quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Um humilde e simples conselho para o ano-novo

 

Depois do turbilhão chamado 2020 poucas pessoas receberão 2021 sem alguma dose de ansiedade

Estou pronto para o ano-novo. E você?

Enquanto penso na chegada de mais um ano, fantasmas do ano passado vêm à mente. Vejo 2020 como um ano que começou com a morte do filho de um amigo por overdose de drogas. Além disso, lembro de todas as dificuldades que o mundo enfrentou durante o ano.

De fato, poucas pessoas vão se lembrar do ano de 2020 com boas lembranças. Poucas pessoas enfrentarão 2021 sem alguma medida de ansiedade. Ambas as posições são compreensíveis, talvez até inevitáveis. Mas como um discípulo de Cristo, que resistiu à tempestade de 2020, enfrentará o mistério do ano de 2021?

Como enfrentar o mistério de 2021

Bem, existem alguns erros tentadores que devemos evitar. Otimismo sem sentido e pensamento positivo combinados com um presunçoso “Não se preocupe! Tudo vai ficar bem!” provavelmente me provocariam abuso verbal e ou coisa pior. Mas eu não acho que haverá muitas pessoas ao redor do mundo organizando grandes cantos de esperança quando o ano novo chegar.

Por outro lado, existe também uma opção mais sombria, um caminho mais adequado ao meu temperamento melancólico altamente desenvolvido, a saber: “Estamos condenados! Vai piorar! O julgamento de Deus está sobre nós! Vamos orar por uma morte rápida e misericordiosa para não invejarmos os mortos!”

Entretanto, essa resposta ofuscante à escuridão (escuridão real e imaginária) bloqueia as avenidas da graça e prejudica todas as virtudes naturais. Pessoas que amam seus filhos evitarão trilhar esse caminho. O mesmo acontecerá com os pastores verdadeiros pastores.

O que, então, devemos fazer nós, discípulos de Cristo, no início de um ano novo? Lembre-se da velha piada: “Se você quiser fazer Deus rir, conte-lhe seus planos!””

Há uma pepita de sabedoria nessa afirmação, e alguns grãos de veneno também. A sabedoria está no reconhecimento de que o conhecimento, a bondade e o poder de Deus excedem infinitamente os nossos, e simplesmente não somos capazes de moldar o mundo de acordo com nossas percepções, inspirações e inclinações. À medida que fui envelhecendo, vi os destroços de muitos dos meus planos, certezas e resoluções atrás de mim. A vida me lembrou repetidamente que Ele é muito maior do que eu. Dito isso, não quero dar a impressão de que estou aconselhando a todos que desistamos e deixemos a maré cair sobre nós. Essa é uma tentação que devemos evitar.

Um conselho

Em vez disso, aconselho que façamos algo que seja ao mesmo tempo humilde e ousado: vamos cumprir nosso dever. Vamos cumprir nossas obrigações, promessas e compromissos. Aparecerei preparado quando for marcada a missa, por exemplo. Da mesma forma, ouvirei confissões quando for solicitado. Vou responder e-mails e telefonemas e pagar contas. Administrarei meu tempo, energia e recursos à luz do que Deus e o próximo têm o direito de esperar de mim. Fraco e limitado como sou, optarei, então, por conduzir-me como quem vive num mundo incerto e que tem a certeza de que no final dos seus dias terei de enfrentar Deus.

Quando estou confuso, desanimado, assustado, tentado ou angustiado, pergunto: “O que posso fazer de bom agora?” E se eu não tiver vontade de fazer isso, vou me perguntar: “O que posso fazer agora para provar a Deus que sou grato por todas as Suas misericórdias e bênçãos?”

Enfim, não sei o que 2021 reserva para mim ou para qualquer outra pessoa. Encaro o desconhecido com a certeza de que Deus é fiel e provê o que é necessário para nossa salvação. E, se Deus pedir minha opinião, direi a Ele que gostaria que 2021 fosse melhor do que 2020.


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FELIZ ANO NOVO



 "Durante a nossa vida causamos transtornos na

vida de muitas pessoas,

porque somos imperfeitos.


Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas,

falamos sem necessidade,

incomodamos.


Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente.

Mas agredimos.


