segunda-feira, 29 de abril de 2013

Catequese do Santo Padre, Papa Bento XVI, sobre Santa Catarina de Sena

Nascida em Sena, em 1347, em uma família muito numerosa, morreu em sua cidade natal em 1380. Aos 16 anos, impulsionada por uma visão de São Domingos, entrou na Ordem Terciária Dominicana, no ramo feminino, chamado Mantellate [chamadas assim por usarem um manto preto, N. da T.]. Permanecendo com a família, confirmou o voto de virgindade que havia feito de forma privada quando ainda era adolescente, e se dedicou à oração, à penitência, às obras de caridade, sobretudo em benefício dos doentes.





Quando sua fama de sua santidade se difundiu, ela foi protagonista de uma intensa atividade de conselho espiritual a todo tipo de pessoas: nobres e homens políticos, artistas e gente do povo, pessoas consagradas, eclesiásticos, incluído o Papa Gregório XI, que naquele período residida em Avinhão e a quem Catarina exortou enérgica e eficazmente a voltar a Roma. Viajou muito para solicitar a reforma interior da Igreja e para promover a paz entre os Estados; também por este motivo, o venerável João Paulo II quis declará-la copadroeira da Europa: para que o Velho Continente não se esqueça jamais das raízes cristãs que estão na base do seu caminho e continue extraindo do Evangelho os valores fundamentais que garantem a justiça e a concórdia.





Catarina sofreu muito, como muitos santos. Chegaram a pensar inclusive que se deveria desconfiar dela, até o ponto de que, em 1374, seis anos antes da sua morte, o capítulo geral dos dominicanos a convocou a Florença para interrogá-la. Colocaram-na ao lado de um frade douto e humilde, Raimundo de Cápua, futuro mestre geral da ordem. Convertido em seu confessor e também em seu "filho espiritual", escreveu uma primeira biografia completa da santa, que foi canonizada em 1461.





A doutrina de Catarina, que aprendeu a ler com dificuldade e a escrever quando já era adulta, está contida no "Diálogo da Divina Providência" ou "Livro da Divina Doutrina", uma obra-prima da literatura espiritual, em seu "Epistolário" e na coleção das "Orações". Seu ensinamento está dotado de uma riqueza tal, que o servo de Deus Paulo VI, em 1970, declarou-a Doutora da Igreja, título que se acrescentava ao de copadroeira da Cidade de Roma, por vontade do Beato Pio IX, e de padroeira da Itália, por decisão do Venerável Pio XII.





Em uma visão que nunca se apagou do coração e da mente de Catarina, Nossa Senhora a apresentou a Jesus, que lhe deu uma esplêndida aliança, dizendo-lhe: "Eu, teu Criador e Salvador, te desposo na fé, que conservarás sempre pura até que chegues a celebrar comigo no céu tuas bodas eternas" (Raimundo de Cápua, Santa Caterina de Siena, Legenda maior, n. 115, Sena, 1998). Essa aliança era visível somente a ela. Neste episódio extraordinário, percebemos o centro vital da religiosidade de Catarina e de toda autêntica espiritualidade: o cristocentrismo. Cristo é, para ela, como o esposo com quem tem uma relação de intimidade, de comunhão e de fidelidade; é o bem amado acima de qualquer outro bem.





Esta união profunda com o Senhor é ilustrada por outro episódio da vida desta insigne mística: a troca do coração. Segundo Raimundo de Cápua, que transmite as confidências recebidas de Catarina, o Senhor Jesus lhe apareceu com um coração humano na mão, vermelho resplandecente, abriu-lhe o peito, introduziu-o e disse: "Queridíssima filha, como no outro dia eu recebi teu coração, que me oferecias, eis aqui que agora te dou o meu e, de agora em diante, estará no lugar que o teu ocupava" (ibid.). Catarina viveu verdadeiramente as palavras de São Paulo: "Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20).





Assim como a santa de Sena, todo crente sente a necessidade de configurar-se segundo os sentimentos do Coração de Cristo, para amar a Deus e ao próximo como o próprio Cristo ama. E todos nós podemos deixar que nosso coração se transforme e aprenda a amar como Cristo, em uma familiaridade com Ele nutrida pela oração, pela meditação sobre a Palavra de Deus e pelos sacramentos, sobretudo recebendo frequentemente e com devoção a santa Comunhão. Também Catarina pertence a esse grupo de santos eucarísticos com o quais eu quis concluir minha exortação apostólica Sacramentum Caritatis (cf. n. 94).





Queridos irmãos e irmãs: a Eucaristia é um extraordinário dom de amor que Deus nos renova continuamente, para nutrir nosso caminho de fé, revigorar nossa esperança, inflamar nossa caridade, para tornar-nos cada vez mais semelhantes a Ele.





Ao redor de uma personalidade tão forte e autêntica, foi se construindo uma verdadeira e autêntica família espiritual. Eram pessoas fascinadas pela autoridade moral dessa jovem mulher de elevadíssimo nível de vida, e talvez impressionadas também pelos fenômenos místicos aos quais assistiam, como os êxtases frequentes. Muitos se colocaram ao seu serviço e sobretudo consideraram um privilégio ser guiados espiritualmente por Catarina. Chamavam-na de "mãe", pois, como filhos espirituais, extraíam dela a nutrição do espírito.





Também hoje a Igreja recebe um grande benefício do exercício da maternidade espiritual de tantas mulheres, consagradas e leigas, que alimentam nas almas o pensamento de Deus, reforçam a fé das pessoas e orientam a vida cristã rumo a cumes cada vez mais elevados. "Digo e te chamo de filho - escreve Catarina a um dos seus filhos espirituais, o cartuxo Giovanni Sabatini - enquanto que te dou à luz por meio de contínuas orações e desejo na presença de Deus, assim como uma mãe dá à luz o seu filho" (Epistolário, Carta n. 141: A don Giovanni de' Sabbatini). Ao frade dominicano Bartolomeu de Dominici, ela costumava se dirigir com estas palavras: "Diletíssimo e queridíssimo irmão e filho no doce Jesus Cristo".





