sábado, 30 de abril de 2016

Para ler quando a Igreja te faz sofrer

cross

Como és contestável para mim, Igreja!
E, no entanto, como te amo!
Como me fizeste sofrer!
E, no entanto, quanto te devo!
Às vezes, gostaria de te ver destruída.
E, no entanto, tenho necessidade de tua presença.
Deste-me tantos escândalos!
E, no entanto, me fizeste compreender a santidade.
Nunca vi nada de mais obscurantista,
mais comprometido e mais falso no mundo,
como em ti vejo viver.
Mas também nunca toquei em nada tão puro,
tão generoso e tão belo!
Quantas vezes tive vontade de
bater a porta de minha alma em tua cara!
E quantas vezes orei, para um dia,
em teus braços seguros morrer!
Não, não posso me libertar de ti,
porque eu mesmo sou tu,
mesmo não sendo completamente tu!
Além disso, aonde iria eu?
Construiria outra?
Mas não poderia construí-la,
senão com os mesmos defeitos e falhas,
porque são os meus defeitos e falhas
que levo para dentro de ti, Igreja.
E, se eu construísse uma outra igreja,
seria a minha igreja e não a Igreja de Cristo!
E, na verdade, já estou bastante velho
para tentar me enganar.
Já devo é compreender que
não sou melhor que os outros…
Igreja Santa,
Templo do Senhor,
morada de Deus…
e espelho meu!

(Por Carlo Carreto)

terça-feira, 26 de abril de 2016

Em que ordem ler a Bíblia?

Há pessoas que abrem a Bíblia no início e começam a ler a partir do Gênesis, mas logo desistem
bible

A Bíblia não é um simples livro. Ela é uma biblioteca de 73 livros. Eles são bem diferentes uns dos outros, têm os mais diversos estilos, foram escritos em épocas muito distantes e em situações muito diferentes.
Imagine-se chegando a uma biblioteca como essa e começando a ler o primeiro livro que encontrar na estante, passando para o segundo e assim por diante. Essa leitura não pode dar certo! Há pessoas que abrem a Bíblia no iníco e começam a ler a partir do Gênesis. Elas, em geral, não passam do quinto livro. Desanimam e não retornam mais. E, o que é pior, acabam dizendo que é impossível, que não se consegue entender a Bíblia. Mas, isso aconteceria com qualquer biblioteca do mundo!

É necessário um Plano de leitura. No início, há muita coisa que não se entende, o que é muito natural. Até na leitura de um romance acontece isso. Não pare por causa disso, prossiga! À medida que se vai lendo, as coisas vão se esclarecendo. É uma regra de ouro: a Bíblia se explica por si mesma. Por isso, é tão importante um plano de leitura.
Existem vários planos de leitura. Todos eles são bons, porque se baseiam num princípio. Apresento aqui um determinado plano. Ele se destina àqueles que desejam começar a ler a Bíblia e não têm outros recursos a não ser conhecer a Bíblia através dela mesma. Siga a ordem indicada aqui, ela faz parte do método.

Plano de leitura do Novo Testamento:

1. 1ª Carta de São João (2 vezes)
2. Evangelho de São João
3. Evangelho de São Marcos
4. As pequenas cartas de São Paulo:
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1ª e 2ª Tessalonicences
1ª e 2ª Timóteo
Tito
Filêmom

5. Evangelho de São Lucas
6. Atos dos Apóstolos
7. Carta aos Romanos
8. Evangelho de São Mateus
9. 1ª e 2ª Carta aos Coríntios
10. Hebreus
11. Carta de São Tiago
12. 1ª e 2ª Carta de São Pedro
13. 2ª e 3ª Carta de São João
14. Carta de São Judas
15. Apocalipse
16. 1ª Carta de São João (3ª vez)
17. Evangelho de São João (2ª vez)

Por que começar pela 1ª carta de São João?

A primeira necessidade de um cristão é ter certeza de sua salvação. É saber que Deus o ama e o escolheu. Gratuitamente, sem nenhum merecimento seu. Deus o pôs na lista daqueles que quer salvar. Foi uma escolha gratuita! Amorosa! Sem merecimento! Saber disso nos dá a certeza da salvação. E todo cristão precisa tê-la.
Dos 73 livros da Bíblia, só essa pequena carta foi escrita com esse propósito: o de nos dar a certeza da salvação. Na conclusão de sua carta, São João diz: “Isto vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus” (1 Jo 5, 13). Lendo e relendo, você vai se convencendo desta feliz realidade: você é salvo! Você é escolhido!

Leituras dos livros do Antigo Testamento

“Traze sempre na boca as palavras deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido (Josué 1,8).
Comece a leitura pelos três livros sapienciais: Sabedoria, Eclesiástico e Provérbios. São livros muito próximos ao Novo Testamento e fontes de ricos ensinamentos. Leia, juntamente, o livro dos Salmos. O portal de entrada do Antigo Testamento são os Salmos. Faça deles o seu livro de cabeceira. Eu já lhe disse que vale a pena ter uma edição de bolso do Novo Testamento para você levar consigo continuamente e ir lendo nos momentos livres.
De qualquer maneira, o que quero acentuar aqui é que você deve trabalhar com os Salmos independentemente de alguma ordem específica. Sempre que se sentir impelido a isso, leia um Salmo. Faço o seu diário sobre ele, sem receio de interromper o trabalho que estiver fazendo na sequência. Salmo é como fruta: comemos a qualquer hora, pouco importando as refeições. E nunca faz mal. Sempre faz bem.
Neste ponto você já estará muito mais livre e criativo para a execução do seu diário.
Não deixe de fazê-lo. Você poderá fazer um verdadeiro estudo vivencial de cada capítulo
desses livros sapiências e de cada Salmo. Será muito rico.

Os livros do Antigo Testamento serão lidos na ordem cronológica: das origens até a
vinda de Cristo.

Plano de leitura do Antigo Testamento

1. Gênesis                                        17. Jeremias                                    33. Tobias
2. Êxodo                                          18. Lamentações                             34. Judite
3. Números                                      19. Ezequiel                                    35. Ester
4. Josué                                            20. Abdias                                       36. Eclesiástico
5. Juízes                                            21. Isaías (40-55)                          37. Cânticos dos Cânticos
6. 1° Samuel                                     22. 1º Crônicas                              38. Jó
7. 2º Samuel                                     23. 2º Crônicas                              39. Eclesiastes
8. 1º Reis                                           24. Esdras                                      40. 1º Macabeus
9. 2º Reis                                           25. Neemias                                   41. 2º Macabeus
10. Amós                                           26. Ageu                                         42. Baruc
11. Oséias                                          27. Zaracarias                                43. Daniel
12. Isaías (1-39)                               28. Isaías (56-66)                          44. Sabedoria
13. Miquéias                                     29. Malaquias                                 45. Levítico
14. Naum                                          30. Joel                                            46. Deuteronômio
15. Sofonias                                      31. Jonas
16. Habacuc                                      32. Rute

http://pt.aleteia.org/2016/04/26/em-que-ordem-ler-a-biblia/

sábado, 23 de abril de 2016

Surge uma nova devoção: o Caminho da Misericórdia

No Ano da Misericórdia, nasceu uma nova faísca da misericórdia para converter-se em uma nova forma de profunda oração

divina-misericordia

Animando a contemplar o mistério da misericórdia, ao qual chamou o Papa Francisco ao convocar o Ano Santo quando diz que ela “é fonte de alegria, de serenidade e de paz”, e “é condição para nossa salvação”, na Polônia nasceu uma nova devoção entorno deste grande mistério de Deus.
Trata-se do “Caminho da Misericórdia”, uma bela prática de piedade entorno da Misericórdia que se celebrou pela primeira vez no sábado, 02 de abril, no Santuário da Divina Misericórdia de Lagiewniki, Cracóvia, por iniciativa do Padre Franciszek Slusarczyk, reitor do Santuário.
“Isto foi uma surpresa. Pela primeira vez, desde Cracóvia, Polônia, o mundo se inteirou de que neste lugar, no Ano da Misericórdia, nasceu uma nova faísca da misericórdia para converter-se em uma nova forma de profunda oração”, disse o sacerdote, que foi citado em nota de imprensa difundida pela organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Cracóvia 2016.
O sacerdote também manifestou seu desejo que a devoção se difunda por todo o mundo: “Tenho a esperança de que o Caminho da Misericórdia possa ser vivido não somente no Santuário da Divina Misericórdia, em Lagiewniki, mas também em todos os lugares de culto à Divina Misericórdia”.
A devoção consiste em 21 estações nas quais se meditam passagens bíblicas, assim como contribuições da Encíclica ‘Dives in Misericordia’ do Papa João Paulo II; e extractos do Diário de Santa Faustina Kowalska, religiosa polonesa conhecida como “Apóstolo da Misericórdia”.
No último sábado, na véspera do Domingo da Misericórdia -festividade que precisamente foi instituída por São João Paulo II para que se celebre a cada ano no Segundo Domingo de Páscoa-, se oraram as primeiras 7 estações que fazem referência à experiência da Fé em Jesus, como o explicou Malgorzata Pabis, porta-voz do Santuário: “Encontrar-se com o Senhor Jesus à luz da Fé, porque Jesus não somente proclama a mensagem da Misericórdia, mas também atua em consequência: dá a vista aos cegos, purifica aos leprosos, ressuscita aos mortos e derrama esperança nos corações da gente”.
Já a partir da oitava se medita sobre o Caminho da Cruz, quando o próprio Jesus Cristo acudiu à misericórdia do Pai e recebeu misericórdia em seu caminho à Crucifixão. Aqui se recordam a Verônica, a Simão de Cirene e a mesma Mãe de Deus.
Entretanto, nas estações restantes -da 15 à 21- se medita nos principais acontecimentos que tiveram lugar após a Ressurreição de Jesus. “Os outros encontros com Jesus, durante o Caminho da Misericórdia nos falam de como o Senhor Jesus não somente percorre os caminhos que levam às cidades e aos povos de nosso presente, do mundo de hoje, mas além disso vai ao encontro das pessoas, cheio de misericórdia e compaixão”, expôs o Padre Franciszek Slusarczyk.
O Santuário polonês, que também está se preparando para receber a milhões de peregrinos no próximo mês de julho por ocasião da JMJ, já anunciou a edição de um livro e um CD para o “Caminho da Misericórdia”, uma devoção que muito seguramente lhe dará grande impulso com o encontro mundial de jovens e o Ano Santo da Misericórdia.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A água benta é uma superstição?

Qual o sentido de que uma pessoa fique se aspergindo com um punhado de água? Não existe outra forma de ser abençoado por Deus, ao invés de ficar “atribuindo poderes mágicos” a seres inanimados?
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Para quem não conhece a teologia católica, a água benta pode parecer, com certa razoabilidade, uma espécie de superstição. Afinal, qual o sentido de que uma pessoa fique se aspergindo com um punhado de água? Não existe outra forma de ser abençoado por Deus, ao invés de ficar “atribuindo poderes mágicos” a seres inanimados?
A resposta católica para essa questão encontra-se no sadio equilíbrio da “economia sacramental”. A Santa Igreja, no decorrer dos séculos, sempre ensinou aos seus filhos o apreço das coisas sensíveis, sob o risco de que se obscurecessem os próprios mistérios de nossa redenção. O Verbo, para descer ao mundo, não rejeitou “vir na carne” e tomar uma forma verdadeiramente humana (cf. 1 Jo4, 2); não desprezou o matrimônio (cf. Mt 19, 3-9; Jo 2, 1-11), nem se furtou de tomar alimentos para conservação de seu corpo físico (cf. Mt 11, 19; Jo 21, 9-14); ao instituir os sacramentos, foi além e transformou realidades visíveis, como a água, o pão e o vinho, em verdadeiros instrumentos de salvação, de onde Ele dizer, por exemplo, que “se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5), ou mesmo: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6, 51. 53). O respeito dos católicos pelas coisas materiais, portanto, foi aprendido do próprio Jesus, o qual, para salvar o ser humano inteiro – corpo e alma –, quis sabiamente distribuir a Sua graça invisível através de instrumentos tangíveis e perceptíveis aos olhos humanos. “Oportet nos per aliqua sensibilia signa in spiritualia devenire – Convém que por sinais sensíveis cheguemos às realidades espirituais” (S. Th., III, q. 61, a. 4, ad 1), diz Santo Tomás de Aquino.
Para investigar como a água benta se insere nessa economia, é preciso entender como os sacramentos atuam na vida dos cristãos. Embora estes realizem o seu efeito, que é a graça, ex opere operato(ou seja, automaticamente), os fiéis colhem frutos na medida em que se dispõem interiormente para recebê-los. Assim, por exemplo, quem se arrepende de seus pecados e é absolvido pelo sacerdote na Confissão, certamente recebe a graça santificante; mas aquele que teve uma contrição maior receberá uma porção de graça também maior. Quem se aproxima dignamente da Eucaristia, do mesmo modo, certamente recebe a graça do Cristo, mas, quanto mais devotamente comungar, tanto maior será o seu grau de comunhão com Deus.
Os chamados “sacramentais” – dos quais a água benta é um tipo –, embora não levem ao efeito do sacramento, que é a obtenção da graça, agem dispondo a pessoa para a sua recepção. A água benta, por exemplo, explica o Doutor Angélico, atua de modo negativo, dirigindo-se (1) “contra as insídias do demônio e (2) contra os pecados veniais” (cf. S. Th., III, q. 65, a. 1, ad 6).
Primeiro, portanto, a água benta funciona como um “exorcismo”, com a diferença de que este é aplicado contra a ação demoníaca desde dentro, enquanto “a água benta é dada contra os assaltos dos demônios que vêm do exterior” (S. Th., III, q. 71, a. 2, ad 3). Para este fim específico, trata-se de um instrumento verdadeiramente eficaz, amplamente comprovado pelo uso dos santos. Santa Teresa d’Ávila, por exemplo, recomendava a suas irmãs que nunca andassem sem água benta e que se servissem dela com frequência. “Vocês não imaginam o alívio que se sente quando se tem água benta”, ela dizia. “É um grande bem fruir com tanta facilidade do sangue de Cristo” [1].
Segundo, quanto aos pecados veniais, a água benta age enquanto “desperta um movimento de respeito em relação a Deus e às coisas divinas” (S. Th., III, q. 87, a. 3). Diferentemente de outras práticas devotas que, realizadas com fervor, também apagam as faltas veniais – como a oração do Pai-Nosso ou um ato de contrição –, a água benta traz consigo o poder da bênção sacerdotal, o que dá maior eficácia ao seu uso.
A água benta não se trata, portanto, de uma superstição, mas de um recurso extremamente útil e piedoso para quem quer se santificar através da oração da Igreja. O Catecismo da Igreja Católica adverte que “atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição” (§ 2111). Por isso, acompanhado da aspersão da água benta deve sempre ir um grau cada vez maior de fervor a Deus, sem o qual qualquer prática religiosa, por mais piedosa que seja, perde o seu sentido último.

Referências

  1. Escritos de Teresa de Ávila. São Paulo: Loyola, 2001, p. 205, nota 2.

Os 7 pecados que causam outros pecados

Breve e direto: em que consistem os pecados capitais?

Silhouette of man praying to a cross with heavenly cloudscape sunset concept for religion

Os pecados capitais requerem especial atenção porque sãocausa de outros pecados, são “cabeças” de novos pecados – e é daí que vem o termo “capital”. São sete:
Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros.
Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses.
Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual.
Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo.
Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio.
Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio.
Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.

Fique atento a essa turma!

http://pt.aleteia.org/2016/01/29/os-7-pecados-que-causam-outros-pecados/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=topnews_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-

terça-feira, 19 de abril de 2016

Papa: doutores da lei estão fechados à profecia e à vida

“O coração fechado à verdade de Deus – observou o Papa – fica preso somente à verdade da lei”

Pope Francis Sitting - Chiar - Thinking

O Papa Francisco começou a semana celebrando a Missa na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira (11/04). A sua homilia foi centralizada na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, em que os doutores da lei acusam Estêvão com calúnias porque não conseguem “resistir à sabedoria e ao Espírito” com que ele falava. Instigam falsos testemunhos para dizer que o ouviram “pronunciar blasfêmias contra Moisés, contra Deus”.
“O coração fechado à verdade de Deus – observou o Papa – fica preso somente à verdade da lei”, ou melhor – precisou o Pontífice – “mais do que pela lei, pela letra”, e “não encontra outra saída a não ser a mentira, o falso testemunho e a morte”. Jesus já os havia repreendido por esta atitude, porque “seus pais tinham matado os profetas” e eles, agora, construíam monumentos a esses profetas.
E a resposta dos “doutores da letra” é  mais “cínica” do que “hipócrita”: “Se nós estivéssemos na situação dos nossos pais, não teríamos feito o mesmo”. E “assim – explicou o Papa – se lavam as mãos e se julgam puros diante de si mesmos. Mas o coração está fechado à Palavra de Deus, está fechado à verdade, está fechado ao mensageiro de Deus que traz a profecia para levar avante o povo de Deus”:
Coração fechado
“Faz-me mal quando leio aquele pequeno trecho do Evangelho de Mateus, quando Judas arrependido vai aos sacerdotes e diz ‘pequei’ e quer dar … e dá as moedas. ‘Que nos importa! – dizem eles – o problema é seu!” Um coração fechado diante deste pobre homem arrependido que não sabia o que fazer. “O problema é seu’ e foi se enforcar. E o que eles fazem quando Judas vai se enforcar? Falam e dizem ‘mas, pobre homem? Eh, sim…’ Não! As moedas, rápido! “Essas moedas são a preço de sangue, não podem entrar no templo …” e a regra é esta, esta e esta… Os doutores da letra”.
E o Papa Francisco prosseguiu:
“A eles não importa a vida de uma pessoa, a eles não importa o arrependimento de Judas: O Evangelho diz que ele voltou arrependido. A eles importa somente o seu esquema de leis e muitas palavras e coisas que construíram. Esta é a dureza de seu coração. Esta é a dureza do coração, da tolice do coração dessa gente que, como não podia resistir à verdade de Estêvão, vai procurar testemunhos, testemunhas falsas para julgá-lo.”
História
Estêvão, afirmou o Papa, termina como todos os profetas, termina como Jesus. Isso se repete na história da Igreja:
“A história nos fala de muita gente que foi morta e julgada não obstante fosse inocente. Julgada com a Palavra de Deus, contra a Palavra de Deus. Pensemos na caça às bruxas ou em Santa Joana D’Arc, em muitos outros que foram queimados e condenados porque não se ajustaram, segundo os juízes, à Palavra de Deus. É o modelo de Jesus que, por ter sido fiel e obedecido à Palavra do Pai, termina na cruz. Com muita ternura Jesus diz aos discípulos de Emaús: ‘Ó tolos e tardos de coração’! Peçamos hoje ao Senhor para que com a sua ternura olhe as pequenas e grandes tolices de nosso coração, nos acaricie e nos diga ‘Ó tolos e tardos de coração’ e comece a nos explicar as coisas.”

sábado, 16 de abril de 2016

Quem?



Quem transpassou o coração de Santa Teresa D'Avila, quem converteu Santo Agostinho, quem encantou Santa Teresinha do Menino Jesus, o que extasiou São João da Cruz, quem inflamou São Francisco?

Quem é Aquele que fez o rico São Francisco se tornar pobre, a linda Santa Clara se enclausurar, São João da Cruz suportar a mais densa das noites escuras? Quem é que roubou o coração de Santa Teresinha do Menino Jesus, ainda quando criança? Quem fez com que Juan Sanches aos 14 anos de idade se entregasse ao martírio? E quem fez com que outro Juan, esse espanhol, aos 24 anos de idade, tivesse os órgãos genitais cortados, com um machado cortado o seu estômago e com gasolina atearam fogo, ainda vivo? Quem inspirou todos eles? Quem seduziu Maria Goreth, de forma que preferisse morrer do que se submeter a outro homem? Quem seduziu Santa Ágata de tal forma que não submeteu as riquezas do rei, e depois de ter os seios cortados e sofrido torturas sem fim, dizia 'Não – não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me faça separar-me Dele.' Quem é Ele? 
.
Esse homem.. Eu encontrei também. Me deparei com esse ladrão de coração, Ele me fitou. E eu compreendi, o porque todos O amaram dessa forma. Porque Ele estava chagado. Ele amou primeiro.

Fonte: WhatsApp

Deixemo-nos guiar pela graça do Espírito Santo

A Igreja vivia em paz em toda a Judeia, Galileia e Samaria. Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo” (At 2,31).
Estamos acompanhando como a Igreja do Senhor está se expandindo, a Igreja Apostólica, Primitiva, que nasce do lado aberto de Jesus e é dirigida, guiada e iluminada pelo Espírito Santo de Deus.
A forma com que a Igreja se consolida, vai até os confins da Terra, porque, em primeiro lugar, coloca no temor do Senhor a sua confiança. Uma Igreja temente a Deus não tem medo d’Ele, mas é submissa e referente a Ele. É uma Igreja que se abaixa aos pés do Senhor.
A sabedoria está no temor a Deus! A sabedoria de que precisamos para guardar nossa casa, nossa família, para sermos firmes em nossa fé está no temor ao Senhor!
Corremos um sério risco de caminhar um tempo na fé e cairmos na vaidade e no orgulho. Quantas pessoas, porque já são da Igreja, acham que sabem e podem tudo, quando, na verdade, não somos nada, apenas pobres servidores de Nosso Senhor e Salvador Jesus. Dependemos d’Ele para tudo, porque Ele é a luz, a graça, a porta, o Senhor e Pastor que conduz Sua Igreja.
A Igreja do Senhor se coloca aos pés d’Ele. Homem, mulher, casal, família, filhos: é importante abaixarmos nossa cabeça e nos colocarmos sobre o domínio e senhorio de Nosso Senhor. Porque é no temor do Senhor que vem a inspiração, a força, a luz, a graça e a consolidação de nossa fé.
É no temor do Senhor que nos levantamos quando nos derrubam, que nos erguemos quando não temos mais forças para seguir adiante. É o temor do Senhor que garante a nossa fé. Vamos crescer na fé enquanto Igreja do Senhor. E quem nos ajuda, auxilia-nos, coloca-nos para frente é o Espírito Santo de Deus; ele é a ajuda, a mão necessária para nos conduzir nas estradas dessa vida!
Amados irmãos e irmãs, que possamos ser submissos a Deus e a Sua vontade, que nos deixemos guiar pela graça do Espírito Santo!

Deus abençoe você!

http://www.catolicoorante.com.br/comentario.php

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A IMAGEM DO FERMENTO

O fermento na massa 
O Reino dos céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mat 13, 33).
Esta imagem é importante, sobretudo nos tempos atuais. Lembra-nos que o mundo é uma “massa” quase inteiramente carente da qualidade do bom pão das virtudes cristãs, e do sabor – do sentido − da Verdade divina e da Lei de Deus. Por isso, o exemplo dos cristãos responsáveis (pais, mestres, padres) neste ambiente atual, é decisivo. Para transformar a massa em pão de Deus, o fermento precisa de ter uma força e uma eficácia que sejam capazes de mudá-la: uma força que só Cristo pode dar.
Não podemos deixar de constatar que vivemos, de fato, numa sociedade cada vez mais massificada, em que o ambiente materialista, hedonista e incrédulo que nos cerca  despersonaliza jovens e velhos: massifica as cabeças, impõe os mesmos gostos e vícios; nivela por baixo os costumes, e chega a abafar a fé cristã dos que ainda a conservavam. Basta abrir os olhos para perceber que a “cultura global” robotiza grande parte dos adolescentes e  jovens.
Por isso, se não houver educadores-fermento, cheios da vitalidade da fé cristã, da graça de Deus e das virtudes, muitos adolescentes e jovens vão naufragar, sem se darem conta disso, na forte correnteza do materialismo pagão.
Sob a influência crescente dos impérios midiáticos, do markenting internacional, da propaganda dominada pela ditadura do lucro – de empresas, de interesses econômicos e políticos escusos, do tráficico das drogas e da pornografia… –, a força dessa “correnteza” torna-se global. E vai sendo também cada vez mais forte a ditadura imposta pelas ideologias: laicismo antirreligioso militante, neomarxismo , “ideologia de gênero”, New Age, etc.
Nada mais fácil, nesse clima envolvente, que se identificar− antes de as pessoas terem ter tido tempo de se abrir à verdadeira Luz e à verdadeira Vida − com a  grande “massa” corrompida; nada mais fácil que aceitar, por falta de “anticorpos” positivos (por falta de exemplos e de formação) , os contravalores e os vícios de uma cultura que exclui Deus. Você não se assusta ao constatar a rápida propagação  de vícios como o álcool, as drogas, a dependência doentia dos aparelhos eletrônicos, a pornografia ao alcance da mão, quando mal os filhos estão saindo da infância…? Pense, então, que fugindo do vazio espiritual deixado pelos pais, mestres e guias espirituais que não souberam ser “fermento”, os adolescentes e jovens se jogam na teia de aranha dessas falsas alegrias que os escravizam.
«A pós-modernidade – afirma o pedagogo Víctor García Hoz – é um grande vácuo. A profusão de idéias contraditórias, o relativismo predominante em muitas ideologias e o pragmatismo superficial da sociedade atual, dão razão ao ditado de que o mundo de hoje, especialmente a juventude, sabe o que não quer, mas não sabe o que quer [...]. Os valores que apoiavam a vida humana foram rejeitados e não foram substituídos por outros. O pensamento da pós-modernidade vacila entre a melancolia e o vazio» [1].
Não feche os olhos! É em meio a essa massa desnorteada que se encontram os seus filhos, os seus alunos, os membros do seu rebanho de pastor. Muita boa gente, ao constatar isso, sofre, sofre muito. Mas, o que fazemos? Lutamos, porventura,  cada um de nós para ser o fermento de que precisa urgentemente essa massa manipulada e cada vez mais destruída? Por que os nossos critérios e o nosso comportamento não têm a potência do fermento, capaz de levedar a massa e transformá-la em bom pão?
Pense que é Deus quem lhe dirige, silenciosamente, estas interrogações. O que lhe vai responder?

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo


[1] Pedagogia visível. Educação invisível. Ed. Nerman, São Paulo 1988, pág. 112

Sobre ir ou não a missa

Vejam que pergunta boa e resposta melhor ainda!

Fernanda - Joinville/SC

Fernanda Pergunta: Olá  Pe. sua benção! Estou com uma dúvida e penso que você poderá me ajudar. É preciso ir todo domingo ou final de semana à missa?
Eu não tenho conseguido ir e minha mãe fala que é errado, porém eu penso que não adianta eu ir todos os finais de semana se não estiver bem para receber o corpo de Jesus. Gostaria de uma resposta, pois isso tem me intrigado muito! Um abraço, que Deus o abençoe.

Pe. Cido Responde: Fernanda, se você entende que ir à missa todos os domingos é uma obrigação, não vá. Se você entende que ir à missa todos os domingos é bobagem, não vá. Se você entende que ir à missa todos o domingos é muito chato, não vá. Se você entende que ir à missa aos domingos é perda de tempo não vá. Se você entende que não ir à missa aos domingos não é pecado, não vá. 
Vá à missa todos os domingos, Fernanda, somente nas circunstâncias abaixo: quando você entender que ir à missa é uma resposta de amor a Deus por todo o amor que você recebe dele constantemente; 
quando você entender que é preciso alimentar a sua fé com a palavra de Deus e com o Pão da vida que é Jesus; quando você entender que você participa de uma grande família e que, quando você não vai seu lugar fica vazio na mesa; quando você entender que não basta ter fé, mas sim que é preciso viver a sua fé;
quando você entender que o domingo é dia de curtir a família, os amigos, a vida, mas também é dia de curtir o Deus maravilhoso que a ama de todo coração. Sabe, Fernanda, certamente você já deve ter experimentado aquela sensação de que a missa não muda. É tudo igual, tudo repetitivo, etc. Lembre-se, porém, que sua família não muda e você a ama; sua escola é a mesma, e você a frequenta; seus amigos são os mesmos e você não se enjoa deles. Você vai ouvir também, de muita gente, que ir à missa só vale quando a gente tem vontade. Eu também acho. Mas também acho, querida, que devemos educar a nossa vontade para querer coisas boas, que nos fazem crescer, que nos fazem felizes.

Fonte: WhatsApp

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Tudo tem seu tempo

Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

O capítulo terceiro do Livro do Eclesiastes começa por dizer que “há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar”. Mais adiante, o autor afirma: “compreendi que nada de bom existe senão alegrar-se e fazer o bem durante a vida. Pois todo aquele que come e bebe, e vê o fruto do seu trabalho, isso é dom de Deus” (3,12-13).
O mês de janeiro, para muitos brasileiros, é tempo de curtir férias e fazer festa. Tempo de recarregar as baterias para os próximos 11 meses, que costumam ser de mais intenso trabalho. Por isso, não devemos ter escrúpulos em gozar as férias, fazer festa e aproveitar as coisas boas que Deus nos dá. Tudo isto, evidentemente, sem prejudicar a nossa saúde ou colocar em risco a vida das outras pessoas. Nada daquilo que fazemos deverá causar prejuízo ao próximo e nem ao meio ambiente.
Junto com as férias, tem as festas. No início do ano são poucas as pessoas que não fazem festa. Mesmo quem quer ficar afastado sente-se envolvido pelo ribombar dos foguetes e fogos de artifício. Além disso, existem algumas festas que envolvem toda a comunidade.  Lembro as festas dos Santos Reis em Arroio do Meio e Coqueiro Baixo e a Festa de São Paulo Apóstolo, em Ilópolis. Mas lembro, sobretudo, a Festa de São Sebastião Mártir em Venâncio Aires. 
Popularmente conhecida como a “Festa do Bastião”, a Festa de São Sebastião Mártir é a maior festa religiosa que acontece na nossa região. Com os seus 140 anos, penso que também é a festa religiosa mais antiga que temos. 
A programação da festa de São Sebastião começa no mês de outubro, com missa nas 13 quintas-feiras que antecedem ao vinte de janeiro. Depois existe a peregrinação com a imagem do santo padroeiro pelas comunidades da Paróquia e a visita da bandeira de São Sebastião nas casas. Para os dias de festa são centenas de pessoas voluntárias cuidando das celebrações, da alimentação, do parque de diversões e da acolhida ao povo. O auge da festa acontece no dia 20 de janeiro, que é feriado no município, com a missa campal, benção da saúde e procissão pelas ruas centrais da cidade.
Faço votos de que todas as pessoas possam aproveitar bem este tempo de graça que o Senhor nos concede. Que as pessoas que estão em férias consigam descansar e recarregar as energias para o ano em curso. E que o povo de Venâncio Aires e os devotos de São Sebastião Mártir possam se sentir fortalecidos pelo exemplo do mártir São Sebastião que enfrentou o martírio por causa da sua fé. Deus a todos abençoe!

http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17969:tudo-tem-seu-tempo&catid=303&Itemid=204

sábado, 9 de abril de 2016

Papa: santos e mártires de hoje levam a Igreja adiante

“A coerência entre a vida e aquilo que vimos e ouvimos é justamente o início do testemunho"

Pope Francis General Audience April 06, 2016

São os santos da vida ordinária e os mártires de hoje que levam a Igreja adiante com a coerência e o corajoso testemunho de Jesus ressuscitado, graças à obra do Espírito Santo: foi o que disse, em síntese, o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã desta quinta-feira (07/04) na Casa Santa Marta.
A primeira leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, fala da coragem de Pedro que, depois da cura do paralítico, anuncia a Ressurreição de Jesus diante dos chefes do Sinédrio que, furiosos, queriam matá-lo.
Ele foi proibido de pregar em nome de Jesus, mas continuou a proclamar o Evangelho porque – afirma – “é preciso obedecer a Deus e não aos homens”. Este Pedro “corajoso” – disse o Papa Francisco – não tem nada a ver com o “Pedro covarde” da noite da Quinta-feira Santa, “quando, repleto de medo, renega o Senhor três vezes”. Agora, Pedro se tornou forte no testemunho. “O testemunho cristão – observou o Papa – tem o mesmo caminho de Jesus: dar a vida”. Num modo ou no outro, o cristão “coloca a vida em jogo no verdadeiro testemunho”:
Coerência cristã
“A coerência entre a vida e aquilo que vimos e ouvimos é justamente o início do testemunho. Mas o testemunho cristão tem outro aspecto, não é somente de quem o dá: o testemunho cristão, sempre, é feito por duas pessoas. ‘E desses fatos somos testemunhas nós e o Espírito Santo’. Sem o Espírito Santo não há testemunho cristão. Porque o testemunho cristão, a vida cristã é uma graça, é uma graça que o Senhor nos dá com o Espírito Santo”.
“Sem o Espírito”, ressalta o Papa, “não conseguimos ser testemunhas”. A testemunha é aquele que é “coerente com aquilo que diz, com o que faz e com o que recebeu, ou seja, o Espírito Santo”. “Esta é a coragem cristã, este é o testemunho”:
Mártires
“É o testemunho de nossos mártires hoje. Muitos, expulsos de suas terras, deslocados, decapitados e perseguidos, têm a coragem de confessar Jesus até o momento da morte. É o testemunho daqueles cristãos que vivem sua vida seriamente e dizem: ‘Eu não posso fazer isto, eu não posso fazer o mal ao outro; eu não posso trapacear; eu não posso conduzir uma vida pela metade, eu devo dar o meu testemunho’. E o testemunho é dizer o que viu e ouviu na fé, ou seja, Jesus Ressuscitado, com o Espírito Santo que recebeu como dom.”
“Nos momentos difíceis da história”, sublinha o Papa, se ouve dizer que “a pátria precisa de heróis. Isso é verdade. É justo”. Mas do que a Igreja precisa hoje? De testemunhas, de mártires”:
“São as testemunhas, ou seja, os santos, os santos de todos os dias, os da vida cotidiana, mas com coerência, e também as testemunhas até o fim, até a morte. Estes são o sangue vivo da Igreja; estes são aqueles que levam a Igreja adiante, as testemunhas; aqueles que atestam que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo, e o testemunham com a coerência de vida e com o Espírito Santo que receberam como dom.”

http://pt.aleteia.org/2016/04/07/papa-santos-e-martires-de-hoje-levam-a-igreja-adiante/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-Apr%2008,%202016%2008:00%20am

Sua relação com Deus caiu na rotina?

boring

“Estou enferrujado – dizia-me um amigo –, faz tempo que não jogo bola.”
Esta ferrugem não preocupa. Provavelmente bastará treinar um pouco e fazer “academia”. Preocupante é a ferrugem do coração.
Há muitas pessoas que, depois de um tempo de convivência – especialmente os casais – sentem que o amor, o interesse e os sonhos se desgastaram e até se apagaram. A monotonia dos dias, das reações, das conversas, das tarefas, dos problemas…,  cansou. “Isso cansa! Sempre a mesma coisa!”
O entusiasmo ou a amor perderam a graça. Foram atacados pelo tédio: “Tudo isso não me diz nada, assim não dá para aguentar!”.
Mas, será que essa rotina que enferruja é causada realmente pela repetição dos mesmos hábitos, das mesmas coisas? Na realidade, não.  Uma prova disso são os casais que envelhecem numa aparente mesmice sem perder o brilho dos olhos, sentindo-se mais e mais necessitados um do outro e descobrindo uma nova ternura em plena velhice.
O mal não está nas coisas, nem nas outras pessoas, nem na repetição das ações e das tarefas… Na vida cotidiana não podemos evitar as repetições, mas podemos evitar a inércia. O mal está no nosso coração, que cochilou e nos deixou presos a hábitos egoístas,  cegos para a eterna novidade das coisas mínimas vividas por amor.
Um amor que cada dia se renova
Quase no fim de uma vida longa, após muitos anos de entrega plena a Deus e aos outros, São Josemaria afirmava com simplicidade: «Sinto-me como um criança que balbucia…, e o meu Amor é um amor que todos os dias se renova»[1].
Não ama quem se deixa arrastar pelo fluxo mecânico dos dias, mas quem cria em cada dia um sonho novo e age com espírito novo.
Como conseguir isso?
a) Em primeiro lugar: Tendo um ideal de vida, pelo qual valha a pena lutar e sofrer.
Um coração sem ideal fica gasto, envelhecido. Imagine um professor num bom laboratório. Se ele se limita a repetir rotineiramente as mesmas experiências didáticas, com ar entediado e sem mais aspiração que a de receber os vencimentos no fim do mês, logo se afogará na rotina.
Pelo contrário, se é um idealista empenhado na pesquisa; se procura a criatividade didática; se não desiste de continuar a procurar apesar das muitas tentativas falhas; se até mesmo dormindo sonha em novas soluções…, esse terá, em todas as suas tarefas, a chama da alegria e contagiaria o entusiasmo aos seus colaboradores.
Pense que se poderiam descrever esses mesmos dois quadros aplicando-os ao relacionamento familiar, ao trabalho cotidiano, à amizade… . Se não tivermos no coração um ideal que empolga, ficaremos cobertos da ferrugem do tédio e do mau humor.
b) Em segundo lugar: O ideal, para ser consistente, tem que ter uma motivação consistente. Agir por ideais efêmeros, baseados no entusiasmo ou na empolgação do momento, isso não tem consistência nenhuma.
Para um cristão, o ideal consistente chama-se vocação: saber que todos recebemos uma chamada de Deus para realizar uma tarefa única – a nossa – no mundo; por outras palavras, que temos umavocação e uma missão a cumprir. A nossa realização consistirá em cumprir essa missão (na família, na profissão, na sociedade), fazendo dela um caminho ascendente de amor a Deus e ao próximo.
Quando existe esse sentido vocacional da vida, tudo muda, assim como o sol transforma as sombras noturnas em paisagem colorida.
Guiado pela fé e o amor, o coração cristão aprende então a descobrir, em cada pequeno dever, em cada um dos empenhos necessários para o bom convívio familiar e a realização das tarefas cotidianas, uma oportunidade – renovada em cada dia – de se dar mais, de servir melhor, de alcançar um novo grau de perfeição, de expressar uma generosidade mais alegre… E isso porque aprendeu a captar, nos pequenos pormenores do dia-a-dia, o convite de Deus. Aquelas mesmas realidades cansativas que a rotina faz murchar, o ideal cristão revigora com viço inesgotável. Quem ama, ensina São João, é trasladado da morte para a vida (1 Jn 3, 14)[2].
Deus, se vivemos com Ele, dá-nos «o dom de iluminar o trivial com resplendores eternos», como Ronald Knox dizia de Chesterton, e entendemos o programa sugerido por  São Josemaria: «Nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor» (Sulco, n. 489).
As “novidades” e as “surpresas”
Lembra-se da parábola do trigo e o joio? Enquanto os homens – os trabalhadores do campo – dormiam, veio o inimigo e semeou joio no meio do trigo (Mt 13,25). Quando o nosso coração dorme, o joio, a erva daninha (no caso, a rotina desgastante) estraga tudo.
Jesus não se cansa de pedir-nos que estejamos acordados e vigilantes: Vigiai em todo tempo e orai  (Lc 21,36). Vigiai e orai (Mc 14,38). Inspirado por essa contínua exortação, São Paulo convida-nos: Já é hora de despertardes do sono! (Rm 13,11), de viverdes uma vida cristã consciente e vigilante.
Hora de acordar! Como seria bom que – entre outras iniciativas espirituais – nos propuséssemos pelo menos estas duas coisas:
a) Cada noite, juntamente com as minhas orações e o breve exame de consciência, vou perguntar-me: “Quantas coisas fiz hoje mecanicamente, como um robô ou uma fotocopiadora? Que pormenores “novos” (de carinho, de capricho nas palavras e ações, de ajuda, de delicadeza e compreensão…) plantei, como sementes de amor, neste dia?”
b) Cada manhã, após as minhas breves orações e o oferecimento do dia a Deus, vou perguntar-me: – “Que novidade (de oração, de presença de Deus, de visita ao Sacrário, de devoção sincera…) vou oferecer a Deus no dia de hoje?” – “E que surpresa agradável estou preparando para dar hoje a essa, àquela, àquela outra pessoa, que, acostumada com meu jeitão habitual, não está nem imaginando o novo pormenor de atenção ou de carinho que lhe vou oferecer?”
Vigiar, orar e renovar. Esse é o caminho para que o nosso coração vá se parecendo cada vez mais com o coração do Senhor, que diz:Eis que faço novas todas as coisas (Ap 21,5).


[1] Beato Álvaro del Portillo, Instrumento de Deus, Quadrante 1992, pp. 18 e 21
[2] Cf. A preguiça, Ed. Quadrante, 2ª ed., São Paulo  2003, p. 43

(via Padre Faus)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cristão seja homem do 'sim' a Deus, diz papa



A história da humanidade foi feita de uma 'corrente' de 'sim' a Deus, à esperança do Senhor.

Após as celebrações pascais, o papa Francisco retomou nesta segunda-feira (4), as missas matutinas na Casa Santa Marta. O pontífice dedicou sua homilia à hodierna solenidade da Anunciação do Senhor, celebrada no Vaticano. Aliás, disse ele, a história da humanidade foi feita de uma “corrente” de “sim” a Deus, à esperança do Senhor, a partir de Abraão e Moisés.
Abraão obedece ao Senhor, aceita o seu chamado e parte de sua terra sem saber onde chegaria. Isaías, quando o Senhor lhe pede que fale a seu povo, responde que tem os “lábios impuros”. Então o Senhor purifica os seus lábios e Isaías diz "sim!". O mesmo vale para Jeremias, que se considerava incapaz de falar, mas depois diz “sim" ao Senhor:
“E hoje, o Evangelho nos fala do final desta corrente de sim, e do início de outro “sim”, que começa a crescer: o ‘sim’ de Maria. E este ‘sim’ faz com que Deus não somente olhe para o homem, não somente caminhe com o seu povo, mas que se faça um de nós e tome a nossa carne. O ‘sim’ de Maria que abre a porta ao sim de Jesus: ‘Eu venho para fazer a Tua vontade’, este ‘sim’ que acompanha Jesus toda a vida, até à Cruz”. 
Francisco se detém no sim de Jesus que pede ao Pai para afastar dele o cálice, mas acrescenta: “Seja feita a tua vontade”.  Em Jesus Cristo “está o sim de Deus: Ele é o sim”.
“Este é um dia bonito para agradecer ao Senhor por nos ter ensinado este caminho do sim, mas também para pensar em nossa vida”, disse o Pontífice. Um pensamento que o Papa dirige em particular a alguns sacerdotes presentes, que celebram 50 anos de ordenação. 

Festa do 'sim'

“Todos nós, todos os dias, devemos dizer sim ou não e pensar se sempre dizemos sim ou se muitas vezes nos escondemos, com a cabeça baixa, como Adão e Eva, para não dizer não, mas fazer como aquele que não entende, que não entende o que Deus pede. Hoje, é a festa do sim. No sim de Maria se encontra o sim de toda a História da Salvação e começa ali o último sim do homem e de Deus.” 
Ali, acrescentou o Papa, “Deus recria, como no início que com um sim fez o mundo e o homem, aquela Criação bonita” e agora com este sim “maravilhoso recria o mundo, recria todos nós. É o sim de Deus que nos santifica, que nos faz ir adiante em Jesus Cristo”: 

“É um dia para agradecer ao Senhor e nos perguntar: Sou homem ou mulher do sim, ou sou homem ou mulher do não, ou sou homem ou mulher que olha para o outro lado para não responder? Que o Senhor nos dê a graça de entrar neste caminho de homens e mulheres que souberam dizer sim.” (BF/MJ)

http://domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=1011200

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