sexta-feira, 27 de julho de 2018

A Santa Missa do Padre Pio em detalhes

Um trecho valioso de "Assim falou o Padre Pio", confira!

Senhor Padre, ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.
 
Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.
 
Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.
 
Senhor Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.
 
Senhor Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-los-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor a Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa acompanhar-te-á e será a tua doce inspiração.
 
Senhor Padre, o que é a sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia isto a chorar.)
O que é que devo procurar na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.
 
Senhor Padre, diga-me tudo o que sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só o que pode fazê-lo uma criatura humana. E isto apesar de cada uma de minhas faltas e só por Sua bondade.
 
Senhor Padre, durante o Sacrifício divino o senhor padre carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.
 
Considera-se a si mesmo um pecador?
Não o sei, mas temo que assim seja.
 
Eu já o vi a tremer ao subir aos degraus do altar. Por quê? Pelo que tem de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.
Em que momento da Missa é que sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.
 
Senhor Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, os seus olhos encheram-se de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus!?
 
Ao ler o Evangelho, porque é que chorou quando leu estas palavras: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue…”
Chora comigo de ternura!
 
Senhor Padre, porque é que chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós parece-nos que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e O ofendam continuamente com a sua ingratidão e incredulidade.
 
A Sua Missa, senhor Padre, é um sacrifício cruento?
Herege!
 
Perdão, senhor Padre, queria dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.
 
Quem é que lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.
 
Senhor Padre, porque é que chora no Ofertório?
Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.
 
Durante a sua Missa, senhor Padre, o povo faz um pouco de barulho…
Se estivesses no Calvário, não ouvirias gritos, blasfêmias, ruídos e ameaças? Havia um alvoroço enorme.
 
Não o distraem os ruídos?
Em nada.
 
Senhor Padre, por que é que sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso… (Não quero que me perguntes isso…)
 
Senhor Padre, diga-me: por que é que sofre tanto na Consagração?
Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.
 
Senhor Padre, por que é que chora no altar e o que é que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las consigo.
Os segredos do Rei Supremo não se podem revelar nem profanar-se. Perguntas-me por que choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas sim torrentes de lágrimas. Não meditas neste grandioso mistério?
 
Senhor Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito frequentemente…
 
Senhor Padre, como é que se pode estar de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.
 
No altar, o senhor Padre está pregado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?
 
Como é que o senhor Padre se acha?
Como Jesus no Calvário.
 
Senhor Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregar os pregos em Jesus?
Evidentemente.
 
A si também lhos pregam?
E de que maneira!
Também deitam a Cruz no chão para si?
Sim, mas não devemos ter medo.
 
Senhor Padre, durante a Missa pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.
 
E a quem é que diz: “Mulher, aí tens o teu filho”?
Digo assim para Ela: “Aqui tens os filhos do Teu Filho”.
 
Sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.
 
Em que momento?
Depois da Consagração.
 
Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.
 
Diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não encontrei”. Por quê?
Porque os nossos sofrimentos de verdadeiros culpados não são nada em comparação com os de Jesus.
 
Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.
 
Os Anjos do Senhor reconfortam-no no Altar em que se imola?
Pois… não o sinto.
 
Se não lhe vem o consolo até à alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor Padre sofre, como Jesus, o abandono total, a nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosas mulheres aos pés de Jesus agonizante?
 
O que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.
 
Quando Jesus vem, visita só a alma?
O ser inteiro.
 
O que é que Jesus faz na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.
 
Quando Jesus se une a si na Santa Comunhão, o que é que quer que peçamos a Deus por si?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.
 
Também sofre na Comunhão?
É o ponto culminante.
 
Depois da Comunhão, os seus sofrimentos continuam?
Sim, mas são sofrimentos de amor.
 
A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.
E o senhor Padre para quem olha?
Para os meus irmãos de exílio.
 
Morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.
 
É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.
 
Se morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Porquê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.
 
