domingo, 31 de maio de 2015

É possível falar de Deus ao mundo moderno? - Parte 1

Autor: Prof. VICTOR HUGO NASCIMENTO
Filósofo e Teólogo.
Professor das Escolas de fé e catequese Luz e Vida e Mater Ecclesiae - RJ
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O homem sempre buscou chegar ao conhecimento da verdade. Ele tem empreendido esforços no longo caminho de procura do que é e como chegar a um consenso definitivo sobre a verdade. Desde filósofos, amantes da sabedoria e portadores da verdade, até os grandes santos, passando pelo homem mais humilde, todos, sem exceção, nas mais diversas realidades e culturas têm ansiado encontrar respostas absolutas sobre a existência do homem e do cosmo. Por não haver, nesta aventura da busca, um consenso entre filósofos e acadêmicos, várias teorias e visões a cerca da verdade existem e continuam sendo debatidas. O problema reside na postura da modernidade, a qual retardou e mesmo interrompeu o processo de acesso à verdade ao abandonar e invalidar o método clássico, o da metafísica. Como aponta o Cardeal Ratzinger: “Não é moderno perguntar pela verdade. (...) há uma atitude apriorística ante a realidade, que nos diz: não faz sentido perguntar sobre o que é, só podemos perguntar-nos sobre o que podemos fazer com as coisas”. Deste modo, a verdade tem sido tratada como relativa, como que impossibilitada de ser reconhecida unanimemente, posto que cada povo e cultura, em seu “modus vivendi”, percebe cada qual uma verdade, muitas vezes contrárias entre si. Esta realidade desafia o discurso religioso e missionário, onde a fé encontra dificuldades de penetrar, frente à desconfiança natural do homem, especialmente o do pós-iluminismo. Ainda assim é possível falar de Deus como realidade e verdade válidas a todo homem, uma vez que os princípios de busca meramente racionais mostram-se insuficientes. A metodologia eficaz apresenta-se no passar das realidades visíveis para as invisíveis; isto quer dizer, através da contemplação das coisas criadas e naturais, analogamente se pode chegar à interpretação do mundo cifrado, sendo possível decifrá-lo através da Revelação divina, que é em si, a verdade. O homem deseja conhecer a verdade Ao percorrermos as páginas da história da Filosofia, nelas encontramos os pensamentos da humanidade, sintetizados naquilo que é próprio, inerente à natureza humana. O fio condutor dos questionamentos e das reflexões humanas é a busca pela verdade. A filosofia estuda a verdade de diversos ângulos. A metafísica se ocupa da natureza da verdade. A lógica se ocupa da preservação da verdade. A epistemologia se ocupa do conhecimento da verdade. A filosofia aristotélica, inclusive a tomista, destacam-se pelo uso do método correspondentista, ou seja, compreendem a verdade como a adequação daquilo que se dá na realidade e aquilo que se dá na mente. O estagirita já apontara no livro I sobre a metafísica que “todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer: uma prova disto é o prazer das sensações, pois fora até da sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas e, mais que todas as outras, as visuais.” Ora, para a filosofia é muito clara sua função, a de pôr as questões fundamentais sobre o princípio e a finalidade da vida; buscar a verdade última de cada coisa. Esta é verificada, ao menos no método clássico-aristotélico, através do prazer proporcionado quando a mente concorda e repousa ao encontrar o “em-si” do que fora buscado. Assim, a verdade não se abriga meramente na linguagem ou no discurso sobre o objeto, pois algo não é, só por ser afirmado como tal, mas se afirma como verdade que é na coisa mesma.

