terça-feira, 10 de setembro de 2013

Frei Matteo La Grua: a vida contra Satanás (Parte II)


Pouco antes de sua morte, o conhecido exorcista produziu um livro-entrevista em que ele nos exorta a não entregar-nos na batalha contra os poderes das trevas.


ZENIT: Na primeira parte do livro, você conta como o encontro com o Frei Matteo mudou a sua vida de alguma forma e como realizar esta obra com ele tenha sido para você uma espécie de missão de chamado. Como foi que isso aconteceu?

Roberta Ruscica: Não havia segredos com o Frei Matteo. Ele lia a sua alma. Me disse: “Você é uma excelente jornalista. Escreve bem. Mas não deve se deixar levar pelo coração, mas pela mente”. Eis que ele se utilizou do meu coração. Como falo sempre: “Utilizou o Manual do Amor”. Quando  Frei Matteo se convenceu de que eu não procurava nem uma vantagem econômica nem um sucesso pessoal. Quando decidi desistir. Ele começou a trabalhar. E me deixou ser levada pelo lento rio do Seu Amor. A minha vida é uma outra vida. Se o seu coração está cheio de rancor, você não tem condições de lidar com temas espirituais. Recebi um grande dom: perdoar aqueles que procuraram a minha infelicidade. Não nego que tive que vencer muitos obstáculos antes de publicar Contra Satanás. Desencontros, armadilhas, incompreensões, calúnias, fofocas... O Inimigo me colocou contra tudo e todos. Como  Frei Matteo me disse no seu último telefonema: “Estamos só eu e você... Os outros não contam”.

ZENIT: Antes dessa experiência - para você profissional e, ao mesmo tempo, fortemente espiritual – qual era a sua atitude com relação aos exorcistas e com a Igreja em geral?

Roberta Ruscica: Quando o diretor me pediu: "Você tem que entrevistar um exorcista". Eu respondi: “Tá brincando. É melhor eu entrevistar o chefe da Cosa Nostra”. Eu pensava que um exorcista era um feiticeiro. Hoje, muitos sacerdotes que lutam contra as forças do Mal, são os meus melhores amigos. A Igreja sempre foi a minha Casa. Ou melhor, uma doce mãe que acolhe seus filhos. Tive a sorte de crescer em uma família católica, em um grupo de escoteiros que era guiado por um sacerdote severo, mas paterno. Encontrei um frei maravilhoso no Padre Giulio Savoldi. A este respeito, gostaria de fazer um pedido: é preciso valorizar a grande missão dos exorcistas. O livro Contro Satana é um bom viático. Foi-me dito que muitos sacerdotes sugerem o livro no segredo da confissão. Meu grande "sonho" é presentear um exemplar do livro ao Papa Francisco.

Morando e exercendo seu ministério em Palermo, o  Frei Matteo teve contato com a realidade da máfia. No passado também você lidou com este tema, como jornalista investigativa e de crônica judiciária. Você acha que esta “coincidência” seja divina?

Roberta Ruscica: Certamente é sim. O meu encontro com o frei “santo” entra num plano divino. Também a publicação do seu livro-entrevista. Nunca denunciei publicamente – depois de ter realizado muitos serviços exclusivos para Seitas e o Donna – mas recebi uma ameaça da máfia. Muitos colegas têm construído uma carreira sob ameaças. Eu pelo contrário, somente enfrentei dificuldades, porque me permitiram trabalhar. A minha única arma é o Santo Terço, a Santa Missa, que nunca deixo de lado. Agradeço os monsenhores que ficaram do meu lado com a oração. E tenho uma linda lembrança: antes de voar ao Céu, mons. Alessandro Maggiolini me chamou e me disse: “Rezarei por você”.

ZENIT: Que conclusão pode ser tirada depois de ler o seu livro-entrevista? Como podemos vencer o poder das trevas , nós, que, além de não sermos exorcistas, somos pobres pecadores?

Roberta Ruscica: Contra Satanás é um livro de esperança. As páginas que contam as histórias de cura estão imbuídas do amor da Virgem Maria, a única Mulher que o  Frei Mateus amou. É possível lutar o bom combate permanecendo ancorados em Deus. E na entrevista explicamos como esse “milagre” se realiza. O medo é próprio de quem se deixa subjugar pelos tentáculos do Maligno.  Frei Mateus nos ensina que “a vida não é rosa, a vida é poesia”. T

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A vida contra Satanás



[Zenit] Pouco antes da sua morte o conhecido exorcista escreveu um livro-entrevista no qual exorta a não se entregar na batalha contra as potências das trevas.

