domingo, 30 de junho de 2019

“NÓS NÃO SABEMOS O QUE SOMOS, NEM SABEMOS O QUE PODEMOS, PORÉM A TENTAÇÃO O DESCOBRE”


Por Pe. Manuel José Gonçalves Couto
Jesus Cristo subindo a uma barca, os seus discípulos o seguiram, e houve uma grande tempestade, de sorte que as ondas iam cobrindo a barca. Jesus Cristo, meus irmãos, com esta tempestade quis ensinar aos seus discípulos e a todos nós, que no caminho do Céu também há tribulações e tentações, como diz o Eclesiástico: “Filho, chegando-te ao serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação”. E como disse S. Rafael a Tobias: “Por que eras aceito a Deus, foi necessário que a tentação te provasse”.
A alma justa muitas vezes anda cheia de alegrias e consolações, e dali por um pouco Deus a mete em uma noite escura de trabalhos e tribulações, como diz S. João da Cruz: “Quando a alma justa mais a seu gosto anda gozando destas delícias espirituais, e mais claro lhe brilha o sol dos divinos favores, Deus muitas vezes lhe escurece toda essa luz, e lhe fecha a porta dessa doce água espiritual, de que andava gozando em Deus, e quando ela queria. E desta sorte a deixa tanto às escuras, que não sabe dar um só passo na vida espiritual, porque para ela tudo é noite e escuridão. Nós sabemos que muitos santos viveram quase sempre nas tribulações e nas tentações.
A sagrada Escritura nos diz que são muitas as tribulações dos justos, de sorte que uma alma neste mundo anda sempre cercada de tentações, e se não as conhece, é porque ainda vive na cegueira. Mas perguntareis vós: “E Deus por que permite tantas tribulações e tentações aos seus servos?” Deveis saber que é para os mortificar e eles adquirirem merecimentos. Também é para os excitar nas virtudes, e experimentar o quanto são firmes. Diz um devoto escritor: “Nós não sabemos o que somos, nem sabemos o que podemos, porém a tentação o descobre”.

E assim é, meus irmãos. Poucas são as pessoas que sejam firmes, e que tenham virtudes verdadeiras. Muitos ainda entendem que tem as virtudes de um cristão, mas se o examinarmos não aparecerá virtude verdadeira, e porque? Porque só tem as virtudes enquanto não vem as tentações. Pois vindo as tentações, que é a prova, logo desaparece tudo. Nem há paciência, nem humildade. Não se sofre coisa alguma, murmura-se, dão-se queixas, falta-se à justiça e à caridade. Finalmente, lá vão as virtudes todas!… E que aconteça isto a essas pessoas que se confessam só uma vez a cada ano, não me admiro. Mas aconteça a pessoas que frequentam os sacramentos, que professam a virtude, que é isso, meus irmãos?! Que virtudes são estas? Aonde está o fruto das vossas confissões frequentes? Ai que eu temo muito que as vossas confissões seja todas nulas! Porque não tendes virtudes verdadeiras. As vossas virtudes são falsas e aparentes, porque desaparecem logo que vem as tentações, que são a prova. Ora, pois, desenganai-vos. A falta de emenda não tem remédio, notai estas palavras: a falta de emenda em matéria grave não tem remédio. Portanto tirai sempre fruto das vossas confissões.
Da obra “Missão Abreviada”
https://capelasantoagostinho.com/2019/03/24/nos-nao-sabemos-o-que-somos-nem-sabemos-o-que-podemos-porem-a-tentacao-o-descobre/

Único desejo e minha alegria

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Em todos os acontecimentos, meu único desejo e minha alegria devem ser: aqui está o que Deus quis para mim. Nisso é que encontro o seu amor, e aceitando o que Ele me envia é que posso dar-lhe de volta esse amor e a mim mesmo, inteiramente. Pois ao dar-me a Ele encontrá-lo-ei e Ele é a vida eterna.