Não respeitamos o

tempo do outro,

a história do outro.


Parece que o mundo gira

em torno dos nossos desejos

e o outro é apenas

um detalhe.


E, assim, vamos causando transtornos.


Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção.


Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma.


O outro também está em construção e também nos causa transtornos.


E, às vezes,

um tijolo cai e nos machuca.

Outras vezes,

é a cal ou o cimento que sujam nosso rosto.

E quando não é um,

é o outro.

E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem conosco

também têm de fazer.


Os erros dos outros,

os meus erros.

Os meus erros,

os erros dos outros.


Esta é uma conclusão essencial:

Todas as pessoas erram.

A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade

humana e cristã:

o perdão.


Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras.

É compreender que os

transtornos são muitas vezes involuntários.


Que os erros dos outros são

semelhantes aos meus erros e que,

como caminhantes de uma jornada,

é preciso olhar adiante.


Se nos preocupamos com

o que passou,

com a poeira,

com o tijolo caído,

o horizonte deixará de ser contemplado.

E será um desperdício.


O convite que faço é que você experimente a beleza

do perdão.

É um banho na alma!


Se eu errei,

se eu o magoei,

se eu o julguei mal,

desculpe-me por todos

esses transtornos…

Estou em construção!"


PAPA FRANCISCO


Feliz Ano Novo !!! 

No perigo, na solidão: deixar-se abraçar por Deus

 


Não conseguimos viver sem medo, mas podemos colocá-lo nas mãos do Senhor

Na vida, a generosidade exige renúncia. Renúncia ao próprio desejo, à possessão, a ter tudo, à paz constante, ao descanso permanente, aos meus planos. Amar é renunciar. O amor que não renuncia seca, morre.

O amor que cresce a partir da morte ao próprio eu é um amor fecundo, grande, próprio de um coração que se dilatou, que se tornou enorme no caminho. Um coração capaz de entregar a vida no silêncio, sem buscar aplausos ou reconhecimento. É um coração assim que queremos: um coração livre e pleno.

Santo Inácio rezava: “Tomai, Senhor, e recebei / Toda a minha liberdade, a minha memória também. / O meu entendimento e toda a minha vontade / Tudo o que tenho e possuo, vós me destes com amor. / Todos os dons que me destes, com gratidão vos devolvo. / Disponde deles, Senhor, segundo a vossa vontade. / Dai-me somente, o vosso amor, vossa graça. / Isto me basta, nada mais quero pedir”.

Decisões

Em nosso coração são tomadas as decisões mais importantes, e ninguém pode interferir nelas. Decisões nas quais nos entregamos e abandonamos totalmente. Lá, na solidão da alma, nós abraçamos Deus. Lá onde ninguém mais pode entrar, porque é nossa intimidade mais profunda e cálida.

E queremos que o nosso coração seja um lar para Cristo. Nesse lar de paz, poderíamos descobrir seu querer e estar dispostos, assim, a entregar tudo, a renunciar a tudo.

Diante do desconhecido, diante do que não controlamos, temos de olhar para Deus, confiar nele, abandonar-nos em suas mãos, sabendo que Ele nos conduz a um porto seguro.

Na verdade, nossa santidade repercute nos que nos cercam. Somos membros do Corpo místico de Cristo. O bem que fazemos é um bem para os outros. O mal que provocamos é uma ausência de bem.

Nosso amor pode ajudar outras pessoas a amar mais, a amar melhor, a amar mais santamente. “O verdadeiro amor é aquele que não diz “é suficiente”. A medida do amor é amar sem medidas. Nossa relação mútua deve nos submergir cada vez mais profundamente nesta medida sem medidas, no eterno, no Deus infinito.”

Ato de abandono

Uma vida que ama e é capaz de não dizer jamais “Isso é suficiente” é a vida à qual aspiramos. Uma vida entregue nas mãos de Deus. É o abandono no meio do perigo. Quando nem tudo está garantido, quando nossa vida não está totalmente sob controle. É natural ter medo do futuro, da morte, da cruz. Não é natural viver sem medo.

Ninguém vive sem medo, a não ser por uma graça especial, por um dom sobrenatural, por uma união profunda do seu coração com o coração de Cristo na cruz. Os mártires suportaram o martírio não por falta de medo, mas porque receberam uma graça especial de Deus.

