sábado, 12 de maio de 2018

MÊS DE MARIA – DÉCIMO SEGUNDO DIA: PRODÍGIOS QUE DEUS OPERA NA VISITAÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM

Prodígios que Deus opera na Visitação da Santíssima Virgem
1. A respeito de sua Mãe Santíssima;
2. A respeito de São João;
3. A respeito de seus pais.

ORAÇÕES PARA TODOS OS DIAS DO MÊS
Oração preparatória
Abri, Senhor, a minha boca para louvar o vosso Santo Nome. Purificai também o meu coração de todos os vãos, perversos e estranhos pensamentos, iluminai meu entendimento, inflamai minha vontade para que digna, atenta e devotamente possa fazer esta devoção e mereça ser atendido diante de vossa Divina Majestade. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.
V. Sede em meu favor, Deus onipotente.
R. Em me socorrer sede diligente.
V. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo também.
R. Como era no princípio, seja agora e sempre. Amém.

Invocação ao Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor.
V. Senhor, enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO
Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a iluminação do Espírito Santo, fazei que nos regulemos segundo o mesmo Espírito e que gozemos sempre da sua consolação. Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Oração de São Bernardo à Santíssima Virgem
Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à vossa proteção, implorado vossa assistência e reclamado vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu pois com uma igual confiança a vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro. De vós me valho; e gemendo com o peso de meus pecados, me prostro a vossos pés. Não rejeiteis minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado; mas dignai-vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
Ato para antes da meditação
Eu estou na presença de Deus. Ele me vê, me ouve e penetra até o íntimo de minha alma, descobrindo nela os meus mais recônditos pensamentos e afetos. Ah, como poderei sustentar a face do Deus de toda a santidade? Sendo tão miserável pecador, quando penso em minhas numerosas infidelidades, em tantos e tão enormes atentados que tenho cometido contra o meu Criador, o temor e o remorso se apoderam de mim e quase não me atrevo a levantar os olhos para o céu… A vós me socorro, ó divina Maria. Por toda a parte vos ouço chamar o refúgio dos pecadores, a consolação dos aflitos, a Mãe de misericórdia; sede pois o meu refúgio, minha esperança, minha Mãe, e alcançai-me o perdão de vosso adorado Filho.
Piedosíssima Virgem, bem conheceis minha ignorância e fraqueza. Sem os auxílios da graça não sou capaz de bem algum; nem mesmo posso ter um bom pensamento, nem excitar um bom sentimento em minha alma. Dignai-vos, vós mesma ensinar-me a orar. Afastai de mim todas as distrações, derretei o gelo de meu coração, inspirai-me atenção, recolhimento e fervor para fazer bem esta oração.
Prodígios que Deus opera na Visitação da Santíssima Virgem
1. A respeito de sua Mãe Santíssima;
2. A respeito de São João;
3. A respeito de seus pais.