Outra característica da espiritualidade de Catarina está ligada ao dom das lágrimas. Estas expressam uma sensibilidade especial e profunda, capacidade de comoção e de ternura. Muitos santos tiveram o dom das lágrimas, renovando a emoção do próprio Jesus, que não reprimiu nem escondeu seu pranto diante do sepulcro do amigo Lázaro, da dor de Maria e de Marta e ao avistar Jerusalém, em seus últimos dias terrenos. Segundo Catarina, as lágrimas dos santos se misturam com o Sangue de Cristo, do qual ela falou com tons vibrantes e com imagens simbólicas muito eficazes: "Lembrai-vos de Cristo crucificado, Deus e Homem (...). Tende como objetivo Cristo crucificado, escondei-vos nas feridas de Cristo crucificado, afogai-vos no sangue de Cristo crucificado" (Epistolário, Carta n. 16: Ad uno il cui nome si tace ).





Aqui podemos compreender por que Catarina, ainda consciente das fraquezas humanas dos sacerdotes, teve sempre uma grandíssima reverência com relação a eles: eles distribuem, através dos sacramentos e da Palavra, a força salvífica do Sangue de Cristo. A santa de Sena convidou sempre os sagrados ministros - também o Papa, a quem chamava de "doce Cristo na terra" - a serem fiéis às suas responsabilidades, movida sempre e somente pelo seu amor profundo e constante pela Igreja. Antes de morrer, disse: "Partindo eu do corpo, em verdade, consumi e dei a vida na Igreja e pela Igreja Santa, o que me é uma graça singularíssima" (Raimundo de Cápua, Santa Caterina da Siena, Legenda maior, n. 363).





De Santa Catarina, portanto, aprendemos a ciência mais sublime: conhecer e amar Jesus Cristo e sua Igreja. No "Diálogo da Divina Providência", ela, com uma imagem singular, descreve Cristo como uma ponte lançada entre o céu e a terra. Está formada por três degraus constituídos pelos pés, pelo lado e pela boca de Jesus. Elevando-se por meio desses degraus, a alma passa pelas três etapas de todo caminho de santificação: o desapego do pecado, a prática das virtudes e do amor, a união doce e afetuosa com Deus.





Queridos irmãos e irmãs: aprendamos de Santa Catarina a amar com coragem, de forma intensa e sincera, a Cristo e à Igreja. Façamos nossas, para isso, as palavras de Santa Catarina que lemos no "Diálogo da Divina Providência", na conclusão do capítulo que fala de Cristo-ponte: "Por misericórdia, Tu nos lavaste no Sangue; por misericórdia, quiseste conversar com as criaturas. Ó Louco de amor! Não te bastou encarnar-te, mas quiseste também morrer! (...) Ó misericórdia! Meu coração se afoga ao pensar em Ti: em qualquer lugar em que eu volte a pensar, não encontro mais que misericórdia" (cap. 30, pp. 79-80).





http://santacatarinadesenaeopapado.blogspot.com.br/

Santa Catarina de Siena - E as lágrimas


Então Deus disse àquela serva: - Filha querida, queres que eu te fale sobre as lágrimas e seus frutos. Não vou desprezar o teu pedido.

Presta bem atenção, que passo a explicar em analogia com os estados da alma descritos acima.

Há lágrimas imperfeitas, que se fundamentam no temor servil. Em primeiro lugar, as lágrimas de condenação, próprias dos pecadores; em seguida, as lágrimas de medo, encontradas naqueles que deixam o pecado mortal por medo de castigo e choram; em terceiro lugar, as lágrimas de autoconsolação, derramadas pelas almas livres do pecado mortal que começam a servir-Me. Estas últimas também são imperfeitas, pois imperfeito ainda é o amor de onde procedem.

Lágrimas perfeitas são as que procedem do homem que atingiu a perfeição do amor pelo próximo e que me ama desinteressadamente. Unidas a estas últimas estão as lágrimas de prazer, espirituais, versadas em grande suavidade, como direi mais longamente depois. Há, enfim, as lágrimas de fogo, espirituais, concedidas àqueles que desejam chorar e não conseguem.

Todas essas lágrimas podem ocorrer numa única pessoa em sua caminhada do temor servil ao amor imperfeito e, depois, do amor perfeito à união. É nessa ordem que passo a falar-te agora.

Deves saber que toda lágrima nasce do coração. Nenhum membro corporal é tão sensível aos impulsos do coração como os olhos; se o coração sofre, logo eles o revelam. Também quando o sofrimento do coração é causado pelos pecados, os olhos derramam lágrimas, que são de morte. São lágrimas de quem vive longe de Mim, no amor dissoluto. Como o coração Me ofende, sua dor produz morte, gera lágrimas mortais. A gravidade da culpa será maior ou menor, conforme a desordem no amor. Assim, os pecadores choram lágrimas mortais. Delas falarei ainda


As lágrimas de vida

Começo falando das lágrimas que produzem a vida.

§ 1 - Ao reconhecer os próprios pecados, o homem chora por medo de castigo; são lágrimas fundamentadas no apetite sensível e procedem da dor íntima causada pelo temor da pena. Sofrendo assim o coração, os olhos choram.

§ 2 - Com a prática das virtudes, a pessoa vai perdendo esse medo. Vê que o medo, em si, não lhe concede a vida eterna - como já ficou dito ao se tratar do segundo estado da alma. Esforça-se, pois, em conhecer-se e conhecer-Me. Aos poucos vai aumentando sua esperança na Minha misericórdia. Arrependimento e esperança alternam-se. Então os olhos choram, com lágrimas a brotar da fonte do coração. Tais lágrimas freqüentemente ainda são de ordem sensível, pois o amor continua imperfeito. Se Me perguntares por que razão, respondo: porque sua raiz é o egoísmo. Não é mais um amor puramente sensível, já superado; é espiritual, mas apegado às consolações espirituais, de cuja imperfeição te falei longamente, ou apegado a alguma criatura. As consolações podem desaparecer por motivos internos ou externos; internos, quando cessa algum conforto concedido por Mim; externos, quando, por exemplo, morre uma pessoa amiga. Desaparecem igualmente pela presença de tentações e dificuldades. Em todos esses casos, a pessoa sofre e o coração, ressentido, chora.

Será um choro de autocompaixão, causado pelo egoísmo. A vontade própria ainda não morreu; são lágrimas sensíveis de autocompaixão espiritual.

§ 3 - Prosseguindo na prática das virtudes e em maior autoconhecimento, a pessoa começa a desprezar-se, a tomar consciência amorosamente dos Meus favores, a unir-se a Mim, a conformar-se à Minha vontade.

Sente, então, alegria e compaixão: alegria interior produzida pela caridade e compaixão pelos outros. Já Me ocupei do assunto ao tratar: do terceiro estado.

O coração acompanha e os olhos derramam lágrimas por Mim e pelo próximo. Sente tristeza a pessoa ante as ofensas cometidas contra Mim e o prejuízo dos ofensores; já não pensa em si mesma; preocupa-se em louvar-Me, deseja sofrer à semelhança do Cordeiro humilde, paciente e imaculado, do qual fiz uma ponte na maneira explicada.

§ 4 - Ao percorrer a ponte-mensagem do meu Filho, a alma passa pela porta que é Cristo (Jo 10,7).

Repleta da verdadeira paciência, dispõe-se a tolerar todas as dificuldades que eu Lhe enviar. Aceita-as com virilidade, sem preferências, do modo que vierem. Mais ainda! Como já afirmei, não apenas sofre com paciência, mas com alegria. Considera uma honra padecer por Minha causa; deseja mesmo sofrer. Por tais caminhos, alcança uma satisfação e paz de espírito tais, que as palavras não conseguem exprimir. Vivendo a mensagem do Meu Filho, o homem fixa o pensamento em Mim, conhece-Me, ama-Me; nas pegadas do pensamento que contempla a natureza divina unida à humana em Cristo, a vontade saboreia Minha divindade, repousa em Mim, oceano de paz. No amor, permanece unida a Mim. Mas de tudo isso já tratei ao ocupar-Me do quarto estado da alma. Pois bem, ao experimentar Minha divindade, os olhos derramam lágrimas de suavidade, verdadeiro alimento que nutre a alma na paciência. Qual perfume, estas lágrimas exalam odor de grande suavidade. Como é feliz, filha querida, o homem que ultrapassou o mar proceloso do pecado e chegou ao oceano da paz, o homem que encheu seu coração com a minha divindade. Qual aqueduto, os olhos satisfarão o coração derramando lágrimas. Este é o último estado, no qual o homem é ao mesmo tempo feliz e sofredor.

Feliz por achar-se unido a Mim, gozando do amor divino; sofredor ao ver que Me ofendem. Age de tal forma por causa do autoconhecimento; foi conhecendo-se e conhecendo-me, que chegou a tal estado.

Este estado de união, fonte das lágrimas de suavidade, não é prejudicado pelo conhecimento de si, proveniente do amor ao próximo, donde recebeu a lágrima do perdão amoroso de Deus e a tristeza pelos pecados alheios; quando chorou com os que choram e sorriu com os que sorriem (Rm 12,15). Estes últimos são as pessoas que vivem no amor; o perfeitíssimo alegra-se ao vê-los dar-Me glória e louvor. Estas segundas lágrimas do terceiro estado perfeito, são as "lágrimas de união" do quarto estado. Estes dois estados (terceiro e quarto) se completam mutuamente. Se o último pranto, causador da união com Deus, não incluísse o terceiro estado - de amor pelos homens - nem seria perfeito. Necessariamente um estado inclui o outro. Em caso contrário, cair-se-ia na presunção pela sutil preocupação da própria fama; das alturas, o homem cairia para a antiga situação de pecado.

Diante desse perigo, ocorre amar o próximo sempre com autêntico autoconhecimento; esse esforço aumentará a consciência do meu amor por si mesmo. A caridade para com o próximo deriva desse amor. Com o mesmo amor que se sente amado, o perfeitíssimo ama o outro; percebendo qual é o objetivo do meu amor, ama-o também. Num segundo instante a alma compreende sua incapacidade de ser-me útil, retribuindo-Me o puro amor ("Puro amor", para Catarina, é amar sem ser amado antes, coisa impossível de realizar-se para com Deus, que desde sempre nos amou.) que de Mim recebe. Reage, amando-Me naquele "meio" que vos dei, o próximo; nele todas as virtudes são praticadas. Todas as qualidades que vos dei, destinam-se ao benefício dos outros, em geral e em particular. É vossa obrigação amar com o mesmo puro amor que eu Vos amo. Não sois capazes de praticá-lo para comigo, já que Vos amei antes de ser por vós amado. Meu amor não tem justificação; amo antes. Foi tal dileção que levou a criar-vos a Minha imagem e semelhança. Sim, amor igual não podeis manifestar relativamente a Mim; praticai-o para com os homens. Amando-os sem serdes amados, amando-os sem interesses espirituais e materiais; amando-os unicamente para o louvor do Meu nome; amando-os porque são amados por Mim. É desse modo que cumprireis o mandamento de "amar-Me sobre todas as coisas e ao próximo como a vos mesmos".

A tais alturas não se chega sem atingir o estado de união, que segue o terceiro. Mas seria impossível conservar tal união Comigo, se se abandona aquele amor das lágrimas do terceiro estado, da mesma forma que não é possível cumprir o mandamento de amar-Me sem cumprir o mandamento de amar o próximo. Eles, (os dois amores) são os dois pés que levam a vivência dos mandamentos e dos conselhos dados por Meu Filho crucificado. Estes dois estados (terceiro e quarto) reduzem-se a um e nutrem o homem na prática das virtudes e na união Comigo. Realmente, não se trata de um novo estado; é o terceiro que se aperfeiçoa em novas, numerosas e admiráveis elevações do espírito, conforme expliquei. Dá-se uma compreensão da verdade que, embora realizada na terra, parece celeste. Em tal união, a sensualidade é dominada e a vontade própria morre.

Como é agradável essa união para quem a desfruta; ao experimentá-la, o homem conhece Meus segredos e chega mesmo a profetizar acontecimentos futuros. São coisas que dependem de Mim, e a pessoa interessada não deve dar-lhes grande valor. Explico-Me: valorize, sim, o que realizo; mas evite comprazer-se por apego pessoal. Que a pessoa se julgue indigna de qualquer sossego e tranqüilidade espirituais. A fim de nutrir sua alma, não se julgue um perfeitíssimo, mas desça ao vale do autoconhecimento. Esta volta ao conhecimento de si é uma graça, destinada a iluminar a alma e fazê-la progredir. Durante esta vida, ninguém é tão perfeito que não possa aperfeiçoar-se no amor. Somente meu Filho, que é vossa cabeça (l Cor 11,3), não podia progredir na perfeição, pois Eu e Ele somos um. Por causa da união com a natureza divina, Sua alma era compreensora. (No sentido de que gozava a visão beatífica)

Vós, ainda peregrinos, sempre podeis crescer. Não que atinjais um estado ulterior, pois o estado de união é o último. Por Minha graça podeis aperfeiçoá-lo segundo vosso desejo.


FONTE: espaçojames.com.br




sexta-feira, 26 de abril de 2013

A urna de São José de Copertino na Basílica dos Santos XII Apóstolos


Por Frei Mario Peruzzo, OFMConv. | Trad. Adapt. Cleiton Robsonn.

No 350º aniversário da morte de São José de Cupertino (1663-2013), a Basílica dos Santos XII Apóstolos de Roma acolheu as relíquias do Santo desde o dia 7 até 12 de abril.

Durante a sua vida, Frei José viveu por dois breves períodos no convento dos Santos Apóstolos: Um na primavera de 1639 e o outro em 1644. Hoje, na Basílica, se pode admirar a bela tela que Giuseppe Cades (1777) pintou sobre o êxtase do Santo enquanto celebrava a Santa Missa em Assis, em 1651.

Com o motivo da exposição das relíquias, a paróquia organizou um completo programa de encontros e celebrações. Cada dia se concluía com uma solene concelebração, presidida por um Bispo: Dom Matteo Zuppi, da pastoral familiar; Dom Lorenzo Leuzzi, da pastoral acadêmica e universitária; Dom Gianfranco Girotti, de espiritualidade franciscana, e Dom Filippo Iannone, dos grupos de oração de São Pio de Pietralcina.

Na sexta-feira, 12 de abril Sua Eminência, o Cardeal Angelo Amato concluiu os seis dias de participação e oração, presidindo a Santa Missa das 11:30.

No início da tarde, a urna, com o corpo do Santo, partiu para a pontifícia faculdade de São Boaventura para, depois, ir para a paróquia do seu nome, isto é, São José de Cupertino, em Cecchignola. T

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Reflexões Franciscanas

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Miséria e Graça na vida religiosa: A hipersensibilidade

Por Frei Edson Matias, OFMCap.

A sensibilidade é algo que deve ser cultivado em todos nós. Sensibilidade é diferente de melindres. Também não é sentimentalismo ou muito menos seu oposto, a dureza. Quando falamos de sensibilidade por muitas vezes estamos querendo proteger o nosso euzinho ou do outro, com a intenção desse também nos deixar quietos. Em um mundo onde se constroem castelos artificiais nas relações é como ‘o homem imprudente que construiu sua casa sobre a areia’. Toda a estrutura cai e revela o caranguejo que estava por debaixo.

A imagem do caranguejo é uma ilustração das ‘terras movediças’ da hipersensibilidade nas relações. Nesse território não existe amizade nem possibilidade de construção de fraternidade. O Evangelho? Bem... Nem aí pode entrar, pois as relações são dominadas por uma legião de ‘demônios surdos’. Sim! Esses mesmos. Frutos de um interior povoado de sombras não reconhecidas, cada vez mais vai se dividindo até formar uma ‘legião’. Daí é complicado diferenciar que parte somos nós mesmos, o outro e Deus.

A hipersensibilidade revela corações feridos, solitários, zangados, carentes. Isso vai, como a água suja que quieta vai assentando o barro no fundo, solidificando. Torna a aparência límpida, mas se a água é mexida, tudo se turva novamente.

Esse assentamento se dá aos poucos. Pelas próprias feridas familiares, depois pelas relações não resolvidas, mal vividas e depois interpretadas com os óculos da dor. Quando não trabalhado na VR isso tende a piorar com o tempo. A carência, as necessidades físicas e psíquicas não satisfeitas vão inundando os desejos e aí tudo se turva e o caranguejo vai para fora.

Por vezes, existe a tentativa boa, mas não eficaz, de criar uma comunidade perfeita. Usam-se até textos do fundador, das Sagradas Escrituras para confirmar a hermenêutica da dor, das feridas. É uma luta. O tempo passa e as relações não melhoram. Parece que pioram. Alguns não resistem e desistem. Precisam de novos ares, respirar, limpar as lágrimas dos olhos que marejaram da dor sofrida e se tem outra possibilidade de começar. Para uns é bom, para outros, frustrante.  

Mudam-se os Irmãos, muda o governo... E lá esta o problema. Mas o que acontece? Por que não se vê saída? Tudo parece turvo. E lá está mais uma fez o caranguejo. Tenta-se mais uma vez criar uma fraternidade perfeita. Nova frustração. E as coisas vão caminhando.

Isso pode ocorrer com qualquer um na VR. Aquele dia que se acordou de mal humor, ou em que se sente carente e, de repente, lá se foi aquilo que ‘não se queria falar’ e tudo está perdido novamente. Trincou o teto de vidro do outro. Mais um pouco, vai quebrar. Ufa!!! Ainda está lá. Porém, a relação não é a mesma coisa.

Tal situação pode ser um momento importante para refazer as relações como também de estabelecer distanciamentos. Sendo a mensagem do carisma ou do Evangelho mal interpretado, vão se tentar criar outras casas na areia. Vai ser outro tombo. Para uns parece ser uma constante. Dizem consigo: “Essa é a proposta de nosso carisma, do Evangelho. Realmente é difícil para todos entenderem”. Será mesmo? Ou será nossa necessidade que as coisas caminhem de acordo com nossa hipersensibilidade? É difícil saber. Somente pelos frutos reconhecemos.  Caso tenhamos uma busca estressante, ansiosa, que nos perturba, querendo mudar o comportamento dos outros Irmãos. Isso pode ser um sinal que não estejamos trilhando bons caminhos. Uma boa conversa com alguém experiente, que seja neutra à situação, pode nos ajudar a sair do atoleiro.

O desejo de ter uma vida fraterna mais calorosa e verdadeira é importante ser cultivado. No entanto, isso requer maturidade. Precisamos saber de que lugar desejamos isso. Que motivações, além das necessidades pessoais, queremos mudar as relações na Vida Religiosa. Quantos de nós já não nos deparamos com uma religiosa ou religioso que tenta mudar a todos?! Que cada um possa ser mais afetivo, compreensivo, etc. Todavia, o que move tal pessoa pode ser a busca de satisfazer suas necessidades nos Irmãos. Ou seja, todos devem mudar para satisfazer o eu! Parece um absurdo, mas existem muitos consagrados assim. Perdidos em si mesmos. Lembro daquela série da década de 90, uma família de dinossauros que tinha um filhote que gritava o tempo todo: “tem que me amar!” Um verdadeiro tirado, apesar de engraçado.

E quando a hipersensibilidade se junta a um cargo? Acho que já tratamos desse assunto em outro ponto. Quando falamos da diferença entre liderança e cargo. O estrago é grande. Pois a mãe da hipersensibilidade é a insegurança. Criticar a administração de um hipersensível é iniciar uma briga. Caso seja um religioso que tenha a tendência de "ganhar no grito", as pupilas vão dilatar, os vasos sanguíneos menores vão contrair, retirando o sangue da superfície da pele, deixando a pele um pouco mais pálida. Nessa hora é melhor correr. Caso se trate de um mais contido vai se torturar sozinho ou procurar se vingar. Isso vai variar muito de como a pessoa construiu suas relações.

Hipersensibilidade e cargo juntos é igual a poder.

HIPERSENSIBILIDADE + CARGO/FUNÇÃO = PODER

Poder aqui é o contrário de serviço, de ministério. Nesse caso, a pessoa vai querer ser servida pelos que estão sob a sua ‘tutela’. O modelo de Jesus aqui pode existir no discurso, mas não na prática. Tal situação é mais comum do que se possa imaginar na Vida Religiosa.

Como a hipersensibilidade tem como mãe a insegurança os cargos dispostos nas instituições da congregação tendem a atrair tais pessoas como a luz atrai mariposas. Por isso que muitos que estão nas coordenações de Congregações exercem poder e não ministério!

INSEGURANÇA + HIPERSENSIBILIDADE = CARGO

Mas, por favor... Não são todos. No universo tão grande de Instituições seria um absurdo dizer que tais problemáticas existem em todas de forma generalizada. Mas também seria uma ingenuidade achar que somente algumas apresentam esse tipo de liderança. Além do mais, não tem como a gente generalizar. Cada Família tem sua história, seus erros e acertos. Logo, uso aqui uma forma mais pedagógica de apresentar situações, exacerbando uma ou outra para que possamos entender.

Mas por que isso ocorre na Vida Religiosa Consagrada? Aonde esta o Evangelho? Que momento caminho pode ficar tortuoso? Vamos conversando...

São Marcos Evangelista

Salve Maria! Hoje vamos tratar sobre São Marcos. Ele não foi um apóstolo como São Mateus, mas conviveu muito com o 1º Papa São Pedro. Descubra por que seu escrito é conhecido como " O evangelho dos milagres" e também muitas outras caracteristicas de seu evangelho.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Somos pessoas perigosas!


Quais os sinais de conversão carregamos?
Estamos vivendo somente na superfície da nossa fé, da nossa santidade?
Estamos trabalhando para Deus ou estamos trabalhando com Deus?
A conversão aconteceu, mas a busca acabou!
A conversão aconteceu mas prefiro deixar para seguir Deus depois!
Já participei de vários retiros, já O conheço, porém minha vida promíscua contínua;
Várias pessoas passam pelas nossas vidas diariamente e não acrescentamos nada na vida dela;
Nossas especilaidades muitas vezes tem sido a fofoca, o falar da vida alheia, o julgar e condenar;
Somos na verdade pessoas perigosas que como um carro desgovernado não sabe para onde vai;
Nos tornamos pessoas perigosas quando afastadas do Pai, fazemos muita bagunça e nem percebemos;
Existe a maneira certa de ser, ter e fazer mas preferimos fazer do nosso jeito...
Temos tratado os outros de qualquer jeito e feito do nosso corpo qualquer tipo de casa;
Passamos várias horas nos enchendo de porcarias e não paramos 10 minutos se quer dentro de uma igreja para ser preenchido.
Para onde estamos indo?
Que rastro tenho deixado?
Meus filhos me copiam?

FONTE: Filhos Espirituais de Pe. Pio

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Quem nos separará do amor de Cristo?

 
Homilia do 4º Domingo da Páscoa ~ Domingo do Bom Pastor ~ por Pe. Paulo Ricardo
No contexto da polêmica que surgiu depois de seu discurso do Bom Pastor, o evangelista São João mostra com clareza o relacionamento de Jesus com suas ovelhas.

Ouvir com docilidade a voz do Pastor é garantia de uma proteção que vem do alto.

Se olhamos sem fé para os acontecimento de nossa vida e da história da Igreja, vemos que estamos atravessando o “vale tenebroso”(cf. Sal 23, 4).

Mas aquele que tem fé ouve a voz do Pastor que “dá a vida pelas ovelhas”. E é o amor do Crucificado que cura nossa cegueira. Num olhar superficial o rebanho de Cristo é continuamente tratado como “ovelhas de corte” (cf. Rom 8, 36). Mas no olhar iluminado pela Cruz do Bom Pastor, “somos mais do que vencedores” (ὑπερνικῶμεν – Rom 8, 37), pois nada nos separará do seu amor, nada nos arrancará de sua mão.

Salmos, 23
1. O Senhor é o meu pastor. Nada me falta. 2. Em verdes pastagens me faz repousar; para fontes tranquilas me conduz, 3. e restaura minhas forças. Ele me guia por bons caminhos, por causa do seu nome. 4. Embora eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo. 5. Diante de mim preparas a mesa, à frente dos meus opressores; unges minha cabeça com óleo, e minha taça transborda. 6. Sim, felicidade e amor me acompanham todos os dias da minha vida. Minha morada é a casa do Senhor, por dias sem fim.

Romanos 8
35. Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36. Como diz a Escritura: "Por tua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro." 37. Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. 38. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes. 39. nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor.

sábado, 20 de abril de 2013

Das 4 coisas que produz grande paz


1. Jesus: Filho, vou agora te ensinar o caminho da paz e da verdadeira liberdade.
2. A alma: Fazei, Senhor, o que dizeis, que muito grato me é ouvi-lo.
3. Jesus: Filho, trata de fazer antes a vontade alheia que a tua. Prefere sempre ter menos que mais. Busca sempre o último lugar  todos. Deseja sempre e roga que se cumpra plenamente em ti a vontade de Deus. O homem que assim procede penetra na região da paz e do descanso.
4. A alma: Senhor, este vosso discurso é breve, mas encerra muita perfeição. Poucas são as palavras, cheias, porém, de sabedoria e de copioso fruto. Se eu as praticasse elmente, não me deixaria perturbar com tanta facilidade. Pois, todas as vezes que me sinto inquieto e aito, verico que me desviei desta doutrina. Vós, porém, que tudo podeis e desejais sempre o progresso da alma, aumentai em mim a graça, para que possa guardar vossos ensinamentos e levar a efeito minha salvação.


Oração contra os maus pensamentos
1. Senhor, meu Deus, não vos aparteis de mim, meu Deus dignai-vos socorrer-me (Sl 70,13). Pois me invadem vários pensamentos, e grandes temores aigem minha alma. Como escaparei ileso, como poderei vencê-los?
2. Diante de ti, são palavras vossas, irei eu e humilharei os soberbos da terra (Is 14,1); abrir-te-ei as portas do cárcere e te revelarei mistérios recônditos.
3. Fazei Senhor, conforme dizeis e dissipe vossa presença todos os maus pensamentos.
Esta é a minha única esperança e consolação: a vós recorrer

em toda tribulação, em vós conar, invocar-vos de todo o coração e com paciência aguardar a vossa consolação. Amém.




Imitação de Cristo


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Que haveis de fazer, quando o Senhor começar a pedir contas?

 

Ai dos corações divididos, dos lábios criminosos, das mãos depravadas e do pecador, que pretende entrar na terra por dois caminhos!

Ai dos corrompidos de coração, que não crêem, e por isso não serão protegidos!

Ai de vós, que perdestes a perseverança e abandonastes os caminhos retos, extraviando-vos por caminhos depravados!

Que haveis de fazer, quando o Senhor começar a pedir contas?

Os que temem o Senhor não são rebeldes às suas palavras, os que o amam observam seus

caminhos.

Os que temem o Senhor procuram o que lhe agrada, os que o amam saciam-se com a sua Lei.

Os que temem o Senhor preparam seus corações e na sua presença se purificam.

Os que temem o Senhor guardam seus mandamentos e perseveram até a sua vinda.

Eles dizem: “Mesmo não convertidos cairemos nas mãos do Senhor e não nas dos homens,

pois tamanha é a sua grandeza, tão grande é a sua misericórdia !”

 

Livro do Eclesiástico 2, 14-23

segunda-feira, 15 de abril de 2013

As dificuldades da vida humana


Penosa ocupação foi dada a todos os mortais e pesado jugo oprime os filhos de Adão, desde o dia em que saem do ventre de sua mãe até o dia da volta para a mãe comum: objeto de suas reflexões e temor do seu coração é a descoberta do que os espera, o dia do seu fim.
Desde aquele que está sentado em trono glorioso até o humilhado na terra e na cinza; desde quem veste púrpura e cinge a coroa até quem está coberto de linho cru: tudo é furor, inveja, inquietação, agitação, temor da morte, ressentimento, discórdia.

Até no tempo do repouso, sobre a cama, o sono da noite apenas alterna os cuidados.
Um pouco de repouso, quase nada e logo, em sonho, estão aflitos como se fosse de dia.
Perturbam-se com as visões do coração, como quem tivesse escapado da batalha; no tempo do sono necessário, despertam e se admiram do vão temor.
Para todo ser de carne, do homem ao animal, mas, para os pecadores, sete vezes mais:
morte, sangue, dissensão e espada, opressões, fome, destruição e flagelos. Para os iníquos foram criadas todas essas coisas, e por causa deles é que veio o dilúvio.
Tudo o que vem da terra volta para a terra, e tudo o que vem das águas volta para o mar.

Todo suborno e toda iniquidade perecerão, mas a fidelidade permanece eternamente.
As riquezas dos injustos secarão como a torrente no deserto e passarão como o trovão, que ribomba na tempestade.
Como o justo se alegra, abrindo as mãos, assim os prevaricadores, no fim, perecerão.
Os rebentos dos ímpios não multiplicarão seus ramos, como raízes impuras no topo da rocha.
A folhagem que cresce à flor das águas e na beira do rio será arrancada antes de qualquer outra erva.
Mas a bondade é como um jardim de bênçãos, e a esmola permanece para sempre.

A vida de um autônomo e mesmo a de um operário é relativamente boa, mas, acima deles, a de quem encontrar um tesouro.
Filhos e a edificação de uma cidade perpetuam o nome, mas acima disto está a mulher irrepreensível.
Vinho e música alegram o coração, mas o amor da Sabedoria excede ambas as coisas.
Flauta e harpa tornam suave a melodia, mas acima de ambas está a língua suave.
Graça e beleza são o desejo dos olhos, mas acima de ambas estão as verdes plantações.
Amigo e companheiro auxiliam-se mutuamente a seu tempo, mas, mais do que eles, mulher e marido. Irmãos e ajuda são úteis no tempo da tribulação, mas, acima de ambos, a esmola é que liberta.
Ouro e prata dão firmeza aos pés, mas acima de ambos está um conselho conveniente.
Riquezas e forças exaltam o coração mas, acima delas, o temor do Senhor.
Com o temor do Senhor, nada falta; com ele, não é preciso procurar socorro.
O temor do Senhor é como um jardim de bênçãos, e a sua proteção está acima de toda glória.

Filho, não sejas indigente enquanto vives: é melhor morrer, do que viver como indigente.
Aquele que fica olhando para a mesa de estranhos não leva uma vida que mereça esse nome: com essas comidas mancha até a alma.
Quem é instruído e educado, porém, delas se guardará.
Na boca do desavergonhado a mendicância é doce, mas em seu ventre arderá como o fogo.



Livro do Eclesiástico 40, 1-32



domingo, 14 de abril de 2013

A PROVA DECISIVA: A PROVA DO AMOR

Bem sabemos que as palavras "te amo", infinitamente repetidas em todos os tempos, em todas as latitudes do planeta, na maioria dos casos podem ser apenas expressão provisória e vazia do sentimento humano.
Mas o olho de Jesus sabe ir além das simples palavras de Pedro,o qual, ao dizer "te amo", não estava blefando: mais tarde daria a vida por amor. Porque amor, no fundo, é só isto: fazer da própria vida um dom para a felicidade do outro.
Então, poderíamos dizer que o evangelho é o desmascaramento do amor falso, daquele amor que é apenas um impulso imediato da natureza humana: amor que não e dom de si, mas apropriação indébita da vida alheia.
É verdade, existe mesmo um tipo de amor que se manifesta e se afirma como realidade oposta ao amor verdadeiro; como dilatação e sublimação do próprio egoísmo. Egoísmo que vive e se alimenta com a exploração da outra criatura, a qual, não raro, acaba sendo destruída.
É claro que o evangelho não é um projeto de psicanálise. É antes a enunciação de um projeto existencial, em que todas as nossas energias, todas as nossas capacidades assim como nosso próprio coração são postos a duras provas: convocados ao serviço daquela parte da humanidade deserdada de tudo, que nunca soube amar porque nunca se sentiu amada.
"Tu sabes que eu te amo." É emocionante, é belo e divino saber que alguém nos ama. Da mesma forma, é emocionante e divino que outros escutem de nós essa mesma declaração de amor.
Amar, porém, que dizer estar disponível para fazer da própria vida um dom. Pronto para ultrapassar as fronteiras da existência individual - e se consumar para a felicidade dos outros.
Mas é sempre bom lembrar que, assim como para Jesus e para Pedro, a prova do nosso amor só pode ser o caminho do calvário.

Pe. Virgilio, ssp sobre o Evangelho deste domingo 14/04/2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vantagens do santo sacrifício




A grandeza e a beleza são dois motivos assaz
poderosos para tocar os corações; a utilidade, porém, os
persuade e, a despeito de toda repugnância, arrebata quase sempre à vitória.
Ainda que a excelência e a necessidade da Santa Missa não fossem para vós bastante ponderáveis, como poderíeis deixar de apreciar a magna utilidade que ela proporciona aos vivos e falecidos, aos justos e aos pecadores, para a vida e para a morte, e mesmo para depois da morte?
Imaginai que sois aquele devedor do Evangelho, cuja dívida se elevara à enorme quantia de dez mil talentos. Chamado a prestar contas humilha-se, implora e pede adiamento para satisfazer completamente o débito:
Patientiam hiabe in me, et omnia rddam tibi.
“Tem paciência comigo, que tudo de pagarei” (Mt 18, 26)
Aí está o que deveis fazer, vós que tendes com a Justiça
divina não uma, mas mil dívidas. Deveis humilhar-vos e
suplicar tempo bastante para assistir à Santa Missa; e ficai certos de que estas Santas Missas saldarão completamente todas as vossas obrigações.
São Tomás de Aquino, o Doutor angélico, nos ensina
quais são as dívidas que temos com DEUS. Ele diz que há especialmente quatro. Todas as quatro ilimitadas.
A primeira é de adorar, louvar e honrar este DEUS de
majestade infinita e digno de infinitos louvores e homenagens.
A segunda dar-Lhe satisfação pelos pecados que cometemos.
A terceira, render-Lhe graças pelos benefícios recebidos.
A quarta, implora-Lhe, como fonte de todas as graças.
Ora, como é possível que pobres criaturas como nós,
que nada possuímos, nem mesmo o ar que respiramos,
possam jamais satisfazer obrigações tão grandes?
Consolemo-nos, pois aqui está um meio facílimo. Façamos o possível para participar de muitas Missas e com a máxima devoção; mandemos celebrá-la também o mais que pudermos: e, se bem que nossas dívidas sejam enormes e inumeráveis, não há dúvida de que, com o tesouro contido na Santa Missa, poderemos solvê-las inteiramente. E para melhor compreendermos estas dívidas, explicá-las-ei uma depois da outra, e grande será vossa consolação ao ver a grande utilidade e inesgotável riqueza que podeis haurir de mina abundante, para pagar todas.


LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO
da Ordem dos Frades Menores
AS EXCELÊNCIAS
DA
SANTA MISSA

terça-feira, 9 de abril de 2013

Razões para ser Padre


http://www.padrechrystianshankar.com.br/novo/reflexoes/belos-textos/201-razoes-para-ser-padre

Na sociedade atual, hedonista e secularizada, a figura do Padre é objeto de muita discussão, inclusive através da mídia. Freqüentemente, pessoas que pouco entendem do assunto, se permitem a audácia, talvez até com boa intenção, de dar sugestõe sobre como deveria ser o sacerdócio católico. O Presbítero, habitualmente chamado pelo povo de Padre, possui o segundo grau do Sacramento da Ordem.
Primeiramente, é preciso compreender que o Padre foi chamado por Deus. Não é uma vocação que alguém escolhe, porque se julga apto para tal, ou porque acha interessante. A escolha é de Deus, e o seu chamado não se discute. Por isso, o sacerdócio é um privilégio, imerecido. Quando da eleição dos Apóstolos, e também dos discípulos, Jesus passou a noite em oração. Pela manhã, Ele escolheu os que queria para o seu grupo, com os quais fundou a sua Igreja, que subsistirá até o fim dos tempos - a Igreja Católica Apostólica Romana.
O Padre é homem de Deus. Esta é sua característica fundamental. Tudo que se queira acrescentar à sua figura, são detalhes acidentais. Jesus, aos 12 anos, afirmou: "Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?" (Lc 2,49). Tal é a realidade mais profunda do Padre - as coisas do Pai.
Apesar do secularismo, a que já aludimos, o homem hodierno busca, sequiosamente, o rosto de Cristo. Por isso, o Padre é chamado a ser representante do próprio Senhor: ele O torna novamente presente. E quanto mais transparente e mais perfeita for essa presença, melhor responderá às indagações dos que a procuram. Nosso pranteado Papa João Paulo II nos exortava a contemplar o rosto de Cristo, para revelá-lo aos outros. Chegou a dizer que os Padres são o "Coração de Jesus" - expressão forte, que significa o amor de Jesus, divino e humano, que o Padre deve transparecer, através da missão que exerce. O povo quer ver, tocar, perceber, ouvir o Cristo na pessoa do Padre. Por isso, a palavra do Padre não é dele mesmo, mas é a Palavra de Deus. O toque sacramental do Padre não é um toque meramente humano, mas ultrapassa esta dimensão e penetra no divino, do qual o sacerdócio é, de fato, mediação.
Esta configuração ao Cristo tem profundas raízes teológicas, que atestam a exclusividade do sacerdócio para os varões, como participação no único e eterno sacerdócio do próprio Cristo. Jesus não escolheu nem sua própria Mãe Santíssima, para compor o grupo daqueles que seriam a base apostólica da sua Igreja. Mas não é nosso propósito discutir este assunto, no presente texto. Apenas confirmamos a posição da Igreja, em nome de quem o Papa João Paulo II falou, quando expôs, claramente, seu ensinamento a este respeito.
Ainda segundo o saudoso Papa, na sua Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis - "Dar-vos-ei Pastores segundo o meu Coração" (Jr 3,15), de 25 de março de 1992, o Padre tem que possuir 5 qualidades essenciais: [1] Ser homem, física e psicologicamente, sadio; [2] Ser pessoa de oração, portanto piedoso; [3] Ser uma pessoa culta. A formação intelectual de um Padre exige um mínimo de 7 anos de estudos universitários, incluindo as Faculdades de Filosofia e de Teologia, além da comprovada competência pastoral; [4] Ser um verdadeiro pastor; [5] Ser um elemento de equipe, que saiba viver em comunidade e para a comunidade. Que nunca trabalhe só, a não ser nas coisas do trato direto com Deus.
Como seguidores de Cristo, os Apóstolos tiveram que deixar tudo: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim" (Mt 10,37). Trata-se da doação integral da pessoa e da sua capacidade de amar, para que Cristo dela disponha em favor dos mais necessitados: os pobres, os pecadores, os que sofrem de múltiplas carências, os que nos procuram para aconselhamento. Para estar disponível a tudo isto, permanentemente, é preciso ter um amor exclusivo. São Paulo diz, claramente: "O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa" (1Cor 7,32-33). Portanto, tem um coração dividido.
O Padre não pode viver assim. O seu amor, as suas energias, a sua competência, tudo deve estar a serviço das ovelhas do seu rebanho. Por isso, a Igreja, desde os primórdios, introduziu o celibato, seguindo a exigência que Jesus fez aos Apóstolos sobre deixar tudo. Apesar do que afirmam as críticas apressadas a esta norma antiqüíssima, o celibato sacerdotal não é a causa de eventuais problemas afetivos.
Rezemos para que Deus nos dê sempre bons e santos Padres, segundo o seu Coração: "A promessa do Senhor suscita no coração da Igreja a oração, a súplica ardente e confiante no amor do Pai de que, tal como mandou Jesus o Bom Pastor, os Apóstolos, os seus sucessores, e uma multidão inumerável de presbíteros, assim continue a manifestar aos homens de hoje a sua fidelidade e a sua bondade" (Pastores Dabo Vobis, n°82).

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A fé que move montanhas

A palavra fé, vem do vocábulo latim, fides, de onde vem o nosso adjetivo fidelidade, que é o mesmo que confiança. Não adianta somente ser fiel, devemos também confiar, só assim o impossível pode acontecer. Em Hebreus 11, 1 – 3 diz que a fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do impossível.

Segundo o apóstolo Paulo a fé é u, dom dado pelo espírito (ICor 12,9). O Espírito Santo é aquele que tem o poder de convencer o nosso coração. João 16, 8 – 9.
Portanto, quando o espírito toca o nosso coração, temos a fé acionada, e assim conseguimos ser fiel e confiar no Senhor.

Quando os discípulos perguntaram por que não conseguiram expulsar um demônio, Jesus respondeu: “ Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiveres fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela irá, e nada vos será impossível”. Mat 17,20.
A montanha a que Jesus se referia, era de forma literal. Alguns dizem ser o monte Tabor, mas isto seria impossível, pois havia uma fortaleza romana ocupando o monte Tabor, e por este motivo seria improvável que Jesus se reunisse ali. As características geográficas do texto apontam para o monte “Ermom”,a 20km de Cesaréia, com 2,800mt de altura.

Quando Jesus fala de fé, ele diz fé, como um grão de mostarda, e não tamanho do grão de mostarda. Jesus fala no sentido qualitativo e não quantitativo, fala eficiência do grão de mostarda. O grão de mostarda embora seja a menos de todas as sementes, quando plantada torna-se a maior de todas as hortaliças, podendo chegar de 4 a 8 metros de altura. A nossa fé precisa ter qualidade.Naquela época existia um costume entre os rabino que quando alguém tivesse uma causa muito difícil, apresentava aos rabinos e aquele que solucionava o problema era apelidado de removedor de montanhas, ou seja, Jesus queria transformar seus discípulos em removedores de montanhas. É a fé de qualidade.

Em Lucas 17,6 Jesus disse: “ Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá.A bíblia no original sempre diz a como qualidade e não do tamanho, ressaltando sempre a qualidade. Não existe pé de amoreira plantada no mar, isto seria impossível, Jesus estava ensinando seus discípulos que com fé de qualidade, eles veriam o sobrenatural, o impossível, o inacreditável. Ora sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram Heb. 11,6.

- Quando te apresentares diante de Deus, faça isso com fé de qualidade.
- Quando as muralhas se levantam contra ti, faça uso da fé de qualidade.
- Quando todas as portas se fecham, a chave é a fé de qualidade.
- Somente com a qualidade de nossa fé ouviremos Jesus dizer: “alguém me tocou diferente”.
- Lembre-se é através da fé como um grão de mostarda, que as águas se abriram para você passar 
- Portanto, seja você também um removedor de montanha .

Charles Vieira
Comunidade Missionária Elyon

http://www.missaoelyon.com.br/formacao2.asp?codnot=100002

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