domingo, 15 de setembro de 2013

Francisco. Homo Totus Evangelicus (Homem todo evangélico)



Francisco entrou na intimidade do Evangelho e percebeu-o puro e sem retoques. Por isso, a Igreja o chamará deHomo totus Evangelicus, quer dizer, que “se evangelizou” na totalidade do ser e na radicalidade das exigências. E mostrou, ao mesmo tempo, que o Evangelho, no seu todo, é algo possível de ser traduzido em vida.

O próprio Papa, Inocêncio III, observara que a norma de vida da primitiva comunidade era por demais árdua para compor um programa de vida, mas a tempo foi advertido que não poderia declará-la impossível, pois declararia impossível o Evangelho de Cristo.

Para Francisco a afirmação do Papa significava a impossibilidade de seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois vinham eles retraçados, concretamente, nas páginas do Evangelho. Esta concretude com que percebia o Evangelho fazia com que Francisco a ele recorresse com a simplicidade e a confiança de quem recorre a um “diretor espiritual”.

Com naturalidade, colocava os livros dos Evangelhos à sua frente e os abria, a esmo, encontrando exatamente a Palavra que lhe servia de resposta. Não argumentava, não discutia, não duvidava. Deus acabara de lhe falar. E feliz partia para executar as ordens que acabara de ler.

Assim fala Celano, na vida I (n° 92-93): que abrindo o Evangelho, pôs-se de joelhos e pediu a Deus que lhe revelasse qual a sua vontade. “Levantando-se, fez o sinal da cruz, tomou o livro do altar e o abriu com reverência e temor. A primeira coisa que deparou, ao abrir o livro, foi a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, no ponto em que anunciava as tribulações por que haveria de passar. Mas, para que ninguém pudesse suspeitar de que isso tivesse acontecido por acaso, abriu o livro mais duas vezes e o resultado foi o mesmo. Compreendeu, então, aquele homem cheio do espírito de Deus, que deveria entrar no reino de Deus depois de passar por muitas tribulações, muitas angústias e muitas lutas…”T

A gratuidade do amor e do perdão

O Senhor nos reúne com alegria para o banquete festivo da eucaristia. Apesar de nossas fraquezas e pecados, ele não nos rejeita, mas, com amor e misericórdia, vem-nos ao encontro, nosso Pai, quando dele nos afastamos. Alcançados e resgatados por seu Filho, abramos, nesta liturgia, os lábios e o coração para o seu louvor.

Jesus recebe crítica dos fariseus e dos mestres da lei porque se aproxima dos pobres e pecadores. Diante disso,o evangelista nos presenteia com três parábolas chamadas "da misericórdia de Deus", no capítulo 15 de Lucas. Esse capítulo é como que o coração do Evangelho de Lucas e representa o cume da caminhada de Jesus a Jerusalém, donde podemos rever o percurso feito e vislumbrar o trajeto a ser percorrido. Nele encontramos a gratuidade do amor e do perdão de Deus.
Na terceira parábola, Jesus revela a imagem de Deus. Ele é um Pai que sabe perdoar, acolher, abraçar e beijar o filho que retorna ao lar, faz festa divide com os filhos os bens que tem, permite-lhes fazer a própria experiência de vida.
Esta parábola, com certeza, desconcertou os ouvintes de Jesus e, hoje, desconcerta também a nós. As atitudes do pai questionam qualquer sociedade que valorize as aparências, o poder da autoridade (familiar), o moralismo de fachada, a supervalorização e a concentração dos bens.
Quando lemos a parábola, ficamos mais focados no pai que demonstra seu amor e perdoa e no filho mais filho novo que abandona a casa e depois se arrepende e volta aos braços do pai. Esquecemos, com frequência, as atitudes do filho mais velho.
Este é, muitas vezes, proposto como exemplo de fidelidade, pois não abandona o pai, dedica-se ao trabalho e à família e não tinha a vida desordenada do irmão. É um fiel cumpridor das leis e, por isso, pensa ter mais méritos diante do pai. Ele aplica a si a teologia da retribuição, a teologia do "toma lá, dá cá". Mas o amor de Deus é gratuito e não se deixa comprar por cumprimento de leis.
Esse filho nunca abandonou a casa, mas, com a volta do irmão, sente-se estranho na família; sempre obeceu ao pai, mas não conhece a lei do amor; reconhece-se bom filho, mas não aceita o retorno do irmão. Numa palavra, é pessoa ressentida, incapaz de amor, perdoar e acolher. Não entende nem aceita a atitude de misericórdia do Pai.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 15/09/2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Oração pelso sacerdotes

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Pai eterno, que sois Deus, tende piedade dos sacerdotes.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus,
Adorável e indivídua Trindade,
Sagrado Coração de Jesus, modelo do coração sacerdotal, santificai os sacerdotes.

