quarta-feira, 26 de setembro de 2012

"A EUCARISTIA COMO CORPO DE CRISTO" Evangelho de João 6


Corpus Christi nos fala do Corpo de Cristo. Antes de começarmos a espiritualizar
demais a realidade da eucaristia, convém refletir um momento sobre essa realidade: é corpo, é sangue, é matéria. João nos fala dessa realidade no discurso sobre o Pão da
Vida. É corpo, é pão. É alimento real, como é real o corpo. Diz João, no capítulo 6 de seu evangelho:
"Eu sou o pão da vida". E continua: "Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo." E mais à frente diz ainda: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeiramente comida, e meu sangue éverdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele".
Quem se aproxima da eucaristia comunga realmente o corpo e o sangue de Jesus, isto é, sua vida. Comungar significa viver nele, assumir seus compromissos, sua vida, seu projeto, sua pessoa. Comunhão não é rito mágico, é acesso à vida de Deus no Cristo.
Não é bom esquecer que Jesus é o Verbo de Deus, mas é melhor ainda lembrar que esse Verbo se fez carne, se fez homem. A primeira carta de João, capítulo 4, verso 2, diz que
quem "confessa que Jesus veio na carne é de Deus". A realidade primeira que precisamos afirmar a respeito de Jesus é a sua encarnação. Ele realmente se fez homem, assumindo nossa inteira realidade. O que significa dizer que assumiu nossa
materialidade, nosso corpo e sangue. Jesus não é simplesmente espírito. Jesus é homem, com seu corpo e sangue. A realidade corporal faz parte de sua vida. É nela que ele vive.
É através dela se relaciona com os outros, com Deus. Jesus foi, e é integralmente e totalmente humano. E como o corpo faz parte da realidade humana, Jesus o assumiu. É esse corpo que os discípulos vêem, é nele que o reconhecem na cruz e na ressurreição. Jesus é integralmente humano e integralmente Deus. A união da natureza humana e da natureza divina numa única pessoa, isso o que acreditamos e afirmamos quando
professamos nossa fé em Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado. Ora, uma vez unidas, essas naturezas não mais se separam, já que essa união é substancial e não acidental, é
essencial e não mero detalhe.
Por isso, para nós católicos a eucaristia não apenas representa Jesus, seu corpo e sangue.
Falamos de uma real presença de Jesus no sacramento da eucaristia. Uma real e integral presença. Ressuscitado, Jesus o é também com sua humanidade, que inclui a corporeidade. Certo que se trata de uma corporeidade um tanto diferente da que
conhecemos agora, mas ainda é corporeidade. Ele ainda carrega as chagas da paixão, isto é, as marcas de sua humanidade. Essa humanidade não se separa de sua divindade, porque senão teríamos duas pessoas, e não é isso que afirmamos em nossa fé. Daí que, presente na eucaristia, Jesus está na totalidade de sua pessoa: com sua natureza divina e com sua natureza humana. Daí ele poder falar do pão como sendo sua carne. Sabemos
que os humanos têm carne, e se Deus é Espírito, não precisa tê-la. Se falamos do corpo de Cristo, é porque reconhecemos que sua humanidade, assim como sua divindade, está presente no sacramento da eucaristia.
Sabemos, também, que a Igreja é o Corpo de Cristo. São Paulo já diz que da Igreja o Cristo é a cabeça, e nós somos os membros. Formamos um único corpo. Somos na
verdade um corpo, o corpo de Cristo. Ele viveu sua vida em seu corpo histórico, nascido de Maria. Nós, Igreja, formamos o seu corpo místico, unidos a ele como o corpo se une à cabeça. A Igreja é o corpo de Cristo. Ora, se ao recebermos a eucaristia comungamos o corpo de Cristo, evidentemente também comungamos com a Igreja. Todo sacramento é deixado por Deus à sua Igreja. Não existe sacramento para ser celebrado
individualmente, mas em Igreja. A eucaristia também guarda esse relacionamento com a totalidade do Corpo místico de Cristo. Comungamos na Igreja, em Igreja, com a Igreja.
Nunca sozinhos. E em cada eucaristia, celebramos com a Igreja inteira, unidos misticamente a ela, como Corpo de Cristo. É importante a gente lembrar disso para não ficar pensando que a comunhão é simplesmente um acontecimento entre eu e Deus. A