Primeiro Ponto: A respeito de sua Mãe Santíssima
O Salvador serve-se da sua Mãe Santíssima para tirar São João Batista do estado de pecado no qual fora concebido como todos os outros homens, e para o cumular de graças e bênçãos. Quer que esta Mãe querida seja o instrumento da primeira santificação que Ele opera vindo ao mundo. Maria faz desde logo o ofício de mediadora, ofício que no futuro exercerá com tanta glória para si e vantagem para nós. Jesus quis deste modo ensinar-nos que a Santíssima Virgem é a depositária das graças, a mediadora dos pecadores, a protetora dos justos, o refúgio, o asilo de todos os cristãos. Que motivo poderá haver mais próprio para inspirar-nos a mais firme confiança nesta Mãe de misericórdia?
Segundo Ponto: A respeito de São João
O Salvador purifica São João da mancha do pecado original, enche-o antecipadamente de graças extraordinárias, ilustra-lhe o espírito com suas luzes divinas, abrasa-lhe o coração no fogo do santo amor, inunda-lhe a alma em uma alegria inexplicável. O Santo Precursor, ainda no seio de sua mãe, ouve a voz da Mãe do Salvador, conhece o seu Deus, adora-o e salta de alegria na sua presença. Quando Nosso Senhor vem a nós pela Santa Comunhão ou por suas visitas interiores e acha bem dispostos nossos corações, neles produz efeitos quase semelhantes: ilustra-nos, abrasa-nos, excita-nos à prática de todas as virtudes e inspira-nos fervorosos desejos de perfeição. Se não experimentamos estes afetos de devoção e fervor depois da Santa Comunhão, se somos sempre tíbios, frouxos e sem ardor para o bem, temamos que isto seja efeito das más disposições de nosso coração, e peçamos à Santíssima Virgem que nos alcance a graça de comungarmos sempre com santas disposições.
Terceiro Ponto: A respeito de seus pais
Consideremos as graças que Jesus faz a Zacarias e a Isabel. Este divino Salvador os honra com sua presença. Traz a benção à sua casa, põe-lhes diante dos olhos os exemplos de humildade, obediência, caridade e devoção que a Santíssima Virgem lhes dá durante todo o tempo que habita com eles. Felizes as famílias e as comunidades onde Jesus se digna habitar com sua Santa Mãe! Todos os bens entram nelas ao mesmo tempo com Ele. Nelas derrama abundantemente a graça, a alegria, a santidade, todas as bênçãos. Não obriguemos Jesus e Maria a afastar-se de nós, conservemo-los pelo contrário em nossa companhia, pelo nosso fervor, pela nossa piedade, pela regularidade e santidade de nossa vida.
ORAÇÃO
Ó minha Mãe e minha padroeira, Mãe digníssima do meu Deus! Os meus pecados me tornam indigno de chegar à vossa presença e eu não deveria esperar de vós senão castigos. Mas, ainda que me rejeitásseis, nunca eu deixaria de invocar-vos e de implorar vosso socorro, na firme esperança de que sereis sensível a minhas súplicas; ou, se não quereis escutar-me, dizei-me em quem devo ter mais confiança, e a quem devo recorrer para encontrar mais misericórdia do que em vós. Sim, minha amável Mãe, abaixo de Deus só em vós ponho toda a minha confiança. E contanto que eu seja tão feliz que morra diante da vossa imagem e implorando vossa misericórdia, tenho a firme esperança de ir louvar-vos no Céu com essa multidão inumerável de vossos servos, que se salvaram por vossa poderosa intercessão.
EXEMPLO
Paráfrase da Ave Maria
O devoto Thomas de Kempis teve a desgraça de deixar esfriar em seu coração os ternos sentimentos que desde a infância o animavam para com a Santíssima Virgem, e esta boa Mãe soube chamar a si este filho pródigo e lhe fez continuar de novo seus devotos exercícios. Penetrado de reconhecimento para com aquela que o havia tirado da funesta tibieza em que caíra, nada omitiu depois para reparar a sua falta e para compensar a sua divina Senhora da negligência com que a havia servido.
Tinha ele uma singular devoção à saudação angélica. Recitava-a muitas vezes e sempre com os mais vivos êxtases. Eis aqui como ele parafraseou esta bela oração:
“Aproximar-me-ei de vós, ó Maria, com respeito, devoção e humilde confiança, quando vos oferecer a saudação do Anjo. Eu vo-la ofereço, pois, com a cabeça inclinada pelo respeito que vos consagro, com os braços estendidos por um terno sentimento de devoção, e desejo que todos os Espíritos celestes possam repeti-la por mim cem mil vezes, e ainda mais. Nada conheço mais glorioso para vós, nem para nós mais consolador. Ouçam com atenção aqueles, que amam vosso santo nome. Regozijam-se os Céus e toda a terra deve encher-se de admiração quando eu digo: Ave, Maria. O demônio foge, o inferno treme, quando repito: Ave, Maria. A tristeza desaparece e uma alegria inteiramente nova enche a minha alma quando digo: Ave, Maria. Meu frouxo amor se reanima e minha alma toda se renova quando repito: Ave, Maria. Minha devoção se aumenta, excita-se-me a compunção, minha esperança se fortifica, sinto novas consolações, dizendo: Ave, Maria. É tal a doçura desta saudação, que não há termos capazes de a exprimir. Ela está tão profundamente gravada em nossos corações, que as palavras não podem exteriormente manifestá-la. Eu, pois, novamente me prostro diante de vós, ó a mais santa das Virgens, para vos dizer: Ave, Maria, cheia de graça. Quem me dera que satisfizesse o desejo que tenho de honrar-vos com todas as potências de minha alma! Oxalá que todos os membros de meu corpo se mudassem em línguas, para vos saudar de mil diferentes maneiras; que todas minhas palavras fossem palavras de fogo, para incessantemente vos glorificar, ó divina Mãe do meu Deus! Prostrado na vossa presença, penetrado de uma sincera devoção de coração, e todo cheio das inefáveis delícias de vosso santo nome, vos apresento a alegria que vos causou a saudação do Arcanjo Gabriel. Assim eu pudesse repetir com uma boca tão pura como o ouro e com um abrasado afeto: Ave Maria, cheia de graça”.

Que admiráveis sentimentos! Ó quantas graças alcançaríamos pela intercessão de nossa Mãe Santíssima se fossemos fiéis em repetir todos os dias esta bela oração com um coração tão cheio de devoção, de confiança e de amor!
PRÁTICA
Prostrai-vos humildemente aos pés de Maria e pedi-lhe com fervor que vos alcance a contrição de vossos pecados.
JACULATÓRIA
Domina nostra, Advocata nostra, tuo Filio nos commenda.
Ó Soberana e Advogada nossa, recomendai-nos a vosso divino Filho.

