terça-feira, 8 de janeiro de 2013

"O lado de uma cura o lado do outro"


"Este é o meu Filho amado. Tem fome e alimenta multidões inumeráveis; afadiga-se a alivia os fatigados; não tem onde reclinar a cabeça e tudo sustenta com suas mãos; sofre e dá remédio a todos os sofrimentos; é esbofeteado e dá liberdade ao mundo; traspassaram o seu lado e ele cura o de Adão. Prestai-me toda atenção: quero acorrer ao manancial da vida e contemplar a fonte de onde jorram os remédios da salvação." (Do Sermão sobre a Santa Teofania, atribuído a Santo Hipólito de Roma, presbítero).

O tempo alegre do Natal se fecha e culmina com a festa do Batismo do Senhor. O servo santo e imaculado entra nas águas do Jordão. Associa-se ao cortejo dos pecadores. Caminha com passos decididos em direção de João. Lucas assim descreve o momento do batismo do Senhor: “Enquanto ele rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível como pomba. E o céu veio uma voz: Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem querer” (Lc 3, 22). Temos diante de nossos olhos a figura adorável do amado Filho do Pai. Toda a vida do discípulo não consistirá em outra coisa senão de ouvir a voz do Filho amado e a ela ser fiel. Em seu Batismo, Jesus se associa ao cortejo dos pecadores. Se faz pecador conosco.

Jesus é, com efeito, um paradoxo. É tudo e é nada. É grande e pequeno. É grande na pequenez. Tem fome, mas monta a mesa de seu corpo para alimentar os famintos. Tão cansado e tão exausto ele chama a si os desanimados e fracos e os recompõe e restaura. Sofre toda sorte de desconforto e dá remédio aos sofrimentos. Em sua fragilidade se torna força. A força de Deus está na fraqueza do Filho amado. Seu peito rasgado pela lança cura o lado do homem.

O Jesus que entra nas águas do Jordão, que se associa ao cortejo dos pecadores, santifica as águas… Todos os que mais tarde seriam batizados haveriam de mergulhar nas águas marcadas pela presença do Filho amado. Santo Efrem coloca belíssimas palavras nos lábios de Cristo que se dirige a João, o Batista: “Eu quero, João, aproxima-te e confere-me o batismo para que se realize a minha vontade. Não podes resistir à minha vontade; serei batizado por ti porque assim quero. Tu tremes e, contra a minha vontade, não percebes que te pedi um batismo muito importante para mim. Cumpre a obra para a qual foste chamado. Pelo meu batismo é que as águas serão santificadas, recebendo de mim o fogo e o Espírito. Se eu não receber o batismo, elas não terão o poder de gerar filhos imortais. É absolutamente indispensável que me batizes, sem discussão como te ordenei. Eu te batizei no seio materno; batiza-me no Jordão”.

Aquele que recebe o batismo de João no Jordão teria uma outra água a oferecer: a água de seu lado aberto. O lado ferido pelo soldado cura Adão e a mulher que saiu de seu lado aberto. O Coração de Jesus, seu peito aberto, é manancial de toda salvação. Água do peito de Jesus que lava peito de Adão. Batismo, santo batismo da regeneração. Voltemos ao texto de Hipólito: “Vinde, nações todas, ao batismo que confere a imortalidade. Esta é a água unida ao Espírito, que irriga o paraíso, fertiliza a terra, dá crescimento às plantas e faz os seres se reproduzirem. Em resumo, esta é a água pela qual os homens recebem nova vida, com a qual o Cristo foi batizado e sobre a qual o Espírito Santo desceu em forma de pomba”. O lado de Jesus inventou uma fonte borbulhante de puro amor que lava o lado de Adão. T

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"O CAMINHO DA ORAÇÃO CARMELITA"



Frei Patrício Sciadini, ocd
O caminho do método da oração carmelitana é o mais simples de todos. “Quando o coração reza sempre responde: “A oração é um íntimo diálogo de amor com Aquele que sabemos que nos ama” (Santa Teresa). Ou “um olhar lançado para o céu, um desabafo do coração” (Santa Teresinha). “Procurai lenda e encontrareis meditando; batei orando e abrir-se-vos-ão contemplando” (São João da Cruz).
DEZ PASSOS DA ORAÇÃO CARMELITANA

1- Uma determinada determinação de rezar. Decidir-se a rezar todos os dias, em todos os momentos, determinar um 
tempo para a oração diária, para “estar a sós com aquele que sabemos que nos ama”. Não desistir.

