quinta-feira, 28 de março de 2013

Agora não entendes o que estou fazendo, mais tarde compreenderás!


1Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2Durante a ceia, quando já o diabo colocara no coração" de Judas Iscariotes, filho de Simão, o projeto de entregá-lo, 3sabendo que o Pai tudo colocara em suas mãos e que ele viera de Deus e a Deus voltava, 4levanta-se da mesa, depõe o manto e, tomando uma toalha, cinge-se com ela. 5Depois coloca água numa bacia e começa a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. 6Chega, então, a Simão Pedro, que lhe diz: "Senhor, tu, lavar-me os pés?!" 7Respondeu-lhe Jesus: "O que faço, não compreendes agora, mas o compreenderás mais tarde". 8Disse-lhe Pedro: "Jamais me lavarás os pés!" Jesus respondeu-lhe: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo". 9Simão Pedro lhe disse: "Senhor, não apenas meus pés, mas também as mãos e a cabeça". 10Jesus lhe disse: "Quem se banhou não tem necessidade de se lavar, porque está inteiramente puro. Vós também estais puros, mas não todos". 11Ele sabia, com efeito, quem o entregaria; por isso, disse: "Nem todos estais puros". 12Depois que lhes lavou os pés, retomou o seu manto, voltou à mesa e lhes disse: "Compreendeis o que vos fiz? 13Vós me chamais de Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. 14Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros. 15Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais. 16Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que quem o enviou. 17Se compreenderdes isso e o praticardes, felizes sereis. 18Não falo de todos vós; eu conheço os que escolhi. Mas é preciso que se cumpra a Escritura: Aquele que come o meu pão levantou contra mim o seu calcanhar! 19Digo-vos isso agora antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU. 20Em verdade, em verdade, vos digo: quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe e quem me recebe, recebe aquele que me enviou".
Bíblia de Jerusalém Evangelho de João 13, 1-15

quarta-feira, 27 de março de 2013

Regras de Vida Cristã - Santo Afonso de Ligório



Modo prático de fazer oração mental
Como preparação, diga:

I. Meu Deus, creio que estais aqui
presente. Eu vos adoro com todo o meu ser.
II. Senhor, mereceria estar agora no
inferno; arrependo-me de vos ter
ofendido; perdoai-me.
III. Pai Eterno, por amor de Jesus e de
Maria, iluminai-me.
Depois, recomende-se a Maria Santíssima
com uma Ave-Maria, recomende-se a São
José, ao Anjo da Guarda, ao Santo Padroeiro.
Agora leia a Meditação; vá
interrompendo a leitura sempre que
encontrar uma passagem que tenha um
significado maior para você. Faça actos de
humildade, de agradecimento e,
principalmente, de arrependimento e de
amor. Diga: “Senhor, fazei de mim o que
quiseres, ajudai-me a conhecer o que quereis de
mim; quero fazer o que vos agrada”. Ore muito,
pedindo a Deus a perseverança, o amor, a
luz, a força para fazer sempre a vontade

divina, a graça de orar sempre.
Antes de terminar a oração, faça um
propósito particular, de evitar alguma falha
mais frequente. Termine cm um Pai-Nosso e
uma Ave-Maria. Nunca deixe de recomendar
a Deus as almas do Purgatório e os
pecadores.



I. De manhã, ao se levantar, fazer os
actos indicados na página
seguinte. Todos os dias fazer meia
hora de oração mental e pelo
menos um quarto de hora de
leitura espiritual. Participar na
Missa. Fazer a visita ao Santíssimo
Sacramento e à Mãe de Deus.
Rezar o Rosário. À noite, fazer o
exame de consciência, acto de
arrependimento, os actos cristãos e
rezar a Ladainha a Nossa Senhora.
II. Confessar-se e comungar pelo
menos semanalmente e até mais
vezes, se o Director espiritual o
permitir.
III. Escolher um bom confessor,
instruído e piedoso; seguir as suas
orientações tanto no tocante aos
actos de devoção, como nas
questões importantes; não
abandoná-lo sem motivo grave.
IV. Evitar a ociosidade, as más
companhias, as conversas
inconvenientes e, principalmente,
as ocasiões de pecado,
especialmente quando há perigo
para a castidade.
V. Nas tentações, principalmente nas
impuras, fazer logo o Sinal da
Cruz e invocar os nomes de Jesus e
Maria, enquanto durar a tentação.
VI. Se cometer algum pecado,
arrepender-se logo e resolver
emendar-se. Se o pecado for grave,
confessar-se o quanto antes.
VII. Sempre que possível ouvir as
pregações; pertencer a alguma
irmandade ou grupo, ali

procurando apenas a salvação
eterna.
VIII. Para honrar a Maria Santíssima,
jejuar nos sábados e na vigília de
suas festas, fazendo ao mesmo
tempo alguma outra mortificação
corporal conforme o conselho do
Director espiritual. Fazer a novena
para as festas de Maria, do Natal,
de Pentecostes e do próprio
padroeiro.
Nas situações desagradáveis,
doenças, perdas, perseguições,
conformar-se com a vontade de
Deus e ficar em paz dizendo,
“Assim Deus quer, assim seja!”.
Todos os anos fazer os
Exercícios Espirituais em alguma
casa religiosa ao algum lugar
retirado. Ou, pelo menos, fazê-lo
em casa mesmo, dedicando-se o
mais possível à oração, às leituras
espirituais e ao silêncio. Do mesmo
modo fazer um dia de Retiro cada
mês, evitando as conversas e
recebendo a Eucaristia.



Actos cristãos para cada dia
De manhã, ao levantar-se, tendo feito o Sinal
da Cruz, faça os seguintes actos de adoração,
de amor, de agradecimento, de propósito e
de súplica:
I. Meu Deus, eu vos adoro e vos amo
com todo o meu ser.
II. Agradeço todos os vossos benefícios,
especialmente o de me terdes



conservado nesta noite.
III. Eu vos ofereço as minhas acções, os
meus sofrimentos deste dia, em união
com as acções e os sofrimentos de Jesus
e de Maria, com a intenção de ganhar
todas as indulgências que puder.
IV. Proponho-me fugir de todos os
pecados, especialmente de ... (é bom
fazer um propósito particular
quanto ao defeito em que mais se
cai). Nos contratempos quero
conformar-me sempre à vossa vontade.
Meu Jesus, guardai-me; Maria
protegei-me sob o vosso manto. Pai
Eterno, ajudai-me por amor de Jesus e
de Maria. Meu Anjo da Guarda, meus
Santos Padroeiros, acompanhai-me.
Reze depois o Pai-Nosso, a Ave-
Maria, o Credo, e três Ave-Marias
em honra da pureza de Nossa
Senhora.
Ao começar um trabalho,
estudo, ou qualquer outra
ocupação, diga: “Senhor, eu vos
ofereço este meu esforço”. Às
refeições: “Meu Deus, seja tudo para
vossa glória. Abençoai-me para que
não caia em nenhuma falta”. Depois
das refeições: “Agradeço, Senhor, o
benefício que fizestes a quem vos
ofendeu”. Ao soar das horas: “Jesus,
eu vos amo. Não permitais que me
separe de vós”. Nos contratempos:
“Senhor, assim quisestes, assim
também eu quero”. Nas tentações
repita frequentemente os nomes de
Jesus e de Maria. Tendo cometido
alguma falta: “Senhor, eu me
arrependo porque ofendi a vós,bondade infinita. Não quero fazê-lo
novamente”. Se houve pecado
grave, confessar-se logo.
www.santidade.net
Regras de Vida Cristã








Ofício do Glorioso São José (Maravilhoso)

terça-feira, 26 de março de 2013

Traição


"Judas não conheceu profundamente a Deus e se afogou em seus pecados, precisamos entender que a história de Judas e de outros personagens bíblicos se repetem todos os dias"

«Um de vós há-de entregar-me...
Não cantará o galo, sem que Me tenhas negado três vezes»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, estando Jesus à mesa com os discípulos,
sentiu-Se intimamente perturbado e declarou:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Um de vós Me entregará».
Os discípulos olhavam uns para os outros,
sem saberem de quem falava.
Um dos discípulos, o predilecto de Jesus,
estava à mesa, mesmo a seu lado.
Simão Pedro fez-lhe sinal e disse:
«Pergunta-Lhe a quem Se refere».
Ele inclinou-Se sobre o peito de Jesus e perguntou-Lhe:
«Quem é, Senhor?»Jesus respondeu:
«É aquele a quem vou dar este bocado de pão molhado».
E, molhando o pão, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão.Naquele momento, depois de engolir o pão,
Satanás entrou nele.
Disse-lhe Jesus:
«O que tens a fazer, fá-lo depressa».
Mas nenhum dos que estavam à mesa
compreendeu porque lhe disse tal coisa.
Como Judas era quem tinha a bolsa comum,
alguns pensavam que Jesus lhe tinha dito:
«Vai comprar o que precisamos para a festa»;
ou então, que desse alguma esmola aos pobres.
Judas recebeu o bocado de pão e saiu imediatamente.
Era noite.
Depois de ele sair, Jesus disse:
«Agora foi glorificado o Filho do homem
e Deus foi glorificado n’Ele.
Se Deus foi glorificado n’Ele,
também Deus O glorificará em Si mesmo
e glorificá-l’O-á sem demora.
Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco.
Haveis de procurar-Me
e, assim como disse aos judeus,
também agora vos digo:
não podeis ir para onde Eu vou»
Perguntou-Lhe Simão Pedro:
«Para onde vais, Senhor?».Jesus respondeu:
«Para onde Eu vou, não podes tu seguir-Me por agora;
seguir-Me-ás depois».
Disse-Lhe Pedro:
«Senhor, por que motivo não posso seguir-Te agora?Eu darei a vida por Ti».
Disse-Lhe Jesus:
«Darás a vida por Mim?Em verdade, em verdade te digo:
Não cantará o galo,
sem que Me tenhas negado três vezes».

Palavra da salvação.

T E M P O D A Q U A R E S M A

segunda-feira, 25 de março de 2013

Razões das nossas tristezas


É bem possível que muitos cristãos bons, bem dispostos e até idealistas, possam reconhecerse, como num espelho, na cena do jovem rico; e que – depois de se verem nela refletidos – fiquem em melhores condições de descobrir por que andam tristes, por que se sentem frustrados, por que,
apesar dos seus ideais e esforços espirituais, se encontram encalhados e não só não avançam, como parecem recuar com o correr dos anos. A resposta a esses porquês é simples: Cristo disse-lhes
também: Ainda te falta uma coisa; mas eles, lá no fundo de si mesmos, retrucaram: “Isso não!”

Contava o Bem-aventurado Josemaría Escrivá que conhecera um menino a quem a mãe ensinara, desde pequeno, a rezar de manhã e à noite. Ao acordar, recitava juntamente com ela o ato de consagração a Nossa Senhora: “Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia meus olhos, meus ouvidos, minha boca...” Não terminava, porém, a enumeração, porque – como quem quer prevenir equívocos – intercalava com veemência: “menos o meu coelhinho”. Tudo estava ele disposto a oferecer a Nossa Senhora..., menos o seu coelhinho. Mons. Escrivá, ao narrar esse episódio, dizia aos que tínhamos a fortuna de ouvi-lo que pensássemos também se não teríamos o nosso “coelhinho”.
Será que não temos mesmo? Seja qual for a nossa idade – ainda que já estejamos descendo a última ladeira da vida –, o “coelhinho” é todo e qualquer “menos isto” que nós opomos a Deus, ou seja, toda e qualquer reserva ou condição intocável.
Para o jovem rico, o problema residia nas riquezas. Para nós, onde está? Qual é a nossa ressalva, o nosso “menos isto”?
Uns colocam o rótulo de intocável no seu comodismo burguês: vida cristã, sim, mas sem falar muito em sacrifícios nem renúncias. Outros desconversam quando Deus, de algum modo, lhes pede que vivam bem a castidade: parecem-se com o governador romano Félix, que gostava de ouvir São Paulo, prisioneiro em Cesaréia, até o dia em que o Apóstolo começou a falar-lhe sobre a castidade e o juízo futuro. Félix, então, todo atemorizado, disse-lhe: Por ora podes retirar-te; mandar-te-ei chamar em outra ocasião (At 24, 25). Há outros que têm o seu “menos isto” no filho que Deus lhes pede – mais um filho! – e que eles não querem aceitar; outros fecham os ouvidos à sua própria consciência, quando lhes diz que a honestidade nos negócios está acima da ganância;
outros ainda querem ser bons cristãos, mas sem combater os defeitos que mais os dominam e lhes estão deteriorando o convívio familiar, prejudicando o trabalho ou congelando o crescimento espiritual: tudo menos renunciar à prepotência, ao comodismo, à inconstância, à crítica, ao excesso nos “aperitivos”, à desordem nos horários, etc.
E, dentro deste triste campo das recusas, é amargamente penoso – deploravelmente melancólico – o caso dos que chegam à beira de uma entrega total, para a qual Deus os escolheu desde toda a eternidade; dos que enxergam uma vocação divina que com a sua claridade os
deslumbra e, na hora decisiva, se encolhem por medo e se “retiram tristes”, escondendo-se sob o manto cinzento do egoísmo, como o jovem rico.
Seja qual for o caso, existe em todos um denominador comum: o “não querer”, que fez chorar Cristo em Jerusalém, e que acaba por fazer chorar muito amargamente os que o pronunciam.
Afinal, Cristo chorou com as lágrimas do amor, e esses choram com as lágrimas da traição: traíram, com efeito, o plano que Deus preparara para eles.
Importa gravar bem estes ensinamentos do Evangelho. Ver claramente que não é só a rejeição radical de Deus que leva a vida ao malogro; é também a rejeição do plano de Deus a nosso respeito, ou de algum aspecto importante do mesmo. Cada ser humano veio ao mundo para ser o protagonista de um programa divino. Deus não nos lançou à toa na vida, mas tem um projeto para cada um de nós, que nos vai dando a conhecer – de muitos modos – com a sua graça. Depende da
nossa liberdade aceitá-lo, dizendo “sim” a cada apelo divino, ou recusá-lo. Se o aceitarmos, encontrar-nos-emos a nós mesmos, porque acharemos a plenitude da nossa realização. Se o recusarmos, afundar-nos-emos na frustração: “ficaremos vazios”, seremos como uma planta estéril que “podia” ter dado muito fruto, mas, porque “não quis”, secou.
Comentando este árido vazio de uma vida frustrada, escreve poeticamente Saint-Éxupéry que, num oásis do deserto africano, “junto da fonte, uma mocinha chorava, com a fronte oculta no
cotovelo. Pousei-lhe docemente a mão nos cabelos e virei para mim aquele rosto. Não lhe perguntei a causa do desgosto, por saber perfeitamente que ela estava muito longe de o conhecer. A mágoa é
sempre feita do tempo que corre e não formou o seu fruto” 1.
Quem chora – muitas vezes sem saber por quê –, pense que, se as suas lágrimas não brotam da fonte do amor ou da alegria, quase com certeza estão rolando porque – como dizia Cristo aos fariseus – frustrou o desígnio de Deus a seu respeito (cfr. Lc 7, 30). Convença-se então de que há uma razão para esse vazio, um segredo revelado pelas lágrimas que Cristo derramou, na ladeira do monte das Oliveiras, quando avistou os brilhos da cidade de Jerusalém no domingo de Ramos: Eu
quis [...], e tu não quiseste! Eis que a tua casa ficará vazia.

