terça-feira, 21 de abril de 2020

Como acalmar seu coração inquieto

WOMAN PRAYING

Tente este conselho dado por Santo Agostinho

Muitas vezes, a gente se encontra perdido ou se sentindo inquieto na vida, sem saber quem somos ou o que devemos fazer. Nesses momentos, é difícil ter qualquer tipo de esperança no trabalho ou em casa. Passamos inúmeras horas pesquisando na Internet respostas para uma dor profunda dentro de nosso coração. Nada parece preenchê-lo, e continuamos nossa jornada da vida vagando sem rumo, sem nenhuma direção.
Santo Agostinho conhecia muito bem essa dor. Ele tentou de tudo, mas nada parecia resolver seu sofrimento e atender seu desejo de melhora. E foi na Bíblia que Santo Agostinho encontrou uma maneira de sair daquela situação. Ele se apaixonou por Deus e, mais tarde, ele escreveu em suas “Confissões”:
“Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.”
Como descreve o Catecismo da Igreja Católica: “O desejo de Deus está escrito no coração humano, porque o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus nunca cessa de atrair o homem para si mesmo. Somente em Deus ele encontrará a verdade e a felicidade que nunca deixa de procurar.”
Então, se você estiver tentando encontrar paz em sua vida, olhe para dentro de si e veja onde e como está seu coração. Considere depositar toda a sua confiança, esperança e amor em Deus, que te ama e cuida de você.
Medite nestas palavras Deus falou ao profeta Jeremias e descanse na paz de Deus:
“Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor –, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança” (Jeremias 29,11). 

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Casamento: a frase mágica para acabar com as brigas

WEB 3 COUPLE-ARGUMENT

Um estresse, uma censura, a voz alterada… Todos os casais já viveram pequenos aborrecimentos diários que podem levar facilmente a uma discussão. No entanto, existe uma solução simples que pode nos ajudar a gerenciar as emoções e evitar ferir o outro

No relacionamento a dois, na hora de uma briga, é muito comum que o tom da voz se eleve. Logo se juntam a isso palavras ofensivas, que deixam uma tensão flutuando no ar. Muitos de nós já experimentaram esse cenário.
Por que, então, às vezes nos permitimos um tom desrespeitoso com nossos entes queridos, especialmente com nosso cônjuge, quando provavelmente não o fazemos com pessoas desconhecidas?
A delicadeza, um segredo para viver bem
A comunicação com as pessoas que conhecemos é uma questão de emoções, que são a base do nosso comportamento.
Moldada por nossas emoções, nossa maneira de interpretar o mundo se torna diferente se estamos zangados, com ciúmes, com medo ou apaixonados, por exemplo. Assim são também nossos relacionamentos humanos.
E nossas reações acontecem antes mesmo de termos consciência disso. Nossas emoções às vezes nos colocam “fora de nós”.
Como o filho pródigo, precisamos tirar um tempo para entrar em nós mesmos, a fim de tomarmos consciência de nosso próprio papel nas situações em questão. Isso nos permitirá nos aproximar daqueles com quem estamos conversando.
A raiva é uma péssima conselheira, assim como o medo. Para manter o controle, precisamos nos acostumar a não reagir na hora, nos dando tempo para dar um passo atrás e pensar.
Podemos dizer à outra pessoa algo como:
Minhas emoções estão confusas sobre o que foi dito entre nós e por isso eu prefiro esperar para ter mais calma antes de continuar a falar sobre esse assunto.
A delicadeza em nossa maneira de falar expressa a atenção e o respeito que temos pelos outros. Ela é tão necessária quanto a nossa atenção ao outro, em coisas pequenas e grandes, e nos deixa muito felizes. Será que a delicadeza não seria um segredo para viver bem juntos?