Neste sentido, o papa João Paulo II, conclama aos filósofos e cientistas a retomarem tal tarefa, pois a mesma vem sendo esquecida e assim a busca da verdade tem sida negligenciada na modernidade: “Variados são os recursos que o homem possui para progredir no conhecimento da verdade, tornando assim cada vez mais humana a sua existência. De entre eles sobressai a filosofia, cujo contributo específico é colocar a questão do sentido da vida e esboçar a resposta: constitui, pois, uma das tarefas mais nobres da humanidade.” No fundo, os filósofos e pesquisadores têm deixado esta função primordial de questionar a origem do mundo e do homem por não mais acreditarem na possibilidade de uma verdade universal. Tem-se preferido, segundo o modelo moderno, buscar fragmentos de verdades (que se encontrados, de fato são verdadeiros e válidos), mas de forma obtusa e, portanto, plural e arbitrária. Com o abandono da metafísica e da teologia, o critério de verdade cristalizou-se naquilo que a maioria dos positivistas classificou como absoluto. O método científico universalmente aceito como paradigma, se imposta como único e irrefutável meio de se chegar à verdade. Vivemos uma verdadeira “ditadura do conjuntural convertido em absoluto.” Na verdade cada objeto deve ser pesquisado de acordo com sua natureza. O método cartesiano vai bem para avaliar o empírico, coisas concretas, no entanto, não é o melhor para a busca da essência dos entes, ou seja, para a busca metafísica e teológica da verdade. Portanto, a filosofia, com sua pioneira potência na busca das causas primeiras, não pode estar presa à metodologias pré-estabelecidas, por simplesmente serem legitimadas por campos dominantes do saber. Tal insistência destrói a essência e tarefa tão próprias da filosofia. Ela deve gozar de liberdade. Tem de continuar (ou mesmo retomar) no seu caminho de ir além da linguagem que gira em si mesma, quase que falaciosamente, sobre a qual se sustenta a idade moderna. A teologia, como em um círculo, atrelada à filosofia, tem a tarefa de contribuir na árdua empreitada na questão da verdade. Isto porque ambas se mantêm fiéis à sua finalidade e intenção: a de conhecer o que é o Bom, o Belo e o Verdadeiro. As duas ainda procuram responder àquelas questões basilares da humanidade, às quais angustiam e interpelam desde sempre a toda a humanidade: a verdade sobre o mundo, sobre o início e fim do homem, sobre Deus e a possibilidade de uma vida além-mundo. 

Certamente tais questionamentos podem ser respondidos, ainda que parcialmente, pelo esforço da razão humana. A Igreja assim ensina, de forma explícita desde o Concílio Vaticano I, com a Constituição dogmática “Dei Filius”, e reafirma tal compreensão no Concílio do Vaticano II, com a Constituição dogmática “Dei Verbum”: “A Santa Igreja, nossa Mãe, atesta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido, com certeza, pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas.” Cabe-nos agora nos perguntar o que a teologia e, portanto a fé cristã católica entende por verdade, uma vez que a Igreja afirma como critério de fé, ser ela mesma portadora e sustentáculo da verdade revelada. Como ela recebeu tal verdade? Qual a natureza de tal verdade? Como entender o discurso religioso salvífico em meio ao pluralismo e absolutismo categórico modernos?

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sexta-feira, 29 de maio de 2015

A espiritualidade punida


O episódio da figueira tem, à primeira vista, um quê de inexplicável. A maldição lançada sobre ela, por Jesus, parece não se justificar. Se não era tempo de figos, como ele esperava encontrar frutos? Estaria pretendendo que o ciclo natural daquela planta se adaptasse às suas exigências? Teria Jesus dado vazão a uma agressividade infantil?
Estas questões são irrelevantes, diante do valor parabólico do relato. A figueira simboliza o povo de Israel. Jesus, o Filho enviado, contava com os frutos produzidos por este povo predileto de Deus. Encontrou-o, ao invés, na mais completa esterilidade. Foi o que também ficou patente, quando, certa vez, Jesus entrou no Templo. Aí se deparou com uma religião transformada em comércio, em exploração, sem nenhuma preocupação com a prática da misericórdia e da justiça. A casa de Deus fora profanada de maneira flagrante, e ninguém se levantava para pôr um basta nesta situação. Era possível esperar grandes coisas de um povo que agia desta maneira? E o que teria sentido Deus diante desta situação?
Na teologia de Israel, a infidelidade era sempre punida. Fazer a figueira secar até à raiz apontava para o castigo a ser infligido ao Israel infiel, incapaz de dar os frutos esperados por Deus.
Não foi Jesus o primeiro a tocar neste assunto. Antes dele, já os profetas haviam alertado o povo infiel para o castigo que lhe estava reservado.


http://domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A experiência espiritual e a atenção ao mistério de Deus



Certo é que todos os homens, de todos os tempos e lugares fizeram e fazem a experiência do transcendental. Ele é um ser aberto ao totalmente Outro, o qual é realidade ao mesmo tempo externa a este mundo, e interna ao homem. Há uma vivência fundadora do pensamento religioso no ser humano, sem intermédio de uma ordem externa, confessional, ou teológica. 


