domingo, 25 de agosto de 2013

A porta estreita

A especulação sobre o número dos que se salvam não é novidade. Jesus também foi questionado sobre isso, e sua resposta deixa claro: em vez de especular sobre a quantidade dos que serão salvos, é fundamental esforçar-se para entrar por uma porta estreita, enquanto é tempo.
Trata-se, bem sabemos, de entrar na vida eterna, na plenitude do reino de Deus, no convívio dos que com o Senhor têm tudo para sempre. Até lá, agora é o tempo que temos para agir, para encontrar a porta estreita que leva à eternidade. Uma porta estreita que podemos chamar de justiça, misericórdia, fraternidade. O capítulo sexto do Evangelho de Lucas mostra quem nos conduz a essa porta: os pobres, os famintos,os tristes e os perseguidos. Indo a eles, chegamos à porta estreita. Estando com eles, sendo solidários com eles, poderemos atravessar a porta estreita, tendo deixado cair de nossa vida aquilo que é supérfluo e pesa no caminho: posses, títulos, arrogâncias, preconceitos e tudo mais.
É que desta vida nada se leva, senão o amor que aqui tivermos vivido. Jesus, aliás, alerta-nos sobre o possível mal-entendido, que seria fatal: podemos praticar a injustiça acreditando estar na presença de Jesus, acreditando estar fazendo o bem. Um alerta contra a auto-suficiência, contra o orgulho de nos considerarmos religiosos e de pensarmos que temos méritos diante de Deus. Pois, se a justiça que desejamos não se traduz em gestos concretos de amor misericordioso, então é apenas aparência, não é a justiça do reino de Deus, não nos leva à porta estreita.
Nosso Deus é o Deus pleno de misericórdia. A misericórdia exigente da porta estreita, que requer esforço para ser descoberta e alcançada e para não ser confundida com tantos portões abertos diante de nós, os largos portões do descompromisso e do menor esforço.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre e evangelho deste domingo. 25/08/2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Pensamento de São Bernardo de Claraval

PENSAMENTOS DE SÃO BERNARDO DE CLARAVAL

"Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste dos teus lábios, não se afaste de teu coração".

"Tudo o que temos de benefícios de Deus, nós o recebemos pela intercessão de Maria. E por que é assim? Porque Deus assim o quer".

"Quem somos nós, e qual a nossa força para resistirmos a tantas tentações? Certamente era isso que Deus queria: que nós, vendo a nossa insuficiência e a falta de auxílio, recorressemos com toda humildade à sua misericórdia".

"Maria recebeu de Deus uma dupla plenitude de graça. A primeira foi o Verbo eterno feito homem em suas puríssimas entranhas. A segunda é a plenitude das graças que, por intermédio desta divina Mãe, recebemos de Deus".

"O avarento está sempre faminto como um mendigo, nunca chega a ficar satisfeito com os bens que deseja. O pobre, como senhor de tudo, os despreza, pois não deseja nada".

"A oração controla nossos afetos e dirige nossas ações para Deus"

"Não consideres tanto o que sofres, mas o que Jesus sofreu por ti".

"O que é Deus? Ele é ao mesmo tempo comprimento, largura, altura e profundidade... Esse comprimento, o que é ele? A eternidade, pois ela é tão longa que não tem limites seja quanto ao lugar, seja quanto ao tempo. É Deus também largura? E essa largura, que é ela senão a caridade que se estende até o infinito? Deus é altura e profundidade; e por essa altura deveis entender seu poder; e por profundeza, sua sabedoria. Ó sabedoria cheia de poder que chega a todos os recantos com força. Ó poder cheio de sabedoria que tudo dispõe com doçura"

"Os clérigos que estudam por puro amor da ciência: é uma curiosidade ignominiosa; outros o fazem para alardear um renome de sábios: é uma vaidade vergonhosa... outros ainda estudam e vendem seu saber em troca de dinheiro e honras: é um tráfico vergonhoso. Mas há também os que estudam para edificar seu próximo: é uma obra de caridade; outros, finalmente, para edificar a simesmos: é uma atitude de prudência..."

"Se a pobreza não fosse um grande bem, Jesus Cristo não teria escolhido para si, nem a teria deixado em herança para os seus preferidos".

"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece em participar devotamente de uma só Missa do que com distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a terra"

"Amo porque amo, amo para amar. Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu princípio, volte à sua origem, mergulhe em sua fonte, sempre beba donde corre sem cessar".

"Deus é sabedoria e quer ser amado não só suave mas também sapientemente... Aliás com muita facilidade o espírito do erro zombará do teu zelo, se desprezares a ciência; nem o astuto inimigo tem instrumento mais eficaz para arrancar do coração o amor, do que conseguir que no mesmo amor se ande incautamente, e não com a razão"

"O servo de Maria não pode perecer".

"Maria é a onipotência suplicante".

"Quem não medita não julga com severidade a si mesmo, porque não se conhece"

"Há o espírito de sabedoria e de inteligência que, à maneira da abelha que produz cera e mel, tem com que acender a luz da ciência e infundir o sabor da graça. Não espere, portanto, receber o beijo, nem o que compreende a verdade, mas não a ama; nem o que a ama, mas não a compreende"

"Quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque bem sabe que serão felizes pelo amor aqueles que O amarem".

"Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés".

"A Eucaristia é o amor que supera todos os outros amores no céu e na terra"

"Deus depositou em Maria a plenitude de todo bem".

"Onde há amor, não há canseira, mas gosto".

"São fortes as potências do inferno, entretanto, a oração é mais forte do que todos os demônios".
"Possuireis todas as coisas sobre as quais se estender a vossa confiança. Se esperais muito de Deus, Ele fará muito por vós. Se esperais pouco, Ele fará pouco".

"O amor do Esposo, ou melhor, o Esposo-Amor, somente procura a resposta do amor e a fidelidade. Seja permitido à amada corresponder ao amor! Por que a esposa e esposa do Amor não deveria amar? Por que não seria amado o Amor?"

"A causa para amar a Deus é o próprio Deus; a medida, é amá-lo sem medida".

"Oh! amor santo e casto! Oh! doce e suave afeto!... Tanto mais doce e suave, porque é todo divino o sentimento que se prova. Experimentá-lo é divinizar-se".

"É melhor para mim, Senhor, abraçar-te na tribulação e estar contigo na fornalha, do que estar sem ti até mesmo no Céu".

"Que faria a ciência sem o amor? Envaideceria. Que faria o amor sem a ciência? Erraria".

"Por vós, Maria, temos acesso ao Filho, por vós que achaste a graça, Mãe da Salvação, para que por vós nos receba Aquele que por vós nos foi dado".

"Da cruz e das chagas do nosso Redentor sai um grito para nos fazer entender o amor que Ele nos tem".

"Busquemos a graça, mas busquemos por intermédio de Maria! Por ela acha-se o que se busca e não se pode ser desatendido".

"Todo o nosso mérito consiste em confiarmos plenamente em Deus".

"Nossa esperança não pode ser incerta, pois que ela se apóia nas promessas divinas".

"Com a oração a alma consegue o auxílio divino, diante do qual desaparece todo o poder das criaturas".

"Existe indubitavelmente uma espantosa analogia entre o azeite e o nome do Amado, pelo que a comparação apresentada pelo Espirito Santo não é arbitrária. A não ser que possais sugerir algo de melhor, afirmarei que o nome de Jesus possui semelhança com o azeite na tripla utilidade deste último, nomeadamente, para iluminar, na alimentação e como lenitivo. Mantém a chama, alimenta o corpo, alivia a dor. É luz, alimento e medicina. Observai como as mesmas propriedades podem ser encontradas no nome do noivo divino. Quando pronunciado fornece luz; quando meditado, alimenta; quando invocado, serena e abranda".

"Deus quis que não recebêssemos nada que não passe pelas mãos de Maria"

"A vista ofuscada pela raiva não enxerga direito".

"Quando estou dividido em mim mesmo é porque não estou unido com Deus".

"Quando se vê uma pessoa perturbada, a causa da perturbação não é outra coisa senão a incapacidade de satisfazer a própria vontade".

"Não é a pobreza que é considerada virtude, mas o amor à pobreza".

"Ninguém tenha em pouca conta a oração, porquanto Deus não a tem em pouca conta; pois Ele ou dá o que pedimos, ou dá o que deve ser-nos mais útil".

"Tal é a vontade de Deus, que quis que tenhamos tudo por Maria".

"Toda alma que ama a Deus, torna-se sua esposa".

"A humilhação nos leva à humildade, assim como a paciência à paz e o estudo à ciência. Quereis experimentar se vossa humildade é verdadeira, até onde vai, se adianta ou recua? As humilhações vos fornecerão o meio".

"Quando a caridade vem e é perfeita, realiza a união espiritual, e serão dois (Deus e alma) não em uma só carne mas em um só espírito, tal como diz o apóstolo: 'Quem se achega a Deus torna-se um só espírito com Ele' (I Cor 6,17). Se ama perfeitamente, a alma está desposada com Deus. Amor mútuo, íntimo, válido, que não vive em uma só carne, mas que une em um só espírito, e de dois faz um só".

"Poderíamos definir a humildade assim: 'É uma virtude que estimula o homem a menosprezar-se ante a clara verdade de seu próprio conhecimento'".

"Tu encontrarás mais coisas nas florestas do que nos livros; as árvores e as pedras te ensinarão mais do que qualquer mestre te poderá dizer".

"Amemos e seremos amados. Naqueles que amamos encontraremos repouso, e o mesmo repouso ofereceremos a todos os que amamos. Amar em Deus é ter caridade; procurar ser amado por Deus é servir à caridade".

"Só nos casos de confiança o Senhor deita o azeite de sua misericórdia".

"Quereis um advogado junto a Jesus? Recorrei a Maria, pois nela não há senão pura compaixão pelos males alheios. Pura não só porque ela é imaculada, mas porque nela só existe compaixão pura e simples. Digo-o sem hesitar: Maria será ouvida devido à consideração que lhe é devida. O Filho ouvirá a Mãe, e o Pai, seu Filho. Eis, pois, a escada dos pecadores, minha absoluta confiança; eis todo o fundamento de minha esperança".

"'Senhor, que queres que eu faça?' (pergunta Paulo). É esta certamente a forma de uma perfeita conversão. Quão poucos se ajustam a esta forma de perfeita obediência que, de tal modo tenham abdicado à vontade-própria que nem sequer mais tenham seu próprio coração e a toda hora se perguntem, não o que eles querem, mas o que o Senhor quer".

"Que união feliz! Que união feliz, se já a experimentaste! Bem a conhecia, por experiência, o Salmista ao exclamar: ' Minha felicidade, ó Deus, é estar junto de Ti' (Sl 72,28). Sim, é muito bom se te unes a Deus com todo o teu ser. E quem então adere tão perfeitamente a Deus? Aquele que, habitando em Deus, sendo amado por Deus, atrai Deus a si com um amor recíproco".

"O amor não busca outro motivo e nenhum fruto fora de si; ele é seu próprio fruto, seu próprio deleite".

"Ser deificado é tornar-se caridade porque Deus é caridade; por isso todos os esforços da alma devem ter como alvo a caridade. A caridade dá a visão de Deus e a semelhança a Deus".

"Recorre a Maria! Sem a menor dúvida eu digo, certamente o Filho atenderá sua Mãe".

"Para chegarmos à perfeição temos necessidade da meditação e da petição; pela meditação vemos o que nos falta; pela súplica recebemos o que nos é necessário".

"Quem recorreu à Vossa proteção e foi por Vós desamparado, ó Maria?"

"Desapareça a vontade própria e não haverá inferno".

"Se os homens fizessem guerra à vontade própria, ninguém se condenaria".

"Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que ela não se afaste dos teus lábios, não se afaste de teu coração".

"Não há música mais suave, palavra mais jubilosa, pensamento mais doce que Jesus, Filho de Deus!".

"Não se poderiam encontrar palavras mais suaves para exprimir as doces e recíprocas relações que se dão entre Deus e a alma runida a seu corpo ressuscitado, que as de esposo e esposa. Como estes possuem tudo em comum, nada de particular, nada de dividido, ambos têm uma herança, uma casa, uma mesa, um quarto conjugal, um mesmo corpo".


http://coracaomistico.blogspot.com.br/2007/12/so-bernardo-de-claraval-1090-1153.html

São Bernardo de Claraval

História de São Bernardo

São Bernardo

São Bernardo nasceu em 1090, no Castelo de Fontaine, região de Borgonha, França. Filho de um nobre chamado Tescelin Sorrel, o Vermelho e de Aleth de Monthbard, mulher virtuosa venerada como bem aventurada. Teve sete irmãos dentre os quais era o terceiro. Bernardo sempre se destacou pela inteligência e pela beleza física. Aos 9 anos foi para a escola canônica, e destacou-se principalmente na literatura.

A vocação de São Bernardo

Em 1112, aos 22 anos, Bernardo entra na Abadia de Cister, também em Borgonha. Esta abadia era um mosteiro cisterciense fundado por São Roberto de Molesme.
Foi então que Bernardo convenceu mais de trinta homens, irmãos, tios e vários amigos a entrarem para a ordem, causando enorme surpresa e alegria para a Abadia e para Santo Estevão Harding, abade sucessor do fundador São Roberto.

São Bernardo de Claraval

Bernardo era homem de estudo e oração, praticando com austeridade a regra do mosteiro, a mesma escrita por São Bento. Bernardo dedicava-se à oração e ao ensino da catequese. Tinha grande dom de oratória e convertia muitos com quem conversava, tanto que levou o para o mosteiro o irmão mais novo e seu pai.
Após dois anos em Cister, Bernardo foi enviado para o vale de Langres em 1115, com a missão de fundar a Abadia de Claraval, (vale claro), tornando o seu primeiro Abade, com apenas 25 anos. Em pouco tempo a Abadia ficou conhecida em toda a França e posteriormente por toda a Europa como um lugar onde se vivia a oração, o trabalho, a humildade, a caridade e a cultura profunda.
Bernardo e os monges de Claraval viviam com amor e integridade os votos de pobreza, castidade e obediência. Certa vez teve uma visão: um menino envolto numa luz divina disse a ele: fala aos outros sempre, pois serás inspirado pelo Espírito Santo e receberás a graça especial de compreender as fraquezas das pessoas e ajudá-las. Assim, Bernardo conseguiu muitas vocações para Claraval. O Mosteiro chegou a ter 700 monges, inclusive Henrique de França, irmão do Rei Luís Vll, que mais tarde foi bispo e arcebispo de Reims.

As obras de São Bernardo

Com o passar dos anos, São Bernardo fundou 72 casas da ordem dos Cistercienses na França e em vários países da Europa. Participou ativamente do Concílio de Latrão, como secretário. Participou também do Concílio de Troyes, onde exerceu grande influência, e do Concílio de Reims, sempre a pedido do Papa, para tratar de todos os assuntos da Igreja.
A convite do Papa, pregou a segunda cruzada. Era conhecido como o Pai dos fiéis, a Coluna da Igreja, o Apoio da Santa Sé, o Anjo Tutelar do Povo de Deus.
Sua devoção para com a Virgem Maria era incomparável. Quando estava na Alemanha, na catedral de Spira, ajoelhou-se por 3 vezes dizendo: Ó Clemente; Ó Piedosa; Ó Doce Virgem Maria!, invocações que foram acrescentadas ao final da oração Salve Rainha.
Por causa de sua fama de santidade e sabedoria reconhecida, São Bernardo torna-se uma personalidade importante e respeitada em toda a Europa. Tanto que ele intervém em assuntos públicos, defende os direitos da Igreja contra abusos de Reis e é chamado para aconselhar Papas e Reis.

Os Milagres de São Bernardo

Bernardo reformou a Ordem Cisterciense e levou-a a ser o que é até hoje, quase mil anos depois. Ele mesmo fundou muitos mosteiros na Europa: 35 na França, 14 na Espanha, 10 na Inglaterra e Irlanda, 6 em Flandres, 4 na Itália, 4 na Dinamarca, 2 na Suécia e 1 na Hungria, além de muitos outros que se filiaram à Ordem. Sua Ordem chegou aos cinco continentes.
No Brasil, no Estado de Minas Gerais, existe uma cidade chamada Claraval, que nasceu ao redor de um grande mosteiro da ordem dos Cistercienses.
Durante o concílio de Troyes, Bernardo conseguiu o reconhecimento para a Ordem do Templo, os Templários, cujos estatutos ele mesmo escreveu. Além disso, São Bernardo escreveu grandes obras, tratados de teologia, obras defendendo a Fé Católica e a Igreja contra heresias, além de inúmeros tratados sobre Nossa Senhora.

O falecimento

Quando estava para morrer e os monges rezando para que Deus não deixasse, ele disse:
Porque desejais reter aqui um homem tão miserável? Usai da misericórdia para comigo e deixai-me ir para Deus. Assim, São Bernardo faleceu no dia 20 de agosto de 1153, aos 63 anos de idade.

Devoção a São Bernardo

São Bernardo foi canonizado em 18 de junho de 1174, pelo Papa Alexandre lll e declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio Vlll, em 1830, por causa de suas pregações e obras escritas.
A Festa de São Bernardo é comemorada em 20 de agosto.

Oração a São Bernardo

Santo Abade de Claraval, São Bernardo, fervoroso servo de Maria, a Igreja o honra e o invoca universalmente como padroeiro das causas mais difíceis visto dirigir a Maria todo o seu fervor. Assim peço que com Maria, venha pedir por mim a Jesus. Eu estou sozinho e desamparado. Faça uso, eu imploro, do seu especial privilégio que Maria deu a voz para trazer um benefício visível e rápido a esse seu servo desesperado. Venha assistir a esse servo que está em grande dificuldade e grande necessidade de consolo e ajuda e atribulado e com sofrimentos.
Assim me consiga a graça (pedido), e ainda a graça da salvação de minha alma.
E que isto possa agradar a Deus. A vós, seu eleito para sempre. Eu prometo amado São Bernardo, sempre honrar-vos com fervor, e como especial padroeiro, encorajar a devoção a vós. Amém.


http://www.cruzterrasanta.com.br/historia/sao-bernardo-claraval

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ladainha de São João Eudes

Ladainha de São João Eudes
"Te saudamos, Coração amantíssimo de Jesus e de Maria.
Vos adoramos, vos glorificamos, vos damos graças.
Vos amamos com todo nosso coração, com toda nossa alma, com todas nossas forças.
Vos oferecemos nosso coração: recebei-lo, tomai posse dele totalmente”.
Coração divino de Jesus, tende piedade de nós.
Coração amante e manso, tende piedade de nós.
Coração humilde e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração do eterno Pai, tende piedade de nós.
Principio do Espírito Santo, tende piedade de nós.
Coração fiel a divina vontade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Coração da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração ferido pela lança, tende piedade de nós.
Coração sacerdotal, tende piedade de nós.
Fortaleza dos fracos, tende piedade de nós.
Refúgio dos pecadores, tende piedade de nós.
Cordeiro incendiado no amor pelos homens, tende piedade de nós.
Alegria e esperança de nosso coração, tende piedade de nós.
Coração amado de nosso coração, tende piedade de nós.
Vida e norma de nosso coração, tende piedade de nós.
De todo pecado, livrai-nos Senhor.
Da soberba da vida, livrai-nos Senhor.
Da cegueira do coração, livrai-nos Senhor.
Da resistência a graça, livrai-nos Senhor.
Por teu amor infinito ao Pai celestial.
Por teu amor a Maria Virgem e Mãe.
Por teu amor a todos os homens.
Por tuas eternas alegrias livrai-nos Senhor.
Oração:
Oh! Deus, que por obra de teu amor nos fizeste irmãos de teu único Filho e nos deste ter com Ele um mesmo coração!
Concedei-nos cumprir com amor tua vontade, para que, desejando o que vos agrada, possamos ver cumpridos nossos justos desejos.
Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Sobre São João Eudes

O santo deste dia foi definido por São Pio X como "autor, pai, doutor, apóstolo, promotor e propagandista da devoção litúrgica aos sagrados Corações de Jesus e Maria". São João Eudes nasceu na Normandia, em 1601, num tempo em que o século XVII estava sendo marcado pelo jansenismo, quietismo e filosofismo.

Ao viver numa família religiosa, João estranhou quando externando seu desejo de consagrar-se a Deus encontrou barreiras com o seu pai, que não foram maiores do que o chamado do Senhor, por isto com 24 anos estava sendo ordenado Sacerdote. Homem de Deus, soube colher e promover os frutos do Espírito para a época, tanto assim que foi importantíssimo para a renovação e formação do Clero, evangelização das massas rurais e difusão da espiritualidade centrada nos Corações de Jesus e de Maria, a qual venceu com o amor afetivo de Deus as friezas e tentações da época.

São João Eudes com suas inúmeras missões e escritos influenciou fortemente todo o seu país e o mundo cristão. Depois de fundar a Congregação de Jesus e Maria (Eudistas), ao lado do ramo feminino chamada Refúgio de Nossa Senhora da Caridade, São João Eudes entrou no Céu em 1680 e foi canonizado em 1925.

São João Eudes, rogai por nós!

domingo, 18 de agosto de 2013

A Gloriosa Assunção de Nossa Senhora

A Assunção Gloriosa de Nossa SenhoraTexto de apologética provando a Assunção de Nossa Senhora aos Céus, de corpo e alma.A Assunção Gloriosa de Nossa Senhora aos Céus. A Assunção de Nossa Senhora foi transmitida pela tradição escrita e oral da Igreja. Ela não se encontra explicitamente na Sagrada Escritura, mas está implícita. Os protestantes acreditam que a Mãe de Deus, apesar de ter sido  o Tabernáculo vivo da divindade, devia conhecer a podridão do túmulo, a voracidade dos vermes, o esquecimento da morte, o aniquilamento de sua pessoa. Vamos analisar o fato histórico, segundo é contado pelos primeiros cristãos e transmitido pelos séculos de forma inconteste. Na ocasião de Pentecostes, Maria Santíssima tinha mais ou menos 47 anos de idade. Depois desse fato, permaneceu Ela ainda 25 anos na terra, para educar e formar, por assim dizer, a Igreja nascente, como outrora ela educara, protegera, e dirigira a infância do Filho de Deus. Ela terminou sua “carreira mortal” na idade de 72 anos, conforme a opinião mais comum. A morte de Nossa Senhora foi suave, chamada de “dormição”. Quis Nosso Senhor dar esta suprema consolação à sua Mãe Santíssima e aos seus apóstolos e discípulos que assistiram a “dormição” de Nossa Senhora, entre os quais se sobressai S. Dionísio Aeropagita, discípulo de S. Paulo e primeiro Bispo de Paris, o qual nos conservou a narração desse fato. Diversos Santos Padres da Igreja contam que os Apóstolos foram milagrosamente levados para Jerusalém na noite que precedera o desenlace da Bem-aventurada Virgem Maria. S. João Damasceno, um dos mais ilustres doutores da Igreja Oriental, refere que os fiéis de Jerusalém, ao terem notícia do falecimento de sua Mãe querida, como a chamavam, vieram em multidão prestar-lhe as últimas homenagens e que logo se multiplicaram os milagres em redor da relíquia sagrada de seu corpo. Três dias depois chegou o Apóstolo S. Tomé, que a Providência divina parecia ter afastado, para melhor manifestar a glória de Nossa Senhora, como dele já se servira para manifestar o fato da ressurreição de Nosso Senhor. S. Tomé pediu para ver o corpo de Nossa Senhora. Quando retiraram a pedra, o corpo já não mais se encontrava. Do túmulo se exalava um perfume de suavidade celestial! Como o seu Filho e pela virtude de seu Filho, a Virgem Santa ressuscitara ao terceiro dia. Os Anjos retiraram o seu Corpo imaculado e o transportaram ao Céu, onde Ela goza de uma glória inefável. Nada é mais autêntico do que estas antigas tradições da Igreja sobre o mistério da Assunção da Mãe de Deus, encontradas nos escritos dos Santos Padres e Doutores da Igreja, dos primeiros séculos, e relatadas no Concílio geral de Calcedônia, em 451. Como Nossa Senhora era isenta do ‘pecado original’, ela estava imune à sentença de morte (conseqüência da expulsão do paraíso terrestre). Todavia, por não ter acesso à “árvore da vida” (que ficava no paraíso terrestre), Maria Santíssima teria que passar por uma “morte suave” ou uma “dormição”. Por um privilégio especial de Deus, acredita-se que Nossa Senhora não precisaria morrer se assim o desejasse, ainda que não tivesse acesso à “árvore da vida”. Tudo isso, é claro, ainda poderá ser melhor explicado com o tempo, quando a Igreja for explicitando certos mistérios relativos à Santíssima Virgem Maria que até hoje permanecem. Muito pouco ainda descobrimos sobre a grandeza de Nossa Senhora, como bem disse S. Luiz Maria G. de Montfort em seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem“.  É certo que Nossa Senhora escolheu passar pela morte, mesmo não tendo necessidade. Quais foram, então, as razões da escolha da morte por Nossa Senhora? Pode-se levantar várias hipóteses. O Pe. Júlio Maria (da década de 40) assinala quatro: 1) Para refutar, de antemão, a heresia dos que mais tarde pretenderiam que Maria Santíssima não tivesse sido uma simples criatura como nós, mas pertencesse à natureza angélica. 2) Para em tudo se assemelhar ao seu divino Filho. 3) Para não perder os merecimentos de aceitação resignada da morte. 4) Para nos servir de modelo e ensinar a bem morrer. Podemos, pois, resumir esta doutrina dizendo que Deus criou o homem mortal. Deus deu a Maria Santíssima não o direito (por não ter acesso à “Árvore da vida”), mas o privilégio, de ser imortal. Ela preferiu ser semelhante ao seu Filho, escolhendo voluntariamente a morte, e não a padecendo como castigo do pecado original que nunca tivera. Analisemos, agora, a Ressurreição de Maria Santíssima. Os Apóstolos, ao abrirem o túmulo da Mãe de Deus para satisfazer a piedade de São Tomé e ao desejo deles todos, não encontrando mais ali o corpo de Nossa Senhora, deduziram e perceberam que Ela havia ressuscitado! Não era preciso ver à ressurreição para crer no fato, era uma dedução lógica decorrente das circunstâncias celestiais de sua morte, de sua santidade, da dignidade de Mãe de Deus, da sua Imaculada Conceição, da sua união com o Redentor, tudo isso constituía uma prova irrefutável da Assunção de Nossa Senhora. A Assunção difere da ascensão de Nosso Senhor no fato de que, no segundo caso, Nosso Senhor subiu por seu próprio poder, enquanto sua Mãe foi assunta ao Céu pelo poder de Deus. Ora, há vários argumentos racionais em favor da Assunção de Nossa Senhora. Primeiramente, havendo entrado de modo sobrenatural nesta vida, seria normal que saísse de forma sobrenatural, esse é um princípio de harmonia nos atos de Deus. Se Deus a quis privilegiar com a Imaculada Conceição, tanto mais normal seria completar o ato na morte gloriosa. Depois, a morte, como diz o ditado latino: “Talis vita, finis ita“, é um eco da vida. Se Deus guardou vários santos da podridão do túmulo, tornando os seus corpos incorruptos, muito mais deveria ter feito pelo corpo que o guardou durante nove meses, pela pele que o revestiu em sua natureza humana, etc. Nosso Senhor tomou a humanidade do corpo de sua Mãe. Sua carne era a carne de sua Mãe, seu sangue era o sangue de sua Mãe, etc. Como permitir que sua carne, presente na carne de sua santíssima Mãe, fosse corrompida pelos vermes e tragada pela terra? Ele que nasceu das entranhas amorosíssimas de Maria Santíssima permitiria que essas mesmas entranhas sofressem a podridão do túmulo e o esquecimento da morte? Seria tentar contra o amor filial mais perfeito que a terra já conheceu. Seria romper com o quarto mandamento da Lei de Deus, que estabelece “Honrar Pai e Mãe“. Qual filho, podendo, não preservaria sua Mãe da morte? A dignidade de Filho de Deus feito homem exigia que não deixasse no túmulo Aquela de quem recebera o seu Corpo sagrado. Nosso Senhor Jesus Cristo, por assim dizer, preservando o corpo de Maria Santíssima, preservava a sua própria carne. Ainda podemos levantar o argumento da relação imediata da paixão do Filho de Deus e da compaixão da Mãe de Deus, promulgada, de modo enérgico, no Evangelho, pela profecia de S. Simeão falando à própria Mãe: “Eis que este menino está posto para a ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada transpassará a tua alma” (Luc. 2, 34, 45). Esta tradução em vernáculo (português, no caso) é larga. O texto latino (em latim) tem uma variante que parece ir além do texto em português. “Et tuam ipsius animam pertransibit glaudius” – o que quer dizer literalmente: o mesmo gládio transpassará a alma dele e a vossa. Como seria possível que o Filho, tendo sido unido à sua Mãe em toda a sua vida, na sua infância e na sua dor, não se unisse à Ela na sua glória? Tudo isso se levanta dos Evangelhos. A Assunção de Maria Santíssima foi sempre ensinada em todas as escolas de  teologia e não há voz discordante entre os Doutores. A Assunção é como uma conseqüência da encarnação do Verbo. Se a Virgem Imaculada recebeu outrora o Salvador Jesus Cristo, é justo que o Salvador, por sua vez, A receba. Não tendo Nosso Senhor desdenhado descer ao seu seio puríssimo, deve elevá-la agora, para partilhar com Ela a sua glória. Cristo recebeu sua vida terrena das mãos de Maria Santíssima. Natural é que Ela receba a Vida Eterna das mãos de seu divino Filho. Além de conservar a harmonia em sua própria obra, Deus devia continuar favorecendo a Virgem Imaculada, como Ele o fez, desde a predestinação até a hora de sua morte. Ora, podendo preservar da corrupção do túmulo a sua santa Mãe, tendo poder para fazê-la ressuscitar e para levá-la ao Céu em corpo e alma, Deus devia fazê-lo, pois  Ele devia coroar na glória aquela que já coroara na terra… Dessa forma, a Santíssima Mãe de Deus continuava a ser na glória eterna o que já fora na terra: “a Mãe de Deus e a Mãe dos homens“. Tal se nos mostra Maria na glória celestial, como cantava o Rei de sua Mãe, assim canta Deus de Nossa Senhora: “Sentada à direita de seu Filho querido” (3 Reis, 2, 19), “revestida do sol” (Apoc. 12, 1), cercada de glória “como a glória do Filho único de Deus” (Jo. 1, 14), pois é a mesma glória que envolve o Filho e a Mãe! Ele nos aparece tão belo! E ela como se nos apresenta suave e terna em seu sorriso de Mãe, estendendo-nos os braços, num convite amoroso, para que vamos a Ela e possamos um dia partilhar de sua bem-aventurança! 


Fonte: site Lepanto www.mariamaedaigreja.net

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Quarentena de São Miguel Arcanjo

Quarentena
de 15 de agosto a 29 de setembro (Festa de São Miguel)


A Quarentena é muito simples. Todos os dias, a partir de 15 de agosto até o dia de São Miguel em 29 de setembro,

rezar diante do Santíssimo Sacramento o que vamos sugerir abaixo:

* Acender uma vela abençoada.
* Oferecer uma penitência.
* Fazer o sinal da cruz.
* Rezar a oração inicial.
* Rezar a Ladainha de São Miguel.
* Rezar a Ladainha do Preciosíssimo Sangue
* E por fim, rezar a Consagração a São Miguel e o Rosário de São Miguel (ou dos Anjos)
Se, por algum motivo, não ouver possibilidade de se fazer diante do Santíssimo Sacramento,
pode-se fazer diante de uma imagem ou estampa de São Miguel.
É no altar do coração que devemos rezar estes 40 dias.

Oração Inicial
"São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio.
Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina,
precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém".
"Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém".

Ladainha de São Miguel
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja Militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja Triunfante, rogai por nós.
São Miguel, Luz dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, baluarte dos Cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da Cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós.
São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja de Cristo,
para que sejamos dignos de Suas promessas. Amém.

Oração
Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova, e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel,
esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do Céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade.
Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos. Amém.

Ladainha do Preciosíssimo Sangue
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, redentor do mundo tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Sangue de Cristo, Sangue do Filho Unigênito do Eterno Pai, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Verbo de Deus encarnado, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos.
Sangue de Cristo, correndo pela terra na agonia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, manando abundante na flagelação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, gotejando na coroação de espinhos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, derramado na cruz, salvai-nos.
Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, sem o qual não pode haver redenção, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que apagais a sede das almas e as purificais na Eucaristia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, salvai-nos.
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos.
Sangue de Cristo, virtude dos confessores, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens, salvai-nos.
Sangue de Cristo, força dos tentados, salvai-nos.
Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham, salvai-nos.
Sangue de Cristo, consolação dos que choram, salvai-nos.
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos.
Sangue de Cristo, conforto dos moribundos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos.
Sangue de Cristo, penhor de eterna vida, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos.
Sangue de Cristo, digno de toda a honra e glória, salvai-nos.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor.
V. Remistes-nos, Senhor com o Vosso Sangue.
R. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus.
Oremos:
Todo-Poderoso e Eterno Deus, que constituístes o Vosso Unigênito Filho, Redentor do mundo,

e quisestes ser aplacado com o seu Sangue, concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação
e de encontrar, na virtude que Ele contém, defesa contra os males da vida presente, de tal modo
que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu. Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. Assim seja.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida pelos seus amigos



A partir de hoje a Igreja deseja chamar "Santo" um homem a quem foi concedido realizar de maneira absolutamente literal as referidas palavras do Redentor.

De fato, no final de Julho de 1941, quando por ordem do chefe do campo foram colocados em fila os prisioneiros destinados a morrer de fome, este homem, Maximiliano Maria Kolbe, apresentou-se espontaneamente, declarando-se pronto a morrer em substituição a um deles. Esta disponibilidade foi acolhida, e ao Padre Maximiliano, após mais de duas semanas de tormentos por causa da fome, foi enfim tirada a vida com uma injeção mortal, a 14 de Agosto de 1941.

Tudo isto ocorreu no campo de concentração de Auschwitz, onde foram levadas à morte durante a última guerra cerca de quatro milhões de pessoas, entre as quais também a Serva de Deus Edite Stein (a carmelitana Irmã Teresa Benedita da Cruz), cuja causa de Beatificação está em andamento junto da competente Congregação. A desobediência a Deus, Criador da vida, que disse "não matarás", causou nesse lugar o imenso morticínio de tantos inocentes Contemporaneamente, então, a nossa época permaneceu assinalada de maneira tão horrível pelo extermínio do homem inocente.


Frei Maximiliano Kolbe, sendo também ele um prisioneiro do campo de concentração, reivindicou, em lugar da morte, o direito à vida de um homem inocente, um dos quatro milhões. Este homem (Francisco Gajowniczek) vive ainda e está presente entre nós. Frei Kolbe reivindicou em favor dele o direito à vida, ao declarar a disponibilidade de morrer em lugar dele, porque era um pai de família e a sua vida era necessária aos seus entes queridos. Frei Maximiliano Maria Kolbe reafirmou assim o direito exclusivo do Criador à vida do homem inocente e deu testemunho a Cristo e ao amor. Escreve de fato o apóstolo João: "Nisto conhecemos a caridade: Ele (Jesus) deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos" (1 Jo3, 16).

Dando a sua vida por um irmão,  Frei Maximiliano, que a Igreja já desde 1971 venera como "beato", de modo particular tornou-se semelhante a Cristo.

Nós, portanto, que hoje, domingo 10 de Outubro, nos reunimos diante da basílica de São Pedro em Roma, desejamos exprimir o especial valor que aos olhos de Deus tem a morte por martírio do  Frei  Maximiliano Kolbe:

"É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus fiéis" (Sl 115/116 15), assim repetimos no salmo responsorial. Verdadeiramente é preciosa e inestimável! Mediante a morte que Cristo sofreu na Cruz completou-se a redenção do mundo pois esta morte tem o valor do amor supremo. Mediante a morte, sofrida pelo  Frei Maximiliano Kolbe, um límpido sinal deste amor foi renovado no nosso século, que em grau tão elevado e de múltiplos modos é ameaçado pelo pecado e pela morte.

Eis que, nesta solene liturgia da canonização, parece apresentar-se entre nós aquele "mártir do amor" de Oswiecim (como o chamou Paulo VI) e dizer:

"eu sou Vosso servo, Senhor, sou Vosso servo nascido da Vossa serva, a quem quebrastes as cadeiras" (Sl 115/116, 16).

E, quase recolhendo num só o sacrifício de toda a sua vida, ele, sacerdote e filho espiritual de São Francisco, parece dizer:

"Que darei eu ao Senhor por todos os Seus benefícios?

Elevarei o cálice da salvação invocando o nome do Senhor" (Sl 115/116, 12 s.).

São, estas, palavras de gratidão. A morte sofrida por amor, em lugar do irmão, é um ato heróico do homem mediante o qual, juntamente com o novo Santo, glorificamos a Deus. D'Ele de fato provém a Graça de tal heroísmo, deste martírio.

Glorificamos portanto, hoje, a grande obra de Deus no homem. Diante de todos nós, aqui reunidos,  Frei Maximiliano Kolbe eleva o seu "cálice da salvação", no qual está contido o sacrifício de toda a sua vida, ratificada com a morte de mártir "por um irmão".

Para este definitivo sacrifício, Maximiliano preparou-se seguindo a Cristo desde os primeiros anos da sua vida na Polônia. Daqueles anos provém o misterioso sonho de duas cordas: uma branca e outra vermelha, entre as quais o nosso santo não escolhe, mas aceita as duas. Desde os anos da juventude, de fato, permeava-o um grande amor por Cristo e o desejo do martírio.

Este amor e este martírio acompanharam-no na vocação franciscana e sacerdotal, para a qual se preparava tanto na Polônia como em Roma. Este amor e este desejo seguiram-no através de todos os lugares do serviço sacerdotal e franciscano na Polônia, e também do serviço missionário no Japão.

A inspiração de toda a sua vida foi a Imaculada, à qual confiava o seu amor por Cristo e o seu desejo de martírio. No mistério da Imaculada Conceição manifestava-se diante dos olhos da sua alma aquele mundo maravilhoso e sobrenatural da Graça de Deus oferecida ao homem. A fé e as obras de toda a vida do Padre Maximiliano indicam que ele entendia a sua colaboração com a Graça divina como uma milícia sob o sinal da Imaculada Conceição. A característica mariana é particularmente expressiva na vida e na santidade do  Frei Kolbe. Com esta característica foi marcado também todo o seu apostolado, tanto na Pátria como nas missões. Na Polônia e no Japão foram centro deste apostolado as especiais cidades da Imaculada ("Niepokalanow" polaco, "Mugenzai no Sono" japonês).

Que aconteceu no Bunker da fome no campo de concentração em Oswiecim (Auschwitz), a 14 de Agosto de 1941?

A isto responde a presente liturgia: "Deus provou" Maximiliano Maria "e achou-o digno de Si" (cf. Sab 3, 5). Provou-o "como ouro na fornalha e aceitou-o como holocausto" (cf. Sab 3, 6).

Embora "aos olhos dos homens tenha sido atormentado", todavia "a sua esperança está cheia de imortalidade", pois "as almas dos justos estão na mão de Deus e nenhum tormento as tocará". E quando, humanamente falando, lhes chegam o tormento e a morte, quando "aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos...", quando "a sua saída deste mundo é considerada uma desgraça...", "eles estão em paz": eles experimentam a vida e a glória "na mão de Deus" (cf. Sab 3, 1-4).

Tal vida é fruto da morte à semelhança da morte de Cristo. A glória é a participação na Sua ressurreição.

Que aconteceu, então, no Bunker da fome, no dia 14 de Agosto de 1941?

Cumpriram-se as palavras dirigidas por Cristo aos Apóstolos para que "fossem e dessem fruto e o seu fruto permanecesse" (cf. Jo 15, 16).

De modo admirável perdura na Igreja e no mundo o fruto da morte heróica de Maximiliano Kolbe!

Para quanto ocorreu no campo de "Auschwitz" olhavam os homens. E embora aos olhos deles devesse parecer que "tivesse morrido" um companheiro de tormento, e de maneira humana pudessem considerar "a sua saída" como "uma desgraça", todavia na consciência deles esta não era simplesmente "a morte".

Maximiliano não morreu, mas "deu a vida... pelo irmão".

Manifestava-se nesta morte, terrível sob o ponto de vista humano, toda a definitiva grandeza do ato humano e da escolha humana: ele, por amor, ofereceu-se espontaneamente à morte.

E nesta sua morte humana manifestava-se o transparente testemunho dado a Cristo:

O testemunho dado em Cristo à dignidade do homem, à santidade da sua vida e à força salvífica da morte, na qual se manifesta o poder do amor.

Precisamente por isto a morte de Maximiliano Kolbe se tornou um sinal de vitória. Foi esta a vitória alcançada sobre o inteiro sistema do desprezo e do ódio para com o homem e o que é divino no homem, vitória semelhante àquela obtida por Nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário.

"Vós sereis Meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando" (Jo 15,14).

A Igreja aceita este sinal de vitória, obtida mediante a força da Redenção de Cristo, com veneração e gratidão. Procura decifrar a sua eloquência com toda a humildade e amor.

Como sempre, quando proclama a santidade dos seus filhos e das suas filhas, assim também neste caso, ela procura agir com toda a precisão e a responsabilidade devidas, penetrando em todos os aspectos da vida e da morte do Servo de Deus.

Todavia a Igreja deve, ao mesmo tempo, estar atenta, entendendo o sinal da santidade dado por Deus no seu Servo terreno, para não deixar perderem-se a sua plena eloquência e o seu significado definitivo.

E por isso, ao julgar a causa do Beato Maximiliano Kolbe tiveram de ser tomadas em consideração — já depois da beatificação — as inúmeras vozes do Povo de Deus, e sobretudo dos nossos Irmãos no episcopado, tanto da Polônia como também da Alemanha, que pediam fosse Maximiliano Kolbe proclamado santo como mártir.

Diante da eloquência da vida e da morte do Beato Maximiliano, não se pode não reconhecer oque parece constituir o principal e essencial conteúdo do sinal dado por Deus à Igreja e ao mundo na sua morte.

Não constitui esta morte enfrentada espontaneamente, por amor ao homem, um particular cumprimento das palavras de Cristo?

Não torna ela Maximiliano particularmente semelhante a Cristo, Modelo de todos os Mártires, que na Cruz dá a própria vida pelos irmãos?

Não possui precisamente tal morte uma especial e penetrante eloquência para a nossa época?

Não constitui ela um testemunho particularmente autêntico da Igreja no mundo contemporâneo?

E por isso, em virtude da minha autoridade apostólica decretei que Maximiliano Maria Kolbe, venerado que era como Confessor a partir da Beatificação, fosse de agora em diante venerado também como Mártir!

"É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus fiéis!" Amém. T

domingo, 11 de agosto de 2013

Santa Clara e Francisco - Filme

O tesouro do reino

Esta liturgia quer suscitar em nós o espírito de constante vigilância e serviço, tendo o coração voltado para Deus.O reino que ele nos oferece por meio de seu Filho é o verdadeiro tesouro que os ladrões não roubam nem a traça corrói. Com confiança e fé,celebremos em comunhão com os vocacionados para a vida em família, especialmente com nossos pais.

Jesus nos convida hoje a ajuntar um tesouro no céu e a fortalecer a fé no Deus que deseja dar-nos seu reino.
Se, diante da violência, da tragédia, da doença e da morte, o medo paralisa, a confiança em Deus faz ir além, pois ter fé é dar espaço para que Deus aja em nós e nos outros.
Esse reino que Deus quer nos dar, nós o vamos descobrindo já aqui, à medida que nos decidimos a agir de acordo com aquilo que o Mestre nos ensinou, à medida que nos decidimos a ajuntar um tesouro que não é dinheiro e não são bens materiais, mas ações de bondade que levamos para a eternidade.
E as palavras de Jesus nos levam a perguntar onde estará hoje o nosso coração. O coração, para o povo da Bíblia, representa o interior mais profundo, onde sentimos e sobretudo decidimos. Onde está o nosso coração? Que tipo de decisão tomamos no dia a dia? Que tesouro estamos construindo em nossa passagem por este mundo?
O tesouro de que Jesus fala é o próprio reino de Deus acontecendo em nós, quando agimos com fidelidade, na esperança do retorno definitivo do Senhor. Não podemos saber quando será nosso encontro definitivo com Deus, mas só com a lâmpada acesa da fé e preparados em atitude de serviço (rins cingidos) podremos abrir-lhe sem medo a porta de nossa vida quando for o momento.
E então o Senhor entrará e transforará nossa vida num eterno banquete, que ele mesmo servirá. Deus resgatará então nossos gestos de serviço, pequenos que sejam, e, mostrando-se mais uma vez, ele mesmo, servidor, nos tornará plenos com sua graça.
Até lá, o desafio é continuar vencendo o medo que nos deixa paralisados diante da violência e do mal no mundo: até lá, continuemos vigilantes, em atitude de serviço e doação da vida aos mais necessitados. Felizes seremos, então, pois o Senhor terá encontrado o tesouro do seu reino em nosso coração.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre o evangelho deste domingo 11/08/2013



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Edith Stein (Santa Benedita da Cruz) - Filme Completo e Legendado

Santa Tereza Benedita da Cruz (Edith Stein)

Edith Stein, a caçula de uma numerosa família hebraica, nasceu em 12 de outubro de 1891 em Breslau, Alemanha. Antes de completar dois anos ficou órfã de pai. A pequena Edith era de temperamento forte, vivaz e independente.
Ademais, demonstrava uma inteligência muito precoce, que lhe proporcionou o primeiro lugar da classe durante toda a sua vida escolar. Crescendo numa família praticante da religião judaica, ela acreditava em Deus e a Ele dirigia suas preces.
Jovem filósofa à procura da Verdade
Porém, ao atingir a adolescência, perdeu a fé na existência de Deus, parou de rezar e abandonou os estudos. Ela própria relatou mais tarde: "Com plena consciência e por livre decisão, deixei de rezar. Meus anseios de conhecer a Verdade eram minha única oração."
Aos 14 anos, decidiu retomar os estudos colegiais, para ingressar na universidade. E em 1911 matriculou-se, não em um, mas em três cursos: Filosofia, Língua Alemã e História. Naquela época era pouco comum uma mulher cursar a universidade, menos ainda ver uma jovem de 20 anos seguir três cursos ao mesmo tempo!
Todas as preferências de Edith eram para a Filosofia. Assim, mudou-se em 1913 para Göttingen a fim de assistir às aulas de Edmund Husserl, considerado o mais importante filósofo alemão da época.
Essa jovem estudante parecia haver sucumbido de todo na crise da fé, pois até já se declarava atéia. Mas, por paradoxal que pareça, ela continuava como uma incansável peregrina à procura da Verdade.
 Descobre a oração do Pai-Nosso
E a Divina Providência, por seu lado, a guiava por caminhos misteriosos cada vez para mais perto de Deus, a Verdade Absoluta.
Afinal, Deus, o que é? Essa Verdade última, pela qual pautei minha vida, em que consiste? Qual o sentido do sofrimento? Como se explica o mal? Questões como essas povoavam a mente inquieta de Edith. Anos depois ela afirmou: "O estudo da filosofia é um contínuo caminhar à beira do abismo". E acrescentou: "Eu vivia no ingênuo auto-engano de que tudo em mim estava correto, como é freqüente em pessoas sem fé, que vivem num tenso idealismo ético".
Encontrava-se ela nessa situação interior quando, por volta de 1914, fez uma análise do Pai-Nosso, não do ponto de vista religioso, mas estudando a etimologia alemã. Ficou muito impressionada com essa oração, e a repassou várias vezes.
Nessa mesma época, Edith travou conhecimento com Adolf Reinach, judeu e discípulo de Husserl, como ela. Também ele buscava a Verdade com fervor e probidade. Logo se formou entre ambos uma sincera amizade, da qual participava também sua esposa Anna. Ora, o casal Reinach estava, por assim dizer, nas vésperas de sua conversão ao Catolicismo, e isso teria em breve uma especial repercussão sobre Edith.
Enfermeira voluntária
Nesse ano de 1914, as atividades intelectuais na Alemanha sofreram um forte abalo com o início da Primeira Guerra Mundial. Edith voltou para Breslau e alistou-se como enfermeira voluntária. "Agora não tenho vida própria - todas as minhas forças pertencem a esse grande acontecimento. Quando a guerra terminar, e se eu ainda continuar viva, poderei pensar em meus assuntos privados." Fez um curso de Enfermagem e foi destacada para ser vir num hospital militar, onde, além de prestar assistência na sala de cirurgias, ficou encarregada dos doentes de tifo. Por sua disponibilidade em serviço e sua dedicação aos enfermos, especialmente os moribundos, recebeu a medalha de honra da Cruz Vermelha.
Esse hospital foi fechado e ela mudou-se para Friburgo, onde fez o curso de doutorado em Filosofia, obtendo aprovação summa cum laude (máxima com louvor).
A força do exemplo
Pouco tempo depois, a Providência lhe pôs diante dos olhos dois episódios que, como flashes fotográficos, iluminaram a alma dessa jovem doutora a caminho da conversão.
Certo dia, visitando a Catedral de Friburgo com objetivo meramente turístico, ela v iu entrar uma mulher com sua cesta de compras e ajoelhar-se para fazer uma breve oração."Isso era algo completamente novo par a mim, pois eu só entrava em sinagogas e em igrejas protestantes p ara o culto religioso comunitário. Ali , em contra partida, estava alguém que acudia a uma igreja vazia em meio às ocupações diárias, como que para um diálogo confidencial com Deus . Disso nunca me esqueci" - relatou ela.
A outra cena deu-se na casa de um camponês católico onde ela se hospedara durante um passeio. Causoulhe profunda impressão ver esse pai de família fazer pela manhã uma oração com os seus empregados, antes de irem para os trabalhos do campo.
Enfim, a conversão
Adolf Reinach - o amigo de Edith que, como ela, estava à busca da Verdade - faleceu em 1917. Visitando a viúva, Anna Reinach, surpreendeuse ao vê-la cheia de paz e serenidade, com mais esperança que sofrimento! Ficou atônita e, ao mesmo tempo, maravilhada quando esta lhe comunicou sua conversão e lhe explicou o papel da Cruz de Cristo. "Esse foi o meu primeiro encontro com a Cruz e com a força divina que ela transmite aos que a carregam. Foi o momento em que a minha descrença desmoronou" - confidenciou mais tarde.
Por volta de 1918, Edith leu os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, por mero interesse acadêmico. Entretanto, ao perceber a densa espiritualidade contida nessa obra, fez os trinta dias de meditações, no fim dos quais desejou ardentemente se tornar católica. Todavia, precisou vencer ainda algumas batalhas interiores antes de chegar à c onversão definitiva.
Esta chegou no verão de 1921. Edith foi convidada a passar algumas semanas na casa de campo de uma amiga em Bergzabern, perto de Spira. Certo dia, estando só na casa, apanhou ao acaso um livro na estante. Deus lhe punha nas mãos a "Vida de Santa Teresa de Ávila, escrita por ela mesma". "Comecei a ler e fiquei tão arrebatada que não consegui parar até terminá-lo. Quando o fechei, disse comigo mesma: ‘Esta é a Verdade!'"
Depois de procurar em vão a Verdade nos livros e nos raciocínios filosóficos, ela a encontrou na história palpitante de amor da grande mística reformadora do Carmelo, cujo exemplo perfumava ainda as almas, cinco séculos após sua morte.
No dia seguinte, ela comprou o Catecismo e o Missal e, depois de estudar meticulosamente o conteúdo desses livros, foi pela Sta Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein.jpgprimeira vez assistir a uma Missa, após a qual procurou o Pároco e pediu o Batismo, que lhe foi conferido poucos meses depois, no dia 1º de janeiro de 1922.
Professora apostólica
Não foi por mero acaso que a Virgem Maria pôs nas mãos dessa alma de escol a autobiografia da grande Santa Teresa. Já no dia de sua conversão ela sentiu-se de tal forma chamada à vida contemplativa na Ordem do Carmo que logo relegou todas as ambições mundanas e passou a levar uma vida de carmelita, tanto quanto lhe permitiam as circunstâncias.
Entretanto, seu diretor espiritual, Mons. Canon Schwind, julgou mais proveitoso para a Igreja que ela empregasse seus talentos no apostolado leigo, e convidou-a a lecionar Alemão e História no Instituto de Educação de Santa Maria Madalena, em Spira. Ela fez então in pectore os votos de pobreza, obediência e castidade e tornou- se professora. A Fräulein Doktor (Senhorita Doutora), como ficou conhecida, expressava-se com perfeição em seis idiomas. Conhecia e traduzia com facilidade as obras de São Tomás de Aquino.
No entanto, mais do que lecionar, ela se empenhava em "ajudar as alunas a moldar a vida no espírito de Cristo". E, persuadida de que "Frei Exemplo é o melhor pregador", fazia seu apostolado principalmente através de uma autêntica vida de piedade: passava horas ajoelhada ante Jesus Sacramentado, como se nada mais existisse no mundo, e tinha uma profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem Maria.
Conferencista e catedrática
Entre 1928 e 1933, por iniciativa de um insigne sacerdote, percorreu a Europa, fazendo conferências sobre o papel da mulher católica na família e na sociedade, apresentando como modelo Maria, a Virgem Mãe. Em 1932 foi nomeada para a Cátedra de Antropologia no Instituto Alemão de Pedagogia Científica, de Münster. Nessa época, porém, sopravam já os maléficos ventos do nazismo, de modo que pouco tempo depois ela perdeu o posto, devido à sua ascendência judaica.
 Uma noviça a caminho da santidade
Se para ela essa demissão arbitrária foi um bem ou um mal, não vem ao caso analisar neste artigo. O fato concreto é que no dia 14 de outubro de 1933 ela ingressou no Carmelo de Colônia. Em abril de 1934, recebeu o hábito carmelitano. Edith Stein estava morta para este mundo, nascia uma nova esposa de Cristo, Irmã Teresa Benedita da Cruz.
Não lhe correu fácil o noviciado, tendo ela já 43 anos, e entre as freiras sua ciência filosófica pouco valia. Ademais, o trabalho manual era parte importante da vida monástica e Irmã Teresa era muito desajeitada... A mestra de noviças não deixava de repreendêla nas ocasiões oportunas, e ela nunca se mostrou ressentida. Pelo contrário, sabia que esses pequenos sacrifícios faziam parte de sua caminhada rumo à santificação, e aceitava tudo com serenidade.
O falecimento de sua mãe, em 1936, deixou sua irmã Rosa livre para receber o Batismo, que desejavSanta Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein.jpga ardentemente, e ser acolhida como terciária carmelita no mesmo mosteiro de Colônia. As duas irmãs permanecerão unidas até a morte.
"Os judeus católicos, nossos piores inimigos"
Na segunda metade da década de 1930, acentuava-se cada dia mais o antagonismo entre o partido nazista e o ensinamento da doutrina católica. O governo encabeçado por Hitler perseguia disfarçadamente a Igreja. Quando, em 1937, o Papa Pio XI condenou de maneira contundente o nacional- socialismo através da Encíclica Mit brennender Sorge (Com ardente preocupação), cresceu a animadversão dos hitleristas: acentuou-se a campanha anticlerical, muitos bispos foram agredidos em público e milhares de fiéis foram deportados para os campos de concentração.
Para evitar que o Carmelo de Colônia corresse perigo por sua presença, Irmã Teresa Benedita pediu transferência para algum convento fora da Alemanha. Antes de ser atendido esse seu pedido, delegados do governo nazista violaram a clausura do mosteiro, à sua procura. À vista disso, ela foi transferida às pressas para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano e meio depois, sua irmã Rosa foi se juntar a ela.
Em julho de 1942, os Bispos holandeses tomaram posição formal contra os nazistas, em defesa dos judeus injustamente perseguidos. O revide do regime nazista não se fez esperar. No dia 2 de agosto, agentes da Gestapo arrancaram do convento as duas irmãs, que foram deportadas para o campo de concentração de Westerbork, norte da Holanda, juntamente com outros 242 judeus católicos. O comissário geral Schmidt, reconheceu de público que essa tirânica medida tinha sido tomada como retaliação à corajosa atitude do Episcopado: "Como o clero católico não se deixa dissuadir por nenhuma negociação, vemo-nos forçados a considerar os judeus católicos como os nossos piores inimigos e, por essa razão, a deportá-los para o Leste o mais depressa possível".
Parecia uma imagem da "Pietà" sem o Cristo
Compreende-se facilmente o desânimo e mesmo o desespero desses infelizes, arrancados com brutalidade de seus lares e transportados em vagões de carga para um campo de concentração. Irmã Teresa, porém, não se deixou abater. Nos poucos dias em que ali permaneceu, manteve-se galhardamente trajada com seu hábito de carmelita, a todos impressionando pela sua fortaleza de ânimo, serenidade e recolhimento. Todo o tempo em que a "Freira Alemã", como era chamada, não passava em oração, ela o empregava em consolar os aflitos, confortar as mulheres e cuidar das crianças. Ela era uma "Pietà sem Cristo" - declarou uma testemunha sobrevivente.
Morta por ódio à Fé católica
Em 7 de agosto, os esbirros do governo embarcaram Sor Teresa Benedita e sua irmã Rosa - juntamente com centenas de outros judeus - em um trem rumo ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Uma tétrica viagem de quase três dias, sem água e sem alimentos. Logo na chegada, no dia 9, foram mortas na câmara de gás e em seguida seus corpos foram cremados e as cinzas espalhadas pelos campos.
Edith Stein morreu vítima do odium fidei do regime hitleriano. O Pe. Hopster, SVD, afirma isso claramente: "Após ter ouvido as explicações do comissário Schmidt, pode-se declarar que os religiosos presos nesta ocasião foram mortos em testemunho da Fé. Sua prisão foi efetuada por ódio às palavras de nossos bispos. Eram, pois, os bispos e a Igreja os visados e atingidos com a deportação dos religiosos e católicos de origem judaica".
Somente em 1947 as carmelitas de Echt e Colônia tiveram notícia segura a respeito da morte de Santa Teresa Benedita da Cruz, e puderam transmiti- la às demais casas da Ordem: "Não mais a procuremos sobre a terra, mas junto de Deus a quem foi agradável o seu sacrifício, fazendo-o frutificar em favor do povo pelo qual rezou, sofreu e morreu".
 A conclusão do livro "A Ciência da Cruz"
Todos os momentos livres de sua vida de carmelita, e também parte da noite, Sor Teresa Benedita os dedicava à redação da obra "A Ciência da Cruz", que lhe tinha sido encomendada para assinalar o quarto centenário do nascimento de São João da Cruz. Contudo, não logrou terminá-la. Ou melhor, ela a concluiu sim, mas não por escrito: a conclusão se efetivou com a entrega de sua própria vida. Da mesma forma que a Verdade eterna se manifestou ao mundo plenamente num Homem, Jesus, e não escrita num livro.
Dela se pode dizer o que afirmou de si próprio o Apóstolo dos Gentios: combateu o bom combate, recebeu a coroa de glória. Foi canonizada em 1998 e, no ano seguinte, proclamada co-padroeira da Europa, junto com Santa Brígida e Santa Catarina de Sena.
(Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2005, n. 44, p. 34 à 37)

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