segunda-feira, 15 de abril de 2013

As dificuldades da vida humana


Penosa ocupação foi dada a todos os mortais e pesado jugo oprime os filhos de Adão, desde o dia em que saem do ventre de sua mãe até o dia da volta para a mãe comum: objeto de suas reflexões e temor do seu coração é a descoberta do que os espera, o dia do seu fim.
Desde aquele que está sentado em trono glorioso até o humilhado na terra e na cinza; desde quem veste púrpura e cinge a coroa até quem está coberto de linho cru: tudo é furor, inveja, inquietação, agitação, temor da morte, ressentimento, discórdia.

Até no tempo do repouso, sobre a cama, o sono da noite apenas alterna os cuidados.
Um pouco de repouso, quase nada e logo, em sonho, estão aflitos como se fosse de dia.
Perturbam-se com as visões do coração, como quem tivesse escapado da batalha; no tempo do sono necessário, despertam e se admiram do vão temor.
Para todo ser de carne, do homem ao animal, mas, para os pecadores, sete vezes mais:
morte, sangue, dissensão e espada, opressões, fome, destruição e flagelos. Para os iníquos foram criadas todas essas coisas, e por causa deles é que veio o dilúvio.
Tudo o que vem da terra volta para a terra, e tudo o que vem das águas volta para o mar.

Todo suborno e toda iniquidade perecerão, mas a fidelidade permanece eternamente.
As riquezas dos injustos secarão como a torrente no deserto e passarão como o trovão, que ribomba na tempestade.
Como o justo se alegra, abrindo as mãos, assim os prevaricadores, no fim, perecerão.
Os rebentos dos ímpios não multiplicarão seus ramos, como raízes impuras no topo da rocha.
A folhagem que cresce à flor das águas e na beira do rio será arrancada antes de qualquer outra erva.
Mas a bondade é como um jardim de bênçãos, e a esmola permanece para sempre.

A vida de um autônomo e mesmo a de um operário é relativamente boa, mas, acima deles, a de quem encontrar um tesouro.
Filhos e a edificação de uma cidade perpetuam o nome, mas acima disto está a mulher irrepreensível.
Vinho e música alegram o coração, mas o amor da Sabedoria excede ambas as coisas.
Flauta e harpa tornam suave a melodia, mas acima de ambas está a língua suave.
Graça e beleza são o desejo dos olhos, mas acima de ambas estão as verdes plantações.
Amigo e companheiro auxiliam-se mutuamente a seu tempo, mas, mais do que eles, mulher e marido. Irmãos e ajuda são úteis no tempo da tribulação, mas, acima de ambos, a esmola é que liberta.
Ouro e prata dão firmeza aos pés, mas acima de ambos está um conselho conveniente.
Riquezas e forças exaltam o coração mas, acima delas, o temor do Senhor.
Com o temor do Senhor, nada falta; com ele, não é preciso procurar socorro.
O temor do Senhor é como um jardim de bênçãos, e a sua proteção está acima de toda glória.

Filho, não sejas indigente enquanto vives: é melhor morrer, do que viver como indigente.
Aquele que fica olhando para a mesa de estranhos não leva uma vida que mereça esse nome: com essas comidas mancha até a alma.
Quem é instruído e educado, porém, delas se guardará.
Na boca do desavergonhado a mendicância é doce, mas em seu ventre arderá como o fogo.



Livro do Eclesiástico 40, 1-32



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