A vitória sobre nossas tentações

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Por Santo Afonso de Ligório
Para perseverarmos no bem, não devemos colocar nossa confiança nas nossas resoluções. Se contarmos com nossas próprias forças, estaremos perdidos. Para nos conservarmos na graça, devemos pôr nossa confiança nos merecimentos de Jesus Cristo. Com sua assistência perseveraremos até a morte, ainda que combatidos por todos os poderes terrestres e infernais.
Sem dúvida alguma seremos assaltados algumas vezes por tantas e tão fortes tentações que nossa queda nos parecerá inevitável. Guardemo-nos, porém, de perder então a coragem e de nos entregar ao desespero. Recorramos com toda a pressa a Jesus Crucificado, que ele impedirá a nossa queda. O Senhor permite que até aos santos sobrevenham tais tempestades, como a São Paulo, que afirma de si: “Nós fomos excessivamente oprimidos acima de nossas forças a ponto de nos aborrecermos da própria vida” (2 Cor 1, 8). O apóstolo aqui mostra o que ele podia por própria força e com isso nos quer ensinar que: “ Deus, de vez em quando, nos deixa ver a nossa fraqueza, para que, melhor inteirados de nossa miséria, não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor 1, 9) e humildemente peçamos o seu auxílio para não sucumbirmos.
Ainda mais claramente disso fala o Apóstolo em outro lugar, dizendo: “Em tudo sofremos tribulações, porém não desanimamos. Somos embaraçados, porém não desesperamos” (2 Cor 4, 8). Sentimo-nos oprimidos pela tristeza e afligidos pelas paixões, contudo não desesperamos. Somos lançados num mar tempestuoso e não vamos ao fundo, porque o Senhor nos concede com sua graça a força de resistir a todos os nossos inimigos. Mas ao mesmo tempo o Apóstolo nos exorta a que não nos esqueçamos que somos homens fracos e frágeis, que muito facilmente podemos perder de novo o tesouro da graça divina, que só poderemos conservar pela virtude divina e não pela própria força. “Nós, porém, possuímos esse tesouro em vaso de barro, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós” (2 Cor 4, 7).
Ainda que, conforme o sobredito, não possamos achar em nós a força necessária para evitar o pecado, mas exclusivamente na graça de Deus, devemos empregar todo o cuidado em nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demônio mais forte contra nós.
Tais faltas são: o desejo de passar por sábio ou nobre aos olhos do mundo, a vaidade no vestir, a busca de comodidades supérfluas, o costume de se dar por ofendido com qualquer palavra picante ou com uma simples falta de atenção, o desejo de agradar a todo o mundo à custa do bem espiritual, a negligência das práticas de piedade por respeito humano, as pequenas desobediências, pequenas aversões contra alguém, pequenas murmurações, pequenas mentiras ou caçoadas, o tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis, em uma palavra, todo o apego às coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar ao abismo. Estas faltas, cometidas com deliberação, nos roubarão, pelo menos os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma, da queda no pecado.

O HOMEM DO POÇO


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O belga Jacques Leclecq, num velho livro sobre o ano litúrgico, contava a “parábola” do homem que morava no fundo de um poço: pequeno, estreito, escuro e úmido. A lama e a umidade eram a sua inseparável companhia. Mas lá estava ele vivendo; melhor dizendo, lá estava vegetando.
Um dia sentiu vontade de olhar por cima do poço. Deu um pulinho, pôs as mãos na beirada, fez força, ergueu-se um pouco e viu o esplendor da terra: árvores, caminhos a perder de vista no horizonte, montanhas, relva ensolarada dos pastos, flores, pássaros… Após uns instantes de deslumbramento, o homem abaixou a vista e resmungou: – “Tudo isto é muito complicado”. E voltou a encolher-se no fundo do poço.
É bom que nós pensemos se – depois de tantos sonhos – não ficamos sendo “homens do poço”, que correm o perigo de ir vegetando pela vida, e de acabá-la no escuro, sem sentido nem fruto. Como o protagonista daquele romance já esquecido que se intitulava «Viveu para nada».

Adaptação de um trecho do livro As verdadeiras alegrias


Os maiores cuidados que tens são pelas coisas do Céu ou pelas coisas da terra?


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Jesus Cristo foi posto em um sepulcro novo de pedra, onde ninguém tinha sido enterrado; e José o fechou com uma grande pedra. Considerai e imaginai como se ordenou e se deu aquela santa procissão, onde acompanhavam inumeráveis Anjos do Céu, sendo o sagrado corpo levado por São João, José, Nicodemos e pelo Centurião. Eles caminharam para um horto, onde José tinha um sepulcro, e nele depositaram aquele sagrado tesouro. E partindo dali para o Cenáculo, todos ali deixaram os seus corações. Porque onde fica o tesouro, lá fica o coração.
Notai aqui: muitas pessoas afligem-se por não saberem qual será o seu destino. Não sabem se estão em estado de graça, ou se não estão. Não sabem se irão se salvar, ou não. E por este motivo muito se afligem.
Dize-me: onde tens o vosso coração?
Onde trazes o vosso sentido? O vosso pensamento?
Para onde estais mais inclinados e afeiçoados? É para as coisas de Deus? Ou é para as coisas do mundo?
As maiores fadigas e os maiores cuidados que tens, são pelas coisas do Céu? Ou pelas coisas da terra?
Quando é que tens maior sentimento de pesar? É quando ofendes a Deus e perdes a Deus? Ou quando perdes as coisas deste mundo?
Se me disseres a verdade, tens um desengano certo. Sim, meus irmãos, quem estiver inclinado para a esquerda, mal poderá cair para a direita. Quem estiver inclinado para o mundo, mal poderá subir ao Céu. Finalmente, quem tiver um grande peso de pecados, mal poderá elevar-se ao Reino da Glória, pois só pode entrar neste Reino celeste, e unir-se ao divino, quem estiver desatado e desapegado do terreno.
Ora, isto de fato é assim! Mas, quem se conforma?
Se qualquer um de nós examinar bem seu coração, o que poderá encontrar nele? Encontrará talvez bastantes afetos terrenos, bastantes amores profanos, bastantes inclinações para o mundo, e bem pouca pureza. Há de encontrá-lo talvez cheio de amor próprio e de vaidade. Há de conhecer que tem mais amor e mais inclinação para qualquer pessoa, ou para qualquer coisa, do que para o mesmo Deus. Há de encontrar com sua própria vontade, e com o seu gênio, as suas paixões ainda vivas, e sem mortificação alguma. Finalmente, pode acontecer que não encontre no seu coração senão MUNDO!...
Portanto desenganai-vos: quem é do Céu, parece que já está no Céu. Já lá está com o pensamento, com as inclinações, com os afetos, com as saudades e com o coração! O nosso coração foi feito para Deus. Deus é o seu tesouro, e por isso já deve estar para Deus; e verdadeiro descanso não pode ter sem estar unido ao mesmo Deus. Ora, pois, se Deus é nosso, e se entregou de todo a nós, então sejamos nós também de Deus, e vivamos para Deus, sem que haja reserva em nossos corações. Porque fazendo nós assim, temos sinal de justos e predestinados, e já podemos confiar na divina misericórdia, e andar contentes.

