domingo, 25 de agosto de 2013

A porta estreita

A especulação sobre o número dos que se salvam não é novidade. Jesus também foi questionado sobre isso, e sua resposta deixa claro: em vez de especular sobre a quantidade dos que serão salvos, é fundamental esforçar-se para entrar por uma porta estreita, enquanto é tempo.
Trata-se, bem sabemos, de entrar na vida eterna, na plenitude do reino de Deus, no convívio dos que com o Senhor têm tudo para sempre. Até lá, agora é o tempo que temos para agir, para encontrar a porta estreita que leva à eternidade. Uma porta estreita que podemos chamar de justiça, misericórdia, fraternidade. O capítulo sexto do Evangelho de Lucas mostra quem nos conduz a essa porta: os pobres, os famintos,os tristes e os perseguidos. Indo a eles, chegamos à porta estreita. Estando com eles, sendo solidários com eles, poderemos atravessar a porta estreita, tendo deixado cair de nossa vida aquilo que é supérfluo e pesa no caminho: posses, títulos, arrogâncias, preconceitos e tudo mais.
É que desta vida nada se leva, senão o amor que aqui tivermos vivido. Jesus, aliás, alerta-nos sobre o possível mal-entendido, que seria fatal: podemos praticar a injustiça acreditando estar na presença de Jesus, acreditando estar fazendo o bem. Um alerta contra a auto-suficiência, contra o orgulho de nos considerarmos religiosos e de pensarmos que temos méritos diante de Deus. Pois, se a justiça que desejamos não se traduz em gestos concretos de amor misericordioso, então é apenas aparência, não é a justiça do reino de Deus, não nos leva à porta estreita.
Nosso Deus é o Deus pleno de misericórdia. A misericórdia exigente da porta estreita, que requer esforço para ser descoberta e alcançada e para não ser confundida com tantos portões abertos diante de nós, os largos portões do descompromisso e do menor esforço.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp sobre e evangelho deste domingo. 25/08/2013

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ESTE BLOG É DEDICADO À:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...