Nós não vivemos sem medo, mas sempre podemos entregar esse medo a Deus para que Ele nos liberte. O medo está na alma e pode nos impedir de avançar.

Hoje somos conscientes dos nossos medos. Sabemos quantas coisas existem em nossa vida que nos inquietam. O futuro, a crise, o medo de doenças: entreguemos tudo isso a Deus, para que Ele sustente nossa vida e nos dê sua paz em meio às tempestades.


93% dos argentinos rejeitam a lei do aborto, diz pesquisa

 






"É um projeto que não nasce dos interesses e necessidades reais da população como um todo", comentam pesquisadores

93% dos argentinos rejeitam a lei do aborto no país, segundo pesquisa realizada pela Universidade do Norte Santo Tomás de Aquino (Unsta). Mesmo assim, o atual governo de esquerdas priorizou e impulsionou intensamente o projeto de lei que libera o aborto na Argentina, apesar da grave crise econômica e social que assola o país e do galopante aumento de contágios pelo coronavírus ao longo das últimas semanas. A nova lei pró-aborto já foi aprovada pelos deputados e deverá ser debatida pelos senadores ainda hoje, 29 de dezembro, no apagar das luzes de 2020.

De fato, a pesquisa efetuada por iniciativa da Cátedra de Sociologia da Unsta registrou também que 92% dos argentinos acham que o aborto não é uma urgência da saúde pública de seu país.

93% dos argentinos rejeitam a lei do aborto no país

Mais dados sobre a pesquisa:

  • Foram entrevistadas 8.101 pessoas entre os dias 20 e 24 de dezembro em 23 províncias argentinas.
  • 70% das pessoas que responderam à pesquisa são mulheres.
  • 95% consideram que a vida humana começa desde a concepção.
  • 93% afirmaram que não é o momento de debater a legalização do aborto no Congresso Nacional.
  • 6% consideram que é, sim, um momento oportuno, e 1% disse não saber.
  • 92% dizem que o aborto livre não deve ser permitido em momento algum da gravidez.
  • 7% acham que o aborto livre pode ser permitido até o terceiro mês de gestação.
  • 25% dizem que o aborto por motivos como estupro, risco de vida da mãe ou malformação do feto pode ser permitido.
  • 67% acham que o aborto deve ser sempre proibido, inclusive nos casos acima.

A pesquisa contou com as contribuições da professora Irene Gutiérrez, da Cátedra de Antropologia Sócio-Cultural, do advogado Luis Britos e do psicólogo Francisco Viejobueno, da Cátedra de Sociologia da Faculdade de Ciências da Saúde. Eles comentam:

“Observa-se uma forte rejeição ao aborto e ao projeto de legalizá-lo. Isto quer dizer que é um projeto que não nasce dos interesses e necessidades reais da população como um todo”.

Com informações de ACI Prensa


domingo, 8 de novembro de 2020

Correção fraterna: 6 dicas para corrigir o seu próximo sem magoá-lo

 


"Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente" (Mt 18,15). Embora exija discernimento e caridade, a correção fraterna pode ser considerada um ato de equilíbrio. Como coloca-la em prática sem humilhar ou ferir o irmão?

Você não sabe quando, como e por quais motivos corrigir os seus irmãos? Explicaremos tudo na forma de seis questionamentos, com a ajuda do Irmão Dominique-Benoît, professor de teologia.

Qual é a melhor maneira de fazer a correção fraterna?