Em termos psicológicos, a experiência religiosa é, desde sempre, uma dimensão intrínseca de nosso psiquismo, isto é, da alma humana na medida em que ela experimenta uma realidade sagrada, ou seja, uma comoção perturbadora que funda a realidade como sagrada. Tais realidades humanas, sejam as boas e aprazíveis, mas principalmente as mais difíceis, como as tragédias e a morte de um membro da família, são carregadas de sacralidade, da presença de Deus.

Em meio a um mundo confuso, onde as experiências interiores não são mais valorizadas, encontra-se um ser humano fragmentado em busca de um sentido para a vida, para a sua própria existência e a do mundo a sua volta. Ainda que traga os traços do criador, e sua alma clame por uma realidade superior que o oriente e sirva de sentido, o homem moderno traz uma desconfiança a respeito do divino e da possibilidade de fazer uma verdadeira experiência de Deus e das coisas sagradas. Para muitas religiões e pensamentos religiosos, tal encontro só é possível por mediações religiosas, interseccionado por ritos e representantes religiosos. Esta realidade não é ilegítima ou descabida, no entanto é momento segundo no processo de experiência espiritual.

O conceito de experiência espiritual de K. Rahner nos conduz para uma realidade transcendental que se deixa entrever no concreto da vida cotidiana de todo homem. Talvez a consciência religiosa coletiva não consiga abarcar, com facilidade, a possibilidade de uma experiência direta de Deus por causa de centenas de anos de catequese puramente sacramental e institucional. Rahner não nega a religião ou religiosidade como caminho, mas em sua teologia espiritual, acena para uma realidade primordial, a da categoria da experiência imediata, a qual o homem comum, sem ser um místico aos moldes de Francisco e Tereza, faz nas coisas mais triviais do seu dia. Se é verdade que todo homem é aberto ao mistério sagrado e absoluto de Deus, então deve haver um instrumental pré-existente nele, não externo, que o possibilite ter acesso às realidades espirituais. 

Neste ponto para Kal Rahner a chave de leitura são os dramas e perguntas mais profundas da pessoa, através de sua inteligência e livre vontade. Trata-se de uma mística ou espiritualidade encarnada, uma mística “natural”, na qual o mundo ao redor e, sobretudo, o mundo interior, gritam a presença e a ação de Deus. Seja o nome que for: graça, inabitação, efusão, êxtase, etc. o que realmente ocorre com todas as pessoas é uma experiência do mistério do infinito que há nele; ele sabe que as respostas últimas e soluções para as crises não é ele, mas Outro.

Com a experiência de autotranscendência, o ser humano necessariamente se abre a Deus e busca Nele nutrir-se. Deus se oferta a alma humana e se faz a ela presente. Ao perceber tal presença em sua vida, o homem faz experiência da graça divina que se antecipou a ele, possibilitando a abertura e docilidade interiores. E é exatamente aqui que se problematiza a questão da experiência divina. Parece que necessária e absolutamente o indivíduo só pode fazer experiência mediada de Deus, ou seja, através de alguém ou alguma coisa. Ora, nossa pastoral tem tido práticas que reforçam essa inverdade. 

Temos inculcado em nossos fiéis a necessidade de ter algum ministro para rezar por ele, ou para conduzir um momento de oração, quando na verdade ele mesmo é capaz de orar e num diálogo afetuoso com o Pai do céu descobrir os tesouros celestes. Ou ainda a prática de novenas e instrumentalização da fé, como promessas e orações “sentimentais” feitas em ambientes pentecostais, as quais levam a uma experiência falsa, ou senão, opaca de Deus. 