Ato para depois da meditação
Bendito sejais, meu Deus, pelas graças que acabais de conceder-me durante esta oração, pelas luzes e bons pensamentos que nela me destes, pelas santas impressões com que movestes meu coração, pelas saudáveis resoluções que me inspirastes. Perdoai-me as distrações, as negligências, a tibieza e a resistência à vossa graça, de que me tornei culpado. Virgem Piedosíssima, minha boa e terna Mãe, eu me lanço com uma inteira confiança em vossos braços, para achar em vosso coração um asilo seguro contra todos os perigos a que poderei achar-me exposto. Tomai-me debaixo de vossa proteção; vigiai em minha defesa; trazei-me à memória muitas vezes as minhas resoluções e alcançai-me a graça de as praticar fielmente.
ANTÍFONA
V. Toda sois formosa, ó Maria.
R. Toda sois formosa, ó Maria.
V. E não vos manchou o pecado original.
R. E não vos manchou o pecado original.
V. Vós sois a glória de Jerusalém.
R. Vós sois a alegria de Israel.
V. Vós sois a honra do vosso povo.
R. Vós sois a advogada dos pecadores.
V. Ó, Maria!
R. Ó, Maria!
V. Virgem prudentíssima.
R. Mãe clementíssima.
V. Rogai por nós.
R. Intercedei por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo.
V. Fostes, ó Virgem, imaculada na vossa Conceição.
R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.

OREMOS
Ó, Deus que preparastes uma digna morada para vosso Filho, pela imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de toda a culpa, pela previsão da morte do mesmo seu Filho, concedei-nos pela intercessão desta Senhora, que purificados de toda a mácula, cheguemos a gozar a vossa vista. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Ladainha de Nossa Senhora
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai do Céu, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus,
Santa Virgem das virgens,
Mãe de Jesus Cristo.
Mãe da divina graça,
Mãe puríssima,
Mãe castíssima,
Mãe imaculada,
Mãe intemerata,
Mãe amável,
Mãe admirável,
Mãe do bom conselho,
Mãe do Criador,
Mãe do Salvador,
Virgem prudentíssima,
Virgem venerável,
Virgem louvável,
Virgem poderosa,
Virgem clemente,
Virgem fiel,
Espelho de justiça,
Sede da sabedoria,
Causa da nossa alegria,
Vaso espiritual,
Vaso digno de honra.
Vaso insigne de devoção,
Rosa mística,
Torre de Davi,
Torre de marfim.
Casa de ouro,
Arca da aliança,
Porta do Céu,
Estrela da manhã,
Saúde dos enfermos,
Refúgio dos pecadores,
Consoladora dos aflitos,
Auxílio dos Cristãos,
Rainha dos Anjos,
Rainha dos Patriarcas,
Rainha dos Profetas,
Rainha dos Apóstolos,
Rainha dos Mártires,
Rainha dos Confessores,
Rainha das Virgens,
Rainha de todos os Santos,
Rainha concebida sem pecado original,
Rainha assunta ao Céu,
Rainha do sacratíssimo Rosário,
Rainha da Paz,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de nós.

ANTÍFONA
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia…
OREMOS
Infundi, Senhor, como vos suplicamos a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo cremos na encarnação do vosso Filho, pela sua paixão e morte de cruz sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor.
R. Amém.

https://capelasantoagostinho.com/2018/05/12/mes-de-maria-decimo-segundo-dia-prodigios-que-deus-opera-na-visitacao-da-santissima-virgem/


Procurar Cristo: na Palavra

Procurar Jesus na Palavra 

Toda a Bíblia, toda a Sagrada Escritura ─ Palavra de Deus ─ nos encaminha para Cristo. Tendo Deus falado outrora aos nossos pais, muitas vezes e de muitas maneiras, pelos profetas ─ diz a Carta aos Hebreus ─, agora falou-nos, nestes últimos tempos, pelo Filho…, resplendor da sua glória e imagem da sua substância (Hb 1, 1-3).
Comentando esse texto, São João da Cruz afirmava que Jesus, sendo o cume da revelação de Deus aos homens, é «a Palavra única de Deus, e outra não há. Deus tudo nos falou de uma só vez nesta única Palavra, e nada mais tem a falar»[1].
Neste mesmo sentido, o teólogo medieval Hugo e São Vítor declarava: «Toda a Escritura constitui um único livro, e o seu título é Cristo». Tudo nela ─ se deixamos que o Espírito Santo nos abra os olhos ─ fala, de um modo ou de outro, de Jesus, o Messias prometido, o Salvador dos homens.
Umas vezes anuncia-o entre véus, por imagens e símbolos, outras por profecias, outras retratando de maneira espantosamente exata momentos da vida de Jesus, como faz Isaías “descrevendo” a Paixão do Senhor muitos séculos antes de que acontecesse (cf. Is 53, 2 ss).
Dentro da Bíblia, como é natural, o “rosto” de Cristo se manifesta plenamente nos quatro Evangelhos. Conhecendo-os, saboreando-os, meditando e aprofundando neles, “veremos” Cristo e o nosso coração se inflamará. Reviveremos, assim, a experiência dos discípulos de Emaús: Não ardia o nosso coração dentro de nós, enquanto nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?(Lc 24, 32).
Pergunte-se agora: Como é o meu conhecimento dos Evangelhos? Deveria ser  grande, minucioso, saboreado, profundo. Uma leitura diariamente aprofundada, num clima de reflexão e oração. Infelizmente, não é essa a atitude de muitos católicos.
Falta o hábito daquilo que os fiéis de tempos antigos chamavam  lectio divina, a leitura orante. Todos os dias procuravam ler e meditar alguns trechos do Evangelho, perguntando-se: «O que diz? O que me diz? O que vou responder a essas palavras que o Espírito Santo ─ autor principal e inspirador da Escritura Sagrada ─me dirige pessoalmente?»
«O Senhor chamou-nos ─ escreve são Josemaria ─ para que o seguíssemos de perto; e nesse texto santo, encontrarás a vida de Jesus; mas, além disso, deves encontrar a tua própria vida… Esses minutos diários de leitura do Novo Testamento que te aconselhei ─ metendo-te e participando no conteúdo de cada cena, como um protagonista mais ─, são para que encarnes, para que “cumpras” o Evangelho na tua vida…»[2].
Não podemos contentar-nos com ter «uma ideia geral do espírito de Jesus, mas é preciso aprender dele pormenores e atitudes… Quando amamos uma pessoa, desejamos conhecer até os menores detalhes da sua existência, do seu caráter, para assim nos identificarmos a ela. É por isso que temos que meditar na história de Cristo, desde o seu nascimento num presépio até à sua morte e sua ressurreição»[3].
Veja o conselho prático que, a esse respeito, dava o Papa Francisco: «Na presença de Deus, numa leitura tranquila do texto, é bom perguntar-se, por exemplo: “Senhor, a mim que me diz esse texto? Com esta mensagem, que queres mudar na minha vida? Por que é que isto não me interessa? Ou então, de que é que eu gosto? Em que me estimula esta palavra? O que me atrai? Por que me atrai?”»[4].
Se fizermos isso, acabaremos olhando para o rosto de Jesus e lhe diremos como Pedro: Só tu tens palavras de vida eterna (Jo 6, 68).
Ao mesmo tempo, essa leitura que aprende a escutar a voz de Deus, é o início de um diálogo, pois suscita em nós a vontade de dar uma “resposta”, de praticar uma conversa que nos identifique cada vez mais com Jesus [5].