Não existe receita milagrosa. Cada correção deverá ser adaptada à pessoa a ser corrigida, à gravidade da falta e ao momento mais favorável. “Mostrar ao irmão o “pecadinho” que ele cometeu não é a mesma coisa de conversar sobre um pecado grave”, diz o irmão Dominique-Benoît. A forma com que corrigimos também é importante. Pode ser necessário seguir a fórmula do “bom exemplo”. Quando Santa Teresa de Ávila via uma de suas Irmãs agir mal, ela desenvolvia a virtude oposta: agir cada vez melhor. Os Padres do Deserto gostavam de dar o exemplo de forma inteligente. Abba Poemen relata: “O monge geralmente fazia sua refeição com um discípulo. Infelizmente, esse irmão costumava colocar um pé na mesa para a refeição. O velho não fazia comentários, pelo contrário, por muito tempo via isso e ficava em silêncio. Por fim, sem mais aguentar a situação, confiou a outro ancião o problema. Quando chegou a hora da refeição, o mais velho, muito rapidamente e antes que o jovem pudesse fazer o menor movimento, pôs os pés sobre a mesa. O jovem ficou muito chocado e disse ‘pai, isso é impróprio’. O ancião imediatamente tirou os dois pés e disse: “Você está certo, meu irmão”. O irmão então nunca mais se deixou levar por essa incongruência”. A nossa correção fraterna pode ser feita também através do conselho de uma leitura oportuna (uma passagem do Evangelho, os escritos de um sábio, etc.) ou através da recontagem de uma história (a vida de um santo ou alguns contos dos Padres do Deserto). A forma mais comum, no entanto, continua sendo uma discussão franca, direta e imediata.

Em termos concretos, para corrigir um amigo ou ente querido, basta um encontro individual de alguns minutos, em uma sala adequada e longe de ouvidos curiosos. “Nas poucas vezes que isso aconteceu, combinei de encontrar um amigo em minha casa para um drink. Foi tranquilo e sério ao mesmo tempo!”, disse Guilherme, ex-líder dos escoteiros. O lugar e o ambiente são essenciais. Você não “corrige” o outro em uma posição desequilibrada – um sentado e outro em pé, por exemplo. “Em geral, devemos ter o cuidado de conversar sentados em torno de uma mesa, tendo em mente que estamos lá para nos ajudar e não para julgar uns aos outros”, confidenciaram Claire e seu marido Xavier. Quanto mais pensarmos no que dizer com antecedência, melhor será. Portanto, cada palavra conta e deve ser considerada cuidadosamente. Isso não exclui a franqueza ou alguma forma de improvisação no momento para se adaptar às reações do outro. Guilherme tem a sua técnica: “Procuro sempre partir dos meus próprios defeitos para mostrar os dos outros. Mostro que também não sou santo! ”

Devemos seguir os quatro passos dados por Cristo?

Não devemos fazer algo “automático”. “O Evangelho não prevê procedimentos a serem seguidos estritamente como os procedimentos de nossos códigos civil e penal”, avisa o irmão Dominique-Benoît. A gradualidade presente no Evangelho de São Mateus – o mais eclesiológico dos quatro Evangelhos – quer mostrar que “o pecado, mesmo sendo inicialmente pessoal, gera um impacto na comunidade que fere”, especifica o Dominicano. Portanto, a ferida pessoal gerada pelo pecado é também uma ferida em todo o corpo eclesial. “A nossa existência está ligada à dos outros, tanto no bem como no mal; o pecado, assim como as obras de amor, também tem uma dimensão social”, disse Bento XVI.

É por isso que São Mateus insiste em ambos os aspectos, individual e eclesial. O último passo da correção (“Se o pecador se recusa a ouvir a Igreja, que seja considerado pagão”) é um dos fundamentos da prática da excomunhão nas Escrituras. “Isso não ocorre sempre e nem automaticamente. Deve-se atender às condições de justiça e de clara prudência. A culpa deve ser de particular gravidade e causar um grave escândalo na comunidade”, diz o Irmão dominicano.

Sobre quais assuntos podemos fazer a correção fraterna?

“A correção fraterna se refere a todo pecado venial ou mortal, porque todo pecado fere, até mesmo mata a caridade”, diz o irmão Dominique-Benoît. Portanto, a correção fraterna não deve ser reduzida apenas às faltas graves; ela também tem seu papel a desempenhar quanto a falhas leves que podem levar a falhas graves. “Por exemplo, a gula pode se mostrar inicialmente como uma ligeira falta de temperança na bebida, mas se essa tendência não for corrigida, corre-se o risco de evoluir para o pecado capital”, ilustra o dominicano.

Podemos corrigir a esposa, o marido, o chefe ou os filhos adultos?

