segunda-feira, 29 de abril de 2013

Catequese do Santo Padre, Papa Bento XVI, sobre Santa Catarina de Sena

Nascida em Sena, em 1347, em uma família muito numerosa, morreu em sua cidade natal em 1380. Aos 16 anos, impulsionada por uma visão de São Domingos, entrou na Ordem Terciária Dominicana, no ramo feminino, chamado Mantellate [chamadas assim por usarem um manto preto, N. da T.]. Permanecendo com a família, confirmou o voto de virgindade que havia feito de forma privada quando ainda era adolescente, e se dedicou à oração, à penitência, às obras de caridade, sobretudo em benefício dos doentes.





Quando sua fama de sua santidade se difundiu, ela foi protagonista de uma intensa atividade de conselho espiritual a todo tipo de pessoas: nobres e homens políticos, artistas e gente do povo, pessoas consagradas, eclesiásticos, incluído o Papa Gregório XI, que naquele período residida em Avinhão e a quem Catarina exortou enérgica e eficazmente a voltar a Roma. Viajou muito para solicitar a reforma interior da Igreja e para promover a paz entre os Estados; também por este motivo, o venerável João Paulo II quis declará-la copadroeira da Europa: para que o Velho Continente não se esqueça jamais das raízes cristãs que estão na base do seu caminho e continue extraindo do Evangelho os valores fundamentais que garantem a justiça e a concórdia.





Catarina sofreu muito, como muitos santos. Chegaram a pensar inclusive que se deveria desconfiar dela, até o ponto de que, em 1374, seis anos antes da sua morte, o capítulo geral dos dominicanos a convocou a Florença para interrogá-la. Colocaram-na ao lado de um frade douto e humilde, Raimundo de Cápua, futuro mestre geral da ordem. Convertido em seu confessor e também em seu "filho espiritual", escreveu uma primeira biografia completa da santa, que foi canonizada em 1461.





A doutrina de Catarina, que aprendeu a ler com dificuldade e a escrever quando já era adulta, está contida no "Diálogo da Divina Providência" ou "Livro da Divina Doutrina", uma obra-prima da literatura espiritual, em seu "Epistolário" e na coleção das "Orações". Seu ensinamento está dotado de uma riqueza tal, que o servo de Deus Paulo VI, em 1970, declarou-a Doutora da Igreja, título que se acrescentava ao de copadroeira da Cidade de Roma, por vontade do Beato Pio IX, e de padroeira da Itália, por decisão do Venerável Pio XII.





Em uma visão que nunca se apagou do coração e da mente de Catarina, Nossa Senhora a apresentou a Jesus, que lhe deu uma esplêndida aliança, dizendo-lhe: "Eu, teu Criador e Salvador, te desposo na fé, que conservarás sempre pura até que chegues a celebrar comigo no céu tuas bodas eternas" (Raimundo de Cápua, Santa Caterina de Siena, Legenda maior, n. 115, Sena, 1998). Essa aliança era visível somente a ela. Neste episódio extraordinário, percebemos o centro vital da religiosidade de Catarina e de toda autêntica espiritualidade: o cristocentrismo. Cristo é, para ela, como o esposo com quem tem uma relação de intimidade, de comunhão e de fidelidade; é o bem amado acima de qualquer outro bem.





Esta união profunda com o Senhor é ilustrada por outro episódio da vida desta insigne mística: a troca do coração. Segundo Raimundo de Cápua, que transmite as confidências recebidas de Catarina, o Senhor Jesus lhe apareceu com um coração humano na mão, vermelho resplandecente, abriu-lhe o peito, introduziu-o e disse: "Queridíssima filha, como no outro dia eu recebi teu coração, que me oferecias, eis aqui que agora te dou o meu e, de agora em diante, estará no lugar que o teu ocupava" (ibid.). Catarina viveu verdadeiramente as palavras de São Paulo: "Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20).





