segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Fonte de água

"Se você não puder ser uma fonte de água pura e cristalina à margem de uma estrada, seja uma simples gotinha de orvalho que brilha na pétala da flor ou na folha da planta quando desponta o sol no horizonte. Seja o que for, seja sempre o melhor; faça o que fizer, faça sempre com muito amor. Fazer com muito amor e da melhor forma que pudermos tudo o que nos é possível, sem aflição diante daquilo que está fora das nossas possibilidades". 

(Frei Anselmo Fracasso OFM)

domingo, 1 de novembro de 2015

Felicidade

Na solenidade de Todos os Santos são proclamadas as bem-aventuranças de Jesus, pois aqueles que chegaram à santidade são para nós inspiração e modelo de felicidade.
As pessoas, hoje como sempre, infelizmente valem pelas riquezas que têm, pelos cargos que ocupam. A felicidade é anunciada e buscada a todo custo, pela lei do menor esforço, sobretudo como prosperidade econômica. E isso acontece também em igrejas que se dizem cristãs,mesmo depois de Jesus ter proclamado o Sermão da Montanha, que vai exatamente no sentido contrário. Jesus diz que felizes são os pobres em espírito, os que sentem a pobreza na pele,os que renunciam à cobiça, os simples e pequenos, os que estão vazios de tudo e só têm a Deus como seu defensor.
Renunciando à busca da felicidade que se identifica com comodidade ou mero bem-estar, os pobres entram em outra dinâmica: a lógica do reino de Deus. Neste reino, felicidade é buscar a justiça divina, que supera em tudo o legalismo e a hipocrisia humana. A felicidade do reino é a que dura pela eternidade, mas necessariamente  começa neste mundo. Ela consiste em se desgastar pelos outros, em sofrer e chorar com outros e pelos outros, em construir juntos a paz. É a felicidade que se identifica com o perdão, porque a graça de Deus é infinita diante de nosso erros. Que se identifica com a perseverança em face das calúnias, tribulações e perseguições. Que se identifica com a solidariedade, quando um mendigo nos interpela na calçada e nos recorda que, diante de Deus, somos todos mendigos.
Na dinâmica do reino, a felicidade é algo que se conquista seguindo o exemplo do Mestre: doando a própria vida por amor, em tudo o que isso comporta de sofrimento. Olhando para todos os santos, renovamos hoje a esperança de que o amor que vivemos e doamos aqui seja aceitos por Deus.
Pois só levaremos para a eternidade o amor que tivemos deixado aqui. Que ele torne plena nossa vida e eternize nossa felicidade.

Pe. Paulo Bazaglia, sobre o Evangelho deste domingo 01/11/2015


sábado, 31 de outubro de 2015

Salmos para quem quer aprender a orar

Orar é simplesmente conversar com Deus; é um aprendizado, em que os Salmos são de imensa valia

Orando

Orar é conversar com Deus.
Basta abrir o coração e simplesmente falar com Ele, usando as nossas próprias palavras para desabafar, pedir luz e orientação, pedir graças e socorro, agradecer, “reclamar” como um filho confiante diante do Pai amoroso, pedir perdão e misericórdia, interceder pelo próximo… Ou ficar “olhando” para Deus em silêncio, contemplando no coração o seu mistério, a sua grandeza incompreensível para a razão sozinha, a sua obra como Criador, os seus gestos sublimes ou singelos de amor, cuidado, respeito pela nossa liberdade, “dependência” da nossa aceitação…
Orar se aprende, assim como se aprende a falar, a ouvir com atenção, a gostar de alguém, a ficar em silêncio contemplativo.
Nesse aprendizado, os Salmos são de imensa valia.
Os Salmos são louvores escritos para expressar a adoração a Deus. Eles refletem ainda o interior do espírito humano e suas disposições de bondade, arrependimento, confiança, louvor, miséria, necessidade, gratidão…
Um dos Salmos mais conhecidos é o 91. Seguem aqui seus versículos de 1 a 7:
“Aquele que habita no abrigo do Altíssimo
e descansa à sombra do Todo-poderoso
pode dizer ao Senhor:
Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza,
o meu Deus, em quem confio.
Ele o livrará do laço do caçador e do veneno mortal.
Ele o cobrirá com as suas penas e,
sob as suas asas, haverá refúgio;
a fidelidade dele será o seu escudo protetor.
Não temerá o pavor da noite,
nem a flecha que voa de dia,
nem a peste que se move sorrateira nas trevas,
nem a praga que devasta ao meio-dia.
Mil poderão cair ao seu lado, dez mil à sua direita,
mas nada o atingirá”.
Para começar a descobrir o tesouro dos Salmos, algumas sugestões:
Sobre a bondade: Salmos 1, 19, 24, 133, 136 e 139
Sobre a presença de Deus: Salmos 29, 96 e 100
Nas horas de dificuldade: Salmos 3, 14, 22