Nossa pastoral deve dar mais autonomia ao fiel cristão que busca fazer uma experiência de Deus. Devemos possibilitar que se tenha mais atenção ao mistério que nos envolve e perpassa, liberando essa ruim conjunção de experiência de fé com as práticas religiosas institucionalizadas. Não que a igreja e sua doutrina sejam desnecessárias, mas que a pastoral faça cada um perceber seus próprios caminhos, ou seja, as vias pessoais pelas quais Deus fala ao indivíduo de modo único e particular. É preciso educar para a mística. 

Que a religião cumpra seu papel de religar a Deus e não ser o fim último como tem ocorrido em nossas instituições. Precisamos reeducar o nosso povo a ter olhos espirituais que vejam as pegadas, os traços de Deus em sua própria história de vida. O perigo que se corre nesse ultrapassado modelo pastoral é manter-nos num emaranhado de relações meramente humanas nas igrejas, sem profundidade e com uma sempre maior alienação; alienados de nós mesmos, alienados dos outros e lamentavelmente, alienados de Deus. Com a instrumentalização religiosa, o crente ficou preso às experiências de outros, que não a dele mesma, e às dos irmãos de fé. É mais uma religião social que espiritual, no sentido de mística, ligada ao transcendente.

De fato, a prática religiosa é a linguagem concreta pela qual tentamos expressar aquela experiência íntima que fizemos de Deus. No entanto, precisamos encontrar tempo para a interioridade, para o silêncio, para um encontro tranquilo e amoroso com a causa fundante de nossa existência. Posso ir à missa, posso rezar o terço e as novenas, mas elas são tão somente formas de externar o que vai no meu interior, o que foi fecundado e colhido pelo Espírito de Deus em mim. Se nossa prática pastoral inverte os momentos, gera-se uma imagem confusa de Deus e se sombreia a religião.

Fomentar a vida interior, ou vida espiritual é consagra-se a ser investigador do mundo, tanto o exterior quanto o interior, e com o auxílio da luneta da fé encontrar o amor profundo e incondicional de Deus. É conseguir enxergar em nós e no mundo a presença velada e revelada de Deus que sempre nos atrai e se apresenta maior que nós, maior que o mundo.

Essa experiência espiritual se dá, na prática, quando, por exemplo, olhamos com os olhos de Deus a senhorinha quase cega que lhe visita por simplesmente se sentir bem em sua casa; ali ela faz experiência da acolhida e nós a de hóspedes do próprio Deus que nos revela a fragilidade e doçura de seu coração. Ou então, quando todos se voltam contra você e em momento de vulnerabilidade, alguém lhe lança um olhar compassivo, lhe acolhe e diz: estou contigo, nunca se esqueça disto! Aquele abraço forte lhe dá, ainda que sem palavras, garantias que tudo está bem, que Deus não te condena mesmo quando todos teriam razões para isso.

Quanto mais criamos a capacidade de ver a manifestação de Deus nas realidades intramundanas, mais é diminuída a dicotomia sagrado x profano. O sagrado e o profano constituem dois modos de ser no mundo, duas situações assumidas ao longo da história religiosa. 

O homem toma consciência do sagrado porque este se manifesta, como outra coisa absolutamente diferente do profano, do usual, do cotidiano. Qualquer ação com um significado vital, como nascimento e morte, fome e alimentação, plantio e colheita, etc. participa de certo modo do mundo sagrado, ou seja, é vital porque é parte do sagrado, vem de um Outro. Exemplo primordial para nós cristãos é a encarnação do Verbo, no qual se encontram harmoniosamente integradas as duas categorias, a sagrada ou divina e a humana, ou profana. 

A partir da humanização do Verbo divino, nenhuma coisa ou pessoa lhe escapa, pois, em si, já fazem parte do sagrado, porque foram assumidas como realidades espirituais no ‘coração’ de Deus. Jesus Cristo é a manifestação da integração perfeita das realidades terrestres e espirituais, e mostra que não são dicotômicas entre si, mas locais da manifestação de Deus. Portanto, toda ação é sagrada, pois a vida vem Dele e para Ele há de voltar. Encontrando-se, o ser humano encontra a Deus. Amando o outro, a Deus ele está a amar. Assim descobrimos que viver é sagrado, e quanto mais vivemos, integrando-nos no mundo, mais encontraremos rastros do sagrado que nele habita. No fim de tudo só Ele restará! 