Assim como a santa de Sena, todo crente sente a necessidade de configurar-se segundo os sentimentos do Coração de Cristo, para amar a Deus e ao próximo como o próprio Cristo ama. E todos nós podemos deixar que nosso coração se transforme e aprenda a amar como Cristo, em uma familiaridade com Ele nutrida pela oração, pela meditação sobre a Palavra de Deus e pelos sacramentos, sobretudo recebendo frequentemente e com devoção a santa Comunhão. Também Catarina pertence a esse grupo de santos eucarísticos com o quais eu quis concluir minha exortação apostólica Sacramentum Caritatis (cf. n. 94).





Queridos irmãos e irmãs: a Eucaristia é um extraordinário dom de amor que Deus nos renova continuamente, para nutrir nosso caminho de fé, revigorar nossa esperança, inflamar nossa caridade, para tornar-nos cada vez mais semelhantes a Ele.





Ao redor de uma personalidade tão forte e autêntica, foi se construindo uma verdadeira e autêntica família espiritual. Eram pessoas fascinadas pela autoridade moral dessa jovem mulher de elevadíssimo nível de vida, e talvez impressionadas também pelos fenômenos místicos aos quais assistiam, como os êxtases frequentes. Muitos se colocaram ao seu serviço e sobretudo consideraram um privilégio ser guiados espiritualmente por Catarina. Chamavam-na de "mãe", pois, como filhos espirituais, extraíam dela a nutrição do espírito.





Também hoje a Igreja recebe um grande benefício do exercício da maternidade espiritual de tantas mulheres, consagradas e leigas, que alimentam nas almas o pensamento de Deus, reforçam a fé das pessoas e orientam a vida cristã rumo a cumes cada vez mais elevados. "Digo e te chamo de filho - escreve Catarina a um dos seus filhos espirituais, o cartuxo Giovanni Sabatini - enquanto que te dou à luz por meio de contínuas orações e desejo na presença de Deus, assim como uma mãe dá à luz o seu filho" (Epistolário, Carta n. 141: A don Giovanni de' Sabbatini). Ao frade dominicano Bartolomeu de Dominici, ela costumava se dirigir com estas palavras: "Diletíssimo e queridíssimo irmão e filho no doce Jesus Cristo".





Outra característica da espiritualidade de Catarina está ligada ao dom das lágrimas. Estas expressam uma sensibilidade especial e profunda, capacidade de comoção e de ternura. Muitos santos tiveram o dom das lágrimas, renovando a emoção do próprio Jesus, que não reprimiu nem escondeu seu pranto diante do sepulcro do amigo Lázaro, da dor de Maria e de Marta e ao avistar Jerusalém, em seus últimos dias terrenos. Segundo Catarina, as lágrimas dos santos se misturam com o Sangue de Cristo, do qual ela falou com tons vibrantes e com imagens simbólicas muito eficazes: "Lembrai-vos de Cristo crucificado, Deus e Homem (...). Tende como objetivo Cristo crucificado, escondei-vos nas feridas de Cristo crucificado, afogai-vos no sangue de Cristo crucificado" (Epistolário, Carta n. 16: Ad uno il cui nome si tace ).





Aqui podemos compreender por que Catarina, ainda consciente das fraquezas humanas dos sacerdotes, teve sempre uma grandíssima reverência com relação a eles: eles distribuem, através dos sacramentos e da Palavra, a força salvífica do Sangue de Cristo. A santa de Sena convidou sempre os sagrados ministros - também o Papa, a quem chamava de "doce Cristo na terra" - a serem fiéis às suas responsabilidades, movida sempre e somente pelo seu amor profundo e constante pela Igreja. Antes de morrer, disse: "Partindo eu do corpo, em verdade, consumi e dei a vida na Igreja e pela Igreja Santa, o que me é uma graça singularíssima" (Raimundo de Cápua, Santa Caterina da Siena, Legenda maior, n. 363).





De Santa Catarina, portanto, aprendemos a ciência mais sublime: conhecer e amar Jesus Cristo e sua Igreja. No "Diálogo da Divina Providência", ela, com uma imagem singular, descreve Cristo como uma ponte lançada entre o céu e a terra. Está formada por três degraus constituídos pelos pés, pelo lado e pela boca de Jesus. Elevando-se por meio desses degraus, a alma passa pelas três etapas de todo caminho de santificação: o desapego do pecado, a prática das virtudes e do amor, a união doce e afetuosa com Deus.





Queridos irmãos e irmãs: aprendamos de Santa Catarina a amar com coragem, de forma intensa e sincera, a Cristo e à Igreja. Façamos nossas, para isso, as palavras de Santa Catarina que lemos no "Diálogo da Divina Providência", na conclusão do capítulo que fala de Cristo-ponte: "Por misericórdia, Tu nos lavaste no Sangue; por misericórdia, quiseste conversar com as criaturas. Ó Louco de amor! Não te bastou encarnar-te, mas quiseste também morrer! (...) Ó misericórdia! Meu coração se afoga ao pensar em Ti: em qualquer lugar em que eu volte a pensar, não encontro mais que misericórdia" (cap. 30, pp. 79-80).





http://santacatarinadesenaeopapado.blogspot.com.br/

Santa Catarina de Siena - E as lágrimas


Então Deus disse àquela serva: - Filha querida, queres que eu te fale sobre as lágrimas e seus frutos. Não vou desprezar o teu pedido.

Presta bem atenção, que passo a explicar em analogia com os estados da alma descritos acima.

Há lágrimas imperfeitas, que se fundamentam no temor servil. Em primeiro lugar, as lágrimas de condenação, próprias dos pecadores; em seguida, as lágrimas de medo, encontradas naqueles que deixam o pecado mortal por medo de castigo e choram; em terceiro lugar, as lágrimas de autoconsolação, derramadas pelas almas livres do pecado mortal que começam a servir-Me. Estas últimas também são imperfeitas, pois imperfeito ainda é o amor de onde procedem.

Lágrimas perfeitas são as que procedem do homem que atingiu a perfeição do amor pelo próximo e que me ama desinteressadamente. Unidas a estas últimas estão as lágrimas de prazer, espirituais, versadas em grande suavidade, como direi mais longamente depois. Há, enfim, as lágrimas de fogo, espirituais, concedidas àqueles que desejam chorar e não conseguem.

Todas essas lágrimas podem ocorrer numa única pessoa em sua caminhada do temor servil ao amor imperfeito e, depois, do amor perfeito à união. É nessa ordem que passo a falar-te agora.

Deves saber que toda lágrima nasce do coração. Nenhum membro corporal é tão sensível aos impulsos do coração como os olhos; se o coração sofre, logo eles o revelam. Também quando o sofrimento do coração é causado pelos pecados, os olhos derramam lágrimas, que são de morte. São lágrimas de quem vive longe de Mim, no amor dissoluto. Como o coração Me ofende, sua dor produz morte, gera lágrimas mortais. A gravidade da culpa será maior ou menor, conforme a desordem no amor. Assim, os pecadores choram lágrimas mortais. Delas falarei ainda


As lágrimas de vida

Começo falando das lágrimas que produzem a vida.

§ 1 - Ao reconhecer os próprios pecados, o homem chora por medo de castigo; são lágrimas fundamentadas no apetite sensível e procedem da dor íntima causada pelo temor da pena. Sofrendo assim o coração, os olhos choram.

§ 2 - Com a prática das virtudes, a pessoa vai perdendo esse medo. Vê que o medo, em si, não lhe concede a vida eterna - como já ficou dito ao se tratar do segundo estado da alma. Esforça-se, pois, em conhecer-se e conhecer-Me. Aos poucos vai aumentando sua esperança na Minha misericórdia. Arrependimento e esperança alternam-se. Então os olhos choram, com lágrimas a brotar da fonte do coração. Tais lágrimas freqüentemente ainda são de ordem sensível, pois o amor continua imperfeito. Se Me perguntares por que razão, respondo: porque sua raiz é o egoísmo. Não é mais um amor puramente sensível, já superado; é espiritual, mas apegado às consolações espirituais, de cuja imperfeição te falei longamente, ou apegado a alguma criatura. As consolações podem desaparecer por motivos internos ou externos; internos, quando cessa algum conforto concedido por Mim; externos, quando, por exemplo, morre uma pessoa amiga. Desaparecem igualmente pela presença de tentações e dificuldades. Em todos esses casos, a pessoa sofre e o coração, ressentido, chora.

Será um choro de autocompaixão, causado pelo egoísmo. A vontade própria ainda não morreu; são lágrimas sensíveis de autocompaixão espiritual.

§ 3 - Prosseguindo na prática das virtudes e em maior autoconhecimento, a pessoa começa a desprezar-se, a tomar consciência amorosamente dos Meus favores, a unir-se a Mim, a conformar-se à Minha vontade.

Sente, então, alegria e compaixão: alegria interior produzida pela caridade e compaixão pelos outros. Já Me ocupei do assunto ao tratar: do terceiro estado.

O coração acompanha e os olhos derramam lágrimas por Mim e pelo próximo. Sente tristeza a pessoa ante as ofensas cometidas contra Mim e o prejuízo dos ofensores; já não pensa em si mesma; preocupa-se em louvar-Me, deseja sofrer à semelhança do Cordeiro humilde, paciente e imaculado, do qual fiz uma ponte na maneira explicada.

§ 4 - Ao percorrer a ponte-mensagem do meu Filho, a alma passa pela porta que é Cristo (Jo 10,7).

Repleta da verdadeira paciência, dispõe-se a tolerar todas as dificuldades que eu Lhe enviar. Aceita-as com virilidade, sem preferências, do modo que vierem. Mais ainda! Como já afirmei, não apenas sofre com paciência, mas com alegria. Considera uma honra padecer por Minha causa; deseja mesmo sofrer. Por tais caminhos, alcança uma satisfação e paz de espírito tais, que as palavras não conseguem exprimir. Vivendo a mensagem do Meu Filho, o homem fixa o pensamento em Mim, conhece-Me, ama-Me; nas pegadas do pensamento que contempla a natureza divina unida à humana em Cristo, a vontade saboreia Minha divindade, repousa em Mim, oceano de paz. No amor, permanece unida a Mim. Mas de tudo isso já tratei ao ocupar-Me do quarto estado da alma. Pois bem, ao experimentar Minha divindade, os olhos derramam lágrimas de suavidade, verdadeiro alimento que nutre a alma na paciência. Qual perfume, estas lágrimas exalam odor de grande suavidade. Como é feliz, filha querida, o homem que ultrapassou o mar proceloso do pecado e chegou ao oceano da paz, o homem que encheu seu coração com a minha divindade. Qual aqueduto, os olhos satisfarão o coração derramando lágrimas. Este é o último estado, no qual o homem é ao mesmo tempo feliz e sofredor.

Feliz por achar-se unido a Mim, gozando do amor divino; sofredor ao ver que Me ofendem. Age de tal forma por causa do autoconhecimento; foi conhecendo-se e conhecendo-me, que chegou a tal estado.

Este estado de união, fonte das lágrimas de suavidade, não é prejudicado pelo conhecimento de si, proveniente do amor ao próximo, donde recebeu a lágrima do perdão amoroso de Deus e a tristeza pelos pecados alheios; quando chorou com os que choram e sorriu com os que sorriem (Rm 12,15). Estes últimos são as pessoas que vivem no amor; o perfeitíssimo alegra-se ao vê-los dar-Me glória e louvor. Estas segundas lágrimas do terceiro estado perfeito, são as "lágrimas de união" do quarto estado. Estes dois estados (terceiro e quarto) se completam mutuamente. Se o último pranto, causador da união com Deus, não incluísse o terceiro estado - de amor pelos homens - nem seria perfeito. Necessariamente um estado inclui o outro. Em caso contrário, cair-se-ia na presunção pela sutil preocupação da própria fama; das alturas, o homem cairia para a antiga situação de pecado.