Marie-Noël Florant (Conselheira conjugal e familiar)

https://pt.aleteia.org/cp1/2020/03/02/relacionamento-se-voce-quer-por-fim-as-discussoes-adote-essa-atitude/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

10 filmes para assistir na quarentena

DWÓCH PAPIEŻY

Seleção traz histórias edificantes disponíveis por streaming 

Nesta quarentena, com tanto tempo em casa, a arte torna-se aliada para nos entreter, passar o tempo e ampliar nossa bagagem cultural. O período em distanciamento social é uma ótima oportunidade para colocar filmes, livros e discos que, na correria do dia a dia, acabamos deixando passar. Selecionamos dez filmes, disponíveis nos principais serviços de streaming e compostos por histórias edificantes, para lhe auxiliar nessa busca.

1- Dois Papas (2019), de Fernando Meirelles 

Dirigido pelo premiado cineasta brasileiro de Cidade de Deus, o longa foi indicado ao Oscar de melhor ator (Anthony Hopkins), melhor ator coadjuvante e melhor roteiro. Inspirado em fatos reais narra a bela história de aproximação entre Papa Francisco (Jonathan Price) e Papa Bento XVI (Hopkins).
Onde assistir: Netflix

Em 1998, um jornalista da revista Esquire é incumbido de escrever um perfil de Fred Rodgers, interpretado por Tom Hanks, que teve um programa televisivo de sucesso nos anos 1960. A princípio cínico, o jovem perceberá não só estar diante de um sujeito interessante, como com quem tem muito a aprender.
Onde assistir: Amazon Prime ou disponível para locação no Google Play

3- História de um Casamento (2019), de Noah Baumbach

Indicado em seis categorias do Oscar 2020 e vencedor na categoria melhor atriz coadjuvante (Laura Dern), esta tocante história narra as dificuldades de convivência de um casal com filho pequeno. Ao longo do filme, o homem (Adam Driver) revê seus erros e encontra empatia pela mulher (Scarlett Johansson).
Onde assistir: Netflix

4- O Lado Bom da Vida (2012), de David O. Russel 

Depois de quatro anos internado em um hospital psiquiátrico, Pat Solitano (interpretado por Bradley Cooper) sai à procura de se reconciliar com a mãe e com a ex-mulher. Para isso, conta com o apoio da amiga Tiffany (Jennifer Lawrence), que lhe ajuda a descobrir o talento para dançar.
Onde assistir: Netflix e Amazon Prime

5- Contágio (2011), de Steven Soderberg

Com elenco composto por estrelas como Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Judd Law e Kate Winslet, entre outros, esse filme conta a história de uma pandemia, iniciada em Hong Kong a partir de um vírus derivado de morcegos e porcos, e sua chegada aos Estados Unidos e à Inglaterra. Recentemente se tornou um dos filmes mais assistidos nos serviços de streaming.
Onde assistir: HBO Go, Now Online ou disponível para locação no YouTube, no Google Play e no iTunes

6- Um Sonho Possível (2009), de John Lee Hancock

Tudo parecia que daria certo para Michael Oher (Quinton Aaron), um jovem negro e pobre, que ganha uma bolsa de estudos para cursar a faculdade jogando futebol americano. Ele acaba conhecendo Leigh Anne (Sandra Bullock), que o ajuda a descobrir todo seu potencial humano.
Onde assistir: HBO Go ou disponível para locação no Google Play e no iTunes

7- Gran Torino (2008), de Clint Eastwood

Walt é um veterano de guerra carrancudo e amargurado. Em dada noite, um jovem asiático tenta roubar o precioso Ford Gran Torino em sua garagem. O aposentado, com o intuito de desmontar a gangue por trás do crime, desenvolve uma improvável amizade com o garoto.
Onde assistir: disponível para locação no Google Play e no YouTube

8- Uma História Simples (1999), de David Lynch

É o filme mais convencional e sensível na extravagante filmografia do diretor David Lynch. Baseado em fatos reais, conta a história de um idoso que viaja por 500 km pelas estradas dos EUA para se reconciliar com o irmão, que está em estado terminal. 
Onde assistir: HBO Go e Amazon Prime 