2 - Preparação remota: criar um ambiente externo de “silêncio e recolhimento” e um ambiente interior: “presença de Deus, atenção aos sinais dos tempos e dos lugares que nos falem de Deus”, para saber reconhecer Deus que nos visita.

3 - Preparação próxima: um pouco antes da oração desligar-nos de tudo o que pode nos perturbar, preocupar. Todo encontro que é amor se prepara com antecedência e se deixa tudo por ele. Saber dar espaço para que Deus bata à nossa porta. Ele quer entrar e estar conosco no nosso “castelo interior”.

4 - Presença de Deus: é o momento importante quando, invocando o Espírito Santo, nos dispomos a rezar. Reza-se, rezando. É o Espírito Santo o mestre da nossa oração, deixe que ele reze em você. Invocar o Senhor.

5 - Leitura meditativa: é sempre bom se ajudar, quando o coração está árido, com uma leitura, preferencialmente a Bíblia, ou outro livro. Santa Teresa sempre levava um livro na sua oração. Ler lenta-atenta-amorosamente para saborear a palavra de Deus.

6 - Meditação: refletir e aplicar à nossa vida a palavra lida. Um trabalho da mente muito importante. Deus nos fala e quer que nós compreendamos a sua palavra de amor. É sempre importante escolher um tema para meditar. A improvisação em nenhuma coisa é boa, também na oração não ajuda.

7 - Diálogo afetivo ou amoroso – “coração da meditação carmelitana”: deixar expandir o coração, falar com Deus a partir da vida, do cotidiano, não ter pressa, não ter medo, dizer ao Senhor que nos ama tudo o que se passa em nosso coração.  É o face a face. É o deixar-se mar por Ele.

8 - Compromisso: todo encontro oracional deve ser confirmado, consagrado num compromisso concreto, viável, que fecunde a nossa vida e nos torne sinais verdadeiros da presença de Deus. Evitar compromisso teórico e barato. O que hoje quero fazer a partir da minha meditação?

9 - Agradecer: depois de todo encontro de amor, de amizade, sentimos a necessidade de agradecer. Pode agradecer com o seu coração, com suas palavras ou com textos que lhe fazem bem: “Magnificat, Pai-nosso
”.
10 - Voltar ao trabalho: com o coração novo, com empenho e compromisso. Depois da oração não estamos mais sozinhos. Deus vai conosco, as três pessoas da Trindade trabalham conosco. É vida nova, é paz, compromisso, amor concreto.
Se todos os dias formos fiéis a este caminho de oração,
em pouco tempo a nossa vida será transformada, comprometida.
“Na realidade, a oração é um descanso, um repouso. É aproximar-se com toda a simplicidade daquele que se ama. É permanecer junto a ele como um filhinho nos braços de sua mãe, num abandono do coração”

(Beata Elizabete da Trindade).
Centro Teresiano de Espiritualidade
São Roque – SP
centroteresiano@yahoo.com.br

"EXPLICAÇÃO DA SANTA MISSA"


Estudo sobre a santa missa (continuação)

4. Ato Penitencial
Após saudar a assembléia presente, o sacerdote convida toda assembléia a, em um momento de silêncio, reconhecer-se pecadora e necessitada da misericórdia de Deus. Após o reconhecimento da necessidade da misericórdia divina, o povo a pede em forma de ato de contrição: Confesso a Deus Todo-Poderoso... Em forma de diálogo por versículos bíblicos: Tende compaixão de nós... Ou em forma de ladainha: Senhor, que viestes salvar... Após, segue-se a absolvição do sacerdote. Tal ato pode ser substituído pela aspersão da água, que nos convida a rememorar-nos o nosso compromisso assumido pelo batismo e através do simbolismo da água pedirmos para sermos purificados.
Cabe aqui dizer, que o “Senhor, tende piedade” não pertence necessariamente ao ato penitencial. Este se dá após a absolvição do padre e é um canto que clama pela piedade de Deus. Daí ser um erro omiti-lo após o ato penitencial quando
este é cantando.

5. Hino de Louvor
Espécie de salmo composto pela Igreja, o glória é uma mistura de louvor e súplica, em que a assembléia congregada no Espírito Santo, dirige-se ao Pai e ao Cordeiro. É proclamado nos domingos - exceto os do tempo da quaresma e do advento - e em celebrações especiais, de caráter mais solene. Pode ser cantado, desde que mantenha a letra original e na íntegra.