Do livro de F.Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Ed. Cultor de Livros 2018

sexta-feira, 4 de maio de 2018

“Aquele instante de silêncio”

Frei Almir Ribeiro Guimarães
Imagem de Murillo
Bartolomé Esteban Murillo, pintor do barroco espanhol
Nós, discípulos do Senhor Jesus, que devotamos ao Coração de Cristo toda veneração e adoração, gostamos de refletir sobre algumas situações vividas  nos últimos momentos de sua vida entre nós. Contemplamos a solidão de Getsêmani e o abandono na cruz, antes que seu peito fosse aberto pela lança do soldado.
Ficamos impressionados com a solidão experimentada pelo Senhor no Jardim das  Oliveiras. Jesus tem a impressão que até mesmo o Pai foi se tornando distante. José  Antonio Pagola  (Jesus, Aproximação histórica, Vozes)  descreve a cena com muita propriedade:  “A solidão de Jesus é total.  Seu sofrimento e seus gritos  não encontram eco em ninguém:  Deus não lhe responde; seus discípulos “dormem”. Capturado  pelas forças de segurança do templo, Jesus não tem dúvida:  o Pai não ouviu seus desejos de continuar vivendo; seus discípulos fogem procurando a própria segurança.  Ele está só!  Os relatos deixam entrever essa solidão ao longo de toda a sua paixão. A atenção  dos habitantes de Jerusalém e daquela multidão de peregrinos  que enche as ruas não está naquele pequeno grupo  que vai ser executado nas imediações da cidade. No templo tudo é agitação e azáfama. A estas horas, milhares de cordeiros estão sendo sacrificados no recinto sagrado. As pessoas movimentam-se febrilmente concluindo os últimos preparativos para a ceia pascal. Somente os que se encontram em seu caminho com o cortejo dos condenados ou passam perto do  Gólgota  ou prestam atenção. Como é habitual nas sociedade antigas,  são pessoas familiarizadas com o espetáculo de uma execução pública. Suas reações são diversas: curiosidade, gritos, zombaria, desprezo e um que outro comentário de  lástima.  Da cruz,  Jesus provavelmente só percebe rejeição e hostilidade”  (p. 479).  E Jesus guarda silêncio.
No alto da cruz,  Jesus continua fazendo a experiência da ausência do Pai. Escuta o silêncio do Pai. Segundo Eloi Leclerc  (Deus sem limites, Ed. Franciscana, Braga),  Jesus não experimenta descrença, mas fé, uma fé mantida na mais escura das noites, no mais profundo dos abismos. O grito de Jesus com voz forte  é uma oração. O seu relacionamento com o Pai não está interrompido. A comunicação continua com a ponte da fé. Essa ponte  é lançada sobre o abismo da ausência.
E. Leclerc observa que o mais importante não é o grito, mas o longo momento de silêncio subsequente quando Jesus não pediu mais nada.  Leclerc cita Georges Bernanos: “No alto da cruz, Jesus orou, gritou, chorou, suspirou, rangeu os dentes, como fazem os moribundos. Mas há coisa mais importante e preciosa: o minuto, o longo minuto de silêncio, depois do qual tudo foi consumado”  Nesse momento, nesse minuto em que Cristo é o silêncio no meio do mundo, toda a humanidade se concentra nele, e por ele é acolhida e nele recolhida.
Será preciso penetrar nesse silêncio.  Temos de penetrar nesse silêncio para o entendermos. Quando a palavra se faz silêncio  transforma-se em palavra. E o que diz esse silêncio? Que só  a pobreza, a pobreza imensa da noite pascal, se encontra à altura do mistério de Deus.
Bendito o silêncio de Jesus entre o grito forte brotou de seu peito e o inclinar a cabeça na hora da morte.  Os devotos do coração de Jesus nada têm a fazer senão guardar um silêncio adorante diante do majestoso silêncio de Jesus  quando, na fé, reencontrou o Pai que parecia ausente.

http://franciscanos.org.br/?p=51230

terça-feira, 1 de maio de 2018

Promessas a São Domingos sobre o Rosário


Nossa Senhora, em suas aparições, pediu que rezássemos o Rosário e confiou valiosas promessas a São Domingos e ao bem-aventurado Alan de La Roche.

⚘ 15 Promessas do Rosário ⚘

1. A quem me sirva, rezando diariamente meu Rosário, receberá qualquer graça que me peça.

2.Prometo minha especialíssima proteção e grandes benefícios a os que devotamente rezarem meu Rosário.

3. O Rosário será um fortíssimo escudo de defensa contra o inferno, destruirá os vícios, livrará dos pecados e exterminará as heresias.

4.O Rosário fará germinar as virtude este também fará que seus devotos obtenham tudo da misericórdia divina; substituirá no Coração dos homens o amor do mundo pelo amor por Deus e os elevará a desejar as coisas celestiais e eternas. Quantas almas por este meio se santificarão!

5. A alma que se encomende pelo Rosário não perecerá.

6. Aquele que com devoção rezar meu Rosário, considerando os mistérios, não se verá oprimido pela desgraça, nem morrerá morte desgraçada; se converterá, se é pecador; perseverará nas graças, se é justo, e em todo caso será admitido na vida eterna.

7. Os verdadeiros devotos de meu Rosário não morrerão sem auxílios da Igreja.

8. Quero que todos os devotos de meu Rosário tenha em vida e em morte a luz e a plenitude da graça, e sejam participantes dos méritos dos bem-aventurados.

9. Livrarei de pronto do purgatório as almas devotas do Rosário.

10. Os Filhos verdadeiros de meu Rosário desfrutarão no Céu uma Glória singular.

11. Todo o que se pedir por meio do Rosário se alcançará prontamente.

12. Socorrerei em todas as suas necessidades aos que propaguem meu Rosário.

13. Todos os que rezarem o Rosário terão por irmãos na vida e na morte a os bem-aventurados do Céu.

14. Os que rezam meu Rosário são todos filhos meus muito amados e irmãos de meu Unigênito Jesus.

15. A devoção ao Santo Rosário é um sinal de predestinação a Glória. 

Fonte: WhatsApp

Nossa Senhora do Trabalho

Imagem relacionada


(Para aqueles que estão desempregados.) 

Ó Mãe amável Nossa Senhora do trabalho Prostrado aos Vossos pés Suplico-Vos humildemente Olhai com bondade para este desempregado (nome do desempregado) Minha situação é tão difícil Não sei mais a quem recorrer Tudo é insegurança, escuridão ao meu redor Por isso estou em busca de uma luz Sei que posso encontrá-la Batendo a porta de Vosso coração Quem recorre a Vós não fica de mãos vazias Desprotegido Pois sinto que encontro segurança em Vossas mãos Sob o Vosso olhar de ternura Obrigado por Vosso manto protetor Aceitai portanto O meu apelo Concedendo-me a graça de um emprego Preciso trabalhar! Prometo-Vos que o meu coração Estará sempre aberto àqueles que precisarem da minha ajuda Muito obrigado Ó Mãe do Divino Trabalhador Por ouvirdes minha oração. Amém

domingo, 29 de abril de 2018

61 EXERCÍCIOS DE MORTIFICAÇÃO CRISTÃ



Pelo Cardeal Desidério José Mercier
A mortificação cristã tem por fim neutralizar as influências malignas que o pecado original ainda exerce nas nossas almas, inclusive depois que o batismo as regenerou.
Mortificação do corpo
1º Limite-se, tanto quanto possa, em matéria de alimentos, ao estritamente necessário. Medite estas palavras que Santo Agostinho dirigia a Deus: “Me ensinastes, oh meu Deus, a pegar os alimentos somente como remédios. Ah, Senhor!, aqui quem de entre nós não vai além do limite? Se há um só, declaro que este homem é grande e que deve grandemente glorificar vosso nome” (Confissões, liv. X, cap. 31);
2º Roga a Deus com frequência, roga-lhe a cada dia que lhe impeça, com Sua graça, de transpassar os limites da necessidade, ou deixar-se levar pelo atrativo do prazer;
3º Não pegue nada entre as refeições, ao menos que haja alguma necessidade ou razões de conveniência;
4º Pratique a abstinência e o jejum, mas pratique-os somente debaixo da obediência e com discrição;
5º Não lhe está proibido saborear alguma satisfação corporal, mas faça-o com uma intenção pura e bendizendo a Deus;
6º Regule seu sono, evitando nisto toda relaxação ou molície, sobretudo pela manhã. Se pode, fixe-se uma hora para deitar-se e levantar-se, e obrigue-se a ela energicamente;
7º Em geral, não descanse senão na medida do necessário; entregue-se generosamente ao trabalho, e não meça esforços e penas. Tenha cuidado para não extenuar seu corpo, mas guarde-se também de agradá-lo: quando sentir que ele está disposto a rebelar-se, por pouco que seja, trate-o como a um escravo;
8º Se sente alguma ligeira indisposição, evite irritar-se com os demais por seu mal humor; deixe aos seus irmãos o cuidado de queixar-se; pelo que lhe cabe, seja paciente e mudo como o divino Cordeiro que levou verdadeiramente todas as nossas enfermidades;
9º Guarde-se de pedir uma dispensa ou revogação à sua ordem do dia pelo mínimo mal-estar. “Há que fugir como da peste de toda dispensa em matéria de regras”, escrevia São João Berchmans;
10º Receba docilmente, e suporte humilde, paciente e perseverantemente a mortificação penosa que se chama doença.
Mortificação dos sentidos, da imaginação e das paixões
1º Feche seus olhos, diante de tudo e sempre, a todo espetáculo perigoso, e inclusive tenha a valentia de fechá-los a todo espetáculo vão e inútil. Veja sem olhar; não se fixe em ninguém para discernir sua beleza ou feiura;
2º Tenha seus ouvidos fechados às palavras bajuladoras, aos louvores, às seduções, aos maus conselhos, às maledicências, às zombarias que ferem, às indiscrições, à crítica malévola, às suspeitas comunicadas, a toda palavra que possa causar o menor esfriamento entre duas almas;
3º Se o sentido do olfato tem que sofrer algo por consequência de certas doenças ou debilidades do próximo, longe de queixar-se disso, suporte-o com uma santa alegria;
4º No que concerne à qualidade dos alimentos, seja muito respeitoso do conselho de Nosso Senhor: “Comei o que vos for apresentado”. “Comer o que é bom sem comprazer-se nisto, o que é mau sem mostrar aversão, e mostrar-se indiferente tanto em um como no outro, esta é a verdadeira mortificação”, dizia São Francisco de Sales;
5º Ofereça a Deus suas comidas, imponha-se na mesa uma pequena privação: por exemplo, negue-se um grão de sal, um copo de vinho, uma guloseima, etc.; os demais não o perceberão, mas Deus o terá em conta;
6º Se o que lhe apresentam excita vivamente seu atrativo, pense no fel e no vinagre que apresentaram a Nosso Senhor na cruz: isto não lhe impedirá de saborear o manjar, mas servirá de contrapeso ao prazer;
7º Há que evitar todo contato sensual, toda carícia em que se poria certa paixão, em que se buscaria ou onde se teria um gozo principalmente sensível;
8º Prescinda de ir aquecer-se ao menos que lhe seja necessário para evitar-lhe uma indisposição;
9º Suporte tudo o que aflige naturalmente a carne; especialmente o frio do inverno, o calor do verão, a dureza da cama e todas as incomodidades do gênero. Faça boa cara em todos os tempos, sorria a todas as temperaturas. Diga com o profeta: “Frio, calor, chuva, bendizei ao Senhor”. Felizes se podemos chegar a dizer com gosto esta frase tão familiar a São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor do que quando não estou bem”;
10º Mortifique sua imaginação quando lhe seduz com a isca de um posto brilhante, quando se entristece com a perspectiva de um futuro sombrio, quando se irrita com a recordação de uma palavra ou de um ato que o ofendeu;
11º Se sente em você a necessidade de sonhar, mortifique-a sem piedade;
12º Mortifique-se com o maior cuidado sobre o ponto da impaciência, da irritação ou da ira;
13º Examine a fundo seus desejos, e submeta-os ao controle da razão e da fé: você não deseja mais uma vida longa que uma vida santa? prazer e bem-estar sem tristeza nem dores, vitórias sem combates, êxitos sem contrariedades, aplausos sem críticas, uma vida cômoda e tranquila sem cruzes de nenhum tipo, ou seja, uma vida completamente oposta à de nosso divino Salvador?
14º Tenha cuidado de não contrair certos costumes que, sem ser positivamente maus, podem chegar a ser funestos, tais como o costume de leituras frívolas, dos jogos de azar, etc.;
15º Trate de conhecer seu defeito dominante, e quando o tiver conhecido, persiga-o até suas últimas pregas. Por isso, submeta-se com boa vontade ao que poderia ter de monótono e de entediado na prática do exame particular;
16º Não lhe está proibido ter bom coração e mostrá-lo, mas fique atento para o perigo de exceder o justo meio. Combata energicamente os afetos demasiado naturais, as amizades particulares, e todas as sensibilidades moles do coração.
Mortificação do espírito e da vontade
1º Mortifique seu espírito proibindo-lhe todas as imaginações vãs, todos os pensamentos inúteis ou alheios que fazem perder o tempo, dissipam a alma, e provocam o desgosto do trabalho e das coisas sérias;
2º Deve distanciar de seu espírito todo pensamento de tristeza e de inquietude. O pensamento do que poderá suceder no futuro não deve preocupá-lo. Quanto aos maus pensamentos que o molestam, deve fazer deles, distanciando-os, matéria para exercer a paciência. Se são involuntários, não serão para você senão uma ocasião de méritos;
3º Evite a teimosia em suas ideias, e a obstinação em seus sentimentos. Deixe prevalecer de boa vontade o juízo dos demais, salvo quando se trate de matérias em que você tem o dever de pronunciar-se e falar;
4º Mortifique o órgão natural de seu espírito, ou seja, a língua. Exerça-se de boa vontade no silêncio, seja porque sua Regra o prescreve, seja porque você o impõe espontaneamente;
5º Prefira escutar os demais do que falar você mesmo; mas, sem embargo, fale quando convenha, evitando tanto o excesso de falar demasiado, que impede os demais expressar seus pensamentos, como o de falar demasiado pouco, que denota indiferença que fere ao que dizem os demais;
6º Não interrompa nunca quem fala, e não corte com uma resposta precipitada quem lhe pergunta;
7º Tenha um tom de voz sempre moderado, nunca brusco nem cortante. Evite os “muito”, os “extremamente”, os “horrivelmente”, etc.: não seja exagerado em seu falar;
8º Ame a simplicidade e a retidão. A simulação, os rodeios, os equívocos calculados que certas pessoas piedosas se permitem sem escrúpulo, desacreditam muito a piedade;
9º Abstenha-se cuidadosamente de toda palavra grosseira, trivial ou inclusive ociosa, pois Nosso Senhor nos adverte que nos pedirá conta delas no dia do Juízo;
10º Acima de tudo, mortifique sua vontade; é o ponto decisivo. Adapte-a constantemente ao que sabe ser do beneplácito divino e da ordem da Providência, sem ter nenhuma conta nem de seus gostos nem de suas aversões. Submeta-se inclusive a seus inferiores nas coisas que não interessam para a glória de Deus e os deveres de seu cargo;
11º Considere a menor desobediência às ordens e inclusive aos desejos de seus Superiores como dirigida a Deus;
12º Lembre-se de que praticará a maior de todas as mortificações quando ame ser humilhado e quando tenha a mais perfeita obediência àqueles a quem Deus quer se se submeta;
13º Ame ser esquecido e ser tido por nada: é o conselho de São João da Cruz, é o conselho da Imitação: não fale apenas de si mesmo nem para bem nem para mal, senão busque pelo silêncio fazer-se esquecer;
14º Diante de uma humilhação ou repreensão, se sente tentado a murmurar. Diga como Davi: “Melhor assim! Me é bom ser humilhado!”;
15º Não entretenha desejos frívolos: “Desejo poucas coisas, e o pouco que desejo, o desejo pouco”, dizia São Francisco;
16º Aceite com a mais perfeita resignação as mortificações chamadas de Providência, as cruzes e os trabalhos unidos ao estado em que a Providência o pôs. “Quanto menos há de nossa eleição, mais há de beneplácito divino”, dizia São Francisco de Sales. Queríamos escolher nossas cruzes, ter outra distinta da nossa, levar uma cruz pesada que tivesse ao menos algum brilho, antes que uma cruz ligeira que cansa por sua continuidade: Ilusão! Devemos levar nossa cruz, e não outra, e seu mérito não se encontra em sua qualidade, senão na perfeição com que a levamos;
17º Não se deixe turbar pelas tentações, pelos escrúpulos, pelas aridezes espirituais: “o que se faz durante a sequidão é mais meritório diante de Deus do que o que se faz durante a consolação”, dizia o santo bispo de Genebra;
18º Não devemos entristecer-nos demasiado por nossas misérias, senão mais bem humilhar-nos. Humilhar-se é uma coisa boa, que poucas pessoas compreendem; inquietar-se e impacientar-se é uma coisa que todo o mundo conhece e que é má, porque nesta espécie de inquietude e de despeito o amor próprio tem sempre a maior parte;
19º Desconfiemos igualmente da timidez e do desânimo, que fazem perder as energias, e da presunção, que não é mais do que o orgulho em ação. Trabalhemos como se tudo dependesse de nossos esforços, mas permaneçamos humildes como se nosso trabalho fosse inútil.
Mortificações que há que praticar em nossas ações exteriores
1º Deve ser o mais exato possível em observar todos os pontos de sua regra de vida, obedecer sem demora, lembrando-se de São João Berchmans, que dizia: “Minha maior penitência é seguir a vida comum”; “Fazer o maior caso das menores coisas, tal é o meu lema”; “Antes morrer que violar uma só de minhas regras!”;
2º No exercício de seus deveres de estado, trate de estar muito contente com tudo o que parece feito de propósito para desagradá-lo e molestá-lo, lembrando-se também aqui da frase de São Francisco de Sales: “Nunca estou melhor quando não estou bem”;
3º Não conceda jamais um momento à preguiça; da manhã à noite, esteja ocupado sem descanso;
4º Se sua vida se passa dedicada, ao menos em partes, ao estudo, aplique os seguintes conselhos de Santo Tomás de Aquino aos seus alunos: “Não se contentem com receber superficialmente o que leem ou escutam, senão tratem de penetrar e aprofundar seu sentido. – Não fiquem nunca com dúvidas sobre o que podem saber com certeza. – Trabalhem com uma santa avidez em enriquecer seu espírito; classifiquem com ordem em sua memória todos os conhecimentos que possa adquirir. – Sem embargo, não tratem de penetrar os mistérios que estão por acima de sua inteligência”;
5º Ocupe-se unicamente da ação presente, sem voltar ao que precedeu nem adiantar-se pelo pensamento ao que vem a seguir; diga com São Francisco: “Enquanto faço isto, não estou obrigado a fazer outra coisa”; “Apressemo-nos com bondade: será tão logo tanto quanto esteja bom”;
6º Seja modesto em sua compostura. Nenhum porte era tão perfeito como o de São Francisco; tinha sempre a cabeça direita, evitando igualmente a ligeireza que a gira em todos os sentidos, a negligência que a inclina adiante e o humor orgulhoso e altivo que a levanta para trás. Seu rosto estava sempre tranquilo, livre de toda preocupação, sempre alegre, sereno e aberto, sem ter sem embargo uma jovialidade indiscreta, sem risadas ruidosas, imoderadas ou demasiado frequentes;
7º Quando se encontrava só mantinha-se em tão boa compostura como diante de uma grande assembleia. Não cruzava as pernas, não apoiava a cabeça no encosto. Quando rezava, ficava imóvel como uma coluna. Quando a natureza lhe sugeria seus gostos, não a escutava em absoluto;
8º Considere a limpeza e a ordem como uma virtude, e a sujeira e a desordem como um vício: evite os vestidos sujos, manchados ou rasgados. Por outra parte, considere como um vício ainda maior o luxo e o mundanismo. Faça de modo de ao ver sua vestimenta e adereços, ninguém diga: está desarrumado; nem: está elegante; senão que todo o mundo possa dizer: está decente.
Mortificações para praticar em nossas relações com o próximo
1º Suporte os defeitos do próximo: faltas de educação, de espírito, de caráter. Suporte tudo o que nele lhe desagrada: seu modo de andar, sua atitude, seu tom de voz, seu sotaque, e todo o resto;
2º Suporte tudo a todos e suporte até o fim e cristãmente. Não se deixe levar jamais por essas impaciências tão orgulhosas que fazem dizer: Que posso fazer de tal o qual? Em que me concerne o que diz? Para que preciso o afeto, a benevolência ou a cortesia de uma criatura qualquer, e desta em particular? Nada é menos segundo Deus que estes desprendimentos altaneiros e estas indiferenças depreciativas; melhor seria, certamente, uma impaciência;
3º Encontra-se tentado a irar-se? Pelo amor a Jesus, seja manso. De vingar-se? Devolva bem por mal. Diz-se que o segredo de chegar ao coração de Santa Teresa, era fazer-lhe algum mal. De mostrar a alguém uma cara má? Sorria com bondade. De evitar seu encontro? Busque-o por virtude. De falar mal dele? Fale bem. De falar-lhe com dureza? Fale doce e cordialmente;
4º Ame fazer o elogio de seus irmãos, sobretudo daqueles a quem sua inveja se dirige mais naturalmente;
5º Não diga acuidades em detrimento da caridade;
6º Se alguém se permite em sua presença palavras pouco convenientes, ou mantém conversações próprias para danificar a reputação do próximo, poderá às vezes repreender com doçura a quem fala, mas mais frequentemente será melhor distanciar habilmente a conversação ou manifestar por um gesto de descontentamento ou de desatenção querida que o que se está dizendo o desagrada;
7º Quando lhe custe fazer um favor, ofereça-se a fazê-lo: terá duplo mérito;
8º Tenha horror de apresentar-se diante de si mesmo ou dos demais como uma vítima. Longe de exagerar suas cargas, esforce-se em encontrá-las leves. O são em realidade muito mais frequentemente do que parece, e o seriam sempre se tivesse um pouco mais de virtude.
Conclusão
Em geral, saiba negar à natureza o que pede sem necessidade. Saiba fazer-lhe dar o que ela nega sem razão. Seus progressos na virtude, disse o autor da Imitação de Cristo, serão proporcionais à violência que saiba fazer-se. Dizia o santo Bispo de Genebra: “Há que morrer afim de que Deus viva em nós: porque é impossível chegar à união da alma com Deus por outro caminho que pela mortificação. Estas palavras: Há que morrer! são duras, mas serão seguidas de uma grande doçura, porque não se morre a si mesmo senão para unir-se a Deus por esta morte”. Quisera Deus que pudéssemos aplicar-nos com pleno direito as seguintes palavras de São Paulo: “Em todas as coisas sofremos a tribulação… Trazemos sempre em nosso corpo a morte de Jesus, afim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos” (2 Cor. 4, 10)

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Amar a todos

“Corrigir os indisciplinados, confortar os pusilânimes, amparar os fracos, refutar os opositores, precaver-se dos maliciosos, instruir os ignorantes, estimular os negligentes, frear os provocadores, moderar os ambiciosos, encorajar os desanimados, pacificar os litigiosos, ajudar os necessitados, libertar os oprimidos, demonstrar aprovação aos bons, tolerar o maus e, ai de mim, amar a todos”. 

(Santo Agostinho)