quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O JEJUM E A ABSTINÊNCIA.



Catecismo de São Pio X.

Com o intuito de fazer penitência por nossos pecados, de melhor nos dispor para a oração e de estar unidos aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja nos pede, nos tempos de penitência, que ofereçamos jejum e abstinência a Deus.

O Jejum:

Penitência é a mortificação do corpo.

A Igreja convida todos os fiéis à corresponderem ao preceito divino da penitência que, além das renúncias impostas pelo peso da vida cotidiana, pede alguns atos de mortificação também do corpo ... A Igreja quer indicar na Tríade Tradicional "ORAÇÃO, JEJUM, CARIDADE" os modos fundamentais para obedecer ao preceito divino da penitência. Ela defendeu a ora­ção e as obras de caridade, também, e com insistência, a abstinência de carne e o jejum.
Praticado desde toda a Antiguidade pelo povo eleito, como sinal de arrependimento, praticado por Nosso Senhor Jesus Cristo e por todos os santos, recomendado pela Santa Igreja como instrumento de santificação da alma, de controle do corpo e equilíbrio emocional, o jejum obrigatório foi sendo reduzido ao longo dos séculos.

Na prática do dia-a-dia há muitas formas de fazer penitência, devemos aproveitar por exemplo, silenciando algo que sabemos de alguém. Deixar de olhar televisão. Suportar os defeitos de alguém. Viver sem reclamar. Ter coragem de falar sempre bem do próximo. Cumprimentar sempre e, principalmente, aqueles que não nos são simpáticos. Dobrar os joelhos enquanto rezamos. Fazer o sinal da Cruz quando passamos diante de uma Igreja. Deixar de comer algum alimento que gostamos em determinados dias da semana. Agradecer com humildade todos os sofrimentos que ocorrem no dia a dia. Enfim, a penitência nos eleva, nos conduz à viver às 24 horas do dia na graça. Sejamos fortes fazendo penitência.


A oração e o jejum representam, em certo sentido, dois pilares da nossa fé.

O jejum constitui um dos princípios fundamentais da vida cristã; ele torna o devoto capaz de viver de acordo com a vontade de Deus; em todas as circunstâncias. Mediante a prática do jejum, a vontade de Deus poderá ser reconhecida mais facilmente, e raramente será perdida de vista. Como a respiração é função fundamental da vida física, assim o jejum e a oração representam as funções fundamentais da vida espiritual.

Nossa Senhora, em Medjugorje, nos pediu a volta à prática do jejum e nos disse que a melhor forma de jejuar é aquela a pão e água. Então constatamos que pão e água não representam a única maneira de jejuar, mas é a melhor maneira segundo a afirmação da Virgem.
O pão é o alimento fundamental do povo de Deus e, ao mesmo tempo simboliza a vida. A água é insubstituível em nossa vida; ela simboliza a purificação espiritual.

O jejum alimenta a oração e o impulso para Deus, para a paz e a reconciliação: eco fiel do Evangelho. Põe o corpo em sintonia com a alma e transforma-se em fonte de uma outra reconciliação, a interior.


Quando devemos jejuar por obrigação?


Na Quarta-feira de cinzas, abertura da Quaresma
Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Nosso Senhor.

No entanto, todos os católicos devem ter a mortificação e o jejum presentes em suas vidas ao longo do ano, principalmente durante o Advento, a Quaresma e nas Quatro Têmporas, tendo sempre o espírito mortificado, fugindo do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecendo alguns sacrifícios a Deusseja no comer, no beber, nas diversões (televisão principal­men­te), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo.
Assim sendo, mesmo não sendo obrigatório, continua sendo recomendado o jejum nas Quartas e Sextas da Quaresma e do Advento, guardando-se sempre o espírito pronto para as pequenas mortificações também nos demais dias.


Quem deve jejuar?


As pessoas maiores de 21 anos são obrigadas. Mas é evidente que os adolescentes podem muito bem oferecer esse sacrifício sem prejuízo para a saúde.
Quanto às crianças menores, mesmo alimentando-se bem, devem ser orientadas no sentido de oferecer pequenos sacrifícios, e acompanhar a frugalidade das refeições.
As pessoas doentes podem ser dispensadas (é sempre bom pedir a permissão ao padre)
As pessoas com mais de sessenta anos não têm obrigação de jejuar, mas podem fazê-lo se não houver perigo para a saúde.


Como jejuar nos dias de jejum obrigatório?


- Café da manhã mais simples que de hábito: uma xícara de café puro, um pedaço de pão, uma fruta.
- Almoço normal, mas sem carne (peixe pode), sem doces e sobremesas mais apetitosas, sem bebidas alcoólicas ou refrigerantes.
- No jantar, um copo de leite ou um prato de sopa, um pedaço de pão, uma fruta.

- O ideal é jejuar a pão e água(desde o amanhecer até o anoitecer se tiver fome comer pão, se tiver sede tomar água. Não devemos comer pão e tomar água ao mesmo tempo, pois leva a dor de cabeça. Devemos comer pão calmamente em pequenas porções segurando na boca mastigando bem de modo que se dissolva com a saliva. Para beber água é bom dar um tempo após comer pão, também tomar a água calmamente como fez com o pão, segurar na boca um tempo para se misturar à saliva. Diz-se que devemos tomar o pão e mastigar a água). Pode tomar e comer quantas vezes for necessário durante o dia, em que sentir fome e sede.)

São inúmeras as passagens das Sagradas Escrituras referentes ao jejum. Eis algumas poucas referências:

- II Reis XII,16
- Tobias XII,8
- Daniel I, 6-16
- S. Mateus IV,1
- S. Mateus VI, 17
- S. Mateus XVII,20
- Atos XIV,22
- II Coríntios VI,5


A Abstinência de carne 


Dentro do mesmo espírito de mortificação, pede-nos a Santa Madre Igreja a mortificação de não comer carne às sextas-feiras, o ano todo, de modo a honrar e adorar a santa morte de Nosso Senhor. (ficam excluídas as sextas-feiras das grandes festas, segundo a orientação do padre).
A abstinência ainda é praticada e, diferente do jejum, começa desde a adolescência, a partir dos quatorze anos.
Nas sextas-feiras do ano, e mais ainda durante os tempos de penitência, saibamos oferecer esse pequeno sacrifício a Nosso Senhor. Se vamos a um restaurante, peçamos peixe(muitos restaurantes ainda hoje servem pratos de peixe nas sextas-feiras).


O Jejum eucarístico


O jejum eucarístico é o fato de se comungar sem nenhum alimento comum no estômago, em honra à Santíssima Eucaristia.
O espírito do jejum eucarístico é de receber a Santa Comunhão como primeiro alimento do dia. Quando o Papa Pio XII modificou a disciplina do jejum eucarístico, devido à guerra, salientou que todos os que podiam deviam praticar esse jejum, chamado natural: só tomar alimento depois da comunhão. Quem assiste à Santa Missa cedo pode, muitas vezes, praticar esse jejum.
Apesar da lei eclesiástica em vigor determinar apenas uma hora antes da comunhão para o jejum eucarístico, todos os padres sérios pedem a seus fiéis que se esforcem para deixar três horas, visto que uma hora não chega a ser nem mesmo um sacrifício.
Caso as crianças ou pessoas debilitadas precisarem tomar algo antes da comunhão, com menos de três horas, procurem, ao menos, tomar apenas líquido, um copo de leite, por exemplo.
Porém, tendo se alimentado com menos de uma hora antes da hora da comunhão, não se deve, de modo algum, se aproximar da Sagrada Mesa.


O jejum, a abstinência e o confessionário.


Como o jejum e a abstinência fazem parte dos mandamentos da Igreja, devemos nos empenhar para praticá-los por amor à Deus. Caso haja alguma negligência ou fraqueza da nossa vontade que nos leve a quebrar o santo jejum ou a abstinência, devemos nos arrepender por não termos obedecido ao que nos ordena nossa Santa Madre Igreja, confessando-nos por termos assim ofendido a Deus.
Nos casos de esquecimento, devemos substituir essa obra por outra equivalente, como fazer o jejum em outro dia, rezar um terço, etc.
É sempre bom lembrar que a água pura não quebra o jejum.
As pessoas inclinadas à mortificação e ao jejum não devem nunca determinar um aumento de penitência sem o consentimento explícito do sacerdote responsável. O demônio usa muito o excesso de penitência corporal para enfraquecer a alma.

Tudo fazer na obediência.



http://www.derradeirasgracas.com/2.%20Segunda%20Página/DOCUMENTÁRIO%20DA%20IGREJA/O%20Jejum%20e%20a%20Abstinência.htm

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Jim Caviezel será São Lucas em novo filme sobre o apóstolo Paulo


O filme tem estreia prevista para setembro de 2018

Jim Caviezel, conhecido mundialmente por ter interpretado o papel de Jesus em “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, fará o evangelista São Lucas em um filme histórico, cujo título é “Paul, Apostle of Christ” (“Paulo, o Apóstolo de Cristo”).
Outros atores que fazem parte do elenco desta ambiciosa produção – que poderá ser o filme religioso de 2018 – são: James Faulkner, Olivier Martinez, Joanne Whalley e John Lynch, segundo informa o site Variety.
A produção de “Paulo, o Apóstolo de Cristo” é da Sony Pictures, através da subsidiária “Affirm Films”, especializada em filmes de cunho religioso.
O filme é dirigido por Andrew Hyatt (“Full of Grace”), que também assina o roteiro. Os produtores são David Zelon e T.J. Berden.
A obra conta a história de Saulo de Tarso, interpretado por Faulkner, que passou do título de mais famoso perseguidor dos cristãos ao mais influente apóstolo de Cristo. Serão abordados seus últimos dias, quando ele esperava para ser executado por Nero, o imperador de Roma.
Embora sua morte estivesse próxima, Paulo continuou fazendo o possível, na prisão, para anunciar o Evangelho de Jesus e para fortalecer a fé dos cristãos, que deveriam afrontar a perseguição romana.
“Depois de Jesus, ninguém desempenhou um papel mais decisivo no crescimento da Igreja primitiva que o apóstolo Paulo”, explica Rich Peluso, vice-presidente executivo da “Affirm Films”.
“Ele escreveu uma boa parte do Novo Testamento e viajou mais de 16 mil quilômetros a pé e de barco para pregar o Evangelho”, adiciona Peluso.
O filme tem estreia prevista para setembro de 2018.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A AULA SOFRIMENTO


Resultado de imagem para sofrimento
Deus prova e aprova aquele que ele ama. Quantos de nós rejeitamos o sofrimento, é natureza nossa rejeitar tudo aquilo que testa nosso limite.

Mas quando se fala de caminhar com Deus precisamos ser capacitados, testados, provados para então sermos usados conforme o propósito de Deus para aquele lugar, aquela situação. Temos medo do sofrimento pois ainda falta muito de Deus em nós, não por parte Dele, mas por nossa culpa que só O procuramos quando nos convém e adiamos, deixamos pra depois a preparação tão necessária para caminhos tão difíceis.

Durante a dor fixamos atenção, olhar, coração tudo nela, seja na perda de um ente querido, no resultado de um exame, numa decepção. Raramente convidamos Jesus a participar da nossa dor.

Você já falou pra Jesus dessa dor que está sentindo?
Essa dor que tem tanto lhe incomodado?
Ele quer e pode te mostrar como passar por essa situação numa perspectiva diferente. Basta silenciar, falar-lhe ao coração. Experimente.

Medite em 1Pd 5, 6-11 e permita que a Palavra de Deus transforme seu coração.


Conte tudo aquilo que acontece com você pra Jesus ...

Marcelo Mattityahu

sábado, 16 de setembro de 2017

Como vencer a dificuldade de confessar os pecados?


Confira algumas soluções já consagradas pela tradição da Igreja para tentar resolver este problema
Um dos problemas mais falados sobre o sacramento da confissão é a dificuldade em confessar os pecados.
Essa dificuldade vem por dois motivos: falta de padres para atender os fiéis e por causa da vergonha de contar os pecados ao sacerdote.
Nesse breve vídeo, são sugeridas algumas soluções, já consagradas pela tradição da Igreja, para tentar resolver esse problema.

Nossa vida: um tempo feito de tempos…

Assim diz o Eclesiastes (cf. 3,1-11):
“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo o que acontece debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
Que proveito tira o trabalhador de seu esforço? Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que Ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, Ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza”.

Que significam estas palavras?

O Autor sagrado, de coração apertado, procurando o sentido das coisas e da própria vida… Ele observa que nossa existência é feita de tempos: nascimento e morte, sorriso e pranto, paz e conflito, chegada e partida, princípio e fim… Tudo tão passageiro, tão vaidade…
Mas, o Eclesiastes tira lições preciosas de tudo isto:
(1) Se tudo passa, devemos aprender a enfrentar tudo sem absolutizar nada:
na tristeza, lembremo-nos que depois vem a alegria;
na alegria, recordemo-nos que mais adiante toparemos com a tristeza;
na fartura preparamo-nos para os momentos de penúria
e, na penúria não percamos a esperança e a força: virá um dia a fartura…
Assim, nem nos iludiremos, bêbados de saciedade, nem nos desesperaremos sobrecarregados pelos pesos da existência humana.

(2) O Autor sagrado também admite e diz claramente que as várias situações da existência nunca serão totalmente compreendidas por nós: “o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.”
São tantas perguntas: Por que aconteceu isto? Por que sou assim? Por que as coisas são assim? Por que Deus age desse modo? Perguntas, perguntas, perguntas…
Vislumbramos pontinhas de respostas, mas nunca nos apropriaremos do mistério da vida e da existência de modo total e pleno…

(3) Então, o Autor sagrado dá um passo a mais, um salto na fé: sem compreender direito o como, o modo, ele afirma com serenidade e confiança segura: “Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que Ele fez são todas boas no tempo oportuno”.

Em outras palavras: há um desígnio, uma sabedoria de Deus por trás de tudo quanto existe e quanto nos acontece! Ainda que na vida haja escuridões e dores, ainda que nem tudo possa ser explicado, ainda que a existência seja um mistério, ainda assim, temos certeza de que tudo vem das mãos de Deus e tudo é radicalmente bom, pois em última análise, Deus sabe tirar o bem até dos males!
http://rumoasantidade.com.br/catolicismo/estudos-biblicos/nossa-vida-tempo-feito-tempos-dom-henrique/#more-2632

Prática para a Santa Comunhão

Prática da Santa Comunhão


Para fazer uma fervorosa comunhão três coisas se requerem, a saber: preparação remota, preparação próxima e ação de graças.

I. A Preparação Remota

Consiste:
1.° Na isenção de pecado mortal, sem o que seria a comunhão um horrível sacrilégio. Prove-se cada um a si mesmo em antes de se aproximar da santa mesa, mas isto sem turbação e escrúpulos. Não esqueças que, se por um impossível, se achasse em tua consciência um pecado mortal sem que o soubesses, não cometerias sacrilégio algum recebendo a Santa Eucaristia (1), mas que o sacramento produziria na tua alma a graça santificante.

— Mas, meu padre, tremo todas as vezes que comungo, porque temo não estar em estado de graça, e não ter recebido o perdão dos meus pecados.
— Meu caro Teótimo, escuta esta resposta do sábio e piedoso Gerson, e segue os sábios conselhos que te vai dar:
“Quando um cristão, diz, resolveu receber a santa Eucaristia, e cai na perturbação e temor por imaginar que não fez uma confissão bem feita, deve olhar este temor como uma tentação do demônio que desejara privá-lo do grande bem da comunhão, e seguiu este meio. Deve, pois, pensar que quando mesmo se aplicasse cem anos a tornar-se digno de receber Jesus Cristo não poderia aproximar-se devidamente, sem um especial socorro de Deus; mas lembre-se que Deus pode conceder-lhe esta graça agora tão bem como depois de cem anos. De mais, considere que ninguém na presente vida, pode, sem uma particular revelação, conhecer com perfeita certeza se está em estado de graça; mas que há uma certeza humana e moral que é necessária, e que basta na matéria que tratamos. Para a ter, deves-te recolher, examinar a consciência e fazer o que a descrição e os que nos conduzem nos ordenam. Quando depois deste exame, nenhum pecado mortal reconhecemos, podemos comungar sem temor de cometer algum novo pecado. Se ainda depois nos sobrevieram ás vezes duvidas ligeiras, como por vezes acontece, desprezemo-las e passemos por cima”

2.° A preparação remota consiste na isenção, não de todas as faltas veniais, visto a nossa extrema fragilidade, mas da afeição ás faltas veniais; o que não é possível alcançar-se sem a prática habitual da oração e sem a fugida do mundo, tanto quanto o decoro do nosso estado o permite. Os pecados veniais, não apagam em nós, verdade é, o fogo da caridade, nem da graça e amizade de Deus nos privam; mas afrouxam o fervor da devoção, e privam-nos dessa abundância de graças que fruem os que com grande pureza da alma se aproximam da sagrada mesa.

3.° Consiste também esta preparação remota num ardente desejo de receber a Jesus Cristo, visto como este alimento só aos que têm fome é proveitoso. Deus quer ser desejado, mas principalmente dos que comungam.
4.° Está também na pureza de intenção. Cautela, meu caro Teótimo, nunca vás comungar por amor próprio, por vaidade ou respeito humano: Ai! O orgulho em tudo se insinua. Deus não permita que tu sejas dessas pessoas que querem comungar mui frequentemente, não tanto para se tornarem melhores, mais recolhidas, mais mortificadas, mas para parecer que têm mais piedade do que a que realmente tem! Seja sempre pura, sempre reta a tua intenção; tenha sempre por fim a gloria de Deus, a tua própria salvação, a extirpação de algum vício, o fortalecimento na prática de tal ou tal virtude, o livramento de tal ou tal tentação, se é do bom grado de nosso Senhor, ou enfim a petição de alguma outra graça para ti, tua família, teus filhos, teus conhecidos, etc., o livramento das almas do purgatório.
Há ainda uma outra sorte de preparação remota; consiste ela nas seguintes práticas: Alguns dias antes de comungar, e o mais tardar na véspera, faze as tuas orações e preces com vistas de obter as graças necessárias para bem comungar; junta a isto mais algumas boas obras, alguma esmola, alguma mortificação, etc. Empenha-te por te conservares no maior recolhimento, pensando amiúde na felicidade que terás de receber o teu Deus. Neste santo pensamento adormece, e seja o primeiro quando despertares. Dize então: Que belo dia! brevemente vem Jesus tomar posse do meu coração! Ó meu bom Mestre! vinde, vinde tomar posse do coração desta vossa pobre criatura… etc.

II. A Preparação Próxima

Consiste esta em recitar do fundo do coração os diferentes atos antes da comunhão. Encontrarás os modelos depois desta instrução; mas como é de temer que à força de os repetir não acabes de cair na rotina, vou, segundo Luiz de Granada e o Padre Afonso Rodrigues, indicar-te a maneira de os tirares de ti mesmo. Dizem os santos e mestres da vida espiritual que para da santa comunhão se recolherem abundantes frutos é preciso aproximarmo-nos dela: 1.° Com muita humildade e respeito2.° Com muito amor e confiança3.° Com muito ardor e desejo de comer deste pão celeste.

l.° É precioso aproximarmo-nos deste adorável Sacramento com um extremo Respeito e Humildade

Para em teu coração excitares este sentimento, podes primeiro representar-te a suprema grandeza e majestade infinita do Deus que está realmente na Eucaristia: considerar que é Aquele que criou o céu e a terra por um só ato da sua vontade, e que por um só ato da sua mesma vontade os pode aniquilar; e pensa enfim que os anjos tremem de respeito diante dEle, e que ao menor sinal que dá, abalam-se e tremem de terror as colunas do céu. Depois do que deves voltar os olhos sobre si mesmo, para considerar a tua miséria e baixeza. Ora entrarás nos sentimentos do publicano do Evangelho, que não ousava aproximar-se do altar nem levantar os olhos ao céu, mas que, conservando-se a um canto do templo, feria seu peito, dizendo:
“Senhor, tende piedade de mim que sou um pecador”
Ora servir-te-ás das palavras do filho pródigo:
“Senhor, pequei contra o céu e contra vós; não mereço ser chamado vosso filho; recebei-me somente como um dos servos da vossa casa”
Outras vezes repete amiúde as palavras de Santa Izabel à Virgem: E de onde me vem esta graça, de onde me vem este excesso de felicidade, que o Senhor dos anjos e toda a glória do céu venha a mim?… Ó meu Pai! Ó meu Pastor! Meu Senhor, meu Deus, e meu tudo! Não! Não Vos contentastes com me haver criado à Vossa imagem e remido com o Vosso sangue; mas ainda quereis por um incomparável prodígio de amor vir fazer em mim morada, transformar-me em Vós, e fazer-Vos uma e mesma coisa comigo, como se de mim dependêsseis e não eu de Vós!… De onde me vem esta felicidade, ó meu Deus? É de meus méritos, ou antes tirais algum proveito de estar comigo? Não, certamente: é um efeito só da Vossa bondade e misericórdia, que faz com que Vós estejais mais contente de estar comigo do que eu de estar conVosco. Eu não Vos desejo, senão porque sou um miserável e tenho necessidade do Vosso socorro; e Vós, Vós quereis-me por misericórdia, etc., etc. Ser-te-ia utilíssimo, caro Teótimo, fazer uma grande reflexão sobre as palavras de que se serve a Igreja para o tempo da comunhão e que são tiradas do Evangelho: “Senhor, não sou digno que entreis em minha morada; mas dizei uma só palavra e a minha alma ficará sã”. Senhor, não sou digno de Vos receber; mas aproximo-me de Vós afim que me torneis digno. Senhor, sou fraco e doente e aproximo-me de Vós afim de ser curado e fortificado por Vós, etc.

2.° Devemos aproximar-nos deste Sacramento com muito Amor e Confiança

Ah! Meu Deus! A quem amaremos nós, se não amamos a Jesus no momento em que se dá todo a nós? Para em ti excitares tão apetecíveis desejos de amor e confiança pensa em tudo o que este bom Pastor de nossas almas fez desde o presépio de Belém até ao Calvário; segue-O passo a passo em todos os mistérios da sua vida, e imagina que a cada ação que faz lança sobre ti um olhar cheio de bondade e misericórdia e te diz:
“Meu filho, por teu amor é que Eu faço isto; para ganhar teu coração é que eu sofro tantos opróbrios, que estou encerrado no Sacramento dos altares… Podias com razão recusar-me o coração?…”
Que lhe responderás?

3.° A terceira coisa que Deus pede de ti neste augusto Sacramento, é que te aproximes dEle com um Grande Desejo

Este pai, diz Santo Agostinho, quer ser comido com uma grande fome do homem interior; e assim como as coisas que se comem com o apetite de ordinário fazem bem ao corpo, assim este pão celeste fará um maravilhoso bem a tua alma, se ela o comer com uma grande fome, com uma impaciência extrema de a Deus se unir, e com ardente desejo de obter dele graças particulares. Diligência, pois, Teótimo, fazer com que em ti nasça esta fome tão necessária para tirar proveito do sacramento e para isto considera de uma parte a tua extrema miséria e pobreza e a última necessidade em que te achas de que Jesus te venha enriquecer de suas graças; por outra, os admiráveis efeitos que produz este sacramento na alma bem disposta e que certamente também há de produzir em ti, se lhe não opuseres obstáculo. És fraco? Tornar-te-á forte e cheio de coragem. Serves a Deus com uma certa tibieza? Dar-te-á um ardente fervor. A tua alma está acabrunhada sob o peso da cruz? Tornar-te-á leve e fácil de suportar. .. etc., etc. Que razões para excitar em ti este vivo desejo da Santa Comunhão! Pede a nosso Senhor que te dê este desejo, e não permita que nunca neste ato se intrometa nada de humano e indigno dele.
O desejo que tiveres de comungar será a medida das graças que receberás comungando. Abre o teu coração, diz Jesus Cristo, e eu o encherei; dilata-o, porque receberás à proporção que o abrires. Assim, Teótimo, se queres receber a Jesus Cristo e a abundância de suas graças, têm-lhe um ardente desejo. A medida das graças que pela santa Eucaristia tens de receber, de ti depende. Quando se não sente desejo algum de comungar, é um sinal de morte, ao menos de uma profunda letargia. Com que ardor, com que perseverança não deves pois, pedir a Deus para a santa comunhão essa sede espiritual que tantas almas fiéis hão tido! Ah! Não sejas do número desses frouxos e indignos cristãos que olham como uma bagatela o serem privados da felicidade de receber a Jesus Cristo no Sacramento do seu Amor, ou que o recebem com uma sorte de desgosto e repugnância. Ai! Não sentem fome alguma da santa comunhão; aproximam-se dela com indiferença e como que por costume: e deste modo não tiram dela lucro algum. Meu caro Teótimo, seja ardente o teu desejo de receber a Jesus Cristo, seja a tua mais predileta satisfação o preenchê-lo aproximando-te frequentemente do sagrado banquete, e seja a tua maior dor o ver-te privado da dita de receber a Jesus Cristo pela santa comunhão. Quando em ti não sentires esta devoção fervente, esses desejos ardentes que era mister, e bem racionável tivesses para receber tão grande Senhor, não creias tudo perdido. Eis uma prática que te poderá ser utilíssima. Exercita-te a desejar esta devoção e estes desejos, e por isto suprirás ao que te falta: porque Deus, que vê o coração, receberá a tua boa vontade, segundo estas palavras do profeta: O Senhor ouviu os desejos dos pobres; o teu ouvido, Senhor, ouviu a preparação do coração. Refere Luiz do Blois que nosso Senhor ensinou, ele mesmo, esta devoção e preparação a Santa Mectilde, e que lhe disse:
“Quando tens de receber o meu corpo e o meu sangue, deseja, para glória do meu nome, ter todo o fervor e todo o zelo que o mais inflamado coração jamais teve, e então poderás aproximar-te de mim confiadamente e com preparação; porque eu atenderei ao fervor que desejavas ter e tê-lo-ei no mesmo preço que se realmente o tiveras”
De Santa Gertrudes conta coisa semelhante. Um dia que ela ia receber o Santíssimo Sacramento, c que estava numa ansiedade extrema por não estar para isso preparada, pediu à santa Virgem e a todos os santos que oferecessem por ela a Deus tudo o que jamais fizeram de mais meritório para se prepararem a recebê-lo, e então o Senhor, aparecendo-lhe, lhe diz:
“Agora é que tu pareces aos olhos dos cidadãos do céu preparada como desejavas. De sorte que é uma mui excelente maneira de nos dispormos para a santa comunhão, o desejarmos aproximar-nos dela com o fervor com que o desejavam os grandes santos, e pedir a Deus que haja por bem suprir pelos méritos do seu Filho as disposições que nos faltam”

III. Ação de graças

Nada há mais importante que a ação de graças depois da comunhão. É o melhor momento para de nosso Senhor obtermos tudo o que temos necessidade. Empenha-te pois, caro Teótimo, em bem a fazer, para o que, depois de haveres recebido a Santa Hóstia, retira-te ao teu lugar, toma uma postura que indique o teu respeito profundo, fecha os olhos e esquece todas as criaturas para não pensar senão nAquele que em teu coração possuis. Multiplica então os atos de amor, de contrição, de ação de graças e de firme propósito de ser todo de Deus; dá-lhe cem e cem vezes o teu coração, conjura-o que to aceite, que te faça melhor, que te tire tudo o que Lhe desagradar. Imagina que como Maria Madalena estás de joelhos aos pés de Jesus, que Ele te fala e te pede tal ou tal sacrifício; por tua parte fala-Lhe também com toda a confiança, expõe-Lhe as tuas necessidades e misérias; mostra-Lhe as chagas da tua alma; dize-Lhe com uma simplicidade de menino tudo o que dentro em ti se passa de bem ou mal e pede-Lhe o Seu socorro, graça, amor, fervor, a perseverança final, e o perdão dos pecados, etc., etc. Pede-Lhe também a conversão dos pecadores, o livramento das pobres almas do purgatório, pede pelo teu marido, teus filhos, etc., etc.
Uma outra maneira excelente de fazer a ação de graças é oferecer a Deus depois da comunhão, o sacrifício de um defeito ou imperfeição. Aqui to vou brevemente expor o modo de o fazeres. Depois de haveres feito todos os atos de amor, petição, etc., de que acabo de te falar, volta sobre ti mesmo e vê que faltas são as que mais vezes cometes, as imperfeições a que estás mais sujeito; procura sacrificar alguma a Deus em cada comunhão, e oferece-lha em ação de graças. Não estou a deter-te com mais minudências sobre esta matéria; porque facílimo te será suprir a tudo o que aqui não digo para não ser muito longo. Aliás, por ti mesmo vês quão útil seja esta sorte de ação de graças, e que lucro poderás tirar em pouco tempo de tuas comunhões, se, todas as vezes que tiveres a dita de a fazer, tiveres o cuidado de te mortificar em alguma coisa e de te corrigir já de uma falta, já de outra.

Da Comunhão Frequente

Aqui naturalmente se apresenta uma questão. De onde vem, dir-me-ás, que tendo a ventura de tantas vezes receber a Santa Eucaristia, não reconheço tornar-me melhor? De onde nasce o eu não fazer, ao que me parece, progresso algum na virtude e fico sempre a mesmo? Temo fazer comunhões tíbias; temo comungar vezes de mais, etc.
1.° De primeiro respondo que, quando comungues com permissão do confessor e por obediência, deves estar tranquilo sobre o numero das tuas comunhões; se preciso fora diminuir este numero a ele competiria fazê-lo, como juiz que é do teu progresso na virtude. Digo em seguida com o Padre Rodrigues que se o frequente uso da comunhão nem sempre opera em nós o fruto quo era de esperar operasse, provém isto de falta nossa. É que algumas vezes não nos preparamos como é mister, e nos aproximamos do altar quase só por costume e como que por demais. Comunga-se porque os mais também comungam e se está no costume de comungar; não se pensa em antes no que se vai fazer, ou não se põe nisso assas atenção, e é isto o que faz com que tiremos tão pouco fruto.
2.° Também nasce muitas vezes o mal de nos deixarmos ir voluntariamente aos pecados veniais, porque duas sortes há de pecados veniais; uns, em que inadvertidamente e por negligencia caímos, outros que cometemos voluntariamente e de propósito deliberado. Os pecados de advertência nenhum impedimento trazem à graça do sacramento; mas os veniais voluntários são-lhe um grandíssimo obstáculo.
3.° Digo que muitas vezes pode acontecer não sentirmos em nós os efeitos admiráveis da santa comunhão sem que nisso haja falta da nossa parte e sem que deixemos de colher o seu fruto em nossa alma. Aqui é 0 mesmo que na oração, sobre a qual muitos fazem semelhante questão; porquanto, posto que não sintamos as doçuras e consolações que desejáramos e que muitas vezes podem ser sentidas, isso não impede que sempre venhamos a tirar dela um grande fruto. Um doente nenhum gosto acha ao alimento que toma; contudo este não deixa de 0 sustentar e fazer-lhe bem. Estas doçuras e consolações sensíveis são graças que Deus dá como lhe apraz; e quando dela priva os seus servos, é para os provar, para os humilhar e por este modo tirar outras vantagens e outros bens, cujo conhecimento só lhe toca.
4.° Respondo enfim que também deve ser por lucro contado não somente o fazer progresso, mas ainda o não cair nem recuar. Não são menos de estimar os remédios que impedem as doenças que os que fortificam a saúde; e note-se bem isto porque é um grande motivo de consolação para os que não experimentam tão sensivelmente o fruto que deste divino sacramento auferem. Ordinariamente se vê que os que dele com frequência se aproximam vivem no temor de Deus, e passam anos inteiros, alguns toda a sua vida sem caírem em pecado mortal.
É este dos efeitos do Santíssimo Sacramento, impedir que caiamos em pecado mortal… De sorte que, embora recebendo-o não sintamos esse fervor de devoção nem essas inefáveis doçuras que talvez outrora experimentamos, e em seguida em vez desse ardor e prontidão que alguns têm para o bem, nós só encontremos securas e tibieza, nem por isso deixamos de tirar o nosso fruto. Se, com comungar frequentemente, caímos em algumas faltas, em muito maiores cairemos se da comunhão nos apartamos, etc., etc.
Dir-me-ás tu agora: Então as almas imperfeitas podem comungar frequentemente?
Eis, Teótimo, a resposta que te dá um autor tão piedoso como o sábio, o Padre Vaubert, da Companhia de Jesus. Duas sortes de cristãos imperfeitos cumpre distinguir; querem os primeiros deixar-se estar em suas imperfeições, anseiam os segundos sair delas. Ouso dizer que aqueles se expõem a ser punidos da sua frouxidão; porque, segundo Taulero, o desejo de agradar a Deus, e no sentir de São Francisco de Sales, o desejo de o amar, de virem a ser melhores, de tender eficazmente à perfeição deve ser o principal motivo de todas as nossas comunhões. E para que é recorrer ao medico quando se não quer ser curado? Mas os que sinceramente querem sair das suas imperfeições e que por isso fazem tudo o que está em seu poder, nunca poderiam comungar vezes demais, com tanto que todas as vezes vão com as disposições atuais de que são capazes, e que requer estes sacramentos. A razão é evidente, porque, segundo os Padres da Igreja, tantas vezes se pode comungar, quantas a comunhão nos pode ser útil. Toma todos os dias, nos dizem, o que todos os dias te pode ser útil. Ora um cristão que está em estado de graça e se prepara segundo as suas posses, sem que este frequente uso da Eucaristia em nada diminua o respeito e a devoção com que dele se deve aproximar; um cristão, digo, deste caráter tira proveito da comunhão e é de todos o mais infalível meio para chegar à perfeição a que supomos aspirar. Deve pois comungar amiúde, e ainda todos os dias se seu confessor o permite.
Escuta sobre este ponto São Francisco de Sales:
“Se te perguntarem os mundanos porque tantas vezes andas a comungar dize-lhe que duas sortes de pessoas devem comungar frequentemente: os perfeitos porque estando bem dispostos grande mal fariam em não se aproximarem do manancial e fonte da perfeição: e os imperfeitos afim de justamente aspirarem à perfeição; os fortes para que não venham a enfraquecer, os fracos para se tornarem fortes; os doentes para que sejam curados, os sãos para não caírem doentes; e tu como imperfeito, fraco e doente, tu tens necessidade de comungar muitas vezes, com a tua perfeição, a tua força e o teu médico. Dize-lhes que os que não têm muitos negócios mundanos a tratar devem comungar muitos vezes, pois têm comodidade para o fazer: que os que estão cheios de trabalhos mundanos também devem, porque disso têm necessidade, que para quem mais trabalha mais sólidas e frequentes devem ser as comidas. Dize-lhes que recebes o Santíssimo Sacramento para aprender a bem o receberes, porque nunca se chega a fazer uma coisa sem a exercitar muitas vezes. Comunga muitas vezes, Filotéia, e as mais vezes que poderes, com consentimento do teu pai espiritual; e acredita-me, de inverno as lebres tornam-se brancas em nossas montanhas, à força de só verem e comerem neve, e à força de adorar e comer a beleza, a bondade e a pureza mesma neste divino sacramento, tornar-te-ás toda bela, toda boa, e toda pura”
Poder-se-á dizer nada mais consolador para as almas ainda imperfeitas, mas que têm um grande desejo da sua perfeição? Poder-se-á dizer nada mais estimulante para as excitar a comungar muitas vezes com uma humilde confiança? Mas, afinal, neste ponto devem sempre seguir o conselho de um sábio diretor, como este grande santo expressamente o diz e como o ordenou o Papa Inocêncio XI.
(Pinnard, Abade Dom. As Chamas do Amor de Jesus ou provas do ardente amor que Jesus nos tem testemunhado na obra da nossa redenção. Traduzido pelo Rev. Padre Silva, 1923, p. 353-365)

Reflexões sobre as razões do sofrimento: por que existem a dor e o sofrimento neste mundo?



O sofrimento e o amor: dois modos de encarar a mesma dor

FAZ ALGUNS anos, no espaço de um mês, tomei conhecimento de dois casos muito parecidos, porém totalmente diferentes em seus efeitos: dois casos de pais que haviam perdido um filho adolescente de maneira repentina e trágica. Conversei longamente com o primeiro e, uns trinta dias mais tarde, com o outro. O primeiro afundara-se numa dor insuportável, que lhe abalou os alicerces da vida e lhe asfixiou a fé. Repetia depois, ao longo dos anos, num desabafo amargo e cheio de rancor, que a sua vida tinha perdido o sentido, que não sabia se Deus existia ou não, mas que não se importava, porque já o tinha apagado dos pensamentos e não queria saber mais dEle. Fechado na sua solidão desesperada, definhava e tornava difícil a existência dos que conviviam com ele. Sem a luz da fé, o homem fica abandonado ao turbilhão da vida, é como um cego golpeado por um mundo cruel e incompreensível, sem outra alternativa a não ser a revolta, a frieza, a resignação ou o desespero.

O segundo pai sofreu tanto como o primeiro. Perder um filho é uma das maiores dores da vida. Mas não permitiu que o sofrimento lhe vendasse os olhos nem se encapsulou na sua dor. No meio das lágrimas, fixou com força o olhar da alma em Cristo crucificado e, unido a Ele, rezou: “Pai, seja feita a vossa vontade”. Dentro do seu coração ele dizia: “Não entendo essa Tua vontade, Pai, mas eu creio em Ti, eu espero em Ti, eu Te amo acima de todas as coisas”.

No velório, ver esse pai – e a mãe igualmente, com o mesmo espírito - a rezar junto do corpo do filho, não causava constrangimento, mas comunicava uma serenidade superior a qualquer paz que se possa experimentar nesta terra, e elevava a todos para Deus, cuja presença era palpável. Era uma serenidade estranha e poderosa, misturada com uma dor muito forte, que ficava sendo um enigma para os frios e os descrentes. Era mesmo um lampejo da Sabedoria da Cruz, de que fala São Paulo (Cf. 1 Cor 1,18-25).


Entender e saber

Como este segundo pai, nós também muitas vezes não entendemos o sofrimento, e é natural. É difícil compreender a doença incurável, a incapacitação física, a ruína psicológica dos que amamos, o desastre econômico… Não entendemos, mas… sabemos, – com a certeza indestrutível da fé, - que Deus é Pai, que Deus é Amor (I Jo 4,8) e, portanto – como diz com cálido otimismo São Paulo, - nós sabemos que Deus faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Rom 8,28). Faz concorrer também, e muito especialmente, os sofrimentos que Ele mesmo nos envia, ou os que Ele permite, ainda que os não queira, porque causados pela maldade dos homens.

Então, essa nossa fé – Dom precioso de Deus que não queremos extinguir, – nos permite o paradoxo inefável de sofrer e ter paz, de sofrer e manter no íntimo da alma uma misteriosa e fortíssima serenidade, uma imorredoura esperança. Assim sofreu Cristo na Cruz e assim sofreram os santos. Os que se entregam nas mãos de Deus Pai sentem que a Cruz se lhes torna doce; – uma Cruz sem Cruz, - e os inunda de uma suavidade amável. Eles escutam e escutarão sempre as palavras de Cristo, que nos diz, na hora da dor: "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai o meu jugo sobre vós e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mt 11,28-30). E chegarão a exclamar, como Santa Teresa de Ávila: “Ó Senhor, o Caminho da Cruz é o que reservais aos vossos amados!”


A dor que faz amadurecer

Num conto intitulado "O Espelho", João Guimarães Rosa descreve, simbolicamente, uma experiência que os místicos cristãos conhecem em profundidade. O protagonista da estória empreende a aventura de descobrir o seu verdadeiro rosto – o seu autêntico eu – num espelho-símbolo. Tenta olhar de tal modo que depure da sua figura tudo o que é superficial, animal, passional e espúrio, e acaba não vendo nada: “Eu não tinha formas, rosto?” Prosseguindo na experiência, só “mais tarde, ao fim de uma ocasião de sofrimentos grandes”, quando “já amava – já aprendendo, isto seja, a conformidade e a alegria”, é que começou a ver-se como o esboço inicial de um menino, que emergia do vazio, isto é, viu o seu rosto verdadeiro, que começava a nascer. No final da estória, o protagonista pergunta-se: “Você chegou a existir?”...

O escritor lembra-nos, com isso, que a pessoa que não sofreu não aprendeu a amar de verdade; e que a pessoa que não aprendeu a amar, não amadureceu; pode-se dizer que ainda não está “feita”, ainda não “existe”.

Nós…, existimos? Somos aquele que deveríamos ser, aquele que Deus espera de nós? A resposta – sim ou não - dependerá quase sempre de como sabemos sofrer. Tem muita razão o poeta que diz: “As pessoas que não conhecem a dor são como igrejas sem benzer”.

Deus nos faz com o sofrimento, modela-nos como um escultor, dá-nos a qualidade de um verdadeiro homem ou mulher, de um verdadeiro filho de Deus. A Cruz – poderíamos dizer - é a grande ferramenta formativa de Deus.

Três meses antes de morrer, São Josemaria Escrivá fazia um rápido balanço da sua vida, e resumia: “Um olhar para trás… Um panorama imenso: tantas dores, tantas alegrias. E agora tudo alegrias, tudo alegrias… Porque temos a experiência de que a dor é o martelar do Artista, que quer fazer de cada um, dessa massa informe que nós somos, um crucifixo, um Cristo, o alter Christus [o outro Cristo] que temos de ser”.

Essa visão essencialmente cristã é a que lhe inspirou sempre a pregação sobre a dor, baseada na sua própria experiência de alma enamorada de Deus: “Não te queixes, se sofres", escrevia ele. "Lapida-se a pedra que se estima, que tem valor. Dói-te? – Deixa-te lapidar, com agradecimento, porque Deus te tomou nas suas Mãos como um diamante… Não se trabalha assim um pedregulho vulgar”.

Deus sempre nos faz bem por meio da Cruz, seja qual for, quando nós o “deixamos” fazer. Assim como nos salvou pela Cruz, assim também nos aperfeiçoa e nos santifica por meio da Cruz. Não exclusivamente mediante a Cruz – também nos santificam as muitas alegrias, os trabalhos que amamos, os carinhos que nos enriquecem…– mas certamente não sem ela, a Cruz.


A dor que nos purifica: sofrimento redentor

A Cruz, o sofrimento, purifica-nos. O sofrimento abre-nos os olhos para panoramas de vida maiores, mais verdadeiros e mais belos. O sofrimento ajuda-nos a escalar os cumes do Amor a Deus e do Amor ao próximo.

São inúmeras as histórias de homens e de mulheres que, sacudidos pelo sofrimento, acordaram: adquiriram uma nova visão – que antes era impedida pela vaidade, a cobiça e as futilidades - e perceberam, com olhos mais puros, que o que vale a pena de verdade na vida é Deus que nunca morre, nem trai, nem quebra; descobriram que nEle se acha o verdadeiro Amor pelo qual todos ansiamos e que nenhuma outra coisa consegue satisfazer; entenderam que o que importa são os tesouros no Céu, que nem a traça rói nem os ladrões levam (Mat 6,20). E perceberam, enfim, que os outros também sofrem, e por isso decidiram esquecer-se de si mesmos e dedicar-se a aliviá-los e ajudá-los a bem sofrer.

É uma lição encorajadora verificar que, na vida de São Paulo, as tribulações se encadeavam umas às outras, sem parar, mas nunca o abatiam. É que ele não as via como um empecilho, mas como Graças de Deus e garantia de fecundidade, de modo que podia dizer de todo o coração: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo" (2 Cor 4,10). E ainda: "Sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo; porque quando me sinto fraco, então é que sou forte!" (2 Cor 12,10). E até mesmo, com entusiasmo: "Nós nos gloriamos das tribulações, pois sabemos que a tribulação produz a paciência; a paciência a virtude comprovada; a virtude comprovada, a esperança. E a esperança não desilude, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". (Rom 5,3-5). É o retrato perfeito da alma que se agiganta no sofrimento, que se deixa abençoar pela Cruz.


São João da Cruz

Outro exemplo muito significativo: uma perseguição injusta por parte de seus próprios confrades arrastou São João da Cruz a um cárcere imundo. Todos os dias era chicoteado e insultado. Mal comia. Suportava frios e calores estarrecedores. Para ler um livro de orações, tinha que erguer-se nas pontas dos pés sobre um banquinho e apanhar um filete de luz que se filtrava por um buraco do teto. Pois bem, foi nesses meses de prisão, num cubículo infecto, que ganhou o perfeito desprendimento, alcançou um grau indescritível de União com Deus e compôs, inundado de paz, a Noite escura da Alma e o Cântico Espiritual, obras que são consideradas dois dos cumes mais altos da Mística Cristã. E, uma vez acabada a terrível provação, quando se referia aos seus torturadores, chamava-os, com sincero agradecimento, “os meus benfeitores”...

As histórias de mulheres e de homens santos que se elevaram na dor poderiam multiplicar-se até o infinito: mães heróicas, mártires da caridade… Daria para encher uma biblioteca só a vida dos mártires do século XX, como São Maximiliano Kolbe, que na sua Cruz – na injustiça do campo de concentração nazista, nos tormentos e na morte – achou e soube dar o Amor e a vida com alegria.

Essas almas santas estão a escrever, no dizer de João Paulo II, “um grande capítulo do Evangelho do sofrimento, que se vai desenrolando ao longo da história. Escrevem-no todos aqueles que sofrem com Cristo, unindo os próprios sofrimentos humanos ao seu sofrimento salvífico…”

"No decorrer dos séculos e das gerações, tem-se comprovado que no sofrimento se esconde uma força particular, que aproxima interiormente o homem de Cristo, uma Graça particular. A esta ficaram a dever a sua profunda conversão muitos santos como São Francisco de Assis e Santo Inácio de Loyola. O fruto de semelhante conversão é não apenas o fato de que o homem descobre o sentido salvífico do sofrimento, mas sobretudo que no sofrimento ele se torna um homem totalmente novo. Encontra como que uma maneira nova para avaliar toda a sua vida e a própria vocação. Esta descoberta constitui uma confirmação particular da grandeza espiritual que, no homem, supera o corpo de uma maneira totalmente incomparável. Quando este corpo está gravemente doente, ou mesmo completamente inutilizado, e o homem se sente como que incapaz de viver e agir, é então que se põem mais em evidência a sua maturidade interior e grandeza espiritual; e estas constituem uma lição comovedora para as pessoas sãs e normais” (Papa João Paulo II em Salvifici Doloris, n. 26).


A dor que nos chama

Mas estamos falando dos mártires, dos grandes sofrimentos de alguns santos, e não devemos esquecer que também é a Cruz, a santa Cruz, cada uma das contrariedades, dores, doenças, injustiças e mil outros padecimentos menores, que Deus envia ou permite na nossa vida diária, para nos santificar.

Vai-nos ajudar a pensar nisso uma frase incisiva de São Josemaria, comentando a passagem da Paixão de Cristo em que os soldados obrigaram Simão Cireneu a carregar a Cruz de Jesus: “Às vezes, a Cruz aparece sem a procurarmos: é Cristo que pergunta por nós”.

A maior parte das “cruzes” aparece-nos sem as termos procurado. São as moléstias físicas ou psíquicas; são os aborrecimentos que surgem no mundo do nosso trabalho; são as dificuldades e aflições econômicas, o desemprego, a insegurança… Ou então os sofrimentos que surgem no convívio habitual com a família: asperezas de caráter do marido ou da mulher, desgostos com os filhos, parentes desabusados ou intrometidos, indelicadezas, ofensas…

Todo tipo de sofrimento nos interpela. Que resposta lhe damos? Não poucas vezes, a nossa reação espontânea é a irritação, o protesto, a aflição, a tristeza, o desânimo, a queixa. Há corações que não sabem sofrer, ficam perdidos diante dos sofrimentos cotidianos, e sucumbem esmagados por “cruzes” que sentem como se fossem uma laje que os asfixia, quando Deus lhas oferece como asas para voar.

Deveriam lembrar-se do mau ladrão. Junto de Jesus crucificado, deixou-se arrastar pelo ódio à Cruz. Morreu contorcendo-se e espumando de raiva na sua cruz inútil. Pelo contrário, o bom ladrão soube descobrir na sua cruz uma escada que lhe serviu para chegar a Cristo e subir ao Céu (Cfr. Luc 23,39-43).

Não vale a pena contorcer-se e protestar. Assim, Deus não nos poderá lapidar. Sofreremos mais e inutilmente, e nenhum proveito tiraremos da dor. Qualquer sofrimento nos interpela, diremos. Também Cristo foi interpelado, na Cruz, por todo tipo de sofrimento, por cada um daqueles padecimentos com que o feriram os nossos pecados. E como respondeu? De cada ferida que recebia, brotava um ato de Amor e uma virtude. Esse é o exemplo para o qual devemos olhar.

Acusado com mentiras revoltantes, responde com mansidão. Provocado maldosamente, responde com o silêncio. A cada chicotada, a cada espinho que lhe fere a cabeça, a cada prego que lhe atravessa as mãos e os pés, responde com a paciência; a cada ofensa, responde com o perdão; a cada escarro, a cada bofetada, responde com a humildade; a cada bem que lhe tiram (sangue, pele, honra, roupas) responde dando Amor; à rejeição dos homens, responde entregando-se totalmente por eles.


A cruz que ensina a amar

Perante cada pequeno desaforo, Deus nos diz: "Por que não respondes com um silêncio paciente e humilde como o meu, sem ódio nem discussões? Se te custa aguentar o caráter daquela pessoa, por que não te esforças por viver melhor a compreensão e a desculpa amável? Quando alguém te ofende, por que - sem deixares de defender serenamente o que é justo - não te esforças por perdoar, como Deus te perdoa?”

E, assim, quando as dores físicas ou morais – os desgostos, as decepções, os fracassos, os fastios, o tédio, a solidão, a depressão…- nos acabrunham, a voz cálida de Cristo crucificado convida-nos a ser generosos e a subir um degrau na escada do Amor; a crescer na mansidão, na bondade e na grandeza de alma; a aumentar a confiança em Deus; a ser mais desprendidos de êxitos, bem-estar e posses materiais; sobretudo, a meter-nos mais decididamente na fogueira de Amor que é o Coração de Cristo, com desejos inflamados de corresponder, de desagravá-lo, de imitá-lo, de unirmo-nos ao seu Sacrifício Redentor. Todos esses sentimentos fazem grande bem à alma cristã.


A cruz que faz “co-redimir” 

Há algumas palavras de São Paulo que encerram um grande mistério, que encerram uma Verdade sobrenatural muito profunda sobre a vida nova do cristão. São as seguintes: "Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. Completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja" (Coloss 1, 24).

A rigor, nada falta à Paixão de Cristo, pois o Sacrifício de Jesus mereceu infinitamente a Redenção de todos os crimes e pecados do mundo. Mas o Senhor quis que os cristãos, membros do seu Corpo Místico, “outros Cristos”, pudessem associar-se ao seu Sofrimento Redentor, unindo a Ele os seus próprios padecimentos.

Na Carta Apostólica já antes citada sobre o sentido cristão do sofrimento, o Papa João Paulo II desenvolve uma bela reflexão sobre esta verdade: “O Redentor sofreu em lugar do homem e em favor do homem. Todo homem tem a sua participação na Redenção. E cada um dos homens é também chamado a participar daquele sofrimento, por meio do qual se realizou a Redenção; é chamado a participar daquele sofrimento por meio do qual foi redimido também todo o sofrimento humano. Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível da Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, podem tornar-se participantes do sofrimento redentor de Cristo” (n. 19).

E, mais adiante, glosando a frase de São Paulo que agora meditamos, o Papa complementa essa reflexão: “O sofrimento de Cristo criou o bem da Redenção do mundo. Este bem é em si mesmo inexaurível e infinito. Ninguém lhe pode acrescentar coisa alguma. Ao mesmo tempo, porém, Cristo, no mistério da Igreja, que é o seu Corpo, em certo sentido abriu o próprio Sofrimento Redentor a todo o sofrimento humano. Na medida em que o homem se torna participante dos sofrimentos de Cristo –em qualquer parte do mundo e em qualquer momento da história—tanto mais ele completa, a seu modo, aquele sofrimento, mediante o qual Cristo operou a Redenção do mundo” (n. 24).

Neste mundo em que, ao lado de tantas bênçãos de Deus, tantas almas sentem com força os ventos e tempestades do pecado, as almas generosas que sofrem com Amor, unidas ao Senhor, são como que “outros Cristos”, que contrabalançam com a sua “Cruz” o peso dos crimes do mundo. Tornados eles próprios uma só coisa com Cristo sofredor, são esses homens e mulheres bons – os santos, os mártires, os inocentes, os doentes, as crianças, os “humilhados e ofendidos”…- os que mantêm no mundo, como uma tocha acesa, a esperança da Salvação. Uma só mulher humilde que oferece, em sua cama de hospital, seus sofrimentos a Deus, faz mais pelo bem do mundo do que muitos dos que o governam.

É paradigmática a cena de São Francisco de Assis no Monte Alverne. Era a manhã de 14 de setembro de 1224, festa da Exaltação da Santa Cruz. Retirado nas solidões dos Apeninos, ele rezava ajoelhado diante de sua cela, antes de que raiasse a alva. Tinha as mãos elevadas e os braços estendidos, e pedia: “Ó Senhor Jesus, há duas graças que eu te pediria conceder-me antes de morrer. A primeira é esta: que na minha alma e no meu corpo, tanto quanto possível, eu possa sentir os sofrimentos que tu, meu doce Jesus, tiveste que sofrer na tua cruel Paixão! E o segundo favor que desejaria receber é o seguinte: que, tanto quanto possível, possa sentir em meu corpo esse amor desmedido em que tu ardias, tu, o Filho de Deus, e que te levou a querer sofrer tantas penas por nós, miseráveis pecadores”.

A oração foi ouvida. Um serafim, que trazia em si a imagem de um crucificado, imprimiu-lhe as chagas de Cristo nas mãos, nos pés e no lado. Francisco, até no corpo, tornou-se visivelmente um “outro Cristo”.

Ref.: FAUS, Francisco. A Sabedoria da Cruz, São Paulo: Quadrante, 2001.

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