Pe. Francisco Faus
Lágrimas de Cristo, lágriamas de homens

domingo, 24 de março de 2013

Separação de Abraão e de Ló

1Do Egito, Abrão, com sua mulher e tudo que possuía, e Ló com ele, subiu ao Negueb. 2Abrão era muito rico em rebanhos, em prata e em ouro. 3Seus acampamentos conduziram-no do Negueb até Betel, no lugar onde primeiro armara sua tenda, entre Betel e Hai, 4no lugar em que outrora construíra o altar, e lá Abrão invocou o nome de Iahweh. 5Ló, que acompanhava Abrão, tinha igualmente ovelhas, bois e tendas. 6A terra não era suficiente para sua instalação comum: tinham posses imensas para poderem habitar juntos. 7Houve uma disputa entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os dos rebanhos de Ló (nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra). 8Abrão disse a Ló: "Que não haja discórdia entre mim e ti, entre meus pastores e os teus, pois somos irmãos! 9Toda a terra não está diante de ti? Peço-te que te apartes de mim. Se tomares a esquerda, irei para a direita; se tomares a direita, irei para a esquerda." 10Ló ergueu os olhos e viu toda a Planície do Jordão, que era toda irrigada — antes que Iahweh destruísse Sodoma e Gomorra — como o jardim de Iahweh, como a terra do Egito, até Segor. 11Ló escolheu para si toda a Planície do Jordão e emigrou para o oriente. Assim eles se separaram um do outro. 12Abrão estabeleceu-se na terra de Canaã e Ló estabeleceu-se nas cidades da Planície; ele armou suas tendas até Sodoma. 13Ora, os habitantes de Sodoma eram grandes criminosos e pecavam contra Iahweh. 14Iahweh disse a Abrão, depois que Ló se separou dele: "Ergue os olhos e olha, do lugar em que estás, para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente. 15Toda a terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua posteridade para sempre. 16Tornarei a tua posteridade como poeira da terra: quem puder contar os grãos de poeira da terra poderá contar teus descendentes! 17Levanta-te! Percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura, porque eu ta darei." 18Com suas tendas, Abrão foi estabelecer-se no Carvalho de Mambré, que está em Hebron, e lá construiu um altar a Iahweh.

Bíblia de Jerusalém Gn 13,1-18

sábado, 23 de março de 2013

Aspectos de uma Vida de santidade



QUAL DEVE SER O ALVO DAQUELES QUE VIVEM PARA DEUS, ISTO É, OS
SANTIFICADOS EM CRISTO?


1 - Buscar as coisas do alto, v. 1 – a Bíblia afirma que toda a boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, isto é de Deus: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das
luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17). As pessoas tendem a temer mais o homem do que a Deus, pelo fato de estarem longe de Deus. Se você disser que sua
vida está em Deus, então Jesus lhe diz: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Paulo disse que a nossa cidade
está nos céus (Fp 3:20), e de lá esperamos o Senhor Jesus, portanto sejamos bem sintonizados com as ondas do Espírito de Deus.

2 - Pensai nas coisas que são de cima, v. 2 – nossa mente é um verdadeiro campo de batalha. Na verdade tudo o que fazemos começa na mente. Qualquer pecado ou ação que praticamos nasce
primeiro na mente. Quando Acã pecou e estava prejudicando todo o povo de Deus, assim que foi descoberto, ele disse: “Vi, cobicei, peguei e escondi”. Ver é uma conseqüência que não depende
tanto de nós, mas ficar armazenando na mente já é responsabilidade nossa. Eu não posso impedir que um pássaro voe sobre minha cabeça, mas posso impedi-lo de fazer um ninho nela. Paulo nos dá
uma boa receita para manter santo o nosso pensamento em Filipenses 4:8 “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que
é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

3 - Buscai e pensai – esses dois verbos não são opções, mas imperativos (que expressam ordens aos ouvintes para que realizem determinadas ações por comando e autoridade daquele que a emite),
portanto não se trata de dois “convites”, mas duas ordens absolutas que requer completa obediência da parte de todos aqueles que desejam viver para Deus. O apóstolo Pedro foi contundente em sua
palavra: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:15-16). A
marca identificadora dos filhos de Deus chama-se santidade.
4 - Vestir-se de um novo homem, v. 10 – isso significa ser mudado para um novo tipo de vida oposto ao estado corrupto anterior. Uma vida que se inicia ao aceitar por meio da fé a Salvação em
Cristo, e que visa crescer dentro do conhecimento preciso e correto do propósito de Deus, que nos faz conforme a imagem do Seu Filho, à qual os verdadeiros cristãos são transformados. Isso é semelhante não somente ao corpo celestial, mas também ao estado de mente mais santo e abençoado, que Cristo possui.

5 - Revestir-se como eleito de Deus, v. 12 – isto é, por cima das nossas vestes do conhecimento de Deus é preciso que tenhamos também o “sobretudo” da misericórdia, benignidade, humildade,
mansidão, longanimidade, suportar e perdoar os outros, tudo isso em amor, v. 14. Temos que dar um bom testemunho e nos comportar como eleito de Deus, pois Jesus afirmou que “muitos são
chamados e poucos escolhidos” (Mt 22:14).

ASPECTOS DE UMA VIDA DE SANTIDADE

São Turíbio de Mogrovejo

terça-feira, 19 de março de 2013

São Francisco de Assis

Um pouco mais sobre o Papa Francisco!


Francisco (em latim: Franciscus), nascido Jorge Mario Bergoglio SJ (Buenos Aires, 17 de dezembro de 1936) é o 266.º Papa da Igreja Católica e atual chefe de estado do Vaticano.

Francisco é o primeiro jesuíta e o primeiro sul-americano eleito Papa, além de ser o primeiro pontífice não-europeu em mais de 1200 anos. Arcebispo de Buenos Aires desde 28 de fevereiro de 1998 e cardeal-presbítero desde 21 de fevereiro de 2001, foi eleito em 13 de março de 2013.

Infância e juventudeJorge Mario Bergoglio, filho do casal de imigrantes italianos Mario Bergoglio (trabalhador ferroviário) e Regina Maria Sivori (dona de casa).
Nascido e criado no bairro de Flores, fez graduação e mestrado em química, na Universidade de Buenos Aires.


Vida antes do sacerdócioBergoglio foi engenheiro químico antes de uma doença respiratória lhe fazer perder um pulmão, assim aos 32 anos, seguiu o sacerdócio.
Companhia de Jesus (jesuítas)
Ingressou no noviciado da Companhia de Jesus em março de 1958. Fez o juniorado em Santiago, Chile. Graduou-se em Filosofia em 1960, na Universidade Católica de Buenos Aires. Entre os anos 1964 e 1966, ensinou Literatura e Psicologia, no Colégio Imaculada, na Província de Santa Fé, e no Colégio do Salvador, em Buenos Aires. Graduou-se em Teologia em 1969. Recebeu a ordenação presbiteral no dia 13 de dezembro de 1969, pelas mãos de Dom Ramón José Castellano. Emitiu seus últimos votos na Companhia de Jesus em 1973. Em 1973 foi nomeado Mestre de Noviços, no Seminário da Villa Barilari, em San Miguel. No mesmo ano foi eleito superior provincial dos jesuítas, na Argentina. Em 1980, após o período do provincialato, retornou a San Miguel, para ensinar em uma escola dos jesuítas.

No período de 1980 a 1986 foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel. Após seu doutorado na Alemanha, foi confessor e diretor espiritual em Córdoba.

EpiscopadoEm 20 de maio de 1992, o Papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Buenos Aires, com a sé titular de Auca (Aucensi). Sua ordenação episcopal deu-se a 27 de junho de 1992. Em 3 de junho de 1997, foi nomeado arcebispo coadjutor de Buenos Aires. Tornou-se arcebispo metropolitano de Buenos Aires no dia 28 de fevereiro de 1998.

CardinalatoFoi tornado cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, pelo Papa João Paulo II, recebendo o título de cardeal-presbítero de São Roberto Belarmino. Quando foi nomeado, conveceu centenas de argentinos a não viajarem para Roma. Em vez de irem ao Vaticano celebrar a nomeação, pediu que dessem o dinheiro da viagem aos pobres.
Foi membro dos seguintes dicastérios na Cúria Romana:
Congregação para o Clero
Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos
Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica
Pontifícia Comissão para a América Latina
Pontifício Conselho para a Família


PontificadoConclave de 2013
O cardeal Bergoglio foi eleito Papa a 13 de março de 2013, no segundo dia do conclave, escolhendo o nome de Francisco. É o primeiro jesuíta a ser eleito papa. É o primeiro Papa do Continente americano. É o primeiro não europeu a ser eleito bispo de Roma, em mais de 1.200 anos, desde São Gregório III, que nasceu na Síria e governou a Igreja Católica entre 731-741.


O anúncio (Habemus Papam) Annuntio vobis gaudium magnum; habemus Papam: Anuncio-vos com grande alegria: já temos o Papa:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, O Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Dominum Georgium Marium D. Jorge Mario
Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Bergoglio Cardeal da Santa Igreja Romana, Bergoglio qui sibi nomen imposuit Franciscum. Que adotou o nome de Francisco.


Primeira aparição como PapaO Papa Francisco apareceu ao povo na sacada (ou varanda) central da Basílica de São Pedro por volta das 20 horas e 30 minutos (hora de Roma). Vestindo apenas a batina papal branca, acompanhou a execução da Marcha Pontifícia e saudou a multidão com um discurso:
Irmãos e irmãs, boa-noite!
Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase no fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

O Papa rezou as orações do Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai, dedicando-as ao Papa Emérito. Em seguida, completou:
E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!
E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.
(momentos de silêncio)

O Papa abaixou a cabeça em sinal de oração, e toda a Praça silenciou por um momento. Por fim, realizou sua primeira bênção Urbi et Orbi, e despediu-se da multidão dizendo "Boa noite, e bom descanso!".


Nome Ao ser eleito, o novo pontífice escolheu o nome de Francisco. Em uma provável referência a Francisco Xavier e Francisco de Assis. São Francisco Xavier ( 1506 — 1552), santo jesuíta, padroeiro das missões, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola e um dos cofundadores da Companhia de Jesus. São Francisco de Assis (1182 — 1226), fundador da família franciscana, padroeiro da Itál
A Santa Sé divulgou que o nome de Sua Santidade não será grafado com "I" (Primeiro) em algarismos romanos. Isso só acontecerá se, um dia, houver um papa Francisco II.



HábitosEvita aparições na mídia e possui hábitos simples. Utiliza o transporte coletivo e não frequenta restaurantes. Aprecia música clássica, literatura e é associado e torcedor do clube de futebol San Lorenzo de Almagro.
Aborto e eutanásia
O cardeal Bergoglio convidou os seus clérigos e os leigos para que se opusessem ao aborto e à eutanásia.


HomossexualidadeÉ um forte opositor à legislação argentina que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tendo dito que: "se o projeto de lei que prevê às pessoas do mesmo sexo a possibilidade de se unirem civilmente e adotarem também crianças vier a ser aprovado, poderia ter efeitos seriamente danosos sobre a família. O povo argentino deverá afrontar nas próximas semanas uma situação que, caso tenha êxito, pode ferir seriamente a família. Está em jogo a identidade e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos. Não devemos ser ingénuos: essa não é simplesmente uma luta política, mas é um atentado destrutivo contra o plano de Deus".

Justiça socialÉ conhecido por sua postura à favor da justiça social, tendo dito em 2007 que: "Vivemos na região mais desigual do mundo, a que mais cresceu e a que menos reduziu a miséria. A distribuição injusta de bens persiste, criando uma situação de pecado social que grita aos céus e limita as possibilidades de vida mais plena para muitos de nossos irmãos". Além disso, tal como São Francisco de Assis lavava os pés dos leprosos, o Cardeal Bergoglio ganhou notoriedade em 2001 ao lavar os pés de 12 doentes de Aids em visita a um hospital.
Além do trabalho de pesquisa de Mignone, o livro El Silencio de Horacio Verbitsky, membro do grupo terrorista Montoneros, no capítulo "As Duas Faces do Cardeal" também explora o papel de agente duplo desempenhado por Bergoglio junto à ditadura argentina. Segundo o autor do livro, que alega ter acesso a documentos do Ministério das Relações Exteriores e do Culto da Argentina, Bergoglio "vai à Chancelaria, pede um trâmite em favor do sacerdote (Jalics), mas, por baixo do pano, diz para não o concederem porque se trata de um subversivo".

Sergio Rubin, o seu biógrafo autorizado, relatou que Bergoglio, após a prisão dos dois sacerdotes, trablhou nos bastidores para a sua libertação e intercedeu, de forma privada e pessoal, junto do ditador Jorge Rafael Videla: a sua intercessão poderia ter contribuído para a posterior libertação destes sacerdotes. Ele também relatou que, em segredo, Bergoglio deu frequentemente abrigo a pessoas perseguidas pela ditadura em propriedades da Igreja, e houve uma vez que chegou mesmo a dar os seus próprios documentos de identidade a um homem que se parecia com ele, para que pudesse fugir da Argentina.

Obras
1982: Meditações para religiosos
1986: Reflexões sobre a vida apostólica
1992: Reflexões de esperança
1998: Diálogos entre João Paulo II e Fidel Castro
2003: Educar: demanda e paixão
2004: Colocar a nação em seus ombros
2005: A construção de uma nação
2006: Corrupção e pecado
2006: Na carga de si mesmo
2007: O verdadeiro poder é o serviço
2012: Mente aberta, coração acreditado


fonte: Comunicação na Catequese

Cartas de Pe. Pio de Pietrelcina


Pietrelcina, 18 de março de 1915.
Meu caríssimo pai,
Que o Espírito o santifique e o ilumine sempre mais com os bens eternos, a nós reservados pela bondade do Celeste Pai. Amém!
Que Jesus lhe dê conhecimento do meu verdadeiro estado atual. Sou um crucificado do amor, meu caro pai! A minha crise é extremamente angustiante.
Reze a Jesus por mim e não deixe de escrever-me sempre e freqüentemente, perdoando se não receber resposta.
Desejaria revê-lo e, para dizer a verdade, esperava fazê-lo quando retornasse de sua missão. Jesus não quer; seja sempre bendito!
Não posso continuar, o meu estado de ânimo atual não me permite. Perdoe-me.
Abençoe-me sempre.
Frei Pio, capuchinho
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Pietrelcina, 21 de abril de 1915
Meu caríssimo pai,
Que as chamas do divino amor consumam no senhor tudo aquilo que não agrada aos olhos do divino esposo: Jesus o faça santo. Amém!
Essa manhã, Jesus veio; ao lhe perguntar sobre como que deveria responder às suas perguntas, ele me disse:
Ao teu pai, está decidido, em compensação pelos cansaços sustentados por minha glória, a alegria do espírito... Diversas providências foram tomadas para fazer reflorescer na província o espírito do Fundador; os frutos ainda são poucos. Insiste e vigia para que as providências tomadas não sejam facilmente esquecidas.
Aqui Jesus parou um pouco; logo depois retomou:
A Itália, meu filho, não quis escutar a voz do amor. Soube, no entanto, que há tempos eu mantenho suspenso o braço de meu Pai, que quer lançar sobre essa filha adúltera os seus raios. Esperava-se que as desventuras alheias a tivessem feito cair em si, que a tivessem feito entoar o
miserere
a seu tempo. Não soube apreciar nem mesmo este último traço de meu amor; por isso, o seu pecado tornou-se mais abominável diante de mim... A ela está reservada certamente a sorte tocada às suas companheiras.
Pai, não se irrite comigo, se deixo insatisfeita alguma pergunta sua; eu não conheço nem sei nada mais. Mas não duvide; se agradar a Jesus dizer-me algo a respeito, prometo-lhe dizer-lhe logo, bem conhecendo que a obrigação de responder às suas perguntas perdura sempre.
Como faço, ó pai, para que, quando estou com Jesus, tudo aquilo que tenho intenção e vontade resoluta de pedir-lhe me venha à mente? E sinto mesmo uma imensa dor dessa minha falta de memória. Como explicá-lo? Ninguém até hoje pôde convencer-me plenamente.
Escute uma coisa muito estranha. Quando estou com Jesus, ocorre perguntar a ele coisas, as quais nunca tive em mente antes; ou apresentar-lhe pessoas que não só nunca me passaram em mente, mas também – o que mais me maravilha – que não conheço pessoas e nunca ouvi falar delas.
E aqui faço uma observação: que, quando isso acontece, não me lembro de Jesus não estar de acordo, em favor das tais pessoas pelas quais lhe peço.
Rendo vivíssimas graças a Jesus pelas certezas que o senhor me deu, em nome dele, em sua última carta.
Peço-lhe que, ao fazer a caridade de escrever-me, faça ainda outra: escrever-me sempre.
Concordo que sou muito pretensioso com o senhor, mas perdoe a minha fraqueza: para meu atual estado, as cartas me dão um pouquinho de luz.
Frei Pio.
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Foggia, 23 de agosto de 1916
Meu caríssimo pai,
Que Jesus o assista sempre e lhe dê a abundante força que o faça sempre cumprir exatamente o seu sacro ministério.
Gostaria que, neste ano, o dia do seu onomástico passasse despercebido. Mas não consegui. No entanto, de que maneira poderei cumprimentá-lo, enquanto o senhor está nas terras do terror? Eu o cumprimento apenas da maneira que sei e posso, e o senhor, tão bom, não deixará de aceitar, sabendo que é da parte de um coração que ardentemente o ama com amor todo santo diante do divino Esposo.
O meu sincero cumprimento que lhe apresento por um dia tão estranho é que o bom Deus lhe conceda as mais eleitas graças, com uma perfeitíssima correspondência de sua parte ao querer dele.
Aceite, meu caríssimo pai, estes meus ardentíssimos votos para o senhor neste ano de extremo
desconforto e de superlativa desolação. O senhor já pode compreender que passo este dia diante de Jesus, e esteja seguro de que não serei o único que lutará diante dele.
Encontrarei sempre a companhia de todas as almas amantes de Jesus, principalmente aquelas que a nós estão unidas em um mesmo espírito. Sim, pai, nós todos rezamos sempre pelo senhor! Que agrade ao nosso Pai celeste tornar-nos todos dignos da glória eterna; assim, elevaremos por toda a eternidade o hino de louvor e de bênção.
Se não faço as minhas notícias chegarem mais freqüentemente, ó pai, não me culpe; saiba que isso não provém da má vontade. O senhor sabe de tudo. Além disso, deve saber que não me resta um só momento livre: um turbilhão de almas sedentas de Jesus precipita-se sobre mim, a ponto de me fazer levar as mãos à cabeça.
Diante de tão abundante reunião, por um lado me sinto alegre no Senhor, pois vejo que as filas das almas eleitas vão sempre aumentando, e Jesus é cada vez mais amado; por outro lado, me sinto prostrado por tanto peso e quase humilhado, por razões mais fáceis de compreender.
Para ter um pouco de alívio e distração, pedi que o padre provincial me mandasse por algum tempo a San Giovanni. Não lhe expus verdadeiramente todas as razões que me levaram a pedir-lhe tal permissão.
Expus-lhe apenas algumas e com muita timidez. Ele me respondeu logo, assentindo plenamente ao que eu lhe havia pedido. No entanto, disse-me para esperar um pouco, até que se soubesse do prognóstico sobre o padre guardião, que atualmente está em observação em um dos hospitais militares de Roma.
Se ele for dispensado, disse-me o provincial, logo que tiver retornado, poderei ir para San Giovanni. Se ele não voltar, acrescentou, devo esperar que outro venha em seu lugar.
Diga-me, pai, fiz mal em pedir essa permissão pelas razões que apenas em parte mencionei
anteriormente? Se fiz mal, estou disposto a fazer qualquer sacrifício para não descumprir as vontades divinas.
Gostaria de dizer-lhe tantas coisas, mas que isso seja feito em tempos melhores. Não tenho mais força para continuar. Que Jesus lhe pague pelo bem que me fez; em Jesus o abraço, filial e cordialmente.
Frei Pio, capuchinho.
Frei Paolo e frei Camillo estão cada vez melhor. Receba da parte deles os mais respeitosos cumprimentos.
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Pietrelcina, 31 de março de 1912
Meu caríssimo pai,
Agradecido pelos tantos cuidados que o senhor teve comigo; sinto, agora que se aproxima a santa Páscoa, um sagrado dever de não a deixar passar sem desejar-lhe todas as graças que possam torná-lo feliz aqui na terra e beato no céu.
Esse, meu pai, é o voto que sei fazer-lhe e creio que será muito bem aceito pelo senhor. Em tal solenidade, de minha parte, não deixarei de orar, por sua bela alma a Jesus ressurgido, em minha indignidade, ainda que não me esqueça de rezar todos os dias pelo senhor.
Nestes dias santos, mais do que nunca, estou muitíssimo aflito por causa do
barbablù. Peço-lhe, então, que me recomende vivamente ao Senhor, para que não me faça permanecer vítima desse inimigo comum.
Deus, no entanto, está comigo, e as consolações, que sempre me faz provar, são tão doces, que não consigo descrevê-las.
Quanto à saúde, sinto-me discretamente bem. Imagino que o senhor não esteja contente pela narração geral do meu estado interior, mas, meu pai, a vista quer me privar também deste último, isto é, de narrar minuciosamente o mau estado interno. Deus sabe quão abalado fico depois de escrever um pouco.
Então, até mais, meu pai, quando Deus quiser e onde quiser.
Beijo-lhe a mão e lhe peço que me abençoe fortemente.
Seu,
Frei Pio capuchinho.
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Pietrelcina, 18 de abril de 1912
Caríssimo pai,
Viva Jesus! Estou muito contente de poder entreter-me um pouco com o senhor mediante esta carta. Mas como farei para narrar-lhe os novos triunfos de Jesus em minha alma, nestes dias? Limito-me em narrarlhe apenas aquilo que aconteceu comigo na última terça-feira. Que fogo aceso senti, nesse dia, no coração!
Mas senti também que esse fogo foi acesso por uma mão amiga, por uma mão divinamente zelosa.
Estava ainda na cama, quando fui visitado por aqueles homens ruins, que me batiam de uma maneira tão bárbara, que tenho como graça ter conseguido suportar aquilo sem morrer; uma prova, meu pai, que era muito superior às minhas forças.
O bom Jesus, no entanto, que permitiu ao
barbablù tratar-me de tal modo, não deixou depois de me consolar e de me fortificar no espírito.
Com dificuldade, pude ir ter com o divino prisioneiro para celebrar. Terminada a missa, distraí-me com Jesus no rendimento de graças. Oh!, como foi suave o colóquio tido com o paraíso, esta manhã! Tal foi que, se quisesse tentar dizer tudo, não o poderia; houve coisas que não podem ser traduzidas em linguagem humana sem se perder o sentido profundo e celeste. O coração de Jesus e o meu, permita-me a expressão, se fundiram. Não eram mais dois corações que batiam, mas um só. O meu coração desapareceu como uma gota d´água que se perde no mar. Jesus era o paraíso, o rei. A alegria em mim era tão intensa e tão profunda, que não mais pude [me]conter; as lágrimas mais deliciosas inundaram o meu rosto.
Sim, meu pai, o ser humano não pode compreender que, quando o paraíso dirige-se ao coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não o pode suportar sem chorar. Sim, repito, apenas a alegria que enchia o meu coração foi que me fez chorar tanto. Essa visita, creia, me reanimou por inteiro. Viva o divino prisioneiro!
O demônio nos impossibilitará de nos vermos antes do capítulo, mas não importa que consiga nos impedir de nos abraçarmos fisicamente. Eu faço desde já um sacrifício a Jesus. Nós nos contemplamos diante de Jesus.
Termino, pois não agüento mais.
Quando o senhor estiver diante dele, não se esqueça de recomendar o seu pobre discípulo.
Frei Pio.
Minha família, o arquipresbítero e todos os nossos amigos lhe desejam tudo de bom.
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Pietrelcina, 9 de agosto de 1912.
Caríssimo pai,
Há muito tempo desejava escrever ao senhor, mas
barbablù me impediu. Eu disse que o fez porque, toda vez que eu me determinava a escrever, eis que uma fortíssima dor de cabeça me sobrevinha; parecia que logo, logo, fosse se despedaçar, acompanhada de uma agudíssima dor no braço direito, que me impossibilitava de segurar a caneta.
Sinto, meu pai, que o amor me dominará finalmente; a alma corre o risco de separar-se do corpo, pois não pode amar Jesus o bastante na terra.
Sim, a minha alma está ferida de amor por Jesus; estou doente de amor; provo continuamente a amarga pena daquele ardor que queima e não se consuma. Sugira-me, se puder, o remédio para o atual estado de minha alma.
Eis uma pálida figura daquilo que Jesus opera em mim. Como uma corrente que leva consigo, na
profundidade dos mares, tudo aquilo que encontra em seu caminho, assim a minha alma, que está no fundo do oceano sem margens do amor de Jesus, sem algum mérito meu; sem poder tomar consciência, atrai para si todos os seus tesouros.
Meu pai, enquanto eu escrevo, todavia, onde está o meu pensamento? No belo dia de minha ordenação.
Amanhã, Festa de São Lourenço, é também o dia de minha festa. Já comecei a provar novamente o júbilo daquele santo dia para mim. Desde esta manhã, comecei a provar o paraíso... E como será quando o provarmos eternamente? Comparo a paz do coração, que senti naquele dia, com a paz do coração que começo a provar desde a vigília e não encontro nada de diferente.
O Dia de São Lourenço foi a ocasião na qual encontrei o meu coração mais aceso de amor por Jesus. Como fui feliz, como gozei naquele dia!
Pai, o senhor leu a presente e, já que não duvido que o senhor me ama, reze e agradeça também a Jesus por mim.
Em meados do corrente mês, terei necessidade dos medicamentos; ser-lhe-ei muito grato se o senhor pedir também em meu nome ao padre mestre, para que possa provar-me. Se isso não lhe for difícil; não importa, Jesus pensará em nós.
Todos os conhecidos lhe mandam lembranças; o arquipresbítero reverencia o senhor; eu o abraço com ternura.
Seu pobre discípulo,
Frei Pio.
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Pietrelcina, 29 de dezembro de 1912
Meu caríssimo pai,
Outro ano está se passando na eternidade com o peso das minhas culpas nele cometidas! Quantas almas com mais sorte que eu saudaram a aurora e não o fim! Quantas almas entraram na casa de Jesus e lá ficarão para sempre! Quantas almas felicíssimas, por mim invejadas, foram para a eternidade com a morte dos justos, beijadas por Jesus, confortadas pelos sacramentos, assistidas por um ministro de Deus, com o sorriso do céu nos lábios, não obstante os suplícios das dores físicas pelas quais foram oprimidas!
O viver na Terra, meu pai, me aborrece. É um tormento tão amargo para mim o viver a vida do exílio, que pouco a pouco não agüento mais. Pensar que a cada instante posso perder Jesus me dá uma aflição que não sei explicar; somente a alma que ama Jesus sinceramente poderá saber.
Nesses dias tão solenes para mim, pois são festas do celeste Menino, freqüentemente sou tomado por aqueles êxtases de amor divino que tanto enfraquecem meu coração. Com toda a condescendência de Jesus para comigo, dirigi a ele a costumeira oração com mais confidências: “Ó Jesus, se eu pudesse amarvos
e sofrer por vós tanto quanto eu gostaria para vos fazer feliz e reparar, de algum modo, as ingratidões dos seres humanos para convosco!”.
Jesus, no entanto, me fez escutar ainda mais a sua voz em meu coração: “Meu filho, o amor se conhece na dor; você o sentirá agudo no seu espírito e mais agudo ainda no seu corpo”.
Essas palavras permanecem, meu pai, obscuras para mim.
Aqueles homens ruins procuraram me atormentar de todos os modos; queixo-me, por isso, a Jesus e sinto que ele repete para mim: “Coragem; depois da batalha, vem a paz”. Ele diz que preciso de fidelidade e amor. Estou pronto para tudo, para fazer a sua vontade. Apenas reze, suplico-lhe, para que este pouco de vida que me resta eu o utilize para a glória de Jesus e que ele faça passar este tempo do mesmo modo com que se propaga a luz.
Rezei a Jesus pelo que o senhor me pediu ultimamente; mas ele não me respondeu. Há um tempo que não quer se dignar de me dar uma resposta, já que se trata dos afazeres de nossa província, pois está muito desgostoso com o agir dela. Parece-me que o senhor deva aceitar ativamente a carga sempre que lhe for imposta, pois a mim parece que, embora o senhor seja um tanto fraco para esse ofício, deveria aceitar mesmo assim, pois faltam pessoas mais apropriadas para isso.
Peço-lhe, no entanto, que não solicite essa carga, nem mesmo indiretamente; e, se lhe for possível recusar, faça-o.
Nada recebi de padre Stefano, isto é, de Foggia; até a metade do mês vindouro, não me faltam
medicamentos. Depois Deus proverá.
Preciso parar, não consigo continuar; desejo-lhe da parte do arquipresbítero, de minha família e de todos os bons amigos um bom início de ano, extensivo a toda a comunidade.
Tenha-me sempre como seu discípulo.
Frei Pio
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San Giovanni Rotondo, 6 de setembro de 1918
Meu caríssimo pai,
Que Jesus esteja sempre com o senhor e lhe pague tudo o que faz para a minha alma!
Recebi a sua carta; cheio de reconhecimento e gratidão, agradeço-lhe o que nela disse.
O que aconteceu? Tenho freqüentemente satanás perto de mim com as suas vivazes tentações, e eu olho tudo, sempre inerte, pois sinto-me impotente sempre para saber libertar-me com uma vontade que eu desejaria enérgica.
O assalto avança, avança e avança sempre e me golpeia ao meio. A santa obediência, que era a última voz restante para manter sólida a fortaleza decadente, é também colocada em jogo. Meu Deus!... O que acontecerá com esta vossa criatura?
As assegurações submergem na fúria das ânsias e dos tormentos, pois aquele que é onipotente sabe destruir a luz e as impressões de conforto, justamente porque a alma deve estar no tormento, e, depois da gota de mel, é levada a aproximar os seus lábios do cálice da suprema amargura para continuar a sorvê-lo até o fim. Cumpram-se, ó Deus-Amor, os vossos eternos e justos decretos sobre vossa criatura, mas deixai para ela a força de esperar contra
spem!
Pai, termino. Não tenho mais força para continuar.
Recomende-me a Jesus, que o mesmo faço eu assiduamente pelo senhor; peço-lhe que fique tranqüilo, pois Jesus está contente com o senhor e a prova chega a seu final.
Retribua por mim os cumprimentos ao doutor. Comprazo-me e agradeço a Deus essa bela companhia que lhe enviou. Ele é verdadeiramente um bom filho; mas também os bons filhos, algumas vezes, desagradam à vontade paterna. Também ele arriscou a graça por um excesso cometido em um momento de extrema prova.
Abençoe-me sempre.
Afeiçoadíssimo,
Frei Pio, capuchinho
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San Giovanni Rotondo, 17 de outubro de 1918
Meu caríssimo pai,
Que Jesus, sol da justiça, brilhe sempre sobre o seu espírito!
Estou de volta ao senhor depois de passado um longuíssimo tempo no silêncio; o senhor me perdoará certamente, sabendo que isso não foi causado por negligência ou descuido, mas por impotência absoluta.
Estive de cama também por causa da gripe espanhola, que também aqui causa muitas mortes. Eu desejei muito que o Senhor me tivesse chamado a si, mas fui por ele reenviado à minha mísera existência para a luta do tempo.
Passei e passo horas terríveis e tristes; físico e moral já me dão a morte a todo momento. Deus é
indiferente a meu espírito! Ó bem de minha alma, onde estais? Onde vos escondestes? Onde vos
reencontrar? Onde vos buscar? Não vedes, ó Jesus, que a minha alma quer vos sentir a todo custo? Buscavos em todo lugar, mas não vos encontra senão na plenitude de vosso furor, enchendo-a de um extremo tormento e amargura, dando-lhe a entender o quanto a vós se destina e o quanto a vós pertence.
Quem consegue exprimir a gravidade de minha posição?! O que compreendo ao reflexo de vossa luz, não consigo dizer com a linguagem humana; quando tento balbuciar algo, a alma reconhece ter errado e estar mais do que nunca distante da verdade dos fatos.
Meu bem! Estou privado de vós para sempre? Tenho vontade de gritar e de me lamentar com voz superlativamente forte, mas estou fraquíssimo, e as forças não me acompanham. No entanto, o que eu farei se não ascender ao vosso trono este lamento: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
A minha alma é toda voltada para o quadro claro de minha miséria! Meu Deus! Que eu suporte tal lutuosa vista: retirai de mim o teu raio refletido, pois eu não suporto tão aberto contraste. Meu pai, eu vejo toda a minha maldade e a minha ingratidão em todo o seu esplendor: vejo o antigo homem danado escondido em si mesmo; parece-me querer retribuir a Deus a sua ausência, negando-lhe seus direitos, que lhe são de mais estreito dever. E que força é preciso fazer para ajudá-lo! Meu Deus! Logo que chegardes em  meu socorro, eu temo a mim mesmo, pérfida, ingrata criatura para seu Criador, que a protegeria dos seus poderosos inimigos.
Não soube valer-me de vossos tão altos favores; agora me vejo condenado somente a viver em minha incapacidade, recurvado sobre mim mesmo, em ato de desencaminhamento, e a vossa mão vai pesando cada vez mais sobre mim. Ai de mim! Quem me libertará de mim mesmo? Quem me tirará deste corpo de morte? Quem me estenderá uma mão para que eu não seja envolvido nem engolido pelo vasto e profundo oceano? Será necessário que eu me resigne a ser envolvido pela tempestade que acossa sempre mais?
Será necessário que eu pronuncie o
fiat! Ao olhar para aquele misterioso personagem que me feriu todo e que não desiste da dura, áspera, aguda e penetrante operação, e não dá tempo ao tempo para que cicatrizem as antigas chagas, já que sobre estas abre novas com infinito tormento para a pobre vítima?
Ó meu pai, venha em meu socorro, por caridade! Todo o meu interior chove sangue, e, muitas vezes, o olho é levado a resignar-se em vê-lo escorrer também exteriormente. Oh! Tire de mim este tormento, esta condenação, esta humilhação, esta confusão! Não depende do espírito poder e saber resistir.
Quanto eu gostaria, meu pai, de ainda lhe contar, mas a plenitude da dor me sufoca, torna-me mudo. Use a caridade de sua solícita resposta e esteja certo de que lhe agradecerei e rezarei sempre pelo senhor. Abençoe-me sempre.
Frei Pio, capuchinho.
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San Giovanni Rotondo, 8 de novembro de 1916
Meu caríssimo pai,
Que Jesus o assista sempre e lhe dê luz para compreender o meu presente estado.
Que Jesus me prove sempre com o fogo das tribulações, Fiat! Agora talvez estejamos na prova que me fora anunciada em Foggia. Há dias, meu bom pai, senti forte em mim a necessidade de dirigir-me ao senhor para receber alguma palavra de conforto em meio a altas tempestades, entre as quais está a minha pobre alma, desde que o senhor se distanciou daqui. Mas até este momento não me foi possível fazê-lo, tão grande é a tempestade que estrondeia dentro e fora de mim.
Mas Deus, o que foi a minha vida nesses dias perante vós, nos quais as mais pantanosas trevas investiram contra mim! E o que será ainda do meu futuro? Eu ignoro tudo, completamente tudo. No entanto, não deixarei de elevar as minhas mãos no santo lugar durante a noite, e vos bendirei sempre, até que eu tenha um sopro de vida. Suplico-vos, ó meu bom Deus, para que sejais a minha vida, a minha barca e o meu porto. Vós me fizestes subir sobre a cruz do vosso Filho, e eu me esforço para me adaptar da melhor maneira: estou convencido de que jamais descerei dela e que jamais deverei ver o ar sereno.
Estou persuadido de que é preciso falar a vós entre trovões e redemoinhos de vento, convém ver-vos no silvado, entre o fogo dos espinhos; mas, para executar tudo isso, acho necessário ficar descalço e renunciar inteiramente à própria vontade e à própria afeição.
A tudo isso estou disposto, mas vós vos deixareis ser visto um dia sob o Tabor, sobre o santo pôr-do-sol?
Terei força, sem jamais me cansar, para ascender à celeste visão do meu Salvador?
Sinto que o terreno que piso cede sob os meu pés. Quem reforçará os meus passos? Quem, senão vós, que sois o bastão de minha fraqueza?
Miserere de mim, ó Deus, miserere de mim! Não mais me façais
experimentar a minha fraqueza!
Que a vossa fé ilumine mais uma vez o meu intelecto; que a vossa caridade aqueça meu coração
compungido pela dor de ofender-vos na hora da provação!
Meu [Deus], como é agudo este atroz pensamento que de mim não se retira nunca! Meu Deus, meu Deus, não me façais apaixonar-me mais por vós! Eu não mais me governo!
Meu pai, perdoe-me! Eu não sei mais reordenar as minhas idéias. Se não fosse interrompido neste ponto, quem sabe aonde teria ido parar. Teria colocado, sem perceber, à dura prova a sua paciência.
Tenha a bondade de escutar qual é o meu estado, que lhe prometo fazê-lo brevemente. A batalha foi retomada com maior fúria. O meu espírito há tempos está imerso nas mais pantanosas trevas. Reconheço
encontrar-me na grande insuficiência de praticar o bem; encontro-me em um extremo abandono: muita perturbação no estômago espiritual, muita amargura experimento na boca interior, o que me torna amargo o vinho mais doce deste mundo.
Pensamentos blasfemos atravessam continuamente a minha mente; e mais ainda sugestões, infidelidades e descrenças. Sinto a alma ferida, morro em todos os instantes da vida. A minha alma não mais repousa tranqüila, já que Deus não pode permitir tudo aquilo que me acontece, sem que não esteja extremamente desgostoso comigo. Ele não pode se encontrar nesta alma: ele é muito puro e estaria grandemente desvalorizado ao permanecer nesta alma, na qual acontecem coisas assim.
O demônio estrondeia e ruge assiduamente em torno da minha pobre vontade. Não faço outra coisa neste estado, a não ser dizer com firme resolução, embora sem sentimento: “Viva Jesus! Eu creio...”. Mas quem pode dizer-lhe como pronuncio essas santas expressões? Pronuncio-as com timidez, sem força nem coragem, a grande violência pratico contra mim mesmo.
Diga-me, pai, é possível, é compatível este estado com a presença de Deus nesta alma? Não é talvez esse o efeito da retirada de Deus desta alma? Meu pai, peço-lhe, fale-me mais uma vez com toda a franqueza e sinceridade. Sugira-me a maneira como devo comportar-me para não ofender o Senhor e se há esperança para mim de que Deus voltará para esta alma.
As mais pantanosas trevas reinam sobre tudo o que faço. Uma dúvida perene atravessa o meu espírito em todas as minhas ações. Um sentimento me sugere sempre que opere em tudo com consciência duvidosa.
Esforço-me para lembrar-me daquilo que a autoridade me ordenou a esse respeito, mas o que o senhor quer?! O Senhor me confunde, não lembro nada precisamente. Que martírio é também isso para mim! O não saber se se opera com a glória de Deus ou mesmo com a sua ofensa é mais doloroso que a própria morte.
Por caridade, meu pai, não se inquiete por mim. Estou pronto para tudo, para sacrificar tudo, para não ofender a Deus. Compraza-se assim em sugerir-me algo também a esse propósito. Diga-me como devo responder a esses tão penosos pensamentos, que eu ignoro por quem são sugeridos.
Quanta coisa gostaria de dizer-lhe, mas não consigo me dominar: imerso, como estou, neste tão penoso estado, não consigo reordenar as minhas idéias. O meu coração quer amar; esforça-se para conseguir, mas não encontra como. O pobrezinho encontra-se talvez fora de seu centro, e eis por que não sabe onde pode repousar.
Meu pai, quanto mais tempo demorará ainda para passar tal estado? Oh! Se eu pudesse ao menos saber que tudo isso não é ofensa a Deus! Se isso eu pudesse saber, sinto-me disposto a suportar penas maiores por toda a vida, por mais longa que pudesse ser.
Abençoe-me sempre e reze a Jesus para que, se neste estado não estiver a sua glória, me liberte o mais rápido possível.
Apesar de todos esses tormentos, que eu sinto no mais íntimo do meu espírito, sempre tenho força para rezar pelo senhor e renovar a Deus continuamente a oferta uma vez feita a ele a seu respeito. Com grande estima e profundo respeito e veneração, beijo-lhe a mão, dizendo sempre!
O seu pobre filho,
Frei Pio, capuchinho.
Quando responder à presente, peço-lhe que me envie um atestado seu, para eu mostrar, quando me
apresentar em Nápoles, para poder celebrar.

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