Diante desse perigo, ocorre amar o próximo sempre com autêntico autoconhecimento; esse esforço aumentará a consciência do meu amor por si mesmo. A caridade para com o próximo deriva desse amor. Com o mesmo amor que se sente amado, o perfeitíssimo ama o outro; percebendo qual é o objetivo do meu amor, ama-o também. Num segundo instante a alma compreende sua incapacidade de ser-me útil, retribuindo-Me o puro amor ("Puro amor", para Catarina, é amar sem ser amado antes, coisa impossível de realizar-se para com Deus, que desde sempre nos amou.) que de Mim recebe. Reage, amando-Me naquele "meio" que vos dei, o próximo; nele todas as virtudes são praticadas. Todas as qualidades que vos dei, destinam-se ao benefício dos outros, em geral e em particular. É vossa obrigação amar com o mesmo puro amor que eu Vos amo. Não sois capazes de praticá-lo para comigo, já que Vos amei antes de ser por vós amado. Meu amor não tem justificação; amo antes. Foi tal dileção que levou a criar-vos a Minha imagem e semelhança. Sim, amor igual não podeis manifestar relativamente a Mim; praticai-o para com os homens. Amando-os sem serdes amados, amando-os sem interesses espirituais e materiais; amando-os unicamente para o louvor do Meu nome; amando-os porque são amados por Mim. É desse modo que cumprireis o mandamento de "amar-Me sobre todas as coisas e ao próximo como a vos mesmos".

A tais alturas não se chega sem atingir o estado de união, que segue o terceiro. Mas seria impossível conservar tal união Comigo, se se abandona aquele amor das lágrimas do terceiro estado, da mesma forma que não é possível cumprir o mandamento de amar-Me sem cumprir o mandamento de amar o próximo. Eles, (os dois amores) são os dois pés que levam a vivência dos mandamentos e dos conselhos dados por Meu Filho crucificado. Estes dois estados (terceiro e quarto) reduzem-se a um e nutrem o homem na prática das virtudes e na união Comigo. Realmente, não se trata de um novo estado; é o terceiro que se aperfeiçoa em novas, numerosas e admiráveis elevações do espírito, conforme expliquei. Dá-se uma compreensão da verdade que, embora realizada na terra, parece celeste. Em tal união, a sensualidade é dominada e a vontade própria morre.

Como é agradável essa união para quem a desfruta; ao experimentá-la, o homem conhece Meus segredos e chega mesmo a profetizar acontecimentos futuros. São coisas que dependem de Mim, e a pessoa interessada não deve dar-lhes grande valor. Explico-Me: valorize, sim, o que realizo; mas evite comprazer-se por apego pessoal. Que a pessoa se julgue indigna de qualquer sossego e tranqüilidade espirituais. A fim de nutrir sua alma, não se julgue um perfeitíssimo, mas desça ao vale do autoconhecimento. Esta volta ao conhecimento de si é uma graça, destinada a iluminar a alma e fazê-la progredir. Durante esta vida, ninguém é tão perfeito que não possa aperfeiçoar-se no amor. Somente meu Filho, que é vossa cabeça (l Cor 11,3), não podia progredir na perfeição, pois Eu e Ele somos um. Por causa da união com a natureza divina, Sua alma era compreensora. (No sentido de que gozava a visão beatífica)

Vós, ainda peregrinos, sempre podeis crescer. Não que atinjais um estado ulterior, pois o estado de união é o último. Por Minha graça podeis aperfeiçoá-lo segundo vosso desejo.


FONTE: espaçojames.com.br




sexta-feira, 26 de abril de 2013

A urna de São José de Copertino na Basílica dos Santos XII Apóstolos


Por Frei Mario Peruzzo, OFMConv. | Trad. Adapt. Cleiton Robsonn.

No 350º aniversário da morte de São José de Cupertino (1663-2013), a Basílica dos Santos XII Apóstolos de Roma acolheu as relíquias do Santo desde o dia 7 até 12 de abril.

Durante a sua vida, Frei José viveu por dois breves períodos no convento dos Santos Apóstolos: Um na primavera de 1639 e o outro em 1644. Hoje, na Basílica, se pode admirar a bela tela que Giuseppe Cades (1777) pintou sobre o êxtase do Santo enquanto celebrava a Santa Missa em Assis, em 1651.

Com o motivo da exposição das relíquias, a paróquia organizou um completo programa de encontros e celebrações. Cada dia se concluía com uma solene concelebração, presidida por um Bispo: Dom Matteo Zuppi, da pastoral familiar; Dom Lorenzo Leuzzi, da pastoral acadêmica e universitária; Dom Gianfranco Girotti, de espiritualidade franciscana, e Dom Filippo Iannone, dos grupos de oração de São Pio de Pietralcina.

Na sexta-feira, 12 de abril Sua Eminência, o Cardeal Angelo Amato concluiu os seis dias de participação e oração, presidindo a Santa Missa das 11:30.

No início da tarde, a urna, com o corpo do Santo, partiu para a pontifícia faculdade de São Boaventura para, depois, ir para a paróquia do seu nome, isto é, São José de Cupertino, em Cecchignola. T

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Reflexões Franciscanas

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Miséria e Graça na vida religiosa: A hipersensibilidade

Por Frei Edson Matias, OFMCap.

A sensibilidade é algo que deve ser cultivado em todos nós. Sensibilidade é diferente de melindres. Também não é sentimentalismo ou muito menos seu oposto, a dureza. Quando falamos de sensibilidade por muitas vezes estamos querendo proteger o nosso euzinho ou do outro, com a intenção desse também nos deixar quietos. Em um mundo onde se constroem castelos artificiais nas relações é como ‘o homem imprudente que construiu sua casa sobre a areia’. Toda a estrutura cai e revela o caranguejo que estava por debaixo.

A imagem do caranguejo é uma ilustração das ‘terras movediças’ da hipersensibilidade nas relações. Nesse território não existe amizade nem possibilidade de construção de fraternidade. O Evangelho? Bem... Nem aí pode entrar, pois as relações são dominadas por uma legião de ‘demônios surdos’. Sim! Esses mesmos. Frutos de um interior povoado de sombras não reconhecidas, cada vez mais vai se dividindo até formar uma ‘legião’. Daí é complicado diferenciar que parte somos nós mesmos, o outro e Deus.

A hipersensibilidade revela corações feridos, solitários, zangados, carentes. Isso vai, como a água suja que quieta vai assentando o barro no fundo, solidificando. Torna a aparência límpida, mas se a água é mexida, tudo se turva novamente.

Esse assentamento se dá aos poucos. Pelas próprias feridas familiares, depois pelas relações não resolvidas, mal vividas e depois interpretadas com os óculos da dor. Quando não trabalhado na VR isso tende a piorar com o tempo. A carência, as necessidades físicas e psíquicas não satisfeitas vão inundando os desejos e aí tudo se turva e o caranguejo vai para fora.

Por vezes, existe a tentativa boa, mas não eficaz, de criar uma comunidade perfeita. Usam-se até textos do fundador, das Sagradas Escrituras para confirmar a hermenêutica da dor, das feridas. É uma luta. O tempo passa e as relações não melhoram. Parece que pioram. Alguns não resistem e desistem. Precisam de novos ares, respirar, limpar as lágrimas dos olhos que marejaram da dor sofrida e se tem outra possibilidade de começar. Para uns é bom, para outros, frustrante.  

Mudam-se os Irmãos, muda o governo... E lá esta o problema. Mas o que acontece? Por que não se vê saída? Tudo parece turvo. E lá está mais uma fez o caranguejo. Tenta-se mais uma vez criar uma fraternidade perfeita. Nova frustração. E as coisas vão caminhando.

Isso pode ocorrer com qualquer um na VR. Aquele dia que se acordou de mal humor, ou em que se sente carente e, de repente, lá se foi aquilo que ‘não se queria falar’ e tudo está perdido novamente. Trincou o teto de vidro do outro. Mais um pouco, vai quebrar. Ufa!!! Ainda está lá. Porém, a relação não é a mesma coisa.

Tal situação pode ser um momento importante para refazer as relações como também de estabelecer distanciamentos. Sendo a mensagem do carisma ou do Evangelho mal interpretado, vão se tentar criar outras casas na areia. Vai ser outro tombo. Para uns parece ser uma constante. Dizem consigo: “Essa é a proposta de nosso carisma, do Evangelho. Realmente é difícil para todos entenderem”. Será mesmo? Ou será nossa necessidade que as coisas caminhem de acordo com nossa hipersensibilidade? É difícil saber. Somente pelos frutos reconhecemos.  Caso tenhamos uma busca estressante, ansiosa, que nos perturba, querendo mudar o comportamento dos outros Irmãos. Isso pode ser um sinal que não estejamos trilhando bons caminhos. Uma boa conversa com alguém experiente, que seja neutra à situação, pode nos ajudar a sair do atoleiro.

O desejo de ter uma vida fraterna mais calorosa e verdadeira é importante ser cultivado. No entanto, isso requer maturidade. Precisamos saber de que lugar desejamos isso. Que motivações, além das necessidades pessoais, queremos mudar as relações na Vida Religiosa. Quantos de nós já não nos deparamos com uma religiosa ou religioso que tenta mudar a todos?! Que cada um possa ser mais afetivo, compreensivo, etc. Todavia, o que move tal pessoa pode ser a busca de satisfazer suas necessidades nos Irmãos. Ou seja, todos devem mudar para satisfazer o eu! Parece um absurdo, mas existem muitos consagrados assim. Perdidos em si mesmos. Lembro daquela série da década de 90, uma família de dinossauros que tinha um filhote que gritava o tempo todo: “tem que me amar!” Um verdadeiro tirado, apesar de engraçado.

E quando a hipersensibilidade se junta a um cargo? Acho que já tratamos desse assunto em outro ponto. Quando falamos da diferença entre liderança e cargo. O estrago é grande. Pois a mãe da hipersensibilidade é a insegurança. Criticar a administração de um hipersensível é iniciar uma briga. Caso seja um religioso que tenha a tendência de "ganhar no grito", as pupilas vão dilatar, os vasos sanguíneos menores vão contrair, retirando o sangue da superfície da pele, deixando a pele um pouco mais pálida. Nessa hora é melhor correr. Caso se trate de um mais contido vai se torturar sozinho ou procurar se vingar. Isso vai variar muito de como a pessoa construiu suas relações.

Hipersensibilidade e cargo juntos é igual a poder.

HIPERSENSIBILIDADE + CARGO/FUNÇÃO = PODER

Poder aqui é o contrário de serviço, de ministério. Nesse caso, a pessoa vai querer ser servida pelos que estão sob a sua ‘tutela’. O modelo de Jesus aqui pode existir no discurso, mas não na prática. Tal situação é mais comum do que se possa imaginar na Vida Religiosa.

Como a hipersensibilidade tem como mãe a insegurança os cargos dispostos nas instituições da congregação tendem a atrair tais pessoas como a luz atrai mariposas. Por isso que muitos que estão nas coordenações de Congregações exercem poder e não ministério!

