segunda-feira, 30 de março de 2015

Entreguemos aos pés de Jesus o melhor de nós

Não levemos para Deus nossas sobras e migalhas. Entreguemos aos pés de Jesus sempre o melhor de nós, do nosso coração, da nossa alma e do que temos e somos!
“Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos” (João 12, 3).
Amados irmãos e irmãs, nesta semana tão santa, Semana Maior do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição gloriosa de Jesus, nós queremos começar aos pés do Mestre. Ele que havia seis dias de Sua Páscoa estava na casa de Marta, de Maria e de Lázaro, seus amigos.
Você vai recordar que Maria sempre se colocava aos pés do Mestre para escutá-Lo e, naquele momento, também para ungi-Lo e prestar-Lhe o verdadeiro culto. No entanto, talvez tenha parecido um gesto escandaloso, porque o perfume de nardo, puríssimo e muito caro, usado por Maria, poderia ter sido usado para outra coisa. Contudo, para o Senhor se usa e se dá sempre o melhor: o melhor de nós, do nosso coração, da nossa alma, daquilo que temos e somos! Não vamos até Deus com nossas sobras e migalhas; levamos aos pés do Senhor aquilo que somos e temos: nossa vida e nosso coração.
Não é o tempo que sobra que damos a Deus, é o melhor do nosso tempo, é o melhor da nossa qualidade! Do que nós precisamos é estar aos pés do Senhor, adorando-O, glorificando-O, exaltando-O, sofrendo com Ele e caminhando com Ele rumo a Jerusalém. E na Sua Paixão e Morte, adorando o Seu corpo, mesmo que desfigurado, porque Jesus desfigurado é o mesmo Jesus glorioso.
Por isso hoje nós queremos nos colocar aos pés do Mestre para dar a Ele o melhor de nós! Quando Ele nasceu os reis magos Lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. Agora que Ele está prestes a morrer está Maria aos Seus pés dando-Lhe o melhor perfume, porque para Deus toda a dignidade, toda a riqueza e toda a beleza para o culto d’Aquele que é o nosso Deus.
Nós O adoramos, Senhor, O exaltamos, glorificamos e bendizemos! No entanto, não pode haver contraste entre o Cristo, de quem nós cuidamos nas capelas, nos altares, em nossas igrejas e nas roupas litúrgicas, e o Cristo que sofre nas ruas, nas portas de nossas casas e onde nós vivemos. Como disse o Senhor, os pobres nós sempre teremos no meio de nós (cf. João 12, 8), porque cada pobre é o rosto de Cristo desfigurado.
Cuidemos do Cristo que está em nossas igrejas e entre nós nos altares. E também do Cristo que entre nós em nossos irmãos, sobretudo, nos mais pobres, nos mais sofridos e nos mais necessitados.
Cristo quer ser honrado com a nossa adoração no altar; da mesma forma, Ele quer ser cuidado na pessoa daqueles que mais sofrem e necessitam do Seu amor, da Sua bondade e da nossa solidariedade humana!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/entreguemos-aos-pes-de-jesus-o-melhor-de-nos/

domingo, 29 de março de 2015

A importância do Domingo de Ramos

A entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações
A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho – o símbolo da humildade – e aclamado pelo povo simples, que O aplaudia como “Aquele que vem em nome do Senhor”. Esse povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia havia poucos dias e estava maravilhado. Ele tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos profetas; mas esse mesmo povo tinha se enganado no tipo de Messias que Cristo era. Pensavam que fosse um Messias político, libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.
Domingo de Ramos
Para deixar claro a este povo que Ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande Libertador do pecado, a raiz de todos os males, então, o Senhor entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho; expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo! Dessa forma, o Domingo de Ramos dá o início à Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras.
Esses ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas”. Os ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja, defensores da fé católica, especialmente nestes tempos difíceis em que esta é desvalorizada e espezinhada. Os ramos sagrados que levamos para nossas casas, após a Missa, lembram-nos de que estamos unidos a Cristo na mesma luta pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.

O sentido da Procissão de Ramos é mostrar essa peregrinação sobre a terra que cada cristão realiza a caminho da vida eterna com Deus. Ela nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo tão passageiro, tão transitório, que se gasta tão rapidamente. E nos mostra que a nossa pátria não é neste mundo, mas sim na eternidade, que aqui nós vivemos apenas em um rápido exílio em demanda da casa do Pai. A Missa do Domingo de Ramos traz a narrativa de São Lucas sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus: Sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o Sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os maus-tratos causados pelas mãos do soldados na casa de Anãs, Caifás; Seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, Sua condenação, o povo a vociferar “crucifica-o, crucifica-o”; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, Seu diálogo com o bom ladrão, Sua morte e sepultura.

A entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de Suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que O homenageou, motivada por Seus milagres, agora vira as costas a Ele e muitos pedem a Sua morte. Jesus, que conhecia o coração dos homens, não estava iludido. Quanta falsidade há nas atitudes de certas pessoas! Quantas lições nos deixam esse Domingo de Ramos! O Mestre nos ensina, com fatos e exemplos, que o Reino d’Ele, de fato, não é deste mundo. Que Ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas veio para derrubar um inimigo muito pior e invisível: o pecado. E para isso é preciso se imolar; aceitar a Paixão, passar pela morte para destruir a morte; perder a vida para ganhá-la. A muitos o Senhor Jesus decepcionou; pensavam que Ele fosse escorraçar Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel; mas Ele vem montado em um jumentinho frágil e pobre.
Muitos pensam: “Que Messias é este? Que libertador é este? É um farsante! É um enganador merece a cruz por nos ter iludido”. Talvez Judas tenha sido o grande decepcionado. O Domingo de Ramos ensina-nos que a luta de Cristo e da Igreja e, consequentemente, a nossa também, é a luta contra o pecado, a desobediência à Lei sagrada de Deus, que hoje é calcada aos pés até mesmo por muitos cristãos que preferem viver um Cristianismo “light”, adaptado aos seus gostos e interesses e segundo as suas conveniências. Impera, como disse Bento XVI, “a ditadura do relativismo”. O Domingo de Ramos nos ensina que seguir o Cristo é renunciar a nós mesmos, morrer na terra como o grão de trigo para poder dar fruto, enfrentar os dissabores e ofensas por causa do Evangelho do Senhor. Ele nos arranca das comodidades e das facilidades, para nos colocar diante d’Aquele que veio ao mundo para salvar este mundo.

Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino
http://formacao.cancaonova.com/liturgia/tempo-liturgico/quaresma/a-importancia-do-domingo-de-ramos/

quinta-feira, 26 de março de 2015

Que lugar a Palavra de Jesus ocupa na sua vida?

Se você guarda a Palavra de Jesus a vida eterna pertence a você, porque só o Senhor tem palavras de vida eterna, de salvação, de libertação e de cura!
“Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte” (João 8, 51).
Amados irmãos e irmãs, [nos Evangelhos] enquanto alguns judeus insistem em criar controvérsias com as palavras, com as pregações e, sobretudo, com a vida de Jesus, Ele não deixa de anunciar [o Reino de Deus], não deixa de pregar, e muitas pessoas escutam Suas palavras e se convertem. Enquanto que, naqueles que se fecham para as palavras e para os ensinamentos do Senhor cresce um sentimento ruim, negativo e muitos deles querem pegar pedras para apedrejá-Lo, Ele não teme e continua o Seu ministério seguindo adiante.
Deixe-me dizer uma coisa a você: se você guardar a Palavra de Jesus a vida eterna pertence a você, porque só o Senhor tem palavras de vida eterna, palavras de salvação, palavras de libertação e de cura!
Sabe, no mundo em que vivemos as pessoas gostam de muitas “vãs discussões”, de discursos que não levam a nada e, muitas vezes, querem fazer isso até com as coisas de Deus. Eu digo a você: não perca tempo com essas discussões, abra o coração, acolha as palavras de Jesus, acolha a Jesus que vem nos falar por meio de Sua Palavra, não fique nas “palavras-letras”, fique nas “palavras de vida”! Não fique simplesmente na compreensão histórica, teológica e hermenêutica [da Palavra de Deus], fique na compreensão da Palavra-Vida.
Toda a Palavra de Jesus, acolhida com humildade de coração e com disposição de nos abrirmos para a graça, se torna palavras de vida para o nosso coração! Primeiramente porque as palavras do Senhor vencem a morte dentro de nós: a morte com tudo aquilo que ela traz de obscuro, de medo, de receio e de pavor. A Palavra de Deus ilumina o nosso coração, ela vai entrando nas partes mais íntimas do nosso ser para iluminar a penumbra da nossa alma.
A palavras do Senhor são espírito e vida, por isso nós hoje rejeitamos e renunciamos a todas as discussões e a todas as palavras de um ou de outro com o desejo de tratar Jesus como uma Pessoa meramente humana ou apenas um cidadão histórico. Ele é nosso Salvador e Redentor; nós cremos nas Suas palavras e temos a convicção de que só o Senhor Jesus tem palavras para nos salvar e nos dar a vida.
Em atenção às palavras do Senhor, é por elas que nós queremos viver!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/que-lugar-a-palavra-de-jesus-ocupa-na-sua-vida/

segunda-feira, 23 de março de 2015

Homem das Dores

  Há imagens que falam! Sim, as imagens falam, não por meio de palavras, mas comunicam pensamentos, propiciam reflexões, convidam à consideração dos aspectos mais altos de nossa existência.
Através das imagens, podemos transcender para aquilo que um olhar superficial não alcança, mas que a observação mais atenta nos faz aprender e voar.
Nosso-Senhor-Flagelado.jpg
Nosso Senhor Jesus Cristo flagelado
Contemple esta Imagem aqui publicada: Nosso Senhor Jesus Cristo, flagelado.
A ela bem se poderia aplicar, por excelência, as palavras do Profeta Isaias: Homem das dores, experimentado nos sofrimentos (Is 53, 3).
Homem das dores: sofreu em seu Corpo adorável açoites crudelíssimos, bofetadas e cusparadas, a coroação de espinhos, os pregos na Cruz.
Seria possível sofrer mais no corpo do que Jesus sofreu?
Experimentado nos sofrimentos: E quantos sofrimentos! Sua Alma adorável, no Horto das Oliveiras, contemplou com pavor a sua Paixão e Morte na Cruz, bem como os pecados e ingratidões da humanidade ao longo dos séculos. Sofrimentos morais.
Poderia alguém ter suportado maior sofrimento moral do que Jesus?
Com poesia e dramaticidade, inspirado pelo Espírito Santo, o Salmista canta: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? [...] Eu, porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe [...] Não fiqueis longe de mim, pois estou atribulado [...] Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua, vós me reduzistes ao pó da morte. [...] Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés: poderia contar todos os meus ossos." (Sl 21, versículos 2, 7, 12, 16, 17).
Esta Imagem fala! Ela está a nos falar. Contemple-a.
Certamente, nos encantamos com a divina figura -esplendorosa- do Salvador quando se transfigurou no Monte Tabor, ou na sua gloriosa Ressurreição. Ela nos enche de entusiasmo.
Mas, não seria bem o caso de nos perguntarmos a nós mesmos como estará nosso entusiasmo frente esta imagem dolorosa do Divino Redentor? Creio que sim...
"Nessa divina tragédia verei estampada a feiura e a maldade de meus pecados. A enorme quantidade de minhas faltas me confundirá de começo ao fim. Vós Vos tornastes um verme, foi possível contar Vossos ossos, morrestes por causa de meus pecados. ´Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta` (Lm 1, 12)". ¹
Peçamos à Mãe Dolorosa que tenhamos o entusiasmo para todos os aspectos do Seu Divino Filho e, portanto, não sejamos indiferentes às suas dores e sofrimentos morais, que Ele os teve, por causa de nossos pecados.
Peçamos a força de não fujamos da Cruz, mas que a abraçemos com o mesmo amor que Nosso Senhor tomou em Seus ombros.
E sejamos cheios de gratidão por tanto amor para com que o Varão das dores nos dedicou.
Por Adilson Costa da Costa
_______________
¹ Via Sacra composta por Mons. João Clá Dias. Disponível em: http://viasacrajoaocladias.blogspot.com.br/ - Acesso em 15-10-2014.

As dores de Maria durante a Paixão

As dores de Maria durante a Paixão

Introdução:

Vamos dar início à meditação reparadora dos primeiros sábados, que nos foi recomendado por Nossa Senhora, quando apareceu em Fátima em 1917. Pedia Ela que comungássemos, rezássemos um terço, fizéssemos meditação
Nossa Senhora das Dores..jpgdosmistérios do Rosário e confessássemos em reparação ao seu Sapiencial e Imaculado Coração. Para os que praticassem esta devoção, Ela prometia graças especiais de salvação eterna.

A Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores no dia 15 de setembro, imediatamente após a festa da Exaltação da Santa Cruz, pois Nossa Senhora está intimamente ligada à Redenção. Nós, fiéis, a consideramosCorredentora do gênero humano especialmente porque, em primeiro lugar, Ela consentiu no mistério da Encarnação, em segundo por ter dado à luz ao Redentor e em terceiro lugar porque sua dor foi extrema durante a paixão de seu Divino Filho. Significa que Maria teve especial cooperação na redenção universal.

Cristo sofreu por nossos pecados, foi por nossa causa que ele se encarnou e morreu crucificado. De maneira que todos nós, pecadores, temos participação indireta na Crucifixão de Nosso Senhor. 

Tomando isso em consideração, peçamos perdão das nossas faltas; peçamos também por todas as graças e milagres que necessitamos. 

Composição de lugar:

Como composição de lugar, devemos nos reportar aos tempos de Cristo, mais precisamente ao dia de sua dolorosa Paixão. Devemos imaginar que estamos perto daquele grupo de santas mulheres que junto a Maria acompanhavam na sua Paixão a Nosso Senhor na Via Crucis.

Oração Preparatória:

Oração a Nossa Senhora das Dores

Estava a Mãe dolorosa junto à Cruz, lacrimosa, da qual pendia o seu Filho. Banhada em pranto amoroso, neste transe doloroso, a dor lhe rasgava o peito. Estava triste e sofria porque ela mesma via as dores do Filho amado.Quem não chora, vendo isto, contemplando a Mãe do Cristo em tão grande sofrimento?

Dai-me, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta a força da dor, para que eu chore contigo. Fazei arder meu coração do Cristo Deus na Paixão, para que eu sofra com Ele. Quero contigo chorar e a Cruz compartilhar, por toda a minha vida.

Por Maria, amparado, que eu não seja condenado no dia de minha morte. Ó Cristo, que eu tenha sorte, no dia de minha morte ser levado por Maria. E no dia em que eu morrer, fazei com que eu possa ter a glória do Paraíso. Amém.

(Excertos do famoso poema Stabat Mater, atribuído a Frei Jacopone de Todi, século XIII.)

I - As sete dores de Maria

Nada desse mundo serve de comparação às dores que Maria sofreu junto a Jesus. Nenhuma criatura viveu com tanto amor essas dores.

Não se sabe ao certo quando a devoção à Nossa Senhora das Dores surgiu. Alguns historiados remontam ao século XIII, na Alemanha, outros acreditam que seja bem mais antiga. Seja como for, sabe-se que ela está ligada ao encontro de Nossa Senhora com Nosso Senhor no caminho do Calvário.

A piedade católica celebra as dores de Nossa Senhora com os mais diversos nomes: Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora das Lágrimas... A festa também está ligada a uma tradição que vem do século XV. Foi instituída, em Colônia, pelo Arcebispo, Thierry de Meaux, que quis reparar os ultrajes feitos pelos hereges hussitas contra as imagens de Nossa Senhora. Mais tarde, no século XVIII, o Papa Bento XIII decretou que fosse inscrita no catálogo das festas litúrgicas, com o título de Festa das Sete Dores de Nossa Senhora. Foi em função desta devoção que a Ordem dos Servos de Maria começou a propagar a meditação das sete dores de Maria Santíssima. 

Por que sete dores?


E por que sete dores? De muitas formas sofreu Maria Santíssima durante a sua vida terrena, porém sete delas são especialmente objeto da devoção dos fiéis. São episódios tirados dos Santos Evangelhos e que formam o caminho de dores da Filha amorosa de Deus Pai, sofrendo em sua alma padecimentos semelhantes aos da Paixão de seu Divino Filho. Os episódios narrados no Evangelho são:

1) A Apresentação de Jesus no Templo e a profecia de Simeão;
2) A fuga para o Egito;
3) A perda do Menino Jesus no Templo;
4) O encontro com Jesus no caminho do Calvário;
5) O momento em que se encontrou de pé junto à Cruz de Jesus;
6) Quando teve o corpo de Jesus morto em seus braços;
7) O sepultamento de Jesus.

No século XIV, na Igreja de Santa Maria Maggiore, Santa Brígida da Suécia teve um revelação particular no sentido de que 
Jesus_carrega a Cruz as costas - Igreja de San Ginés, Madri.jpgtodos aqueles que tivessem devoção às dores de Nossa Senhora teriam, na hora da morte, uma contrição perfeita de seus pecados e uma proteção especial no passamento desta vida para a eternidade.

Em 1814, o Papa Pio VII introduziu a festa de Nossa Senhora das Dores oficialmente na liturgia e no calendário romano. Mais tarde a Igreja passou a celebrá-la 3como memória da Virgem Maria Dolorosa.

A Cruz de Nosso Senhor, ao invés de ser um lenitivo para Nossa Senhora, era a causa de Sua dor

Deus deu a Maria, Sua filha diletíssima, tudo o que havia de melhor! No entanto, em determinadas etapas de sua vida, para Ela o melhor era sofrer. Como ocorreu na Paixão, quando passou por um tremendo tormento. Sofreu muito mais do se fosse Ela própria crucificada, pois a dor que sentiria na sua crucifixão não seria nada perto do que Ela sentiu vendo o seu próprio Filho crucificado.

A propósito, Santo Afonso Maria de Ligório afirma que todos aqueles que passam por tormentos, recebem alguma forma de consolo. Porém nenhum consolo foi dado a Nossa Senhora.

Nossa Senhora não podia pensar em mitigar suas dores, porque a sua dor consistia na dor de Nosso Senhor. Aquilo que é para toda e qualquer pessoa um lenitivo, para Ela não o era, porque pensando nas dores de Nosso Senhor, Ela ainda sofria mais. A causa do sofrimento de Nossa Senhora era, justamente, as dores de Nosso Senhor. Ela sofreu em Si as dores que estavam sendo atribuídas a Nosso Senhor na flagelação, coração de espinhos, carregamento da Cruz, Crucifixão e tudo o mais.

Oração de petição:

Oração à Virgem Dolorosa

Deus vos salve, Virgem Dolorosa, que junto à Cruz compartilhastes o sofrimento de vosso Divino Filho! Ali Jesus nos entregou como vossos verdadeiros filhos. Queremos sentir que sois Nossa Mãe em todos os momentos, mas especialmente quando nos visita o sofrimento. Temos certeza que ao vosso lado tudo será mais fácil e suportável. Santíssima Virgem das Dores, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

II - Deus quis unir à Paixão de Jesus os sofrimentos de Maria

Nossa Senhora foi concebida sem pecado original, portanto seria lógico que Ela não sofresse. Tanto é assim que Adão e Eva, antes do pecado original, não sofriam. Então como explicar as dores de Maria? Depois de muitas discussões teológicas, os teólogos chegaram à conclusão de que Ela não foi concebida em função da graça da Criação, mas em função da graça da Redenção, por isso foi possível a Ela sofrer.

Sabendo que Ela seria Mãe de um Deus-Homem que iria sofrer na Cruz, no momento que Ela respondeu ao Anjo Gabriel: "Faça-se em mim segundo a vossa 4palavra!" Ela estava se dispondo a sofrer toda a Paixão que o Filho sofreria. Nesse momento Ela assumiu as dores do próprio Filho. 

Quando o profeta Simeão declarou que Ela teria seu coração atravessado por uma espada de dor, quando houve necessidade de fugir para o Egito - com todos os incômodos da viagem; e no momento em que Ela se deparou com a perda do Menino Jesus Ela sofre verdadeiramente e uma enormidade.

Mais ainda, ela sofre na vida pública de Nosso Senhor, com todas as calúnias, com todas as discussões com os fariseus e com todos os ódios que Ela percebia que ia se levantando contra o seu Filho. Como Mãe, ela sabia e intuíaperfeitamente o momento da Paixão. E Ela sofreu a Paixão inteira de Nosso Senhor de uma forma mística. De que forma isso se deu? Nós não sabemos, porque não tivemos esta experiência. Qualquer ideia que façamos do sofrimento de Nossa Senhora na Paixão ficará muito aquém da realidade. Um sofrimento que em nada se assemelha ao nosso,
Piedad - Catedral de Salamanca.jpgpois foi algo muito elevado, sublime e sobrenatural, portanto de altíssimo grau.

Qual a amplitude da compreensão mística de Nossa Senhora diante dos padecimentos de Seu Divino Filho? Só para dar um exemplo, quando Ela ouve aquele misterioso clamor:

- Senhor, Senhor! Por que me abandonastes?

Corredentora:

Como já foi dito, Maria é Corredentora do gênero humano. Assim como na origem da nossa decadência está um homem e uma mulher, na origem da nossa Salvação está um Homem-Deus e uma Mulher. Deus quis unir os sofrimentos d'Ela aos de Nosso Senhor para que esta Redenção se tornasse, simbolicamente, mais harmônica e mais completa.

De maneira que temos na festa da Exaltação da Cruz e na memória da Virgem Dolorosa a união do sofrimento divino de Nosso Senhor com os sofrimentos indizíveis de Maria.

III - Conclusão:

Para atravessarmos as dores que a vida nos reserva, é preciso estarmos unidos a Nossa Senhora junto à Cruz:

No caminho que temos de atravessar, sobretudo nas dores que a vida nos reserva, lembremo-nos de que Nossa Senhora pode nos obter a força que Ela teve para atravessar aquele transe tão terrível. Unamo-nos, portanto, não só em torno da Cruz, mas em torno d'Ela junto à Cruz; e tenhamos diante dos olhos não só a coroa de espinhos sobre a sagrada fronte de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas também sobre o Sapiencial e Imaculado Coração d'Ela. Assim teremos muito mais audiência junto a Deus.

Oração Final:

Oração à Santíssima Virgem da Soledade

Digníssima Mãe de Deus, que estando em pé junto à Cruz de Jesus, Vosso Filho Unigênito, o vistes sofrer, agonizar e morrer, ficando só e desamparada, sem mais alívio que amarguras, e sem outra companhia que os tormentos.

Minha alma deseja participar, ó dolorosa Virgem, das vossas dores e aflições, para que me as acompanhe toda vida no justo sentimento da morte de Vosso querido Filho.

Permiti-me, ó solitária Senhora, que a assista em tão amarga solidão, sentindo o que sentis e chorando o que chorais.

Infundi em meu peito, ó mãe do verdadeiro Amor, uma ardente caridade para amar a vosso Divino Filho, que por amor de mim morreu crucificado; e concede-me o favor que lhe peço nesta oração, para a glória de Deus, honra Vossa e proveito de minha alma. Amém.


http://www.arautos.org/artigo/50569/As-dores-de-Maria-durante-a-Paixao.html

sábado, 21 de março de 2015

O medo da morte

Autor: João Batista Libânio


O ser humano naturalmente teme a morte. Ela bate-se contra a vida. Criados para viver, opomo-nos visceralmente à morte. A famosa frase do biólogo Prêmio Nobel J. Monod, “o preço da vida é a morte”, revela a frieza de um pesquisador e nunca a experiência existencial de um vivente. Os psiquiatras aproximam-se dos suicidas como de casos patológicos e nunca como desejo natural de um ser humano em são juízo.
No entanto, Platão nos descreve a serena morte de Sócrates. Ele sofria o próprio corpo como cárcere de que a morte o libertava para contemplar o mundo das idéias puras e perfeitas. Por isso, prepara-se para morrer na maior tranqüilidade de espírito. Aí aparece como a visão da existência, diria, a espiritualidade, consegue domar o medo instintivo da morte em algumas pessoas privilegiadas.
Algo semelhante viver-se-á no mundo cristão em duas situações bem diferentes. Muitos mártires desprezarão a vida e caminharão firmes e resolutos para enfrentar as feras. O exemplo de Santo Inácio de Antioquia impressiona-nos. Em dramática carta aos irmãos de Roma pede insistentemente que não intercedam por ele junto a alguma autoridade romana a fim de livrá-lo da morte. “Maravilhoso é para mim morrer por Jesus Cristo, mais do que reinar até aos confins da terra”. “Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus. Sou trigo de Deus e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo”. Esses desejos revelam tal grandeza que nos deixam pequeninos. A paixão por Cristo o leva a não temer a morte.
Além dos mártires, muitos santos que morreram na normalidade de uma doença também exprimiram coragem semelhante para enfrentar a morte sem medo. O jovem Luiz Gonzaga, atingido em Roma pela peste, vê a morte aproximar-se e escreve linda carta a sua mãe, povoada de sentimentos de paz na espera do encontro com Deus.
Está a surgir, porém, nova e doentia atitude de destemor diante da morte. Refiro-me ao terrorismo e ao mundo do crime. Homens e mulheres-bomba explodem a si mesmos para causar mais mortes em torno de si em atentados, movidos pelo fanatismo religioso. O mártir entregava a Deus sua vida. Esses novos religiosos não o fazem no sentido de dom de si, mas com a intencionalidade de vingar-se, com a própria morte, dos inimigos. Morte para causar mais morte e não para mergulhar no mistério de vida de Deus. Em alguns ainda sobra certo sentimento religioso, embora deturpado, mas pessoalmente vivido como fé na sua religião.
Ameaça-nos outra atitude terrível diante da morte. Sua banalização tem crescido a tal ponto que especialmente pessoas jovens ingressam no mundo do crime, dispostas a matar e a morrer. Isso lhes oferece tal ousadia que os crimes que perpetram chegam a grau enorme de gravidade. O banditismo, os assaltos a mão armada, as gangues e as máfias do crime crescem e se tornam incontroláveis, porque muitos de seus membros perderam o medo de morrer. E quando alguém está disposto a tal, não há limites na fantasia criminosa.
A psicologia facilmente reduz esses casos à patologia. Mas infelizmente parece que tal análise não dá conta da verdadeira realidade. No caso do famoso nazista Eichmann, que coordenou o assassinato em massa de judeus, chegou-se ao veredicto de tratar-se de alguém normal, mas sem nenhum escrúpulo diante de tais crimes. Assim também está a acontecer que muitos entram no caminho do crime como numa aventura, numa roleta-russa de morte. A cultura e o ambiente circundantes, a crise social, estímulos crescentes para o crime terminam por dominar-lhes a mente e o coração. Estamos, portanto, diante de problema muito mais amplo do que de aumentar o policiamento. Cabe-nos trabalho lento e diuturno de transformar a cultura e a situação social atual para que elas não continuem sendo o caldo gerador de novo tipo de enfrentamento da morte sem nenhum medo.

http://www.domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31930/o-medo-da-morte

As religiões no início do terceiro milênio

Nas últimas décadas do século passado, multiplicaram-se “profecias” que anunciavam para breve a morte de Deus e o desaparecimento das religiões.
Passada a primeira década do terceiro milênio, sociólogos constatam, surpresos, que o homem e a mulher de nosso tempo sentem uma profunda necessidade de fazer experiências religiosas. Em outras palavras, os progressos técnicos, as novas invenções e os inúmeros produtos que a indústria coloca à disposição da sociedade não têm apresentado uma resposta que satisfaça o inquieto coração humano. É verdade que a procura religiosa nem sempre é correta. Constata-se, por vezes, a busca de uma religião sem Deus, de uma fé sem compromisso e de uma experiência mística que nada tem de transcendental. Não se trata, pois, de uma verdadeira busca de Deus, mas de si próprios. Querem uma “religião” que os acalme e lhes possibilite experimentar sensações agradáveis.
Querem, na verdade, um “spa” espiritual...A população mundial está ultrapassando a casa dos seis bilhões e meio de habitantes. Desses, pouco mais de dois bilhões são cristãos. Assim, dois mil anos depois que Jesus Cristo anunciou a boa nova, convidou todos a segui-lo e mandou os apóstolos irem pelo mundo para ensinarem e fazerem o que ele ensinou e fez, somente um em cada três habitantes do mundo é cristão. Há muito que fazer, portanto, para que se realize o que Jesus colocou como meta para os seus: “Fazei discípulos meus todos os povos...” (Mt 28,19).Números são números. A importância de uma religião não se mede pela quantidade de seus membros. No cristianismo, por exemplo, de que adianta alguém proclamar que é cristão, se não acredita que Jesus Cristo é o Filho de Deus vivo, o salvador, o mestre, o irmão e amigo? Se não procurar amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo? Se não perdoar aos inimigos, não se interessar pela comunidade e não colocar os ensinamentos de Jesus em prática?
Cristão é aquele que procura amar os outros como Jesus Cristo o ama. Nisso será reconhecido como seu discípulo.A fé não é produto de “marketing”. A propaganda pode até ajudar uma igreja a conseguir adeptos. Não será capaz, contudo, de transformar as pessoas, levando-as a uma adesão interior que se manifestará, depois, em seu comportamento. A conversão é obra do Espírito Santo. Já o fanatismo é filho da ignorância. Fanático é aquele que, por ser limitado em seus conhecimentos, sente-se inseguro, não escuta ninguém, ataca os demais e procura calar a voz de quem pensa de forma diferente da dele.Jesus Cristo se preocupou não com números, mas com a fidelidade de seus seguidores. Certa ocasião, depois de multiplicar os pães para alimentar uma multidão faminta, disse aos que o cercavam que lhes daria sua carne como alimento e seu sangue como bebida.
Que decepção para os que o ouviam! Escandalizados, muitos começaram a murmurar e o abandonaram, deixando-o quase sozinho. Seria de se esperar que Jesus voltasse atrás em suas afirmações, para reconquistar os que tinham ido embora. Em vez disso, voltou-se para seus apóstolos, que continuavam, fiéis, a seu lado, e perguntou-lhes se não queriam também ir embora. Em outras palavras: ou aceitassem o que lhes dizia, porque o que ele havia dito era mesmo o que lhes queria ensinar, ou que buscassem outro Mestre e Senhor.A celebração, hoje, de Pentecostes, é um apelo para apresentarmos a todos, com renovada disposição, a proposta de Jesus Cristo.
Não podemos obrigar ninguém a segui-lo. Podemos e devemos possibilitar que cada pessoa tenha condições de conhecê-lo. O coração humano está aberto ao sobrenatural, ao religioso, à fé. É necessário, pois, lhe apresentarmos a verdade que liberta, o amor que constrói e o evangelho que é um caminho de vida. Além de cumprirmos, dessa maneira, a ordem de Cristo (“Fazei discípulos meus todos os povos...”), estaremos possibilitando que se atualize o que aconteceu por ocasião da vida do Espírito Santo, em Jerusalém: tendo ouvido anunciar as maravilhas de Deus, muitos de converteram e foram batizados.
Arcebispo de Salvador (fonte: CNBB)


http://www.domtotal.com/direito/pagina/detalhe/31978/as-religioes-no-inicio-do-terceiro-milenio

QUEM É JESUS?


            Não foi fácil, para os contemporâneos de Jesus, definir sua identidade. Seus feitos prodigiosos levavam as pessoas a se perguntarem quem era ele. Suas palavras tinham a vibração dos antigos profetas. Seu modo de ser dava motivo para chamá-lo de Messias. Entretanto, por ser tido como galileu, descartava-se esta possibilidade. Não se esperava  nenhum messias profeta vindo da Galiléia. E a indagação inicial permanecia sem resposta.
            A dificuldade em definir a identidade de Jesus tinha sua origem na maneira equivocada de abordá-lo. As respostas obtidas enfocavam a exterioridade de Jesus, sua aparência. Sob este aspecto, as definições aplicadas a ele até podiam ser verdadeiras, mas eram insuficientes.
            A verdadeira identidade de Jesus escondia-se atrás de suas palavras e de suas ações. Quem atingia este nível de profundidade, defrontava-se com sua dimensão divina, fundamento de sua autoridade e do poder miraculoso de seu agir. Aí se escondia sua condição de Filho de Deus e a perfeita unidade existente entre seu querer e o querer do Pai.
            Por conseguinte, pouco importavam seu lugar de origem, sua genealogia e suas relações com personagens do passado. Para decifrar o enigma de sua identidade, bastaria aceitá-lo como Filho de 
Deus.

http://www.domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php



quarta-feira, 18 de março de 2015

Precisamos trabalhar pela salvação da humanidade

Não importa a hora, o dia, não importa o momento, onde quer que eu e você estejamos precisamos trabalhar pela salvação da humanidade.
“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (João 5, 17).

A resposta dada por Jesus ao grupo de judeus que querem contestá-Lo por Ele ter realizado a cura daquele homem num dia de sábado e por ter feito tantos outros sinais neste dia é a seguinte: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (João 5, 17). É como se Ele dissesse: “Meu Pai continua trabalhando, a obra d’Ele não parou com a criação do mundo. Muito pelo contrário, Ele criou todas as coisas, mas precisou continuar restaurando aquilo que foi criado, porque veio alguém e pisoteou, veio alguém e quebrou, porque o mal, o pecado e o inimigo da nossa salvação têm feito muito mal à obra e à salvação de Deus. Por isso, meu Pai continua trabalhando, continua cuidando, continua restaurando. E assim como meu Pai não para de trabalhar para cuidar da Sua obra, eu também trabalho”.
O trabalho de Jesus não é diferente do trabalho de Seu Pai, apenas que o Pai mandou o próprio Filho para estar entre nós e no meio de nós para restaurar e cuidar de todas as coisas, a começar pela obra-prima da criação: eu, você e todos nós, seres humanos.
Jesus se faz um de nós, assume nossa face e nossa humanidade para restaurar essa obra primitiva da criação: toda criatura humana. E por isso Jesus não escolhe o dia, seja sábado, seja domingo ou segunda-feira, Ele está ali nos curando, cuidando de nós, restaurando, abençoando e salvando-nos. A obra da criação não para, a restauração da humanidade vai até os confins do mundo e até o fim dos tempos!
Assim como Jesus não parou, nós também não podemos parar! Não podemos parar de cuidar da nossa alma, do nosso coração, de restaurar cada pedacinho de nós, que foi quebrado por obra do pecado, por obra deste mundo. Com a graça de Deus, o Pai quer nos restaurar a cada dia. E nós precisamos, com Jesus, precisamos, com o Pai, no poder do Espírito, salvar a obra de Deus.
Onde existir uma alma humana triste, sofrida, machucada, onde existir um filho de Deus distante e perdido à procura de salvação, nós precisaremos ser canais da graça! E não importa a hora, o dia, não importa o momento, onde quer que eu e você estejamos precisamos trabalhar pela salvação da humanidade.
É obrigação nossa, é responsabilidade de cada batizado assumir o seu papel na história da salvação da humanidade! Eu preciso olhar para trás e dizer: “Eu trabalhei pela restauração do mundo!” Precisamos, hoje, olhar para o nosso coração e dizer: “Eu estou trabalhando, dando o melhor de mim, do que eu posso, do que eu sei para poder restaurar, salvar e continuar operando a obra de Deus no meio de nós!”.

Deus abençoe você!

http://homilia.cancaonova.com/homilia/precisamos-trabalhar-pela-salvacao-da-humanidade/

domingo, 15 de março de 2015

Deus ama a humanidade

Jesus, no trecho do diálogo com Nicodemos que ouvimos hoje, declara que Deus amou o mundo e enviou seu Filho para viver com a humanidade e para que as pessoas vivam em plenitude. Nessa altura do diálogo, Nicodemos já não aparece. Não se sabe se terá voltado atrás ou aderido à nova proposta de Jesus e se deixado envolver pela luz reveladora. O certo é que ele não diz mais nada nem pergunta. Estaria escutando e aprendendo do Mestre para se abrir à revelação?
Nicodemos sai de cena, entramos nós. Somos ciosos de conhecer a revelação de Deus. Mais do que falar, somos convidados a escutar o que o Mestre quer nos revelar. Sua revelação é algo essencial, realmente central no Evangelho de João: "Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho único, para que não morra quem nele acredita, mas tenha a vida eterna". Essas palavras são as mais importantes e as que iluminam toda a ação de Jesus.
Se Deus ama o mundo, ama todo ser humano, ama cada um de nós. A prova desse amor está na cruz, Jesus não a recusou, por fidelidade ao Pai e por amor à humanidade. Daí vem também nossa salvação, ao acreditar no Crucificado e aderir a ele. Cristo na cruz abraça toda a humanidade, não exclui ninguém. Abraço que deve ser aceito livremente por cada um; recusá-lo é recusar a luz (o amor de Deus) e permanecer nas trevas (fora do abraço amoroso do Pai). Jesus na cruz é o sinal de nossa salvação e a luz que brilha e ilumina nossa vida, revelando o que há de bom (luz) e o que há de mau (trevas) em cada um, na comunidade e na sociedade.
Olhar para Jesus "levantado" na cruz significa crer nele - o que não é apenas um gesto de adesão intelectual, mas compromisso com seu projeto - e acolher sua mensagem dirigida a toda a humanidade. Identificar nossa vida com a dele significa assumir a sua prática em favor dos mais necessitados. "Gastar" a vida por amor é a maneira mais nobre de valorizá-la e fazer dela o grande dom para Deus e para os irmãos.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 15/03/2015

sexta-feira, 13 de março de 2015

Onde centrar nossa vida

A pergunta pelo primeiro dos mandamentos comporta uma preocupação: onde a vida humana deve centrar-se? A resposta a este problema é fundamental para a vida do discípulo. Mas não basta responder teoricamente. É mister que discípulo tome consciência onde efetivamente sua vida está centrada. O engano, aqui, pode ser fatal!
            A resposta de Jesus ao mestre da Lei aponta para os dois eixos vertebradores da vida do discípulo: Deus e o próximo. Considerando bem, ambos os eixos se exigem mutuamente, a ponto de um levar ao outro, e a ausência de um provocar a ausência do outro.
            Quem está centrado em Deus, está necessariamente aberto ao amor e à solidariedade, está sempre pronto para lutar pela justiça, não suportando ver o próximo ser vilipendiado. Sobretudo, torna-se um lutador incansável pela causa do Reino, ansiando por vê-lo acontecer em sua própria vida e na de seus semelhantes.
Por outro lado, tem sua vida centrada no próximo quem é capaz de superar o egoísmo e romper as amarras das paixões, quem se esforça para se libertar da tirania do pecado, tornando-se livre para Deus. Em outras palavras, quem tem Deus no coração.
            Todos os demais eixos são espúrios e devem ser rejeitados pelo discípulo do Reino. Basta considerar o modo de proceder de quem não ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. São pessoas desumanizadas e desumanizadoras.


(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).


http://www.domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php

quinta-feira, 12 de março de 2015

Não quero pessoas que chorem mas que cantem forte (Chiara Lute Badano)



Não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte

Chiara Luce Badano nasceu a 29 de Outubro de 1971, em Sassello, uma pequena cidade nos Apeninos. Era a primeira e única filha de Rogero Badano, camionista e de Mª Teresa Caviglia, operária, casados há 11 anos sem conseguirem ter filhos. O pai pediu a Nossa Senhora da Rocha a graça da paternidade e viu o seu pedido atendido. A mãe testemunhava que “mesmo com essa alegria imensa compreenderam logo que ela não era somente sua filha, mas que era antes de tudo, filha de Deus". A mãe deixou de trabalhar para cuidar da filha.

Chiara revelou-se desde cedo uma criança inteligente, viva, desportiva e muito comunicativa. Era conciliadora, mas não abdicava de defender as suas ideias. Recebeu desde cedo uma sólida educação cristã, graças aos pais, mas também à sua integração na comunidade paroquial, cujo pároco lhe dá fascinantes aulas de catequese, e ainda pela influência das amizades que Chiara constrói.

Aos 9 anos participa num encontro das “Gen 3” do movimento Foccolare. Aí conhece o ideal da unidade. O Evangelho passa a ser algo dinâmico na sua vida. E decide dizer sempre Sim a Jesus. Torna-se a amiga dos últimos. Deseja partir um dia para África para “curar os meninos”.

No dia da sua primeira Comunhão recebe um livro com os Evangelhos. Ela própria comenta: "- Como para mim foi fácil aprender o alfabeto, também deve ser fácil viver o Evangelho”.

Continua os seus estudos de forma normal, sendo uma boa aluna. Frequenta o liceu clássico. Participa nas actividades do Movimento Foccolare. Mas um dia, ao jogar ténis, tinha então 17 anos, sente uma dor aguda no ombro. Inicialmente nem ela nem os médicos dão grande importância ao facto. Mas as dores continuam e são necessários exames mais profundos. O diagnóstico é devastador: sarcoma osteogénico com metástese, um dos tipos mais graves e dolorosos de tumor.

Chiara acolhe a notícia com coragem: - Eu vou vencer! Sou jovem.

Os tratamentos começam e durante eles o altruísmo de Chiara chama a atenção. Sai da cama par ajudar uns e outros. Certo dia foi uma toxicodependente deprimida que a fez saltar do leito, apesar das intensas dores. Enfrenta depois duas operações. A quimioterapia provoca a queda do cabelo o que a faz sofrer bastante. Perante cada etapa do sofrimento vai repetindo : - Por ti, Jesus!”

A um amigo, que partia para África, ela dá todo o dinheiro que havia economizado, dizendo :

- Para mim não serve. Eu tenho tudo!

Ao longo da doença nunca se revolta. Passa a aceitar todos os padecimentos, dizendo a Jesus: - Se tu o queres, eu também o quero, Jesus!

No dia 19 de Julho de 1989, enfrenta uma forte hemorragia e quase morre. Nessa ocasião diz:

- Não derramem lágrimas por mim. Eu vou para Jesus. No meu funeral, não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte.

E com a mãe prepara esse acontecimento chamando-lhe “A festa das núpcias” . Explica à mãe como quer ser vestida, escolhe as músicas os cantos e as leituras para a ocasião. E recorda-Lhe : - Quando me estiveres a preparar, mamã, deves repetir: "Agora Chiara Luce a está a ver Jesus”.

Não pede mais a saúde, mas a capacidade de fazer a vontade de Deus até ao fim.

No Domingo 7 de Outubro de 1990, na companhia dos pais, aconteceu o momento do encontro com o seu “Esposo”. Duas mil pessoas estiveram presentes no funeral. Fala-se de paraíso, de alegria, de escolha radical. Na homilia, o bispo que presidia diz: - Eis o fruto de uma família cristã e de uma comunidade de cristãos.

Os que a conheceram sentem-se impulsionados a viver com radicalidade o Evangelho. É uma santidade contagiosa.

No dia 25 de Setembro de 2010, foi beatificada em Roma pelo Papa Bento XVI.

http://jesuscristoemsuaplenitude.blogspot.com.br/

ESTE BLOG É DEDICADO À:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...