9- O Gênio Indomável (1997), de Gus Van Sant

Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado, conta a história de Will Hunting (Matt Damon), um jovem delinquente e superdotado que é obrigado pela justiça a fazer terapia. Seu psicólogo (Robin Williams) o ajudará a superar seus traumas e a usufruir de seu potencial. 
Onde assistir: Netflix, Amazon Prime e disponível para locação no Google Play


10- Safe (1995), de Todd Haynes

Tocante história, baseada em fatos reais, de uma dona de casa, interpretada por Julianne Moore, que se descobre portadora de uma alergia rara a diferentes produtos industrializados. Em busca da cura, ela redescobre a natureza e se reconecta com sua espiritualidade.  
Onde assistir: Amazon Prime 

https://pt.aleteia.org/2020/04/17/10-filmes-para-assistir-na-quarentena/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 19 de abril de 2020

O SIGNIFICADO DE MISERICÓRDIA NA BÍBLIA



Oración a la Divina misericordia para ser feliz, próspero y bendecido

A palavra Misericórdia tem origem latina, e é formada pela junção de miserere “ter compaixão”, e cordis “coração”. “Ter compaixão de coração”, significa ter a capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente; aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém; ser solidário com as pessoas. Portanto, a Misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia. Esse sentimento de ser misericordioso é atribuído a Deus nas diferentes religiões, incluindo o Cristianismo, o judaísmo e também no Islamismo.

NO ANTIGO TESTAMENTO
No Antigo Testamento as palavras que falam de Misericórdia são: Hesed e Rahªmim.

Hesed, que significa favor não merecido, afabilidade, benevolência e denota graça divina e Misericórdia. O termo em hebraico “hesed”, também indica uma profunda atitude de «bondade». Quando esta disposição se estabelece entre duas pessoas, estas passam a ser, não apenas benévolas uma para com a outra, mas também reciprocamente fiéis por força de um compromisso interior.

Hesed, expressa um presente imerecido e inesperado de graça divina que vai além de todas as expectativas e categorias humanas.  A Misericórdia é, sem dúvida, a qualidade predominante de Deus para com o ser humano (Ex 34, 6, Sl 86, 15). Com o povo de Israel, Deus é compassivo, paciente e tolerante, ao ponto em que todo o bem que acontece com o ser humano é o resultado de Misericórdia de Deus, que se estende a todos (Jn 4,1-11) e dura para sempre (Sl 136).

Quando no Antigo Testamento o vocábulo hesed é referido ao Senhor, acontece sempre em relação com a aliança que Deus fez com Israel. Esta aliança foi da parte de Deus um dom e uma graça para Israel. Contudo, uma vez que Deus, em coerência com a Aliança estabelecida, tinha-se comprometido a respeitá-la, hesed adquiria, em certo sentido, um conteúdo legal. O compromisso “jurídico” da parte de Deus, deixava de obrigar quando Israel infringia a aliança e não respeitava as condições da mesma. E era precisamente então que hesed, deixando de ser uma obrigação jurídica, revelava o seu aspecto mais profundo: tornava-se manifesto aquilo que fora ao princípio, ou seja, amor que doa, amor mais potente do que a traição, graça mais forte do que o pecado.

Rahªmim o matiz do seu significado é um pouco diverso do significado de hesed. Enquanto hesed acentua as características da fidelidade para consigo mesmo e da “responsabilidade pelo próprio amor”; rahªmim denota o amor da mãe (rehem= seio materno). Do vínculo mais profundo e originário da unidade que liga a mãe ao filho, brota uma particular relação com ele, um amor particular. Deste amor pode-se dizer que é totalmente gratuito, não fruto de merecimento, e que, sob este aspecto, constitui uma necessidade interior: é uma exigência do coração. Sobre este fundo psicológico, rahªmim dá origem a uma gama de sentimentos, entre os quais a bondade, a ternura, a paciência e a compreensão, florescem como prontidão para perdoar.