Igreja é realidade necessária também na comunhão. Até porque a Eucaristia acontece na Igreja, une a Igreja, faz com que ela aconteça. O Concilio Vaticano II já reconhecia que a eucaristia é a fonte e o ápice da vida cristã. E a vida cristã é vivida em Igreja. Somos o Corpo de Cristo. Guardamos relações uns com os outros, com a Igreja inteira, a Igreja Universal. Dai que a eucaristia é um acontecimento eclesial. Por isso não se celebra a
eucaristia numa única intenção, com uma única pessoa, grupo ou movimento. A eucaristia é sempre celebrada em união com toda a Igreja, com a Igreja universal. Paulo escrevendo aos Corintios diz em l Cor 10, 17: "Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos deste único pão". A Eucaristia nos forma como Corpo místico de Cristo, nos unindo, pois participamos da mesma mesa, tomando o mesmo alimento. Daí que a comunhão eucarística não é só um
acontecimento pessoal, mas eclesial, ligando-se à uma realidade maior, a toda a Igreja. Por outro lado, já que falamos de corpo, nós costumamos cuidar de nosso corpo, e isso deve acontecer. É justo e natural que cuidemos de nosso corpo. Pois bem, se somos
Corpo de Cristo, Igreja, devemos também cuidar desse corpo. A eucaristia nos une em Igreja, para que cuidemos dessa união. A unidade da Igreja diz respeito a todos nós, e a preocupação com ela deriva da própria realidade eucarística. Cuidar do corpo eclesial e de sua unidade é obrigação derivada da participação na eucaristia. Não comungamos apenas por nós e para nós, mas para toda a Igreja. E o cuidado com o corpo eclesial se
dá, fundamentalmente, pela participação na comunidade. Cuidamos da Igreja a partir de dentro, como quem dela faz parte. Da mesma maneira que cuidamos de nossa família.
Não cuidamos dela como algo exterior, como se fosse exterior a nós e como se pudéssemos viver sem ela. Cuidamos a partir do interior, como interessados.
Esse cuidado se manifesta, claro, na oração que fazemos por toda a Igreja. Quando rezamos, não rezamos apenas por nós, mas por toda a Igreja. Mas é preciso mais que apenas oração, é preciso participação. Não freqüência simplesmente: participação, interesse, envolvimento. A comunidade é construção nossa, somos nós que a fazemos.
A Igreja é esta comunidade. Cuidamos de nosso corpo, cuidamos também do corpo eclesial. E é preciso que dele cuidemos que nos interessemos pelas coisas da
comunidade, da Igreja, por sua situação, suas necessidades, suas realizações. Igreja não é os outros. Igreja somos nós. Sou também eu, que participo da eucaristia.
E se é preciso cuidar do corpo eclesial, também não é fora de propósito pensar no cuidado que devemos ter com o corpo social. A eucaristia nos envolve na realidade da
sociedade quando se afirma como alimento para a nossa vida. E são tantos os privados de alimento! E não apenas do alimento eucarístico, mas também do alimento cotidiano.
Alimentamo-nos de Deus para que nos tornemos capazes de nos alimentarmos uns aos outros, através da partilha e da caridade. Não se pode perder isso de vista, sob o risco de
perder o significado mesmo da eucaristia. Não se pode falar do Corpo de Cristo e esquecer os corpos de tantos irmãos nossos que fazem perdurar em seus corpos o sacrifício de Jesus. Tantos são os sofredores de nosso mundo, tanto sofrem em seus
corpos, por falta de saúde, de alimento, de moradia, de cuidado, de atenção, de direitos... Não há como comungar o corpo sofredor de Cristo sem ser tocado pêlos corpos sofredores de nossos irmãos e irmãs. A realidade da eucaristia nos compromete com a prática da caridade. Cristo por nós se entrega, e se o recebemos é para que aprendamos a partilhar, a entregá-lo ao mundo, através também do testemunho de
caridade. Não queiramos apenas receber de Jesus, mas saibamos também dar de nós. Com efeito, o cuidado com os sofredores é uma marca do cristianismo. Mesmo os não, cristãos cuidam de quem sofre, mas os cristãos o fazem por razões de fé, como que por obrigação derivada da fé, e não apenas da morai. O corpo de Cristo nos aproxima dos corpos de nossos irmãos e irmãs que precisam de cuidado, de atenção, de fraternidade,
de solidariedade, de justiça, de direitos. A eucaristia não substitui a caridade, ao contrário, a causa e coloca-a como compromisso de vida.

Padre Antonio Manzatto

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"ADORAMOS O VERBO"



Adoramos O Verbo Toca de Assis
Adorar-te e encontrar-te em Teu altar
E encontra-me a mim a verdade que sou eu
Contemplar o Teu olhar em meu pobre olhar
e entender que nada sou diante de Ti
E os meus desejos e anseios por Ti em minh'alma adentrar
Meus pensamentos, razões que se dobram
perante Teu amar
E me faz ver mais além do que os olhos
podem ver
Sobre véuss desse amor Seu mistério de luz

E não há nada maior do que essa presença
a me embalar
Os meus tormentos, sofreres, angústias aos
Teus vão se juntar
Tudo pra Te consolar
Imolado quero estar
Estando unido a Ti no sacrifício da Cruz

Adoramos o Verbo
Encarnado eterno
Nos prostramos aqui
Para Te adorar

Adoramos o Verbo
Encarnado eterno
Que se dá em alimento
Corpo e Sangue para nos alimentar



http://www.vagalume.com.br/toca-de-assis/adoramos-o-verbo.html#ixzz27X9jff6A

domingo, 23 de setembro de 2012

1º ALMOÇO BENEFICENTE DOS FILHOS ESPIRITUAIS DE PE. PIO

Queremos agradecer a todos que participaram e prestigiaram este almoço. Graças a Deus ocorreu tudo como o planejado e mais uma vez podemos comprovar ao trabalhar de Deus nas nossas vidas.

Algumas fotos do almoço:
POR: Filhos Espirituais de Pe. Pio

"AS VIAS DE ACESSO AO CONHECIMENTO DE DEUS"


31 Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus
descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da
existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de
"argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas.
Estas "vias" para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa
humana.
32 O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo,
pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo.
São Paulo afirma a respeito dos pagãos: "O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles,
pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível - seu eterno poder e sua divindade - tornou-se inteligível desde
a criação do mundo através das criaturas" (Rm 1,19-20).
E Santo Agostinho: "Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do
ar que se dilata e se difunde, interroga a beleza do céu... interroga todas estas realidades. Todas elas te
respondem: olha-nos, somos belas. Sua beleza é um hino de louvor (confessio). Essas belezas sujeitas à
mudança, quem as fez senão o Belo (Pulcher, pronuncie "púlquer"), não sujeito à mudança?"
33 O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua
liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga
sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de
eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria" sua alma não pode ter origem senão em Deus.
34 O [fca15] mundo e o homem atestam que não têm em si mesmo nem seu princípio primeiro nem
seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim por estas diversas "vias",
o homem pode aceder ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim
último de tudo, "e que todos chamam Deus"
35 As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.

CIC - Catecismo da Igreja Católica

"SERVIR É PRIVILÉGIO

O vírus da ambição com muita frequência nos contagia. Mandar nos outros, dominar as pessoas, ser servidos e reverenciados, ditar as aspirações supremas em nossas comunidades.
É muito difícil a alguém aceitar ser o "último", ou admitir ser o "menor", ou tolerar ser o "servo de todos".
Cada um galopa, com a lança em punho, para a conquista do primeiro lugar. Lugar que deveria ser de Deus, mas é opinião corrente que ele deixou vago, por não querer competir conosco.
Não deveria ser essa, porém a lógica a vigorar no seio das comunidades cristãs. Nelas, uma só ambição deveria ser tolerada: servir a todos. Uma só preocupação deveria habitar os corações: implantar o reino de Deus.Uma só primazia deveria ser desejada: cada um ser o primeiro em amar e perdoar.
A velha lógica do poder e da dominação de si mesmo como objeto de adoração, da imposição de si mesmo comoobjeto de adoração, a nada leva e nada empresta e este mundo decadente.  Aliás, é justamente tal lógica a mãe funesta de toda desunião e discórdia, de todas as paixões e ambições, de todas as guerras e conflitos a infernizar nossa vida e prejudicar nossa caminhada.
É assim que, segundo São Tiago, acabamos sendo ludibriados pela nossa própria estultúcia e pela falta daquela "sabedoria que vem do alto". De modo que cobiçamos, mas nada possuímos. Matamos, mas nada resolvemos. Invejamos, mas não enriquecemos. Pedimos a Deus, mas nada recebemos, uma vez que pedimos com más intenções.
Seremos igreja de Cristo só quando substituirmos a lógica do primeiro lugar pela lógica do último. A lógica do domínio pela lógica do serviço. A lógica da posse pela lógica da gratuidade. A lógica do egoísmo pela lógica do amor.