Frei Matteo La Grua, OFMConv. (1914-2012) foi um renomado exorcista de fama internacional. A sua longa vida foi marcada por muitas virtudes e carismas especiais, desde as capacidades taumatúrgicas até o dom de expulsar demônios.

Os últimos 40 anos da sua vida, padre Matteo passou na direção dos grupos palermitanos da Renovação Carismática, onde existe a oração de libertação.

Dele, Padre Gabriele Amorth disse: "Nunca existiu exorcista mais poderoso".

Poucos meses antes de morrer, muito velho e doente, mas lucidíssimo, Frei La Grua confiou à jornalista Roberta Ruscica a tarefa de criar um livro-entrevista com ele. Uma espécie de testamento espiritual, fortemente desejado por ele, no qual o exorcista narra a sua atividade e exorta sacerdotes e leigos a nunca desistirem da batalha contra o maligno.

Daí resultou o livro: "Contra Satanás". A minha luta para vencer as potências das trevas (Piemme, 2012 - ainda não traduzido para o português). Sobre o conteúdo do livro-entrevista, ZENIT entrevistou Roberta Ruscica.

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ZENIT: Padre Matteo La Grua faleceu quase com cem anos em janeiro de 2012. Por qual motivo, sentindo que o fim se aproximava, ele sentiu a necessidade de ser entrevistado não com um simples artigo, mas com um livro de mais de 200 páginas?

Roberta Ruscica: Esta jornada começou na manhã em que bati na porta da sua secretaria. Ou melhor, no laboratório dos milagres, porque são inumeráveis as curas – não somente espirituais – que acontecem também hoje. Naquele dia eu me apresentei como uma jornalista que queria vencer mais um "desafio" porque "o Frei da Noce" "expulsava" os repórteres curiosos e chatos... Para mim, primeiro abriu a porta do seu cenáculo, depois aquela do seu coração. Frei Matteo não escolheu uma jornalista, mas uma filha que se deixa guiar por aquela Porta Estreita, que foi o seu ministério.

Os frades conventuais e muitos sacerdotes disseram que o livro-entrevista publicado pela Piemme é o seu testamento. Ele me disse: "Com noventa e sete anos percebi que o tempo do silêncio tinha acabado. Só tenho um pouco de voz para falar da minha pobre vida de frade”. Frei Matteo deixou um “instrumento” capaz de chegar ao coração daqueles que sofrem no corpo e no espírito.

ZENIT: Fala-se muito de exorcismos e de exorcistas em chave espetacular e morbosa, esquecendo-se de que um exorcista é principalmente um homem de Deus, com a função de restaurar a Sua Graça e de desafiar o poder das trevas. Frei Matteo era esse tipo de homem?

Roberta Ruscica: Frei Matteo não queria aparecer como um exorcista conhecido pelas suas libertações. Fugia diante dos refletores da mídia ou das reuniões sociais. Embora na porta do Convento aparecessem personagens famosos do mundo do espetáculo, da mais alta nobreza europeia ou juízes, homens das Forças armadas. Todos vinham em grande segredo.

Como ele me explicou: "Primeiro acolhia o pobre. Depois o rico que ia para pedir uma benção, mas não queria a libertação. Muitos preferiam permanecer ao serviço de Satanás”.

Sem dúvida o cenáculo da Noce, um dos bairros mais pobres de Palermo, podia transformar-se em um lugar de grande peregrinação. Mas, Frei Matteo colocou sempre em primeiro lugar três pérolas preciosas: pobreza, humildade e acolhida. Confiou-me um pedaço de papel, onde estava escrito: “Sou um humilde servo de Deus ao serviço da Igreja”. Era sempre severo com os seus colegas: “Se se esforçassem por fazer verdadeiros exorcismos, seriam suficientes. Um exorcismo pode custar a vida. Além de Deus, não existe outro.” A morbosidade e o espetáculo não podem caminhar juntos com uma missão tão delicada. Frei Matteo afirmava: “A libertação é um dom de Deus. Somente Deus pode libertar: quando e como quiser. Se Satanás é potente, Deus é onipotente. O Senhor pode libertar também sem intervenção de intermediários humanos ". T

domingo, 8 de setembro de 2013

INFormação Católica: Carta de um homossexual ao Papa

INFormação Católica: Carta de um homossexual ao Papa: É preciso ir às periferias do mundo gay Quando o Papa Francisco falou no avião sobre o lobby gay, suas palavras foram acolhidas com p...