Sim, mas com delicadeza. A correção fraterna é preferível entre duas pessoas moralmente iguais; isto é, sem que um tenha autoridade sobre o outro. “É assim no relacionamento a dois, entre irmãos e irmãs, entre irmãos batizados”, explica o Irmão. O sacerdote é antes de tudo um batizado e se eu, um leigo, o vejo cometendo uma falta contra a moral comum a todos na Igreja, a correção fraterna tem aqui o seu lugar. Onde não há igualdade, há espaço para correção paternal (do superior para subordinado)”.

No entanto, “se um subordinado vir um superior cometendo uma falta contra a moral comum a todos, ele se dirigirá ao superior não como superior, mas como irmão e, portanto, igual”. Já para a relação entre pais e filhos, a correção será paterna desde que o filho não seja adulto. Ao atingir a idade adulta, a correção torna-se fraterna por causa de uma certa igualdade moral entre os adultos. “Mas é preciso desenvolver um espírito de delicadeza pois a experiência de vida que um pai pode colocá-lo, mesmo entre os adultos, em certa superioridade”.

E se eu não conseguir convencer o meu irmão, devo perseverar ou me abster?

É importante discernir com cautela. Santo Agostinho, retomado por São Tomás de Aquino, admite a possibilidade de se abster de repreender e corrigir os que praticam o mal por três motivos:

1. “Porque esperamos o momento certo”;

2. “Porque tememos que eles piorem”;

3. “Porque tememos que, pressionando-os, eles se desviem da fé”.

São Tomás acrescenta que, se “a correção fraterna põe obstáculo à melhora de nosso irmão, que é aqui a nossa finalidade, ela perde o sentido”. “O exercício da correção fraterna, como o exercício de qualquer virtude (sendo ela virtude da caridade misericordiosa), analisa o irmão Dominique-Benoît, deve ser regulado pela virtude da prudência. Esta última tem dois aspectos. Do ponto de vista intelectual, ela aprecia o caso concreto do ponto de vista da verdade: o ato cometido por meu irmão é um pecado em si mesmo e nas circunstâncias precisas do caso? Mas a prudência é também uma virtude moral, no sentido de que deve avaliar as condições concretas do presente caso e do ato. Se do ponto de vista intelectual se verifica que existe pecado, do ponto de vista moral, cabe a pergunta: devo intervir agora? Estou na posição certa para fazer isso? Se não, devo informar alguém em uma posição melhor do que eu? Se sim, como podemos fazer isso da melhor maneira? Em outras palavras, a implementação concreta da minha intervenção deve ser apreciada”.

Antes de dar lições de moral aos outros, não deveríamos todos olhar as nossas próprias faltas?

O evangelho nos explica tudo. “Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu? Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão” (Mt 7,3-5). Ao abordar nosso irmão para corrigi-lo, não devemos afirmar ser bons ou nos colocar acima de qualquer crítica. A correção fraterna não é julgamento, mas ajuda fraterna mútua. “Portanto, eu também devo me tornar acessível às correções dos outros, e talvez até do irmão que estou corrigindo”.

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Por que a preparação é a chave para uma vida espiritual intencional

 




A santidade não acontece de forma simples e mágica; é o resultado de escolhas intencionais feitas todos os dias

Costumamos dizer que queremos ser uma pessoa melhor e, consequentemente, levar uma boa e condizente vida espiritual. Entretanto, geralmente, não fazemos nada para corresponder ao nosso desejo. Em vez de fazermos escolhas deliberadas todos os dias, erramos o alvo e tentamos ser bons, mas sem nenhum esforço pessoal.

Portanto, não deve ser surpresa para nós que, semanas depois, não estejamos nem perto de nosso objetivo.

São Carlos Borromeu comentou sobre este mesmo assunto em uma carta. De fato, ele se dirigindo aos padres. Mas suas palavras ainda podem ressoar em nós. Diz ele:

“Admito que somos todos fracos, mas se quisermos ajuda, o Senhor Deus nos deu os meios para encontrá-la facilmente. Um padre pode desejar levar uma vida boa e santa, como ele sabe que deveria. Ele pode desejar ser casto e refletir as virtudes celestiais na maneira como vive. No entanto, ele não resolve usar os meios adequados, como penitência, oração, evitar discussões maldosas e amizades prejudiciais e perigosas. Outro padre reclama que, assim que entra na igreja para rezar o ofício ou para celebrar a missa, mil pensamentos enchem sua mente e o distraem de Deus. Mas o que ele fazia na sacristia antes de sair para a para a missa? Como ele se preparou? Que meios ele usou para organizar seus pensamentos?

Propósitos para uma vida espiritual virtuosa

Portanto, a chave para levar uma vida virtuosa e seguir o exemplo de Jesus Cristo é uma vida intencional. Isso significa que não apenas contamos com a graça de Deus, mas também fazemos escolhas intencionais, conhecendo nossos pontos fortes e fracos.

Conhecemos os momentos em que somos mais tentados. Então, cabe a nós fazermos escolhas para evitarmos as coisas que provocam as tentações.

Da mesma forma, Borromeo dá mais algumas sugestões sobre como viver intencionalmente a vida espiritual:

“Meus irmãos, vocês devem compreender que para nós, religiosos, nada é mais necessário do que a meditação. Devemos meditar antes, durante e depois de tudo o que fazemos. O profeta diz: Vou orar e, então, entenderei. Quando você administra os sacramentos, medite sobre o que você está fazendo. Ao celebrar a missa, reflita sobre o sacrifício que está oferecendo. Quando você orar no ofício, pense nas palavras que você está dizendo e no Senhor a quem está falando. Quando você cuidar de seu povo, medite em como o sangue do Senhor o lavou, para que tudo o que você faça se torne uma obra de amor.”

Em suma, faça o que fizer, não seja passivo na vida espiritual. Faça escolhas deliberadas e prepare-se para o que está por vir. Só assim podemos nos aproximar de Deus, nosso objetivo final.


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Por que os cristãos sempre podem ter esperança?

 




Se quisermos suportar as provações da vida, nossa esperança precisa estar enraizada em Jesus Cristo

Os acontecimentos mundiais muitas vezes podem frustrar nosso desejo de esperança. De fato, sempre achamos que o mundo está melhorando. No entanto, algo acontece e muda radicalmente o nosso pensamento.

Nessa situação, portanto, é tentador se desesperar. Em certo sentido, esse é o problema: colocamos muita confiança em nós mesmos e pouca em Jesus Cristo. Todavia, somos todos indivíduos decaídos, capazes de fazer inúmeras escolhas erradas. É impossível, portanto, colocar toda a nossa fé na humanidade, pois, assim, ficaríamos sempre decepcionados.

Esperança nas instituições humanas

O Papa Bento XVI bordou este tema em sua encíclica Spe Salvi, em explicou que o homem sempre tentou buscar confiança nas instituições humanas, como por exemplo a política:

“A este respeito, nossa era contemporânea desenvolveu a esperança de criar um mundo perfeito que, graças ao conhecimento científico e à política de base científica, parecia ser alcançável. Assim, a esperança bíblica no Reino de Deus foi substituída pela esperança no reino dos homens, a esperança de um mundo melhor que seria o verdadeiro “Reino de Deus”. Esta parecia ser a esperança grande e realista de que o homem precisa. Foi capaz de galvanizar – por um tempo – todas as energias do homem. O grande objetivo parecia digno de total empenho.”

No entanto, como o Papa Bento XVI aponta, esse tipo de crença não é duradouro, pois não corresponde às necessidades profundas de nossa alma:

“Torna-se evidente que o homem precisa de uma esperança que vá além. Torna-se claro que só algo infinito lhe bastará, algo que sempre será mais do que ele jamais poderá alcançar … Digamos mais uma vez: precisamos das esperanças maiores e menores que nos sustentam dia após dia. Mas isso nada basta sem a grande esperança, que deve superar tudo o mais. Esta grande esperança só pode ser Deus, que abrange toda a realidade e que pode nos conceder o que nós, sozinhos, não podemos alcançar.”

Fé em Jesus

Não devemos, todavia, abandonar a humanidade, perdendo toda a confiança nas pessoas. No entanto, nossas expectativas precisam estar focadas em Jesus Cristo, que venceu a morte e nos abre as glórias do céu.

É por isso que um cristão sempre pode ter esperança no futuro. Não importa o quão sombrio o mundo fique ou a situação de uma pessoa possa ser, Deus nos convida a uma glória que não tem fim, pois “Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todos os rostos” (Isaías 25,8)”.

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