Pe. Virgílio, ssp
Artigo sobre as Leituras Bíblicas do dia 23/09/2012
Sb 2, 12. 17-20   Sl 53   Tg 3, 16 - 4,3   Mc 9, 30-37

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"A SANTA MISSA NOS LIVRA DUMA MULTIDÃO DE MALES"



Acreditai que, além dos favores que solicitamos na
Santa Missa, nosso boníssimo DEUS nos concede muitos
outros sem que o peçamos.
É o que ensina claramente São Jerônimo: absque dúbio dat
nobis Dominus quod in Missa petimus; et, quod magis est,
saepe dat quaod non petimus.

“Sem dúvida alguma, o Senhor nos dá todas as graças que
pedimos na Santa Missa, contanto que nos sejam de
vantagem; mas, o que é mais admirável, muitas vezes nos
dá o que não pedimos.”
Podemos dizer, por isso, que a Santa Missa é o sol do
gênero humano espalhando seus raios sobre os bons e
sobre os maus, e alma não há tão pérfida sobre a terra, que
assistindo à Santa Missa, dela não aufira qualquer grande
bem, e muitas vezes mesmo sem nele pensar ou pedi-lo.
Santo Antonino conta que um dia dois jovens libertinos
passeavam numa floresta. Um deles havia assistido à Santa
Missa e o outro não. Levantou-se subitamente furiosa
tempestade, e no meio dos trovões e relâmpagos ouviram
eles uma voz que clamava: “Mata! Mata!” No mesmo
instante o raio esbraseou o ar e feriu aquele que não
assistira à Santa Missa.
O companheiro apavorado, prosseguiu o caminho buscando
um refúgio, quando ouviu novamente a mesma voz, que
repetia. “Mata! Mata!” O pobre rapaz nada mais esperava
senão a morte. Uma outra voz, porém, respondeu: “Não
posso, pois ele assistiu à Santa Missa. A Santa Missa a que
ele assistiu impede-me de feri-lo.”
Oh! Quantas vezes DEUS não vos livrou da morte, ou,
pelo menos, de numerosos e graves perigos, graças às
Santas Missas a que tiverdes assistido! Disso nos assegura
São Gregório no quarto de seus Diálogos: Per auditionem
Missae homo liberatur a miltis malis at periculis, diz o santo
Doutor. “Sim, é verdade que aquele que assiste
devotamente à Santa Missa será preservado de muitosQui! Missam devote audierit subitânea morte nom peribit.
Eis, diz-nos este santo Bispo, um preservativo admirável
para evitar a morte imprevista: assistir todos os dias à Santa
Missa e com toda a devoção possível. Quem se munir de
tão eficaz salvaguarda viverá sem temor dessa terrível
desgraça.
Existe certa crença, por alguns atribuída a Santo
Agostinho, de que durante o tempo em que se assiste à
Santa Missa não se envelhece, mas a força e o vigor do fiel
se ocupa saber se isto é ou não verdade, mas digo sem
receio que, mesmo envelhecendo em idade, não se
envelhece me malícia, pois, na expressão de São Gregório,
uma pessoa que assiste com devoção à Santa Missa
conserva sua alma no caminho reto: Justus audiens Missam
in via rectitudinis conservaturt.
Cresce sempre em mérito e em graça, e faz na virtude
novos progressos, que o tornam agradável a seu DEUS.
E muito mais, ajunta São Bernardo, se ganha
assistindo a uma única Santa Missa (se considerar seu valor
intrínseco), do que distribuindo a fortuna aos pobres e
peregrinando a todos os santuários mais famosos da Terra.
Audiesn devote Missam aut celebrans multo magis meretur,
quam si substantiam suam pauperibus, erogaret, et totam
