terça-feira, 10 de março de 2020

Nunca desista de lutar contra o pecado



Sempre é tempo de conversão!

O pecado é o grande mal desta vida; custou a vida de Deus morto na cruz para podermos ficar livres dele. Ele é a raiz mais profunda de todos os males. São Paulo diz que “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23); quer dizer, toda lágrima, toda dor e a morte, têm a sua causa primeira no pecado, desde o pecado original até os nossos pecados pessoais. O pecado é “amor de si mesmo até ao desprezo de Deus”, disse S. Agostinho (A cidade de Deus, 14,28).
Jesus veio nos trazer a libertação contra a “escravidão do pecado”. “Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado pelo pecado” (Rom 6,6).
Deus disse Caim: “É verdade, se fizeres o bem, andarás de cabeça erguida; mas se fizeres o mal, o pecado estará à porta, espreitando-te. Tu, porém, poderás dominá-lo” (Gen 4,7). É possível dominar o pecado com a graça de Deus. Não temos desculpas diante da derrota para o pecado. São Paulo disse que:
“Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (1 Cor 10,13).
Se Deus não nos abandona na tentação, então, se caímos no pecado é porque não fizemos o que Jesus mandou: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito é forte, mas a carne é fraca” (Mt 26,41). Sem vigiar e orar não venceremos o pecado. Deus avisa: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Eclo 3,27).
Deus disse a seu povo: “O mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças, nem fora de teu alcance… Mas esta palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração: e tu a podes cumprir” (Deut 30,11-13). Podemos cumprir os mandamentos de Deus e não pecar.
A Bíblia traz várias listas de pecados. “As obras da carne são manifestas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos previno, como já vos preveni: os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5,19-21). Outras listas podem ser vistas em Rm 1,28-32; 1Cor 6,9-10; Ef 5,3-5; Cl 3,5-9; 1Tm 1,9-10; 2Tm 3,2-5.
Temos de lutar com todas as forças contra o pecado porque ele nos separa de Deus e mata a nossa alma. São Tomás de Aquino diz que “há duas mortes; a primeira quando o corpo se separa da alma; a segunda quando a alma se separa de Deus”. Para a primeira haverá a ressurreição; mas para a segunda não há solução, a alma se separa definitivamente de Deus, é o inferno, a frustração absoluta e definitiva.
O Catecismo diz que: “O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso” (n.1861).
Fomos criados para participar da vida bem-aventurada, feliz, de Deus; viver sem ele, para sempre, é a morte da alma. Santo Agostinho disse que “é desígnio de Deus que toda alma desregrada seja para si mesma o seu castigo”. “Eu pecava, porque em vez de procurar em Deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros. Por isso precipitava-me na dor, na confusão e no erro”. O salmista diz que “O que ama a iniquidade odeia a sua alma” (Sl 10,6). O pecado é a nossa tristeza, a santidade é a nossa alegria, diz o Santo.
É tão grave o pecado que a Carta aos hebreus manda “resistir até o sangue na luta contra o pecado” (Heb 12,4). Muitos preferiram o martírio do que o pecado.
Na Quaresma, sobretudo, Deus nos dá uma grande oportunidade de conversão, de deixar o pecado, de romper com o mal. O profeta Joel nos pede: “Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, pronto a arrepender-se do castigo que inflige” (Joel 2,13).
Você vê que no carnaval, muitas pessoas se escondem atrás de máscaras, de fantasias, para fazer o que querem, o que acham que as fazem se sentir melhores (de uma certa forma). Da mesma maneira, também em nossa relação com Deus fazemos isso, mascaramos nossos pecados para nos sentirmos melhores (de certa forma). Fugimos de Deus e de nós mesmos. Se não formos sinceros com Deus, não podemos crescer em nossa vida interior, não podemos ter uma verdadeira conversão, e esfriamos na fé. É preciso coragem para enfrentar a nós mesmos e nossos pecados e nos voltarmos de coração a Deus.
A Igreja nos dá os remédios contra o pecado: a vigilância sobre os sentidos, o jejum, a esmola, a oração, a meditação da Palavra de Deus e de bons livros, a Confissão e a Eucaristia. Quem usa esses remédios, mesmo que caia, acaba vencendo sobre os pecados. É uma luta dura, mas necessária, sem a qual não podemos agradar a Deus e ser felizes.
“O jejum purifica a alma, eleva os sentidos, sujeita a carne ao espírito, faz-nos contrito e humilhado o coração, dissipa o nevoeiro da concupiscência, extingue os odores da sensualidade, acende a verdadeira luz da castidade”, diz S. Agostinho.
O profeta nos diz: “Volta, Israel, ao Senhor teu Deus, porque foi teu pecado que te fez cair” (Oséias 14, 1). “Eis o que diz o Senhor à casa de Israel: Buscai-me e vivereis!” (Amós 5, 4). “Buscai o bem e não o mal, e vivereis; e o Senhor Deus dos exércitos estará convosco, como o dizeis” (Amós 5, 14).
Nunca podemos desanimar na luta contra o pecado, pois o Catecismo nos diz que: “Não há pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero”. Cristo. que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” (n.982).
Prof. Felipe Aquino