6. Oração da Coleta
Encerra o rito de entrada e introduz a assembléia na celebração do dia. “Após o convite do celebrante, todos se conservam em silêncio por alguns instantes, tomando consciência de que estão na presença de Deus e formulando interiormente seus pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma chamar de ‘coleta’, a qual a assembléia dá o seu assentimento com o ‘Amém’ final”.
Dentro da oração da coleta podemos perceber os seguintes elementos: invocação, pedido e finalidade.


ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA
PARÓQUIA SÃO JOSÉ
CATEQUESE DE CRISMA


"Sobre São Raimundo de Peñafort"

domingo, 6 de janeiro de 2013

INTERESSANTE VÍDEO SOBRE O TRÊS REIS MAGOS"

"CAMPANHA DA FRATERNIDADE"

1.Cinquenta anos de Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade (CF) é u projeto de evangelização da Igreja Católica no Brasil para auxiliar as comunidades e todos os discípulos missionários na caminhada de conversão e preparação  para a celebração da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste ano de 2013 chegamos a quinquagésima edição dessa campanha, realizada em âmbito nacional pela primeira vez em 1964. Como a CF alcança o seu jubileu de ouro, é oportuno recordar que este projeto foi idealizado na cidade de Natal (RN) no ano de 1961, quando alguns padres responsáveis pela Cáritas Brasileira, diante da dura realidade enfrentada pelas pessoas da região, criaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição.
No ano de 19662 o projeto foi posto em prática com a adesão de outras três dioceses do Nordeste. Do ponto de vista financeiro, deixou a desejar, mas essa experiência foi o embrião de um projeto anual dos organismos nacionais da CNBB e das dioceses no Brasil, realizado à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja em nosso País. Cooperou para o lançamento nacional da CF, no dia 23 de Dezembro de 1963, o impulso do Concílio Vaticano II, em andamento da época.
Contempakndo hoje tantos frutos de conversão - nos âmbitos pessoal, comunitário e social -, rendemos graças a Deus por ter dotado a Igreja de tão eficaz instrumento para a evangelização.


Pe. Luiz Carlos Dias
Secretário-executivo da CF

"SEGUINDO UMA ESTRELA"

A Epifania é a solenidade da manifestação de Deus a todos os povos, representados pelos magos que seguem a Estrela Nascente. Quase chegando ao fim do tempo do Natal, celebramos o amor de um Deus que em seu Filho deseja revela-se a todos.
À primeira vista,pode parecer estranho que, desejando revelar-se a todos, Deus se encarne numa criança indefesa, na cidadezinha sem importância de Belém, entre gente simples e humilde. Deus não se revela triunfalmente, com sinais espetaculares. Ele faz nascer uma estrela,a indicar o caminho até seu Filho. E o que é essa estrela, senão o presente divino ao desejo humano de encontrar o próprio Deus? Deus não se impõe à nossa liberdade,pois ele é a própria liberdade, que se propõe ao nosso desejo de eternidade, ao nosso desejo de encontrar o Senhor e Criador.
Ainda hoje a estrela divina está aí a nos guiar até Jesus. E somos agraciados, pois conhecemos hoje algo que os magos de então não conheciam: o ministério e a proposta de Jesus. Seguindo essa proposta do Senhor, outras pessoas nos indicam o caminho até ele. Em cada gesto de bondade e de vida, podemos reconhecer a estrela-guia. E assim somos chamados a reconhecer os sinais que nos conduzem ao nosso Deus encantado. E, ao mesmo tempo, a oferecer ao mundo, com nossa própria vida, sinais de sua presença em nosso meio.
Os presentes dos magos também nos indicam que é o menino recém-nascido e nos ajudam a compreender sua missão. O outro indica que ele é o verdadeiro rei, diferente dos reis da terra, pois Jesus vem instaurar o reinado de Deus pelo perdão e pela justiça. O incenso indica que ele é Deus e como tal deve ser adorado, em seu infinito poder de amar e dar a vida. A mirra indica a natureza humana de Jesus, Deus que se encarna, assume a condição humana, sofre até as últimas consequências e dá a vida na cruz.
E nós, onde e quando temos encontrado o Senhor? E quais presentes temos oferecido a Ele?

Pe. Paulo Bazaglia, ssp Comentário sobre o Evangelho deste Domingo 06/01/2013