireitar, de podar o que procede do egoísmo–, para podermos “arrancar a triste máscara que forjamos com as nossas misérias[2]”, e estarmos em condições de ir reproduzindo fielmente em nós os traços do nosso modelo, Jesus Cristo.
Pensemos seriamente, nestes dias, qual é o nosso homem velho, quais são as nossas paixões e concupiscências, para assim podermos descobrir as mortificações que precisamos fazer para arrancar de nós as máscaras deformantes. Não é muito difícil adivinhar. Difícil é concretizar… e fazer.
Na realidade, todos notamos em nós mesmos defeitos que nos prejudicam, hábitos, vícios de diversas espécies, que nos dominam; falhas de caráter que atrapalham o nosso trabalho; atitudes desagradáveis ou omissões no nosso relacionamento com os outros… Pois bem, aí é que deve entrar a nossa cruz, ou seja, os sacrifícios necessários para corrigir tais defeitos e revestir-nos do homem novo.
Adaptação de um trecho do livro de F.Faus, A sabedoria da Cruz
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Ano da Misericórdia:
Quantas páginas da Sagrada Escritura – diz o Papa Francisco – se podem meditar, nas semanas da Quaresma, para redescobrir o rosto misericordioso do Pai! […]. As páginas do profeta Isaías poderão ser meditadas, de forma mais concreta, neste tempo de oração, jejum e caridade. «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente …, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. […]

»Se retirares da tua vida toda a opressão, o gesto ameaçador e o falar ofensivo, se repartires o teu pão com o faminto e matares a fome ao pobre, a tua luz brilhará na escuridão, e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia. O Senhor te guiará constantemente, saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos. Serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas inesgotáveis » (cf. 58, 6-11).
(Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 17).


[1] Cfr. Sermão 125,4. Patrologia Latina 38,962.
[2] Cfr. Josemaría Escrivá: Via Sacra, sexta estação