quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Como se não Deus existisse

Somente por meio de homens que tenham sido tocados por Deus é que o Senhor pode retornar para perto dos homens
Na minha qualidade de crente, quero fazer uma proposta aos laicistas. Na época do iluminismo, tentou-se entender e definir as normas morais essenciais dizendo-se que elas seriam válidas etsi Deus non daretur, ou seja, mesmo no caso de Deus não existir. Na contraposição das confissões religiosas e na iminente crise da imagem de Deus, tentou-se manter os valores essenciais da moral por cima das contradições e buscar uma evidência que os tornasse independentes das múltiplas divisões e incertezas das diferentes filosofias e confissões. Deste modo, pretendia-se assegurar os fundamentos da convivência e, de uma forma mais geral, os fundamentos da humanidade. Naquele momento da história, pareceu que isso era possível, porque as grandes convicções de fundo, surgidas no Cristianismo em grande parte, resistiam e pareciam inegáveis. Mas agora já não é assim.
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A busca de tal certeza tranquilizadora, que pudesse permanecer incontestada independentemente de todas as diferenças, falhou. Nem sequer o esforço realmente grandioso de Kant foi capaz de criar a necessária certeza compartilhada por todos. Kant havia negado que Deus pudesse ser conhecido no âmbito da razão pura, mas, ao mesmo tempo, colocou o Senhor, a liberdade e a imortalidade como postulados da razão prática, sem a qual, coerentemente, para ele não era possível a ação moral.
A situação atual do mundo não nos leva talvez a pensar de novo que ele possa ter razão? Digo-o com outras palavras: a tentativa, levada ao extremo, de plasmar as coisas humanas menosprezando Deus completamente nos leva cada vez mais ao abismo, ao isolamento total do homem. Deveríamos, então, voltar ao axioma dos iluministas e dizer: mesmo quem não consiga encontrar o caminho da aceitação de Deus deveria buscar viver e dirigir sua vida Veluti si Deus daretur, ou seja, como se Deus existisse. Este é o conselho que dava Pascal a seus amigos não crentes; é o conselho que queríamos também dar a nossos amigos que não creem. Deste modo, ninguém fica limitado em sua liberdade, mas todas as nossas preocupações encontram um sustentáculo e um critério cuja necessidade é urgente.
O que mais necessitamos nesse momento da história são homens que, através de uma fé iluminada e vivida, façam que Deus seja crível neste mundo. O testemunho negativo de cristãos que falavam de Deus e viviam de costas para Ele, obscureceu a imagem do Senhor e abriu a porta à incredulidade. Necessitamos de homens que tenham o olhar fixo no Senhor, aprendendo d’Ele a verdadeira humanidade. Necessitamos de homens cujo intelecto seja iluminado pela Luz de Cristo e a quem Ele abra o coração, de maneira que seu intelecto possa falar ao intelecto dos demais e seu coração possa abrir o coração dos demais.
Somente por meio de homens que tenham sido tocados por Deus é que Ele pode retornar para perto dos homens. Necessitamos de pessoas como Bento de Nursia, que, em um tempo de dissipação e decadência, penetrou na solidão mais profunda e, depois de todas as purificações que deveria padecer, conseguiu se erguer até a luz, regressar e fundar Monte Cassino, a cidade sobre o monte que, com tantas ruínas, reuniu as forças das quais se formou um mundo novo.
Deste modo, como Abraão, Bento tornou-se pai de muitos povos. As recomendações a seus monges apresentadas no final de sua “regra” são indicações que nos mostram o caminho que conduz para o alto, além da crise e das ruínas.
“Assim como há um mau zelo de amargura que separa de Deus e leva ao inferno, há também um zelo bom que separa dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna. Pratiquem, pois, os monges este zelo com a mais ardente caridade, isto é, adiantando-se para honrar uns aos outros; tolerem com suma paciência suas debilidades, tanto corporais como morais (…); pratiquem a caridade fraterna castamente; temam a Deus com amor; (…) e absolutamente nada anteponham a Cristo, que nos poderá conduzir todos juntos à vida eterna” (capítulo 72).
(*) O Discurso de Subiaco, proferido pelo Cardeal Ratzinger, em 1 de abril de 2005, no Mosteiro de Santa Escolástica, em Subiaco.

Padre Inácio José do Vale

Padre Inácio José do Vale é professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.
http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/como-se-deus-existisse/

Faça todo esforço possível para entrar pela porta estreita

Nós não podemos relaxar, nós precisamos com todo o nosso coração nos entregar, para valer, para que o Reino de Deus aconteça entre nós, para que possamos passar por essa porta, que é estreita, mas é a porta que nos salva!
“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lucas 13, 24).
A pergunta que foi feita hoje a Jesus é: Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” (Lucas 13, 23), o Senhor não respondeu nem que “sim” nem que “não”, mas apenas deu a deixa e o recado: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (Lucas 13, 24).
Não é que no Reino do Céus caiba pouca gente. Lá cabe o mundo inteiro, o universo, mas a porta de entrada para esse Reino não é larga, não está aberta para todo o mundo passar! É preciso fazer um esforço para poder se encaixar, para não ficar preso na porta ou então ser barrado e ficar do lado de fora.
Deixe-me dizer a você: a primeira coisa é que a palavra “esforço” já nos diz muito bem o que nós precisamos, de fato, fazer. Esforço quer dizer: se esforçar, ter uma força de vontade muito grande. O esforço é o contrário da mediocridade, porque o medíocre simplesmente fica paralisado e é paralisado pela vida, não se esforça, para no que não dá conta, naquilo que não consegue e diz: “Ah, está bom! É assim mesmo! Eu não posso mais!”.
Não, meus irmãos, nós precisamos de pulso, de firmeza e, muitas vezes, apertar o cerco com nós mesmos. Primeiro com a nossa vontade. Como precisamos disciplinar a nossa vontade, e a primeira coisa para é não fazermos tudo o que temos vontade, porque, frequentemente, a nossa vontade é enganosa, é rebelde e nos conduz pelos maus caminhos da vida, nos conduz a dizermos o que não deveria ser dito, a fazer o que não deveria ser feito e deixar de fazer o que era necessário.
Precisamos, muitas vezes, contrariar a nossa vontade para que ela seja disciplinada, guiada e orientada para o bem. Não há dificuldade para entrar no Reino dos Céus. É preciso apenas que nos coloquemos à disposição de fazer bem todas as coisas, amar a Deus sobre todas as coisas. Assim, percebemos que: “amar a Deus sobre todas as coisas” não é uma coisa simples, é preciso dar o melhor de si, é preciso um esforço. Nós, muitas vezes, queremos que a igreja venha à nossa casa, mas não queremos ir até ela. Nós nos acomodamos, esperamos que Deus venha bater à nossa porta. Deus já bateu à porta, agora somos nós quem precisamos abrir as portas do nosso coração para que o Pai more nele!
É preciso penitência e sacrifícios; é preciso lutar contra nós mesmos para que as nossas pernas, para que o nosso coração e para que a nossa vontade caminhem em direção ao Reino dos Céus. Nós não podemos relaxar, nós precisamos, com todo o nosso coração, nos entregar, para valer, para que o Reino de Deus já aconteça entre nós e para que possamos passar por essa porta.
Apenas uma coisa: não permitamos que o mundo nos iluda, nos engane, nos seduza, nos tire da porta da vida e nos leve para as portas largas da vida perdida, mundana, da vida que não nos leva para Deus. É apertada, mas é a porta da vida, é a porta que nos salva!
Que por essa porta possamos passar a cada dia, até definitivamente entrarmos pela única porta que jamais cessará: a porta da eternidade!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/faca-todo-esforco-possivel-para-entrar-pela-porta-estreita/

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Santificado seja o vosso nome

Pior do que feministas que invadem catedrais são católicos que banalizam o próprio pecado em nome da misericórdia de Deus
Na oração do Pai-nosso, após manifestar seu afeto filial, Jesus faz um primeiro pedido a Deus-Pai: Santificado seja o vosso nome. Esse pedido remete diretamente para o segundo preceito do Decálogo. Trata-se de honrar a Revelação de Deus ao homem. Ora, informar o nome a alguém significa tornar-se acessível. Antes da Revelação, os pagãos utilizavam-se dos nomes das divindades de forma deliberada. Acreditavam que os deuses estavam submetidos à vontade do homem; eram-lhes subordinados. Por outro lado, Deus, quando se revela, obriga a humanidade a contentar-se com esta afirmação: “Eu sou aquele que sou” (Ex 3, 14). Deus é desde sempre e para a eternidade. Não está submetido à vontade humana.
Na encarnação de Cristo, porém, o nome de Deus é manifestado mais diretamente, de maneira que já é possível instrumentalizá-lO. O nome de Jesus pode ser usado para justificar atrocidades e extorsões. É justamente o que comenta Bento XVI na primeira parte do famoso livro Jesus de Nazaré: “Agora o nome de Deus pode ser abusado e Deus ser desonrado. O nome de Deus pode ser instrumentalizado para nossos objetivos e assim deformada a sua imagem” [1]. Como não pensar no uso indiscriminado do nome de Deus para justificar atos terroristas, contrários à vida e à dignidade da pessoa humana?
A honra ao nome do pai expressa de maneira concreta o amor filial. Nada é mais gratificante a um filho que um elogio a seus pais. A blasfêmia, não obstante, é o típico pecado do Diabo. Basta lembrar que, por serem criaturas puramente espirituais, os anjos não podem fornicar. Por isso, o ataque demoníaco a Deus faz-se pelo orgulho. Dizia Santo Tomás de Aquino: “O orgulho é por natureza o pior de todos os pecados, mais grave que a infidelidade, o desespero, o homicídio, a luxúria etc” [2]. A blasfêmia, por conseguinte, nada mais é do que um meio para Satanás desonrar a essência divina, parodiando-a impunemente, a fim de que o homem tenha de Deus somente uma caricatura. Foi pensando nisso que, certa vez, Santa Teresinha pediu permissão a Jesus para amá-lO no inferno [3]:
[...] Uma tarde não sabendo como dizer a Jesus que o amava e quanto desejava que Ele fosse por toda parte amado e glorificado, eu pensava com dor que Ele nunca poderia receber no inferno um só ato de amor, então disse a Deus que para lhe dar prazer eu consentiria em ver-me aí mergulhada, a fim de que Ele seja amado eternamente nesse lugar de blasfêmia.
A blasfêmia significa um esquecimento da filiação divina e um esquecimento de si mesmo. É um atentado ao próprio homem. Tamanha é a gravidade desse pecado, que o Cura d’Ars perguntava-se espantado: “Não é um milagre extraordinário que a casa onde se acha um blasfemo não seja destruída por um raio ou cumulada com toda sorte de desgraças?” [4]. Em síntese, a agressão ao nome de Deus esconde em seu seio uma revolta contra o plano divino. Desse modo, o pecado contra o segundo mandamento não se traduz somente em ridicularizações hediondas - embora sejam elas as mais comuns, como se costuma apresentar em programas humorísticos, filmes, revistas, etc - às vezes, trata-se de algo muito mais sutil e, por essa razão, muito mais nocivo.
Em nome de um falso conceito de “misericórdia”, inúmeras pessoas têm caído na presunção da tibieza, recusando-se a buscar a santidade pessoal. Essa é, sem dúvida, a pior de todas as blasfêmias, pois nessa atitude não só se espezinha o conteúdo das Tábuas da Lei, a pretexto de uma época que segue a regra materialista do laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même(deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo), como também se deturpa a natureza do nome de Deus ao utilizá-lO para justificar posições morais claramente pecaminosas. É como dizer que a crucifixão de Cristo não teve nenhum valor. Não significou a purificação de nossos pecados. Ora, Jesus verteu sangue do alto do madeiro justamente para assumir a nossa culpa. Com efeito, quando a misericórdia é utilizada para a banalização do mal, aí já não há mais misericórdia. Pior do que feministas que invadem catedrais são católicos que banalizam o próprio pecado em nome da misericórdia de Deus.
Sobre essa tendência pouco cristã de se aceitar somente a face misericordiosa de Cristo, criticava o então Cardeal Joseph Ratzinger, na Via-Sacra de 2005 [5]:
Apesar de todas as nossas palavras de horror à vista do mal e dos sofrimentos dos inocentes, não somos nós porventura demasiado inclinados a banalizar o mistério do mal? Da imagem de Deus e de Jesus, no fim de contas, admitimos apenas o aspecto terno e amável, enquanto tranquilamente cancelamos o aspecto do juízo? Como poderia Deus fazer-Se um drama com a nossa fragilidade — pensamos cá conosco —, não passamos de simples homens?! Mas, fixando os sofrimentos do Filho, vemos toda a seriedade do pecado, vemos como tem de ser expiado até ao fim para poder ser superado. Não se pode continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre. Também a nós, diz Ele: Não choreis por Mim, chorai por vós próprios... porque se tratam assim o madeiro verde, que será do madeiro seco?
“Toda a santidade, toda a perfeição de nossa alma consiste em amar a Jesus Cristo nosso Deus, nosso Sumo Bem e Salvador” [6]. Por esta sentença, Santo Afonso de Ligório introduzia seus discípulos à escola de perfeição cristã. Essa perfeição é atingida no louvor ao nome de Nosso Senhor, tornando-O conhecido entre todos os povos e nações. Ainda mais: traduz-se no amor àqueles que são queridos por Deus, a saber, a Virgem Maria e os santos. A forma mais eficaz de santificar o nome de Deus, por conseguinte, é fazendo que cada vez mais pessoas aproximem-se d’Ele com devoção e piedade. Nisto consiste o amor cristão.
Por Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. RATZINGER, Joseph. Jesus de Nazaré: do batismo no Jordão à transfiguração. São Paulo: Planeta, 2007, pág. 113.
  2. TISSOT, Joseph. A arte de aproveitar as próprias faltas — São Paulo: Quadrante, 2003, pág. 59.
  3. Teresa de Lisieux, Manuscrito A 52r.
  4. TROCHU, Fracis. O Santo Cura d’Ars.
  5. Meditações do Cardeal Joseph Ratzinger para a Via-Sacra. Oitava Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém que choram por Ele.
  6. Santo Afonso de Ligório, Escola de Perfeição Cristã.

sábado, 25 de outubro de 2014

Devemos ter cuidado e vigilância com a nossa vida

Devemos ter cuidado e vigilância com a nossa vida. Pior do que as tragédias e do que os acidentes é não estarmos preparados para o nosso encontro com Deus!
“Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo” (Lucas 13, 5).
Meus amados irmãos e irmãs, ao escutarmos o Evangelho de hoje, vamos deparar com situações bem cotidianas em nossas vidas: as tragédias e as fatalidades. Quantas pessoas morrem em acidentes de forma brusca, inesperada, seja na estrada, seja em construções e nas mais diversas situações da vida. Pessoas que passam por dramas em suas vidas; algumas pensam, questionam e até afirmam: “Será castigo de Deus!? Será que isso é culpa por eu não ter vivido de acordo com a vontade de Deus?”. Dizem ainda: “Fulano está pagando pelo pecado de outro!” E “Será que a culpa é dos pais? Será que a culpa foi da mãe, dos antepassados?”.
No Evangelho de hoje, Jesus nos esclarece que os acidentes e os incidentes da vida não são por culpa do passado de ninguém. É óbvio que há circunstâncias da vida que, às vezes, herdamos coisas do passado, mas o que sofremos hoje, frequentemente, são, de fato, coisas acidentais. A tragédia que ocorreu não foi porque Deus quis que isso acontecesse. Não, Deus não quer a morte de ninguém, Nosso Senhor é o Deus da vida!
Pior do que as tragédias e do que os acidentes é não estarmos preparados para a nossa hora! Assim como aquele que foi vítima de um acidente e não esperava que acontecesse com ele, nenhum de nós sabe qual será o nosso dia e a nossa hora. Por isso nós precisamos estar preparados, porque, na hora em que a “irmã morte” vier ao nosso encontro ela vai nos pegar do jeito que estivermos, não vamos poder dar um jeitinho – “Deixe-me preparar, e encontrar com um padre para me confessar. Deixe-me reconciliar com minha esposa primeiro. Deixe-me pedir perdão aos meus filhos, aos meus amigos”. Não! A cada hora, a cada dia da nossa vida, vamos morrendo mais um pouco, a nossa vida vai diminuindo. É claro que isso não é motivo de tristeza, porque nós vamos diminuindo os dias de nossa vida aqui na Terra e nos aproximando da nossa entrada no Reino de Deus.
É para isso que devemos nos preparar e, a cada dia, ter cuidado e vigilância com a nossa vida e estar preparados para as surpresas da vida, – sobretudo para essa grande surpresa, que é o nosso encontro definitivo com Deus – que será a realização mais plena de toda a nossa vida humana.
No entanto, nós não podemos ser surpreendidos – no sentido negativo da palavra – estando despreparados e não sendo vigilantes e, assim, ser excluídos do prêmio da vida. Essa tragédia é grande! Mas se nós não nos convertermos, vamos morrer assim como muitos morreram (cf. Lc 13, 5). Não é que teremos o mesmo fim que eles, mas assim como foi inesperado para eles, será uma coisa muito inesperada o nosso encontro com Deus se não estivermos devidamente preparados.
Que Deus prepare o nosso coração, que Ele abra o nosso coração para nos convertermos a cada dia. Assim, quando a “irmã morte” vier ao nosso encontro essa não será uma desagradável surpresa, mas a melhor de todas: aquela que nos abrirá as portas do céu!
Deus abençoe você!
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domingo, 19 de outubro de 2014

Cristãos missionários

No evangelho, Jesus é provocado para cair numa armadilha. Percebendo a maldade de seus opositores, transfere a responsabilidade para eles e faz um discernimento: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". O poder, as riquezas, as vaidades são do mundo, são de César. A vida, o envio, à missão são de Deus. Como nos lembra Isaías: "Eu te chamei, eu sou o Senhor e não há outro". Somos eleitos para ir e testemunhar com nossa vida.
O mandato de Jesus aos seus díscipulos: Vão e levem a boa notícia a todas as nações" é algo vivo e atual. Todos somos chamados e enviados em missão. O cristão deve viver o evangelho e por isso tem a obrigação de ser missionário. Paulo dizia: "Anunciar o evangelho não é motivo de glória, mas necessidade. Ai de mim se não anunciá-lo" (1Cor 9,16).
Que tipo de missionários somos? Como vivemos esse mandato de Jesus?
O tema do mês missionário deste ano é: "Missão para libertar". À medida que nos aproximarmos dos pobres, dos que mais sofrem, dos excluídos, aliviarmos as dores e manifestarmos solidariedade, estaremos vivendo o que Jesus pediu. Na sinagoga de Nazaré, ele recordou a profecia de Isaías: "Enviou-me a proclamar a libertação" (Lc 4,18). O papa Francisco tem insistido que quer uma igreja pobre para os pobres. Há tanta indiferença. egoísmo, acomodação, exploração; pessoas traficadas como mercadoria, corrupção, busca desenfreada de poder, de estética, etc. Mas também há pessoas que se doam, prestam serviço, são verdadeiros discípulos missionários. Somos convidados a fazer nossa parte. Se não vamos em missão, podemos ajudar com nossa oração, nosso apoio, nossa solidariedade. Nossa oferta para as missões tem sentido e valor. Não devemos dar do que sobra, mas daquilo que faz parte da vida. Manifestamos a Deus nossa gratidão por tanto que nos dá, partilhando e ajudando no trabalho missionário em todas as partes do mundo. 

Pe. Camilo Pauletti - Diretor das Pontifícias Obras Missionárias sobre o evangelho deste domingo 19/10/2014

sábado, 18 de outubro de 2014

Ninguém pode ser Igreja sozinho

Todos somos chamados a ser discípulos do Senhor. Ninguém pode ser Igreja sozinho, ninguém pode ser discípulo de Jesus por conta própria.
“O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir” (Lucas 10, 1).
A Igreja nos dá hoje a graça de celebrarmos o evangelista São Lucas, aquele que escreveu o Evangelho com seu nome e também o livro Atos dos Apóstolos. Lucas, como evangelista, era também um discípulo de Jesus. Quando lemos o Evangelho de São Lucas e o Atos dos Apóstolos sentimos arder dentro de nós um verdadeiro convite para fazermos parte da escola de Jesus, para aprender com Ele o modo de viver a vida; viver a vida em Deus e com Ele.
Nós somos chamados a ser também discípulos do Senhor e a aprender com Ele. E quem aprende ensina; aquilo que aprendemos do Senhor nós devemos também ensinar para os outros! Quem recebe Deus, no seu coração, O leva também para os outros, se torna portador da mensagem  e da presença d’Ele.
O discípulo aprendiz, aquele que está aprendendo na escola do Mestre, é também chamado a ser apóstolo, a levar o Reino de Deus e a anunciar a mensagem do Evangelho. Por isso, no discipulado, nós também somos enviados para pregar, anunciar e proclamar o Reino de Deus.
No entanto, há duas coisas importantes quando o Senhor envia Seus discípulos. A primeira coisa é: Ele não os envia sozinhos, ninguém vai sozinho anunciar o Reino de Deus! O Senhor enviou dois a dois, depois em grupos e assim por diante. Ninguém pode ser Igreja sozinho, ninguém pode ser discípulo de Jesus por conta própria. É preciso estar inserido na comunidade, é preciso fazer parte da comunidade de fiéis, porque o Senhor nos ensina quando estamos juntos, Ele formou uma escola para Seus alunos e o fez não de  forma individual, mas coletiva.
Por essa razão, somos chamados a romper com toda a tentação do isolamento, porque não podemos negar que isso é uma tentação dos tempos modernos e da sociedade em que vivemos. Vivemos isolados para pensar do nosso jeito, da nossa forma. Não deve ser assim, pois somos chamados, mas precisamos estar em comunidade!
A segunda coisa é: o discípulo não é enviado para as facilidades da vida, mas é enviado para o meio dos lobos. Nós vamos anunciar o Evangelho em uma sociedade pagã, cruel e indiferente a Deus, que, muitas vezes, vai até nos ferir e nos machucar, mas não podemos nos tornar lobos também. Precisamos manter a mansidão do Cordeiro, que é enviado para o meio dos lobos para os evangelizar e para pregar a Palavra a eles.
Por isso anunciar o Evangelho, para a Igreja, nunca foi fácil e nunca o será! As dificuldades, as tentações, as provações e tudo aquilo por que passamos é para viver uma vida em Deus e para anunciar o nome d’Ele, o Senhor mesmo nos alerta sobre tudo isso, nos prepara e nos envia! É nessa messe, é neste campo que nós precisamos anunciar o amor de Deus, que nos converte e nos convence a cada dia.
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/ninguem-pode-ser-igreja-sozinho/

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Cristo veio para nos libertar de tudo o que nos escraviza

Cristo Jesus veio para nos libertar de tudo o que nos escraviza, porque, muitas vezes, somos dominados pelo vício do jogo, da bebida, da sexualidade desenfreada, das drogas, da gula e dos sentimentos desordenados.
É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai, pois, firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão” (Gálatas 5,1).
Ao refletirmos sobre a Palavra de Deus na Carta de Paulo aos Gálatas, nós queremos entrar a fundo numa meditação importantíssima para a nossa espiritualidade cristã: a escravidão e a liberdade. Porque quando não conhecemos Cristo, quando não somos levados pelo Seu amor, pela Sua bondade, pela Sua Palavra, nós nos deixamos escravizar por este mundo. Nós nos deixamos escravizar, muitas vezes, pelos vícios, pelos nossos sentimentos; nos deixamos escravizar pelo nossos afetos. Contudo, Cristo Jesus, Nosso Senhor, morreu na cruz por nós para nos libertar do cativeiro do pecado, para nos tirar da escravidão e nos trazer a vida nova e a liberdade.
Portanto, meus irmãos, nós não podemos nos permitir cair novamente na escravidão do mal, na escravidão do pecado, na escravidão daquilo que pode simplesmente tirar a nossa liberdade interior de escolha. O mal do vício, o mal do pecado, o mal daquilo que nos escraviza é porque tira a nossa liberdade de escolha, nos mantém cativos a ele, nos mantém dependentes desse vício, desse mal, desse erro ou desse pecado.
Algumas vezes, muitos vícios dominam o coração humano, como o vício de jogar, de beber; de viver a sexualidade desenfreada, o excesso no comer e tantos outros vícios. Por outro lado, também podemos ser escravos dos nossos sentimentos e dos nossos afetos, porque a paixão pode entrar no coração humano de forma tão violenta que a pessoa não consegue sair daquela escravidão interior em que ela vive. Como muitos dizem: “A paixão é mais forte do que eu!”. Outras vezes, o medo toma conta do coração humano, tudo que a pessoa faz é por ser movida por este medo.
Sabem, meus irmãos, Cristo Jesus veio para nos libertar de tudo aquilo que nos escraviza! Portanto, permitamos que a ação libertadora de Cristo vá nos libertando daquilo que nos mantém cativos ao mal. Mas se você já foi liberto por Jesus, se a liberdade de Cristo já age no seu coração, você respira um ar novo da nova criatura, é muito importante vigiar, cuidar para não se deixar escravizar de novo, para que as amarras do pecado, para que as amarras do mal não vão aos poucos espreitando você e o levando novamente à escravidão.
Voltar ao antigo vômito (cf. 2Pe 2, 22; Prov 26, 11), ou seja, voltar à antiga vida, é muito pior do que aquela primeira situação, porque a nossa vontade vai estar totalmente enfraquecida, seremos vencidos, escravizados!
Já vi muitas pessoas libertas das drogas – graças a Deus! – já muita gente liberta do álcool, do cigarro, já vi tantas pessoas libertas de tantos pecados que pareciam não ter mais jeito. Mas também já vi muita gente que se libertou em Jesus e recaiu, e a situação ficou cinco, dez vezes pior.
Quem está de pé, tome cuidado para não cair! Peçamos a Cristo Jesus que nos mantenha na liberdade que Ele mesmo trouxe a nós.
Deus abençoe você!
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terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Batalha de Lepanto


No ano de 1571 tinham os turcos atingido o apogeu do seu poder. Pareciam ter a Cristandade nas mãos.
Os seus exércitos inebriavam-se com a vitória. Sentiam-se poderosos, estavam bem equipados e eram conduzidos por generais habilíssimos. A sua armada era superior em tudo à armada que os cristãos tinham para se defender.
Estavam já em seu poder províncias das mais belas e tinham agora por objetivo dominar a França e a Itália, apoderar-se de Roma e transformar a Basílica de São Pedro em mesquita turca. São Pio V governava a Igreja; e este santo e grande Pontífice estava aterrorizado com o perigo que ameaçava arruinar a própria civilização cristã.
Além de fracos, os governos cristãos estavam, infelizmente, muito divididos entre si. Intrigas, animosidades pessoais, ambições de cargos importantes impediam aquela união perfeita que se tornava tão necessária para resistir ao inimigo comum.
São Pio V pôs toda a sua confiança no Rosário, trabalhando, ao mesmo tempo, incansavelmente por unir as, aliás fracas, forças cristãs.
Por fim, deu ordem para que a armada dos cristãos se fizesse ao largo; e, embora eles fossem inferiores aos turcos em número, equipamento, artilharia e navios, incitou-os a que se batessem sem receio em nome de DEUS e de Nossa Senhora.
As duas esquadras defrontaram-se no dia 7 de Outubro.
Como para aumentar as dificuldades dos cristãos, o vento era lhes contrário, circunstâncias que, nesses tempos de navegação à vela, podia tornar-se desvantagem fatal.
Mas, obedecendo às ordens do Sumo Pontífice e colocando-os debaixo da proteção de Maria, a armada cristã investiu contra o inimigo com animo admirável.
E de súbito, o vento, que se mostrava tão adverso, mudou soprou com violência contra os infiéis.
A batalha durou umas poucas horas, com fúria encarniçada acabando pela total derrota da armadura turca.
Tão completa e esmagadora foi a vitória que o poder do Islã ficou esmagado e salva a Cristandade.
Durante esses terríveis dias, e especialmente no dia da batalha São Pio V orava fervorosamente a Nossa Senhora do Rosário com fervor intenso, recorrendo assim à Mãe de Nosso Senhor JESUS CRISTO.
No momento da vitória entrou em êxtase e teve a revelação de que os cristãos tinham vencido.
Voltando-se para os que o rodeavam, São Pio V deu-lhes a boa notícia e todos ajoelharam para dar graças a DEUS e à Nossa Senhora.
Para recordar e agradecer a DEUS pela vitória de Lepanto, alcançada pelas armas cristãs nesse 7 de Outubro de 1571, a Santa Igreja instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário. Prescrita primeiramente por Gregório XIII para certas Igrejas, foi estendida por Clemente XI ao mundo católico, em ação de graças por um novo triunfo alcançado por Carlos VI da Hungria sobre os Turcos em 1716.

http://milagresdorosario.blogspot.com.br/2010/12/batalha-de-lepanto.html

A oração do rosário é cura e libertação para a nossa alma

O santo rosário é cura e libertação para a nossa alma e nos permite mergulhar em todos os principais mistérios na nossa fé cristã, pois todos nós passamos por momentos de de luz, de cruz e de expectativa da glória que nos há de ser revelada.
“O anjo entrou onde ela estava e disse: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’”
 (Lucas 1, 28).
A Igreja nos dá a graça de celebrarmos hoje o dia de Nossa Senhora do Rosário ou o dia de Nossa Senhora da Vitória. Na verdade, nós sabemos que, no século XVI, houve aquele grande combate entre os cristãos e aqueles que queriam tirar a fé cristã do nosso povo. Os cristãos não tinham armas suficientes para lutar e para combater os povos inimigos, e o povo saiu às ruas com o rosário na mão. Foram aquelas coroas de rosários que o nosso povo rezou que garantiram a vitória do povo de Deus. E desde então, o Papa Clemente XI celebra este dia com uma festa litúrgica em honra a Nossa Senhora do Rosário ou de Nossa Senhora de Fátima.
Deixe-me dizer uma coisa a você: o que tem a ver o rosário e o terço com a Bíblia? Tudo! Talvez a oração mais bíblica e mais fundamentada na Palavra de Deus, que nós conhecemos, seja o santo rosário. O santo rosário nos permite mergulhar em todos os principais mistérios da nossa fé cristã; desde o princípio, quando o anjo Gabriel é enviado a Maria, no início do mistério da nossa salvação até a coroação final, quando ela é coroada no céu e quando os eleitos de Deus também assumem esse lugar no Reino de Deus.
O mais importante, quando rezamos o santo rosário, não são simplesmente as Ave-Marias que nós vamos repetindo – nela levamos a Palavra de Deus, e no fundo há um fundinho musical, pois a Ave-Maria é como se fosse o pano de fundo do mistério que celebramos e contemplamos. Nós dizemos com a boca aquilo que o anjo disse ao saudar Maria e ao contemplar o mistério de Deus na vida dela, [ao rezarmos o rosário] contemplamos, celebramos, meditamos e refletimos sobre o que aconteceu na vida dela e do seu Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Quando nós contemplamos os mistérios do rosário, transferimos aquilo que é a vida de Jesus e de Maria para a nossa vida. Os quatro mistérios – os gozosos, os luminosos, os dolorosos e os gloriosos – são o resumo daquilo que é a nossa própria vida. Todos nós passamos por momentos de alegria, de luz, de dores, de cruz e estamos na feliz expectativa da glória que nos há de ser revelada. O rosário nos enche de fé, de confiança, e, acima de tudo, de muita esperança!
A oração do rosário é uma oração de cura e de libertação para a nossa alma e para o nosso ser. Nós purificamos a nossa boca, os nossos pensamentos e sentimentos; nós travamos um verdadeiro combate espiritual ao nos propormos a rezar o santo rosário; os demônios fogem, correm. Porque o santo rosário pode, no início, parecer um pouco cansativo, enfadonho, mas quando o rezamos com fé, com amor, quando nos permitirmos entrar nos mistérios contemplados, entramos na essência da Palavra de Deus, entramos no miolo da transformação maravilhosa dos mistérios da vida de Cristo.
Rezemos o rosário, rezemos a Palavra de Deus! Permitamos que os mistérios do santo rosário entrem em nós e entremos nós também nos mistérios do santo rosário, assim nós transbordaremos as graças e as vitórias que o santo rosário concede a cada um de nós.
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/a-oracao-do-rosario-e-cura-e-libertacao-para-a-nossa-alma/

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A misericórdia com o próximo torna o nosso coração bom

O que nos lava e nos salva é a misericórdia de Deus, o que torna o nosso coração bom e verdadeiro é a misericórdia que nós usamos para com o nosso próximo!
E Jesus perguntou: ‘Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?’ Ele respondeu: ‘Aquele que usou de misericórdia para com ele’. Então Jesus lhe disse: ‘Vai e faze a mesma coisa’” (Lucas 10, 36-37).
Todos nós conhecemos os mandamentos do Senhor, e creio que não seja nenhuma dificuldade, para nós, entendermos que o resumo e o sentido principal dos mandamentos é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Até uma criança sabe desse resumo e desse sentido da Lei de Deus. A nossa dificuldade é saber como colocar isso em prática.
Por isso ao ser questionado, Jesus explicou, de forma bem prática e concreta, o modo como devemos colocar em prática o mandamento do amor ao próximo, porque nós talvez nem encontremos muitas dificuldades para amar as pessoas de quem nós gostamos, amar as pessoas que nos fazem bem, retribuir aquelas pessoas que nos fazem favores e que nos ajudam. Na verdade, fazemos isso com muito gosto e com muito amor. No entanto, somos chamados por Deus a ser, verdadeiramente, o “bom samaritano” para com o nosso próximo. E ser o bom samaritano não é simplesmente fazer uma caridade, ajudar ali e aqui.
O bom samaritano foi o homem que viu o seu próximo caído e prostrado por terra, depois de ter perdido tudo, até mesmo a dignidade, depois de ter sido maltratado, assaltado, roubado. O sacerdote estava muito apressado, ocupado; o levita conhecia tudo da Lei, mas passou adiante, não quis nem olhar. O fato é que havia uma rixa entre samaritanos e judeus, e que não havia uma proximidade entre eles; ao contrário, havia inimizade entre samaritanos e judeus. Assim, nenhum sacerdote judeu, nenhum levita judeu pôde cuidar daquele homem quando ele precisou de ajudaQuem usou de toda a misericórdia do fundo da sua alma e do seu coração foi mesmo  o samaritano, que nem levou em conta o tempo, o dinheiro, o que era preciso ser gasto para cuidar daquele irmão.
Deixe-me dizer a você: se o que nos lava e nos salva é a misericórdia de Deus; e o que torna o nosso coração bom e verdadeiro é a misericórdia que nós usamos para com o nosso próximo! Existem muitos irmãos caídos ao nosso lado, caídos porque nos ofenderam, nos machucaram; caídos porque já não fazem mais parte da nossa lista de amizade, de amor, de carinho, pessoas que talvez nós nem nutramos mais o sentimento de amizade por elas.
Nós precisamos fazer gestos concretos de amor para com o nosso próximo, sem que ele nem precise saber que nós fazemos! Nós precisamos exercer a misericórdia para com aqueles que precisam de nós, que sejam próximos a nós ou muito distante de nós. Sejam pessoas que podem até nós retribuir ou não, pois o sentido maior da misericórdia é para aqueles que não podem nos retribuir de forma nenhuma.
Todas as vezes em que eu cuido, que acolho e dou o melhor de mim para o meu próximo, eu cuido do próprio Senhor! O mundo hoje necessita de misericórdia, não só da misericórdia de Deus, mas a misericórdia de uns para com os outros. O mundo precisa da minha misericórdia para com os necessitados, da minha misericórdia para aqueles que necessitam do meu afeto, do meu carinho, da minha presença; principalmente se eu não recebi isso dessas pessoas.
Uma obra de misericórdia maravilhosa, que salva muitas almas, é você exercer a misericórdia para com seus pais. Talvez fiquemos ressentidos e digamos: “O meu pai não foi o melhor do mundo, ele até me maltratou, foi indiferente comigo”. Que beleza você dar o troco – mas o troco se chama: misericórdia. Que bom você cuidar de pessoas que, talvez, até tenham feito mal para os outros!
Se você pensa de uma forma pagã, você vai dizer: “Sofre! Para pagar o que você fez!”. Mas se você pensa como um discípulo de Jesus, você usa a moeda da misericórdia para tratar o seu próximo, o sofredor, o necessitado que pode estar dentro da sua casa ou distante de você!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/a-misericordia-com-o-proximo-torna-o-nosso-coracao-bom/

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