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domingo, 24 de maio de 2015

Hóspede misterioso e discreto

Pentecostes conclui o ciclo da Páscoa. Nesta solenidade de Pentecostes recordamos: a descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo; a primeira pregação do Evangelho em Jerusalém; a formação da primeira comunidade cristã; o nascimento da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.

O protagonista invisível de todos esses acontecimentos foi e é o Espírito Santo. Ele operava então e opera também hoje na sua Igreja. E se dermos espaço em nossa vida, opera também em nós.

Pentecostes quer dizer cinqüenta dias depois da Páscoa. Os hebreus tinham uma festa agrícola da colheita, com o mesmo nome. Nós cristãos recordamos o fato acontecido depois da Páscoa: o Espírito Santo dado por Jesus à sua Igreja pousando sobre Maria e os Apóstolos.

Conseqüências desse místico acontecimento são os apóstolos, plenos do Espírito Santo, dando testemunho publicamente do Senhor, e os primeiros ouvintes crentes reunidos em torno deles. Naquele dia começou a história da Igreja. É justo fazer festa desse início divino da Igreja.

Festa do Espírito Santo, o protagonista daquele dia, misterioso, que trabalha invisivelmente. Hoje, quase nos esquecemos deste hóspede misterioso e discreto, que também está presente em nós. É espírito, por isso não é percebido pelos sentidos. Estamos no mistério de Deus, e sentimos que as nossas palavras são como velas no escuro: acendemos uma pequenina, que dura pouco e depois se apaga. Mas nos encorajamos.

A Bíblia o apresenta como poder de Deus que opera no universo. Poder muitas vezes imperceptível, silencioso, discreto, sempre respeitoso da liberdade humana. Ao mesmo tempo, porém, irresistível ao realizar os desígnios de Deus.

A Bíblia se expressa recorrendo a imagens sugestivas: o vento, o sopro, o gosto, o respiro. Uma imagem muito conhecida, a da pomba, representada em tantos quadros. Imagens como terremoto, trovão, línguas de fogo.

Desde o início, o Espírito aparece como protagonista já na criação. No segundo versículo do Gênesis se lê: “Deus criou o céu e a terra. O Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Poucas páginas adiante, relatando a criação do homem, a Bíblia diz que Deus soprou nele “o sopro da vida”, imagem do Espírito.

O Espírito aparece também como protagonista na história do povo eleito. Lemos nos vários livros do Antigo Testamento que o Espírito, pousava sobre os reis sábios de Israel, sobre Davi, sobre Salomão. Inspirava os profetas mandados como guias espirituais ao povo. Inspirava os autores dos livros da Bíblia. Por isso falamos de autores e de livros inspirados.

O Espírito aparece como protagonista junto a Jesus na sua vida terrena. Já no seu nascimento, Maria perturbada pela palavra do Anjo pediu explicações, foi dito: “O Espírito do Senhor descerá sobre ti, e estenderá a sua sombra, o poder do Altíssimo”. Depois o Espírito se faz presente no batismo de Jesus.

Nos milagres que Jesus operava: “Dele saia uma força”, diz o evangelho. As multidões diante dos prodígios exclamavam: “Aqui tem o dedo de Deus”, outra imagem curiosa, mas expressiva.
Também o Espírito foi a grande promessa feita por Jesus aos discípulos. Os apóstolos, sabendo que Jesus estava para deixá-los, ficaram tristes. Jesus promete o envio do Espírito Santo, consolador e defensor.

Na festa de hoje nos apresenta o Espírito Santo sobre os apóstolos em Pentecostes. Os apóstolos receberam no Cenáculo o dom das línguas, isto é a capacidade de fazer-se compreender por todos provenientes de outros países. Saíram do cenáculo, dirigiram-se ao Templo de Jerusalém. O templo naquele dia de festa estava repleto de gente, e os apóstolos falaram à gente. Nos dias precedentes os mesmos estavam medrosos e escondidos, temerosos de se fazer ver. Mas naquele dia apresentaram-se sem temor, “cheios do Espírito Santo” e começaram a anunciar o Evangelho a israelitas, a estrangeiros, a todos.

O Espírito Santo também hoje é protagonista no meio de nós para que os cristãos fiéis possam testemunhar Cristo ao mundo. E o Espírito assiste o Papa em modo especial, os bispos, os sacerdotes e cada cristão. Está presente e operante em nossos encontros, ilumina nossas mentes, fortalece a nossa boa vontade, sugere os propósitos do bem.
Cardeal Geraldo Majella Agnelo

http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/pentecostes/17.htm

O que é Pentecostes?

Era para os judeus uma festa de grande alegria, pois era a festa das colheitas. Ação de graças pela colheita do trigo. Vinha gente de toda a parte: judeus saudosos que voltavam a Jerusalém, trazendo também pagãos amigos e prosélitos. Eram oferecidas as primícias das colheitas no templo. Era também chamada festa das sete semanas por ser celebrada sete semanas depois da festa da páscoa, no quinquagésimo dia. Daí o nome Pentecostes, que significa "quinquagésimo dia". 

No primeiro pentecostes, depois da morte de Jesus, cinqüenta dias depois da páscoa, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém na forma de línguas de fogo; todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas (At 2,1-4). As primícias da colheita aconteceram naquele dia, pois foram muitos os que se converteram e foram recolhidos para o Reino.

Quem é o Espírito Santo? 

O prometido por Jesus: "...ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a realização da promessa do Pai a qual, disse Ele, ouvistes da minha boca: João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias" (At 1,4-5).

Espírito que procede do Pai e do Filho: "quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade que vem do Pai, ele dará testemunho de mim e vós também dareis testemunho..." (Jo 15 26-27). O Espírito Santo é Deus com o Pai e com o Filho. Sua presença traz consigo o Filho e o Pai. Por Ele somos filhos no Filho e estamos em comunhão com o Pai.


http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/pentecostes/e_02.htm

domingo, 17 de maio de 2015

Para combater um velho rival, Igreja recruta padres exorcistas

Padre Padoan já encarou pessoas supostamente dominadas pelo demônio. Foto: Claudio Vieira
Padre Padoan já encarou pessoas supostamente dominadas pelo demônio. Foto: Claudio Vieira

Padre de São José diz que houve casos em que foi necessário praticar o ritual de ‘exorcismo menor’

Xandu Alves
São José dos Campos

A Igreja Católica recruta combatentes contra o Mal, assim mesmo, com M maiúsculo. Afinal, o alvo é o Diabo, o pai das mentiras, infâmias e inimigo declarado de Deus.
“Precisamos de mais exorcistas”, brada o padre Duarte Sousa Lara, exorcista da diocese de Lamego, na região norte de Portugal, que esteve na região nos últimos dois anos.
O tema é polêmico, divide religiosos e médicos e ressurgiu com força na Igreja Católica depois que o Vaticano aprovou os estatutos da Associação Internacional de Exorcistas, no ano passado.
Alguns sacerdotes encararam a atitude como um reconhecimento da importância dos exorcistas e a necessidade em se tocar no assunto.
Só podem ser exorcistas na Igreja Católica padres com perfil e formação adequados e indicados por bispos de suas respectivas dioceses. Eles ainda têm que frequentar um curso no Vaticano, em Roma.
“O reconhecimento oficial da Santa Sé aponta para uma realidade que, para muitos, negam a realidade da existência do demônio”, diz o monsenhor Rubens Zani, de Bauru. “Infelizmente, dentre estes há vários no seio da Igreja”.

Cristo. Um dos poucos exorcistas oficiais da Igreja no país --estima-se que o grupo conte com 30 padres, nenhum deles da região--, monsenhor Rubens recorre às Escrituras para confirmar a existência do demônio e celebra Jesus Cristo como inspiração máxima.
“Jesus praticou exorcismos. Ora, não se pode crer que Ele tenha fingido expulsar demônios quando não os havia”, aponta o exorcista.
Mas é preciso cuidado, lembra ele, para não confundir problemas de outra natureza com a influência espiritual maligna, notadamente exposta em casos de possessão demoníaca.
“Pode haver, sim, confusão de sintomas e até mesmo a coexistência de patologia mental e possessão”, explica.
O principal sintoma do endemoniado é a aversão a símbolos sacros, como cruz, água benta e a Bíblia. Mas também há outros sinais (veja quadro).

Força. Aos 77 anos e em plena atividade, o padre José Padoan, vigário em Santa Luzia, igreja na região sudeste de São José, conta que se deparou muitas vezes com pessoas sob a influência do Mal, em ocasiões em que praticou o classificado como exorcismo menor, que não exige a aprovação do bispo diocesano.
“Havia quem exigisse ser seguro por vários homens em razão da grande força que apresentava contra as orações e os símbolos da Igreja”, lembra o sacerdote. “Não é uma coisa fácil de se ver e de se passar”.
Para os padres exorcistas, as dioceses deveriam indicar ao menos um para cada região.

Exorcismo

O que é
Ritual feito por pessoa autorizada para expulsar espíritos malignos de outra pessoa que está em possessão demoníaca

Cristianismo
Evangelho relata episódios em que Jesus Cristo expulsa o demônio de possuídos

Possessão
Estado no qual o demônio se apodera das faculdades da pessoa e age por meio delas, independentemente da vontade de tal indivíduo

Sintomas
Falar e entender línguas estranhas, contorcer-se no chão, levitação, telecinesia, força física superior, adivinhar pensamentos alheios, manifestar coisas ocultas e distantes e aversão ao sacro

Cautela
Igreja católica recomenda cautela diante de tais fenômenos, pois os mesmos já são explicáveis pela psicologia

Maior
Mais complexo, o exorcismo maior só pode ser praticado com autorização do bispo

Menor
Usa orações e pode ser praticado por qualquer cristão, mas não sem critérios

Canção Nova: cura e libertação
São José dos Campos

Com sede em Cachoeira Paulista, a comunidade católica Canção Nova é um dos expoentes da Renovação Carismática no país e dá ênfase a encontros de cura e libertação, trazendo diversos exorcistas para palestrar aos fieis.
O mais conhecido deles foi frei Rufus Pereira, que esteve sete vezes na comunidade antes de morrer vítima de parada cardíaca, em maio de 2012.
Rufus foi vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas, cujos estatutos foram reconhecidos pelo Vaticano, no ano passado.
Os padres José Antonio Fortea (espanhol) e Duarte Sousa Lara (português) também são presenças constantes em eventos da Canção Nova. “Quanto maior o mal, mais devemos ter fé em Deus”, diz Fortea, teólogo especializado em demonologia. “Precisamos de mais exorcistas”, completa Lara.

Repercussão

Associação pede cautela com tema
Para a Associação Brasileira de Psiquiatria, o tema exorcismo exige muita cautela em razão de a literatura médica e a ciência explicarem os casos de suposta possessão demoníaca. Problemas como transtorno dissociativo de identidade (múltiplas personalidades), distúrbios psicóticos e histeria podem ser confundidos com a influência do demônio.


Direito canônico

Rito se divide entre maior e menor
Os padres exorcistas oficiais são aqueles que podem fazer o chamado ‘Exorcismo Maior’, como nos representados em filmes, mas sem os efeitos especiais. Eles têm que ser indicados por bispos. Os demais sacerdotes podem fazer o ‘Exorcismo Menor’, com orações. “Fiz muitos ao longo do meu sacerdócio”, diz o padre José Edward Padoan, 77 anos.


http://www.ovale.com.br/para-combater-um-velho-rival-igreja-recruta-padres-exorcistas-1.587365

sábado, 16 de maio de 2015

A confissão

PEDIMOS A TODOS QUE NÃO DEIXE DE ASSISTIR ESSE VÍDEO:


A CONFISSÃO
Este vídeo mostra a importância do Sacramento da Confissão e como através dele recebemos o perdão misericordioso do Deus bondoso através do sacerdote.
Posted by Frei Bruno on Sexta, 13 de março de 2015