http://pt.aleteia.org/2015/10/30/salmos-para-quem-quer-aprender-a-orar/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Oct%2030,%202015%2003:03%20pm

sábado, 24 de outubro de 2015

12 lições de São João Paulo II

Juan Pablo II rezando - pt

1 – A verdade é que estamos perante uma objetiva “conjura contra a vida” que vê também implicadas Instituições Internacionais, empenhadas a encorajar e programar verdadeiras e próprias campanhas para difundir a contracepção, a esterilização e o aborto. (Evangelho da Vida, 18)
2 – O homem de hoje parece estar sempre ameaçado por aquilo mesmo que produz com o trabalho de suas mãos e da sua inteligência, e das tendências da sua vontade. (RH)
3 – Os mecanismos materialistas produzem, em nível internacional, ricos cada vez mais ricos à custa de pobres cada vez mais pobres.
4 – Um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa enganar pelo princípio fácil e cômodo, de que “o fim justifica os meios”.
5 – O homem não pode viver sem o amor. Ele permanece para si mesmo um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se não o torna algo seu próprio. (RH, 10)
6 – No mistério da Redenção o homem é novamente “reproduzido” e, de algum modo, é novamente criado. (RH,10)
7 – A Igreja existe para levar os seus filhos a serem santos.
8 – A santidade é a força mais poderosa para levar Cristo ao coração dos homens.
9 – Sem Jesus Cristo o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um enigma indecifrável, um mistério insondável.
10 – O sentido essencial desta “realeza” e deste “domínio” do homem sobre o mundo visível, que lhe foi confiado pelo próprio Criador, consiste na prioridade da ética sobre a técnica, no primado da pessoa sobre as coisas e na superioridade do espírito sobre a matéria. (RH, 16)
11 – A fé e a razão constituem como que duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. (Fides et Ratio, 1)
12 –  O século XX ficará considerado uma época de ataques maciços contra a vida, uma série infindável de guerras  e um massacre permanente de vidas humanas inocentes. Os falsos profetas e os falsos mestres conheceram o maior sucesso possível. (EV,17)

domingo, 18 de outubro de 2015

Por que os anjos não são iguais?

Para entender o tema dos anjos é preciso ir às fontes da nossa fé
<a href="http://www.shutterstock.com/pic.mhtml?id=55203718&src=id" target="_blank" />Angel with sudarium</a> © Sootra / Shutterstock

Meu último artigo, "Você sabia que alguns anjos estão mais perto de Deus que outros?", gerou algumas dúvidas e questionamentos entre os leitores. Por isso, dedicarei o presente texto a fazer alguns esclarecimentos sobre o tema. 
1. Questionamentos sobre a origem da hierarquia dos anjos
 
Estes interrogantes são importantes, porque permitem reafirmar a fonte da nossa fé. O estudo dos anjos está dentro do marco domagistério da Igreja.
 
A Bíblia apresenta vários textos que mencionam o coro dos anjos: o Gênesis fala dos querubins (3, 24); o profeta Isaías menciona os serafins (6, 2); São Paulo faz alusão aos tronos, dominações, potestades, principados (Ef 1, 21; Col 1, 16).
 
Além da Bíblia, temos a Tradição da Igreja que, como recordou Bento XVI, é parte essencial da estrutura católica (audiência de 28 de janeiro de 2009). Por isso, é necessário recorrer ao testemunho da Tradição, que é unânime, desde o século VI d.C., ao apresentar uma ordem existente entre os anjos.
 