Por um amor maior

Nesta liturgia, Jesus nos desafia a segui-lo, deixando de lado tudo o que não condiz com seu projeto. Decidir-se a caminhar com ele significa discernir e escolher, com sabedoria, os valores que fazem nascer a nova sociedade. Atentos à proposta do Senhor, somos chamados a estabelecer e assumir prioridades, colaborando para a construção do reino de Deus.
Podem aparecer duras as palavras de Jesus no evangelho de hoje. Jesus estaria menosprezando as relações familiares e o amor pelos pais, pelo marido ou esposa, pelos filhos ou irmãos? Certamente não. Ele está chamando a atenção para um amor maior, absoluto, que não decepciona e é o único capaz de preencher plenamente o vazio do coração humano.
Suas palavras querem dizer que somente quem transformou pelo encontro com ele é que pode ser seu discípulo. Ou seja, somente quem relativiza as relações, mesmo as relações, mesmo as relações familiares mais íntimas, pode assumir na própria vida a mesma missão de Jesus: a cruz, a doação incondicional até o fim, sem meios-termos.
Seguir a Jesus, além disso, não é um ato mágico, automático ou impensado. O seguimento é como uma construção ou ma luta: envolve riscos e requer esforço, preparação e sensatez. Não porque sejamos autossuficientes, mas porque as escolhas que fazemos na vida são responsabilidade nossa e não de Deus.
Ser cristão é algo exigente, pois cristão é quem se transforma continuamente pelo encontro pessoal com Jesus, é quem aprende com a vida do Mestre,o qual assumiu até o fim a missão do Pai, num caminho de doação e conflito até a morte de cruz.
O caminho da renúncia a tudo, até a própria vida, é o caminho que Jesus deixa aberto diante dos discípulos. E não são nada teóricas as palavras do Mestre, se considerarmos o amor que ele demonstrou por todos, também pelos que a ele se opuseram. Um amor maior, sem limites, que contemplou sua família de sangue, mas não ficou limitado a ela.
Somente o amor maior de Jesus nos torna cristãos. Neste amor, todo relacionamento ganha novo sentido: não de posse, cobrança ou mesquinhez, mas de doação, gratuidade e desprendimento.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre o evangelho deste domingo 08/09/2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O adorável lado aberto do Senhor


Os soldados foram e quebraram as pernas de um e, depois do outro, que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo depois saiu água e sangue. Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: Não quebrarão nenhum de seus ossos. E outra Escritura ainda diz: Olharão para aquele que traspassaram (Jo 19, 32-37).
A cena realmente chama atenção. Jesus já estava morto, tendo exalado o último suspiro (Jo 19,30). Por que o interesse do evangelista em continuar a narração? Jesus estava morto. Era um cadáver a ser retirado do patíbulo. O olhar da fé, no entanto, continua sua contemplação e perquirição. Aí está o mistério do corpo de Jesus, inseparável de sua pessoa e de sua obra. A obra de Jesus já havia revelado desígnios insondáveis. Com o toque da lança haver-se-ia de descobrir a interioridade de seu corpo. Um corpo cujos ossos não foram quebrados, como um verdadeiro cordeiro pascal. Um corpo do qual emana aquilo que tinha sido o motor interno de toda a sua vida: sangue e água.

O sangue, para a Escritura, representa a vida (cf. Gn 9,3-6). Desta maneira, o sangue de Jesus que mana do lado aberto é sua vida plenamente doada até o final, mostrando que tudo se havia cumprido e que, desta forma, no alto da cruz, atrairia todos a si (Jo 12,32). Também brota a água do Espírito que o Senhor dá aos seus, o mais excelente de seus dons, através do qual os discípulos continuarão sua vida em Cristo. Na força do Espírito passarão a glorificar o Pai, depois do desaparecimento de Jesus. Belíssimos dons do sangue e da água.

Para captar o alcance destas imagens, importante levar em conta as duas citações bíblicas. A primeira alude ao Cordeiro Pascal, dando a entender que Jesus é o verdadeiro Cordeiro Pascal, imolado, que salva os homens do pecado numa nova páscoa. A segunda remete para Zacarias. Ao ser sido traspassado, Jesus se manifesta como verdadeiro Messias, cuja morte vinha já prefigurada em diversos textos do Novo Testamento. A figura do Messias aproxima-se daquela do Servo de Javé que, entregando sua vida a Deus, manifesta e revela o Amor de Deus. Por meio de Cristo, mediador, esse amor se derrama sobre o povo. Esse Jesus que se acerca de Deus passa pelo momento da entrega sacrifical da vida. Paradoxalmente de sua morte brota a vida, pela efusão do Espírito que mana do coração dilacerado.

O versículo 37 transcreve Zacarias 12,10. Trata-se de um olhar de fé. Esse olhar alimenta a fé. Olhar que contempla o mistério do amor e da redenção. Olhando, reconhecemos o amor que verte sangue. Pode-se considerar a fé como um saber olhar. Bento XVI, na mensagem da quaresma de 2007, intitulada "Hão-de olhar para aquele que trespassaram", escreve: “Na cruz, o próprio Deus mendiga o amor de sua criatura. Tem sede do amor de cada um de nós”.

A Escritura, de modo especial o evangelho de João, se refere de modo bastante claro ao coração de Jesus como fonte de águas vivas. Estas fontes simbolizam o Espírito Santo que se derrama no coração dos fiéis. As águas brotam do interior de Jesus, do centro de sua vida, de seu coração.

“Coração” é uma palavra primordial em muitas culturas. Alguns a designam de “proto-palavra”, que nos coloca diante do fundamental, do básico e fundamental, do originário e profundo nunca penetrável pelo raciocínio. O coração descreve a pessoa em seu conjunto, em sua verdade e autenticidade. Muitas vezes, o coração se situa no relacionamento com Deus. Deus conhece e perscruta o coração humano (cf. Jr 17,10). T

Obs.: Esta reflexão se inspirou em El corazón de Jesús; manantial que sacia la sed, Gabino Uríbarri, SJ, in Sal Terrae 965 (2008), p. 507-509.

Francisco de Assis: modelo referencial do humano



Francisco, ao viver de um modo intenso a fraternidade, antecipa paradigma da alteridade. O que é alteridade? É levar demais em conta a grandeza e a dignidade da pessoa, criar relacionamentos fecundos de amizade, de convívio, de coexistência. A experiência alteritária clama: você é a soma de muitos; não é a aniquilação do “ego”, mas uma grande ampliação e complementação. A Legenda Franciscana, chamada o Espelho da Perfeição, em seu conhecido e atraente capítulo 85, narra que, quando perguntaram a Francisco o que seria um verdadeiro frade menor, ele responde que, “transformados os frades pelo ardor do amor e pelo fervor do zelo que tinha pela perfeição deles (...) pensava muitas vezes dentro de si sobre as qualidades e virtudes que deviam ornar um bom frade menor. E dizia que seria bom frade menor aquele que tivesse a vida e as qualidades destes santos frades (...)”

E a Legenda continua elencando, de um modo belíssimo, que deviam reunir a fé de Frei Bernardo; a simplicidade e a pureza de Frei Leão; a cortesia de Frei Ângelo, que foi o primeiro cavaleiro a entrar na Ordem e que era ornado de gentileza e benignidade; o aspecto gracioso, o senso natural e a conversa agradável e devota de Frei Masseo; a mente elevada em contemplação de Frei Egídio; a virtuosa e constante oração de Frei Rufino; a paciência de Frei Junípero; o vigor corporal e espiritual de Frei João das Laudes, que ultrapassava a todos com a força física; a caridade de Frei Rogério e a solicitude de Frei Lúcio.

Alteridade e o encontro perceptível e sensível com as qualidades do outro, é fazer existir e acontecer o “tu” muito mais do que o “eu”. É olhar a outra pessoa de um modo que ela seja, exista, aconteça em sua diferença e singularidade. É desapegar-se de qualquer superioridade e status. A minoridade é a grande virtude franciscana da alteridade, pois é a renúncia do poder de quem tem, de quem sabe e de quem pode, para viver a reciprocidade nas relações. É um encontro de afeto e um transformar a convivência numa causa, num projeto, num ideal, numa obra que respire valores e buscas comuns. É olhar o outro como um espelho, como relata a Legenda acima citada. Especular é olhar alguém a partir do reflexo de algo maior. Permitir que o outro se revele em sua identidade. Retomar as mais belas amizades que são a concretização da mais pura alteridade. T

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Uma pessoa feliz



 

Uma pessoa feliz traz bênçãos; uma pessoa infeliz dá cuidados. Uma pessoa feliz não é perigosa. Ela fez a experiência de que a felicidade se compõe de muitos pedacinhos e que sempre algum pedacinho é curto demais. Mas ela não fica preocupada com isso, não se fixa nisso, pelo contrário, ela se alegra com aquilo que tem. Uma pessoa feliz não se enamora de seus próprios problemas. Ela mesma se mexe e não espera tudo dos outros. Não pensa que a felicidade é como a sorte grande na loteria, mas sabe que a felicidade é como uma sombra que a segue; é como um eco que responde ao dom de si mesmo.


Phil Bosmans