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A
Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, teve lugar na praça de S.
Pedro, no Vaticano, em 25 de Março de 1984.
Para
esse efeito, o Papa João Paulo II pediu a presença da Imagem de Nossa Senhora
de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições.
Diante
da Imagem, o Papa repetiu o Acto de Entrega que havia feito em Fátima em 13
de Maio de 1982.
A 1 de
Abril de 1984, na edição semanal em Português do jornal do Vaticano
"L´Osservatore Romano" é feito o relato da presença da Imagem no
Vaticano:
A
Imagem chegou ao Vaticano, directamente da Capelinha das Aparições, no dia 24
de Março, levada por D. Alberto Cosme do Amaral, Bispo de Leiria. À chegada
foi acolhida no Pátio de S. Dâmaso e, logo depois, levada em procissão até à
Capela Paulina, no Palácio Apostólico, onde permaneceu até às 21h00, e onde
recebeu a homenagem de muitos fiéis.
Às
21h00 foi levada para a Capela dos aposentos pontifícios.
Na
manhã seguinte, a celebração do Jubileu para as famílias, iniciou com a
entrada processional de Nossa Senhora de Fátima na Praça de S. Pedro.
Após a
saudação do Papa aos peregrinos, e após a liturgia da Palavra foi feita a
homilia e, ao termino da cerimónia, à hora do "Angelus", João Paulo
II recitou junto da Imagem o Acto de Entrega do mundo e dos Povos.
De
seguida, o Acto de Entrega a Nossa Senhora:
Acto de Entrega – 25 de Março
de 1984
A família é o coração da Igreja. Eleve-se hoje deste coração um acto de particular entrega ao Coração da Mãe de Deus. No Ano Jubilar da Redenção queremos confessar que o Amor é maior que o pecado e que todos os males que ameaçam o homem e o mundo. Com humildade invocamos este Amor:
1. “À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de
Deus”!
Ao pronunciar estas palavras da antífona com que a Igreja de Cristo reza há séculos, encontramo-nos hoje diante de Vós, ó Mãe, no Ano Jubilar da nossa Redenção. Estamos aqui unidos com todos os pastores da Igreja por um vínculo particular, pelo qual constituímos um corpo e um colégio, do mesmo modo que os Apóstolos, por vontade de Cristo, constituíram um corpo e um colégio com Pedro. No vínculo desta unidade, pronunciamos as palavras do presente Acto, no qual desejamos incluir, uma vez mais, as esperanças e as angústias da Igreja pelo mundo contemporâneo. Há quarenta anos atrás, e depois ainda passados dez anos, o Vosso servo o Papa Pio XII, tendo diante dos olhos as dolorosas experiências da família humana, confiou e consagrou ao Vosso Coração Imaculado todo o mundo e especialmente os Povos que, pela situação em que se encontram, são particular objecto do Vosso amor e da Vossa solicitude. É este mundo dos homens e das nações que nós temos diante dos olhos também hoje: o mundo do Segundo Milénio que está prestes a terminar, o mundo contemporâneo, o nosso mundo! A Igreja, lembrada das palavras do Senhor: “Ide… e ensinai todas as nações… Eis que eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt. 28, 19-20), reavivou, no Concilio Vaticano Segundo, a consciência da sua missão neste mundo. Por isso, ó Mãe dos Homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o nosso mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos directamente ao Vosso Coração; e abraçai, com o amor da Mãe e da Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos. De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações, que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade. “À Vossa protecção nos acolhemos Santa Mãe de Deus!” Não desprezeis as nossas súplicas que a vós elevamos, nós que estamos em provação!
2. Encontrando-nos hoje diante de Vós, Mãe de
Cristo, diante do Vosso Coração Imaculado, desejamos, juntamente com toda a
Igreja, unir-nos com a consagração que, por nosso amor, o Vosso Filho fez de
Si mesmo ao Pai: “Por eles eu consagro-me a Mim mesmo – foram as suas
palavras – para eles serem também consagrados na verdade (Jo. 17,19).
Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Coração divino, tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação. A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as nações; e supera todo o mal, que o espírito das trevas é capaz de despertar no coração do homem e na sua história, e que, de facto, despertou nos nossos tempos. Oh! quão profundamente sentimos a necessidade de consagração, pela humanidade e pelo mundo: pelo nosso mundo contemporâneo, em união com o próprio Cristo! Na realidade, a obra redentora de Cristo deve ser pelo mundo participada por meio da Igreja. Manifesta-o o presente Acto da Redenção; o Jubileu extraordinário de toda a Igreja. Sede bendita, neste Ano Santo, acima de todas as criaturas, Vós, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento divino! Sede louvada, Vós que estais inteiramente unida à consagração redentora do Vosso Filho! Mãe da Igreja! Iluminai o Povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade! Iluminai de modo especial os povos dos quais esperais a nossa consagração e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagração de Cristo pela inteira família humana do mundo contemporâneo.