INSEGURANÇA + HIPERSENSIBILIDADE = CARGO

Mas, por favor... Não são todos. No universo tão grande de Instituições seria um absurdo dizer que tais problemáticas existem em todas de forma generalizada. Mas também seria uma ingenuidade achar que somente algumas apresentam esse tipo de liderança. Além do mais, não tem como a gente generalizar. Cada Família tem sua história, seus erros e acertos. Logo, uso aqui uma forma mais pedagógica de apresentar situações, exacerbando uma ou outra para que possamos entender.

Mas por que isso ocorre na Vida Religiosa Consagrada? Aonde esta o Evangelho? Que momento caminho pode ficar tortuoso? Vamos conversando...

São Marcos Evangelista

Salve Maria! Hoje vamos tratar sobre São Marcos. Ele não foi um apóstolo como São Mateus, mas conviveu muito com o 1º Papa São Pedro. Descubra por que seu escrito é conhecido como " O evangelho dos milagres" e também muitas outras caracteristicas de seu evangelho.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Somos pessoas perigosas!


Quais os sinais de conversão carregamos?
Estamos vivendo somente na superfície da nossa fé, da nossa santidade?
Estamos trabalhando para Deus ou estamos trabalhando com Deus?
A conversão aconteceu, mas a busca acabou!
A conversão aconteceu mas prefiro deixar para seguir Deus depois!
Já participei de vários retiros, já O conheço, porém minha vida promíscua contínua;
Várias pessoas passam pelas nossas vidas diariamente e não acrescentamos nada na vida dela;
Nossas especilaidades muitas vezes tem sido a fofoca, o falar da vida alheia, o julgar e condenar;
Somos na verdade pessoas perigosas que como um carro desgovernado não sabe para onde vai;
Nos tornamos pessoas perigosas quando afastadas do Pai, fazemos muita bagunça e nem percebemos;
Existe a maneira certa de ser, ter e fazer mas preferimos fazer do nosso jeito...
Temos tratado os outros de qualquer jeito e feito do nosso corpo qualquer tipo de casa;
Passamos várias horas nos enchendo de porcarias e não paramos 10 minutos se quer dentro de uma igreja para ser preenchido.
Para onde estamos indo?
Que rastro tenho deixado?
Meus filhos me copiam?

FONTE: Filhos Espirituais de Pe. Pio

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Quem nos separará do amor de Cristo?

 
Homilia do 4º Domingo da Páscoa ~ Domingo do Bom Pastor ~ por Pe. Paulo Ricardo
No contexto da polêmica que surgiu depois de seu discurso do Bom Pastor, o evangelista São João mostra com clareza o relacionamento de Jesus com suas ovelhas.

Ouvir com docilidade a voz do Pastor é garantia de uma proteção que vem do alto.

Se olhamos sem fé para os acontecimento de nossa vida e da história da Igreja, vemos que estamos atravessando o “vale tenebroso”(cf. Sal 23, 4).

Mas aquele que tem fé ouve a voz do Pastor que “dá a vida pelas ovelhas”. E é o amor do Crucificado que cura nossa cegueira. Num olhar superficial o rebanho de Cristo é continuamente tratado como “ovelhas de corte” (cf. Rom 8, 36). Mas no olhar iluminado pela Cruz do Bom Pastor, “somos mais do que vencedores” (ὑπερνικῶμεν – Rom 8, 37), pois nada nos separará do seu amor, nada nos arrancará de sua mão.

Salmos, 23
1. O Senhor é o meu pastor. Nada me falta. 2. Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranquilas me conduz, 3. e restaura minhas forças. Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. 4. Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo. 5. Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores; unges minha cabeça com óleo, e minha taça transborda. 6. Sim, felicidade e amor me acompanham todos os dias da minha vida. Minha morada é a casa do Senhor, por dias sem fim.

Romanos 8
35. Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36. Como diz a Escritura: "Por tua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro." 37. Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. 38. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes. 39. nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor.