segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Olhar com Cristo

Levantai os vossos olhos

Nos começos da vida pública de Jesus, há uma passagem que não nos pode deixar indiferentes.
São Mateus narra que Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e enfermidade.
A seguir, revela quais eram os sentimentos de Cristo naquela sua incansável dedicação a todos:
Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor. Disse, então, a seus discípulos: «A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários à sua seara (Mt 9, 36-38).
Doía a Jesus no coração contemplar tanto abandono, tanta dor, tanta carência: tantos sofrimentos físicos (doença, violência, miséria, pobreza) e morais (ignorância, descrença, infidelidade, engano, manipulação); e, por isso, ansiava por discípulos contagiados pelo fogo do seu amor, que percebessem que essa situação do mundo os interpela, os chama a dar e a dar-se ─ sobretudo a dar-se ─ incansavelmente, decididos a serem outros Cristos para os demais.
Jesus mostra esses mesmos sentimentos do coração, após a conversa com a mulher samaritana. Sentado junto do poço de Sicar, Ele fica sozinho. Os apóstolos tinham ido comprar mantimentos e, ao voltarem, encontram-no ensimesmado, absorvido em seus pensamentos.
─ Mestre, come, dizem-lhe. E Ele responde: Eu tenho um alimento que vós não conheceis… Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra.
Logo a seguir, ergue a cabeça e percorre com o olhar as terras de lavoura que tem ao seu redor. Abre, então, o coração e convida os discípulos: Levantai os vossos olhos e vede os campos, que já estão branquejando para a ceifa (Jo 4, 31-35).
Há no mundo uma imensa colheita pronta e à espera, mas que se pode perder pelas nossas omissões.
Os campos são os homens e mulheres, jovens e velhos, sãos e doentes, cultos e incultos, que, no mundo, padecem necessidade de pão cotidiano e de Deus, pois são literalmente ovelhas sem pastor. Não tem luz, não têm orientação, são vítimas dos abusos do materialismo, da ganância que explora, da infâmia das drogas, da ignorância religiosa (a carência da verdade que lhes deveriam ter ensinado e não lhes ensinaram), das propagandas ideológicas que parecem cozinhadas no forno do pai da mentira (Jo 8, 44).
Que faremos nós para levar o amor, o auxílio, a verdade, a caridade de Cristo a esse  mundo que gira sem rumo e enche milhões de vidas de vazio e decepção.
Lembro que, em maio de 1974, são Josemaria, reunido em São Paulo com muitos estudantes, os incentivava ─ à imitação de Jesus ─ a levantarem os olhos: «As pessoas – dizia-lhes– estão tristes. Fazem muito barulho, cantam, dançam, gritam – mas soluçam. No fundo do coração, só têm lágrimas: não são felizes, são desgraçados” [1]. E os exortava a levar a todos a alegria de Cristo.
Muitos encontram-se, como dizia de si mesmo Gustavo Corção antes da sua conversão, «numa encruzilhada, como quem tivesse feito uma caminhada fatigante por estradas de pedra e lama, e visse cair a tarde chuvosa diante de uma divergência de caminhos que não iam ter a nenhum lugar»[2]
Muitos anos atrás, são Josemaria tinha dado um diagnóstico, que continua sendo válido agora, e o será enquanto o mundo for mundo: «Um segredo. – Um segredo em voz alta: estas crises mundiais são crises de santos. – Deus quer um punhado de homens “seus” em cada atividade humana. – Depois… pax Christi in regno Christi – a paz de Cristo no reino de Cristo»[3].
Depois do que estivemos meditando nestas páginas, você não se anima a acolher essa interpelação divina, o apelo que Jesus nos faz a todos: Eu vos escolhi e vos destinei para que deis fruto, e um fruto que permaneça (Jo 15, 16)?
Se você quiser encontrar a resposta definitiva que faça sorrir Jesus, seu Amigo, penso que uma boa solução será aplicar a si mesmo o pensamento com que o livro Caminho começa, e que já ajudou muitas mulheres e homens a dar uma virada decisiva às suas vidas[4]. Um pensamento com que nós vamos terminar estas reflexões:
« Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor. – Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da terra com o fogo de Cristo que levas no coração»[5].

Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018

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[1] Salvador Bernal, Perfil do Fundador do Opus Dei, Quadrante, São Paulo, 1978, p. 264
[2] A descoberta do Outro, Ed. Agir, Rio de Janeiro 1955, p. 34
[3] Caminho, n. 301
[4] Vale a pena ler o livro – por ora, eletrônico – que pode encontrar no site opusdei.org/es : Javier Medina-Michele Dolz, Compañeros de Camino, Fundação Studium 2017. Está sendo preparada a edição brasileira
[5] Caminho, n. 1

Liberdade I: O que é a liberdade?

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Liberdade I: Entender a liberdade
Um pequeno diálogo

Todos amamos a liberdade. Vemos nela um valor imprescindível para podermos ter uma vida autenticamente humana. Mas, será que entendemos o que é a liberdade?
Que diria – vamos supor – uma menina estudante, uma adolescente comum, se lhe perguntássemos: – Você acha que alguém é capaz de viver autenticamente sem liberdade?
Eu não duvido de que a sua resposta seria: – Não! E provavelmente acrescentaria mais um comentário: – Se não tenho liberdade, não posso fazer nada. Como posso me realizar? Se estou presa, dependente em tudo dos outros, como posso ser eu mesma?
– Ou seja que, para você, a liberdade consiste em…?
– Em poder fazer o que eu quero, sem imposições nem “podações”!
– O quê?
– Sem que me imponham o que tenho que fazer nem me “podem” a toda a hora: “Não pode sair”, “Não vai viajar sozinha com esses amigos”, “Se não voltar antes de tal hora, ficará proibida de ir a outras festas”…
– Certo, certo. Se não entendi mal, você quer dizer que, para ser livre, precisa de duas coisas: em primeiro lugar, de não ser impedida por outros (de não estar amarrada por imposições e proibições); e, em segundo lugar, de poder fazer o que quer.
– Exatamente. Ser livre é poder fazer o que eu quero.
Muito bem. Tomo nota desta última frase, que lembraremos mais adiante. Agora, vamos refletir um pouco sobre as tais duas coisas.
A primeira – não estar tolhidos pelos outros – é importante, mas eu diria que não é a mais importante para se ter uma autêntica liberdade. Mesmo um prisioneiro escravizado num campo de concentração pode possuir uma liberdade interior mais profunda que a dos seus carcereiros livres. Sobre isto haveria coisas muito bonitas a dizer, mas aqui não é o lugar.
A segunda coisa – poder fazer o que se quer – parece-me mais interessante. Mas precisa de ser bem compreendida, porque, se não, estragamos tudo…
Para nos entendermos melhor, será bom pensarmos em dois tipos de falsa liberdade, que nos ajudarão a enxergar a verdadeira.
Duas falsas liberdades
Imagine, em primeiro lugar, que observa na rua um homem que, de olhos esbugalhados e soltando grandes gargalhadas, vai batendo com um tijolo na cabeça dos velhinhos, arrancando bebês dos braços das mães e atirando-os como bolas de basquete para o outro lado da rua, quebrando as vitrines das lojas e deitando-se no meio da rua, lá onde o fluxo dos carros é maior. O que você diria? Que está doido varrido, não é? E, no entanto, você tem que concordar comigo em que ele está “fazendo tudo o que quer”, enquanto não lhe puserem a camisa-de-força. Faz tudo o que lhe dá na telha, só que… está mal da telha, e isso o torna um caso patológico, e não um autêntico homem livre. Quando falta a razão, não se pode falar em liberdade, mas em loucura.
Já temos uma primeira condição da autêntica liberdade: deve ter como base a razão, a compreensão inteligente da realidade. Só em cima desse conhecimento racional é que se pode exercitar a liberdade, é que se pode querer, escolher, decidir conscientemente qualquer coisa. Por isso, uma boa definição de liberdade inclui necessariamente a idéia de reflexão, de decisão lúcida. Veja a que dá o Catecismo da Igreja Católica: “A liberdade é o poder, baseado na razão e na vontade, de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, portanto de praticar atos deliberados” (n. 1731).
O que acabamos de ver complementa-se com a consideração de um segundo tipo de falsa liberdade, a que poderíamos chamar liberdade de destruição. Não é como a do louco, pois esta segunda liberdade baseia-se na razão, na inteligência e, muitas vezes, até numa extraordinária inteligência, e nuns raciocínios extremamente lógicos e bem concatenados…, mas está toda ela orientada para o mal. É a liberdade dos gângsters, dos mafiosos, dos traficantes de drogas, dos contrabandistas de armas, dos matadores profissionais, etc, etc. Pensam, planejam, arquitetam tudo muito bem, decidem e “fazem o que querem”, mas o que querem é um mal objetivo, um mal que destrói.
Isto ajuda-nos a ver por que a liberdade pôde ser comparada à energia atômica: porque, como ela, possui um enorme poder, que tanto pode ser utilizado para o bem como para o mal, para aniquilar de uma vez milhões de seres humanos ou para fornecer energia a milhares de cidades e de fábricas. Todas as pessoas sensatas concordam em que só é humano e certo usar a energia atômica para uma finalidade construtiva e boa. Da mesma forma, todas as pessoas inteligentes e sensatas podem compreender que a liberdade só é humana (e, por isso, autêntica) quando se utiliza visando uma finalidade construtiva e boa.
Acabamos, assim, de pôr diante dos olhos um segundo elemento importantíssimo – ao lado da razão – para a liberdade: a finalidade.
Toda a liberdade, de fato, é desejada e exercitada para alcançar uma finalidade (liberdade para namorar, para viajar, para amar, para ter essas amizades, para estudar isto ou aquilo, para gozar dos prazeres da vida, etc.). Não existe verdadeira liberdade sem um fim. A pessoa que diz “Quero ser livre para ser livre”, ou está dizendo uma tolice, ou na realidade está querendo dizer “Eu quero ser livre para fazer tudo o que o meu egoísmo desejar”, ou por outras palavras, “Eu quero a liberdade para fazer tudo o que, em cada momento, me apetecer”, com o que declara nitidamente a finalidade para a qual quer a sua liberdade: para o seu capricho e o seu interesse puramente egoísta.
finalidade, em função da qual queremos ser livres, é o indicador da categoria e da autenticidade da nossa liberdade. Liberdade para o bem, para o mal…, ou paranada (para o vazio de uma vida inútil).

Poder fazer o que queremos
No início deste texto, víamos a resposta que uma adolescente daria provavelmente à pergunta sobre o que é a liberdade: – “Ser livre é poder fazer o que eu quero”.
Lembrando-nos das duas características da boa liberdade que acabamos de considerar – razão, inteligência lúcida para escolher; e finalidade boa -, podemos comentar a essa menina:
– Você fala-me de “poder fazer o que quer”. Muito bem. Então, diga-me o que quer, na vida, e por que o quer.
Talvez você me retruque dizendo que lhe é impossível responder, porque, realmente, quer muitas coisas e por motivos muito diversos, e não dá para enumerá-los todos. Mas, se pensar devagar sobre qual é a finalidade mais profunda por que você quer todas as coisas que deseja na vida, penso que acabará dizendo: “Eu quero tudo o que me leve a ser feliz, tudo o que leve à minha realização, ao meu bem”.
Com isso terá expressado algo de muito verdadeiro, pois é isso mesmo o que, no fundo – no fundo do fundo -, todos nós queremos: o nosso bem, a realização plena da nossa vida. Essa é a finalidade básica a que todos aspiramos. Ninguém, a não ser um demente, quer o seu mal.
Acontece, porém, que a maioria dos que querem a sua realização, o seu próprio bem, mesmo que disponham de toda a liberdade possível, não o alcançam. São livres, podem usar a sua liberdade, mas fracassam.
Aqui vale a pena iniciar uma reflexão que é de importância capital. Não basta, com efeito, dispor da liberdade, ou seja, estarmos livres de imposições, restrições e amarras, para sermos autenticamente livres. A nossa liberdade pode revelar-se uma falsa liberdade – inútil e frustrante – por três motivos:
1) Porque nos falta lucidez, quer dizer, porque o nosso raciocínio, o nosso modo de pensar na vida e nas coisas da vida, é confuso ou errado. Pensamos mal e, por isso, escolhemos mal.
2) Porque, ainda que pensemos bem, quando chega a hora de “fazer o que queremos” (no caso, o que é bom, o que verdadeiramente nos vai realizar), não “podemos”, devido à fraqueza da nossa vontade.
3) E finalmente, porque, mesmo começando a andar com lucidez e entusiasmo pelos caminhos bem escolhidos da nossa realização, pode suceder que não sejamos capazes de chegar até ao final por nos faltarem as forças necessárias; e que então desistamos, sucumbamos antes de termos atingido nenhuma meta.
Cada um desses três perigos, cada uma dessas doenças da liberdade, pede um comentário, que o visitante do site poderá encontrar nos textos numerados sobre a liberdade, que irão aparecendo a seguir.

(Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: Autenticidade & Cia)

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Oração poderosa para antes de dormir

Uma oração da noite especial para inundar seu coração de paz

Meu Pai, agora que as vozes silenciaram e os clamores se apagaram, aqui ao pé da cama minha alma se eleva a Ti, para dizer:
Creio em Ti, espero em Ti, e amo-te com todas as minhas forças, glória a Ti, Senhor!
Deposito nas tuas mãos a fadiga e a luta, as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás.
Se os nervos me traíram, se os impulsos egoístas me dominaram, se dei lugar ao rancor ou à tristeza, perdão, Senhor!
Tem piedade de mim.
Se fui infiel, se pronunciei palavras em vão, se me deixei levar pela impaciência, se fui um espinho para alguém, perdão Senhor!
Nesta noite não quero entregar-me ao sono sem sentir na minha alma a segurança da tua misericórdia, a tua doce misericórdia inteiramente gratuita.
Senhor! Eu te agradeço, meu Pai, porque foste a sombra fresca que me cobriu durante todo este dia.
Eu te agradeço porque, invisível, carinhoso e envolvente, cuidaste de mim como uma mãe, em todas essas horas.
Senhor! Ao redor de mim tudo já é silêncio e calma.
Envia o anjo da paz a esta casa.
Relaxa meus nervos, sossega o meu espírito, solta as minhas tensões, inunda meu ser de silêncio e de serenidade.
Vela por mim, Pai querido, enquanto eu me entrego confiante ao sono, como uma criança que dorme feliz em teus braços.
Em teu nome, Senhor, descansarei tranquilo.
Assim seja! Amém.

A Santa Missa do Padre Pio em detalhes

Um trecho valioso de "Assim falou o Padre Pio", confira!

Senhor Padre, ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.
 
Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.
 
Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.
 
Senhor Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.
 
Senhor Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-los-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor a Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa acompanhar-te-á e será a tua doce inspiração.
 
Senhor Padre, o que é a sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia isto a chorar.)
O que é que devo procurar na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.
 
Senhor Padre, diga-me tudo o que sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só o que pode fazê-lo uma criatura humana. E isto apesar de cada uma de minhas faltas e só por Sua bondade.
 
Senhor Padre, durante o Sacrifício divino o senhor padre carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.
 
Considera-se a si mesmo um pecador?
Não o sei, mas temo que assim seja.
 
Eu já o vi a tremer ao subir aos degraus do altar. Por quê? Pelo que tem de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.
Em que momento da Missa é que sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.
 
Senhor Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, os seus olhos encheram-se de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus!?
 
Ao ler o Evangelho, porque é que chorou quando leu estas palavras: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue…”
Chora comigo de ternura!
 
Senhor Padre, porque é que chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós parece-nos que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e O ofendam continuamente com a sua ingratidão e incredulidade.
 
A Sua Missa, senhor Padre, é um sacrifício cruento?
Herege!
 
Perdão, senhor Padre, queria dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.
 
Quem é que lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.
 
Senhor Padre, porque é que chora no Ofertório?
Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.
 
Durante a sua Missa, senhor Padre, o povo faz um pouco de barulho…
Se estivesses no Calvário, não ouvirias gritos, blasfêmias, ruídos e ameaças? Havia um alvoroço enorme.
 
Não o distraem os ruídos?
Em nada.
 
Senhor Padre, por que é que sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso… (Não quero que me perguntes isso…)
 
Senhor Padre, diga-me: por que é que sofre tanto na Consagração?
Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.
 
Senhor Padre, por que é que chora no altar e o que é que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las consigo.
Os segredos do Rei Supremo não se podem revelar nem profanar-se. Perguntas-me por que choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas sim torrentes de lágrimas. Não meditas neste grandioso mistério?
 
Senhor Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito frequentemente…
 
Senhor Padre, como é que se pode estar de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.
 
No altar, o senhor Padre está pregado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?
 
Como é que o senhor Padre se acha?
Como Jesus no Calvário.
 
Senhor Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregar os pregos em Jesus?
Evidentemente.
 
A si também lhos pregam?
E de que maneira!
Também deitam a Cruz no chão para si?
Sim, mas não devemos ter medo.
 
Senhor Padre, durante a Missa pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.
 
E a quem é que diz: “Mulher, aí tens o teu filho”?
Digo assim para Ela: “Aqui tens os filhos do Teu Filho”.
 
Sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.
 
Em que momento?
Depois da Consagração.
 
Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.
 
Diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não encontrei”. Por quê?
Porque os nossos sofrimentos de verdadeiros culpados não são nada em comparação com os de Jesus.
 
Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.
 
Os Anjos do Senhor reconfortam-no no Altar em que se imola?
Pois… não o sinto.
 
Se não lhe vem o consolo até à alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor Padre sofre, como Jesus, o abandono total, a nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosas mulheres aos pés de Jesus agonizante?
 
O que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.
 
Quando Jesus vem, visita só a alma?
O ser inteiro.
 
O que é que Jesus faz na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.
 
Quando Jesus se une a si na Santa Comunhão, o que é que quer que peçamos a Deus por si?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.
 
Também sofre na Comunhão?
É o ponto culminante.
 
Depois da Comunhão, os seus sofrimentos continuam?
Sim, mas são sofrimentos de amor.
 
A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.
E o senhor Padre para quem olha?
Para os meus irmãos de exílio.
 
Morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.
 
É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.
 
Se morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Porquê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.
 
Senhor Padre, disse que a vítima morre na Comunhão. A colocam-no  nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.
 
Senhor Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para o descansar?
Sou eu quem descansa n’Ele!
 
Quanto ama a Jesus?
O meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho de dizer nada e causa-me pena.
 
Senhor Padre, porque é que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: “E vimos a sua glória como de Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”?
Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com os seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?
 
Que união vamos então ter com Jesus?
Eucaristia dá-nos uma idéia.
 
A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mãe não se interessa pelo seu Filho?
 
E os Anjos?
Em multidões.
 
Senhor Padre, quem é que está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.
 
Gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse, não quereria descer do Altar.
 
Disseram-me que traz consigo o seu próprio Altar…
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: “Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus”. “Estou cravado com Cristo na Cruz.” “Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão…”
Nesse caso, não me engano quando digo que estou a ver Jesus Crucificado!
(Nenhuma resposta)
Senhor Padre, lembra-se de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.
 
A Missa do Padre Pio, nos seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Foi sempre um êxtase de amor e de dor. O seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:
Senhor Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
Diz-me, filho.
 
Queria perguntar-lhe o que é a Missa?
Por que me perguntas isto?
 
Para ouvi-la melhor, senhor Padre.
Filho, posso dizer-te o que é a minha Missa.
 
Pois é isso o que eu quero saber, senhor Padre.
Meu filho, estamos na Cruz, e a Missa é uma contínua agonia.
 
 
in Tradition Catolica, nº 141, nov. 98 citando “Assim Falou o Padre Pio” (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D. Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza.

Eucaristia: textos da Escritura e da Tradição que confirmam o Rito da Missa

JESUS,HANDS,HEAVEN 

Os primeiros cristãos sempre celebraram a Eucaristia

Entro, com este artigo, em textos da Escritura e da Tradição que confirmam o Rito da Santa Missa, desde o início do Cristianismo.
Os relatos da instituição da Eucaristia estão em Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-26 e têm duas características marcantes: 1) são diferentes entre si nas palavras utilizadas, mas 2) são idênticos entre si na mensagem transmitida: a) Jesus se entregou por nós sob o sinal de pão e de vinho, seu corpo e sangue reais; b) é a verdadeira vítima expiatória pelos pecados do mundo; c) esse gesto deveria ser repetido por seus discípulos como memória d’Ele. Vejamos cada uma das afirmações.
  1. São diferentes entre si nas palavras utilizadas, porque não reproduzem, de modo literal (não havia gravador!), as palavras de Jesus, na última Ceia, mas, sim, a forma como esses mesmos termos estavam em uso entre os primeiros cristãos na Celebração da Eucaristia, independentemente do nome que tivesse.
Aparece Ceia do Senhor (cf. 1Cor 11,20.33) ou Fração do Pão (1Cor 10,16; At 2,42.46; 20,7.11), embora tenha prevalecido Eucaristia, termo grego que significa dar graças. Sim, na Última Ceia, “Jesus tomou o pão, deu graças” (eucharistésas), de acordo com Lc 22,19; 1Cor 11,24; Mt 26,27; Mc 14,23. A partir do século IV, surge o termo Missa para nomear a Eucaristia, sempre celebrada na Igreja.
  1. São idênticas entre si, na mensagem transmitida, em três tópicos principais:
  2. a) Jesus se entregou por nós sob o sinal de pão e de vinho, seu corpo e sangue reais: ou seja, a Eucaristia não representa, ela É, realmente, o Corpo e o Sangue de Cristo. Tanto o Corpo quanto o Sangue não eram consideradas, como hoje, partes distintas que dividem a pessoa. Em conclusão, para os primeiros ouvintes de Jesus, falar em “corpo” ou em “sangue” é se referir a uma pessoa inteira: o Senhor morto e ressuscitado está, por inteiro, tanto no pão (seu corpo), quanto no vinho (seu sangue).
  3. b) Ele é a verdadeira vítima expiatória pelos pecados do mundo: no Antigo Testamento, eram oferecidos animais irracionais, agora é o próprio Cristo, o Cordeiro de Deus, quem, de modo único e definitivo, Se oferece pela humanidade toda (cf. Êx 24,8; Jo 1,29; 1Cor 5,7; Jr 31,31-33).
  4. c) Esse gesto deveria ser repetido pelos discípulos como memória de Cristo: aqui o termo memória causa dificuldades desnecessárias a algumas pessoas. Isso porque para nós ter um fato na memória quer dizer, simplesmente, ter recordação de algo distante. Ora, o conceito bíblico de memória se prende aos termos zeker e zakar (= recordar-se) que não é mera lembrança do passado, do distante, do ausente, mas é, ao contrário, um recordar eficiente/eficaz. Sim, ao se lembrar de alguém, Deus age em favor dessa pessoa em vista do bem da humanidade (cf. Gn 19,29; 30,22; Êx 2,24; 6,5; 32,12-13; Lv 16,42; Sl 104,8; 105,45 etc.).
Daí, os primeiros cristãos sempre celebraram a Eucaristia, de acordo com o Apóstolo Paulo: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1Cor 11,27-29).
Fora da Escritura, mas fazendo eco a Ml 1,11, a Didaqué, manual cristão dos fins do século I, prova a celebração da Eucaristia: “Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado. Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: ‘Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações’” (XIV,1-3).


https://pt.aleteia.org/2018/07/24/eucaristia-textos-da-escritura-e-da-tradicao-que-confirmam-o-rito-da-missa/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

quinta-feira, 26 de julho de 2018

ENVIA-ME

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Jesus faz-se pão para ser nosso alimento. 
Jesus dá-se a comer para termos a sua vida. 
Uma vida nova, que é a sua vida divina. 
E nós, que damos aos outros para terem mais vida? 
Sim, que damos nós aos outros para os tornar mais felizes? 
Sim, que lhes damos? 
Sejamos pão para os outros Dando-lhes a nossa amizade O nosso tempo, a nossa ajuda A nossa alegria, a nossa esperança A nossa bondade e o nosso perdão. 
Senhor, dá-nos sempre desse pão Como nós damos do nosso pão aos nossos irmãos. 
Eis-me aqui, envia-me a ser pão. 

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Fonte: Secretária da Pastoral Vocacional

segunda-feira, 23 de julho de 2018

O GRANDE VALOR DO “DEUS LHE PAGUE”


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Um verdadeiro acontecimento, que muito nos leva a pensar. Foi no ano de 1852, na pequena cidade de Albendorf, pertencente naquele tempo, a Áustria, no Glatzer Land. Uma pobre operária, cujo marido há mais tempo estava doente de cama, queria pedir ao açougueiro um pedaço de carne para fazer uma sopa bem forte. Ela fez o pedido ao açougueiro. Mas ele sacudiu a cabeça e disse: “Não gosto deste tipo de fregueses. Quero ver dinheiro vivo.” “Não a quero de graça,” disse a mãezinha. “Eu te digo um Deus lhe pague. Isto pesa bem.” Irônico disse o açougueiro: “Quanto pesará seu Deus lhe pague?” Logo veremos isto. Num pedaço de papel ele escreve: “Deus lhe pague” e o coloca num prato da balança. Mas veja! Ele não acredita no que está vendo. De repente este prato se abaixa. Ligeiro, ele corta mais um pedaço de carne da mesa vizinha, e a coloca sobre a outra que está no prato da balança. Esta não se mexe. Um segundo pedaço, um terceiro, coloca sobre a carne no prato, já toda carne que está sobre a mesa. Ele não consegue levantar o prato, no qual está o papel com o escrito. “Deus lhe pague.” Este fica embaixo e o outro com toda carne encima. O açougueiro não consegue sair de sua admiração. Ele sacode continuamente a cabeça e diz: “Isto não é de acreditar, mas eu vejo com meus próprios olhos: Este “Deus lhe pague” tem mais peso do que toda minha carne.” Ele deu à surpreendida mulherzinha, um bom pedaço de carne e, dali em diante, deu muito valor ao “Deus lhe pague.” Na minha infância, ouvi muitas vezes contar esta história. Ela é testemunhada por aqueles que a ouviram contar no tempo dos bis avós. 

(Veja: Anais da infância de Jesus. Ano IV, pág. 21 AM. Weigl.) Jesus: Querida alma, como vejo teu coração cheio de desejo, de preparar-Me muita alegria com o “Deus lhe pague” e com o “Deus o abençoe,” quero chamar a atenção, como podes aumentar bem mais o efeito dos dois pedidos. Alma: Ó Jesus existe coisa maior ainda do que já falaste sobre “Deus lhe pague?” Jesus: Certamente, Minha filha, o meio para isto é tua livre vontade. Na livre escolha de tua vontade podes simplesmente dizer: “Deus lhe pague.” Mas também podes dizer: “Mil vezes, Deus lhe pague.”

Fonte: Livro com promessas