Convém contextualizar o termo hesed à família de palavras em hebraico que remete a três raízes: hânan, râham e hâsad. Os significados destes três termos no Antigo Testamento convergem para a tradução como “Misericórdia”, mas devido a riqueza e complexidade semântica aparecem, dependendo do contexto e tradução como bondade, benignidade, solidariedade, graça, lealdade...

Assim, começando pelo livro do Êxodo: “O Senhor, o Senhor, o Deus compassivo e clemente, paciente, misericordioso e fiel, que conserva a Misericórdia até a milésima geração…” (Ex 34, 6-7a).

Passando por Oséias, pelo capítulo 16 de Ezequiel, o Cântico dos Cânticos, o livro da Consolação (Is 54, 5-10 e Is 62, 4-5) “Tua terra será chamada desposada. Assim teu criador te desposará, assim encontrará em ti sua alegria”. Misericórdia que encontra na amorosa mãe uma imagem – como no capítulo 11 do livro de Oséias: “Israel era ainda criança, e já eu o amava”; ou no capítulo 49 de Isaías: ”O Senhor chamou-me desde o meu nascimento; ainda no seio de minha mãe, Ele pronunciou o meu nome”; Is 49, 15: Mesmo que uma mãe se esquece-se do seu filho, nunca me esquecerei de ti. Is 66: “Sereis carregados no colo e acariciados no regaço”.

Na Misericórdia do Senhor para com os seus, manifestam-se todos os matizes do amor: Deus é para eles Pai (Is 63,16), dado que Israel é seu filho primogênito (Ex 4, 22); ele é também o esposo daquela a quem o Profeta anuncia um nome novo: “bem amada” (ruhama), porque será usada Misericórdia para com ela (Os 2,3). Mesmo quando o Senhor, exasperado pela infidelidade do seu povo, decide acabar com ele, são ainda a compaixão e o amor generoso para com os seus que o levam a superar a sua indignação (Os 11,7-9).

E então, torna-se fácil compreender a razão pela qual os salmistas, ao quererem cantar ao Senhor os mais sublimes louvores, entoarão hinos ao Deus do amor, da compaixão, da Misericórdia e da fidelidade (Sl 103). De tudo isso se deduz que a Misericórdia, além de fazer parte de Deus, é algo que caracteriza a vida de todo o povo de Israel e de cada um dos seus filhos e filhas: é o conteúdo da intimidade com o seu Senhor, o conteúdo do seu diálogo com Ele. Precisamente sob este aspecto, a Misericórdia é apresentada em cada um dos Livros do Antigo Testamento com uma grande riqueza de expressões.

Deste modo, a Misericórdia se contrapõe, em certo sentido, à justiça divina; e revela-se em muitos casos, não só mais potente, mas também mais profunda do que ela. Já no Antigo Testamento se ensina que, embora a justiça no homem seja autêntica virtude e em Deus signifique a perfeição transcendente, contudo o amor é “maior” do que a mesma justiça; e é maior no sentido de que, relativamente a ela, é primário e fundamental.
A Misericórdia motiva a prece e fundamenta a confiança do povo de Israel. Adia o castigo, mitiga-o e até mesmo o suspende, e triunfa libertando o necessitado. A Misericórdia é o arco extremo que abrange todas as etapas históricas e estabelece a última: porque a Misericórdia de Deus torna a conversão possível e a transformação do homem real.