Senhor Padre, disse que a vítima morre na Comunhão. A colocam-no  nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.
 
Senhor Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para o descansar?
Sou eu quem descansa n’Ele!
 
Quanto ama a Jesus?
O meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho de dizer nada e causa-me pena.
 
Senhor Padre, porque é que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: “E vimos a sua glória como de Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”?
Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com os seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?
 
Que união vamos então ter com Jesus?
Eucaristia dá-nos uma idéia.
 
A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mãe não se interessa pelo seu Filho?
 
E os Anjos?
Em multidões.
 
Senhor Padre, quem é que está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.
 
Gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse, não quereria descer do Altar.
 
Disseram-me que traz consigo o seu próprio Altar…
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: “Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus”. “Estou cravado com Cristo na Cruz.” “Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão…”
Nesse caso, não me engano quando digo que estou a ver Jesus Crucificado!
(Nenhuma resposta)
Senhor Padre, lembra-se de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.
 
A Missa do Padre Pio, nos seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Foi sempre um êxtase de amor e de dor. O seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:
Senhor Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
Diz-me, filho.
 
Queria perguntar-lhe o que é a Missa?
Por que me perguntas isto?
 
Para ouvi-la melhor, senhor Padre.
Filho, posso dizer-te o que é a minha Missa.
 
Pois é isso o que eu quero saber, senhor Padre.
Meu filho, estamos na Cruz, e a Missa é uma contínua agonia.
 
 
in Tradition Catolica, nº 141, nov. 98 citando “Assim Falou o Padre Pio” (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D. Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza.

Eucaristia: textos da Escritura e da Tradição que confirmam o Rito da Missa

JESUS,HANDS,HEAVEN 

Os primeiros cristãos sempre celebraram a Eucaristia

Entro, com este artigo, em textos da Escritura e da Tradição que confirmam o Rito da Santa Missa, desde o início do Cristianismo.
Os relatos da instituição da Eucaristia estão em Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-26 e têm duas características marcantes: 1) são diferentes entre si nas palavras utilizadas, mas 2) são idênticos entre si na mensagem transmitida: a) Jesus se entregou por nós sob o sinal de pão e de vinho, seu corpo e sangue reais; b) é a verdadeira vítima expiatória pelos pecados do mundo; c) esse gesto deveria ser repetido por seus discípulos como memória d’Ele. Vejamos cada uma das afirmações.
  1. São diferentes entre si nas palavras utilizadas, porque não reproduzem, de modo literal (não havia gravador!), as palavras de Jesus, na última Ceia, mas, sim, a forma como esses mesmos termos estavam em uso entre os primeiros cristãos na Celebração da Eucaristia, independentemente do nome que tivesse.
Aparece Ceia do Senhor (cf. 1Cor 11,20.33) ou Fração do Pão (1Cor 10,16; At 2,42.46; 20,7.11), embora tenha prevalecido Eucaristia, termo grego que significa dar graças. Sim, na Última Ceia, “Jesus tomou o pão, deu graças” (eucharistésas), de acordo com Lc 22,19; 1Cor 11,24; Mt 26,27; Mc 14,23. A partir do século IV, surge o termo Missa para nomear a Eucaristia, sempre celebrada na Igreja.
  1. São idênticas entre si, na mensagem transmitida, em três tópicos principais:
  2. a) Jesus se entregou por nós sob o sinal de pão e de vinho, seu corpo e sangue reais: ou seja, a Eucaristia não representa, ela É, realmente, o Corpo e o Sangue de Cristo. Tanto o Corpo quanto o Sangue não eram consideradas, como hoje, partes distintas que dividem a pessoa. Em conclusão, para os primeiros ouvintes de Jesus, falar em “corpo” ou em “sangue” é se referir a uma pessoa inteira: o Senhor morto e ressuscitado está, por inteiro, tanto no pão (seu corpo), quanto no vinho (seu sangue).
  3. b) Ele é a verdadeira vítima expiatória pelos pecados do mundo: no Antigo Testamento, eram oferecidos animais irracionais, agora é o próprio Cristo, o Cordeiro de Deus, quem, de modo único e definitivo, Se oferece pela humanidade toda (cf. Êx 24,8; Jo 1,29; 1Cor 5,7; Jr 31,31-33).
  4. c) Esse gesto deveria ser repetido pelos discípulos como memória de Cristo: aqui o termo memória causa dificuldades desnecessárias a algumas pessoas. Isso porque para nós ter um fato na memória quer dizer, simplesmente, ter recordação de algo distante. Ora, o conceito bíblico de memória se prende aos termos zeker e zakar (= recordar-se) que não é mera lembrança do passado, do distante, do ausente, mas é, ao contrário, um recordar eficiente/eficaz. Sim, ao se lembrar de alguém, Deus age em favor dessa pessoa em vista do bem da humanidade (cf. Gn 19,29; 30,22; Êx 2,24; 6,5; 32,12-13; Lv 16,42; Sl 104,8; 105,45 etc.).
Daí, os primeiros cristãos sempre celebraram a Eucaristia, de acordo com o Apóstolo Paulo: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1Cor 11,27-29).
Fora da Escritura, mas fazendo eco a Ml 1,11, a Didaqué, manual cristão dos fins do século I, prova a celebração da Eucaristia: “Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado. Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: ‘Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações’” (XIV,1-3).