sexta-feira, 6 de março de 2020

A SANTIDADE NO TRABALHO COTIDIANO[1]


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         Ponto de luz«Ao ser assumido por Cristo, o trabalho se nos apresenta como realidade redimida e redentora: não é apenas a esfera em que o homem se desenvolve mas também meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora» (É Cristo que passa, n. 48).
O carpinteiro, filho do carpinteiro
A primeira coisa que lembra são Josemaria nesta frase é que o trabalho humano foi assumido por Cristo. Este é o ponto de partida desta meditação e das que vêm a seguir.
Que nos diz o Evangelho? Comecemos por umas palavras de São Lucas: Quando Jesus iniciou o seu ministério público, tinha cerca de trinta anos, e era tido como filho de José (Lc 3,23).
Ao começar a pregar o Reino de Deus e a avalizar a sua pregação com os milagres, Jesus tinha cerca de trinta anos. Antes disso, o que fez?
A resposta a encontramos em uma frase dos conterrâneos de Jesus na  cidadezinha de Nazaré, a aldeia que o viu crescer, tornar-se adolescente e chegar à maturidade.
Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe?. Era a primeira vez que Jesus pregava na sinagoga de sua aldeia, deixando admirados os que o ouviam: De onde lhe vem esta sabedoria e esta força miraculosa? (Mt  13,54-55).
Isso significa que Jesus era conhecido, como a maioria de nós, pela sua família e pelo seu trabalho.
Indo mais a fundo, isso significa que Jesus, Deus feito homem, quis passar a maior parte de sua vida – cerca de trinta anos – trabalhando e convivendo com Maria e José, no calor de um lar, sem se dedicar a nada fora da vida e do trabalho ordinários.
Sim, o próprio Deus – o Verbo encarnado – assumiu o trabalho humano e a família, e os transformou em vida e experiência sua, em algo de divino e, portanto, realidade santa.
Por isso, entende-se que são Josemaria, inspirado por Deus, proclamasse sempre que o trabalho é – como citávamos acima – «meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora».
De forma sucinta, dava aos seus filhos este lema: «A nossa vida pode-se resumir dizendo que temos que santificar a profissão, santificar-nos na profissão, e santificar outros com a profissão»[2].

Santificar a profissão
             Como você acha que foi o trabalho de Jesus na oficina de José?
Sem a menor dúvida, foi um trabalho bem feito, acabado com carinho. Imitar Jesus nisso é a primeira condição para «santificar o trabalho»: fazê-lo bem, com a maior perfeição possível – dentro das nossas limitações –, transformando-o assim numa obra digna de ser ofertada a Deus.
Você acha que daria para falar de «amor» perante um trabalho marretado, «despachado» às pressas, incompleto, defeituoso?
Jesus colocava muito amor no trabalho porque, naqueles trinta anos da vida oculta, via nas tarefas diárias a vontade do Pai, que está comigo; e não me deixou sozinho, porque faço sempre o que lhe agrada (Jo 8,29).
Com isso, desvenda-se para nós outra luz sobre o trabalho santificado: fazê-lo sempre na presença de Deus, que «está aqui, que me vê e que me ouve». Ao dedicar-nos ao trabalho, em qualquer momento podemos escutar o Senhor que nos diz, no íntimo da alma: «Cuida bem disso» E procuraremos responder-lhe: «Com a tua ajuda, vou me esforçar para que fique o melhor possível».
«Persuadi-vos – escrevia são Josemaria – de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. É só oferecê-lo a Deus e pôr mãos à obra, que já Deus nos escuta e nos alenta»[3].
Era muito agradável ouvir são Josemaria dizer: «Diante de Deus, nenhuma ocupação é em si grande ou pequena. Tudo adquire o valor do Amor com que se realiza»[4] (ele sempre escrevia com A maiúsculo a palavra amor, referida a Deus). Quando visitava a Universidade de Navarra, da qual era fundador e Grão Chanceler, comentava que, se alguém lhe perguntasse qual era o trabalho mais importante naquela Universidade, não saberia dizer se era o do Reitor ou o da mais simples encarregada da limpeza. Dos dois, o mais importante seria aquele que fosse feito com mais amor de Deus.
É uma verdade que deveríamos ter especialmente presente em épocas de desemprego e subemprego. Se alguma vez somos forçados a aceitar um trabalho que está por baixo do nosso preparo e da nossa experiência, não esqueçamos que – enquanto procuramos outro trabalho melhor – Deus espera que realizemos o atual com a categoria do trabalho de Jesus em Nazaré[5]. «Minha mãe – dizia o poeta Charles Péguy – empalhava cadeiras com o mesmo espírito com que os antigos construíam as catedrais».
O Cardeal Albino Luciani, poucos dias antes de ser eleito como Papa João Paulo I – «o Papa do sorriso» –, escreveu uma nota biográfica sobre são Josemaria, na revista Il Gazzetino, de Veneza. Fazia eco aos ensinamentos de Mons. Escrivá, e dizia: «É lá, bem no meio da rua, no escritório, na fábrica, que nos fazemos santos, desde que cumpramos o nosso dever com competência, por amor de Deus e alegremente, de forma que o trabalho cotidiano não se torne o “trágico cotidiano”, mas antes o “sorriso cotidiano”».
Podemos resumir este capitulo com a seguinte frase de são Josemaria: «A dignidade do trabalho baseia-se no Amor. O grande privilégio do homem é poder amar, transcendendo assim o efêmero e o transitório»[6]
[Capítulo do nosso livro Deus na vida cotidiana]
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[1] Neste capítulo e nos seguintes, meditaremos sobre o trabalho dentro da perspectiva da santificação do cotidiano, ou seja, do “nosso trabalho de cada dia”. Não focalizaremos, portanto, nem a teologia – muito rica – do trabalho, nem o valor social do trabalho, tal como o expõe a Doutrina Social da Igreja. Pode ser útil consultar a Encíclica Laborem exercens, de são João Paulo II, e o livro do teólogo J.L. Illanes, A santificação do trabalho, Ed. Quadrante, São Paulo 1968.

[2] cf. Carta 15-X-1948, n.6. Citada por A. Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, vol III.
[3] Homilia Trabalho de Deus, em Amigos de DeusI, n. 67
[4] Sulco, n. 487
[5] cf. a nossa Novena do Trabalho, em www.padrefaus.org/novenas
[6] É Cristo que passa, n. 48

SANTIFICAR-SE COM O TRABALHO


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Uma escada de amor

Ponto de luz«O cristão não pode ser superficial. Plenamente mergulhado no seu trabalho diário entre os demais homens, seus iguais, atarefado, ocupado, em tensão, o cristão tem que estar ao mesmo tempo totalmente mergulhado em Deus, porque é filho de Deus» (É Cristo que passa, n. 65).

No começo do capítulo anterior, lembrávamos – com palavras de são Josemaria – que o trabalho é «meio e caminho de santidade, realidade santificável e santificadora».

Como santificar-nos a nós mesmos com o trabalho? Para entendê-lo bem, recordemos de novo que a fé nos ensina que a santidade é a plenitude do amor. A caridade (o amor) – diz são Paulo –, é o vínculo da perfeição. E afirma que ser um cristão perfeito consiste em progredir no amor  (cf. Col 3,14 e Ef 5,2).

É claro que a santificação pessoal no trabalho não é automática. Pressupõe pedir humildemente a ajuda da graça de Deus, e esforçar-nos por não perdê-lo de vista. «Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado.
E está como um Pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos –, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando… e perdoando»[1].

No meio do trabalho, precisamos rezar mentalmente orações muito breves que mantenham o «aquecimento do amor», como pequenos gravetos que se lançam nas brasas de uma lareira.  Basta dizer jaculatórias simples, como por exemplo: «Jesus, eu te amo!», ou «Ofereço-te esta hora de trabalho pela conversão do meu filho»…

Amor e virtudes

Esse clima espiritual, cultivado habitualmente, nos fará crescer na santidade. Como é que isso se notará? Eu lhe diria que, sobretudo, pelo amadurecimento das virtudes: mais fé, mais otimismo, mais compreensão, etc[2].

Completemos esta meditação fazendo-nos umas poucas perguntas práticas sobre as virtudes. Começaremos pelas virtudes «cardeais» (prudência, justiça, fortaleza e temperança); e, a seguir, examinaremos as  «teologais» (fé, esperança e caridade).

Exame sobre as virtudes cardeais 

  • Prudência:
– Tenho o hábito de refletir e, em muitos casos, de estudar a fundo, sem precipitação, antes de agir?
– Tenho a humildade de confrontar a minha opinião com a de outros colegas, e valorizo as sugestões recebidas?
– Quando, no trabalho, já fica definida uma solução, procuro levá-la logo à prática com decisão, sem demora?

  • Justiça:

– Sabendo que o trabalho de outras pessoas depende do meu, procuro ser diligente e pontual, para não prejudicá-los?
– Exijo dos subordinados horários abusivos de trabalho, que os impedem de atender decentemente aos deveres familiares?
– Sem uma estrita e urgente necessidade, protelo, nem que seja por uma hora, o pagamento de salários?

  • Fortaleza:

– Enfrento as dificuldades do trabalho com coragem, sem cair no desânimo nem em reclamações inúteis?
– Venço a moleza, a lentidão e o descuido nas diversas tarefas, mesmo que ninguém me cobre nada?
– Quando devo corrigir colegas ou subordinados, faço-o com clareza e delicadeza, sem cair na ira nem na prepotência?

  • Temperança:
– Venço a curiosidade desordenada na internet; evito perder o tempo com conversas inúteis ou indecentes?
– Ao terminar o trabalho, na “happy hour” ou no final de semana, abuso da bebida?
– Queixo-me com frequência do calor, do frio ou de qualquer moléstia física?

Perguntas sobre as virtudes teologais

  • :
– Procuro realizar bem o meu trabalho, com a consciência de estar assim cumprindo a vontade de Deus? Ofereço o trabalho a Deus? Rezo, pedindo a Deus que me mostre o que espera de mim naquela tarefa?
– Procuro na oração e na Eucaristia as forças necessárias para trabalhar como um bom cristão?
–Nas dificuldades e sofrimentos do trabalho, vejo Jesus que me pede, ajudá-lo a carregar a Cruz como um bom Cireneu?

  • Esperança:
– Estou convencido de que o trabalho feito de olhos postos em Deus nunca é inútil no Senhor, como dizia são Paulo [3]?
– Peço com confiança a ajuda de Deus nos trabalhos mais difíceis?
– Lembro-me de que Cristo disse: De que adianta ganhar o mundo inteiro, se acabas perdendo a tua alma[4]?

  • Caridade:
– Vejo os colegas como amigos e companheiros, não como rivais?
– Esforço-me por compreender os outros, evitando críticas negativas? Caio em mexericos?
– Evito comentários que impliquem desprezo ou ofensa de superiores e colegas?
– Rezo pelos outros e lhes faço o bem que posso no meu ambiente profissional?
[Capítulo do nosso livro Deus na vida cotidiana]
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[1] Caminho, n. 267
[2] Sobre esse tema, pode ser útil o nosso livro A conquista das virtudes, Ed. Cultor de Livros, São Paulo 2014.
[3] 1 Cor 15,58
[4] Mt 16,26

segunda-feira, 2 de março de 2020

QUARESMA: 1- O SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO


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1 – O SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO


 Se alguém quiser
Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mat 16,24). Ao dirigir essas palavras aos discípulos, Jesus fala de algo que depende de nós. Algo que podemos fazer ou não -Se alguém quiser…-, algo que pertence, portanto, à nossa livre iniciativa.
Sempre a Cruz – a mortificação pequena ou grande – deve ser tomada livremente: só se nós queremos, é que sacrificamos um fim de semana para dar assistência aos pobres; se nós queremos, deixamos de ir ao cinema para visitar um doente; se nós queremos, assumimos em casa os trabalhos mais sacrificados; se nós queremos, mortificamos a curiosidade, a gula, a destemperança no falar, etc.
Sacrifícios voluntários? Mortificação? Meter na nossa vida mais “cruzes”, quando a vida já traz tantas sem procurá-las? Por quê?
O Espírito Santo  nos responderá pela boca de São Paulo.
Este Apóstolo usa com frequência de uma comparação: a imagem dos dois homens que estão sempre brigando dentro de nós: o homem velho e o homem novo. Poderíamos traduzir por “homem modelado pelos parâmetros mundanos, pagãos” e “homem modelado – conforme a imagem de Cristo – pelo amor, pela graça do Espírito Santo”.
Assim, escrevendo aos Efésios, São Paulo pede-lhes: Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê das suas ideias frívolas […]. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em justiça e santidade verdadeiras (Ef 4,17.22-24). É claro que lhes está propondo uma luta constante, mediante a qual deverão arrancar – como se arrancam no jardim as ervas daninhas – o homem velho, para revestir-se do homem novo.
As mesmas ideias, mais sinteticamente expostas, encontramo-las na Carta aos Colossenses: Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem dAquele que o criou (Cl 3,9-10).
Um terceiro texto, dirigido aos Gálatas, completa os anteriores: Os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências (Gl 5,24). Para entender o que quer dizer, é preciso ter presente que, na mesma carta, havia explicado o que é a carne e as suas concupiscências (palavra que literalmente significa maus desejos), mostrando que por carne entende – como é comum em textos bíblicos – a vida egoísta, afastada da graça de Deus e mergulhada no materialismo, cujo deus é o ventre […] e só tem prazer no que é terreno (Fil 3,19).
Característica típica do homem velho é a de se deixar dominar pelos desejos da carne, que – como explica detalhadamente o Apóstolo – são fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdia, bandos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes (Gál 5,19,21).
Esta é a carne que deve ser crucificada, ou seja, mortificada, dominada e vencida com a renúncia, com a luta, com a Cruz.
Purificação voluntária
A mortificação voluntária – que faz parte essencial da luta do cristão – é um meio necessário de purificação.
Santo Agostinho tem um pensamento muito profundo a esse respeito. Lembra que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e que o pecado “deformou” essa imagem e apagou a semelhança. A graça de Deus, recebida no Batismo, fez-nos renascer para uma vida nova, dando-nos a graça. É tarefa nossa colaborar com a graça para limpar os males que nos deformam; só assim a graça nos devolverá à “forma” primeira, que é a imagem do ser de Deus [1], a autêntica personalidade dos filhos de Deus.
Como é sugestiva essa ideia, para nos ajudar a compreender que a formação cristã não se limita ao conhecimento da verdade, da doutrina – a ler, estudar, aprender- , mas exige um trabalho de purificação –de limpar, de extirpar, de endireitar, de podar o que procede do egoísmo–, para podermos “arrancar a triste máscara que forjamos com as nossas misérias[2]”, e estarmos em condições de ir reproduzindo fielmente em nós os traços do nosso modelo, Jesus Cristo.
Pensemos seriamente, nestes dias, qual é o nosso homem velho, quais são as nossas paixões e concupiscências, para assim podermos descobrir as mortificações que precisamos fazer para arrancar de nós as máscaras deformantes. Não é muito difícil adivinhar. Difícil é concretizar… e fazer.
Na realidade, todos notamos em nós mesmos defeitos que nos prejudicam, hábitos, vícios de diversas espécies, que nos dominam; falhas de caráter que atrapalham o nosso trabalho; atitudes desagradáveis ou omissões no nosso relacionamento com os outros… Pois bem, aí é que deve entrar a nossa cruz, ou seja, os sacrifícios necessários para corrigir tais defeitos e revestir-nos do homem novo.
Adaptação de um trecho do livro de F.Faus, A sabedoria da Cruz
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Ano da Misericórdia:
Quantas páginas da Sagrada Escritura – diz o Papa Francisco – se podem meditar, nas semanas da Quaresma, para redescobrir o rosto misericordioso do Pai! […]. As páginas do profeta Isaías poderão ser meditadas, de forma mais concreta, neste tempo de oração, jejum e caridade. «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente …, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. […]

»Se retirares da tua vida toda a opressão, o gesto ameaçador e o falar ofensivo, se repartires o teu pão com o faminto e matares a fome ao pobre, a tua luz brilhará na escuridão, e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia. O Senhor te guiará constantemente, saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos. Serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas inesgotáveis » (cf. 58, 6-11).
(Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 17).


[1] Cfr. Sermão 125,4. Patrologia Latina 38,962.
[2] Cfr. Josemaría Escrivá: Via Sacra, sexta estação

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O FAROL DO FALSO ALMIRANTE


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São muitas as luzes falsas que tiram a consciência dos trilhos e falsificam a bondade das nossas ações. Jesus nos alerta: Se o teu olho – o olho da alma  – estiver são, ficarás todo cheio de luz. Mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas (Mt 6, 22-23).
Vem-me ao pensamento um conto de Chesterton, O fim dos Pendragon, que trata de um “pseudoalmirante” louco, que morava num velho casarão nas costas rochosas da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. Construiu uma torre em cujo cimo podia acender uma grande fogueira, e assim simulava de longe um farol marítimo. Com essa luz falsa, enganava navegantes rivais ou inimigos que queria eliminar e os induzia a naufragar e morrer no labirinto das rochas.
Você não tem receio dos falsos faróis, das luzes intelectuais e morais falsas que hoje atraem milhões de pessoas? Se não quiser naufragar, cuide com muito empenho de adquirir uma profunda formação cristã, e sinta a responsabilidade de transmiti-la aos que quer bem.

Adaptação de um trecho do nosso  livro A arte de decidir bem: a virtude da prudência

MINHA ALMA SUSPIRA PELOS ÁTRIOS DO SENHOR

Galeria de Paróquia San Norberto / Carlos Campuzano Castelló - 8
 Como são amáveis, Senhor tuas moradas… Minha alma desfalece e suspira pelos átrios do Senhor… Até o passarinho encontra casa e a andorinha ninho junto aos teus altares (Salmo 84,2-4). Fiquei alegre, quando me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” (Salmo 122,1).
O salmista peregrino que se aproxima de Jerusalém suspira, ardendo no desejo de chegar ao Templo, “a casa do Senhor”, onde é tão próxima a presença do Deus de Israel. E inveja santamente a andorinha que deixa confiante o seu ninho junto do altar.
A nossa alma cristã é sempre peregrina, rumo ao altar onde Deus se faz presente, acessível, próximo.
Qual é esse altar? Sem dúvida, a “máxima” proximidade de Deus é a Eucaristia. No altar da Santa Missa, Jesus, Deus e Homem verdadeiro, se faz presente, vem a nós na santa Comunhão, e, depois, fica no Sacrário à espera da nossa companhia e a nossa oração.
Mas eu não queria meditar agora nessa proximidade inefável do Senhor na Eucaristia. Queria meditar em outra presença.
  • O altar do coração. Já nos primeiros séculos, os santos Padres falavam de outro altar, o “altar do coração”. «Altare Dei est cor nostrum – dizia, por exemplo, santo Ambrósio −, altar de Deus é o nosso coração». E dizia-o com a alegria de quem conhece a verdade de que falava são Paulo: Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? …O templo de Deus é santo e esse templo sois vós (1 Cor 3, 16-17).
É isso o que descobriu santo Agostinho, após anos de procura: «Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!… Eis que estavas dentro de mim, e eu fora… Tu estavas comigo, e eu não estava contigo»[1].
Lembro bem como me ficou gravado o que ouvi da boca de são Josemaria em 1954, em Roma: «Meus filhos, eu a Deus o busco em mim, no meu coração, e vocês devem procurá-lo também no centro da sua alma em graça»[2].
Essa “peregrinação” até o altar do nosso coração, para ter lá um encontro íntimo com Deus, pode ser feita, deveria ser feita, em qualquer momento da nossa vida. Em casa, na rua, no trabalho, nos meios de transporte, na alegria, na dor…, sempre podemos procurar Deus e encontrá-lo no íntimo do coração.
Você já se acostumou a falar com Deus no seu coração, a compartilhar com ele as menores coisas da sua vida? Assim deveríamos viver, e então compreenderíamos por que são Paulo animava assim os tessalonicenses: Ficai sempre alegres, orai sem cessar  (1 Ts 5,16-17). Com isso, ele lembrava um ensinamento de Cristo: É preciso orar sempre sem jamais esmorecer (Lc 18,1). Isso é possível? Sim, aprendendo a viver a prática da “presença de Deus”.
  • Viver na presença e Deus. Para começar, «é preciso convencer-se de que Deus está junto de nós continuamente. – Vivemos como se o Senhor estivesse lá longe, onde brilham as estrelas, e não consideramos que também está sempre ao nosso lado. E está como um Pai amoroso – quer mais a cada um de nós do que todas as mães do mundo podem querer a seus filhos -, ajudando-nos, inspirando-nos, abençoando… e perdoando… Necessário é que nos embebamos, que nos saturemos de que Pai e muito Pai nosso é o Senhor que está junto de nós e nos Céus»[3].
Sabemos “ativar” essa fé? É um exercício espiritual que deveríamos cultivar todos os dias. Começar o dia com um ato espontâneo de fé e de amor a Deus, oferecer-lhe com carinho tudo o que naquele dia vamos fazer, pedir-lhe que nos abençoe e nos acompanhe em cada passo. Depois, desfrutar dessa sua companhia, dirigindo-nos a ele muitas vezes com o coração.
O salmo 145 nos anima: O Senhor está perto de todos os que o invocam, os que o invocam de coração sincero. Satisfaz o desejo dos que o temem, escuta o seu clamor e os salva. O Senhor protege todos os que  amam (Salmo 145,18-20).
− Invocar é agradecer: “Obrigado, meu Deus, por ter ouvido o despertador, eu que tenho sono pesado e sempre me atraso!” “Obrigado meu Deus: acabo de beijar meu filho pequeno, e não sei como te agradecer esse dom”. “Obrigado pelo carinho com que a mãe, ou a esposa, ou o marido madrugador preparou o café”…
− Invocar é oferecer: “Eu te ofereço, Senhor, essa dor nas costas como penitência pelos meus pecados” “Ofereço-te esse trabalho que estou começando, e te peço ajuda para terminá-lo com perfeição” “Ofereço essa oração para que meu ex colega encontre um emprego” ”Ofereço o choro do meu bebê para que me ajuda e ser uma mãe mais paciente”…
− Invocar é pedir: “Peço-te por cada um dos meus filhos, guarda-os no dia de hoje” “Peço-te que me ajudes a socorrer essa mendiga” “Peço-te que me faças vencer a tentação de ficar perdendo tempo com o celular quando não deveria”, “Peço-te que me ajudes a dar alegria à minha sogra que anda muito deprimida”…
− Invocar é desagravar. “Jesus, aceita esse terço que vou rezar como reparação pelos que não amam nem veneram a tua Mãe Santíssima” “Senhor, ajuda-me a fazer hoje uma mortificação mais exigente da gula, para reparar pelos pecados que se cometem pelo abuso do sexo e do álcool, e pelo uso das drogas”…
Você vê como, com boa vontade, e sempre com a ajuda da graça de Deus, é possível viver a vida toda em diálogo Deus e, assim, com toda a naturalidade, morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, e poder gozar da suavidade do Senhor  (Salmo 27,4).
Do nosso livro O espelho dos salmos, Quadrante 2019
[1] Confissões, 10, 27,38
[2] F.F.  São Josemaria Escrivá no Brasil, 3ª edição. Quadrante 2017, p. 41
[3] Caminho, n. 267

LÂMPADA PARA OS MEUS PASSOS



─ Senhor, tu acendes minha lâmpada; meu Deus, ilumina minhas trevas (Salmo 18,29). Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, ensina-me tuas veredas, faz-me caminhar na tua verdade (Salmo 25,4-5).
O salmista pede a Deus a sua luz, porque tem a experiência de que, sem ela, a vida é triste, é como se a pessoa girasse nas trevas à volta e si mesma, perdendo-se num túnel sem saída. Só Deus é luz (1 Jo 1,5). E quando nós lhe suplicamos que nos conceda a fé – envia a tua luz e a tua verdade! (Sl 43,3) –, experimentamos com alegria que lâmpada para meus passos é a tua palavra e luz no meu caminho (Sl 119,105). Saímos, então, do túnel e podemos maravilhar-nos com «o esplendor e a segurança e o calor do sol da fé»[1].
Um escritor inglês converso, Evelyn Waugh, expressava assim a sua descoberta da luz: «É como sair de um mundo de espelhos, onde tudo é uma caricatura absurda, para entrar no autêntico mundo criado por Deus; a partir de então é que começa o delicioso processo de explorar o mundo sem limites».
  • O caminho dos mandamentos. Um rumo: isso é o que pedia aquele homem jovem que procurou Jesus no meio do caminho. Queria um roteiro para chegar à vida eterna. Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna? Jesus começou mostrando-lhe o básico – cumpre os mandamentos [os dez Mandamentos]  –, e, a seguir, indicou-lhe o caminho da plenitude que podemos viver andando com ele nesta terra: Deixa tudo e segue-me. Aquele homem não teve coragem (tinha muitas posses), deu meia volta, abaixou a cabeça e retirou-se triste (cf. Mc 10,17-22).
Você se lembra de que, no começo da sua pregação, Jesus disse: Não penseis que vim revogar a Lei e os profetas. Não vim revogá-los mas dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5,17). Esse pleno cumprimento consiste em elevar os dez mandamentos ao nível do amor, de um amor semelhante ao de Cristo.
Assim, por exemplo, ao mandamento de «não matar», Jesus acrescentou os de «não se irritar» nem «insultar» o próximo. O sexto e o nono mandamentos,  referem-se a atos que se cometem: aos pecados de «fornicação» e «adultério»; Jesus elevou-os um nível alto de amor: não só abster-se de cometer atos, mas cortar pela raiz o olhar infiel e o mau desejo (ver capítulo 5 do Evangelho de São Mateus).

  • Seguir a Cristo. Você já descobriu essas belas luzes do caminho cristão? Já compreendeu o apelo de Jesus, que nos diz: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).
Na Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, o Papa Francisco dizia aos jovens, comentando a parábola do semeador: «Quando aceitamos a Palavra de Deus, então somos o “Campo da fé”. Por favor, deixem que Cristo e sua Palavra entrem em sua vida, deixem entrar a semente da Palavra de Deus, deixem que germine, deixem que cresça. Deus faz tudo, mas vocês deixem-no fazer, deixem que Ele trabalhe nesse crescimento»[2] .
– «Deixem que Cristo e sua Palavra entrem em sua vida». Você o deixa entrar, abrindo-lhe o coração e a mente? Você – jovem ou menos jovem – lê e medita todos os dias algum trecho do Evangelho, do Novo Testamento? Todos sabemos da enorme ignorância do Cristianismo que há hoje na maioria dos ambientes. Não nos instalemos cegamente nessas sombras! Procuremos sair para a luz.
– «Deixem que germine a Palavra de Deus», acrescentava o Papa. “Germina” quando aprofundamos nela – estudando, meditando –, e nos esforçamos por encarná-la na prática cotidiana. Sabe quando se nota que a Palavra germina em nós? Quando não só proporciona doutrina, mas nos faz ouvir a voz de Deus que atinge diretamente o coração. Deste modo, captamos por experiência a sua beleza, e ficamos cada vez mais com mais fome de conhecê-la.
«A fé – dizia Bento XVI – é um amor que cativa o homem e lhe mostra o caminho a seguir, mesmo que essa fé seja cansativa, uma escalada que parece loucura…; mas que se mostra o único caminho possível, que não trocaríamos por conforto nenhum, nós que estamos engajados na aventura»[3].
«Deixem que a Palavra de Deus cresça», pedia ainda o Papa. Cresce em nós quando a alimentamos, como semente plantada na alma. De que modo?  –Com os Sacramentos: a Confissão e a Eucaristia; – Com a oração:  mental e vocal; – Com o cumprimento dos nossos deveres cotidianos (no lar, no trabalho, no convívio social), praticados com perfeição, por amor a Deus e ao próximo.


[1] Caminho, n. 575
[2] Palavras do Papa Francisco no Brasil, Ed. Paulinas, São Paulo 2013, pág. 113
[3] Da entrevista O sal da terra. Em Dag Tessore: Bento XVI. Questões de fé, ética e pensamento na obra e Joseph Ratzinger. Ed. Claridade, São Paulo 2005, pág. 51