Oração diante da imagem de Jesus crucificado

Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos me prostro em Vossa presença e Vos peço e suplico, com todo o fervor da minha alma, que vos digneis gravar no meu coração os mais vivos sentimentos de Fé, Esperança e Caridade, verdadeiros arrependimento de meus pecados e firme propósito de emenda, enquanto que, por mim próprio considero e em espírito contemplo com grande afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que já o profeta David punha em vossa boca, o Bom Jesus: “Transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos”. 

(Ave Maria, Pai Nosso, Glória ao Pai)

sábado, 22 de junho de 2019

Não sabe o que confessar? 17 perguntas para um exame de consciência de adultos


Uma confissão sincera permite a renovação da alma e a sua abertura à graça de Deus! Estas questões podem ajudar a prepará-la melhor

Osite do Opus Dei em português publicou um conjunto de perguntas que podem ajudar adultos a realizarem seu exame de consciência pessoal prévio a uma confissão.
O texto recorda:
“A confissão é a oportunidade de pedir perdão a Deus e de receber a sua misericórdia. Antes de se confessar, reserve uns momentos de silêncio para refletir no que você fez de errado; no que possa ter prejudicado outras pessoas, e no que você pode fazer para se tornar um cristão melhor. Uma confissão sincera permite a renovação da alma e a sua abertura à graça de Deus. As questões a seguir podem ajudar a refletir sobre as ações de que você deve pedir perdão”.

Exame de consciência (versão para adultos)

  1. Neguei ou abandonei a minha fé? Tenho a preocupação de conhecê-la melhor? Recusei-me a defender a minha fé ou fiquei envergonhado dela? Existe algum aspecto da minha fé que eu ainda não aceito?
  2. Disse o nome de Deus em vão? Pratiquei o espiritismo ou coloquei a minha confiança em adivinhos ou horóscopos? Manifestei falta de respeito pelas pessoas, lugares ou coisas santas?
    Faltei voluntariamente à Missa nos domingos ou dias de preceito?
  3. Recebi a Sagrada Comunhão tendo algum pecado grave não confessado? Recebi a Comunhão sem agradecimento ou sem a devida reverência?
  4. Fui impaciente, fiquei irritado ou fui invejoso?
  5. Guardei ressentimentos ou relutei em perdoar?
  6. Fui violento nas palavras ou ações com outros?
  7. Colaborei ou encorajei alguém a fazer um aborto ou a destruir embriões humanos, a praticar a eutanásia ou qualquer outro meio de acabar com a vida?
  8. Tive ódio ou juízos críticos, em pensamentos ou ações? Olhei os outros com desprezo?
  9. Falei mal dos outros, transformando o assunto em fofoca?
  10. Abusei de bebidas alcoólicas? Usei drogas?
  11. Fiquei vendo vídeos ou sites pornográficos? Cometi atos impuros, sozinho ou com outras pessoas? Estou morando com alguém como se fosse casado, sem que o seja?
  12. Se sou casado, procuro amar o meu cônjuge mais do que a qualquer outra pessoa? Coloco meu casamento em primeiro lugar? E os meus filhos? Tenho uma atitude aberta para novos filhos?
  13. Trabalho de modo desordenado, ocupando tempo e energias que deveria dedicar à minha família e aos amigos?
  14. Fui orgulhoso ou egoísta em meus pensamentos e ações? Deixei de ajudar os pobres e os necessitados? Gastei dinheiro com o meu conforto e luxo pessoal, esquecendo as minhas responsabilidades para com os outros e para com a Igreja?
  15. Disse mentiras? Fui honesto e diligente no meu trabalho? Roubei ou enganei alguém no trabalho?
  16. Cedi à preguiça? Preferi a comodidade ao invés do serviço aos demais?
  17. Descuidei a minha responsabilidade de aproximar de Deus os outros, com o meu exemplo e a minha palavra?
O site do Opus Dei também disponibiliza um guia em formato PDF para ajudar os fiéis católicos a preparem uma confissão mais consciente e profunda. Você pode baixá-lo aqui.

https://pt.aleteia.org/2019/06/14/nao-sabe-o-que-confessar-17-perguntas-para-um-exame-de-consciencia-de-adultos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=weekly_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt