terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

3 conselhos de São Gregório para rejeitar 3 tentações do diabo

E o diabo vai tentar você pelo menos com três armadilhas: a necessidade, a vaidade e a ambição
3 conselhos de São Gregório para rejeitar 3 tentações do diabo

São Gregório de Nazianzo, também chamado de São Gregório Nazianzeno (329 — 389), foi patriarca de Constantinopla, teólogo, escritor e considerado o mais talentoso orador da era patrística da Igreja, treinado nos clássicos e conhecedor da filosofia. A Igreja ortodoxa, que lhe tem enorme apreço, o chama simplesmente “o Teólogo”. Na Tradição católica, São Gregório é reconhecido com o importantíssimo título de Doutor da Igreja. Vem dele o texto que compartilhamos a seguir:
* * *
Se, depois do batismo, fores atacado pelo perseguidor, o tentador da luz, tens material para a vitória. Ele irá certamente atacar-te, já que também atacou o Verbo, o meu Deus, enganado pela aparência humana que lhe escondia a luz incriada. Não tenhas medo do combate. Opõe-lhe a água do batismo, opõe-lhe o Espírito Santo no qual se extinguem todos os dardos inflamados lançados pelo maligno.

NECESSIDADE
Se ele te mostrar as necessidades que te oprimem – e não deixou de o fazer com Jesus –, se te lembrar que tens fome, não dês a entender que ignoras as suas propostas. Ensina-lhe o que ele não sabe; opõe-lhe a Palavra de vida, esse verdadeiro Pão enviado do céu e que dá a vida ao mundo.

VAIDADE
Se ele te estender a armadilha da vaidade – e usou-a contra Cristo, quando O levou ao pináculo do Templo e Lhe disse: “Lança-Te daqui abaixo”, para O fazer manifestar a sua divindade –, toma cuidado para não caíres por teres querido elevar-te.

AMBIÇÃO
Se te tentar pela ambição, mostrando-te, numa visão instantânea, todos os reinos da terra submetidos ao seu poder, e te exigir que o adores, despreza-o: ele não é mais que um pobre irmão teu. E diz-lhe, confiando no selo divino: “Também eu sou imagem de Deus; ainda não fui, como tu, precipitado do alto da minha glória por causa do meu orgulho! Estou revestido de Cristo; tornei-me outro Cristo pelo meu batismo; cabe a ti adorar-me”.
Tenho a certeza de que ele irá embora, vencido e humilhado por estas palavras. Vindas de um homem iluminado por Cristo, serão sentidas por ele como se emanadas de Cristo, a luz suprema.
Estes são os benefícios que a água do batismo traz aos que reconhecem a sua força.
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São Gregório de Nazianzo, Sermão XL, 10.

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maneiras de se conectar com Deus em meio à agitação da vida moderna


Hoje em dia, ser jovem, ocupada e ainda cheia de fé não é nada fácil. Mas uma blogueira americana ensina como conseguir isso

5 maneiras de se conectar com Deus em meio à agitação da vida moderna

Uma história que encontramos vez ou outra em filmes, outdoors, livros e discursos inspiradores: Concilie tudo e você pode ter tudo. A mulher moderna é uma máquina multitarefa.
Mas, no mundo real, a maioria de nós luta com este ato de malabarismo e, quando as coisas ficam caóticas, não é tão divertido (ou engraçado) como a maioria das comédias ou os romances de Sophie Kinsella. Os altos e baixos no trabalho, no namoro, nas amizades e os horários muito lotados deixam pouco espaço para outras coisas. Porque, mesmo se você é jovem ou não tem filhos para cuidar, viver em uma cultura que glorifica os negócios e o sucesso no trabalho pode tornar incrivelmente difíceis coisas simples como: encontrar tempo de ir à lavanderia, fazer ginástica, ter as recomendadas oito horas de sono e – muito menos – pensar em seu maior propósito na terra – ter tempo para Deus.
A blogueira Jessamyn Anderson tem a agenda superlotada e é um exemplo do jovem profissional urbano. Ela é artista, intérprete, estilista, blogueira e novata em Nova Iorque. Para Jessamyn nunca falta o que fazer. Mas, depois de se mudar para a cidade, ela queria ter certeza de que poderia reservar um tempo livre para as coisas que ela sentia que eram verdadeiramente importantes, como o enriquecimento da alma e a fé católica.
Para ajudá-la nesta questão, Jessamyn lançou um blog chamado Leading Lady, em que compartilha suas experiências como uma jovem de 20 e poucos anos seguindo sua carreira e vivendo sua fé. Enquanto relata seus altos e baixos no dia a dia, ela também procura a vontade de Deus entre a agitação das paradas do metrô, intervalos de café e idas à lavanderia. Ela não vê problema do fato de sua agenda estar sempre lotada, mas tenta lembrar que Deus sempre vem em primeiro lugar.
Aleteia For Her pediu para Jessamyn compartilhar conosco o que ela aprendeu até agora sobre como abrandar e reconectar a fé no dia a dia:

1. Escrever todos os dias

O que começou como uma intenção de Quaresma durante seu último ano de faculdade logo se tornou uma rotina diária quando Jessamyn percebeu o quanto ela gostava de escrever. Tornou-se uma maneira cotidiana de falar com Deus. “Escrever é uma ótima maneira de eu expressar meus pensamentos”, diz ela. Jessamyn dedica tempo ao blog todos os dias, seja para apenas um par de frases ou uma crônica. Este hábito também lhe dá a oportunidade de olhar para trás e refletir sobre os momentos difíceis – em que ela mais precisava de Deus – e pensar sobre como ela cresceu desde então. É uma bela maneira de refletir e aprender sobre si mesma e sobre Deus.

2. Encontrar tempo para ouvir

Uma noite, Jessamyn foi à adoração e ficou surpresa porque, quando ela chegou, a igreja estava escura, com apenas um único foco na Eucaristia. Ao mesmo tempo em que aquele momento era um pouco chocante, ela reconheceu que era Deus dizendo a ela que era Sua vez de falar. Embora Jessamyn seja absolutamente extrovertida, ela sabe que precisa haver equilíbrio em seu relacionamento com Deus: às vezes ela fala e outras vezes ela ouve. De acordo com Jessamyn, trata-se de estar presente: “Ele tocou meu coração de maneira significativa … Eu acho que foi porque eu fui forçada a sentar lá e apenas estar com Ele, em vez de tentar Lhe dizer coisas, pedir ou preencher o espaço com minhas palavras e meus pensamentos. Eu só pude sentar lá, estar lá. ”

3. Rezar incessantemente

A oração não precisa ser feita apenas em um determinado momento ou em um determinado lugar – pode-se rezar em qualquer lugar, a qualquer momento. Em vez de compartilhar sua fé, Jessamyn conversa com Deus durante todo o dia, reconhecendo Sua presença nos momentos em que ela está lutando ou simplesmente agradecida. Jessamyn acredita firmemente que é bom ser casual com Deus, comunicar-se com Ele não é “sempre uma oração formal … é apenas fazer de Deus uma parte do seu dia”.

4. Reservar tempo para a comunidade

O melhor conselho de Jessamyn para quem inicia um novo capítulo de sua vida é encontrar uma comunidade – isto é crucial para viver sua fé. “Você se torna como as pessoas com as quais você passa seu tempo… Então você deve procurar cercar-se de pessoas que te amam … que se importarão com você, que irão fazer você crescer e que nunca pedirão que comprometa a verdade sobre quem você é para estar com eles “, diz ela.
Jessamyn encontrou sua comunidade no pequeno grupo “Ela é abençoada”, onde ela passa o tempo com mulheres de mentalidade semelhante, que compartilham seu amor por Deus. Seja falando sobre a Bíblia ou apenas conversando, essas mulheres estão ajudando a levá-la no caminho certo para a sua fé.

5. Ler um devocionário diário

Adoração, terço, Missa diária ou, simplesmente, a leitura da Bíblia: a vida de oração de cada um é diferente. Então, você deve ter um tempo para descobrir que tipo de oração funciona para você. Mas, juntamente com a adoração, uma das formas favoritas de Jessamyn de oração é ler um devocional todas as manhãs.
Embora o jeito de rezar de cada pessoa seja diferente, o objetivo é o mesmo: é o caminho para convidar Deus a entrar em sua vida. Jessamyn sempre se lembra de que “Deus não é agressivo. Ele não vai se enfiar no seu caminho, a menos que você o queira lá. Então, se você quer isso, deixe-o saber.”
Ela admite que vale a pena todo tempo que passa com Deus. E diz: Seus planos são muito melhores do que qualquer coisa que nós podemos sonhar.”
jessamyn-anderson

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mudança

A imagem pode conter: planta e atividades ao ar livre
"A transição que acabamos de descrever, na qual se descobre a presença de Deus nas profundezas mais interiores de nosso próprio ser, é na verdade, a mudança de uma vida exterior para uma vida interior, no sentido mais estrito da palavra!

Thomas Merton, "A Experiência Interior", Martins Fontes 2007, pág. 129

QUAL O SIGNIFICADO DOS TRÊS PRIMEIROS PEDIDOS DO PAI NOSSO? 15/30

Pedimos a realização de coisas que são importantes para Ele: vosso Nome, vosso Reino, vossa Vontade.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Adoração ao Senhor por nosso irmãos africanos

NÃO tem luxo , NÃO tem instrumentos , NÃO tem jogo de Luz, Não tem show , NÃO tem artista gospel. Tem perseguição , tem pobreza , tem fé , tem voz. Veja a adoração de nossos irmãos africanos.

QUAL É O LUGAR DO PAI NOSSO NO SERMÃO DA MONTANHA? 14/30

O Pai Nosso é a "síntese de todo o Evangelho"(Tertuliano), "a oração perfeitíssima"(S. Tomás de Aquino). Está situado no centro do Sermão da Montanha (Mt 5-7).

Se o Pai Nosso é o centro do Sermão da Montanha, o Pão Nosso é o centro do Pai Nosso. Logo, o Pai nos dá o seu Filho para ser nosso alimento em meio às exigências do Sermão da Montanha.


O homem depravado


Duas espécies de coisas multiplicam os pecados e uma terceira acarreta a cólera:
A paixão ardente como fogo aceso: não se apaga enquanto tiver o que devorar;
O homem que deseja a sua própria carne:
não cessa enquanto o fogo não o consumir;
Para o homem sensual todo o alimento é doce,
não se acalma enquanto não morrer.
O homem que peca no seu próprio leito diz em seu coração: Quem me vê?
As trevas me envolvem, as paredes me escondem, ninguém me vê, o que temerei?
O Altíssimo não se lembrará de meus pecados.
O seu temor são os olhos dos homens e não sabe que os olhos do Senhor
são infinitamente mais luminosos do que o sol,
veem todos  os caminhos dos homens e penetram os lugares mais secretos.
Antes de serem criadas, ele já conhecia todas as coisas, 
depois de acabadas também as conhece.
Tal homem será castigado na praça da cidade, será preso onde não pensava.

Eclesiático 23, 16-21 - Bíblia de Jerusalém

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

COMO JESUS NOS ENSINA A REZAR? 12/30

Antes do Senhor ensinar o Pai Nosso aos discípulos, ensina as disposições para a oração: “reconciliação com o irmão antes de apresentar uma oferenda no altar, o amor aos inimigos e a oração pelos perseguidores, a oração ao Pai em segredo, a não multiplicação das palavras, o perdão do fundo do coração na oração, a pureza do coração e a busca do Reino”(CIC 2608)


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Os Estigmas: O que são? Porque são?

Em síntese: Os estigmas são chagas que alguns fiéis trazem em seu corpo, configurando-se a Cristo Crucificado. O fenômeno é complexo, pois envolve não só noções de Teologia e Mística, mas também fato¬res de Psicologia e Medicina; elementos religiosos e reações fisiológicas se conjugam, tornando por vezes o diagnóstico difícil, já que o fenômeno assume várias facetas. Como quer que seja, dos muitos casos de pessoas estigmatizadas que se conhecem, pode-se dizer que vários são autenticamente sobrenaturais ou graças extraordinárias concedidas pelo Senhor Deus. Com efeito; vêm a ser uma modalidade de participação na Paixão de Cristo decorrente de intensa devoção a essa santa Paixão; têm por finalidade santificar a pessoa estigmatizada por mais íntima união a Jesus Crucificado como também contribuir para a Redenção do mundo no sentido das palavras de São Paulo em Cl 1,24: “Completo em minha carne o que falta à Paixão de Cristo em prol do seu Corpo, que é a Igreja”.

É certo que o fenômeno dos estigmas está associado à meditação da Paixão dolorosa, pois não ocorre entre os cristãos orientais, que mais se devotam à contemplação do Cristo que reina através do lenho da Cruz.

O fenômeno dos estigmas, tal como ocorre, por exemplo, em Frei Pio de Pietralcina (muito conhecido no Brasil) e outros fiéis, suscita interrogações: afinal que tipo de fenômeno é esse? Como se pode explicar? Que sentido tem? É a tais indagações que serão dedicadas as páginas seguintes.

1. Estigmas: que são?

A palavra estigma vem do grego stigma = picada dolorosa. Originariamente indicava a marca impressa no gado com ferro quente, em sinal de apropriação por parte do boiadeiro. Passou a designar, em linguagem cristã, as chagas infligidas ao corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo por ocasião de sua Paixão. E, por último, significa as feridas que pessoas piedosas trazem em sua carne reproduzindo as chagas de Jesus.

Não há notícia de pessoas estigmatizadas antes do século XIII. O primeiro caso registrado é o de São Francisco de Assis, que, aos 14/9/1224, recebeu em seu corpo os sinais da Paixão de Jesus. Após esse Santo, vários outros casos ocorreram na história da Igreja até nossos dias.

Também se observa que os cristãos protestantes apresentam pouquíssimos casos de estigmas, ao passo que os ortodoxos orientais não o conhecem em absoluto. A razão disto é que o fenômeno dos estigmas está associado à contemplação da Paixão dolorosa de Cristo, devoção esta que tomou grande incremento no Ocidente a partir do século XIII por causa dos relatos dos cruzados e outros peregrinos que, voltando da Terra Santa, narravam minúcias da Paixão do Senhor como as haviam observado nos lugares sagrados.

Os estigmas vêm a ser fenômeno que a Psicologia, a Medicina e a Teologia, têm estudado intensamente, a fim de lhe dar uma explicação satisfatória, ou seja, sem ceder a um falso misticismo como também sem cair no naturalismo racionalista. Na verdade, há vários casos de pessoas estigmatizadas que não podem ser elucidados todos da mesma maneira. É o que passamos a verificar.

2. Como explicar?

Procurando sintetizar o que a pesquisa transmite aos estudiosos, pode-se dizer o seguinte: É inegável a influência do psiquismo sobre o corpo humano. O medo faz empalidecer, dilata as pupilas, provoca suor frio, gaguejar... A vergonha faz enrubescer... Em certos casos ditos “crepusculares” (como os da consciência adormecida, hipnose...) se as imagens se tornam mais vivas e efetuam um processo psicoplástico: eczemas, dermografia (sinais ou letras na pele), acne (erupção pustulenta resultante de inflamação), paralisia de certas funções do organismo...

Alguns pesquisadores admitem que uma idéia muito viva e estimada possa chegar a produzir sinais corpóreos. Assim a sugestão incutida a uma pessoa muito sensível pode redundar em marcas no corpo dessa pessoa correspondentes ao objeto sugerido. Ver a propósito ainda o Apêndice deste artigo, pp. 506s.

Na base destas verificações, pode-se afirmar que a contemplação da Paixão do Senhor em grau muito intenso pode produzir lesões na pele do(a) contemplante, lesões semelhantes àquelas que se encontram no objeto contemplado. Em tal caso, os estigmas são a expressão do grau de elevação do sentimento religioso da pessoa, e evidenciam a que ponto pode chegar a força psíquica do indivíduo. É esta a explicação que se dá a casos de pessoas muito santas que apresentam estigmas: S. Francisco de Assis, S. Catarina de Sena, S. Gema Galgani, Frei Pio de Pietralcina... A santidade de vida desses fiéis exclui qualquer processo fraudulento, qualquer tendência a fazer teatralidade ou tragédia, provocar compaixão... O Senhor Deus concede a tais pessoas a graça de participarem corporalmente da Paixão de Cristo, atendendo assim a um anseio das mesmas, desejosas de se configurar ao Senhor Jesus; nessas pessoas a graça de Deus serve-se da índole particularmente sensível de sua personalidade para provocar os sinais da Paixão de Cristo.

Todavia nem todos os casos de estigmas podem ser diagnosticados com segurança e clareza.

Há casos em que os estigmas aparecem juntamente com vários sintomas doentios e que parecem ter causa na configuração mórbida da pessoa estigmatizada e não na graça de Deus. De modo especial salienta-se a histeria; a pessoa histérica assume freqüentemente comportamentos e estilo devida teatrais, exibicionistas, procurando chamar a atenção dos outros, impressionando-os ou cativando a sua simpatia ou a sua compaixão; daí a facilidade com que tais pessoas podem querer parecer-se com Jesus Cristo Crucificado por mitomania ou por um desejo doentio. Em alguns casos o anseio psicológico da dramatização ou de impressionar os outros pode ter produzido a configuração corpórea correspondente, sem que se possa dizer que tais pessoas tenham sido especialmente esquecidas pela graça de Deus. Não é necessário que essa dramatização histérica seja efeito consciente e premeditado da parte da pessoa estigmatizada; o inconsciente pode levá-la a apresentar a configuração estigmatizada, de modo que não se pode dizer que todos os histéricos são mentirosos e hipócritas.

Estas dados complexos relacionados com a Psicologia e Fisiologia tornam polivalente o fenômeno dos estigmas. Cada caso há de ser considerado de per si. Haverá mesmo casos em que não se poderá definir com clareza a índole do fenômeno: seria realmente uma graça de Deus ou resultaria unicamente da natureza mórbida da pessoa em foco? É de crer que não raro os dois fatores se conjugam entre si.

Em todo caso, porém, será sempre de grande valia a análise do contexto em que ocorrem os estigmas como também a consideração do teor de vida ou do comportamento geral da pessoa estigmatizada. Se o exercício das virtudes (amor a Deus e ao próximo, espírito de penitência, prática da oração) é notório, pode-se crer que os estigmas são a resposta do Senhor Deus à piedade do(a) seu(sua) servo(a).

Ainda se deve notar que nem todas as chagas que aparecem no corpo humano podem ser tidas como estigmas. Geralmente os estigmas aparecem e desaparecem instantaneamente (podem aparecer, por exemplo, na noite de Quinta para Sexta-feira e desaparecer na noite seguinte, devendo o mesmo fenômeno reaparecer na semana seguinte). Além disto, os estigmas não são acompanhados de supuração; são persistentes, apesar de todos os tratamentos e cuidados médicos que se lhe dispensem.

Pergunta-se agora:

3. Qual o significado religioso dos estigmas?

Antes do mais, é de notar o seguinte: na medida em que são autênticos fenômenos sobrenaturais (questão que deve ser cuidadosamente investigada), os estigmas não são essenciais a uma vida santa; a prática das virtudes, mesmo em grau heróico, não leva necessariamente à produção de estigmas.

Quando ocorrem e são genuínos dons de Deus, revestem-se de duplo significado:

1) Participação física da Paixão de Cisto, correspondente a um anseio da pessoa piedosa. O Senhor concede a fiéis que se devotam a reconhecer seu Amor Crucificado, a graça de trazer em seu corpo os vestígios da Paixão de Cristo.

2) Essa participação da Paixão do Senhor tem efeito de santificação não só em favor da pessoa estigmatizada, mas também em favor do próximo, segundo diz São Paulo: “Completo em minha carne o que falta à Paixão de Cristo em favor do seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24). Na verdade, ninguém pode acrescentar algum valor à Paixão de Cristo Infinitamente meritória, mas todo cristão pode dar a essa Paixão a moldura própria da sua personalidade, pode estendê-la ao seu respectivo “aqui e agora” em favor dos irmãos ou numa atitude corredentora. Na Comunhão dos Santos cada qual pode ser útil aos irmãos na medida em que se configura a Cristo Redentor.

4. Casos Concretos

À guisa de complemento, vão apresentados alguns casos concretos de estigmatização, tidos como autênticos uns (não, porém, artigos de fé), duvidosos outros.

4.1. Casos tidos como autênticos

4.1.1. São Francisco de Assis (1181- 1226)

Aos 14 de setembro de 1224, festa da Exaltação da Santa Cruz, enquanto rezava no eremitério do Monte Alverne, Francisco teve a visão de um Serafim, sobre o qual brilhava o Crucificado. Quando a imagem desapareceu, Francisco sentiu “o coração arder de amor, enquanto na sua carne estavam impressos os sinais da Paixão do senhor; apareceram nas suas mãos e nos seus pés as marcas dos cravos: além disto, trazia no costado uma fenda como se tivesse sido atingido por uma lança; a túnica e o calção do santo se achavam manchados de sangue. É Tomás de Celano, o biógrafo mais famoso de Francisco, quem o narra (Vita I Parte II, Cap. II, p. 93). S. Boaventura (+ 1274) oferece relato semelhante em Legenda Maior, cap. XIII, p.2. Testemunhas oculares confirmam o fato, pois o puderam observar no cadáver do Santo.

Imediatamente após o falecimento de Francisco, Frei Elias escreveu ao Provincial da França com grande alegria:

“Anuncio-vos uma grande alegria, ou mesmo um novo milagre. Desde a origem do mundo, nunca se ouviu contar tão maravilhosa coisa, a não ser do Filho de Deus, que é Cristo nosso Deus. Com efeito; muito antes da sua morte, o nosso Pai e Irmão apareceu crucificado, trazendo em seu corpo as cinco chagas, que são realmente os estigmas de Cristo: as suas mãos e os seus pés tinham, por assim dizer, furos devidos a pregos cravados na carne... ao passo que o seu costado parecia ter sido golpeado por uma lança, deixando as marcas de sangue” (S. Boaventura, Legenda Maior Lectio tertia).

A notícia dos estigmas de S. Francisco é tão documentada por testemunhas próximas ao fato que os críticos julgam não os poder pôr em dúvida. É, sim, possível discutir a configuração desses estigmas, pois os relatos nem sempre concordam entre si. É razoável, pois, acreditar que Francisco, ao contemplar assiduamente a Paixão do Senhor, foi agraciado com as chagas decorrentes dessa Santa Paixão.

4.1.2. Santa Catarina de Sena (1347 – 1380)

Parece que não teve estigmas visíveis, mas chagas internas.

A biografia de Catarina foi escrita por testemunhas fidedignas, como por exemplo, o Bem-aventurado Raimundo de Cápua, confessor da Santa e, posteriormente, Mestre Geral da Ordem Dominicana; verdade é que a admiração de Raimundo por Catarina levou o biógrafo a certos exageros, mas julga-se que, em substância, o que ele refere é fidedigno.

Desde criança, Catarina foi muito atraída por Jesus; retirava-se numa gruta para rezar a sós durante horas. Fez-se irmã da Ordem Terceira de S. Domingos, e teve visões e êxtases que repercutiam sobre o seu corpo, o qual se enrijecia e até levitava.

Recebeu estigmas internos, ou seja, as dores dos estigmas. Eis como o Bem-aventurado Raimundo o descreve na qualidade de testemunha ocular:

Catarina estava na capela de S. Sixtina em Pisa. Recebeu a S. Comunhão e, como relatam as pessoas presentes na capela, ela estendeu os braços e as mãos: ficou radiante de luz e caiu por terra, como se tivesse sido mortalmente ferida. Pouco depois recuperou os sentidos.

Então, conta o Bem-aventurado Raimundo, ela chamou seu confessor, e em voz baixa lhe disse: “Saiba, ó Pai, que pela misericórdia de Deus, trago no meu corpo os estigmas de Jesus. Vi o Senhor pregado à Cruz: das cicatrizes de suas sacratíssimas chapas desceram cinco filetes de sangue, dirigidos respectivamente às mãos, aos pés e ao coração. Ciente do mistério, exclamei logo: “Ah, Senhor meu Deus, eu Te peço que não apareçam essas cicatrizes na superfície do meu corpo”. Enquanto eu o dizia, antes que os filetes chegassem a mim, a sua cor de sangue se transformou em cor refulgente, e, sob a forma de luz pura, chegavam aos cinco pontos do meu corpo, isto é, às mãos, aos pés e ao coração”.

Perguntou-lhe então o Bem-aventurado Raimundo: “Nenhum filete chegou ao lado direito?”. Respondeu ela: “Não, mas sim ao lado esquerdo, acima do meu coração – aquela luz que saia do lado direito de Jesus, feriu-me diretamente”. Continuou o Bem-aventurado Raimundo: “Sentes dor nesses cinco pontos?”. Ela, após profundo suspiro, respondeu: “É tal a dor que sinto nesses cinco pontos, especialmente no coração, que, se o Senhor não fizer outro milagre, não me parece possível que eu possa subsistir, escapando da morte dentro de poucos dias”. Após a morte de Catarina, o Pe. Prior do Convento da Minerva escreveu ao Bem-aventurado Raimundo para dizer-lhe que ele e muitas outras testemunhas tinham visto as chagas no corpo da Santa por ocasião das suas exéquias. Além disto, no pé de Catarina que se conserva em Veneza, se observa a marca das chagas: o mesmo se dá na mão da Santa que é guardada no Convento de S. Sixto em Roma.

4.1.3. Santa Verônica Giuliana (1660 – 1727)

Era capuchinha, Foi canonizada por Gregório XI. Desde criança, desejou imitar os mártires, que haviam sofrido por amor de Jesus.

Recebeu os estigmas aos 5 de abril de 1697, no decorrer de longo êxtase. Essas chagas foram observadas pelo Bispo Mons. Eustachi, de Città di Castello, com quatro outras testemunhas e, mais tarde, por diversas Irmãs Capuchinhas. O Pe. Tassinari, que acompanhou o Sr. Bispo, Descreve:

“Mons. Eustachi observou e fez observar a todos nós as chagas das mãos de Irmã Verônica; na parte superior destas, havia uma ferida grande como o calibre de um prego de tamanho médio ou do diâmetro de um pequeno quattrino florentino: em cima de cada chaga, havia uma tênue crosta... Quanto à chaga do costado, à esquerda, seria uma ferida do tamanho do dedo mindinho, larga no meio e pontiaguda nas duas extremidades” (Sumário do Processo de Canonização, p. 212).

4.1.4. Santa Gema Galgani (1878 – 1903)

Desde menina, foi muito virtuosa: sofreu vicissitudes de família. Experimentou distúrbios psiconeuróticos, quando um jovem se enamorou dela, e quis pedi-la em noivado. As tias com que ela morava, consideravam essa perspectiva com bons olhos, porque o rapaz era sério. Gema, porém, se recusava; sem saber como evitaria o passo, pedia a Deus que a ajudasse. Adoeceu gravemente, ficando desenganada. Mas foi curada imprevistamente após muitas orações. Numa visão apareceu-lhe Jesus Crucificado. Sentiu profundas dores. Diz ela: “As chagas de Jesus ficaram gravadas na minha mente de maneira tão viva que jamais se apagaram”. Após a S. Comunhão, certo dia, recebeu promessa de um grande presente. Avisou o confessor. O presente consistia nos estigmas, que se formaram nela enquanto contemplava Jesus com as chagas abertas: destas procediam raios de fogo, que atingiam os pontos correspondentes do corpo de Gema. Esses estigmas se abriam todas as semanas às 20 horas de quinta-feira e permaneciam abertos até as 15 horas de sexta-feira, derramando sangue. Uma vez terminado o fluxo de sangue, as chagas começavam a se enxugar e fechar. No dia seguinte ou, ao mais tardar, no Domingo, tudo estava fechado e, no lugar dos estigmas, se observava uma mancha branca.

4.1.5. Frei de Pietralcina (1887 – 1968) 

Foi capuchinho. Durante cinqüenta anos, trouxe os estigmas: alguns desapareceram pouco antes da sua morte; outros, logo depois do seu falecimento. – O caso tem sido estudado meticulosamente, pois é relativamente recente e sujeito a exames mais rigorosos do que os casos anteriormente registrados.

Frei Pio era de saúde fraca, mas homem de grande bondade e virtude; a todos inspirava simpatia e confiança; às vezes passava quinze ou dezesseis horas por dia confessando e atendendo ao povo.

O primeiro especialista que examinou os estigmas de Frei Pio, foi o Prof. Bignami. Deu ordem para que se enfaixassem as feridas na presença de duas testemunhas e se lacrasse a bandagem. Durante oito dias sucessivos, todas as manhãs eram trocadas as faixas. No oitavo dia, foram retiradas definitivamente as ataduras; o Pe. Pio celebrou então a S. Missa, verificando-se então que de suas mãos jorrava tanto sangue que as testemunhas foram obrigadas a fornecer-lhe lenços para que as enxugasse. Aliás, dia por dia, as chagas, ao serem descobertas, emitiam sangue.

O Dr. Andréa Cardone, médico da família de Frei Pio desde 1910, afirma que se encontrou em ambas as mãos do padre perfurações do diâmetro de 1,5 cm; atravessavam a palma da mão tão profundamente que esta se tornava transparente para a luz.

Muitos médicos examinaram as chagas de Frei Pio, sem poder averiguar algum indício de embuste, hipocrisia ou mentira. É o que leva a crer que se trata de autêntico fenômeno suscitado pela grada de Deus.

4.2. Casos duvidosos e falsos

São muitos os casos de duvidosos e falsos estigmas. Relacionaremos apenas três deles.

4.2.1. Santa Clara de Montefalco (1268 – 1308)

Dizem que não teve propriamente estigmas, mas trazia em seu corpo os instrumentos da Paixão do Senhor, encontrados aí em autópsia depois da morte.

No dia após os funerais fez-se a autópsia e diz-se que no coração da santa foram encontrados os cravos, a lança, o flagelo, um crucifixo de carne e nervos... Tal resultado, porém, é contestado, pois a autópsia foi realizada por uma Irmã na presença de outras Religiosas, que nada sabiam de anatomia.

Crê-se que interpretaram a estrutura interna do coração como se fossem os instrumentos da Paixão. Interpretação imaginosa, favorecida pela fantasia e a afetividade.

4.2.2. Margarida de Città di Castello (1248 – 1291)

Algo de semelhante se relata a propósito desta Irmã: objetos de piedade e três pérolas terão sido encontrados em seu coração – o que carece de documentação adequada.

4.2.3. Paulo Diebel

Em 1928 na cidade de Paris foi descoberto o senhor alemão Paulo Diebel.

Dizia que podia produzir à vontade lágrimas de sangue e estigmas.

Observado atentamente pelo Dr. Osty, foi desmascarado. O médico virou as pálpebras de Diebel e verificou que estavam cheias de pontadas de alfinete e, por isto, sangravam. Quanto aos estigmas, eram falsificados com o sangue de Diebel retirado de uma chaga de suas pernas.

APÊNDICE

Dizíamos que o psíquico exerce influência sobre o físico do indivíduo humano. Com outras palavras: todo fato psíquico (um pensamento, um desejo íntimo e oculto...) provoca um movimento do corpo humano. A fim de mais o evidenciar, sejam, a seguir, citados mais alguns significativos exemplos:

1) Digamos que alguém quer atravessar um riacho passando por uma passarela frágil ou um tronco de árvore. Se essa passarela tem corrimão, a pessoa passa facilmente sem utilizar corrimão. Todavia, se não há corrimão, a pessoa perde o equilíbrio e cai nágua. Por que cai, se, no primeiro caso, passou bem sem se servir do corrimão? Eis a resposta: se não há corrimão, a pessoa naturalmente sente insegurança e concebe o medo de cair nágua; ora esse medo (sentimento íntimo) repercute no físico, provocando desequilíbrio e a queda da pessoa. No caso de haver corrimão, o passageiro se sente mais garantido e seguro; ora esse sentimento de garantia faz que tenha firmeza nas pernas para não cair nágua.

2) Tracemos um círculo sobre uma folha de papel, com uma grande cruz no centro do círculo. Depois tomemos um fio a prumo ou um pêndulo e mantenhamo-lo suspenso sobre o círculo. Feito isto, fechemos os olhos e ponhamo-nos a pensar no círculo, com a mão imóvel sustentando o pêndulo colocado sobre o círculo... Dentro em pouco veremos que o pêndulo começará a girar sobre o círculo, pois a imagem do círculo entretida em nossa mente provocará o automatismo corpóreo ou a circulação visível; a energia da mente se traduz dessa maneira perceptível. – Algo de análogo ocorre se, em vez de pensar no círculo, pensamos na cruz traçada dentro do círculo: o pêndulo fará o movimento de cruz, porque a imagem mental repercutirá no físico do indivíduo.

3) Uma pessoa histérica passeia de noite, de um lado para o outro, em sua casa; tem uma vela acesa na mão. Ouviu dizer que nessa casa há fantasmas noturnos, barulhos misteriosos e coisas semelhantes. Põe-se então a pensar: “Se a vela se apagar, ficarei na escuridão. Que medo horrível!”. E eis que, estranhamente, no mesmo instante, a pessoa apaga a vela. Como? Por quê? – Porque a imagem da vela que se apaga passou da mente para a corporeidade dessa pessoa, provocando a realização concreta do ato vislumbrado mentalmente.

Observam os estudiosos que tal fato não ocorre com qualquer indivíduo; supõe-se uma personalidade histérica ou, ao menos, alguém de fantasia muito viva e vibrante, dotada de fraco senso crítico.

4) Coloquemos uma pessoa no centro de um espelho côncavo. A certa distância coloquemos outro indivíduo no centro de outro espelho côncavo. Este segundo indivíduo poderá sentir o que o primeiro pensa, se as cordas vocais do primeiro estiverem exatamente no centro do espelho côncavo. O fenômeno se explica pelo fato de que as cordas vocais se movem, mesmo que imperceptivelmente, pronunciando as palavras que a pessoa pensa. O som levíssimo assim emitido pela pessoa do primeiro espelho chega até o outro indivíduo porque os espelhos côncavos aumentam o volume do som.

Deve-se observar que estes fenômenos de automatismo ou de reflexo do psíquico sobre o físico explicam fatos aparentemente misteriosos e, por isto, atribuídos a espíritos do além. Tal é o caso, entre outros, da chamada “escrita automática” ou psicografia. – Eis o que se dá com o psicógrafo: ele se sugestiona, consciente ou inconscientemente, no sentido de que está para receber o espírito de uma pessoa “desencarnada”; não raro o psicógrafo conhece esse espírito “desencarnado” (pode ser um grande escritor ou um grande vulto do passado...) No momento em que o psicógrafo julga que está baixando o espírito com sua mensagem, a mão do psicógrafo põe-se a escrever automaticamente, como se estivesse sendo guiada pelo espírito do além... Escreve aquilo que o seu inconsciente conhece a respeito do desencarnado; freqüentemente ele toma conhecimento do “desencarnado” lendo inconscientemente, no inconsciente de quem o consulta, as notícias que lhe são assim oferecidas. A mensagem pode ser muito bela e confortadora, mas ela certamente não provém do além; ela sai do inconsciente do psicógrafo sugestionado.

http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com.br/2009/09/os-estigmas-o-que-sao-porque-sao.html

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

QUEM ENSINOU JESUS A REZAR? 11/30

Jesus, segundo seu coração de homem, aprendeu a rezar com sua Mãe e com a tradição judaica. Mas sua oração brota de uma fonte secreta, porque ele é o Filho eterno de Deus, que, em sua santa humanidade, dirige a seu Pai a oração filial perfeita.


O dia em que o arquiteto de uma igreja enganou o diabo


Um truque utilizado na construção evitou que o arquiteto fosse obrigado a vender sua alma ao diabo

O dia em que o arquiteto de uma igreja enganou o diabo

Assim que alguém entra na Catedral de Munique, Alemanha, mais conhecida pelos moradores da cidade como Fauenkirche (Igreja de Nossa Senhora), é possível ver uma pegada no ponto de acesso à nave central. Essa é a famosa “pegada do diabo”. Ao redor dela, uma história que envolve Jörg Von Halsbach, o arqueiteto da catedral, tem atravessado  gerações.
Diz a lenda que Halsabach, assim que recebeu a missão de construir a igreja, foi forçado a fazer um pacto com o diabo por pura necessidade. Algumas fontes afirmam que ele estava ficando aquém do orçamento para completar sua obra. Outros dizem que o diabo frequentemente intervinha na construção de catedrais, causando acidentes que atrasariam o trabalho por séculos. De qualquer forma, o diabo ajudou Halsbach sob a condição de que sua catedral não tivesse janelas, de modo que nem a luz natural nem a divina pudesse entrar no edifício. Se ele não conseguisse construir tal estrutura, Halsbach teria que entregar sua alma ao diabo.
O maligno estava certo de que ele tinha feito o melhor negócio, sabendo que a construção de uma catedral sem janelas é como construir um carro sem rodas. Mas Halsbach conseguiu terminar a catedral em apenas 20 anos, o que é excepcional se levarmos em conta que uma catedral poderia levar várias gerações para ser concluída.

A famosa pegada do diabo na Catedral de Munique,  Alemanha
A famosa pegada do diabo na Catedral de Munique,
Alemanha
Quando a obra estava pronta, o diabo ficou na entrada da Frauenkirche (o diabo não pode entrar em um edifício sagrado, por razões óbvias) e, de fato, não podia ver nenhuma janela. Pelo menos não de onde ele estava. O grande vitral atrás do altar estava coberto por um imenso retábulo, e Halsbach foi bastante hábil como arquiteto para arrumar as colunas internas da catedral, de modo que elas pareciam se sobrepor como se fossem uma parede, escondendo as belas janelas.

As colunas que impediam a visão das janelas laterais
As colunas que impediam a visão das janelas laterais
O diabo saiu do lugar enganado e frustrado, deixando sua marca precisamente no ponto onde as janelas não podem ser vistas. E o inteligente Jörg Von Halsbach manteve sua alma.

Estamos comungando Jesus ou comendo hóstias?


Uma pergunta interessante feita pelo meu professor de Antigo Testamento

Estamos comungando Jesus ou comendo hóstias?

Certo dia, em sala de aula, meu professor de Antigo Testamento perguntou:
“ESTAMOS COMUNGANDO JESUS OU COMENDO HÓSTIAS ? ”
Parece uma brincadeira, mas o questionamento é sério. Eu fiquei pensando… meu Deus! Já comunguei tantas vezes, já participei de MILHARES de Missas, mas… o que mudou? Em que mudei?
Comungar é estar unido, intimamente ligado ao Cristo. É viver como Ele viveu, pensar como Ele pensa, agir como Ele age! Da sua primeira comunhão pra cá, em que você melhorou? Quais foram os passos significativos no processo de conversão? Em suma: quais os frutos de santidade que a Eucaristia realizou em nós?
Santa Teresa de Ávila dizia que bastava uma comunhão em estado de graça para se santificar. A Beata Imelda morreu no dia da sua Primeira Comunhão. Morreu de amor. Tantos santos que entravam em êxtase na hora da Missa, como Luís de Monfort, Inácio de Loyola e José de Cupertino…
Irmã Dulce e Madre Teresa que saíam da Missa para dar socorro aos necessitados, Santa Gema Galgani que tinha o seio queimado por causa de um fogo misterioso que lhe incendiava, Santo Antônio de Lisboa que fez um jumento se ajoelhar diante da Hóstia para converter um ateu, Maria Milza que nunca aceitou ser ministra da comunhão por se sentir indigna de tocar o Corpo de Deus, a Beata Alexandrina que viveu 13 anos apenas com uma Eucaristia diária, etc… etc… etc…
Santo Agostinho dizia que nós metabolizamos os alimentos que comemos, mas quanto a Eucaristia, é ela que nos metaboliza.
E eu? E você? E nós? Estamos comungando Jesus ou comendo hóstias? Aquela partícula branca transforma o nosso interior ou é como uma vela acesa mergulhada na água? Pense… repense… medite…

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

QUAL É A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO DOS SALMOS? 9/30



A Bíblia oferece, em todas as páginas, ensinamentos sobre a oração. Porém, possui um livro que pode ser considerado seu livro de oração: o livro dos Salmos.

Os Salmos são o ponto alto da oração no Antigo Testamento: a Palavra de Deus torna-se oração do homem.

Nosso Senhor rezou os salmos, dando-lhes pleno cumprimento. Por isso permanece um elemento essencial de oração da Igreja, adaptado a todos de todos os tempos.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

AS TRAIÇÕES SENTIMENTAIS

Os falsos bons passam a vida alimentando com ramos odoríferos a caldeira do nosso egoísmo, sem reparar que, querendo deixar-nos felizes com a sua brandura, nos fazem deslizar cada vez mais para o abismo da nossa infelicidade. É um fato que só o amor e a verdade nos realizam, e o egoísmo nos destrói.
Por sua vez, o bondoso sentimental é ele próprio um egoísta. A sua máxima aspiração é “ficar bem”, “ser agradável”, “ser simpático”. E, em troca de granjear o nosso apreço, não hesita em abençoar a mentira e acobertar o mal.
O filho ou um amigo estão à beira de desmanchar o casamento por motivos fúteis? Jamais passará pela mente do “bonachão” estender-lhes a mão com sacrifício, ajudá-los a reagir, passar um mau bocado para tentar que reconsiderem o mau passo que estão prestes a dar e enfrentem o dever. Preferirá observar tudo “sem interferir”, e achará por bem comentar docemente: “Deixa, ele tem o direito de ser feliz”. Uma vez consumada a catástrofe, que pode ter consequências irreversíveis – especialmente para os inocentes, para os filhos –, o nosso homem “bom” limitar-se-á a sacudir a cabeça e a comentar: “Vamos torcer para que dê tudo certo”.
É o mesmo que, enganando miseravelmente a sua consciência, deixará passivamente que a filha se envolva com amizades bem pouco recomendáveis, porque não quer atritos e – além do mais – é muito incômodo carregar a etiqueta de “pai antiquado e tirânico”. Por isso, não será nem tirano – no que fará bem – nem pai – no que fará pessimamente. E quando estourarem as consequências lamentáveis da sua omissão, chorará lágrimas mansas e se consolará dizendo: “A juventude atual é difícil, é diferente da juventude dos meus tempos”. Mas a filha já estará moralmente aniquilada.
Os bons sentimentais e vazios são os protagonistas constantes do que poderíamos chamar a “antiparábola” do bom samaritano.
Na parábola evangélica relatada por São Lucas (Lc 10, 25-37), o bom samaritano encontra estendido na estrada um judeu que acaba de ser assaltado por ladrões e que está ferido e meio morto. Que fazer? O judeu é seu inimigo – pois, como é sabido, judeus e samaritanos se odiavam –, e portanto o problema não parece ser da sua conta. Vencendo, contudo, essas barreiras, decide-se a atendê-lo. E faz tudo para assisti-lo e curá-lo. Primeiro, limpa-lhe as feridas, suavizando-as com óleo e purificando-as com vinho; depois, carrega-o na sua montaria e instala-o numa estalagem, adiantando o dinheiro necessário para que tratem dele. As suas ocupações obrigam-no a afastar-se por umas horas, mas logo volta à hospedaria para certificar-se de que não faltou ao enfermo nenhuma assistência. Cuidou dele em tudo, resume Cristo. Por isso, o bom samaritano fica no Evangelho como a imagem perfeita da bondade movida pelo amor.
Pois bem. Imaginemos – caricaturando a cena – o que teria feito um samaritano “bonachão”. Não é difícil descrever a “antiparábola”. Chega ao pé do ferido e sente-se impressionado. “Coitado!”, exclama, e acrescenta: “Neste mundo acontece cada coisa!” Acocora-se junto dele, dirige-lhe um olhar terno e limita-se a “consolá-lo”: “Dói muito? Vai ver, não há de ser nada”. Nem cogita de intervir no caso: se pegar nele para cuidá-lo, pode “machucá-lo” ou pode “comprometer-se”. Limita-se, por isso, a dar-lhe uma afetuosa palmadinha, a colocar-lhe um pano bem almofadado debaixo da cabeça e a afastar-se comovido com os seus próprios sentimentos, ao mesmo tempo que murmura baixinho: “Acho que assim vai sentir-se melhor”. Naturalmente o ferido, envolto em tanta “bondade”, morrerá poucas horas depois. É possível que o “bondoso” deixe ainda alguma esmolinha para o enterro.
Ironias à parte, qualquer pessoa lúcida é capaz de compreender que isto é o que fazem conosco os bonachões de que estamos falando.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

Jim Caviezel "A Paixão de Cristo" - Testemunho




Testemunho de Jim Caviezel, o ator que interpretou Jesus Cristo no fime "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

COMO ERA A ORAÇÃO DOS PROFETAS? 8/30

Os profetas recebem da oração luz e força para exortar o povo à fé e à conversão do coração.

Elias é o pai dos profetas. Isto é, dos que procuram a face de Deus. No Monte Carmelo, obtém o regresso do povo à fé, graças à intervenção de Deus, a quem suplica: "Ouve-me Senhor, ouve-me"
(1 Rs 18,37)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Contemplação e teologia

Muitos não-cristãos, e possivelmente muitos cristãos protestantes, provavelmente supõem que a intensa preocupação dos primeiros Padres da Igreja com detalhes técnicos do dogma da encarnação era fruto de uma obstinação arbitrária e subjetiva e que tinha muito pouca importância objetiva. Mas, na verdade, as complexidades da cristologia e do dogma da união hipostática não constituem, de maneira nenhuma, uma rede autoritária projetada para capturar a mente e manter em sujeição a vontade dos fiéis, como o racionalismo está sempre pronto a declarar. Tanto o teólogo quanto o crente comum da era patrística tinham consciência da importância da correta formulação teológica do mistério da encarnação, porque um erro em matéria de dogma teria de fato desastrosas consequências práticas na vida espiritual de cada indivíduo cristão. 

(extraído da obra A experiência interior, pág. 54)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Jejum faz as células se comerem e renova o organismo

Não é dieta ou regime. Os cientistas estão pesquisando como o jejum ou o corte radical de calorias pode promover o aumento da expectativa de vida. A alimentação equilibrada e rica em nutrientes é fundamental para uma boa saúde. Porém, já é sabido que a privação de alimentos de forma controlada pode ativar mecanismos de autodefesa das células que garantem a elas maior longevidade. É isso que se traduz em benefícios para todo o organismo. Tudo por causa da autofagia. Ela é um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células de nosso corpo. Os genes que regulam essa reciclagem de organelas velhas ou malformadas foram identificados por Yoshinori Ohsumi, ganhador do Nobel de medicina deste ano. A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células e ao desenvolvimento de doenças. Assim, manter o mecanismo ativo seria uma forma de prevenir problemas futuros.
A autofagia é ativada quando a célula está em situações de estresse. Por exemplo, quando o indivíduo fuma um cigarro ou deixa de se alimentar. Para sobreviver, a célula passa a “comer” partes internas, degradando tudo o que tem de ruim. Quanto mais o mecanismo funciona maior a faxina interna.

“O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células”, explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina. Segundo ela, a maioria dos estudos feitos até hoje foi com animais. 

Outra forma de ativar a autofagia e propiciar benefícios para o organismo é com a restrição do consumo de alimentos. Para funcionar, a redução de calorias ingeridas deve variar entre 20% e 60%, de acordo com as pesquisas. “Não é o jejum, é a diminuição prolongada de consumo de nutrientes. A autofagia é aumentada”, explica Luciana Gomes. A redução ocorreria principalmente no consumo de carboidratos e proteínas.

Contudo, se a privação de nutrientes for muito longa, os efeitos passam a ser negativos. Nesse caso, a célula poderia começar a degradar componentes bons, que funcionam. O ideal seria conseguir estimular a faxina interna em tempo certo, sem excessos. Para isso, os cientistas pesquisam qual seria o tempo de jejum e o nível de redução calórica que garantiriam os efeitos benéficos sem causar prejuízos.

Smaili diz que há estudos feitos em humanos que mostram que o jejum, se bem conduzido e monitorado, traz benefícios a longo prazo. “Não é um jejum prolongado. É de 12 e no máximo 24 horas. E pode ser específico, de alguns nutrientes, como carboidratos e proteínas”, afirma. Durante o jejum, seria importante manter o consumo de água e de sais, para não provocar aumento da pressão arterial ou desidratação. Um soro pode cumprir essa função. E o jejum só poderia ser feito por pessoas saudáveis.

Para garantir o aumento da expectativa de vida a longo prazo, o jejum precisaria ser feito de forma periódica. “Não adianta fazer um hoje e outro no ano que vem”, diz a farmacóloga da Unifesp. Já a redução calórica precisaria ser permanente para produzir efeitos. “Como é difícil ter essa disciplina, surgiu a busca para confirmar se jejum intermitente conseguiria levar aos mesmos efeitos”, complementa a biomédica da USP. 

As pesquisas existentes ainda não possuem resultados que permitam traçar uma indicação de frequência do jejum. Quanto à restrição calórica, Gomes explica que em testes com animais os melhores resultados ocorreram entre os que foram mantidos em restrição calórica desde o nascimento. O aumento da expectativa de vida chegaria, nesses casos, a 30%.


Nota: Há mais de um século, Ellen White recomendou: “Para certas ocasiões, o jejum e a oração são recomendáveis e apropriados. Na mão de Deus são o meio de purificar o coração e promover uma disposição de espírito receptiva. Obtemos resposta às nossas orações porque humilhamos nossa alma perante Deus. [...] Agora e daqui por diante até ao fim do tempo, deve o povo de Deus ser mais fervoroso, mais desperto, não confiando em sua sabedoria, mas na sabedoria de seu Líder. Devem pôr de parte dias de jejum e oração. Pode não ser requerida a completa abstinência de alimento, mas devem comer moderadamente, do alimento mais simples” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 188, 189). 

Além dos benefícios físicos cientificamente comprovados, o jejum recomendado pela Bíblia e por Ellen White tem o poder de desintoxicar o organismo e deixar a mente mais clara, daí porque ele faz parte das práticas/disciplinas espirituais. “Com a mente servimos ao Senhor”, escreveu White (Temperança, p. 14), e tudo o que pudermos fazer para manter a mente clara favorecerá a compreensão da vontade de Deus. [MB]

http://www.criacionismo.com.br/2016/11/jejum-faz-as-celulas-se-comerem-e.html

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A BONDADE REAL


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Retomemos uma ideia já vista. Bom, de verdade, é somente aquele que nos faz bem, e o bem é acima de tudo o valor moral e espiritual de uma pessoa. Portanto, bom mesmo é somente aquele que nos ajuda a ser melhores.
Quando já vivemos um bom pedaço da vida e olhamos para trás, contemplamos um vasto panorama de vicissitudes diversas, de erros e acertos, de perigos que nos ameaçaram, de dúvidas que nos paralisaram, de alegrias e tristezas. Mas, no meio dessas lembranças, todos nós podemos ver brilhar uns pontos de luz que jamais esqueceremos: pessoas que, no momento em que mais precisávamos, nos fizeram bem: “Fulano – dizemos – ajudou-me muito”, “significou muito para mim”; “graças a Sicrano, consegui superar um problema grave (ou uma crise ou um estado de ânimo) que poderia ter-me arrasado”…
Mesmo sem darmos por isso e sem dizê-lo explicitamente, estamos falando de “homens bons”. Inconscientemente, possuímos a convicção de que foram bons, para nós, aqueles e aquelas que nos despertaram para ideais mais nobres, que nos deram a mão para levar-nos a encontrar um sentido mais alto da vida, que iluminaram as nossas escuridões interiores fazendo-nos compreender aquilo por que vale a pena viver.
Em suma, foram “bons” os homens e mulheres que nos elevaram a um maior nível de dignidade moral e nos ajudaram a ser melhores, mesmo que para isso tivessem precisado, em algum momento, de fazer-nos sofrer. Contribuíram, em suma, para que descobríssemos e abraçássemos o bem, e não se contentaram com deixar que nos “sentíssemos bem”.
Se, para tanto, foi necessário que nos aplicassem uma enérgica e paciente “cirurgia”, não duvidaram em fazê-lo, mesmo sabendo que, de início, não os compreenderíamos. Souberam ter a coragem – pensemos, por exemplo, nos pais e educadores – de dizer-nos serenamente “não” e de manter essa sua posição, em defesa do nosso bem, ainda que nós a interpretássemos como teimosia prepotente e irracional. Passado o tempo, compreendemos e agradecemos o que essa energia amorosa significou para nós.
O homem bom recusa-se a tomar como princípio de comportamento o infeliz ditado segundo o qual “aquele que diz as verdades perde as amizades”. Pratica a lealdade sincera quando o nosso bem está em jogo. Certamente, não confunde a sinceridade com a franqueza rude, que se limita a lançar em rosto os erros e defeitos em tom áspero e acusatório. Mas arrisca-se de bom grado a ser incompreendido, a ser tachado de moralista e de intrometido, quando percebe que precisa falar-nos claramente, caridosamente mas sem ambiguidade, e não hesita em praticar aquela excelente obra de misericórdia que consiste em “corrigir o que erra”, a fim de levá-lo a encontrar a retidão do caminho moral.
Calar-se, deixando o barco correr… e afundar-se é, sem dúvida, mais cômodo. Alhear-se, ou até mostrar-se conivente com os erros alheios, atrai benevolências e simpatias. Mas é uma forma covarde de omissão e uma triste colaboração com o mal.

Trecho do livro de F.F O homem bom-Reflexões sobre a bondade

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