João Paulo II, em sua catequese de 6 de agosto de 1986, retoma este ensinamento ao afirmar que "os autores antigos e a própria liturgia também falam dos coros angelicais – nove, segundo Dionísio Areopagita".
 
Dionísio Aeropagita, do século VI, escreveu precisamente, em sua obra intitulada "A hierarquia celestial", que "a Escritura cifrou em nove os nomes de todos os seres celestes", e atribui a ordem que ele dá a estes nove "nomes" ao seu mestre, quem "os classificou em três hierarquias de três ordens cada uma" (serafins, querubins, tronos etc.).
 
Mencionei aqui somente Dionísio, mas há vários padres e doutores da Igreja que trataram do tema, como São Gregório Magno, São Boaventura, São Tomás de Aquino e outro que falam da existência de uma ordem angelical.
 
O Catecismo da Igreja também faz alusão a esta existência, ao dizer que "Deus quis a diversidade das suas criaturas e a bondade peculiar de cada uma, sua interdependência e sua ordem" (n. 353).
 
2. O lugar dos anjos dentro desta hierarquia
 
Alguns leitores se surpreenderam ao saber que, dentro da hierarquia, os arcanjos não são os mais elevados ou os superiores. Para compreender a posição de cada um na hierarquia angelical, é preciso recordar que todos eles recebem a luz de Deus, todos contemplam Deus (Mt 18, 10).
 
O lugar que cada um ocupa na hierarquia se deve às suas perfeições espirituais ou à sua missão (cf. Tomás de Aquino, Summa Theologica, q. 108, art. 5). Por esta razão, os arcanjos têm a luz divina, a transmitem, mas não chegam à perfeição de um serafim. Mas isso é belo, ao pensar, por exemplo, que a vitória de São Miguel é a vitória de um pequeno, de alguém do oitavo coro. O triunfo de São Miguel tem muito a nos ensinar sobre a vitória dos pequenos e humildes.
 
3. Significado da ordem angelical (não seria uma discriminação?)
 
O fato de que alguns anjos estejam mais perto de Deus não implica em uma discriminação. Assim como existem inúmeras flores e nem todas podem ser orquídeas ou rosas, e isso manifesta a riqueza que há em Deus, o mesmo acontece com os coros angelicais: eles mostram a beleza e harmonia que existe em Deus.
 
4. A hierarquia angelical e nossa vida de fé
 
Tudo o que vimos anteriormente nos leva a uma meta: Deus. De fato, toda a visão da hierarquia angelical se baseia no fato de os anjos estarem orientados a Deus. Se há três coros, é porque Deus é trino; se há uma ordem, é porque Deus é uno.
 
O centro do mundo dos anjos é Deus. E esta diversidade de seres espirituais está continuamente louvando Deus e, por isso, a hierarquia angelical traz a harmonia e o louvor a Deus.
 
Os anjos nos levam a Deus, e é necessário conhecer sua missão e sua tarefa. É preciso conhecer que tipo de ajuda nos dá cada anjo, cada ordem, pois, como ensina São Boaventura: "Se elevássemos nossa mente a esta hierarquia que nos oferece tudo o que Deus quer dar, não seríamos pobres. Se houvesse algum pobre, e alguém lhe oferecesse todos os bens, ele seria muito bobo se não lhe abrisse a porta. Os anjos nos dizem: ‘Recebam nossos exemplos, serviços e ministérios’; e nós somos grosseiros, porque fechamos nossas portas à sua influência".

http://pt.aleteia.org/2015/08/11/por-que-os-anjos-nao-sao-iguais/

Quantos anjos existem?

Existe um anjo para cada pessoa? Ou um só anjo cuida de várias pessoas?


little angel playing violin - detail of cemetery decor, Italy - pt

Ao tratar do tema dos anjos, é muito frequente que surja a pergunta: "Mas quantos anjos existem?". Esta é uma pergunta importante, pois da sua resposta depende a visão que podemos ter do anjo da guarda: se é um para cada pessoa ou, pelo contrário, os anjos são tão reduzidos que, ao invés de haver um anjo para cada ser humano, haveria um anjo para um grupo inteiro de pessoas.

Há quem afirme, recordando a parábola da ovelha perdida (Lc 15, 4), que o número dos anjos seria 99 vezes maior que o número de pessoas.

Outros, pelo contrário, defendem que o número dessas criaturas espirituais seria o mesmo número dos seres humanos ou, pelo menos, o mesmo número de pessoas que no final se encontrarão no céu.

E, claro, não falta quem diga, em clara contradição com a fé e o ensinamento da Igreja, que o número de anjos depende do número de signos do zodíaco. Esta ideia é defendida pela Nova Era e por movimentos esotéricos.

Segundo a Bíblia, o número de anjos é imenso, incalculável. O livro do profeta Daniel fala de "milhares e milhares, dezenas de milhares" (Dn 7, 10).

Igualmente, encontramos outros textos bíblicos que abordam o tema, como o livro de Jó (38, 7), no qual os anjos são comparados com o número das estrelas do céu. Já o profeta Isaías fala do exército celestial (Is 40, 26).

No Novo Testamento, a Carta aos Hebreus volta a falar de "miríades de anjos" (Hb 12, 22).

O apóstolo São João, na visão que tem da Jerusalém celeste, ouve a voz de uma "multidão de anjos" (Ap 5, 11).

Também Jesus Cristo faz alusão ao número dos anjos no momento de ser preso: "Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26, 53). Na época de Jesus, uma legião romana era formada por 6 mil homens.

Estas informações da Sagrada Escritura nos permitem afirmar que o número de anjos é limitado, pois são criaturas, mas mesmo assim é imenso. Precisamente por esta quantidade enorme de anjos, no mundo angelical existe uma ordem, uma hierarquia (da qual trataremos em outro artigo).

Nesta imensidade de seres, o homem está cercado, protegido, guiado e custodiado. Os textos da Bíblia que nos falam do número de anjos não os quantificam, porque os anjos, como criaturas de Deus, protetores das pessoas e da criação, são um presente do Senhor que não pode ser quantificado.

O mundo dos anjos é mais uma expressão do amor de Deus, e isso não se quantifica. Apenas se acolhe com humildade e gratidão.

Há milhões de anjos ao nosso lado, protegendo-nos, mostrando-nos o amor de Deus. Milhões de anjos que abrem suas asas para nos mostrar um amor extremo: o amor de Deus por nós.

Acolhamos com gratidão, com alegria e amor esses companheiros. Unamo-nos a eles e juntos demos graças a Deus pelo seu amor.

http://pt.aleteia.org/2015/08/07/quantos-anjos-existem/

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Como devemos invocar Deus no tempo da tribulação?

Conselhos de Tomás de Kempis em sua obra "A Imitação de Cristo"

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Assim nos revela a meditação de Tomás de Kempis em seu clássico “A Imitação de Cristo”
1. O Discípulo – Seja vosso nome para sempre bendito, Senhor, pois quisestes provar-me com esta tribulação.
E porque não posso evita-la que outra coisa farei senão acolher-me a vós para que me auxilieis e a convertais em proveito meu?
Senhor, sinto-me atribulado; meu coração está desassossegado por causa desta paixão que o atormenta vivamente.
“Que vos direi agora”, oh, Pai amantíssimo? Rodeado estou de angústias. “Salvai-me nesta hora” (Jo 12,27).
Vós permitistes que eu chegasse a este estado para que sejais glorificado quando eu estiver muito abatido e for por vós livre.
Dignai-vos, Senhor, socorrer-me porque, pobre criatura, que posso eu fazer e onde irei sem vós?
Dai-me paciência, Senhor, ainda desta vez. Estendei-me a vossa mão, Deus meu, e não temerei, por mais forte que seja a tribulação.

2. Que posso eu dizer-vos neste estado? “Senhor, faça-se a vossa vontade”. Bem merecido tenho angústias e tribulações em que me vejo (Mt 6,10).
Convém que eu as sofra; e oxalá seja com paciência, até que passe a tempestade e venha a bonança.
Poderosa é a vossa mão onipotente para afastar de mim esta tentação e moderar sua violência, para que não sucumba de todo. Como tantas vezes tendes feito comigo, Deus meu, misericórdia minha.
E quanto para mim é mais dificultosa esta mudança, tanto mais fácil é ela para vós; “porque é obra da direita do Altíssimo” (Sl 76,11).

(Retirado do livro: “A Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis, Ed. Ave-Maria)