Jesus, bom pastor, que dais a vida pelas vossas ovelhas.
Jesus, sumo Sacerdote, que pelas almas vos sacrificastes na cruz,
Jesus, vitima divina de nossos altares,
Jesus, que permaneceis como alimento em nossos tabernáculos,
Jesus, Rei de amor, que desejais reinar nas nossas almas,
Jesus, Rei de amor, que desejais reinar nas famílias,
Jesus, Rei do amor, que desejais reinar nas sociedades,
Jesus, Mestre divino que desejais que o vosso Evangelho seja ensinado,
Jesus, amigo dos operários e dos pobres,
Jesus, consolo dos que sofrem,
Jesus, luz dos que procuram a verdade,
Jesus, que desejais sejam os vossos padres luz e sal da terra,

ORAÇÃO:

Maria Santíssima, Rainha do Clero, Mãe do Sumo Sacerdote Jesus, intercedei pelos sacerdotes e pelos que se preparam para o sacerdócio e despertai verdadeiras vocações sacerdotais entre a mocidade.

Divino Salvador, Jesus Cristo que confiastes aos sacerdotes, como a vossos representantes, a obra da Redenção, a salvação e a felicidade dos homens, eu vos ofereço pelas mãos de nossa Mãe Santíssima, para a santificação dos sacerdotes e dos candidatos ao sacerdócio, inteiramente, todas as orações, trabalho, alegrias, sacrifícios e sofrimentos deste dia. Concedei-nos, Senhor, sacerdotes verdadeiramente santos, que, abrasados pelo fogo do vosso amor divino, só procurem a vossa maior gloria e a salvação de nossas almas. E vós, ó Maria, boa Mãe dos sacerdotes, protegei a todos eles, nos perigos e dificuldades de sua santa vocação. Guiai, também, com vossa Mão maternal, os sacerdotes que se tornaram infiéis à sua sublime vocação, para que voltem, quanto antes, para junto do Bom Pastor.

Amém

No tempo que passa abanonamo-nos a palavra



Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática (Lc 11, 28).
O simples e idiota Francisco, como ele próprio costumava se apresentar (cf. Ord 39), sem maior instrução, isto é, sem uma formação própria do clérigo ou do letrado de então, tinha tal conhecimento da Palavra que “penetrava nas realidades escondidas dos mistérios e o que era inacessível à ciência dos mestres, abria-se seu afeto cheio de amor” (2Cel 102). Sem ser mestre na arte de falar, ele resolvia questões difíceis e, como Jó (cf. Jó 28,11), iluminava os pontos obscuros, chegando revelar aquilo que o texto escriturístico escondia aos estudiosos (José Rodriguez Carballo, OFM, Guiados pela Palavra, mendicantes de sentido, n. 15).
Em muitos momentos andamos preocupados com nossa caminhada de cristãos ou de religiosos. Temos receio de marcar passo. Não queremos nos deixar anestesiar pela rotina. Desejamos progredir na intimidade do Senhor e num amor de verdade pelos outros. Georges Bernanos, escritor francês, escreve: “A maioria dentre nós engaja na vida apenas uma pequena parte, ridiculamente pequena de sua existência. As pessoas vivem na superfície de si mesmas. O solo humano é tão rico que alguns se dão por satisfeitos com essa mínima parte. O santo não vive do lucro sobre o lucro, mas engaja toda a sua vida”.


Ora, para darmos passos adiante será preciso o exercício delicado da escuta. Aceitar escutar, desejar escutar. Escutar o quê? Escutar quem? Dizemos: escutar a voz do Senhor, ouvir a Palavra do Senhor. Por Palavra de Deus não pensamos apenas nos textos do Antigo ou do Novo Testamento, mas no eco desses livros na vida das pessoas com as quais convivemos, no coração da Igreja, na vida dos santos e, evidentemente, em nosso projeto de existência.

A escuta parece ser o que existe de mais humano e de mais essencial. Talvez somente sejamos nós mesmos quando escutamos. Escutar é levar em conta um outro, conferir-lhe realidade e presença. A escuta só existe quando nos relacionamos com um outro, com outros. Quem escuta reconhece que não existe por si, nem sozinho. Sabe perfeitamente que nas horas das escolhas decisivas não pode estar isolado. Necessita alimentar uma disposição fundamental de escuta.

Escuta aquele que tem a capacidade de receber de fora, dos outros, do Outro. Escutar e obedecer quase significam a mesma coisa: estirar os ouvidos para captar o que vem de fora. A escuta se transforma em disponibilidade do coração, aceitação de se deixar instruir, chance de transformação. Não somos os mestres exclusivos da verdade. A verdade se partilha. Pela mútua escuta nos tornamos discípulos uns dos outros. Somos “mendicantes” do sentido da vida.

Quando digo que “escuto alguém” pode querer significar; confio nele, quero segui-lo, obedeço-o. Pode também significar: “Deixo-lhe a possibilidade de falar, de ser ouvido, de existir mais densamente, talvez de nascer e de renascer. Escuto a palavra de um outro para receber dele alguma coisa porque faço confiança nele. O outro me escuta para que eu possa falar, porque deposita confiança em mim. Bem no coração da escuta está a confiança. Quando não confiamos, não falamos. Sem confiança não há escuta. Régine du Charlat: “A confiança ousa crer que, apesar de tudo, estamos ligados uns aos outros. A confiança é o núcleo incandescente de todo relacionamento”. Entrar na escuta é ingressar na confiança.

“Ouve, Israel, o Senhor teu Deus”(Dt 6,4): cada dia, ainda hoje, ele continua falando, falando de maneira nova, dizendo o que ainda não tínhamos ouvido. O fiel sincero e reto se põe à escuta da Palavra. “Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o” (Mt 3, 17). Jesus é colocado diante de vidas, de histórias para ser ouvido, para ser obedecido e assim ele pode operar maravilhas.

Pela escuta da Palavra entramos no campo da experiência espiritual. Abrimos nosso interior, fazemos confiança nele. “Se hoje como ontem é urgente conhecer melhor o homem Jesus, reconhecido como Cristo e confessado como Senhor, não temos outro caminho para chegar a esse objetivo senão tomar o livro das Escrituras, abrir-lhe as portas de nossos corações e oferecer escuta e acolhida à Palavra. Se nosso coração arde no desejo de sair da insignificância ou da prostração de nossos cotidianos fracassos, não temos outro caminho senão deixar-nos possuir pela Palavra e dar-lhes amplo espaço em nossas vidas. Ser possuído pela Palavra e por Cristo é a mesma coisa. Se quisermos recriar e refundar nossa vida e missão, não nos resta outra saída senão abrir espaço à Palavra, relê-la, estudá-la, meditá-la, acolhê-la num coração vazio e pobre, sussurrá-la dia e noite para então vivê-la e celebrá-la” ( Guiados pela palavra, op. cit., n. 20).

Escutar a Palavra, melhorar a qualidade de nossa Liturgia das Horas, com mais silêncio, mais reverencia à Palavra. Viver em nossas casas a Leitura Orante da Bíblia. “Estirar o ouvido” também para escutar nossa vida, nossa própria humanidade, escutar-nos, escutar o grito das ruas, escutar o murmúrio do irmão que sente o frio do isolamento. Não se trata apenas de uma beata leitura das páginas da Escritura, mas tentar ouvir esse Deus que nos fala, também em nosso estilo de vida consagrada. “A vida consagrada e, com ela, a vida franciscana, são chamadas a percorrer um longo êxodo de busca e de renovação que já não tem volta. Com muitos homens e mulheres, nossos contemporâneos, somos mendicantes de sentido. A partir da escuta da Palavra, nossa vida será, no presente e no futuro, como foi no passado, proposta alternativa e de fronteira. A Palavra nos convida a isso, impele-nos e nos convoca. A partir e com a Palavra, nossas vidas serão testemunho de uma palavra que não pode calar, de uma razão que não pode se ocultar, de uma convicção que se necessita partilhar. Como o fogo da Palavra, nosso coração arderá e nossa vida encontrará o ritmo de Deus, que é sempre jovem e atual, que jamais passa. A Palavra tem uma força transformadora impressionante e, se nossa vida se deixar tocar pela Palavra, transformar-se-á, sem dúvida alguma: a rotina dará lugar à novidade evangélica, o cansaço, à coragem, a resignação, à lucidez e à audácia, os medos à liberdade. Quando formos capazes de abandonarmos à Palavra, de confiar nela, de apostar tudo numa única carta, aconteça o que acontecer, ficará em nós um sabor intenso que nos garante que somos de Deus e para Deus, que não estamos sós. Se nossa vida se puser à escuta da Palavra e se deixar levar por ela, encontrará novas paragens e novas sendas para tomar o caminho mais suportável e alegre. É necessário abrir espaços pessoais e comunitários à Palavra. Nosso futuro, como o futuro de toda a vida consagrada, está em deixar-nos fazer pela Palavra” (Guiados pela palavra…op. cit., n. 20). T









 
 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Frei Matteo La Grua: a vida contra Satanás (Parte II)


Pouco antes de sua morte, o conhecido exorcista produziu um livro-entrevista em que ele nos exorta a não entregar-nos na batalha contra os poderes das trevas.


ZENIT: Na primeira parte do livro, você conta como o encontro com o Frei Matteo mudou a sua vida de alguma forma e como realizar esta obra com ele tenha sido para você uma espécie de missão de chamado. Como foi que isso aconteceu?

Roberta Ruscica: Não havia segredos com o Frei Matteo. Ele lia a sua alma. Me disse: “Você é uma excelente jornalista. Escreve bem. Mas não deve se deixar levar pelo coração, mas pela mente”. Eis que ele se utilizou do meu coração. Como falo sempre: “Utilizou o Manual do Amor”. Quando  Frei Matteo se convenceu de que eu não procurava nem uma vantagem econômica nem um sucesso pessoal. Quando decidi desistir. Ele começou a trabalhar. E me deixou ser levada pelo lento rio do Seu Amor. A minha vida é uma outra vida. Se o seu coração está cheio de rancor, você não tem condições de lidar com temas espirituais. Recebi um grande dom: perdoar aqueles que procuraram a minha infelicidade. Não nego que tive que vencer muitos obstáculos antes de publicar Contra Satanás. Desencontros, armadilhas, incompreensões, calúnias, fofocas... O Inimigo me colocou contra tudo e todos. Como  Frei Matteo me disse no seu último telefonema: “Estamos só eu e você... Os outros não contam”.

ZENIT: Antes dessa experiência - para você profissional e, ao mesmo tempo, fortemente espiritual – qual era a sua atitude com relação aos exorcistas e com a Igreja em geral?

Roberta Ruscica: Quando o diretor me pediu: "Você tem que entrevistar um exorcista". Eu respondi: “Tá brincando. É melhor eu entrevistar o chefe da Cosa Nostra”. Eu pensava que um exorcista era um feiticeiro. Hoje, muitos sacerdotes que lutam contra as forças do Mal, são os meus melhores amigos. A Igreja sempre foi a minha Casa. Ou melhor, uma doce mãe que acolhe seus filhos. Tive a sorte de crescer em uma família católica, em um grupo de escoteiros que era guiado por um sacerdote severo, mas paterno. Encontrei um frei maravilhoso no Padre Giulio Savoldi. A este respeito, gostaria de fazer um pedido: é preciso valorizar a grande missão dos exorcistas. O livro Contro Satana é um bom viático. Foi-me dito que muitos sacerdotes sugerem o livro no segredo da confissão. Meu grande "sonho" é presentear um exemplar do livro ao Papa Francisco.

Morando e exercendo seu ministério em Palermo, o  Frei Matteo teve contato com a realidade da máfia. No passado também você lidou com este tema, como jornalista investigativa e de crônica judiciária. Você acha que esta “coincidência” seja divina?

Roberta Ruscica: Certamente é sim. O meu encontro com o frei “santo” entra num plano divino. Também a publicação do seu livro-entrevista. Nunca denunciei publicamente – depois de ter realizado muitos serviços exclusivos para Seitas e o Donna – mas recebi uma ameaça da máfia. Muitos colegas têm construído uma carreira sob ameaças. Eu pelo contrário, somente enfrentei dificuldades, porque me permitiram trabalhar. A minha única arma é o Santo Terço, a Santa Missa, que nunca deixo de lado. Agradeço os monsenhores que ficaram do meu lado com a oração. E tenho uma linda lembrança: antes de voar ao Céu, mons. Alessandro Maggiolini me chamou e me disse: “Rezarei por você”.

ZENIT: Que conclusão pode ser tirada depois de ler o seu livro-entrevista? Como podemos vencer o poder das trevas , nós, que, além de não sermos exorcistas, somos pobres pecadores?

Roberta Ruscica: Contra Satanás é um livro de esperança. As páginas que contam as histórias de cura estão imbuídas do amor da Virgem Maria, a única Mulher que o  Frei Mateus amou. É possível lutar o bom combate permanecendo ancorados em Deus. E na entrevista explicamos como esse “milagre” se realiza. O medo é próprio de quem se deixa subjugar pelos tentáculos do Maligno.  Frei Mateus nos ensina que “a vida não é rosa, a vida é poesia”. T

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A vida contra Satanás



[Zenit] Pouco antes da sua morte o conhecido exorcista escreveu um livro-entrevista no qual exorta a não se entregar na batalha contra as potências das trevas.

Frei Matteo La Grua, OFMConv. (1914-2012) foi um renomado exorcista de fama internacional. A sua longa vida foi marcada por muitas virtudes e carismas especiais, desde as capacidades taumatúrgicas até o dom de expulsar demônios.

Os últimos 40 anos da sua vida, padre Matteo passou na direção dos grupos palermitanos da Renovação Carismática, onde existe a oração de libertação.

Dele, Padre Gabriele Amorth disse: "Nunca existiu exorcista mais poderoso".

Poucos meses antes de morrer, muito velho e doente, mas lucidíssimo, Frei La Grua confiou à jornalista Roberta Ruscica a tarefa de criar um livro-entrevista com ele. Uma espécie de testamento espiritual, fortemente desejado por ele, no qual o exorcista narra a sua atividade e exorta sacerdotes e leigos a nunca desistirem da batalha contra o maligno.

Daí resultou o livro: "Contra Satanás". A minha luta para vencer as potências das trevas (Piemme, 2012 - ainda não traduzido para o português). Sobre o conteúdo do livro-entrevista, ZENIT entrevistou Roberta Ruscica.

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ZENIT: Padre Matteo La Grua faleceu quase com cem anos em janeiro de 2012. Por qual motivo, sentindo que o fim se aproximava, ele sentiu a necessidade de ser entrevistado não com um simples artigo, mas com um livro de mais de 200 páginas?

Roberta Ruscica: Esta jornada começou na manhã em que bati na porta da sua secretaria. Ou melhor, no laboratório dos milagres, porque são inumeráveis as curas – não somente espirituais – que acontecem também hoje. Naquele dia eu me apresentei como uma jornalista que queria vencer mais um "desafio" porque "o Frei da Noce" "expulsava" os repórteres curiosos e chatos... Para mim, primeiro abriu a porta do seu cenáculo, depois aquela do seu coração. Frei Matteo não escolheu uma jornalista, mas uma filha que se deixa guiar por aquela Porta Estreita, que foi o seu ministério.

Os frades conventuais e muitos sacerdotes disseram que o livro-entrevista publicado pela Piemme é o seu testamento. Ele me disse: "Com noventa e sete anos percebi que o tempo do silêncio tinha acabado. Só tenho um pouco de voz para falar da minha pobre vida de frade”. Frei Matteo deixou um “instrumento” capaz de chegar ao coração daqueles que sofrem no corpo e no espírito.

ZENIT: Fala-se muito de exorcismos e de exorcistas em chave espetacular e morbosa, esquecendo-se de que um exorcista é principalmente um homem de Deus, com a função de restaurar a Sua Graça e de desafiar o poder das trevas. Frei Matteo era esse tipo de homem?

Roberta Ruscica: Frei Matteo não queria aparecer como um exorcista conhecido pelas suas libertações. Fugia diante dos refletores da mídia ou das reuniões sociais. Embora na porta do Convento aparecessem personagens famosos do mundo do espetáculo, da mais alta nobreza europeia ou juízes, homens das Forças armadas. Todos vinham em grande segredo.

Como ele me explicou: "Primeiro acolhia o pobre. Depois o rico que ia para pedir uma benção, mas não queria a libertação. Muitos preferiam permanecer ao serviço de Satanás”.

Sem dúvida o cenáculo da Noce, um dos bairros mais pobres de Palermo, podia transformar-se em um lugar de grande peregrinação. Mas, Frei Matteo colocou sempre em primeiro lugar três pérolas preciosas: pobreza, humildade e acolhida. Confiou-me um pedaço de papel, onde estava escrito: “Sou um humilde servo de Deus ao serviço da Igreja”. Era sempre severo com os seus colegas: “Se se esforçassem por fazer verdadeiros exorcismos, seriam suficientes. Um exorcismo pode custar a vida. Além de Deus, não existe outro.” A morbosidade e o espetáculo não podem caminhar juntos com uma missão tão delicada. Frei Matteo afirmava: “A libertação é um dom de Deus. Somente Deus pode libertar: quando e como quiser. Se Satanás é potente, Deus é onipotente. O Senhor pode libertar também sem intervenção de intermediários humanos ". T

domingo, 8 de setembro de 2013