https://pt.aleteia.org/2018/07/24/eucaristia-textos-da-escritura-e-da-tradicao-que-confirmam-o-rito-da-missa/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

quinta-feira, 26 de julho de 2018

ENVIA-ME

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Jesus faz-se pão para ser nosso alimento. 
Jesus dá-se a comer para termos a sua vida. 
Uma vida nova, que é a sua vida divina. 
E nós, que damos aos outros para terem mais vida? 
Sim, que damos nós aos outros para os tornar mais felizes? 
Sim, que lhes damos? 
Sejamos pão para os outros Dando-lhes a nossa amizade O nosso tempo, a nossa ajuda A nossa alegria, a nossa esperança A nossa bondade e o nosso perdão. 
Senhor, dá-nos sempre desse pão Como nós damos do nosso pão aos nossos irmãos. 
Eis-me aqui, envia-me a ser pão. 

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Fonte: Secretária da Pastoral Vocacional

segunda-feira, 23 de julho de 2018

O GRANDE VALOR DO “DEUS LHE PAGUE”


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Um verdadeiro acontecimento, que muito nos leva a pensar. Foi no ano de 1852, na pequena cidade de Albendorf, pertencente naquele tempo, a Áustria, no Glatzer Land. Uma pobre operária, cujo marido há mais tempo estava doente de cama, queria pedir ao açougueiro um pedaço de carne para fazer uma sopa bem forte. Ela fez o pedido ao açougueiro. Mas ele sacudiu a cabeça e disse: “Não gosto deste tipo de fregueses. Quero ver dinheiro vivo.” “Não a quero de graça,” disse a mãezinha. “Eu te digo um Deus lhe pague. Isto pesa bem.” Irônico disse o açougueiro: “Quanto pesará seu Deus lhe pague?” Logo veremos isto. Num pedaço de papel ele escreve: “Deus lhe pague” e o coloca num prato da balança. Mas veja! Ele não acredita no que está vendo. De repente este prato se abaixa. Ligeiro, ele corta mais um pedaço de carne da mesa vizinha, e a coloca sobre a outra que está no prato da balança. Esta não se mexe. Um segundo pedaço, um terceiro, coloca sobre a carne no prato, já toda carne que está sobre a mesa. Ele não consegue levantar o prato, no qual está o papel com o escrito. “Deus lhe pague.” Este fica embaixo e o outro com toda carne encima. O açougueiro não consegue sair de sua admiração. Ele sacode continuamente a cabeça e diz: “Isto não é de acreditar, mas eu vejo com meus próprios olhos: Este “Deus lhe pague” tem mais peso do que toda minha carne.” Ele deu à surpreendida mulherzinha, um bom pedaço de carne e, dali em diante, deu muito valor ao “Deus lhe pague.” Na minha infância, ouvi muitas vezes contar esta história. Ela é testemunhada por aqueles que a ouviram contar no tempo dos bis avós. 

(Veja: Anais da infância de Jesus. Ano IV, pág. 21 AM. Weigl.) Jesus: Querida alma, como vejo teu coração cheio de desejo, de preparar-Me muita alegria com o “Deus lhe pague” e com o “Deus o abençoe,” quero chamar a atenção, como podes aumentar bem mais o efeito dos dois pedidos. Alma: Ó Jesus existe coisa maior ainda do que já falaste sobre “Deus lhe pague?” Jesus: Certamente, Minha filha, o meio para isto é tua livre vontade. Na livre escolha de tua vontade podes simplesmente dizer: “Deus lhe pague.” Mas também podes dizer: “Mil vezes, Deus lhe pague.”

Fonte: Livro com promessas

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Santos incorruptos: conheça a história de 10 corpos que desafiam a natureza

Você já ouviu falar a respeito dos Santos Incorruptos? Não, neste caso o termo “incorrupto” não está relacionado com não ceder à tentação de receber propinas divinas, nem com o não envolvimento em negociações angelicais para a obtenção de benefícios celestes. Estamos falando aqui dos intrigantes cadáveres de pessoas que foram beatificadas ou canonizadas, mas que, por algum motivo misterioso, continuam preservados — alguns deles há vários séculos.

Driblando a natureza

Beata Anna Maria Taigi, San Crisogono, Roma
Como você sabe, depois que um ser humano morre, a não ser que o corpo seja submetido a algum processo específico — seja natural ou intencional — de preservação, o cadáver passa por uma série de transformações nada agradáveis que, eventualmente, levam à sua completa decomposição.
No entanto, curiosamente, alguns santos aparentemente não passaram por nenhum desses processos e, em vários casos, a Ciência não conseguia — ou ainda não consegue — explicar a razão de seus corpos não terem se degradado. Isso porque, apesar de existirem casos de pessoas que driblaram a decomposição, quando são descobertos, os corpos desses indivíduos geralmente se encontram mumificados, petrificados ou viraram “sabão”, por exemplo.

Sinal favorável

Santa Paula Frassinetti, Convento di Santa Dorotea, Roma
Por outro lado, no caso dos Santos Incorruptos, quando eles foram exumados, mesmo depois de vários anos após sua morte, muitos desses cadáveres apresentavam a mesma aparência — e às vezes até a flexibilidade — que tinham em vida, dando a impressão de que estavam dormindo. Além disso, seus corpos não mostravam sinais de terem sido embalsamados, nem de terem sido enterrados em condições que favorecessem a preservação.
Durante séculos, a Igreja Católica Romana defendeu que apenas os indivíduos com os corações mais puros e de fé inabalável eram capazes de resistir à decomposição, e ter o corpo incorrupto inclusive era um dos requisitos para a beatificação e canonização. Tanto que quando surgia algum candidato a santo no pedaço, um dos trâmites envolvia a exumação do corpo para que membros da Igreja, médicos e cientistas pudessem realizar a inspeção.
Além disso, nem sempre era necessário que o corpo se encontrasse completamente incorrupto, e a presença de órgãos ou membros preservados — como o coração, as mãos ou a língua — também era considerada. A prática de exumar os aspirantes a santo persistiu até o século 20, e hoje em dia, a incorruptibilidade, apesar de ser um sinal favorável, não é mais obrigatória para a beatificação ou canonização.

Incorruptos ilustres

Atualmente, existem corpos incorruptos em exposição em igrejas de várias partes do mundo, com a grande maioria deles espalhada pela Europa. Alguns não resistiram à passagem do tempo — e à ação do ambiente depois que foram exumados —, e finalmente se descompuseram.
Outros tantos foram embalsamados ou protegidos por camadas de cera, prata e até ouro, mas ainda existem exemplares que, misteriosamente, permanecem desafiando à passagem dos séculos. Independente de seu atual estado de preservação — ou se hoje eles não passam de múmias ou modelos —, todos se tornaram atrações e fascinam milhares de peregrinos e curiosos todos os anos, e você vai poder conhecer alguns dos Santos Incorruptos mais ilustres a seguir:

1 – Santa Bernadete de Lourdes

Santa Bernadete de Lourdes faleceu em 1879 e, em 1909, ou seja, trinta anos após a sua morte, o corpo permanecia intacto. De acordo com os médicos que acompanharam a primeira exumação, o cadáver se encontrava rígido, mas incrivelmente preservado. Em 1919, ocorreu uma segunda exumação, e as condições do corpo de Santa Bernadete permaneciam as mesmas, e o mesmo foi observado em 1925, na terceira exumação.
Nessa terceira ocasião, o corpo de Santa Bernadete foi coberto com uma fina camada de cera e colocado em uma urna — conforme você pode ver na imagem acima — e, desde então, ele se encontra em exposição na Igreja de Saint Gildard, em Nevers, na França.

2 – Santa Catarina de Bolonha

Quando Santa Catarina de Bolonha faleceu, em 1463, seu corpo foi enterrado diretamente na cova — sem o uso de um caixão — e, até onde se sabe, não passou por qualquer processo de embalsamamento. Após 18 dias, o cadáver foi exumado, e permanecia em perfeito estado, sem mostrar qualquer sinal de putrefação.
Maestro Giovanni Marcanova, o médico que examinou a santa na época, não conseguiu encontrar uma explicação para o fato e, então, o corpo foi vestido com um hábito limpo e colocado em uma cadeira.
Santa Catarina de Bolonha se encontra até hoje — mais de 500 anos depois de sua morte — na Capela da Ordem das Clarissas da Igreja de Corpus Domini em Bolonha, na Itália, e o seu corpo pode ser visto através de uma proteção de vidro. Por certo, a coloração escurecida da santa se deve à ação de milhares de velas que foram sendo queimadas pelos fieis ao longo dos séculos.

3 – Santa Cecília

Não existem informações muito precisas sobre a data na qual Santa Cecília foi martirizada, e sua história só foi registrada no século 5. Mas acredita-se que ela foi condenada à morte por decapitação entre anos de 176 e 180 por Turcius Almachius, o então prefeito de Roma. Dizem que o carrasco não conseguiu separar a cabeça do corpo mesmo depois de três golpes no pescoço de Cecília — e que ela ainda agonizou durante três dias antes de finalmente morrer.
O corpo da mártir teria sido encontrado incorrupto e na mesma posição em que foi abandonado entre os anos de 817 e 824, ou seja, mais de 600 anos após a sua morte. Mais tarde, em 1599, Cecília voltou a ser exumada, e seus restos mortais permaneciam iguais. Foi então que uma estátua reproduzindo a forma como o seu corpo foi descoberto foi colocada sobre a tumba da santa, e ela pode ser visitada na Igreja de Santa Cecília no Trastevere, em Roma.

4 – São Silvano

São Silvano se encontra em exposição na Igreja de São Brás em Dubrovnik, na Croácia, e também é mais um exemplo famoso de Santo Incorrupto. Ele foi martirizado com um ferimento no pescoço durante o século 4, e até hoje — cerca de 1700 anos depois! — seu corpo ainda existe. O cadáver provavelmente recebeu uma camada de cera para ser preservado, mas, mesmo assim, é extraordinário que ele tenha resistido por tanto tempo.

5 – Sor María de Jesús de Ágreda

María de Jesús foi uma freira espanhola que morreu em 1665, e seu corpo se encontra até hoje em exposição no Convento de la Concepción, localizado em Ágreda, na Espanha, onde ela foi abadessa. Como você pode ver na imagem, uma estátua de Sor María foi criada para marcar o local de sua sepultura, e o corpo incorrupto — sobre o qual foi aplicada uma fina camada de cera para dar uma corzinha à freira — fica em uma urna de vidro logo abaixo.

6 – Santa Rita de Cássia

Santa Rita de Cássia, a santa das causas impossíveis, morreu em 1457, e seu corpo incorrupto — embora se encontre bem desidratado atualmente — pode ser visitado na Basílica de Santa Rita em Cascia, na Itália. Segundo alguns rumores, os olhos da santa já foram flagrados se abrindo e fechando sozinhos, e ela também parece mudar de posição no interior da urna de vidro que guarda o seu corpo.

7 – Santa Catarina de Labouré

Santa Catarina de Labouré faleceu em 1876, e quando o seu corpo foi exumado em 1933, ou seja, cerca de 56 anos após sua morte, ele foi encontrado incorrupto. Dizem que seus olhos permaneciam tão azuis como no dia em que ela morreu, e atualmente Santa Catarina de Labouré pode ser vista em exposição em uma capela na Rue du Rac, em Paris.

8 – São João Maria Vianney

Também conhecido como o “Santo Cura D'Ars”, São João Maria Vianney morreu aos 73 anos no início de agosto de 1859, e foi sepultado usando uma máscara de cera. Mas quando seu corpo foi exumado em obediência aos trâmites necessários para a sua beatificação, ele foi encontrado incorrupto, e seu coração foi removido e colocado em um relicário. Atualmente, São João Maria Vianney pode ser visitado no Santuário de Ars, na França.

9 – Padre Pio

Nascido em Pietralcina, na Itália, em 1887, Padre Pio foi um capuchinho que se tornou famoso por seus estigmatase milagres. Após uma longa vida de devoção, ele morreu em 1968, na Igreja de Santa Maria das Graças, localizada em San Giovanni Rotondo, na Itália.
Pio foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002, e seu corpo — supostamente — incorrupto foi exumado no início de 2008 e, desde então, se encontra em exposição em uma urna de vidro e é visitado por milhares de peregrinos todos os dias.

10 – São Francisco Xavier

Também conhecido como “Apóstolo do Oriente”, São Francisco Xavier nasceu em 1506, na Espanha, e não só ajudou a fundar a Companhia de Jesus, como foi um dos maiores evangelizadores da Igreja, atuando como missionário no Oriente, sobretudo no Japão e na Índia. São Francisco morreu em dezembro de 1552, na China, mas, em fevereiro de 1553, ele foi exumado e descoberto incorrupto. Aliás, a história do corpo do santo é uma viagem!
Em março de 1553, após ser exumado, o corpo de São Francisco foi levado a Malacca, na Malásia, onde foi sepultado em um caixão com duas camadas de cal para acelerar o processo de degradação e ajudar no transporte de seus ossos. Mas, para a surpresa de todos, passados dois meses e meio, o cadáver foi novamente exumado e, depois de a cal ser removida, o corpo permanecia intacto.
São Francisco foi mais uma vez sepultado — com uma pitadinha de cal —, só que desta vez diretamente na terra. Pois, em dezembro do mesmo ano, o santo continuava inteirinho e, como não dava sinais de querer se decompor, ele foi enviado assim mesmo até Goa, que era o local no qual São Francisco queria que seus ossos fossem enterrados.
Finalmente, em 1637, o corpo incorrupto foi colocado em uma urna de vidro e prata, onde permanece até hoje em exposição na Basílica do Bom Jesus. No entanto, depois de tantas idas e vindas — e tanto tempo! — São Francisco Xavier se encontra um tanto quanto deteriorado.

*Publicado originalmente em 07/07/2015.

https://www.megacurioso.com.br/religiao/71844-santos-incorruptos-conheca-a-historia-de-10-corpos-que-desafiam-a-natureza.htm