quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Você sofre de ansiedade? Então veja este conselho de São Francisco de Sales

MAN,ANXIETY

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma

Às vezes, a gente não consegue evitar: a ansiedade se instala em nós. Pode ser uma ansiedade passageira causada por muito trabalho a fazer e pouco prazo. Mas pode ser também algo mais sério, que exige avaliação e assistência profissionais. 
Entretanto, seja qual for o tipo de ansiedade que possamos estar vivenciando, é consolador saber que até os santos se sentem (ou se sentiram) ansiosos.
Veja o que São Francisco de Sales recomenda para evitar a ansiedade e encontrar a paz.

Não subestime o problema 

São Francisco de Sales acredita que, com a única exceção do pecado, a ansiedade é o maior mal que pode acometer uma alma.
Você provavelmente já sabe que a ansiedade é um problema, mas você pode pensar que Deus não está interessado nisso, porque Ele se importa mais com o fato de você evangelizar, fazer o seu dever e orar. Afinal, você não deveria estar se preocupando com os outros, mas com você mesmo, né? 
Não, São Francisco não concordaria com isso. Nem Deus.
Nosso Senhor ordenou que amássemos aos outros como amamos a nós mesmos. Quando você está ansioso, amar a si próprio significa fazer o que for possível para remediar a ansiedade. Não significa ignorá-la, na crença equivocada de que Deus se importa pouco com isso. Ele quer que tenhamos alegria em fazer a Sua vontade.
São Francisco de Sales escreve: 
“Se nosso coração está perturbado internamente, ele perde tanto a força necessária para manter as virtudes adquiridas quanto os meios para resistir às tentações do inimigo.”

Entendendo a causa da ansiedade

Para São Francisco de Sales, a raiz da ansiedade é “um desejo desordenado de se libertar de um mal presente ou de  adquirir um bem esperado”.
Em outras palavras, a ansiedade surge quando desejamos muito alguma coisa. Nossos desejos são bons, mas às vezes podem ser fortes demais, o que causa ansiedade. Este ponto é crucial, pois torna a ansiedade algo sobre o qual podemos ter algum controle, embora nem sempre a gente se sinta forte para isso.

Buscando a paz interior 

São Francisco de Sales diz que, quando você começa a reconhecer que seu coração está ansioso, “ouça-o antes de fazer qualquer outra coisa e traga-o silenciosamente de volta à presença de Deus, submetendo todos os seus afetos e desejos à obediência e direção da vontade divina”.
Trazer seu coração para a presença de Deus não é uma fórmula mágica, é claro. Mas, se seguirmos estes quatro passos, a ansiedade diminuirá gradualmente.
1. Peça a ajuda de Deus;
2. “Resolva não fazer nada que seu desejo insista até que sua mente recupere a paz, a menos que seja algo que não possa ser adiado”;
3. “Você deve humildemente e calmamente tentar verificar a corrente de seus desejos”. Aceite-os como eles são e os avalie;
4. “Se você puder revelar a causa de sua ansiedade ao seu diretor espiritual, ou pelo menos a algum amigo fiel e devoto, pode ter certeza de que encontrará rapidamente o alívio.”

https://pt.aleteia.org/2018/11/13/voce-sofre-de-ansiedade-entao-veja-este-conselho-de-sao-francisco-de-sales/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

sábado, 10 de novembro de 2018

Lar onde Deus deve Habitar


IMG_20160118_0007

O lar é o ambiente sagrado da vida, morada, aconchego, ambiente sagrado. Lar da convivência, do acolhimento dos pais e filhos. Lar da partilha, do encontro de amigos familiares e amigos íntimos. Lar do apoio mútuo, do amor fraterno, do perdão. Lar, ambiente sagrado da oração familiar; onde Deus também habita; e derrama todas as bênçãos sobre todos, esse deve ser o nosso lar.
O lar é se assim o desejarmos um ambiente sagrado da oração familiar e, em quantos lugares é também cenáculo de oração, círculos Bíblicos, de planeamento e compromissos evangelizadores.Ambiente sagrado onde brota vida , alegria e esperanças, esperamos que volte a ser um dia o do morrer.

A bênção do lar hoje em dia é muito importante, e necessária, e faz parte da tradição católica, benzê-lo ao menos uma vez por ano. A bênção do lar é um sacramental, é bom que seja presidida por um sacerdote ou diácono. Na possibilidade de nossos ministros sagrados, a família pode convidar um leigo actuante na Igreja ou o próprio Pai de família presidir as orações com a fé e o amor conjugal. A ele caberá fazer as orações e aspergir a água benta. A água benta deve ser benta pelo sacerdote ou diácono.
A água benta é um poderoso sacramental, fonte de bens espirituais, que perdoa os pecados veniais, juntamente com as orações a ela conjugadas. A igreja recomenda encarecidamente a seus filhos o uso da água benta, especialmente quando nos ameaça algum perigo; todo os lugares católicos deveriam ter sempre a agua benta disponível. A água benta tem seu grande poder e eficácia em virtude das orações da Igreja que seu Divino Fundador sempre aceita com prontidão e complacência.
Estas orações se sobem ao céu cada vez que se toma água benta com a mão e aspergir sobre si mesmo, sobre os outros e as bênçãos de Deus descem sobre o corpo e alma.
O demónio, como disse Santa Teresa, odeia a água benta por este poder especial que tem sobre ele. Não podendo permanecer muito tempo perto das pessoa rodeadas com água benta.
A Igreja usa a água benta também para alivio das benditas almas do purgatório. Uma só gota lhes proporcionam grande alivio, podendo em alguns casos abrir-lhes as portas do céu, aquelas que estão para ir para a vida eterna.
A água benta por que é um sacramental da Igreja, perdoa os pecados veniais. Guardando pura a nossa alma, fazendo devotadamente o sinal da cruz, e dizendo a oração recomendada pela igreja: ”Oh Senhor faz que esta água benta nos dê saúde e vida!”

Bênção da Casa:
D. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T. Amén.
D. O Senhor esteja convosco.
T. Ele está no meio de nós.
D. A paz esteja nesta casa.
T. E com todos os seus moradores.
D. Oremos.
A vós, Deus, Pai todo-poderoso, rogamos por esta casa, por todos os seus moradores e seus pertences, para que vos digneis abençoá-la, santificá-la e aumentá-la de todos os bens. Dai-lhes, Senhor, a abundância oriunda das chuvas do céu e os alimentos produzidos pela força da terra e levai a efeito, em vossa misericórdia, os seus desejos e votos. Dignai-vos abençoar e santificar esta casa, assim como abençoastes e santificastes a casa de Abraão, de Isaac e de Jacó, e entre as suas paredes habitem os anjos da vossa luz, para guardar esta casa e os seus moradores. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
(aspersão da casa com água benta enquanto reza-se Pai Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)
D. Fiquemos em Paz e que o Senhor nos acompanhe.
T. Graças a Deus!

Abandono a Jesus

Sem Título
Diz Jesus à Alma:
” Porque estais perturbados e aflitos? Deixai-Me tomar conta das vossas dificuldades e tudo se acalmará. Eu vos digo em verdade que cada ato de verdadeiro, cego, e total abandono em Mim produz o efeito que desejais e resolve as situações mais espinhosas.
Abandonar-se em Mim não significa irritar-se, perturbar-se ou desesperar, fazendo-Me depois uma oração agitada para que Eu vos siga e mude a agitação em oração. Abandonar-se significa fechar tranquilamente os olhos da alma, afastar o pensamento da provação e entregar-se a Mim para que só Eu aja, dizendo meu Deus, pensai Vós. É contrário, preocupar-se, afligir-se, querer pensar nas consequências dum acontecimento.
Isto é como a confusão provocada pelas crianças que pretendem que a mãe pense nas suas necessidades mas ao mesmo tempo querem também ser elas a pensar, impedindo com as suas ideias e os seus caprichos infantis o trabalho da mãe.
Fechai os olhos e deixai-vos guiar pela corrente da Minha graça; fechai os olhos e não penseis senão no momento presente, afastando o pensamento do futuro como duma tentação; repousai em Mim acreditando na Minha bondade e prometo-vos pelo Meu amor que dizendo-Me com estas disposições: Jesus pensai Vós, Eu ocupo-Me de tudo, consolo-vos, liberto-vos e guio-vos.
E quando vos devo levar por um caminho diferente do que vós vedes, Eu preparo-vos, levo-vos nos Meus braços, faço-vos passar para a outra margem como crianças adormecidas nos braços da mãe. O que vos perturba e vos faz um imenso mal é o vosso raciocínio, o vosso pensamento, a vossa ideia fixa, o querer a todo o custo prover vós mesmos àquilo que vos aflige.
Quantas coisas Eu realizo quando a alma nas suas necessidades, quer espirituais quer materiais se volta para Mim, olha para Mim, e dizendo-Me:Meu Deus, pensai Vós, fechai os olhos e repousa! Recebeis poucas graças quando vos atormentais; recebeis muitíssimas quando a vossa oração é cheia de confiança em Mim. Na dor, vós rezais para que Eu aja, mas… para que Eu aja à vossa maneira… Vós não Me invocais, mas quereis que Eu me adapte às vossas ideias, não fazeis como os doentes que pedem a cura ao médico, mas sugerem-lha.
Não façais assim, mas rezai como vos ensinei na oração Pai-Nosso: Santificado seja o Vosso Nome, isto é, sede glorificado nesta minha necessidade; Venha o Vosso reino, isto é, que tudo concorra para o Vosso reino, em nós e no mundo inteiro; Seja feita a Vossa Vontade assim na terra como no Céu, isto é disponde meu Deus, nesta minha necessidade como for melhor para a minha vida eterna e temporal.
Se Me disserdes de todo o coração: seja feita a Vossa vontade, que é o mesmo que dizer: pensai Vós, Eu intervenho com toda a minha omnipotência e resolvo as situações mais difíceis.
Por exemplo tu vês a começa a agravar-se em vez de melhorar? Não te inquietes, fecha os olhos e diz-Me com confiança: seja feita a Vossa vontade, pensai Vós! Digo-te que Eu penso nisto e que intervenho como um médico e faço mesmo um milagre quando é necessário. Mas, vês que o doente piora? Não te aflijas, cerra os teus olhos e diz-Me: Meu Deus pensai Vós! E, Eu digo-te que penso nisto e que não há nenhum remédio mais eficaz do que uma intervenção, de amor, Minha. Eu “penso” só quando fechas os teus olhos.
Passais as noites sem dormir, quereis avaliar tudo, pensar em tudo e assim vos abandonais às forças humanas, e, pior ainda, aos homens, confiando na sua intervenção. É isto que põe um obstáculo às Minhas palavras e aos Meus planos. Oh! Como desejo de vós este abandono em Mim para vos ajudar, e como o Demónio só procura isto: afligir-vos, para vos subtrair à Minha acção e deixar-vos como presa às iniciativas humanas.
Confiai, portanto, somente em Mim, repousai em Mim, abandonai-vos em tudo a Mim. Eu faço milagres em proporção ao total abandono em Mim, e à ausência de pensamento por vós; eu derramo os meus tesouros de graças quando vós estais em total pobreza. Se possuís os vossos bens, ainda que sejam poucos, ou se os procurais, moveis-vos no campo natural e estais, portanto, no percurso natural das coisas que é muitas vezes obstaculizado pelo Demónio. Nunca um pensador ou um investigador fez alguma vez um milagre nem sequer entre os santos: só age divinamente quem se abandona inteiramente em Deus.

Sem Título
Quando vês as coisas complicarem-se, fecha os olhos da alma e diz-Me: Jesus, pensai Vós! E procura afastar o pensamento dessas coisas porque o teu espírito é fraco… e para ti é difícil ver o mal e ao mesmo tempo confiar em Mim, descentrando o pensamento de ti mesmo. Faz assim para todas as tuas necessidades; se todos vós fizerdes assim, vereis grandes, contínuos e silenciosos milagres.
Prometo-Vos pelo Meu amor. E garanto-Vos que pensarei em tudo.
Rezai sempre com esta disposição de abandono e tereis grande paz e fruto, também quando eu vos dou a graça da imolação, da reparação e do amor que o sofrimento comporta.
Parece-te impossível? Fecha os olhos e diz interiormente: Jesus, pensai Vós! Não temas, Eu pensarei e tu bendirás o meu nome humilhando-te.
Lembrai bem: Um só ato de abandono não pode ser comparado nem a mil orações. Não há novena mais eficaz do que esta:

Ó JESUS, A VÓS ME ABANDONO, PENSAI VÓS!

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

4 orações de Padre Pio a Virgem Maria

PIO

Rezemos à nossa Mãe com as palavras deste grande santo

São Padre Pio de Pietrelcina era devoto fervorosíssimo da Virgem Maria, que chamava carinhosamente de Mamma (Mamãe). Padre Pio, como é mais conhecido, rezava continuamente a Nossa Senhora, pedindo as graças de que é dispensadora, suplicando a sua intercessão, o seu cuidado materno.
As orações deste grande santo são frutos de uma profunda intimidade com Deus, como podemos perceber em suas palavras:
“Assim que me ponho a rezar, logo sinto o coração como que invadido por uma chama de amor; essa chama não tem nada a ver com qualquer chama deste baixo mundo. É uma chama delicada e muito doce, que consome e não causa sofrimento algum. Ela é tão doce e tão deliciosa, que o espírito prova sua complacência e permanece saciado, mas sem perder o desejo – oh Deus! –, algo que me parece maravilhoso e que talvez jamais consiga compreender, a não ser na pátria celeste[1].”
Depois de conhecer um pouco a vida de oração de São Pio de Pietrelcina, vejamos quatro de suas orações dirigidas a Virgem Maria, que providencialmente temos acesso graças ao seu Epistolário, ou seja, às suas cartas:

Minha Mãe, Maria

Mãe de misericórdia,
tem piedade de mim!
Deverias compreender,
minha querida Mãe,
que se o fiz,
o fiz unicamente
por obedecer!
“Não te preocupes
que os outros pensem
a teu respeito
tantas coisas estranhas,
nós vamos te defender;
até o momento eles te aborreceram,
mas agora terão de acertar
as contas conosco”[2].

Virgem Imaculada

Santíssima Virgem Imaculada
e minha Mãe, Maria,
a ti que és a Mãe do meu Senhor,
a rainha do mundo,
a advogada, a esperança,
o refúgio dos pecadores, recorro hoje,
eu que sou o mais miserável de todos.
Eu te venero, ó grande Rainha,
e te agradeço
todas as graças que me concedeste até agora,
sobretudo por me teres libertado do inferno,
tantas vezes por mim merecido.
Eu te amo, Senhora Amabilíssima,
e pelo amor que te devoto,
prometo querer sempre servir-te
e fazer tudo o que posso
para que também sejas amada pelos outros.
Deposito em ti todas as minhas esperanças,
toda a minha saúde.
Aceita-me como teu servo
e acolhe-me sob o teu manto,
ó Mãe de misericórdia.
E visto que és tão poderosa com Deus,
liberta-me tu de todas as tentações;
ou dai-me forças
para vencê-las até a morte.
A ti peço o verdadeiro amor
a Jesus Cristo.
De ti espero ter uma boa morte.
Minha Mãe, pelo amor que nutres para com Deus,
peço-te que me ajudes sempre,
mas muito mais no último instante da minha vida.
Não me deixes até que não me vejas
já salvo no céu a bendizer-te
e a cantar as tuas misericórdias
por toda a eternidade! Amém[3].

Eu te suplico, minha Mãe

Ó celestial tesoureira de todas as graças,
Mãe de Deus e minha, Maria,
porque és a filha primogênita
do eterno Pai
e tens na mão a sua onipotência,
tem piedade de minh’alma
e concede-me a graça
pela qual fervidamente te suplico…
Ave, Maria…
Ó misericordiosa dispensadora
das graças divinas,
Maria Santíssima,
tu que és a Mãe
do eterno Verbo encarnado,
que te coroou
com imensa sabedoria,
considera a grandeza da minha dor
e concede-me a graça
de que tanto necessito…
Ave, Maria…
Ó amorosíssima dispensadora
das graças divinas,
imaculada esposa
do eterno Espírito Santo,
Maria Santíssima,
tu que dele recebeste um coração
capaz de ter piedade
das humanas desventuras
e não pode resistir sem consolar quem sofre,
tem piedade de minh’alma
e concede-me a graça que espero
com plena confiança na tua imensa bondade…
Ave, Maria…
Sim, ó minha Mãe,
tesoureira de todas as graças,
refúgio dos pobres pecadores,
consoladora dos aflitos,
esperança dos desesperados
e auxílio poderosíssimo dos cristãos,
eu deposito em ti toda a minha confiança
e estou certo de que me obterás de Jesus
a graça que tanto desejo,
desde que seja para o bem de minh’alma.
Salve, Rainha…[4]

Eu te saúdo, Maria

Eu te saúdo, Maria,
filha amada do Pai eterno.
Eu te saúdo, Maria,
virgem Mãe do Filho de Deus.
Eu te saúdo, Maria,
esposa imaculada do Espírito Santo.
Eu te saúdo, Maria,
templo vivo da Santíssima Trindade.
Eu te saúdo, Maria,
concebida sem mancha alguma de pecado,
toda pura e santa.
Eu te saúdo, Maria,
virgem puríssima
antes do parto, no parto, após o parto.
Eu te saúdo, Maria,
Mãe dolorosa,
Rainha dos mártires,
coração dos corações que sofrem.
Eu te saúdo, Maria,
estrela do nosso caminho,
fonte da nossa esperança,
fonte puríssima de alegria,
porta do paraíso.
Eu te saúdo, Maria,
consoladora dos aflitos,
mãe do belo e casto amor das almas virgens,
porto sereno de paz.
Eu te saúdo, Maria,
mediadora potentíssima e piedosa de todas as graças,
aurora suspirada do dia eterno,
prelúdio suavíssimo sobre a terra
da maravilhosa harmonia dos céus.
Eu te saúdo, Maria,
rainha dos anjos e dos santos,
rainha nossa,
soberana Patrona da Ordem Seráfica.
Eu te saúdo, Maria,
refúgio dos pecadores,
mãe dulcíssima.
Amo-te muito muito,
ó bela mãe,
ó minha mãe,
conserva-me puro.
Leva-me a Jesus.
Salve, ó Maria[5].
Links relacionados:
Referências:

[1]  PADRE PIO. Minha orações, p. 10 (Epistolário 1, 461).
[2]  Idem, p. 103 (Epistolário 1, 361-362).
[3]  Idem, p. 105-105.
[4]  Idem, p. 106-107.
[5]  Idem, p. 108-110.
(Via Todo de Maria )

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO 8 – COMO A CRIANÇA NO COLO DA MÃE

 Senhor, meu coração não se orgulha e meu olhar não é soberbo… Eu me acalmo e tranquilizo como criança desmamada no colo da mãe, como uma criancinha é a minha alma (Salmo 131,1-2).
  • Ao escrever essas palavras, o salmista sente-se em paz, porque confia no amor de Deus como um bebê que adormece aconchegado pelo carinho da mãe. E nós igualmente podemos confiar tanto ou mais do que ele, porque Deus nos prometeu um amor maior que o de todas as mães:
─ Ainda que o pai e a mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá (Salmo 27,10).
─ Sobre os joelhos sereis acariciados. Qual mãe que acaricia os filhos assim vou dar-vos meu carinho (Is 66,12-13).
  • Essa promessa de amor, Deus levou-a ao cume com a vinda de Cristo:
─ Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fôssemos chamados filhos de Deus. E nós o somos! ( 1 Jo 3,1).
─ Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como é que, com ele, não nos dará tudo?(Rm 8,31-32).
Seremos bons cristãos na medida em que a nossa alma ficar impregnada do sentido da nossa filiação divina: de um amor filial a Deus, confiante, abandonado e agradecido, capaz de exclamar em todo momento, como São João: Nós conhecemos o amor de Deus e acreditamos nele! (1 Jo 4,16).
A melhor maneira de viver esse amor filial é esforçar-nos por pensar, sentir e agir como filhos muito amados (Ef 5,1); melhor ainda se nos relacionamos com Deus como filhos pequenos, como crianças simples e humildes, que acreditam no carinho inabalável do Pai (pense no pai do filho pródigo); que confiam nele e se deixam querer; e que, por isso mesmo, se deixam cuidar e guiar pelo Pai com alegria.
Certa vez os discípulos perguntaram a Jesus: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” O Senhor deu-lhes a resposta com um gesto e umas palavras: Jesus chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus (Mt 18, 1-4).
Isso é poesia? Não. «Não é ingenuidade, mas forte e sólida vida cristã»[1], que só podemos viver se nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, como diz São Paulo (Rm 8,14).
Grandes santos aprofundaram maravilhosamente nesse espírito de infância espiritual. Este foi o pequeno caminho que Deus inspirou a Santa Teresinha e que tem suscitado tantos frutos na Igreja. É também um caminho feliz pelo qual Deus guiou São Josemaria até as alturas de santidade no meio das trabalhos e deveres cotidianos.
Penso que, para esta meditação, poderão ajudar-nos alguns traços do espírito de infância que São Josemaria praticou e ensinou. São os que pessoalmente eu pude contemplar nele, e entendi que eram lições que convinha guardar. Vamos, pois, ver um pequeno caleidoscópio dessas luzes da infância espiritual.
─ Pedir a lua. «Ser pequeno. As grandes audácias são sempre das crianças. – Quem pede a lua?…»[2]. A alma de criança sabe sonhar, sabe pedir a lua  e as estrelas. Por outras palavras, o filho de Deus que se faz criança diante de Nosso Senhor sabe ter sempre grandes metas e grandes ideais, e não desiste delas por se ver pequeno e incapaz. Nunca se sente fracassado. Você já imaginou uma coisa mais ridícula que um garotinho dizendo “eu sou um fracassado”?
─ Bater à porta. «Perseverar. – Uma criança que bate à uma porta, bate uma e duas vezes, e muitas vezes…, com força e demoradamente, sem se envergonhar! E quem vai abrir, ofendido, é desarmado pela simplicidade da criaturinha inoportuna… – Assim tu com Deus». Se formos humildes, confiantes e agradecidos, saberemos pedir e obter o que precisamos sem cansar-nos, tal como Jesus nos ensinou: Convém orar sempre e não desfalecer…Se vós, maus como sois, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedem (Lc  11,13 e 18,1).
─ Subir a escada. Uma comparação de que Santa Teresinha gostava, e que São Josemaria explanava poeticamente: «Manifestemos a Jesus que somos crianças. E as crianças, as crianças pequeninas e simples, quanto não sofrem para subir um degrau! Parece que estão ali perdendo o tempo. Finalmente, subiram. Agora, outro degrau. Com as mãos e os pés, e com o impulso de todo o corpo, conseguem um novo triunfo: mais um degrau. E volta a começar. Que esforços! Já faltam poucos…, mas então um tropeção… e zás!… lá em baixo. Toda machucada, inundada de lágrimas, a pobre criança começa, recomeça a subida.
»Assim nós, Jesus, quando estamos sós. Toma-nos Tu em teus braços amáveis, como um Amigo grande e bom da criança simples; não nos soltes até que estejamos lá em cima; e então – oh, então! – saberemos corresponder ao teu Amor Misericordioso, com audácias infantis, dizendo-te, doce Senhor, que, a não ser Maria e José, não houve nem haverá mortal algum – e os tem havido muito loucos –- que te ame como eu te amo»[3].
─ Escrever juntos. «Quando queres fazer as coisas bem, muito bem, é que as fazes pior. – Humilha-te diante de Jesus, dizendo-lhe: – Viste como faço tudo mal? Pois olha: se não me ajudas muito, ainda farei pior! – »Tem compaixão do teu menino; olha que quero escrever todos os dias uma página grande no livro da minha vida… Mas sou tão rude!, que se o Mestre não me pega na mão, em vez de letras esbeltas, saem da minha pena coisas tortas e borrões, que não se podem mostrar a ninguém. – »De agora em diante, Jesus, escreveremos sempre juntos os dois»[4].
─ Crianças de borracha. «Se bem repararmos, existe uma grande diferença entre uma criança e uma pessoa mais velha, quando caem. Para as crianças, a queda geralmente não tem importância: tropeçam com tanta frequência! E, se por acaso lhes escapam umas lágrimas grandes, o pai explica-lhes; os homens não choram. Assim se encerra o incidente, com o garoto empenhado em contentar o pai…
»Na vida interior, a todos nos convém ser quasi modo geniti infantes, como crianças recém-nascidas, como esses pequeninos que parecem de borracha, que até se divertem com os seus tombos, porque logo se põe de pé e continuam com as suas correrias; e porque também não lhes falta – quando necessário – o consolo de seus pais.
»Se procurarmos comportar-nos como eles, os tropeções e os fracassos na vida interior – alias, inevitáveis – nunca desembocarão na amargura. Reagiremos com dor, mas sem desânimo e com um sorriso que brota, como água límpida, da alegria da nossa condição de filhos desse Amor, dessa grandeza, dessa sabedoria infinita, dessa misericórdia que é o nosso Pai»[5].
─ A sabedoria dos pequeninos. Há umas palavras de Jesus que tocam o coração: Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelastes as pequeninos! Quantas vezes pessoas simples, velhinhas fiéis e devotas que mal sabem ler, entendem mais das grandezas de Deus do que alguns teólogos sem fé e amor.
«Há um saber – dizia São Josemaria –a que só se chega com santidade: e há almas obscuras, ignoradas, profundamente humildes, sacrificadas, santas, com um sentido sobrenatural maravilhoso… É um sentido sobrenatural que não raramente falta nas disquisições arrogantes de pretensos sábios: Extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato (Rm 1,21-22). Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos»[6].
─ Entre os braços da Mãe. «Não estás só… – Não sentes na tua mão, pobre criança, a mão de tua Mãe: é verdade. – Mas… não tens visto as mães da terra, de braços estendidos, seguirem os seus meninos quando se aventuram, temerosos, a dar os primeiros passos sem ajuda de ninguém? – Não estás só; Maria está junto de ti»[7].
[rascunhos de um livro em elaboração]

[1] Cf. São Josemaria Escrivá, Caminho, nn. 852-853
[2] Caminho, n. 857
[3] São Josemaria, Forja n. 346
[4] Caminho n. 882
[5] São Josemaria, Amigos de Deus, n. 146
[6] Idem, En diálogo con el Señor, pág.
[7] Caminho, n. 900

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO – SE O SENHOR NÃO EDIFICA A CASA…


─ Se o Senhor não edificar a casa, é inútil que trabalhem os que a constroem. Se o Senhor não guarda a cidade, em vão vigia a sentinela(Salmo 127,1).
─ Porque tu és, ó Deus, a minha fortaleza (Salmo 43,2). 
Esses dois versículos são um facho de luz. Eles nos transmitem uma verdade fundamental, que todos os santos compreenderam e experimentaram.  Sem a graça de Deus, não podemos conseguir nenhum bem sobrenatural, nada que tenha valor cristão.
São Paulo, depois da conversão, olhava para trás e considerava que, antes de que Cristo o conquistasse, ele era como um aborto, pois nem “vivia”, não tinha renascido ainda  pelo batismo (cf. 1 Cor 15,8).
Uma vez convertido, pelo contrário exclamava: Para mim o viver é Cristo! Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim! (cf. Fl 1,21 e Gl 2,).
Firme nessa convicção, dava graças Deus com umas belas palavras que talvez alguns não entendam bem (1 Cor 15,8-10).  Falava aos fiéis de Corinto das aparições de Jesus ressuscitado, e dizia: Por último, apareceu também a mim, que sou como um aborto. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem mereço o nome de apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. É pela graça de Deus que sou o que sou.
É um grande ato de humildade. Mas logo depois dessa confissão humilde, acrescenta: E a graça que Deus reservou para mim não foi estéril; a prova disso é que tenho trabalhado mais do que todos eles.
Como se entende isso? Não é vanglória? Diz que é o menor dos apóstolos e, ao mesmo tempo, afirma ter trabalhado mais do que todos eles.
Não há contradição. Tão humilde é essa segunda afirmação como a primeira, por duas razões: primeiro, porque a humildade é a verdade, e Deus se serviu de Paulo para converter milhares de almas em muitos lugares; depois porque reconhece que foi Deus quem lhe concedeu essa eficácia assombrosa: Tenho trabalhado mais do que todos eles, não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo.
Assim, ele nos ensina que, na vida cristã, deve haver sempre uma “simbiose” de suas virtudes:
─ Humildade. “Eu, só com minhas forças, sem a graça de Deus, nada conseguirei”
─ Confiança.”Com a graça, meu nada poderá tudo”.
Humildade e confiança. Humildade e coração grande, cheio de esperança.
Depois disso, pense um pouco e verá que o que esteriliza a nossa vida de filhos de Deus é a autossuficiência arrogante: “Com a minha cabeça, com os meus planos, com a minha força de vontade, com o meu esforço, eu vou conseguir …”. Esquecemos que Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (1 Pdr 5,5).
São Paulo, antes de ser conquistado por Cristo (Fl 3,12) experimentou o sofrimento da alma privada da graça divina: Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero… Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor! (Rm 7, 19.24-25).
Depois de se ter revestido de Cristo, pelo batismo, e de ter recebido o Espírito Santo, a perspectiva mudou cento e oitenta graus: Posso tudo naquele que ma dá forças (Fl 4, 13).
Quando captamos pela fé essas verdades, Deus cria em nós as “asas” de duas certezas indiscutíveis:
1ª) Sem estarmos unidos a Deus, sem recorrer às fontes da graça ( os Sacramentos, a oração, a mortificação, as virtudes…), a nossa vida cristã é um baldio estéril. Sem mim, nada podeis fazer, disse Jesus depois de se ter comparando a si mesmo com o pé da videira, que envia aos ramos a seiva que lhes dá vida e fruto (Jo 15, 1-8).
2ª) Contando com a “seiva” divina, isto é, com a graça, você nunca pode cair no pessimismo. Jamais deve admitir pensamentos como estes: “não consigo”, “não posso”, “já tentei”, “caio nos mesmo pecados uma e outra vez”, “mesmo que me confesse vinte vezes não me corrijo”, etc.
Confie! Ponha todo o seu esforço e boa vontade nas mãos de Jesus, e não renuncie a alcançar as virtudes, mesmo que demore anos e anos. Com a esperança em Deus, nunca pare de correr em direção à meta da santidade. Tudo poderá  naquele que nos dá forças (Fl 3,13-14 e 4,13).
«Não desanimes, escreve o Papa Francisco, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23). Quando sentires a tentação de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: “Senhor, sou um miserável! Mas vós podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor”. Na Igreja, santa e formada por pecadores, encontrarás tudo o que precisas para crescer rumo à santidade» (Exortação apostólica Gaudete et exsultate, n. 13).
─ O Senhor ampara todos os que caem e reergue todos os combalidos. 

Os olhos de todos em ti esperam (Salmo 145,14-15).

NOSSO EGOCENTRISMO

“A frutificação da nossa vida depende, em grande parte, da habilidade em duvidar das nossas próprias palavras e em desconfiar do valor do nosso trabalho. O homem que confia inteiramente no conceito em que se tem é condenado à esterilidade. Só uma coisa ele exige a uma ação, que seja feita por ele. Se é ele quem a pratica, deve ser boa. Suas palavras devem ser infalíveis. O carro que acabou de comprar é o melhor desse preço. E isso exclusivamente porque foi ele quem o comprou. Não querendo outros frutos, ele não obtém geralmente senão estes.”

Homem algum é uma ilha
(Agir 6ªEd. 1976) pág. 116

A SEMPRE REPETIDA MESMIDADE

“Aqui devemos fazer uma pequena pausa para considerar a diferença entre uma visão secular e uma visão sagrada da vida. A expressão ‘o mundo’ é talvez muito vaga. Não se refere simplesmente a ‘tudo que está em torno de nós’ ou ao universo criado. O universo não é mau, é bom. O ‘mundo’, no mau sentido, certamente não é o cosmos, embora escritos de alguns autores cristãos neoplatônicos surgiram este significado para expressão. Para eles saeculorum é o que é temporal, o que muda, da volta e retorna ao ponto de partida. Isso se deve a influências gnósticas e platônicas que se infiltraram no cristianismo, persuadindo os homens de que o universo é regido por anjos mais ou menos caídos (‘as potências dos ares’). Nosso adjetivo ‘secular’ é proveniente do latim saeculum, que significa tanto ‘mundo’ quanto ‘século’. A etimologia da palavra é incerta. Talvez esteja relacionada ao grego kuklon, ‘roda’, do qual tiramos ‘ciclo’. Portanto, originariamente, o ‘secular’ era o que percorre, interminavelmente ciclos sempre recorrentes. Isto é o que faz ‘a sociedade mundana’ cujos horizontes são de uma sempre repetida mesmidade:
               Uma geração vai, uma geração vem, e a terra sempre permanece. O Sol se levanta, o Sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar e é lá que ele se levanta. O vento sopra em direção ao sul, gira para o norte, e girando e girando vai o vento em suas voltas (...) o que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do Sol! (...) Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. (Ecl 1).”

(Martins Fontes, 2007) Pág. 72

sábado, 27 de outubro de 2018

A lista dos pecados – Seriedade do segredo de Confissão



Naquele tempo em que não se podia fazer a Primeira Comunhão antes dos 10 anos,  um  rapazinho  chamado  Pedro  ia confessar-se a fim  de  se  preparar  para   o primeiro  encontro  com  Jesus  na  Eucaristia. Era também  o  dia  da  sua  primeira Confissão. Fez o exame de consciência, e para não esquecer nenhum pecado, escreveu-os  todos num papel, cuidadosamente.
Era uma lista comprida que aumentava com qualquer nova falta que lhe viesse ao pensamento.
“Roubei duas maçãs no mercado… Puxei pelo rabo o gato da professora… Bati na cabeça do irmãozinho Luiz e ele se pôs a chorar…Coloquei uma rã na cama da minha irmã Margarida… Joguei tinta na pia de água benta e ri quando as pessoas manchavam a testa ao fazer o sinal da cruz…Tirei os ovos do ninho dos pardais…Chamei os colegas por nomes feios e… e…”
— Você não acaba mais com esse exame de consciência? – perguntou a mãe.
— Sim – respondeu Pedro. Já estão escritos todos os pecados.
— Muito bem, filho!  Agora é preciso você confessar tudo sem esconder nada, arrepender-se e fazer o propósito de emendar-se dessas faltas. Entendeu ?
— Sim, mãe. Entendi.
E  lá foi  o menino para a igreja, junto com outros que também  iam fazer a Primeira Comunhão. No confessionário o miúdo leu a lista completa, muito sério. O senhor padre ouviu-o com paternalidade. E tinha o lenço diante do rosto. O pequenito pensava  que ele  chorava pelos seus  pecados, mas parece que estava rindo. Quando Pedro acabou a Confissão o sacerdote murmurou:
– Que lista tão completa!  Meu filho, você não quer mais tornar a pecar?
— Não, senhor padre. Nunca mais!
Depois de alguns conselhos, o bondoso sacerdote concluiu:
— Muito bem!  Por penitência reze três Pai-Nosso ao Coração de Jesus e três Ave-Maria ao Coração de Maria. E agora reze o Ato de Contrição.
E deu-lhe  a absolvição. Pedrito saiu do confessionário, rezou piedosamente a penitência no banco e foi para casa muito contente.
Era quinta-feira, e o dia da Primeira Eucaristia seria na Missa das 8 horas de Domingo.
Ao chegar na manhã seguinte à escola, já no portão os colegas começaram a escarnecer (debochar) dele  maliciosamente:
— Olha aquele que puxou pelo rabo o gato da senhora professora! – exclamou a Luísa.
— É aquele que pôs a tinta na pia da água-benta! – ajuntou o Frederico.
— Ele roubou os ovos dos ninhos dos pardais! – declarou o Gonçalo.
— E a rã que escondeu na cama da irmã dele! – Riu-se o Carlito.
— Caramba, será que o padre contou os meus pecados para eles? – pensou o pequeno, enquanto olhava para o Pároco que chegava para a aula de Religião.
Quando entraram todos para a sala de aula, levantando-se da carteira, Pedrinho tomou coragem e perguntou:
— Padre, o senhor contou os meus pecados aos outros?
— Não, meu filho. De jeito  nenhum. Que tal coisa nem passe pela sua cabeça. Você não sabe que nem eu, e nenhum outro padre, pode dizer qualquer pecado ouvido na Confissão? Por que você está me perguntando tal absurdo?
— É que os  meus colegas  estão  falando  dos  pecados  que  confessei ontem para o senhor.
— Que coisa mais rara! – exclamou o sacerdote.
E dirigindo-se aos alunos, perguntou muito sério:
— Como é que vocês souberam dos pecados do Pedro?
— É que a Luísa encontrou na  igreja o papel em que  ele  tinha escrito os pecados! – exclamou a menina Rosa.
— Ó Luísa, foi você que encontrou o papel do exame de consciência dele? – perguntou o Padre com severidade.
— Sim, fui eu, senhor padre. Desculpa! – respondeu timidamente a pequena.
— Você nem devia ter lido o que estava escrito no papel. E devia ter rasgado ou entregado ao Pedro, sem dizer nada!
A menina Luísa baixou envergonhada a cabeça, consciente de sua culpa.
— Meus meninos – continuou o sacerdote – a Confissão é coisa muito séria. O padre está obrigado ao mais absoluto segredo. Se dissesse o nome da pessoa e qualquer dos seus pecados, cometeria um pecado tão grave que só o Papa o poderia absolver. E quem ouvir  qualquer  pecado, confessado  pelos  outros, também  tem  obrigação  de  se calar.
Reinava profundo silêncio na sala.
— E você, Pedro, não volte a  pensar que um sacerdote seja capaz de faltar ao segredo a que está obrigado. Se quiser pode escrever os pecados num papel e entregá-lo ao confessor.  Como também  pode  ler  diante  dele. No fim  da Confissão  rasga-se ou queima-se  imediatamente o papel. E  assim fica  o  segredo  entre  o  penitente  e Deus Nosso Senhor.
Pe. Fernando Leite, S.J.
Revista Cruzada – Braga – Portugal

ESTE BLOG É DEDICADO À:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...