terça-feira, 31 de maio de 2016

Poço de São Patrício, maravilha da engenharia renascentista, um mapa do purgatório?


Desenhado por Antonio da Sangallo, o Jovem, e encomendado pelo Papa Clemente VII, recorda uma história tradicionalmente atribuída ao patrono da Irlanda

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O Poço de São Patrício é um antigo poço localizado em Orvieto, Úmbria, na Itália central, construído durante a década que vai de 1527 a 1537, por ordem do Papa Clemente VII. Ele tinha se refugiado na cidade, enquanto as tropas renegadas do exército do Sacro Império Romano, sob o comando de Carlos V, saqueavam Roma.


En un principio, esta sorprendente pieza de arquitectura se llamaba, simplemente, “Pozzo della Rocca”, el “pozo de la piedra”, o “el pozo de la fortaleza”, pues está a muy poca distancia de la Fortaleza de Albornoz
Inicialmente, essa incrível peça de arquitetura se chamava, simplesmente, “Pozzo della Rocca”, o “poço da pedra”

A estrutura do poço, desenhado por Antonio da Sangallo, o Jovem, é uma impressionante obra de engenharia sofisticada. É uma coluna oca cilíndrica, com 63 metros abaixo da terra, tem 13 metros de largura, e é cercado por duas escadarias de 248 degraus cada, largas e confortáveis, em desenho de dupla hélice. Por um lado descem os burros de carga, com recipientes vazios para encher de água; e pelo outro sobem, nunca obstruindo a passagem. No fundo do poço, iluminado por 72 janelas que fornecem luz para toda a estrutura, há uma ponte que liga as duas escadas, onde os moradores podiam acessar para buscar água sem os burros de carga. Esse duplo acesso garantia o fornecimento ininterrupto de água para a cidade de Orvieto, e foi um desenho único em toda a Europa naquela época.


 los frailes de un convento cercano asociaron la profundidad del pozo, y el proceso de descender hasta el puente para sacar de él el agua necesaria, a un antiguo poema francés del siglo XII, llamado “L’Espurgatoire Saint Patriz” –“El Purgatorio de San Patricio”-
Os monges de um convento próximo associaram a profundidade do poço ao purgatório

Inicialmente, essa incrível peça de arquitetura se chamava, simplesmente, “Pozzo della Rocca”, o “poço da pedra” ou “o poço da fortaleza”, pois está próximo da Fortaleza de Albornoz. Foi até o século XIX, quando o seu nome foi alterado para o atual, “Poço de São Patrício”: os monges de um convento próximo associaram à profundidade do poço, e ao processo de descer para para dele retirar água, um antigo poema francês do século XII, chamado“L’Espurgatoire Saint Patriz” – “O Purgatório de São Patrício”.
Esse poema não é apenas uma tradução de um texto escrito em latim, o Tractatus de Purgatorio Sancti Patricii, escrito por um monge cisterciense inglês conhecido simplesmente como H. De Saltrey. O tratado foi, durante anos, a representação mais influente do Purgatório, até o aparecimento da Divina Comédia. A chave está em que seu personagem principal, um cavaleiro irlandês chamado Owein, desce ao purgatório. De acordo com uma das histórias tradicionalmente associadas a São Patrício, Cristo teria mostrado ao santo o acesso ao Purgatório por uma caverna ou um poço.
Antes que o poço fosse concluído, Clemente VII e Carlos V haviam resolvido suas diferenças, de modo que Orvieto nunca foi ocupada ou saqueada. No entanto, a construção do poço continuou durante mais uma década, até que foi concluída.



 
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http://pt.aleteia.org/2016/05/20/poco-de-sao-patricio-maravilha-da-engenharia-renascentista-um-mapa-do-purgatorio/

Mosteiro na Geórgia: destino imperdível na rota trapista americana


Em um dos mais belos mosteiros dos Estados Unidos, os monges trapistas cuidam, dentre outras coisas, de um jardim excepcional

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Um dos mosteiros dos Estados Unidos se encontra nos arredores de Atlanta, Geórgia. Mais especificamente, na pequena cidade de Conyers. Nele, os monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, além de uma vida de contemplação e retiro, como bons beneditinos, também se dedicam ao trabalho manual: além de ter uma padaria e uma oficina de produção de vitrais, esses trapistas cuidam de jardins onde cultivam – e vendem – bonsais.
Os monges, nas oficinas do mosteiro, elaboraram os vitrais que podem ser vistos em todo o edifício.
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A simplicidade arquitetônica do mosteiro (projetado para ser praticamente uma cópia exata do famoso mosteiro trapista de Kentucky, onde viveu Thomas Merton), combinado com a beleza do jardim cultivado pelos monges e o ambiente natural do mosteiro, faz com que o lugar seja um dos destinos preferidos do turismo religioso no sul dos Estados Unidos.
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http://pt.aleteia.org/2016/05/28/mosteiro-na-georgia-destino-imperdivel-na-rota-trapista-americana/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-May%2028,%202016%2003:16%20pm

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A menina que consolou o coração de Deus após uma profanação da Eucaristia


Um dos testemunhos mais incríveis e emocionantes de amor a Jesus Eucarístico
IRAQ, BARTALA : An Iraqi Christian child rests on a phew inside the Church of the Virgin Mary in the town of Bartala, on June 15, 2012, east of the northern city of Mosul, as some Iraqi security remain in the town to protect the local churches and community. The exiled governor of Mosul, Iraq's second city which was seized by Islamist fighters last week, has called for US and Turkish air strikes against the militants. AFP PHOTO/KARIM SAHIB

Alguns meses antes de sua morte, o Bispo Fulton J. Sheen foi entrevistado pela rede nacional de televisão: “Bispo Sheen, milhares de pessoas em todo o mundo inspiram-se em você. Em quem você se inspirou? Foi por acaso em algum Papa?”.
O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal, ou outro Bispo, sequer um sacerdote ou freira. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade.
Explicou que quando os comunistas apoderaram-se da China, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria, próximo à Igreja. O sacerdote observou assustado, de sua janela, como os comunistas invadiram o templo e dirigiram-se ao santuário. Cheios de ódio profanaram o tabernáculo, pegaram o cálice e, atirando-o ao chão, espalharam-se as hóstias consagradas.
Eram tempos de perseguição e o sacerdote sabia exatamente quantas hóstias havia no cálice: trinta e duas.
Quando os comunistas retiraram-se, talvez não tivessem percebido, ou não prestaram atenção, a uma menininha, que rezando na parte detrás da igreja, viu tudo o que ocorreu. À noite, a pequena regressou e, escapando da guarda posta na reitoria, entrou no templo. Ali, fez uma hora santa de oração, um ato de amor para reparar o ato de ódio. Depois de sua hora santa, entrou no santuário, ajoelhou-se, e inclinando-se para frente, com sua língua recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. (Naquele tempo não era permitido aos leigos tocar a Eucaristia com suas mãos).
A pequena continuou regressando a cada noite, fazendo sua hora santa e recebendo Jesus Eucarístico na língua. Na trigésima segunda noite, depois de haver consumido a última hóstia, acidentalmente fez um barulho que despertou o guarda. Este correu atrás dela, agarrou-a, e golpeou-a até mata-la com a parte posterior de sua arma.
Este ato de martírio heroico foi presenciado pelo sacerdote enquanto, profundamente abatido, olhava da janela de seu quarto convertido em cela.
Quando o Bispo Sheen escutou o relato, inspirou-se de tal maneira que prometeu a Deus que faria uma hora santa de oração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequena pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença do seu Salvador no Santíssimo Sacramento então, o bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento.
A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.
Uma sugestão…
ORAÇÃO PARA ANTES DA COMUNHÃO – ( São Tomás de Aquino)
Ó DEUS eterno e todo poderoso, eis que me aproximo do Sacramento de Vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade, pobre e indigente, ao Senhor do Céu e da terra.
Imploro pois a abundância de Vossa imensa liberalidade para que Vos digneis curar minha fraqueza, lavar minhas manchas, iluminar minha cegueira, enriquecer minha pobreza, e vestir minha nudez.
Que eu receba o Pão dos Anjos, o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores, com o respeito e a humildade, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convém à salvação de minha alma.
Dai-me receber não só o Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, mas também Seu efeito e sua força.
Ó Deus de mansidão, dai-me acolher com tais disposições o corpo que Vosso Filho único, Nosso Senhor JESUS CRISTO, recebeu da Virgem Maria, que eu seja incorporado a Seu corpo místico e contado entre seus membros.
Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora o Vosso Filho sob o véu do sacramento, possa na eternidade contemplá-lo face a face. Ele que Convosco vive e reina na unidade do ESPIRITO SANTO. Amém.
ORAÇÃO PARA DEPOIS DA COMUNHÃO – (São Tomás de Aquino)
Eu Vos dou graças, ó Senhor Pai Santo, DEUS eterno e todo poderoso, porque sem mérito algum de minha parte, mas somente pela condescendência de Vossa misericórdia, Vos dignastes saciar-me a mim pecador, Vosso indigno servo, com o sagrado Corpo e precioso Sangue de Vosso Filho Nosso Senhor JESUS CRISTO.
E peço que esta santa comunhão não me seja motivo de castigo, mas salutar garantia de perdão.
Seja para mim armadura da fé, escudo de boa vontade e libertação dos meus vícios.
Extinga em mim a concupiscência e os maus desejos, aumente a caridade e a paciência, a humildade e a obediência e todas as virtudes.
Defenda-me eficazmente contra as ciladas dos inimigos, tanto visíveis como invisíveis.
Pacifique inteiramente todas as minhas paixões, unindo-me firmemente a Vós, DEUS uno e verdadeiro, feliz consumação de meu destino.
E peço que Vos digneis conduzir-me, a mim pecador, a aquele inefável convívio em que Vós com o Vosso FILHO e o ESPÍRITO SANTO, Sois para os Vossos Santos a luz verdadeira, a plena saciedade e a eterna alegria, a ventura completa e a felicidade perfeita.
Por CRISTO Nosso Senhor. Amém.

domingo, 22 de maio de 2016

A Trindade Misericordiosa

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A Trindade Misericordiosa
A liturgia nos convida, neste domingo celebrar e viver o Mistério da Trindade. Aqui não se trata somente de uma verdade para crer, mas estamos diante do fundamento e do núcleo de nossa experiência cristã. Em vez do “Mistério da SS. Trindade”(talvez algo distante e estranho para nós), o importante é a experiência histórica do encontro com a atividade vivificadora “da Fonte” de vida (Pai), “do Encontro” do Amor (Filho) e a “Respiração” da esperança, que pacifica, alenta e reconcilia (Espírito Santo).
Para facilitar a experiência da presença e ação da Trindade em nossas vidas, nossa proposta é contemplar a escultura da irmã Caritas Müller que está numa casa de oração na Alemanha, toda obra de arte fala mais que muitas palavras.Todo artista  capta detalhes do Mistério e nos oferece ricas possibilidades de acesso que a razão nem sempre consegue explicar.
Quem é o Pai-Criador, quem é o Filho Redentor, quem é o Espírito Vivificador? As definições apresentadas pelo “dogma da Trindade” não nos ajudam muito. No entanto, a identidade da Trindade se revela na sua ação salvífica. O Pai, no Filho e pelo Espírito Santo se preocupam com cada um dos seus filhos e filhas. Sua intenção é idêntica atitude e gestos o demonstram: uma mesma atenção, uma mesma paixão os move para o ser humano; um mesmo amor para cada criatura humana brota das entranhas da Santíssima Trindade.
O interessante é que, ao observamos a escultura, vemos que o ser humano está no centro. Trata-se da pessoa na sua total fragilidade e miséria, caída e sem forças: Essa pessoa está circuncidada pela misericórdia da Trindade. Em Deus o ser humano está no centro, para que o ser humano coloque Deus no centro da sua vida. Mais uma vez, escolhe para isso o caminho do Amor que se entrega da inquebrantável misericórdia reconstrutora, da transbordante doação que  dignifica cada ser humano.
Percebemos na escultura quatro círculos. O circulo expressa o caráter único de cada pessoa, tanto divina como humana. As Três Pessoas divinas e a pessoa humana encontram-se dentro de círculos. O círculo da pessoa humana está no centro da Trindade, e os círculos das Três Pessoas da Trindade encontram-se abertos em direção a este círculo central. Pela sua Encarnação, Morte e Ressurreição, o Filho é o mediador que introduz o ser humano no coração da Trindade.
É importante notar que os círculos não estão fechados, pois as pessoas podem entrar no círculo das outras na medida em que seu amor é atuante e expansivo. O circulo central recolhe uma pessoa humana que pode ser qualquer um de nós. Não dá para saber se é homem ou mulher, pobre ou rica, jovem ou velha e assim por diante. Parece sim se tratar de uma pessoa ferida nos caminhos da vida.O círculo, como símbolo da realização, significa que o ser humano, em sua fragilidade e em sua miséria, é chamado à plenitude de vida e de realização.Logo nos vem a lembrança do Bom Samaritano. As três pessoas divinas estão debruçadas, com reverência sobre a pessoa machucada. É patente que o Deus Uno e Trino comunga no mesmo sentimento de amor e compaixão. Tudo converge para esta revelação: o ser humano desfigurado e acolhido pela iniciativa amorosa da Trindade. O ser humano desfigurado é transfigurado pelo Amor Trinitário.
A Trindade Misericordiosa envolve a criatura humana por  todos os lados. Toda a atenção de Deus está centrada sobre o ser humano.
O Pai (à direita), está carinhosamente inclinado, com um joelho em terra, esforçando-se com cuidado para levantar a pessoa ferida. O sentimento do Pai é de ternura e cuidado, seu rosto se aproxima e beija o rosto inerte da pessoa ferida. Ele revela seu amor misericordioso no calor do abraço, que acolhe e regenera o ser humano. Morre o mal que foi feito e celebra-se a festa da vida nova. Assim fez o pai que, no regresso do filho pródigo, o abraça, o cobre de beijos e o cumula de seu perdão. Levantar, rodear, acolhê-lo em seu seio de ternura, tal é o gesto de Deus-Pai para com o ser humano. Gesto de libertação que o coloca em pé devolvendo sua dignidade.
Jesus, o Filho de Deus (à esquerda), ajoelha e se inclina profundamente. Ele se rebaixa à mesma condição do ser humano. Ele segura e sustenta com as mãos os pés da pessoa ferida, lava-os, cura as feridas com carinho e beija os pés. Beijo, gesto de intimidade e de ternura, que convida a pessoa a deixar-se amar. O amor liberta, põe o homem e a mulher de pé. Jesus nos revela o maior serviço do amor, ao mesmo tempo que realiza o mais humilde serviço. “Eu vim para servir e não para ser servido”. O Filho revela o Deus Amor-serviço, que se põe aos pés da humanidade decaida para restaurá-la, e revela o caminho do serviço como caminha para vida. Em Jesus Deus se abaixa para estar mais perto da miséria do ser humano. Não o olha a partir de cima, abaixa-se. Não vem ao nosso encontro em nossas imperfeições, mas em nossas misérias.É o que Jesus nos revelo durante toda a sua vida e de maneira especial no gesto do lava-pés. Ele põe o centro de sua ação nos seres mais pobres e mais fracos, aqueles que não contam para nada, os descartados, os que sofrem e os pecadores. O ser humano, cada um de nós pessoalmente, é tão importante aos olhos de Deus que Ele o coloca no centro de suas preocupações.
O Espírito Santo, figura que desce do alto e se aproxima do ferido, tanto pode ser a figura de uma pomba, de chamas ou de mãos que trazem vida. O bico da pomba, como o Pai e o Filho, beija a pessoa e lhe transmite o Sopro de vida. Deus quer ter o ser humano, um ser vivente, como interlocutor, um ser capaz de responder seu chamado à vida. Deseja um ser vivente, capaz de amar, e de se assemelhar-se a Ele. A Pomba de fogo, voa sobre o ser humano caído e o aquece. A relação entre a Pomba de fogo e o ser humano do centro recorda Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos, antes marcados pelo medo, se transformam em testemunhas audazes de Jesus e do amor de Deus.
Pai, Filho e Espírito se preocupam pela pessoa, criada do barro da terra. A pessoa, no centro, é a figura mais escura de todas. Cor da terra, de húmus, um ser criado por Deus, e que estaria sem vida, se esta não lhe fosse comunicada pelo Criador.
Ao experimentar esta acolhida restauradora o ser humano é chamado a ser também presença da Trindade Amiga para seus irmãos, construindo a comunhão trinitária no mundo em que vive. Só corações solidários adoram um Deus Trinitário.
   Texto Bíblico: Mt 28,16-20 . Coloque-se no lugar do ser humano, no centro da escultura, e faça a experiência de ser acolhido e amado pelas divinas Pessoas Trinitárias. Coloque no coração da Trindade as pessoas que você sabe que precisam da graça desta experiência.

http://paroquiasantoagostinho.org.br/a-trindade-misericordiosa/

sábado, 21 de maio de 2016

Mark Twain, devoto de Joana d’Arc


Um livro praticamente esquecido do autor americano é uma biografia da santa francesa

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É pouco conhecido que Mark Twain escreveu uma biografia de Joana d’Arc. Menos conhecido ainda é o fato de que o autor inclusive visitou o Arquivo Nacional da França e leu as transcrições do julgamento que levou a santa ao martírio, o mesmo das investigações que, vinte e cinco anos depois, limparam seu nome.

Como aponta o artigo de Stephen K. Ryan para Patheos, depois de doze anos de estudos e escrita, Twain finalmente terminou o livro. O autor teria dedicado dez anos para investigar e dois para escrever “Joana d’Arc”, do qual disse que era o seu melhor trabalho: “Eu gosto de ‘Joana d’Arc’ mais do que todos os meus outros livros; e é o melhor deles; sei perfeitamente. E também, me deu sete vezes mais prazer que qualquer outro; dez anos de preparação e dois para escrever. Os outros não precisaram de preparação, e não tiveram nenhuma”.
A – realmente ilimitada – admiração de Twain pela santa foi porque ele a viu como uma pessoa “pura, na mente e no coração, na palavra, obra e espírito (…) Levando em conta (…) todas as circunstâncias da sua vida – sua origem, juventude, analfabetismo, as condições adversas em meio às quais desenvolveu seus dons e suas conquistas antes que os tribunais a processassem (…), é fácil considerá-la, de longe, a pessoa mais extraordinária que a raça humana já produziu”.

http://pt.aleteia.org/2016/05/17/mark-twain-devoto-de-joana-darc/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt-May%2017,%202016%2012:26%20pm

domingo, 15 de maio de 2016

Homilia do Papa Francisco

"Você pode ter defeitos, ser ansioso, e viver alguma vez irritado, mas não esqueça que a sua vida é a maior empresa do mundo. Só você pode impedir que vá em declínio. Muitos lhe apreciam, lhe admiram e o amam. Gostaria que lembrasse que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, uma estrada sem acidentes, trabalho sem cansaço, relações sem decepções. Ser feliz é achar a força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor na discórdia. Ser feliz não é só apreciar o sorriso, mas também refletir sobre a tristeza. Não é só celebrar os sucessos, mas aprender lições dos fracassos. Não é só sentir-se feliz com os aplausos, mas ser feliz no anonimato. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões, períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista para aqueles que conseguem viajar para dentro de si mesmo. Ser feliz é parar de sentir-se vítima dos problemas e se tornar autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas conseguir achar um oásis no fundo da nossa alma. É agradecer a Deus por cada manhã, pelo milagre da vida. Ser feliz, não é ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si. É ter coragem de ouvir um "não". É sentir-se seguro ao receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar os filhos, mimar os pais, viver momentos poéticos com os amigos, mesmo quando nos magoam. Ser feliz é deixar viver a criatura que vive em cada um de nós, livre, alegre e simples. É ter maturidade para poder dizer: "errei". É ter a coragem de dizer:"perdão". É ter a sensibilidade para dizer: "eu preciso de você". É ter a capacidade de dizer: "te amo". Que a tua vida se torne um jardim de oportunidades para ser feliz... Que nas suas primaveras seja amante da alegria. Que nos seus invernos seja amante da sabedoria. E que quando errar, recomece tudo do início. Pois somente assim será apaixonado pela vida. Descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita. Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Utilizar as perdas para treinar a paciência. Usar os erros para esculpir a serenidade. Utilizar a dor para lapidar o prazer. Utilizar os obstáculos para abrir janelas de inteligência.  Nunca desista....Nunca renuncie às pessoas que lhes ama. Nunca renuncie à felicidade, pois a vida é um espetáculo incrível".
Papa Francisco



sábado, 14 de maio de 2016

Como e por que estar a sós diante da Eucaristia?


Guia para a adoração ao Santíssimo Sacramento

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Uma das frases mais fortes de Jesus no Evangelho é a pergunta que Ele faz aos apóstolos em Getsêmani, quando os vê dormindo: “Não conseguem velar uma hora comigo?”. Em outras palavras, Jesus quis que eles dedicassem uma hora de reparação para combater a hora do mal.
A oração pessoal durante uma hora diante do Santíssimo Sacramento, estando ou não exposto, consiste basicamente nisso: acompanhar o Senhor em seus últimos momentos com o coração, buscando assimilar o seu amor.
É uma hora para aprender de Jesus, agradecer seu sacrifício e corresponder ao seu amor. Neste sentido, a adoração ao Santíssimo Sacramento é uma prolongação da missa.
Estar na presença do Santíssimo é como sair para tomar sol; assim como o sol é fonte natural da energia que dá vida, da mesma maneira Jesus sacramentado é a fonte sobrenatural de todo amor e graça.
Estar na presença do Senhor gera uma amizade íntima com Ele que nos entusiasma na vida – algo que não se alcança com estudos teológicos, por exemplo. É preciso conhecer mais Jesus Cristo, saber mais sobre Ele; e para isso, o trato pessoal com Jesus é fundamental. Recordemos que o verbo “conhecer”, na linguagem bíblica, significa amar.
Na adoração, Jesus nos convida a nos aproximarmos dele, conversar com Ele, pedir-lhe as coisas de que necessitamos e experimentar a bênção da sua amizade.
Essa hora de adoração pode ser oferecida por várias intenções, especialmente pela conversão dos pecadores.
Não existe um roteiro estabelecido pela Igreja para fazer adoração; cada um pode seguir o seu coração nesse momento. No entanto, vale a pena recordar a necessidade do silêncio interior e do recolhimento para estar na presença de Deus, bem como a importância de fazer um ato de fé e tomar consciência da presença de Deus no início da adoração.
Durante a adoração, há algumas devoções especialmente válidas, como ler o Evangelho e meditar sobre o que se leu; rezar a Via Sacra; recitar os mistérios dolorosos do terço; ler e orar sobre algum texto de espiritualidade, rezar com os salmos etc.
Também é de grande proveito espiritual simplesmente estar na presença do Senhor, fazer-lhe companhia, identificar-se com Jesus, oferecer-lhe a dor pessoal para permitir que seu consolo toque o coração e o encha de paz interior, receber sua inspiração divina para encontrar luz nas dificuldades.
Há três recomendações importantes ao fazer a adoração eucarística:
1. Estar atentos. Não dar espaços para as distrações. Desligar o celular, por exemplo.
2. Recordar: não é uma hora de leitura.
3. Estar alerta. Alternar posições: sentar-se, ajoelhar-se, ficar em pé com respeito. O importante é não ficar em uma situação tão cômoda, a ponto de dormir.
Como já foi dito, não existe um “ritual” a ser seguido na hora da adoração. No entanto, o fiel pode levar em consideração a seguinte sugestão de roteiro, que eu particularmente pratico e quero compartilhar:
1. Fazer o sinal da cruz.
2. Oração de preparação (espontânea ou já existente).
3. Leitura espiritual (de livre escolha) e meditação. Lectio divina.
4. O santo terço e/ou Via Sacra e/ou liturgia das horas.
5. Oração pessoal. Privilegiar este momento.
6. Comunhão eucarística espiritual (por meio de uma oração pessoal ou já existente).
7. Contemplação do Santíssimo.
8. Louvores de desagravo e reparação.
9. Oração final (pessoal ou já existente).
10. Sinal da cruz.

Na oração pessoal (ponto 5), que é o momento central, mais do que falar com o Senhor, é importante criar um momento de silêncio, pois o silêncio é capaz de abrir um espaço interior no mais íntimo de nós que permite a ação de Deus, que faz que sua Palavra permaneça em nós, para que o amor a Ele crie raízes em nossa mente, em nosso coração e seja motivação da nossa vida.
Na adoração eucarística, o mais importante é deixar-se amar e abraçar pelo Senhor em cada momento, isto é, entrar em sua intimidade.

http://pt.aleteia.org/2016/05/09/como-e-por-que-estar-a-sos-diante-da-eucaristia/

Oração para interceder por alguém


E você, já intercedeu por alguém hoje?

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Senhor Jesus,
eu te peço que entres
no coração de (diga o nome da pessoa)
e toques aquelas experiências de vida
que precisam ser curadas.
Tu conheces muito melhor o(a) (diga o nome da pessoa)
que ele(a) próprio(a) conhece a si mesmo.
Derrama, então, o teu amor
em todos os cantos do coração dele(a).
Onde quer que encontres feridas,
toca, consola, liberta.
Se ele(a) se sente só, abandonado(a),
rejeitado(a) pela humanidade,
concede-lhe, mediante teu amor regenerador,
uma nova consciência do seu valor como pessoa.
Jesus, eu entrego o(a) (diga o nome da pessoa)
totalmente a Ti: seu corpo, mente e espírito;
e te agradeço por restaurar a sua integridade.
Obrigado(a), Senhor.
Amém.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

7 práticas para todo homem de Deus alimentar a sua vida de fé

Se os hábitos a seguir ainda não fazem parte da sua vida, comece a pô-los em prática hoje mesmo!

Em uma ousada tática para trazer os homens de volta à Igreja, o bispo da diocese de Phoenix, nos Estados Unidos, escreveu uma exortação apostólica intitulada Into the Breach ("Na Brecha", lit.). A iniciativa surgiu como uma resposta à desafiante crise que enfrentam a masculinidade e a paternidade em nossos tempos — crise que também já foi objeto de reflexão neste site.
Em um trecho dessa carta, o bispo Thomas Olmsted enumera sete importantes práticas que todo homem de Deus deve cultivar para tomar a sua cruz e seguir o seu Senhor. As cinco primeiras são propostasdiariamente; as duas últimas podem ser feitas em um ritmo semanal ou mesmo mensal. O importante é não cruzar os braços, pois "quem não se prepara e não se fortalece para o combate espiritual é incapaz de permanecer 'firme na brecha' por Cristo".
Se os hábitos a seguir ainda não fazem parte da sua vida, comece a pô-los em prática hoje mesmo!

1. Rezar todos os dias

Todo homem católico deve começar o seu dia com oração. Há um ditado que diz: "Até que você se dê conta de que a oração é a coisa mais importante na vida, você nunca terá tempo para rezar". Sem oração, um homem é como um soldado sem comida, sem água e sem munição!
Por isso, reserve algum tempo para falar com Deus como a primeira coisa do seu dia, todas as manhãs. Reze as três orações essenciais da fé católica: o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória.
Reze também em toda refeição. Antes que a comida ou a bebida toque os seus lábios, faça o sinal da cruz, reze a oração do "Abençoai-nos, Senhor" e termine com o sinal da cruz. Faça isso, não importando onde, com quem ou o quanto você esteja comendo. Nunca fique tímido ou com vergonha de rezar durante as refeições. Jamais negue a Cristo a gratidão que Lhe é devida. Rezar como um homem católico antes de cada refeição é uma maneira simples, mas poderosa de manter-se firme na brecha (cf. Ez 22, 30).

2. Fazer um exame de consciência antes de dormir

Reserve alguns minutos para repassar o seu dia, incluindo tanto as graças que você recebeu quanto os pecados que cometeu. Agradeça a Deus pelas bênçãos e peça perdão pelos seus pecados. Depois, faça um ato de contrição.

3. Não deixar de ir à Missa

Ainda que assistir à Missa semanalmente seja um preceito da Igreja, apenas um em cada três homens católicos assistem à Missa todos os domingos. Para um grande número de homens católicos, a sua negligência em assistir à Missa é um pecado grave, um pecado que os coloca em perigo mortal.
A Missa é um refúgio na batalha espiritual, onde os homens católicos encontram o seu Rei, ouvem os Seus comandos e são fortalecidos com o Pão da Vida. Toda Missa é um milagre onde Jesus Cristo está integralmente presente, um milagre que é o ápice não apenas da semana, mas de todas as nossas vidas sobre a terra. Na Missa, um homem agradece a Deus por Suas inúmeras graças e ouve Cristo enviá-lo de volta ao mundo para construir o Reino de Deus. Pais que levam os seus filhos à Missa estão ajudando de uma maneira muito real a assegurar a sua salvação eterna.

4. Ler a Bíblia

Como São Jerônimo mui claramente nos diz: "Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo". Quando lemos a palavra de Deus, Jesus está presente. Homens casados, leiam a Bíblia com suas esposas e com seus filhos. Se os filhos de um homem o vêem lendo as Escrituras, mais eles tendem a permanecer na fé. Meus irmãos em Cristo, isto eu posso assegurar a você: homens que lêem a Bíblia crescem em graça, sabedoria e paz.

5. Guardar o repouso dominical

Desde a criação de Adão e Eva, Deus Pai estabeleceu um ciclo semanal terminando com o repouso sabático. Ele nos deu o "sábado" para assegurar que em um dos sete dias nós Lhe rendêssemos graças, descansássemos e refizéssemos as nossas forças. Nos dez mandamentos, Deus reafirma a importância de guardar o "sábado".
Com o constante bombardeio comercial e barulho dos meios de comunicação hoje em dia, o "sábado" é a trégua de Deus em meio à tempestade. Como homens católicos, vocês devem começar (ou aprofundar) a santificação do "sábado" (que para nós, cristãos, é o dia do Senhor, o Domingo). Se são casados, devem conduzir suas esposas e filhos a fazer o mesmo. Dediquem o dia para o descanso e para uma verdadeira recreação, e evitem todo trabalho desnecessário. Passem o tempo em família, assistam à Missa e aproveitem o presente desse dia.

6. Procurar a Confissão

Bem no início do ministério público de Cristo, Jesus chama todos os homens ao arrependimento. Sem arrependimento dos pecados, não pode haver nenhuma cura ou perdão, e não haverá nada de Céu. Um grande número de homens católicos está em grave risco de morte, devido particularmente aos níveis epidêmicos de consumo de pornografia e do pecado da masturbação.
Meus irmãos, vão se confessar agora mesmo! Nosso Senhor Jesus Cristo é um Rei misericordioso que perdoará aqueles que humildemente confessarem os seus pecados, mas Ele não perdoará aqueles que se negam. Abram as suas almas ao dom da misericórdia do Senhor!

7. Construir fraternidade com outros homens católicos

A amizade católica entre os homens tem um grande impacto em suas vidas de fé. Homens que possuem laços de fraternidade com outros homens católicos rezam mais, vão à Missa e à Confissão mais frequentemente, lêem as Escrituras com mais regularidade e são mais ativos na fé.
O livro dos Provérbios nos diz que "o ferro com o ferro se aguça, e o homem aguça o homem" (Pr 27, 17). Conclamo a cada um de nossos padres e diáconos a reunir os homens em suas paróquias e começar a reconstruir uma fraternidade católica vibrante e transformadora. Conclamo os leigos a formarem pequenos grupos de amizade para apoio mútuo e crescimento na fé. Nenhuma amizade pode ser comparada a um amigo em Cristo.
Fonte: Into the Breach | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

O maior dos santos depois de Maria

E o Faraó, tirando o anel da sua mão, meteu-o no dedo de José (…). E, fazendo-o montar no segundo dos seus carros, mandou que se clamasse diante dele: “Ajoelhai-vos!” (Gên 41,42-43)
Entre os teólogos posteriores ao século XVI, tornou-se uma espécie de lugar comum comparar a grandeza de São José com a dos outros santos a fim de precisar que lugar lhe competiria entre aqueles que Deus coroou no céu. Nas suas discussões apoiavam-se com frequência numa passagem de São Gregório Nazianzeno: “O Senhor conjugou em José, como num sol, tudo aquilo que os outros santos tem em conjunto de luz e de esplendor”.
É absolutamente certo que, quando Deus predestina uma alma para determinada missão, lhe confere todos os talentos necessários para que possa cumpri-la. Ora, depois da de Maria, Mãe do Verbo Encarnado, que função pôde ultrapassar ou sequer igualar a de José, pai adotivo de Cristo e esposo da sua Mãe? Comparando-se, pois, José com Maria, dizia-se com justiça que, depois dEla, nenhuma outra criatura se tinha aproximado tanto como o santo Patriarca do Verbo Encarnado e que, consequentemente, nenhum outro ser humano tinha possuído no mesmo grau a graça santificante.
Leão XIII, na encíclica Quamquam pluries, havia de fazer-se eco desta opinião: “É verdade que a dignidade da Mãe de Deus é tão alta que nada a pode ultrapassar. Porém, como existe entre a Virgem e José um laço conjugal, não há a menor dúvida de que ele se aproximou mais do que ninguém dessa dignidade supereminente que coloca a Mãe de Deus muito acima de todas as criaturas”.
Por ter trazido nos seus braços Aquele que é o próprio coração e alma da Igreja, argumentavam os teólogos, José é maior do que São Pedro, sobre o qual Jesus declarou querer edificar a sua Igreja. Por ter vivido durante trinta anos na intimidade de Cristo e em meditação constante da sua vida, a sua grandeza é superior à de São Paulo, que no entanto recebeu a revelação dos mistérios tão sublimes. E é também maior do que São João Evangelista, cujo privilégio único foi repousar uma vez a cabeça sobre o peito do Salvador, enquanto José sentiu tantas vezes pulsar o coração do Menino. Maior do que todos os Apóstolos que propagaram o nome de Jesus é, pois, aquele que recebeu a missão de impor-lhe esse nome.
Mais árdua se mostrou aos teólogos a tarefa de colocar José acima de João Batista, devido à frase de Cristo: Na verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João Batista (Mt 11,11). Mas essa dificuldade resolve-se se considerarmos que Jesus, ao pronunciar essas palavras, queria estabelecer uma comparação com os Profetas do Antigo Testamento, que anunciavam o Messias futuro, ao passo que João Batista anunciava o Messias já presente, apontando-o por assim dizer com o dedo. Pode-se dizer, por outro lado, que Cristo pretendia apenas comparar João Batista, o maior profeta do Antigo Testamento, com a nova grandeza que o chamamento para o reino dos céus confere ao cristão. A Igreja que Jesus viera fundar na terra representava a primeira fase desse reino, e por isso Cristo acrescentou: No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele ou, por outras palavras: “Seja qual for a grandeza de João Batista, que fecha o Antigo Testamento, ele deve apagar-se  diante do mais pequeno dentre os cristãos”.
A doutrina da primazia de São José sobre todos os outros santos apresenta-se hoje com garantias de séria probabilidade. Tende a tornar-se doutrina comumente admitida na Igreja*. A declaração de Leão XIII que citamos acima é, neste ponto, particularmente reveladora.
Quanto aos outros problemas relativos aos possíveis privilégios de que São José terá gozado, e que se pensa que constituem como que um “prolongamento” dos da Virgem, continuam hoje a ser objeto de discussão entre os teólogos, e as suas conclusões repousam em bases menos seguras.
Evidentemente, ninguém tem obrigação de crer que José esteve isento do pecado original, embora haja quem pense que o santo Patriarca deve ter sido santificado desde o seio materno. Afirmam que, se este privilégio foi concedido a alguns santos como Jeremias e João Batista, não podia ter sido recusado ao esposo de Maria, cuja grandiosa predestinação ultrapassa de longe a daqueles dois personagens. Esta é, concretamente, a opinião de Gerson, de Santo Afonso Maria de Ligório e de muitos outros teólogos. A missão de pai adotivo de Jesus, que coloca São José muito perto do Redentor, exigia segundo eles, que fosse santo antes de nascer.
Os teólogos que professam a opinião contrária objetam que, sendo a santificação no seio materno um favor excepcional, que não é concedido senão em vista da utilidade comum, não era necessário que José possuísse durante o tempo que precedeu o seu nascimento, pois a sua missão só começou realmente a partir dos seus esponsais com Maria. Suárez conclui razoavelmente que não se pode acolher a tese da santificação prévia do esposo de Maria, que não se funda sobre nenhum texto da Escritura, a não ser que se possa apoiá-la em razões válidas e na autoridade da maioria dos Padres da Igreja, o que não é o caso.
As opiniões estão igualmente divididas quando se pergunta se a concupiscência – a inclinação para o pecado resultante do pecado original – foi em José, não suprimida, mas contida ou dominada por uma graça especial, a ponto de evitar totalmente que caísse em qualquer pecado, mesmo venial. Ainda aqui é necessário reconhecer que a nossa admiração pelo santo Patriarca não nos obriga a conceder-lhe este privilégio. É uma tese indemonstrável, que não se apóia em nenhuma razão válida. A concessão de um privilégio tão especial, tão absoluto, tão completo, não pode ser considerada impossível, mesmo num homem que viesse ao mundo marcado pelo pecado original, mas não pode ser objeto de uma demonstração teológica.
Tudo o que se pode afirmar a este respeito é que José se beneficiava da proximidade constante dAquela que tinha sido Imaculada desde a sua concepção, e que, como nunca resistiu aos apelos da graça que recebia, não cessou de ver aumentar na sua alma o seu tesouro sobrenatural: pôde elevar-se a um estado de perfeição tão eminente que o pecado lhe foi estranho, na medida em que isso é possível a uma criatura humana.
Certos autores, entre os quais se contam Suárez, São Bernardino de Sena, São Francisco de Sales e Bossuet, e mesmo vários Padres da Igreja, dão ainda como certo que José esteve entre aqueles santos dos quais o Evangelho nos diz que saíram dos seus túmulos depois da morte de Jesus e se manifestaram na cidade de Jerusalém (cf. Mt 27,51-53). São Tomás diz-nos a respeito deles que a sua ressurreição foi definitiva e absoluta, e São Francisco de Sales chega mesmo a escrever: “Se é verdade o que devemos acreditar, que em virtude do Santíssimo Sacramento que recebemos os nossos corpos hão de ressuscitar no dia do Juízo Final, como podemos duvidar de que Nosso Senhor tenha feito subir ao céu, em corpo e alma, o glorioso São José, que teve a honra e a graça de o trazer tantas vezes entre os seus braços benditos? Não resta dúvida, pois, de que São José está no céu em corpo e alma”.
Aqueles que partilham desta opinião fazem valer como argumento que Jesus, tendo por assim dizer escolhido uma “escolta” de ressuscitados para sublinhar com mais clareza a sua própria Ressurreição e dar maior brilho ao seu triunfo, não podia deixar de incluir  o santo Patriarca entre eles e até de colocá-lo em primeiro lugar. Por outro lado, sem a assunção gloriosa de José em corpo e alma, dizem, a Sagrada Família reconstituída no céu teria tido uma nota discordante na sua exaltação e glória.
Estes argumentos são sem dúvida respeitáveis, mas não dispomos de nenhum meio para prová-lo. Nada nos impede de tê-los como prováveis, como também nada nos obriga a crer neles. A opinião contrária tem numerosos partidários que não admitem atualmente no céu outros corpos gloriosos além de Nosso Senhor e da sua Santíssima Mãe.
Quanto ao título de Corredentor, que alguns autores pensam poder atribuir a São José, é necessário reconhecer que é um tanto exagerado. José foi corredentor, sim, mas apenas tal como o são todos aqueles que unem voluntariamente os seus méritos e os seus sofrimentos aos do Salvador, a fim de completarem na sua carne o que falta à Paixão de Cristo, como diz São Paulo (cf. Col 1,24). É bem verdade que, neste sentido, São José  foi corredentor de maneira mais intensa do que todos os outros, por ter guardado, protegido e alimentado a Vítima divina em preparação para o Sacrifício da Cruz, por tê-la oferecido antecipadamente no Templo como um bem que lhe pertencia, e por ter suportado por causa de Jesus tantos sofrimentos, cujo mérito satisfatório aproveitou à humanidade resgatada.
Em conclusão, podemos dizer que, para exprimir a grandeza de José, não é necessário preparar-lhe títulos artificiais e de ordem excepcional. Basta pensar no apagamento em que quis esconder-se e evocar a frase de Jesus: Quem quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos (Mc 9,35).
* Cf. Dictionnaire de Théologie, vol. VIII, col. 1516.
* * *
(GASNIER, Michel. José, o silencioso. Ed. Quadrante. São Paulo: 1995)

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