NO NOVO TESTAMENTO
O termo Misericórdia no Novo Testamento é identificado com o substantivo grego “eleos”. Também é definido com o verbo grego “eleao”. Tanto o substantivo como o verbo significam o sentimento que é experimentado no infortúnio que aflige a outra pessoa e a ação que decorre desse sentimento. Portanto, a Misericórdia de Deus no Novo Testamento se revela como um amor compassivo que vai onde há sofrimento e cura todo tipo de males, mas também revela que é um Deus que perdoa, reconcilia e regenera o homem. Jesus dá mostras constantes dessa Misericórdia em sentimento e em obras: à multidão (Mc 6,34) aos doentes (Mt 14,4), à viúva (Lc 7,13). Também revela o perfil do Pai como sendo um Deus rico em Misericórdia (Lc 15,20).

O verbo “eleein”, no sentido de ter compaixão, ajuda compassiva, piedade, aparece nos sinópticos nas histórias sobre eventos que destacam a irrupção da Misericórdia divina em desgraças humanas (Mc 5,19, 10,47,48: Mt 20,30,31 e Lc 18,38,39). Existe o termo em consonância com a “yess” hebraica (bondade), no Antigo Testamento, que é o comportamento que Deus exige que uma pessoa observe com outra (Lc 10, 25-37). Em Mateus 5,7; 18, 33, o verbo ”eleeo”, expressa a Misericórdia que uma pessoa deve sentir em relação a outra.

Os evangelhos falam sobre a vida de Jesus, uma vida desenvolvida sob o signo da Misericórdia de Deus que intervém na história da humanidade. A vida de Jesus é a cumprimento da promessa e da salvação (Mt 1,22), no contexto de uma história de Compaixão de Deus pela humanidade (Lc 1,50-78). Jesus anuncia Misericórdia por onde anda, pois Ele é a Misericórdia de Deus que se faz presente no meio do seu povo.  Isso é a grande verdade que os evangelhos anunciam. Em Marcos e Lucas, essa Misericórdia é expressada pelo anúncio do reinado de Deus que faz Jesus (Mc 1,1,14). Esta enunciação realizada com sinais que restabelecem a dignidade das pessoas e eles mostram que Jesus veio para “Anunciar as boas novas aos pobres e proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-21).

Jesus não só cura os doentes (Mc 2,17; Lc 5:21), também restaura dignidade dos que são excluídos, por não cumprir com o Parâmetros morais ou religiosos, em seu tempo, e oferece reconciliação aos necessitados de perdão e compreensão. Isto é demonstrado pela sua atitude cheia de indulgência e favor dos pecadores, que acham nele um “amigo” (Lc 5,34), que não tem dúvidas sobre seu coração, apesar das dúvidas de muitos, chegando até mesmo sentar-se em sua mesa (Lc 5,27-32; 7,36-50; 15,1-2; 19,1-10).

Por outro lado, Jesus procura com suas palavras comunicar claramente o significado da Misericórdia de Deus, especialmente através de parábolas que as pessoas entendem. As chamadas parábolas da Misericórdia (Lc 15,3-20) diz Jesus para justificar sua compaixão e condescendência com publicanos e pecadores (Lc 15,1-2). As duas primeiras, a da ovelha perdida e o do Dracma que perdeu (15,3-10), são analogias da alegria que causa a conversão no céu, mesmo que seja apenas um pecador. Para Jesus, aqueles que não merecem Misericórdia, de acordo com os fariseus, são comparáveis à ovelha ou ao dracma perdido e encontrado.

A terceira mostra como um Filho pródigo e libertino está, ansiosamente, aguardado pelo seu próprio pai, que aguarda seu retorno e que, quando visto de longe, o reconhece, enche seu coração de compaixão e corre para abraçá-lo (Lc 15, 11-32). É a imagem mais vívida do amor ilimitado do Pai celestial.  Jesus revela que Deus não mantém a ira contra ele pecador, mas espera pacientemente por sua volta para casa com os braços abertos. Esta imagem ocupa o centro da mensagem de Jesus sobre Deus. Para Jesus, Deus é Pai, porque apenas o amor de pai ou mãe podem explicar o amor incondicional e gratuito de Deus.

