sábado, 11 de abril de 2020

“Na quarentena, tenha momentos de solidão”, orienta uma freira contemplativa

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Para a religiosa, saber se dar um tempo para respirar é algo humano básico

A solidão é uma necessidade humana importante. E muitas pessoas agora estão entendendo isso.
No entanto, é compreensível que alguns pais se sintam culpados em se trancarem por um momento em seus quartos quando todos da família estão em casa o tempo todo, com crianças precisando de ajuda com o trabalho escolar e as atividades do lar.
Uma religiosa, cuja vida inteira é caracterizada por viver em “casa”, aconselha exatamente o contrário. Ir. Sophie Marie é membro de uma comunidade contemplativa de freiras em Monona, Wisconsin.


Os contemplativos, em oposição às freiras e monges “ativos”, têm uma vida focada na oração e no estudo. Eles também vivem em comunidade, a menos que optem por ser eremitas.
Então, o que ela aconselha às pessoas que estão repentinamente em casa com a família 24 horas por dia, sete dias por semana?
“Tenha um equilíbrio de união e também momentos de solidão”, disse Ir. Sophie Marie. “Temos que ser prudentes em não passar 24 horas por dia, 7 dias por semana juntos.” Ela reconheceu que o tempo que uma pessoa tira para ficar sozinha pode e deve ser um “momento precioso”. “Saber se dar um pouco de espaço para respirar é algo humano básico”, disse ela.
Um  contemplativo de uma parte diferente do país, que pediu que ele e sua comunidade não fossem identificados, falou de maneira semelhante sobre a importância da solidão, mesmo quando as pessoas precisam viver juntas. De fato, esses momentos de solidão ajudam as pessoas a viverem com os outros.
“Nós nos esforçamos para viver em companhia habitual de Deus, que alguns chamam de ‘lembrança’ ou ‘prática da presença de Deus’. E essa prática realmente nos aproxima um do outro, mesmo que nossos corpos estejam distantes”, disse o monge. “Como Deus é a fonte e o fim de cada um de nós, só podemos nos aproximar um do outro se aproximando dele”, acrescentou.

https://pt.aleteia.org/2020/04/02/na-quarentena-tenha-momentos-de-solidao-orienta-uma-freira-contemplativa/

Conselhos de um místico sobre como enfrentar a solidão

Sad and lonely young girl

Se você está sofrendo com a solidão nesta época de isolamento, lembre-se das dicas de São João da Cruz

Asolidão, mesmo para os religiosos, pode ser difícil de suportar. Somos criaturas sociais e ansiamos por interagir com os outros. No entanto, também é benéfico passar um tempo sozinho, algo que muitos religiosos escolhem livremente como opção de uma vida inteira.
São João da Cruz dá algumas dicas úteis para aqueles que sofrem com a solidão:

1
NÃO OLHE PARA TRÁS

Se você deseja encontrar paz e consolo para sua alma e servir a Deus de verdade, não encontre satisfação no que deixou para trás. Foque na oração e na leitura espiritual para persistir no esquecimento das coisas do passado.

2
MANTER O CÉU EM MENTE

Preserve uma lembrança habitual da vida eterna, lembrando que aqueles que se consideram os menores e os mais pobres desfrutarão da glória de Deus.

3
RECONHEÇA QUE DEUS ESTÁ COM VOCÊ

Entre em contato com o seu “eu” interior e lá você encontrará o espaço que Deus ocupa no seu coração.

4
NÃO DEIXE NADA PERTURBAR O SEU CORAÇÃO

Esforce-se para manter seu coração em paz; que nenhum acontecimento deste mundo o perturbe. Lembre-se que tudo terá um fim.

5
BUSQUE MAIS A DEUS EM SUA SOLIDÃO

Quanto mais você se afasta das coisas terrenas, mais se aproxima das coisas celestiais e mais se encontra em Deus!

Philip Kosloski | Abr 08, 2020

Relíquias de Pe. Pio podem ser veneradas pela internet

PADRE PIO RELIC

Oportunidade rara está sendo oferecida por uma fundação internacional; fiéis também podem rezar o terço on-line

Padre Pio ficou conhecido por afirmar: “O Rosário é a ‘arma’ para esses tempos”. Ele acreditava no poder da oração e o Rosário era uma de suas mais amadas devoções.
Durante esse período de crise mundial provocada pelo coronavírus, a Fundação São Pio (Saint Pio Foundation) oferece uma oportunidade única de venerar as relíquias de Padre Pio. Enquanto fazem a veneração, os fiéis também podem rezar o terço.
Até o dia 1º de maio de 2020, a fundação manterá a página da web em que oferece a oportunidade de rezar o terço virtualmente, na presença das relíquias do Padre Pio. A página apresenta quatro vídeos diferentes, cada um representando um mistério.
Trata-se de uma iniciativa que encoraja a devoção e esperança durante este período de turbulência.
Padre Pio é conhecido por seu poder de intercessão, tanto durante sua vida quanto após sua morte. Milhões de pessoas ao redor do mundo atribuem inúmeros milagres à sua intercessão.
Curiosamente, Padre Pio sofreu muito durante sua vida de várias doenças e acompanhou muitos fiéis que sofriam da gripe espanhola.
Embora a veneração virtual de suas relíquias não se compare a um encontro da vida real, ela pode fornecer um pouco de esperança durante esses tempos difíceis, pois o mundo pede a Deus que acabe com essa crise.

https://pt.aleteia.org/2020/04/10/reliquias-de-pe-pio-podem-ser-veneradas-pela-internet/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Os dois eus

A diversidade dos 'EUS' e o 'EU' real...
“(…) a vida cristã é uma luta. Uma luta penosa, com várias vicissitudes, que somente termina com a morte. Luta de extrema importância, pois o que está em jogo é a vida eterna. Como ensina São Paulo, há em nós dois homens: a) o homem regenerado, o homem novo, com inclinações nobres, sobrenaturais e divinas, produzidas em nós pelo Espírito Santo, em razão dos méritos de Cristo, da intercessão da SS. Virgem e dos santos. Procuramos corresponder a essas inclinações colocando em ação, sob o influxo da graça atual, o organismo sobrenatural que Deus nos deu; b) Contudo, paralelamente há em nós o homem natural, o homem carnal, o homem velho, com más inclinações, cujas raízes o batismo não arrancou de nossa alma. É a tríplice concupiscência, que herdamos dos primeiros pais, e que o mundo e o demônio avivam e intensificam. É uma inclinação habitual que nos leva ao amor desordenado dos prazeres sensuais, da nossa própria excelência e pelos bens terrenos. Esses dois homens fatalmente entram em conflito. A carne, ou o homem velho, deseja e busca o prazer sem ater-se à moralidade. O espírito faz lembrar que há prazeres proibidos e perigosos que, por dever e porque é vontade de Deus, deve-se renunciar. Porém, como a carne persiste em seus desejos, a vontade, ajudada pela graça, fica obrigada a mortificá-la e, se for preciso, a crucificá-la. Assim, o cristão é um soldado (II Tim 2,1), um atleta que combate até a morte por uma coroa imortal.”



(Adolphe Tanquerey, Tratado de Teologia Ascética e Mística)

Ó alma!




Ó alma, que choras os teus pecados, teme o juízo divino, que é um abismo profundo. Teme vivamente, ainda que já sejas penitente, voltar a desagradar a Deus. Teme mais ainda, mesmo agora, ofender novamente a Deus. Teme acima de tudo seres finalmente separada de Deus, privada para sempre da luz, ardendo para sempre no fogo e roída pelo verme que não morrerá. Teme tudo isso, se uma penitência verdadeira te não obtiver que morras em graça, e canta com o profeta: «O meu corpo estremece de temor na tua presença, e os teus decretos inspiram-me respeito.» (Sl 118, 120).

Entretanto, deseja os dons celestes. Eleva-te pela chama do amor divino até Deus, que tão pacientemente suportou os teus pecados, te esperou com tanta longanimidade e te reconduziu à penitência com tal misericórdia, pelo perdão, a infusão da graça e a promessa da coroa eterna. Ele apenas te pede que Lhe ofereças, ou antes, que dele recebas para Lhe oferecer, o sacrifício de um espírito contrito, de um coração contrito e arrependido (cf Sl 50,19) por amarga compunção, por uma confissão sincera e uma satisfação justa.

Deseja com ardor que Deus te prove o seu amor com uma ampla comunicação do Espírito Santo. Deseja com mais ardor ser-Lhe conforme por via de uma fiel imitação de Jesus crucificado. Acima de tudo, deseja possuir Deus na visão clara do Pai eterno, a fim de que possas, em verdade, cantar com o profeta: «A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo! Quando poderei contemplar a face de Deus?» (Sl 41,3)

São Boaventura

“Como é bela a imagem da cruz!”

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Como é bela a imagem da cruz! A sua beleza não oferece mistura de mal e de bem, como outrora a árvore do jardim do Éden. Toda ela é admirável, «uma delícia para os olhos e desejável» (Gn 3,6). É uma árvore que dá a vida e não a morte; a luz e não a cegueira. Que leva a entrar no Éden e não a sair dele. Esta árvore, à qual Cristo subiu como um rei para o seu carro de triunfo, derrotou o diabo, que tinha o poder da morte, e libertou o género humano da escravidão do tirano. Foi sobre esta árvore que o Senhor, qual guerreiro de eleição, ferido nas mãos, nos pés e no seu divino peito, curou as cicatrizes do pecado, quer dizer, a nossa natureza ferida por Satanás.
Depois de termos sido mortos pelo madeiro, encontrámos a vida pelo madeiro; depois de termos sido enganados pelo madeiro, é pelo madeiro que repelimos a serpente enganadora. Que permutas surpreendentes! A vida em vez da morte, a imortalidade em vez da corrupção, a glória em vez da ignomínia. Por este motivo, o apóstolo Paulo exclamou: «Toda a minha glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14). […] Mais do que qualquer sabedoria, esta sabedoria que floresceu na cruz tornou ignóbeis as pretensões da sabedoria do mundo (1Cor 1,17s). […]
Foi pela cruz que a morte foi morta e Adão restituído à vida. Foi pela cruz que todos os apóstolos foram glorificados, todos os mártires coroados, todos os santos santificados. Foi pela cruz que fomos reconduzidos como ovelhas de Cristo, e reunidos no redil do alto.

(São Teodoro Estudita)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A missão - Filme




No final do século XVIII Mendoza (Robert De Niro), um mercador de escravos, fica com crise de consciência por ter matado Felipe (Aidan Quinn), seu irmão, num duelo, pois Felipe se envolveu com Carlotta (Cherie Lunghi). Ela havia se apaixonado por Felipe e Mendoza não aceitou isto, pois ela tinha um relacionamento com ele. Para tentar se penitenciar Mendoza se torna um padre e se une a Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta bem intencionado que luta para defender os índios, mas se depara com interesses econômicos.
O contexto histórico do filme é o contexto da Guerra Guaranítica, que ocorreu entre (1750 - 1756 [5]) e envolveu os índios guaranis e as tropas espanholas e portuguesas no sul do Brasil após a assinatura do Tratado de Madrid, no dia 13 de janeiro de 1750[6]. Os índios guaranis da região dos Sete Povos das Missões recusam-se a deixar suas terras no território de Rio Grande do Sul e a se transferir para o outro lado do rio Uruguai, conforme ficara acertado no acordo de limites entre Portugal e Espanha.

Em decorrência do referido Tratado, o Império Português passou a exercer soberania também sobre os territórios de missões jesuíticas situadas a leste do Rio Uruguai. Ocorre que o Império Português permitia a escravização dos indígenas, que naquela região eram os guaranis, enquanto que, no Império Espanhol, todos os índios eram automaticamente súditos do Rei da Espanha, e, portanto, não podiam ser escravizados.

As missões jesuíticas (também conhecidas como reduções) daquela região eram modelos de sociedades autogestionadas, uma espécie de cristandade primitiva, das primeiras comunidades.

Em pleno século XVIII, mais de duzentos anos após a descoberta do Brasil, havendo falta de mão-de-obra, os índios eram caçados e forçados a servir como escravos nas plantações dos colonos Europeus. A Companhia de Jesus, ordem religiosa jesuíta, teria então por missão evangelizar os índios, e, uma vez convertidos à Fé Cristã, os índios estariam a salvo da escravidão. Já no século XVIII, em São Paulo e Minas Gerais, sendo a mão-de-obra escrava ainda muito procurada, e porque muitos índios locais já haviam migrado mais para o Sul, iniciou-se o processo de uso das entradas e bandeiras, incursões na mata de grupos de caçadores de novos escravos, na região das Missões jesuíticas. Aí se deu um confronto histórico, em que as Missões, com centenas de índios catequizados, que já conheciam a música clássica, a escrita, e a Bíblia, viriam a ser capturados eventualmente, em confrontos com os Bandeirantes. O filme retrata este período - da chegada dos bandeirantes às Missões. E o único apoio às Missões seria agora do Rei de Espanha (pois as Missões eram reduções espanholas). As cortes iluministas da Europa opuseram-se aos ensinamentos e influência da Companhia de Jesus, e é certo que as autoridades portuguesas viam certas vantagens em livrar-se da presença da mão religiosa nesta área, pretendendo escravizar as comunidades indígenas abrigadas sob a proteção das Missões. O filme culmina quando as coroas Portugal e Espanha, em conluio com o emissário do Papa, e após a celebração do Tratado de Madrid, procedem por à exclusão do catecismo dos índios por conta da pressão e da possível supressão da ordem jesuíta acusada de regicídio pelo Marquês de Pombal, ficando estes à mercê dos bandeirantes paulistas, e quando alguns jesuítas permanecem tentando defendê-los.