terram peregrinando transiret. Ó tesouro incalculável da
Santa Missa! Compreendei bem esta verdade: podemos
merecer mais assistindo ou celebrando uma só Santa Missa,
se a considerarmos em si mesma e em todo o seu valor
intrínseco, do que se distribuíssemos nossa fortuna aos
pobres, e em seguida partíssemos a percorrer o Mundo
como peregrinos, visitando com a maior das devoções os
santuários de Jerusalém, Roma, Compostela, Loreto, etc;
males e perigos, se bem que disto não se aperceba.”
Santo Agostinho chega a afirmar a preservação da
morte súbita, o golpe mais terrível com que a Justiça Divina
fere os pecadores.São Tomás de Aquino, nos garante que na Santa
Missa está encerrado todos os frutos, todas as graças e
todos os imensos tesouros tão abundantemente espalhados
pelo Filho de DEUS sobre a Igreja, sua Esposa, no Sacrifício
cruento da Cruz. In qualibet Missa inventur omnis fructus et
utilitas quam CHRISTUS in die parasceve operatus est in
Cruce.
Detende-vos aqui, um instante: fechai o livro,
interrompei a leitura, e reuni todas estas vantagens, tão
abundantes, que proporciona a Santa Missa. Ponderai-as
bem em silêncio e, depois, dizei-me se tendes ainda
dificuldade de crer que uma única Missa, considerada em si,
e em relação a seu preço e valor intrínseco, tenha uma
eficácia tão grande que baste, como ensinam os diversos
doutores, para alcançar a salvação de todo o gênero
humano.
Suponde que Nosso Senhor JESUS CRISTO não tivesse
sido crucificado no Calvário e que, em lugar do Sacrifício
cruento da Cruz, houvesse instituído somente a Santa
Missa, com a ordem formal de não se celebrar senão uma
sobre a Terra. Pois bem, admitindo esta suposição, sabei
que essa única Missa, celebrada pelo sacerdote mais
humilde do Mundo, teria sido mais que suficiente,
considerado o seu valor intrínseco, para obter de DEUS a
salvação de todos os homens.
Sim, uma única Missa bastaria, no sentido que acabamos de
explicar, para obter a conversão de todos os hereges e
cismáticos, de todos os infiéis e de todos os maus cristãos;
para fechar a porta do Inferno a todos os pecadores, e para
esvaziar o Purgatório de todas as almas que lá se purificam.
E nós, miseráveis, com nossa tibieza, nossa falta de
devoção, e as escandalosas distrações com que assistimos
à Santa Missa, quantas barreiras lhe opomos à ação e
restringimos a eficácia de seu poder! Quisera subir ao cume das mais altas montanhas e de lá
bradar com voz retumbante: Povo insensato, povo
transviado, que fazeis? Por que não acorreis às Igrejas para
aí assistir a todas as Santas Missas que puderdes? Por que
não imitais os santos Anjos, que, no dizer de São
Crisóstomo, descem do Céu em legiões, quando se celebra
a Santa Missa, e se mantêm diante de nossos altares,
velando-se com as asas em sinal de profundo respeito?
Esperam o momento bendito da Santa Missa a fim de, com
mais sucesso, intercederem por nós, pois sabem muito bem
que é essa a ocasião mais propícia para nos alcançarem as
graças celestes.
E vós! que confusão para vós terdes até agora pouco
apreciado a Santa Missa; e mais, de ter tantas vezes
profanado uma ação tão santa, sobretudo se for do número
daqueles que se atrevem a dizer temerariamente: “Uma
missa a mais, uma missa a menos, isto é ninharia!.”

 SÃO LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO
da Ordem dos Frades Menores


terça-feira, 18 de setembro de 2012

"DEUS FALA DE MARIA"


É um fato que o Evangelho fala relativamente pouco da Mãe de Jesus. Os textos mais
extensos circunscrevem-se, principalmente, à concepção, nascimento e infância de Cristo. No
entanto, se o Evangelho fala pouco, ao mesmo tempo
diz muito.
Não acompanharemos aqui passo a passo todos os “evangelhos de Maria”. Debruçar-nosemos
apenas sobre alguns textos evangélicos, guiados pelo desejo de captar o que acima se
mencionava: que nos diz Deus de Maria? O que é que Ele pensa e quer dela? Simultaneamente,
guiar-nos-á o propósito de verificar se a devoção a Maria, tal como a vivem os fiéis católicos, está
em sintonia com a vontade de Deus. Para este fim, parece-nos especialmente esclarecedor, como
ponto de partida, meditar a narração de São Lucas sobre a Visitação de Maria a sua prima Santa
Isabel.
Quando Maria se encaminhou à casa de Isabel, ainda soavam nos seus ouvidos e no seu
coração os ecos da mensagem da Anunciação. No seu seio, o Verbo – a segunda Pessoa da
Santíssima Trindade – já se fizera carne. Ela era mãe e, em seu corpo virginal, trazia Deus feito
homem, formava-lhe um corpo.
Por uma alusão incidental do Anjo Gabriel na Anunciação, Maria tomou conhecimento de
que
também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês daquela
que se dizia estéril
(Lc 1,36).
A sua reação imediata foi pensar que Isabel precisaria de ajuda. E é por isso que vai sem
demora oferecer o seu auxílio à prima idosa, que se preparava para a primeira experiência da
maternidade:
Levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou
em casa de Zacarias e saudou Isabel
(Lc 1, 39-40).
Até aqui, o Evangelho apresenta uma cena de delicada caridade. Mas, a partir desse
momento da narrativa, a cena familiar do encontro das duas mulheres eleva-se a um plano diverso,
ganhando uma significação inesperada. Deus intervém. São Lucas descreve o que se passou com os
acentos do imprevisto: “Aconteceu”, diz. Passou-se algo que não era esperado.
Aconteceu que,
apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre e Isabel ficou repleta do
Espírito Santo. Exclamou ela em alta voz e disse
... (Lc 1, 41-42).
Não há a menor dúvida de que o Evangelho mostra neste texto que Deus vai falar por boca
de Isabel. Vai falar como o fizera pelos Profetas, cheios do Espírito Santo; e todos sabemos que a
voz dos Profetas era a voz de Deus:
Deus falou outrora muitas vezes e de muitos modos aos nossos
pais pelos Profetas
– assim começa a Epístola aos Hebreus (1, 1). Agora dispõe-se a falar de novo.
Pensando bem, o que é que seria lógico esperar dos lábios de Isabel, quando o Espírito
Santo a invade – a ela e ao filho que traz nas entranhas –, inundando-a da alegria de receber em sua
casa o Salvador de que Maria é portadora, o Messias esperado por séculos e séculos a fio, o próprio
Deus habitando entre os homens?
Em princípio, seria razoável esperar que, perante um fato de tal transcendência, Isabel –
movida pelo Espírito Santo – entoasse um cântico de adoração e de agradecimento ao Deus, Senhor
de céus e terra, que se dignava chegar a sua casa. Diante da presença do Deus vivo, tudo se
obscurece, todas as criaturas passam a um segundo plano, como sombras que, quando muito,
refletem tenuemente os raios do Sol divino.
Certamente Isabel louva o seu Senhor e exulta nEle em alegre agradecimento. Mas a
verdade é que
todas as palavras que pronuncia são – do começo ao fim – um louvor e uma
glorificação de Maria. É Deus quem fala por ela – precisamos repisá-lo –, e em conseqüência essas
palavras inspiradas expressam o que Deus nosso Senhor “pensa” e “quer dizer” daquela que
escolheu como Mãe.
Prestemos atenção ao texto do Evangelho: ...
Isabel ficou repleta do Espírito Santo.
Exclamou ela em alta voz e disse: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque logo que a voz da tua
saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a
que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas
(Lc 1,
41-45). Cada palavra, cada frase, tem um peso.
Se acompanharmos o ritmo das expressões de Isabel, na sua seqüência linear, perceberemos
logo que começam com um louvor a Maria, que identifica a Virgem com a mulher abençoada por
Deus de uma forma única entre todas as mulheres; e que se segue um louvor a Cristo, mas a Cristo
contemplado através de Maria, precisamente como filho dela: “bendito o fruto do teu ventre”. Esta
é a primeira palavra que Deus profere sobre Nossa Senhora por intermédio de Isabel.
Lê-se a seguir uma segunda frase, cujo significado é este: a proximidade de Maria, a
presença e a conversa com a Virgem, é um bem, é uma bênção para a alma a quem Ela se chega.
“Donde me é dado que a mãe do meu Senhor venha ter comigo?” Isabel sente-se beneficiada por
um dom imerecido. Não se limita a agradecer à sua parenta a atenção que está tendo com ela; se se
sente honrada, para além de todo o merecimento, é porque recebeu a visita da “Mãe do meu
Senhor”. É isto justamente o que a comove: que, diante dos seus olhos, está a Mãe de Deus, e a
Mãe de Deus é portadora das bênçãos do céu.
Esta referência emocionada de Isabel ao dom, ao benefício recebido pela visita da Mãe do
seu Senhor, torna-se ainda mais explícita e clara nas palavras que profere a seguir, com a fluência
de um cântico: “Porque logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou
de alegria no meu ventre”.
Só entenderemos cabalmente esta frase se não esquecermos que, pouco antes, São Lucas já
se referira a um duplo efeito – um duplo dom – produzido pelas palavras de “saudação” proferidas
por Maria: por um lado, a alegria sobrenatural de João Batista, que saltou no seio de sua mãe; por
outro, a efusão do Espírito Santo na alma de Isabel. É da maior importância perceber que esse
duplo dom, conforme diz o Evangelho, tenha sido concedido por Deus em virtude da presença de
Maria.
O texto, com efeito, expressa uma autêntica relação de
causalidade entre a chegada de
Maria, a voz de Maria, e os dons divinos derramados na alma de Isabel e do seu filho. Tudo
aconteceu “apenas Isabel ouviu a voz de Maria”, “logo que a tua saudação chegou aos meus
ouvidos”, e aconteceu “por isso”. Aqui não se está falando de sentimentos ou de reações
emocionais subjetivas – do estado psicológico provocado humanamente pela visita de Maria –, mas
de uma iniciativa divina, de uma ação direta de Deus sobre Isabel – “ficou repleta do Espírito
Santo” –, que o Evangelho vincula a Maria como causa instrumental. Deus agiu por intermédio
dEla.
Também encerram uma grande riqueza as últimas palavras pronunciadas por Isabel. Tratase
de um novo louvor: “Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da
parte do Senhor lhe foram ditas”. Se esta frase não se encontrasse no Evangelho, provavelmente
acharíamos excessivo o que ela diz. Surpreendentemente, Isabel – Deus por ela – afirma sem
ambigüidades que “as coisas que da parte do Senhor foram ditas a Maria” se cumprirão
porque Ela
acreditou.
Ora, o que é que são essas coisas ditas da parte do Senhor, senão as que pouco antes o Anjo
Gabriel anunciara à Virgem?
Darás à luz um filho..., será grande, será chamado Filho do
Altíssimo..., reinará sobre a casa de Jacó eternamente, e o seu Reino não terá fim
(Lc 1, 31-32).
Sem dúvida, as “coisas que foram ditas” são, nem mais nem menos, o plano divino da Redenção da
humanidade através da Encarnação, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Então, também é fora de dúvida que Isabel afirma que este plano se há de cumprir
porque
Maria acreditou, isto é, porque abraçou com fé e confiança plenas o convite de Deus para ser a Mãe
do Redentor. Isto significa que Deus, em seus desígnios imperscrutáveis,
quis fazer depender a
Redenção da humanidade, de algum modo, da colaboração de Maria
. Por outras palavras, Deus
quis
contar com a Virgem Santíssima, não como simples instrumento passivo, mas como parte
ativa e colaboradora livre da obra da Redenção.
Estas considerações simples abrem-nos desde já como que uma janela, através da qual
podemos contemplar o mistério de Maria a partir da perspectiva de Deus, e, simultaneamente,
permitem-nos avaliar – segundo a mesma perspectiva – o sentido da devoção que o povo cristão
dedica a Maria Santíssima. Na verdade, esses “pensamentos” de Deus são verdadeiros focos de luz,
que iluminam por dentro os mistérios da vida e da vocação de Nossa Senhora.

Pe. FRANCISCO FAUS
MARIA, A MÃE DE JESUS