O apóstolo Paulo apresenta Jesus Cristo como rosto da Misericórdia divina: Cristo, tendo feito tudo semelhante aos irmãos e tendo experimentado em sua própria carne a dureza do sofrimento humanos (Hb 2,17-18), é “Imagem de Deus invisível, primogênito de toda a criação” (Cl 1,15; cf 2 Cr 4: 4), o Filho o unigênito do Pai, o “reflexo de sua glória, expressão do seu ser” (Hb 1,3). O mistério do "Pai das Misericórdias" (2Cr 1,3; St 5,11), que concedeu sua piedade a Paulo (1Cr 7.25; 2Cr 4.1; 1Tm 1.13) e cumpriu as promessas todos os crentes (Mt 5,7; ITim 1,2; 2Tim 1,2; Tit 1,4; 2Jn 3).

CONCLUSÃO
Percebe-se que nos escritos bíblicos é proclamada a Misericórdia do Senhor por intermédio de vários eventos e de diferentes formas, assim como são usadas diferentes palavras que expressam a mesma realidade da Misericórdia de Deus. Embora sejam somente palavras humanas, mas tendem a convergir num significado teológico, para expressar o um único conteúdo transcendental, que exprime a riqueza divina da Misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo que a revela, a aproxima do homem sob aspectos diversos.

Portanto, a Bíblia encoraja os homens desventurados, sobretudo os que estão oprimidos pelo pecado, assim como todos os homens que têm aderido à Aliança com Deus, a fazerem apelo à Misericórdia e permite-lhes contar com ela. Em seguida, manifesta a necessidade se dar graças e glória a Deus pela Misericórdia, todas as vezes que ela se tenha manifestado e realizado na vida das pessoas.

Assim como na pregação dos Profetas, a Misericórdia significa a especial força do amor, que prevalece sobre o pecado e sobre a infidelidade do povo eleito. Também hoje o homem é chamado a viver a Misericórdia de Deus quando está distante do caminho de Deus, longe do Pai, e, portanto, vive uma vida distorcida de dos valores cristãos, é nesse momento que mais precisa dos cuidados do Pai amoroso e misericordioso que espera com os braços abertos para que o homem volte para a casa paterna junto de Deus.

A Misericórdia divina é a qualidade quase predominante de Deus com relação ao homem; inclui os aspectos de compaixão, ternura, clemência, piedade, paciência, tolerância. A rigor, todo benefício de Deus ao homem tem carácter de Misericórdia, pois não se baseia em direitos ou méritos humanos, mas na própria essência de Deus.

Para o Papa Francisco, a Misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um rosto para reconhecer, contemplar e servir. E assim o manifesta na Bula da Misericórdia com que convoca o Jubileu: “Jesus de Nazaré com a Sua palavra, com os seus gestos e com toda a Sua pessoa revela a Misericórdia de Deus. N’Ele não há nada em que falte compaixão”. O Papa anima todos os cristãos a serem misericordiosos uns com os outros porque “a Misericórdia é a chave que sustenta a vida da Igreja”. Pois Jesus em “Sua Pessoa não é outra coisa senão Amor, um amor que se doa e oferece gratuitamente. Os sinais que realiza, sobretudo para com os pecadores, para com as pessoas pobres, excluídas, doentes e em sofrimento, levam consigo o distintivo da Misericórdia”.


Bibliografia Consultada
1 – A Bíblia do Peregrino.
2 – Chave Bíblica.
3 – Harris, R. Laird, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.
4 – Smith, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento.
5 – Gonzáles, Justo L. Diccinario Manual Teológico,
6 – Martín A. (1969) Teología de la Esperanza, Respuesta a la Angustia Existencia.
7 – Comentario al Nuevo Testamento, William Barclay. 1999 por CLIE para la versión española. Publicado originalmente en 1970 y actualizado en 1991 por The Saint Andrew Press, Escocia.

