sexta-feira, 15 de abril de 2016

A IMAGEM DO FERMENTO

O fermento na massa 
O Reino dos céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mat 13, 33).
Esta imagem é importante, sobretudo nos tempos atuais. Lembra-nos que o mundo é uma “massa” quase inteiramente carente da qualidade do bom pão das virtudes cristãs, e do sabor – do sentido − da Verdade divina e da Lei de Deus. Por isso, o exemplo dos cristãos responsáveis (pais, mestres, padres) neste ambiente atual, é decisivo. Para transformar a massa em pão de Deus, o fermento precisa de ter uma força e uma eficácia que sejam capazes de mudá-la: uma força que só Cristo pode dar.
Não podemos deixar de constatar que vivemos, de fato, numa sociedade cada vez mais massificada, em que o ambiente materialista, hedonista e incrédulo que nos cerca  despersonaliza jovens e velhos: massifica as cabeças, impõe os mesmos gostos e vícios; nivela por baixo os costumes, e chega a abafar a fé cristã dos que ainda a conservavam. Basta abrir os olhos para perceber que a “cultura global” robotiza grande parte dos adolescentes e  jovens.
Por isso, se não houver educadores-fermento, cheios da vitalidade da fé cristã, da graça de Deus e das virtudes, muitos adolescentes e jovens vão naufragar, sem se darem conta disso, na forte correnteza do materialismo pagão.
Sob a influência crescente dos impérios midiáticos, do markenting internacional, da propaganda dominada pela ditadura do lucro – de empresas, de interesses econômicos e políticos escusos, do tráficico das drogas e da pornografia… –, a força dessa “correnteza” torna-se global. E vai sendo também cada vez mais forte a ditadura imposta pelas ideologias: laicismo antirreligioso militante, neomarxismo , “ideologia de gênero”, New Age, etc.
Nada mais fácil, nesse clima envolvente, que se identificar− antes de as pessoas terem ter tido tempo de se abrir à verdadeira Luz e à verdadeira Vida − com a  grande “massa” corrompida; nada mais fácil que aceitar, por falta de “anticorpos” positivos (por falta de exemplos e de formação) , os contravalores e os vícios de uma cultura que exclui Deus. Você não se assusta ao constatar a rápida propagação  de vícios como o álcool, as drogas, a dependência doentia dos aparelhos eletrônicos, a pornografia ao alcance da mão, quando mal os filhos estão saindo da infância…? Pense, então, que fugindo do vazio espiritual deixado pelos pais, mestres e guias espirituais que não souberam ser “fermento”, os adolescentes e jovens se jogam na teia de aranha dessas falsas alegrias que os escravizam.
«A pós-modernidade – afirma o pedagogo Víctor García Hoz – é um grande vácuo. A profusão de idéias contraditórias, o relativismo predominante em muitas ideologias e o pragmatismo superficial da sociedade atual, dão razão ao ditado de que o mundo de hoje, especialmente a juventude, sabe o que não quer, mas não sabe o que quer [...]. Os valores que apoiavam a vida humana foram rejeitados e não foram substituídos por outros. O pensamento da pós-modernidade vacila entre a melancolia e o vazio» [1].
Não feche os olhos! É em meio a essa massa desnorteada que se encontram os seus filhos, os seus alunos, os membros do seu rebanho de pastor. Muita boa gente, ao constatar isso, sofre, sofre muito. Mas, o que fazemos? Lutamos, porventura,  cada um de nós para ser o fermento de que precisa urgentemente essa massa manipulada e cada vez mais destruída? Por que os nossos critérios e o nosso comportamento não têm a potência do fermento, capaz de levedar a massa e transformá-la em bom pão?
Pense que é Deus quem lhe dirige, silenciosamente, estas interrogações. O que lhe vai responder?

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo


[1] Pedagogia visível. Educação invisível. Ed. Nerman, São Paulo 1988, pág. 112

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