domingo, 16 de junho de 2013

Permanecemos em silêncio diante do Senhor

Silêncio, alma dessa Palavra de Deus, de que o Homem vive e se alimenta. Sombra dessa voz, que nos chama, para a presença silenciosa e fecunda do amor. O silêncio é a homenagem que a Palavra presta ao Espírito!
Caríssimos irmãos: O silêncio é, na verdade, uma virtude fundadora, que permite ao Homem cair em si para ouvir o essencial, para se inclinar à voz discreta do Espírito
Santo, seu Mestre interior! Também Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto.
E nós somos chamados com ele, ao mesmo silêncio. «Confia tranquilo no Senhor», «em silêncio, abandona-te ao Senhor» (Sal.37,7) – apela o Salmista.
Comecemos, desde já, por fazer, provocar e oferecer esse silêncio na celebração da Eucaristia.
Façamos o silêncio “necessário para o recolhimento, a interiorização, a oração interior. Não é vazio, ausência, mas antes presença, receptividade, reacção perante Deus que nos fala, aqui e agora, e actua para nós”(CCDDS, Sugestões 28). Deste modo, corresponderemos ao desafio final e essencial da Igreja para este Ano da Eucaristia:
“Não peço – diz-nos o Santo Padre - que se façam coisas extraordinárias, mas que todas as iniciativas sejam marcadas por profunda interioridade. Mesmo que o fruto deste Ano fosse apenas o de reavivar em todas as comunidades cristãs a celebração da Missa dominical e de incrementar a adoração eucarística fora da Missa, este Ano de graça teria conseguido um resultado significativo” (MND 29).
Cultivemos o silêncio, tão importante, na celebração, como no coração e na vida.
Aprendamos, desde aqui, a prática do silêncio, como atitude do coração: “Permanece em silêncio diante do Senhor” (Sal.37,7); pois graças ao silêncio, o homem mergulha em si mesmo e descobre a sua essência espiritual que o funda!
Do coração da Eucaristia, tomemos o silêncio como atitude de vida: Façamos o silêncio, necessário ao estudo e às aulas, porque no domínio do pensamento, o silêncio é indispensável. É Ele que nos permite a concentração, o recolhimento próprio para a reflexão.
Façamos ainda o silêncio necessário à oração pessoal «Na verdade a oração, com os seus diversos matizes – de louvor, de súplica, de invocação, de grito, de lamento, ou de agradecimento – ganha corpo a partir do silêncio» 

(CCDDS, Sugestões, 28)!
Silêncio por favor. Permaneçamos em silêncio, diante do Senhor! (Sal.37,7)

Para onde vão os bebês abortados?

Amor que vem do perdão

O Evangelho de Lucas é o evangelho da misericórdia de Deus. Servindo-se das diferenças entre a mulher pecadora e o fariseu Simão. o evangelista apresenta Jesus como o Deus que perdoa e ama sem condições.
A mulher, conhecida na cidade como pecadora, aproxima-se de Jesus. Em silêncio, sem nada exigir, demonstra-lhe todo o seu amor. As suas lágrimas são um misto de dor e alegria, pois carregam o sofrimento de que é vítima da hipocrisia e do preconceito, mas também a felicidade de sentir-se amada, e por isso, perdoada pelo Mestre. Reconhecendo-se pecadora, a mulher reconhece o amor de Jesus, aproxima-se dele e com perfume demonstra-lhe seu amor. Um verdadeiro caminho de fé e libertação, modelo para todos nós, seguidores de Jesus.
Já o fariseu, em vez de se considerar devedor a Deus, necessitado do seu perdão, faz julgamentos sobre Jesus. Toma distância da pecadora e espera que o Mestre siga sua lógica, que divide as pessoas em boas e ruins. em pecadoras e santas, em merecedoras da benção ou do castigo de Deus. Mas, com a história dos dois devedores perdoados, Jesus faz o fariseu tomar consciência do rigorismo com que vivia as relações, bem diferente do amor da mulher que sente a necessidade de agradecer, com gestos concretos, a quem lhe havia perdoado.
A atitude do fariseu mostra que o amor de gente que se diz religiosa pode por vezes se confundir com uma relação superficial e legalista para com Deus. O Mestre ensina a acolher quem está afastado, quem é vítima da hipocrisia e do preconceito, quem está necessitado de amor. Nossa atitude é a de seguidores de Jesus À medida que nos sentimos necessitados do perdão de Deus e à medida que nos sentimos perdoados por um Deus que vai além de toda mesquinhez desumana.
O amor de nosso Deus é sempre maior, é infinito. Dele só pode vir o perdão, que gera amor e alegria. Mas o que carregam hoje nossas lágrimas, e como estamos demonstrando ao Mestre nosso agradecimento.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre o Evangelho deste domingo 16/06/2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Salve, Santo Antônio!


Sacerdote, doutor Evangélico da Primeira Ordem (1191-1231). Canonizado por Gregório IX no dia 30 de maio de 1232.

Antônio de Pádua ou – como também é conhecido – de Lisboa, referindo-se à sua cidade natal. Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja Católica, venerado não somente em Pádua, onde se erigiu uma esplêndida basílica que recolhe seus restos mortais, mas no mundo inteiro. São queridas dos fiéis as imagens e estátuas que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus nos braços, lembrando uma aparição milagrosa mencionada por algumas fontes literárias.

Antônio contribuiu de maneira significativa para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana, com seus fortes traços de inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e, principalmente, fervor místico.

Ele nasceu em Lisboa de uma família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando. Começou a fazer parte dos cônegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, primeiro no mosteiro de São Vicente, em Lisboa, e depois no da Santa Cruz, em Coimbra, renomado centro cultural de Portugal. Dedicou-se com interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja, adquirindo aquela ciência teológica que o fez frutificar nas atividades de ensino e na pregação.

Em Coimbra, aconteceu um fato que marcou uma mudança decisiva em sua vida: em 1220, foram expostas as relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos que haviam se dirigido a Marrocos, onde encontraram o martírio. Este acontecimento fez nascer no jovem Fernando o desejo de imitá-los e de avançar no caminho da perfeição cristã: então ele pediu para deixar os cônegos agostinianos e converter-se em frade menor. Sua petição foi acolhida e, tomando o nome de Antônio, também ele partiu para Marrocos, mas a Providência divina dispôs outra coisa.

Por causa de uma doença, ele se viu obrigado a voltar à Itália e, em 1221, participou do famoso “Capítulo das Esteiras” em Assis, onde também encontrou São Francisco. Depois disso, viveu por algum tempo escondido totalmente em um convento perto de Forlì, no norte da Itália, onde o Senhor o chamou para outra missão. Convidado, por circunstâncias totalmente casuais, a pregar por ocasião da uma ordenação sacerdotal, Antônio mostrou estar dotado de tal ciência e eloquência, que os superiores o destinaram à pregação. Ele começou assim, na Itália e na França, uma atividade apostólica tão intensa e eficaz, que levou muitas pessoas que haviam se separado da Igreja a voltar atrás. Esteve também entre os primeiros professores de teologia dos Frades menores, talvez inclusive o primeiro. Começou a lecionar em Bolonha, com a bênção de Francisco, o qual, reconhecendo as virtudes de Antônio, enviou-lhe uma breve carta com estas palavras: “Eu gostaria que você lecionasse teologia aos frades”. Antônio colocou as bases da teologia franciscana que, cultivada por outras insignes figuras de pensadores, teria conhecido seu zênite com São Boaventura de Bagnoreggio e o beato Duns Scotus.

Nomeado como superior provincial dos Frades Menores da Itália Setentrional, continuou com o ministério da pregação, alternando-o com as tarefas de governo. Concluído o mandato de provincial, retirou-se perto de Pádua, onde já havia estado outras vezes. Depois de apenas um ano, morreu nas portas da Cidade, no dia 13 de junho de 1231. Pádua, que o havia acolhido com afeto e veneração em vida, prestou-lhe sempre honra e devoção. O próprio Papa Gregório IX – que, depois de tê-lo escutado pregar, definiu-o como “Arca do Testamento” – canonizou-o em 1232, também a partir dos milagres ocorridos por sua intercessão.

No último período da sua vida, Antônio escreveu dois ciclos de “Sermões”, intitulados, respectivamente, “Sermões dominicais” e “Sermões sobre os santos”, destinados aos pregadores e professores de estudos teológicos da ordem franciscana. Neles, comentou os textos da Sagrada Escritura apresentados pela liturgia, utilizando a interpretação patrístico-medieval dos quatro sentidos: o literal ou histórico, o alegórico ou cristológico, o tropológico ou moral e o analógico, que orienta à vida eterna. Trata-se de textos teológicos-homiléticos, que recolhem a pregação viva, na qual Antônio propõe um verdadeiro e próprio itinerário de vida cristã. É tanta a riqueza de ensinamentos espirituais contida nos “Sermões”, que o venerável Papa Pio XII, em 1946, proclamou Antônio como Doutor da Igreja, atribuindo-lhe o título de “Doutor Evangélico”, porque destes escritos surge a frescura e beleza do Evangelho; ainda hoje podemos lê-los com grande proveito espiritual.

Nos “Sermões”, ele fala da oração como uma relação de amor, que conduz o homem a conversar docemente com o Senhor, criando uma alegria inefável, que envolve suavemente a alma em oração. Antônio nos recorda que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio, que não coincide com o afastamento do barulho externo, mas é experiência interior, que procura evitar as distrações provocadas pelas preocupações da alma. Segundo o ensinamento deste insigne Doutor franciscano, a oração se compõe de quatro atitudes indispensáveis que, no latim de Antônio, definem-se como: obsecratio, oratio, postulatio, gratiarum actio. Poderíamos traduzi-las assim: abrir com confiança o próprio coração a Deus, conversar afetuosamente com Ele, apresentar-lhe as próprias necessidades, louvá-lo e agradecer-lhe.

Neste ensinamento de Santo Antônio sobre a oração, conhecemos um dos traços específicos da teologia franciscana, da qual ele foi o iniciador, isto é, o papel designado ao amor divino, que entra na esfera dos afetos, da vontade, do coração, e que é também a fonte de onde brota um conhecimento espiritual que ultrapassa todo conhecimento. Antônio escreve: “A caridade é a alma da fé, é o que a torna viva; sem o amor, a fé morre” (Sermões Dominicais e Festivos II).

Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual: este foi o objeto privilegiado da pregação de Santo Antônio. Ele conhecia bem os defeitos da natureza humana, a tendência a cair no pecado; por isso, exortava continuamente a combater a inclinação à cobiça, ao orgulho, à impureza e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza.

No começo do século XIII, no contexto do renascimento das cidades e do florescimento do comércio, crescia o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres. Por este motivo, Antônio convidou os fiéis muitas vezes a pensar na verdadeira riqueza, a do coração, que, tornando-os bons e misericordiosos, leva-os a acumular tesouros para o céu. “Ó ricos – exorta – tornai-vos amigos (…); os pobres, acolhei-os em vossas casas: serão depois eles que os acolherão nos eternos tabernáculos, onde está a beleza da paz, a confiança da segurança e a opulenta quietude da saciedade eterna” (Ibid.).

Antônio, na escola de Francisco, sempre coloca Cristo no centro da vida e do pensamento, da ação e da pregação. Este é outro traço típico da teologia franciscana: o cristocentrismo. Alegremente, ela contempla e convida a contemplar os mistérios da humanidade do Senhor, particularmente o do Natal, que suscitam sentimentos de amor e gratidão pela bondade divina.

Também a visão do Crucificado lhe inspira pensamentos de reconhecimento a Deus e de estima pela dignidade da pessoa humana, de forma que todos, crentes e não crentes, possam encontrar um significado que enriquece a vida. Antônio escreve: “Cristo, que é a tua vida, está pregado diante de ti, porque tu vês a cruz como em um espelho. Nela poderás conhecer quão mortais foram tuas feridas, que nenhum remédio teria podido curar, a não ser o sangue do Filho de Deus. Se olhas bem, poderás perceber quão grandes são tua dignidade e teu valor (…). Em nenhum outro lugar o homem pode perceber melhor o quanto vale, a não ser no espelho da cruz” (Sermões Dominicais e Festivos III).

Que Antônio de Pádua, tão venerado pelos fiéis, interceda pela Igreja inteira, sobretudo por aqueles que se dedicam à pregação. Que estes, inspirando-se em seu exemplo, procurem unir a doutrina sã e sólida, a piedade sincera e fervorosa e a incisividade da comunicação. T

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O culto da Eucaristia


A fé na presença real de Cristo na Eucaristia levou a Igreja a tributar culto de latria (quer dizer, de adoração), ao Santíssimo Sacramento, tanto durante a liturgia da Missa (por isso indicou que ajoelhemos ou nos inclinemos profundamente ante as espécies consagradas), como fora da celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas no Sacrário (ou Tabernáculo), apresentando-as aos fiéis para que as venerem com solenidade, levando-as em procissão, etc. (cf. Catecismo, 1378).
A Sagrada Eucaristia conserva-se no Sacrário [2]:
- Principalmente para poder dar a Sagrada Comunhão aos doentes e a outros fiéis impossibilitados de participar na Santa Missa.
- Além disso, para que a Igreja possa prestar culto de adoração a Deus Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento (de modo especial durante a Exposição da Santíssima Eucaristia, na Bênção com o Santíssimo; na Procissão com o Santíssimo Sacramento na Solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, etc.).
- E para que os fiéis possam adorar sempre o Senhor com frequentes visitas. Neste sentido, afirma João Paulo II: «A Igreja e o mundo têm grande necessidade do culto eucarístico. Jesus espera por nós neste Sacramento do Amor. Não nos mostremos avaros com o nosso tempo para nos irmos encontrar com Ele na adoração, na contemplação cheia de fé e pronta para reparar as grandes culpas e os crimes do mundo. Não cesse nunca a nossa adoração» [3].
Há duas grandes festas (solenidades) litúrgicas em que se celebra de modo especial este Sagrado Mistério: a Quinta-Feira Santa (comemora-se a instituição da Eucaristia e da Ordem Sagrada) e a solenidade do Corpo e do sangue de Cristo (destinada principalmente à adoração e à contemplação do Senhor na Eucaristia).

João Paulo II, Carta Dominicae Cenae, 3.

Santo Antonio, o Guerreiro de Deus

domingo, 9 de junho de 2013

Jesus revela o rosto de Deus

Mediante sua mensagem, Jesus nos revela o rosto misericordioso e compassivo de Deus. O Deus da vida, pela prática do se Filho, vem em socorro da viúva que perde o único filho, a sua última esperança. a bondade de Jesus não se reveste de caráter puramente sentimental, mas é sobretudo força que faz viver: "Jovem, levante-te". Deus manifesta o seu amor e ternura nas ações de Jesus em favor das pessoas sofridas e marginalizadas, resgatando-lhes a dignidade e a alegria de viver.
A viúva de Naim representa a humanidade necessitada da proteção divina na luta pela vida. Conforme o salmista, Deus é o protetor das viúvas e caminha à sua frente(Sl 68,6). Ao ver a viúva, Jesus sente compaixão por ela e lhe diz: "Não chores". Ele é capaz de perceber e sentir quando alguém está sofrendo e vem ao encontro da dor humana.
Há muitas pessoas e organizações que, em nome do Deus de Jesus,  continuam realizando as mesmas ações do Mestre. É gratificante ver grupos empenhados em achar caminhos para evitar que corpos jovens sejam friamente eliminados. Esses gestos de carinho e de resgate da dignidade atestam que Deus continua visitando seu povo.
Continuamos vendo, em nossos dias, mães perdendo o "filho único" por causa das drogas, do trânsito assassino,  da violência. Muitos corpos ainda jovens, com energia, vigor e uma vida pela frente, estão sendo ceifados pela morte prematura. Infelizmente nossa sociedade continua "roubando" filhos de mães e viúvas sem perspectiva de futuro.
Jesus é o rosto de Deus que ama a vida e se põe ao lado daqueles que a têm ameaçada. A igreja, fiel ao Mestre, firma posição junto daqueles que estão com a vida em perigo. Seguir os passos de Jesus significa trilhar o mesmo caminho e assumir as mesmas atitudes.
A todos os que vivem o drama da dor e do sofrimento sem saída, somos convidados a anunciar - em Jesus Cristo e com gestos de solidariedade - a esperança e o otimismo de viver.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o Evangelho deste domingo 09/06/2013