Elías Nova Nova
Diplomado em Teologia – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE | Belo Horizonte, Brasil (2002)
Licenciatura Plena em Filosofia e Letras – Universidade de Santo Tomás de Aquino | Bogotá, Colômbia (1996)

https://www.portalcatolico.org.br/single-post/2017/11/16/O-SIGNIFICADO-DE-MISERICÓRDIA-NA-BÍBLIA

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Reflexão para a noite

(( REFLEXÃO PARA A NOITE ))

*ENSINAMENTOS DOS PADRES DO DESERTO.*


*Caminho dos Ascetas*

*Momentos de Escuridão*

Ora o céu está nublado, ora claro; depois se torna novamente chuvoso. Assim é também a natureza humana. É sempre de se esperar que, de quando em quando, as nuvens cubram o sol. Os próprios santos conheceram momentos, dias e semanas de escuridão. Diziam então que "Deus os havia abandonado," para fazê-los tomar verdadeiramente consciência da radical pobreza que vivem quando são entregues assim, a si mesmos, e privados de apoio. São inevitáveis esses momentos de escuridão, em que tudo parece sem sentido, absurdo e vão, em que a gente é importunada pela  dúvida e tentações. Mas, até eles podem ser proveitosamente utilizados.

*Santa noite queridos irmãos e irmãs!*

_Não esqueça de convidar Jesus e os Anjos a estarem contigo nessa noite e nas outras também. Assim como entregamos nosso dia é preciso entregar a noite também!_

*filhosespirituaisdepepio.blogspot.com*

SALMOS: ASAS PARA FUGIR DO MAL

Fuja da aparência do mal

─ Temor e tremor me invadem… Então digo: “Ah! Se eu tivesse asas como a pomba para voar em busca de descanso… Fugiria para longe (Salmo 55,6-8).
Todos nós, em momentos difíceis da nossa vida, sentimos o desejo de fugir. Às vezes, esse desejo foi bom. Outras vezes, ruim. Vamos ver – nesta e mais duas meditações – cara e coroa desse impulso de fuga.
É santo o desejo de fugir de tudo o que nos faz mal e prejudica os outros; fugir sobretudo do que nos afasta de Deus e nos leva a ofendê-lo.
Pensemos, por exemplo, em três fugas que certamente são boas:
  • Fugir das ocasiões de pecado. É o que São Pedro não fez, no início da Paixão de Jesus. Cheio de boa vontade, conseguiu entrar no átrio da casa do sumo sacerdote, onde Jesus estava detido e acorrentado e se iniciava o processo que o levaria à cruz. Queria acompanhar de perto o que iria acontecer com o Mestre.
Esqueceu-se, porém da sua fraqueza. Na Última Ceia, horas antes, havia prometido a Jesus: Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu jamais me escandalizarei (Mt  26,33). Bastou, no entanto, um primeiro embate, e caiu. Uma empregada da casa, quando o viu, disse-lhe: Também tu estavas com Jesus, o galileu. Pedro tremeu de medo (“vai ver que me denuncia, eu também vou ser preso”), e negou diante de todosNão sei o que dizes!.
Ficou assustado, mas não se afastou da área de perigo, de maneira que, diante de mais duas interpelações recaiu, praguejando e jurando: Não conheço este homem!  O galo então cantou pela seguna vez, tal como Jesus havia anunciado, e Pedro, arrasado, saiu fora da casa e chorou amargamente (Mt 27,69-75).
Você não vê que essa passagem da vida de Pedro nos fala das nossas covardias, das nossas quedas, das traições com que negamos a nossa fé e o nosso amor?
Por que isso? Muitas vezes, simplesmente, porque não temos a coragem de fugir. Dessa coragem falam muitos santos:
«O último recurso que tenho – dizia santa Teresinha –para não ser vencida nos combates da vida é fugir… A minha última tábua de salvação é a fuga»[1].
E são Filipe Neri: «Na guerra contra a sensualidade, vencem os covardes», os que fogem da ocasião perigosa[2].
Da mesma forma, são Josemaria: «Não tenhas a covardia de ser “valente”; foge!»[3].
Quantas reincidências temos nós, por não seguir esse conselho dos santos! Difamamos e caluniamos o próximo, porque não temos coragem de sair de um grupo que só comenta intrigas e mexericos. Ou caímos porque não largamos a “balada” que sempre acaba nos levando a pecar contra a castidade e a fidelidade conjugal. Ou não damos um basta  ao vício da pornografia na internet, deletando e fugindo. Ou não sabemos segurar a língua para evitar uma discussão violenta, que pode ter consequências ruins.
  • Fugir da tentação das desculpas. Uma das fraquezas que mais amolecem o caráter e prejudicam a vida espiritual são os pretextos e as desculpas.
«Pretextos. – Nunca te faltarão para deixares de cumprir teus deveres. Que fartura de razões… sem razão! Não pares a considerá-las. – Repele-as e cumpre a tua obrigação»[4].
No capítulo 14º do Evangelho de são Lucas, há um relato de Cristo que poderíamos chamar “a parábola dos pretextos”. Fala de um homem (símbolo Deus) que deu um grande jantar e convidou a muitos… “Vinde, está tudo pronto!” Mas todos , unânimes, começaram a se desculpar. O primeiro disse: “Comprei um terreno e preciso vê-lo…; Outro lhe disse: “Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las”… Outro ainda disse: “Casei-me, e por esta razão não posso ir”.
O anfitrião, indignado, exclui-os da participação na sua mesa, símbolo da união com Deus: Eu vos digo que nenhum daqueles que haviam sido convidados provará o meu jantar” (Lc 14,16-24).
Será que nós não agimos, com demasiada frequência, como esses convidados relapsos?
Somos convidados por Deus para um encontro pessoal com ele na Eucaristia e na oração, ou ele nos pede melhorar o trabalho, ou colaborar com um serviço ao próximo, ou fazer um maior sacrifício em bem da família, ou levar a sério a formação cristã… , e fugimos, achamos desculpas, com máscara de razão e vestes esfarrapadas.
Faltam-nos asas de coragem e responsabilidade para fugir das desculpas.
  • Fugir da autossuficiência do ignorante. Só algumas palavras a respeito disso, começando por uns comentários realistas do cardeal Ratzinger. Falando do «resultado catastrófico da catequese moderna», dizia: «Sem querer condenar a ninguém, é evidente que hoje a ignorância religiosa é tremenda, é só conversar com as novas gerações (…). No posconcílio não se conseguiu, evidentemente, transmitir concretamente os conteúdos da fé cristã. Precisamos nos conscientizar de que não mais conhecemos o Cristianismo»[5].
Onde falta conteúdo, sobra conversa fiada, sobram opiniões sem fundamento, meros palpites religiosos; e, o que mais grave, falta uma “verdade” sobre a qual alicerçar a nossa fé. Daí a urgência de não nos acomodarmos na nossa ignorância religiosa, ficando assim vulneráveis ao contágio de  todos os erros, “interpretações” e confusões dominantes no ambiente.
Insisto. É preciso ter sinceridade e não andar nus – como o rei do famoso conto – imaginando que estamos vestidos. Faz-nos uma falta imensa, urgente, procurar a formação doutrinal católica que não recebemos e, portanto, não possuímos. E precisamos reconhecer que, para isso, é necessário ler, aprender, estudar constantemente, uma vez que nunca estamos suficientemente formados.


[1] Manuscrito C fol 14v-15r.
[2] Pietro Bacci, Vita de san Filippo Neri, 2,13,18
[3] Caminho, n. 132
[4] Ibidem, n. 21
[5] Dag Tessore: Bento XVI. Questões de fé, ética e pensamento na obra e Joseph Ratzinger. Ed. Claridade, São Paulo 2005, pág. 30