3. Confiando-Vos, ó Mãe, o mundo, todos os homens
e todos os povos, nós vos confiamos também a própria consagração do mundo,
depositando-a no Vosso Coração materno.
Oh, Coração Imaculado! Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal que tão facilmente se enraíza nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a nossa época e parece fechar os caminhos do futuro! Da fome e da guerra livrai-nos! Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável e de toda a espécie de guerra, livrai-nos! Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos! Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos! De todo o género de injustiças na vida social, nacional e internacional, livrai-nos! Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos! Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos! Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos! Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos! Acolhei, ó Mãe de Cristo, este clamor carregado de sofrimento de todos os homens! Carregado do sofrimento de sociedades inteiras! Ajudai-nos com a força do Espírito Santo a vencer todos os pecados: o pecado do homem e o "pecado do mundo", enfim, o pecado em todas as suas manifestações. Que se revele, uma vez mais, na história do mundo a infinita potência salvífica da Redenção: a força infinita do Amor Misericordioso! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no Vosso Coração Imaculado, a luz da Esperança!
Recorda
ainda a mesma publicação oficial que, na tarde desse Domingo 25 de
Março, o Santo Padre João Paulo II, antes de se dirigir à Sala Paulo VI para
se encontrar com as famílias, desceu à Basílica de S. Pedro para prestar as
suas homenagens a Nossa Senhora, antes de a Imagem ser levada para a Basílica
de São João de Latrão, onde permaneceria toda a noite em uma vigília de
oração promovida pelos movimentos marianos de Roma.
João Paulo
II, após uns momentos de prece diante de Nossa Senhora, dirigiu-se aos fiéis
ali presentes e teceu palavras de agradecimento a Nossa Senhora pela visita,
agradecimento que estendeu a D. Alberto Cosme do Amaral por ter levado a
Imagem, recordou todos os passos da Imagem durante os dois dias e concedeu
uma bênção a todos os que ali se encontravam e à Igreja inteira de Roma.
Texto retirado do: http://www.santuario-fatima.pt
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domingo, 24 de junho de 2012
A Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria
sexta-feira, 22 de junho de 2012
"DESCULPAS TÍBIAS E RAZÕES SEM RAZÃO"
Por isso, Mãe, nós vos pedimos:
– Não permitais que esse fogo se apague.
Livrai-nos do desleixo espiritual,
da moleza consentida,
da displicência nas coisas de Deus,
da piedade formal e do dever rotineiro,
da indiferença para com o próximo,
da conivência disfarçada com as tentações,
do desejo mascarado de tirar uma lasquinha
de cada um dos sete pecados capitais.
Mãe da divina Graça,
curai as chagas abertas na alma
pelo nosso egoísmo – "vento gelado"
que apaga as chamas de Pentecostes –,
e pelo nosso amor-próprio mesquinho,
que se empenha em entronizar o "eu",
com seus "gostos", "vontades" e "vaidades",
no altar do coração onde só Deus deveria reinar.
Livrai-nos de querer justificar a nossa negligência
com mil desculpas tíbias e "razões sem razão".
Fazei-nos compreender com luzes claras
que a tibieza – para dizê-lo com palavras de São Paulo –
contrista o Espírito Santo de Deus.
Francisco Faus
A TIBIEZA
E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
domingo, 17 de junho de 2012
OS EFEITOS DA EUCARISTIA S. Tomás de Aquino
1 - No Sacramento da Eucaristia, em virtude das palavras
da instituição, as espécies simbólicas se mudam em corpo e sangue; seus acidentes
subsistem no sujeito; e nele, pela consagração, sem violação das leis da
natureza, o Cristo único e inteiro existe Ele próprio em diversos lugares,
assim como uma voz é ouvida e existe em vários lugares, continuando inalterado
e permanecendo inviolável quando dividido, sem sofrer diminuição alguma.
Cristo, de fato, está inteira e perfeitamente em cada e em todo fragmento de
hóstia, assim como as aparências visíveis que se multiplicam em centenas de
espelhos.
2 - O efeito deste Sacramento
deve ser considerado, portanto, primeira e principalmente em função daquilo que
nele está contido, que é o Cristo.
Ele, vindo ao mundo em forma
visível, trouxe ao mundo a vida da graça, segundo nos diz o Evangelho de João:
"A graça e a verdade,
porém, vieram por meio de Jesus Cristo”
Assim, da mesma forma, vindo
Cristo ao mundo em forma sacramental, opera a vida da graça, segundo ainda
outra passagem do mesmo Evangelho:
"Quem me come, viverá por
mim”
3 - O efeito deste Sacramento
deve, ademais, ser considerado também pelo que ele representa, que é a Paixão
de Cristo. Por isto, o efeito que a Paixão de Cristo realizou no mundo, este
Sacramento também realiza no homem.
4 - O efeito deste Sacramento
também deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens,
que é por modo de comida e bebida. E por isto todo efeito que a bebida e a
comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer,
reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual.
E é por isto que se diz:
"Este é o pão da vida
eterna, pelo qual se sustenta a substância de nossa alma".
De onde que o próprio Senhor diz,
no Evangelho de São João:
"Minha carne é
verdadeiramente comida, e meu sangue é verdadeiramente bebida”.
5 - Finalmente, o efeito do
Sacramento da Eucaristia deve ser considerado pelas espécies em que este
Sacramento nos é oferecido. Foi por causa disto que escreveu Santo Agostinho:
"O Senhor confiou-nos
o Seu Corpo e o Seu Sangue em
coisas tais que são reduzidas à unidade a partir de muitas outras, porque o pão é um, embora conste de muitos grãos, e
o vinho é feito a partir de muitas
uvas".
E por isso ele também escreveu em
outro lugar:
"Ó Sacramento da piedade,
ó sinal da unidade, ó vínculo da caridade!”.
6 - E porque Cristo e sua Paixão são causa da graça, e uma
refeição espiritual e a caridade não podem existir sem a graça, por todas estas
coisas é manifesto que este Sacramento confere a graça.
7 - Mas, conforme diz São
Gregório na homilia de Pentecostes,
"o amor de Deus não é ocioso;
opera grandes coisas, se de fato existe".
Por isto, por meio deste
Sacramento, o quanto pertence a seu efeito próprio, não somente é conferido o
hábito da graça e da virtude, mas também esta é conduzida ao ato, segundo o que
está escrito na Segunda Epístola aos Coríntios:
"O amor de Cristo nos
impele".
Daqui é que provém que pela
virtude do Sacramento da Eucaristia a alma faz uma refeição espiritual por
deleitar-se e inebriar-se pela doçura da bondade divina, segundo o que diz o
Cântico dos Cânticos:
"Comei, amigos, e bebei;
e inebriai-vos, caríssimos".
8 - Este Sacramento também tem
virtude para a remissão dos pecados veniais, o que pode ser visto pelo fato de
que ele é tomado sob a espécie de alimento nutritivo. A nutrição proveniente do
alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é
desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é
desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais
que diminuem o fervor da caridade. E por isto compete a este Sacramento a
remissão dos pecados veniais. De onde que Santo Ambrósio diz, no livro Dos
Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado "como remédio da
enfermidade de cada dia".
9 - Ademais, a coisa deste
Sacramento é a caridade, não somente quanto ao hábito, mas também quanto ao
ato, ao qual é conduzida neste Sacramento, pelo qual os pecados veniais se
dissolvem. De onde que é manifesto que pela virtude deste Sacramento ocorre a
remissão dos pecados veniais. Os pecados veniais, ao contrário dos mortais, não
contrariam a caridade quanto ao hábito, mas contrariam a caridade quanto ao
fervor do ato, ao qual é conduzida por este Sacramento. É por esta razão que os
pecados veniais são perdoados pelo Sacramento da Eucaristia.
10 - O Sacramento da Eucaristia
pode também perdoar toda a pena devida ao pecado. Este efeito pode ocorrer
tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento. A Eucaristia possui
razão de sacrifício na medida em que é oferecido; possui razão de sacramento na
medida em que é tomado.
11 - Como Sacramento, a Eucaristia possui diretamente
aquele efeito para o qual foi instituído. Não foi, porém, como Sacramento,
instituído para satisfazer, mas para alimentar espiritualmente pela união a
Cristo e aos seus membros, assim como o alimento se une ao alimentado. Mas
porque esta união se realiza pela caridade, por cujo fervor alguém pode
conseguir a remissão não apenas da culpa, mas também da pena, daqui ocorre que
por conseqüência, por uma certa concomitância ao efeito principal, o homem
alcança a remissão também para a pena. Não, porém, de toda a pena, mas de
acordo como o modo de sua devoção e fervor.
12 - Mas, na medida em que é
Sacrifício, a Eucaristia possui virtude satisfatória. Entretanto, também na
satisfação mais deve se considerar o afeto do oferente do que a quantidade da
oblação, de onde que o Senhor disse, no Evangelho de São Lucas, da viúva que
ofereceu apenas duas moedas, que "ofereceu mais do que todos".
Embora, portanto, a oblação eucarística pela sua própria quantidade seja
suficiente para a satisfação de toda a pena, todavia torna-se satisfatória para
aqueles pelos quais é oferecida, ou também para os próprios oferentes, de
acordo com a quantidade de sua devoção, e não por toda a pena.
13 - A Eucaristia também preserva
o homem dos pecados futuros, pelo mesmo modo em que o corpo é preservado da
morte futura. O pecado é uma certa morte espiritual da alma. Ora, a natureza
corporal do homem é preservada da morte pela comida e pelo remédio na medida em
que a natureza humana é interiormente fortificada contra o que pode corrompê-la
interiormente. É deste modo que este Sacramento preserva o homem do pecado,
porque através dele, unindo-se a Cristo pela graça, é fortalecida a vida
espiritual do homem, ao modo de uma comida espiritual e um remédio espiritual.
É assim que diz o Salmo 103:
"O pão confirma o coração
do homem".
14 - A Eucaristia preserva
o homem dos pecados futuros também o defendendo contra as impugnações
exteriores. Pois é sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os
demônios, de modo que este Sacramento repele toda a impugnação dos demônios.
15 - Ainda que este Sacramento
não diretamente se ordene à diminuição do incitamento do pecado, diminui,
porém, este incitamento por uma certa conseqüência, na medida em que aumenta a
caridade, porque, segundo diz Agostinho no Livro das 83 Questões, "O
aumento da caridade é a diminuição da cobiça".
Diretamente, porém, a Eucaristia
confirma o homem no bem, pelo que também é preservado o homem do pecado.
16 - Este Sacramento, ademais, é de proveito para muitos
outros além dos que o recebem porque, conforme foi dito, este Sacramento não é
apenas sacramento, mas é também sacrifício. Na medida em que neste Sacramento é
representada a Paixão de Cristo, pela qual Cristo se ofereceu a Si mesmo como
hóstia a Deus, possui razão de sacrifício. Na medida, porém, em que neste
Sacramento é trazida invisivelmente a graça sob uma espécie visível, possui
razão de sacramento.
17 - Assim, pois, este Sacramento é, para os que o recebem,
de proveito não só por modo de sacramento, como também por modo de sacrifício,
porque é oferecido por todos os que o recebem.
18 - Mas também é de proveito
para os que não o recebem, embora apenas por modo de sacrifício, na medida em
que é oferecido pela salvação deles. É por isso que no cânon da Missa se diz:
"Lembrai-vos, Senhor, dos
vossos servos e servas, pelos quais nós Vos oferecemos, e eles Vos oferecem
também, este Sacrifício de louvor, por si e por todos os seus, pela redenção de
suas almas, pela esperança de sua salvação e sua segurança".
19 - O próprio Senhor, ademais,
expressou que a Eucaristia seria de proveito para outros além dos que a
recebem, quando disse, na última Ceia:
"Este cálice é o meu
sangue, que por vós", isto é, os que o recebem, "e por
muitos" outros,
"será derramado para o
perdão dos pecados".
20 - Pode-se, porém, argumentar
que sendo o efeito deste Sacramento a obtenção da graça e da glória e a
remissão da culpa, pelo menos da venial, se este Sacramento realmente tivesse
efeito em outros além dos que o recebem poderia acontecer que alguém alcançasse
a glória, a graça e a remissão das culpas sem ação nem paixão própria, por
algum outro ter oferecido ou recebido este Sacramento.
Responde-se a isto dizendo que
assim como a Paixão de Cristo é de proveito para todos para a remissão da
culpa, e a obtenção da graça e da glória, mas não produz efeito senão naqueles
que se unem à Paixão de Cristo pela fé e pela caridade, assim também este
sacrifício que é a Eucaristia, memorial da Paixão do Senhor, não produz efeito
senão naqueles que se unem a este Sacramento pela fé e pela caridade. De onde
que no Cânon da Missa não se ora por aqueles que estão fora da Igreja. Aos que
nela estão, porém, o Sacrifício Eucarístico é de proveito maior ou menor de
acordo com o modo de sua devoção.
21 - Mas, assim como deve-se
dizer que o Sacramento da Eucaristia obtém a remissão dos pecados veniais,
assim devemos também dizer que os pecados veniais impedem o efeito deste
Sacramento. Pois diz São João Damasceno:
"O fogo do seu desejo que
há em nós, acendendo-se mediante aquele fogo que há no carvão", isto
é, neste Sacramento,
"Queimará nossos pecados
e iluminará nossos corações para que ardamos e nos deifiquemos pela
participação do fogo divino".
Mas o fogo do nosso desejo ou do
nosso amor é impedido pelos pecados veniais, que impedem o fervor da caridade.
Portanto, os pecados veniais impedem o efeito deste Sacramento.
22 - Os pecados veniais podem ser
considerados de dois modos. De um primeiro modo, na medida em que são passados.
De um segundo modo, na medida em que estão sendo exercidos em ato.
Segundo o primeiro modo, os
pecados veniais de nenhum modo impedem o efeito deste Sacramento. De fato, pode
acontecer que alguém, depois de ter cometido muitos pecados veniais, se
aproxime devotamente a este Sacramento e alcance plenamente o seu efeito.
Porém, de acordo com o segundo modo, os pecados veniais
não impedem totalmente o efeito deste Sacramento, mas apenas em parte. De fato,
foi dito que o efeito deste Sacramento não é apenas a obtenção da graça
habitual ou da caridade habitual, mas também uma certa refeição atual de
espiritual doçura. A qual, na verdade, é impedida se alguém se aproximar a este
Sacramento com a mente distraída pelos pecados veniais. O aumento da graça
habitual ou da caridade habitual, porém, não é tirado.
23 - Aquele que com o ato do pecado venial se aproxima
deste Sacramento come espiritualmente segundo o hábito, mas não segundo o ato.
E por isto recebe o efeito deste Sacramento segundo o hábito, não segundo o
ato.
24 - Nisto o Sacramento da Eucaristia difere do Batismo,
porque o Batismo não se ordena a um efeito atual, isto é, ao fervor da
caridade, do modo como ocorre com o Sacramento da Eucaristia. O Batismo é uma
regeneração espiritual, pelo qual se adquire uma primeira perfeição, que é um
hábito ou forma; mas a Eucaristia é uma refeição espiritual que possui uma
deleitação atual.
25 - Quem está em pecado mortal
comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais
na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a
segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a
sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto
significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé
formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal.
E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado
mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como
violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente.
26 - Os pecadores, porém, que tocavam o Corpo de Cristo
não sob a espécie sacramental, mas em sua substância própria, não pecavam. Às
vezes até alcançavam o perdão dos pecados, como se lê no Evangelho de São Lucas
a respeito da mulher pecadora. Isto acontecia porque o Cristo, aparecendo sob a
sua espécie própria, não se exibia para ser tocado pelos homens em sinal de
união espiritual com Ele, como é o caso quando se oferece para ser recebido
neste Sacramento. Foi por isso que os pecadores que o tocavam em sua própria
espécie não incorriam no crime de falsidade contra a divindade, como o fazem os
pecadores que recebem este Sacramento.
27 - O pecador que recebe o Corpo
de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou
Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.
Esta semelhança compete a todos
os pecadores em geral, porque por todos os pecados mortais age-se contra a
caridade de Cristo, de que é sinal este Sacramento, e tanto mais quanto os
pecados são mais graves.
Mas sob um aspecto especial os
pecados contra o sexto mandamento tornam o homem mais inepto para o recebimento
deste Sacramento, na medida em que, a saber, por este pecado o espírito é
maximamente submetido à carne, e desta maneira é impedido o fervor do amor que
é requerido neste Sacramento.
28 - Que ninguém, pois, se
aproxime desta Mesa sem reverente devoção e fervente amor, sem verdadeiro
arrependimento, ou sem lembrar-se de sua Redenção.
Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia
inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido
para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere
o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a
alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união
da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a
caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o
acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade
fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que
conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é
comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a
fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis
encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência,
inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para
as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que
crêem Tuas maravilhosas obras.
S. Tomás de Aquino
- Summa Theologiae IIIa. Pars Qs. 79-80 -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -
- Sermão sobre o Corpo do Senhor -
A Santa Missa - uma breve explicação sobre o Santo Sacríficio
A Igreja e os santos sempre ensinaram que as coisas ocorridas no Antigo Testamento são prefigurações
daquelas que aconteceriam no Novo Testamento. Isso quer dizer que Deus, para poupar a fraqueza do
homem e para ensinar-lhe as verdades da Revelação de modo gradativo e adequado à nossa inteligência,
quis ou permitiu que ocorressem os fatos do Antigo Testamento para que estes servissem como analogias
em relação aos fatos que se realizariam no futuro, no Novo Testamento.
Além de utilizar os fatos ocorridos no Antigo Testamento com a finalidade de preparar os homens para o que
seria revelado no Novo Testamento, Deus se utilizou também das profecias.
E é assim que vemos, no Antigo Testamento, a Santa Missa prefigurada por muitos fatos e também predita
pelos profetas.
Dentre os fatos do Antigo Testamento que são prefigurações do Santo Sacrifício da Missa estão:
• o oferecimento de pão e vinho a Deus por Melquisedec, sacerdote e rei de Salém (Gen. 14, 18-20);
• o maná, sustento milagroso que o Senhor fazia cair todas as manhãs em torno do campo dos hebreus
no deserto, depois de terem saído do Egito guiados por Moisés (Ex. 16, 4-36). O maná era um alimento
descido do céu. Nosso Senhor na Santa Eucaristia é o Pão vivo descido do céu. – O maná substituía
todos os alimentos, tendo nele todos os sabores. A Santa Eucaristia é o pão por excelência: basta para
todas as necessidades da alma. – O maná durou até que os hebreus entrassem na terra prometida. A
Santa Eucaristia nos será dada até que entremos no céu, onde veremos face à face o Deus que
recebemos, no Sacramento, sob o véu de pão.
Várias coisas a respeito da vinda e da obra de Jesus Cristo foram também preditas pelos profetas, e uma
delas é o Sacrifício da Missa, que seria instituído por Nosso Senhor e que se haveria de oferecer por toda a
terra.
O profeta Malaquias nos mostra Deus irritado com as negligências e as provas de má vontade dos
sacerdotes judeus da Antiga Lei quando ofereciam os sacrifícios:
“O filho honra seu pai, e o servo reverencia o seu senhor. Se eu, pois, sou vosso pai, onde está a minha
honra? E se eu sou o vosso Senhor, onde está o temor que se me deve? diz o Senhor dos exércitos.
Convosco falo, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome, e que dizeis: em que desprezamos nós o teu
nome? Vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo, e dizeis: Em que te profanamos nós? Nisso que
dizeis: A mesa do Senhor está desprezada. Se vós ofereceis uma hóstia cega para ser imolada, não é isto
mau? E se ofereceis uma que é coxa e doente, não é isto mau? Oferecei estes animais ao vosso
governador, e vereis se eles lhe agradarão, ou se ele vos receberá com agrado, diz o Senhor dos Exércitos”
(Mal. 1, 6-8).
Diante disto, Deus, pela boca do profeta, se mostra resolvido a rejeitar e abolir os sacrifícios antigos: “O meu
afeto não está em vós, diz o Senhor dos exércitos; nem eu receberei algum donativo de vossa mão” (Mal 1,
10).
E passa a anunciar um Sacrifício Novo, oferecido em toda a terra: “Porque desde o nascente do sol até o
poente é o meu nome grande entre as gentes, e em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome
uma oblação pura” (Mal. 1, 11).
A expressão “do nascente do sol até o poente” é usada nas Escrituras para significar o mundo inteiro. A
palavra “gentes” é sempre empregada na Escritura para significar os gentios, os povos que não são o povo
israelita.
Esta oblaçãoa que o profeta se refere não é tomada no sentido metafórico de oração ou sacrifício espiritual
ou esmola: ela vem substituir os sacrifícios dos sacerdotes da Antiga Lei.
E não se refere diretamente ao Sacrifício cruento da Cruz, pois este foi oferecido em um só lugar, uma vez
só, no monte Calvário, ao passo que aqui se trata de um sacrifício oferecido em todo lugar, de modo a tornar
o nome do Senhor engrandecido entre as gentes: a Santa Missa, renovação incruenta daquele mesmo
Sacrificio do Calvário.
O fato de Deus ter usado de figuras e profecias no Antigo Testamento com a finalidade de preparar o povo
escolhido para aceitar o Sacrifício da Missa mostra-nos a grande importância deste mesmo Sacrifício e a
grande estima que Deus tem por ele. A finalidade deste pequeno trabalho é tornar mais conhecido este
Sacrifício tão estimado por Deus e que tem tão grande valor, expondo seu significado e as verdades que ele
exprime, e que estão contidas em cada palavra e ação do sacerdote.
Primeira parte: o Sacramento da Eucaristia
§ 1° Do que é a Santíssima Eucaristia e da presença real de Jesus Cristo neste Sacramento
1. Que é o Sacramento da Eucaristia?
A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo
de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu preciso Sangue, contém verdadeira, real e
substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo
das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual.
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2. Na Eucaristia está o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na terra, da
Santíssima Virgem?
Sim, na Eucaristia está verdadeiramente o mesmo Jesus Cristo que está no Céu e que nasceu, na
terra, da Santíssima Virgem.
3. Por que acreditais que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus
Cristo?
Eu acredito que no Sacramento da Eucaristia está verdadeiramente presente Jesus Cristo porque Ele
mesmo o disse, e Ele, sendo Deus, não pode mentir. E assim no-lo ensina a Santa Igreja.
4. Que é a hóstia antes da consagração?
A hóstia antes da consagração é pão de trigo.
5. Depois da consagração, que é a hóstia?
Depois da consagração, a hóstia é o verdadeiro Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo das
aparências de pão.
6. Que está no cálice antes da consagração?
No cálice, antes da consagração, está vinho de uva com algumas gotas de água.
7. Depois da consagração, que há no cálice?
Depois da consagração, há no cálice o verdadeiro Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, debaixo
das aparências de vinho.
8. Quando se faz a mudança do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo?
A conversão do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Jesus Cristo de faz precisamente no ato em
que o sacerdote, na Santa Missa, pronuncia as palavras da consagração.
9. Que é a consagração?
A consagração é a renovação, por meio do sacerdote, do milagre operado por Jesus Cristo na Última
Ceia, quando mudou o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue adorável, por estas palavras: Isto
é o meu Corpo; este é o meu Sangue.
10. Como é chamada pela Igreja a miraculosa conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue
de Jesus Cristo?
Esta miraculosa conversão, que todos os dias se opera sobre os nossos altares, é chamada
pela Igreja de transubstanciação.
11. Quem deu tanto poder às palavras da consagração?
Foi o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, Deus onipotente, que deu tanto poder às palavras
da consagração.
12. Deve-se adorar a Eucaristia? A Eucaristia deve ser adorada por todos, porque Ela contém
verdadeira, real e substancialmente o mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.
13. Quando instituiu Jesus Cristo o Sacramento da Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia na Última Ceia que celebrou com seus discípulos,
na noite que precedeu sua Paixão.
14. Por que instituiu Jesus Cristo a Santíssima Eucaristia?
Jesus Cristo instituiu a Santíssima Eucaristia por três razões principais: 1a. para ser o
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sacrifício da Nova Lei; 2a. para ser alimento de nossa alma; 3a. para ser um memorial
perpétuo da sua Paixão e Morte, e um penhor precioso do seu amor para conosco e da vida
eterna.
Referências: Extraído do Catecismo Maior de São Pio X ± Quarta parte, Capítulo IV.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
"Mortificação"
«Se não te mortificas, nunca serás alma de oração» (Caminho, n. 172).
Por quê? Porque dentro de nós há, como diz São Paulo, duas forças opostas em contínua luta: o “homem velho” e o “homem novo” (ver Ef 4,22-24). O homem velho tem um nome: “egoísmo”, fruto do pecado original e dos pecados pessoais. O homem novo também tem um nome: “amor”, fruto da presença do Espírito Santo na alma e da nossa correspondência.
Os dois “homens” são como brigões que puxam de uma corda, cada um por um extremo, em sentido contrário. Se o “velho” levar a melhor, arrasta-nos para longe de Cristo (pois só a graça e o amor nos aproximam dEle). Mas toda vez que o “novo” vence (”mortificando” o egoísmo), aproxima-nos de Deus, da amizade com Cristo, da união com Ele. Que acha? Não é justamente isso o que procuramos com a oração? Sim, é a intimidade com Deus, a sintonia com Deus, a amizade que tudo compartilha com o Amigo (ver Jo 15,15).
Por isso, entende-se bem que Jesus diga: «Se alguém quiser vir comigo, negue-se a si mesmo [negue o "eu" egoísta], tome a sua cruz e siga-me» (Mt 16,24).
A mortificação voluntária é a negação dos puxões do eu egoísta: é um sacrifício que consiste em dizer não aos desejos e inclinações egoístas, para poder dizer sim ao que pede o amor. Por isso, a mortificação bem entendida deveria chamar-se , melhor, “vivificação”. Ela é fonte de vida e não de morte.
Agora perguntemo-nos: Que tipos de mortificação são necessários para podermos ser “almas de oração”? Penso que podem resumir-se em cinco:
1º) A mortificação externa, a da ordem e pontualidade na oração. Já vimos, em outras meditações, como é importante ter uma hora e um lugar fixos para a oração (meditação, terço, etc.), e observá-los, mesmo que não tenhamos vontade nem facilidade (só deixá-los se há “impossibilidade”).
«É preciso vencer - diz São Josemaria - a poltronaria, o falso critério de que a oração pode esperar. Não adiemos nunca essa fonte de graças para amanhã. O tempo oportuno é agora».
2º) A mortificação física da gula. Não faça essa cara de estranheza. Sim, gula e oração têm muito a ver, como ensinavam os cristãos dos primeiros séculos. Comer demais, além de fazer mal ao corpo, enfraquece a alma e a torna “pesada”. No século V, o abade João Cassiano, grande mestre da oração, escrevia: «O primeiro combate que devemos empreender é contra o espírito de gula. A abstinência corporal não tem outra razão de ser senão conduzir-nos à pureza do coração».
Doze séculos mais tarde, o famoso padre Manuel Bernardes perguntava: «Sendo certo que o primeiro passo da vida espiritual é sair-se da cozinha e despensa, que progressos espirituais suporemos ter feito quem tiver o coração na cozinha e despensa?».
3º) A mortificação da imaginação. Já nos referimos a ela ao tratar do recolhimento interior. Não podemos ter a imaginação à solta, ao longo do dia. Dizem que Santa Teresa de Ávila a chamava a “louca da casa”, o que é uma grande verdade; quem não se acostuma a mortificar devaneios à toa, filminhos mentais sem substância, depois, quando chega a hora da oração, sofre o bombardeio das distrações: a imaginação solta as suas “bombas de fumaça” e não nos deixa fixar a mente e o coração em Deus.
4º) A mortificação que purifica. São Josemaria compara a nossa alma a um «pássaro que ainda tem as asas empastadas de lama», e comenta que são necessários «muito calor do Céu [graça de Deus] e esforços pessoais pequenos e constantes [mortificações], para arrancar esse barro pegajoso das asas» (Caminho, n.991).
Purificam-nos as mortificações que vão vencendo, pouco a pouco, a lama dos defeitos: a sensualidade, a impaciência, a preguiça, a vontade de ficar mais tempo na cama, a desordem, o mau humor, a passividade perante os problemas dos outros… «Urge que os cristãos - diz o mesmo santo - se convençam desta realidade: não caminhamos junto do Senhor quando não sabemos privar-nos espontaneamente de tantas coisas que o capricho, a vaidade, a vida cômoda, o interesse nos reclamam».
E também as mortificações (e os sofrimentos), que oferecemos a Deus como penitência, para purificar e reparar os nossos pecados: mais um tempo de oração de joelhos, um pequeno jejum, a visita a uma igreja em dia de semana…; e as dores e doenças físicas, os padecimentos morais, as frustrações que nos fazem sofrer, etc. “Tudo isso para ti, Senhor, unido à tua Cruz, para purificar a minha alma pecadora”.
5) Finalmente, as mortificações necessárias para cumprir a Vontade de Deus. A própria oração nos faz ver, quase sempre, o que Deus quer de nós (voltaremos a esse assunto em outra meditação). Para dizer-lhe “sim”, teremos que dizer “não” a algum gosto, plano ou prazer pessoal. Por exemplo, para não deixar de ir à Missa aos domingos. Ou para participar de um apostolado ou de um trabalho social em favor dos necessitados. Ou para ficar em casa à disposição dos que precisam do nosso serviço. São coisas que Deus nos pede. As mortificações que elas exigem são as pontes por onde passa o amor. Do outro lado da ponte da mortificação, feita com amor a Deus e ao próximo, estão os braços e o coração aberto de Cristo Jesus. E, com ele, está a alegria.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
"Eu darei a terra a chuva em seu tempo"
1 Ama, pois, a teu Deus e observa todos os dias aquilo que pede de ti, as suas leis, os seus preceitos e os seus mandamentos. 2 Reconhecei hoje o que não sabem os vossos filhos, que não viram o ensinamento do Senhor vosso Deus: seus grandes feitos, sua mão forte e braço estendido, 3 os sinais e as obras que fez no Egito contra o Faraó, rei do Egito, e contra toda a 19 sua terra ; 4 O que fez com o exército egípcio, com os cavalos e carros, arremessando sobreeles as águas do mar Vermelho, quando vos perseguiam, e o Senhor os destruiu até hoje; 5 O que fez por vós no deserto, até chegardes a este lugar; 6 O que fez com Datã e Abiram, filhos de Eliab, filho de Rúben, quando a terra abriu as entranhas e os tragou junto com suas famílias, tendas e tudo o que lhes pertencia, no meio de todo o Israel. 7 Pois os vossos olhos é que viram todos esses grandes prodígios que o Senhor fez. A posse condicional da terra 8 “Guardai, pois, todos os seus mandamentos que hoje vos prescrevo, para que sejais fortes ede fato tomeis posse da terra em que ides entrar para dela tomar posse, 9 e para que vivais longos anos sobre a terra que o Senhor jurou dar a vossos pais, a eles e à sua descendência, uma terra onde corre leite e mel. 10 Pois a terra em que vais entrar para dela tomar posse não é como a terra do Egito, de onde saíste, onde lançavas a semente e a regavas com os pés, como se rega uma horta. 11 A terra que ides ocupar é uma terra de montes e vales, que bebe a água das chuvas do céu. 12 É uma terra da qual o Senhor teu Deus cuida e pela qual olha continuamente, desde o começo até o fim do ano. 13 Se obedecerdes às ordens que vosprescrevo, amando o Senhor vosso Deus e servindo-o de todo o coração e com toda a alma, 14 eu darei à terra a chuva em seu tempo, a chuva do outono e da primavera, e colhereis o trigo, o vinho e o azeite; 15 darei também pastagem aos campos para teu gado, de modo que poderás comer e te saciar. 16 Mas tomai muito cuidado para que vosso coração não se deixe seduzir e, desviando-vos, sirvais a outros deuses prostrando-vos diante deles. 17 Pois a cólerado Senhor se inflamaria contra vós. Ele fecharia o céu, e já não haveria chuva e a terra já não daria seus frutos, e logo desapareceríeis da boa terra que o Senhor vos dá.Conclusão18 “Gravai estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma; prendei-as como sinal às vossas mãos, e sejam elas como faixas entre os vossos olhos. 19 Ensinai-as a vossos filhos, falando-lhes delas, seja quando estiverdes sentados em casa seja andando a caminho, tanto ao deitardes como ao levantardes. 20 Escreve-as nos umbrais de tua casa e nos portões de tua cidade, 21 para que vossos dias e os dias de vossos filhos sejam tão numerosos na terra que o Senhor jurou dar a vossos pais, como os dias do céu sobre a terra. 22 Pois, se cuidadosamenteguardardes todos estes mandamentos que vos prescrevo, amando o Senhor vosso Deus, 20 andando sempre por seus caminhos e apegando-vos a ele, 23 O Senhor expulsará de vossa frente todas estas nações, e despojareis nações mais numerosas e mais poderosas do que vós.24 Qualquer lugar que pisar a planta de vossos pés será vosso. As vossas fronteiras se estenderão desde o deserto do Líbano e desde o rio Eufrates até o mar ocidental. 25 Ninguém poderá resistir-vos. O Senhor vosso Deus espalhará, como vos disse, o medo e o terror de vós sobre toda a terra em que puserdes o pé.
Deuteronômio 11, 1-25 Bíblia da CNBB
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