sábado, 7 de dezembro de 2019

Vencendo as tempestades | Pregação - Frei Gilson

MEU CORAÇÃO ESTÁ PRONTO

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─ Meu coração está pronto, ó Deus, meu coração está pronto (Salmo 57,8).
O salmista recorre a Deus num momento em que sofre uma dura perseguição. Sente-se como que cercado entre leões que devoram a gente: seus dentes são lanças e flechas; sua língua espada afiada. Mas, apesar disso, não se abala, não perde a confiança no Deus que me faz o bem.  Junto do Senhor e contando com ele, seu coração se mantém pronto para superar qualquer tribulação e continuar a fazer com alegria o que Deus espera dele: Eu te louvarei entre os povos…porque tua bondade é grande até o céu, e tua fidelidade até as nuvens (Sl 57,5.3.10-11).
Todo aquele que quiser viver o ideal cristão terá que enfrentar, com confiança em Deus, oposições, resistências, medos, cansaços e tentações: obstáculos que podem anular o ânimo e a energia. A covardia que inibe é a  autodefesa do fraco, que nela se refugia para não enfrentar as dificuldades que o cumprimento da vontade de Deus exige.
  • Meu coração está pronto para quê? Infelizmente, muitos parece que só têm o coração pronto para duas coisas:
– para reclamar do que os contraria
– para dizer, mesmo sem palavras: Eu confiarei em Deus desde que ele faça a minha vontade, desde que me conceda o que eu quero e elimine o que não quero.
Um coração assim “não está pronto” para nada que valha a pena. Refugiou-se dentro da bolha do seu egoísmo, onde a confiança em Deus e a sua graça não têm espaço.
O Evangelho simboliza esses corações que não estão prontos na figura dos convidados da parábola que apresenta o Senhor como um homem que preparou um grande banquete e convidou muitos: Vinde, tudo está preparado! Mas todos, um a um, começaram a dar desculpas. Todos colocaram seus interesses (preocupação por um campo, por umas parelhas de bois…) acima do chamado de Deus. A parábola termina com palavras duras: Eu vos digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete (Lc 14,16-24).
  • A alegria dos corações prontos. Quer ver o que é um coração pronto? Estou escrevendo este capítulo, que é o último deste livro, nos dias de preparação do Natal, e a resposta me surge imediata: – Contemple as figuras do Presépio! Cada uma delas é um “coração pronto”.
– Maria, em primeiro lugar. No dia da Anunciação, a mensagem do anjo Gabriel a deixou perturbadaConceberás e darás à luz um filho… Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo… e o seu reino não terá fim (cf. Lc 1,29-33).
Era para tremer de medo. Maria, uma menina muito nova, com planos de vida simples já traçados, vê tudo modificado por Deus. No entanto, assim que capta o que Deus lhe fala, ela se dispõe a trocar seus sonhos pelos de Deus. Só pergunta como poderá realizá-los: Como se fará isso? O anjo a esclarece, mostrando-lhe que para Deus nada é impossível e que o milagre de conceber sem alterar sua consagração virginal se realizará por intervenção direta do Espírito Santo.
A sua resposta consiste em dizer logo “sim”, meu coração está pronto. E o faz com palavras que nunca meditaremos suficientemente: Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,28-39-38).
– José. Você sabe quanto sofreu diante do enigma da concepção virginal de Maria! Mas Deus não o abandonou à sua angústia. Um anjo lhe falou em sonhos: José, filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados.
José respondeu “meu coração está pronto”, não com palavras, mas com obras. Após receber a mensagem, imediatamente, sem esperar um só dia, acolheu Maria sua esposa, com infinito amor e veneração, e assumiu a custódia da mãe e do filho com uma fidelidade que durou até a sua morte Não hesitou, não discutiu, não reclamou. Disse “sim”, e basta. Quando acordou, José fez  conforme o anjo do Senhor tinha mandado (Mt 1,19-24).
Comove pensar que José “sempre” fez assim. Veja uma amostra da sua “biografia”. Quando estourou a perseguição de Herodes contra Jesus menino, o anjo de Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito”… Ele se levantou durante a noite, tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito (Mt 2,13-14). Como da outra vez, no mesmo instante em que  conheceu o que Deus queria, se dispôs a cumprir a vontade de Deus de todo o coração.
  • Os pastores. Também a eles um anjo do Senhor anunciou-lhes o nascimento de Cristo. Eu vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: hoje, na cidade de Davi [em Belém], nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor.
O anjo deu-lhes um sinal que não parecia nada condizente com a grandeza do Messias, do Rei de Israel: Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura.
Teria sido lógico que perante esse estranho anúncio, lhes viessem dúvidas, e surgissem debates, divisão de opiniões… O Evangelho não fala nada disso, mostra apenas a beleza dos corações prontosVamos a Belém, para ver o que aconteceu e que o Senhor nos comunicou. E encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Viram, adoraram e regressaram louvando e glorificando a Deus  (Lc 2,9-20).

  • Os magos. São mais um exemplo comovedor de coração pronto. Homens da corte real que estudavam os astros, um dia viram brilhar uma estrela singular, inexplicável. Indagaram, estudaram, consultaram livros e sábios, e chegaram à conclusão de que só podia ser a estrela profetizada havia séculos para anunciar o nascimento de um Salvador, rei de Israel[1].

Com uma simplicidade semelhante à de Maria e de José, eles sentiram-se chamados por Deus, e não hesitaram. Lançaram-se à procura do Salvador enfrentando longos dias, semanas e meses, dificuldades, hostilidade e fadiga, mas não permitiram que nada nem ninguém os afastasse do “sim” pronunciado por seu coração pronto.

Após perigos e vicissitudes sem conta, o fulgor da estrela reapareceu e assinalou o lugar onde Jesus se achava. Ao observarem a estrela, os magos sentiram uma enorme alegria. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhes ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2,1-16)[2].

Esses exemplos relacionados com o nascimento do Salvador têm um denominador comum. Todos os protagonistas – os personagens do presépio – precisaram de fé e coragem, pois as suas decisões e atitudes não foram nada fáceis. Ao mesmo tempo, esses corações confiantes ficaram cheios de paz. Na realidade, a mensagem dos anjos aos pastores fala deles – e dos que são como eles – quando proclama Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade  (Lc 2,14).

Quem são esses homens e mulheres de boa vontade? Bento XVI, na homilia da noite de Natal de 2005 respondia: são almas que «estavam dispostas a ouvir a palavra de Deus… Sua vida não estava fechada em si mesma; tinham um coração aberto. De algum modo, no mais íntimo do ser, estavam esperando algo. Tinham disponibilidade para escutar e disponibilidade para começar a caminhar; era uma espera da luz que lhes indicasse o caminho».

Você percebe que o coração que se fecha em si mesmo é aquele que  não espera algo que ilumine a vida. Pobre coração trancado no seu quarto escuro! Com quanta clareza Bento XVI caracteriza as almas abertas, os corações prontos, dizendo que são como Maria, José, os pastores e os magos: têm disponibilidade para ouvir a Deus, e começar logo a caminhar. Nisso consiste a “boa vontade”.

Dante Alighieri, na Divina Comédia, tem um verso maravilhoso. Fala de Deus e diz: «E’n la sua volontade è nostra pace» ─ «Na sua vontade está a nossa paz».

Todos os santos e homens de Deus descobriram essa verdade, e acharam nela a sua paz e a sua alegria. Permita-me encerrar este último capítulo com citações de um Papa ainda vivo e de um santo canonizado, que oferecem matéria para muita meditação:

– Bento XVI: «A história do amor entre Deus e o homem consiste precisamente no fato de que esta comunhão de vontade cresce em comunhão de pensamento e de sentimento e, assim, o nosso querer e a vontade de Deus coincidem cada vez mais: a vontade de Deus deixa de ser para mim uma vontade estranha que me impõem de fora os mandamentos, mas é a minha própria vontade, baseada na experiência de que realmente Deus é mais íntimo a mim mesmo de quanto o seja eu próprio. Cresce então o abandono em Deus, e Deus torna-se a nossa alegria»[3].

– São Josemaria Escrivá: «O abandono à Vontade de Deus é o segredo para sermos felizes na terra… Jesus, o que tu quiseres, eu o amo »[4]. E, falando da Virgem Maria: «Isso é o que explica a vida de Maria: o seu amor. Um amor levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, feliz de estar onde Deus a quer, cumprindo com esmero a vontade divina. Isso é o que faz com que o menor de seus gestos não seja nunca banal, mas cheio de conteúdo. Maria, nossa Mãe, é para nós exemplo e caminho»[5].

Que ela nos ensine a dizer, no mesmo diapasão dela: Meu coração está pronto, ó Deus, meu coração está pronto! (Salmo 57,8).
[1] cf. Nm 24,5-17
[2] Ver o livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Ed. Cultor de Livros, São Paulo  2018, págs.17-56
[3] Encíclica Deus caritas est, n.17
[4] CaminhoI, n. 766 e 773
[5] É risto que passa, n. 148

A PONTE DE CATARINA

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Creio que nos nossos dias é mais válida do que nunca a imagem simbólica de Santa Catarina de Sena, a donzela frágil e forte, toda chama de amor e coragem, que iluminou a Igreja no século XIV.
No seu célebre livro O Diálogo, compara o mundo “dos mundanos”, dos que vivem afastados de Cristo (o “mundo” que hoje encontramos por todos os cantos e ambientes), a um rio poluído, mas que atrai fortemente os desorientados. Aqueles que, seguindo a corrente, mergulharam nesse rio vão chamando os outros que ainda estão na margem com voz e cânticos engrolados pelo álcool e as drogas. Muitos dos que escutam o apelo, acabam por atirar-se às águas, como que atraídos por um ímã maligno, e se deixam arrastar pela correnteza, como se isso fosse a alegria de viver. Todos acabam afogados na imundície e perdidos no lodo talvez para sempre.
Há uma única ponte que permite atravessar por cima do rio e salvar-se: Cristo, o “pontífice”, é o fazedor da única ponte que leva da terra para o céu: – Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6).
Não aduzi essa imagem gratuitamente. Todos, mas especialmente a nossa juventude, estão mergulhando nesse rio com uma facilidade excessiva (egoísmo hedonista, desordem dos caprichos banais e do consumismo, droga, sexo doentio, alcoolismo, agressividade, até mesmo satanismo e retorno arrepiante a rituais pagãos …).
Disso falava, com outras palavras, o cardeal Ratzinger, em 18 de abril de 2005, na homilia da Missa inaugural do Conclave que iria elegê-lo como o Papa Bento XVI:
«Em que consiste ser crianças (pessoas imaturas) na fé? Responde São Paulo: significa ser batidos pelas ondas e levados ao sabor de qualquer vento de doutrina… (Ef 4, 14). Uma descrição muito atual. Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamento… A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi não raro agitada por estas ondas – lançada dum extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até ao ponto de chegar à libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e por aí adiante».
O cardeal terminava esse trecho dizendo: «Não é “adulta” uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é antes uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo. É essa amizade que se abre a tudo aquilo que é bom e que nos dá o critério para discernir entre o que é verdadeiro e o que é falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer essa fé adulta».

Adaptação de um trecho do livro A força do exemplo

UM DIPLOMA QUEIMADO

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João foi o melhor aluno da melhor faculdade do país. Fez Pós-Graduação com a máxima qualificação. Mestrado e doutorado em Harvard. Volta à sua cidade com essas credenciais e logo consegue emprego numa grande firma. Mas já no segundo mês, diretores, gerentes e colegas começam a sentir-se mal junto dele. A sua arrogância humilha. Companheirismo, zero. Seu desprezo pelas opiniões dos colegas e auxiliares torna o trabalho um inferno. Convencido da sua importância, sente-se no direito de irar-se, vive dando broncas, ofende e de produz contínuos conflitos, que acabam explodindo na diretoria. Não precisa dizer que, se não se corrige, não haverá empresa que o aguente, e os pomposos títulos só servirão para serem pendurados na parede do seu quarto como decoração.
Esse caso pode servir para fazer-nos compreender que nem as qualificações acadêmicas, nem as capacitações técnicas, nem um alto grau de especialização e experiência setorial definem o “valor humano” de uma pessoa. Ela poderá até chegar ao pináculo da sua “especialidade”, mas fracassará  na “vida” como ser humano: no casamento, na amizade, no trabalho. Sem amor e sem virtudes, todos os diplomas ardem.

Adaptação de um trecho do livro A arte de decidir bem: a virtude da prudência

SÍMBOLOS: O CORDEIRO E O DRAGÃO

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O CORDEIRO E O DRAGÃO

Desde o início do seu pontificado – e também antes, por ocasião das exéquias do Papa João Paulo II e do novo Conclave –, Bento XVI ajudou os católicos a contemplar o exemplo da vida santa de São João Paulo II, especialmente o exemplo da sua esperança, do seu santo otimismo. Eu queria reproduzir aqui apenas dois dos seus comentários.
O primeiro foi feito no discurso natalino à Cúria romana pronunciado em 22 de dezembro de 2005. Nesse discurso, o Papa citou o seguinte trecho do livro Memória e identidade de autoria de João Paulo II, referente ao “poder do mal” no século que findou: «Não foi um mal de pequenas dimensões… Foi um mal de proporções gigantescas, um mal que se valeu das estruturas estatais para realizar uma obra nefasta, um mal edificado como sistema». Referia-se ao flagelo do nazismo e o comunismo. Bento XVI glosava:
«O mal é porventura invencível? É a última verdadeira potência da história? Por causa da experiência do mal, para o Papa Wojtyla a questão da Redenção tornou-se a interrogação essencial e central da sua vida e do seu pensar como cristão. Existe um limite contra o qual o poder do mal se despedaça? Sim, existe, responde o Papa João Paulo nesse seu livro, como também na sua Encíclica sobre a Redenção. O poder que põe um limite ao mal é a misericórdia divina. À violência, à ostentação do mal, opõe-se na história a misericórdia divina, como ”o totalmente outro” de Deus, como o próprio poder de Deus. O cordeiro é mais forte do que o dragão, poderíamos dizer com o Apocalipse».
O outro comentário é um trecho da homilia pronunciada por Bento XVI no dia em que iniciou o seu pontificado, 24 de abril de 2005:
«Neste momento, a minha recordação volta ao dia 22 de outubro de 1978, quando o Papa João Paulo II deu início ao seu ministério aqui na Praça de São Pedro. Ainda, e continuamente, ressoam aos meus ouvidos as suas palavras de então: “Não tenhais medo, abri de par em par as portas a Cristo!” O Papa dirigia-se aos fortes, aos poderosos do mundo, os quais tinham medo de que Cristo pudesse tirar algo ao seu poder, se o deixassem entrar e concedessem liberdade à fé. Sim, ele ter-lhes-ia certamente tirado algo: o domínio da corrupção, da perturbação do direito, do arbítrio. Mas não teria tirado nada do que pertence à liberdade do homem, à sua dignidade, à edificação de uma sociedade justa»”.
Adaptação de um trecho do livro Otimismo cristão, hoje

domingo, 1 de dezembro de 2019

O que Tomás de Aquino pode nos ensinar sobre o consumismo

closet

Primeira de uma série de reflexões sobre os 7 pecados capitais

Oque São Tomás de Aquino diria sobre o consumismo? Com um pouco de imaginação e algumas referências à Summa Theologiae, podemos compreender melhor a loucura pelo dinheiro em nossa sociedade, segundo a análise que o grande santo e teólogo faz do pecado capital da gula.
Tomás de Aquino discute cinco dimensões do pecado da gula:
  1. Ardenter – ansioso: Minha mãe costumava dizer: “Esse dinheiro está queimando no bolso!” Corremos para as lojas como se os melhores ou os únicos bens pudessem ser encontrados lá. Nada que podemos comprar pode durar; nada que compramos satisfará nossas almas – então, por que a pressa?
  2. Praepropere – precipitado (a primeira forma de devassidão): essa é a ilusão sedutora do “Compre agora, pague depois!” Essa é a armadilha do cartão de crédito – usá-lo para comprar agora e deixar para pagar depois, quando não se pode.
  3. Laute – dispendioso (a segunda forma de devassidão): esta é uma forma de desperdício. Não se endividou, mas se gastou muito em relação a outras obrigações. Para uma pessoa consumista, “bom o suficiente” nunca é “bom o suficiente”.
  4. Nimis – em grande parte do tempo (a terceira forma da devassidão): isso é a “terapia das compras” ou comprar como hobby. Aqui se é consumido pelo consumo. 
  5. Studiose – consumindo de forma muito detalhista: entra aqui o logotipo como símbolo de status; a marca como uma medida do nosso valor. Quando a identidade e o valor da pessoa não estão enraizados no espiritual, falta um sentimento de pertença. Consequentemente, surge uma estratégia (às vezes uma estratégia consciente, às vezes não) para nos adornar com os símbolos de uma marca cobiçada. Pode significar falta de valorização pessoal.
Os termos de Tomás de Aquino podem não ser familiares. E essa adaptação pode soar estranha. Mas vejamos um exemplo de excesso de consumismo: hoje se pode até contratar um “consultor de closet” para aconselhá-lo a reorganizar seu armário para abrir espaço para mais coisas.
Não seria sinal de um vício? Não seria um indicador de que estamos desesperadamente infelizes e não sabemos por quê? Que fome estamos tentando alimentar? Quão profunda é o vazio que estamos tentando preencher?
Deus fala através do profeta Isaías: “Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará na mais fina refeição.” Essa é a chave, não é? Construímos uma economia, uma cultura e uma mania de consumir bens materiais para satisfazer a fome espiritual. Isso nunca vai funcionar.
O que fazer? Bem, podemos falar sobre desejos versus necessidades – isso não é ruim, mas não é suficiente. Isso só aborda a dimensão material. Precisamos de um senso adequado de prioridades. O filósofo Kierkegaard disse: “O que é relativo deve ser tratado relativamente; o que é absoluto deve ser tratado absolutamente”. O único absoluto é Deus. Temos de limpar o altar de nossos corações para encontrar o único digno de adoração, o único bem que pode satisfazer nossos corações e completar nossas vidas.

https://pt.aleteia.org/2019/08/15/o-que-tomas-de-aquino-pode-nos-ensinar-sobre-o-consumismo/

Uma maneira fácil de ser mais agradecido

PRAY


Todos nós temos milhares de coisas pelas quais devemos agradecer a Deus

Como ter o hábito de ser agradecidos? Tenho uma sugestão de como fazer pelo menos uma vez por dia, quem sabe duas ou três vezes.

Nas refeições

Você conhece a graça clássica: “Abençoai-nos, Senhor, e a este alimento que por vossa bondade vamos tomar. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.” Reze antes das refeições com verdadeira gratidão a Deus.

Outros momentos do dia

Eu costumo mentalizar alguma outra coisa pela qual devo ser grato. Pode ser a família ou os amigos com quem estou. Pode ser algo ou alguém que eles me lembram. .
Agradecer a Deus por algo me leva a agradecê-Lo por outras coisas. E, mais útil ainda, é perceber quantas coisas me foram dadas e que nunca tinha visto como presentes de Deus. Todos nós temos milhares de coisas pelas quais devemos agradecer a Deus.
Às vezes, meus agradecimentos são mais abertamente piedosos que outros. Se estou sentado em minha mesa no meu escritório em casa, dirigirei meu olhar para o crucifixo na parede ou para a imagem de Nossa Senhora em frente ao meu computador.
Agradeça a Deus de forma profunda, abrindo seu coração. Isso ajuda a desenvolver o hábito de ver o mundo ao seu redor como um grande e precioso dom. 

https://pt.aleteia.org/2019/11/29/uma-maneira-facil-de-ser-mais-agradecido/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt