quarta-feira, 29 de julho de 2015

Acolha o Senhor em sua casa

Faça da sua casa uma casa para Jesus estar, um ambiente tão agradável que o Senhor goste de estar nela, um lugar para acolhê-Lo!
“Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa” (João 11, 20).
Ao celebrarmos hoje o dia de Santa Marta, nós queremos exaltar a família dos amigos de Jesus, os três irmãos: Marta, Maria e Lázaro. Havia poucos dias que Lázaro havia falecido e Jesus vai ao encontro dessa família a qual Ele tanta ama.
Marta se coloca de pé e vai ao encontro do Senhor para manifestar sua confiança e amor pelo Mestre. E Maria fica em casa, recolhida, como é próprio do temperamento dela. Marta é mais expansiva e Maria é mais recolhida; Marta é mais serviçal e Maria, mais atenciosa. Virtudes ricas e não contraditórias que se complementam e se entrelaçam entre si. E não é que Jesus diga com isso que Maria é melhor que Marta; Ele afirma que aquele que serve e se entrega deve saber escutar e contemplar; e aquele que diz algo deve silenciar e saber ouvir.
Marta é, para nós, exemplo da discípula que sempre aprende mais com o seu Senhor. Primeiro porque ela ama o Senhor de todo o coração e por isso a sua casa é a casa do Senhor, é a casa em que Ele se hospeda, é a casa em que Ele fica. Da mesma forma, Jesus quer se hospedar e quer ficar em sua casa, quer ser íntimo da sua casa. É preciso que você se torne amigo do Senhor, afinal de contas, se há uma casa em que gostamos de ficar é na casa dos amigos, onde o ambiente nos faz bem. Não precisa ser uma casa luxuosa, cheia de comodidade, pode ser a mais simples das casas, mas, por ser uma casa de amigos, aquele ambiente nos faz bem demais.
Faça da sua casa uma casa para Jesus estar. Faça da sua casa um ambiente tão agradável que o Senhor goste de estar nela, um lugar para acolhê-Lo! A casa em que Jesus gosta de estar é a casa que O escuta acima de tudo, a casa que Lhe dá atenção e O serve. Servir Jesus é servir bem o próximo, o sofredor e aquele que tanto necessita.
A casa de Marta é a casa de Jesus! Que a sua casa seja também a casa do Senhor!
Deus abençoe você!
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sábado, 25 de julho de 2015

Porque me distraio na oração?

Uma das coisas mais comuns que acontece durante nossos momentos de oração são as distrações, que podem apenas atrapalhar a concentração ou podem chegar a tornar impossível unir-se a Cristo pela oração. É preciso, para combatê-las, entender sua origem e que também combatê-las contribui grandiosamente para nossa santificação. 
As distrações podem ter duas origens: voluntárias ou involuntárias. As voluntárias acontecem totalmente por culpa e desleixo nosso, enquanto que as involuntárias nos advém mesmo contra nossa vontade.
As voluntárias são basicamente duas:
1) Falta da devida preparação próxima; quanto ao tempo, lugar, postura, passagem excessivamente brusca a oração depois de uma ocupação absorvente...
2) Falta de preparação remota; pouco recolhimento, dissipação habitual, vida tíbia, curiosidade vã, ânsia de ler tudo...
Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana
Basicamente a preparação próxima se relaciona diretamente com a prática da oração, onde escolhemos um lugar, ficamos numa postura, escolhemos o momento preciso que dedicaremos à mesma, etc. Evidentemente que se tentarmos fazer a oração deitado na cama, escolhermos um local barulhento ou o momento do dia em que estivermos mais cansados não iremos conseguir realizar a oração de forma plena ou adequada e jamais iremos progredir nos graus de oração.
Também é necessário notar que ao sair de ocupações absorventes (a prática de um esporte que demande muito esforço, um trabalho intelectual excessivo, etc) demandam que tenhamos calma e façamos uma preparação e um momento de recolhimento antes de iniciar a oração.
A preparação remota diz respeito ao que fazemos durante o dia normalmente. Se lermos coisas demais, ficarmos atrás de informações sobre a vida dos outros, conversarmos demais (isso inclui mensagens de textos), etc, nunca nos concentrarmos por muito tempo em nada. Deste modo iremos inevitavelmente ter uma grande dificuldade de controlar nossa imaginação na hora da oração. Inúmeros são os jovens que não conseguem se concentrar no momento da oração porque passam tempo demais conversando via mensagens, Facebook, telefone ou outros meios.
Já as causas involuntárias podem são classificadas em quatro origens distintas.
1) A índole e o temperamento: Imaginação viva e instável; tendência a focar nas coisas exteriores; incapacidade de fixar a atenção ou de prorromper em afetos. Paixões vivas, mal dominadas, que atraem continuamente a atenção até os objetos amados, temidos e odiados...
2) A pouca saúde e a fatiga mental, que impede fixar a atenção ou abstrair das coisas e circunstância exteriores.
3) A direção pouco acertada do diretor espiritual, que quer impôr artificialmente suas próprias ideias a alma, sem tem em conta o influxo da graça, a índole, o estado e as necessidades da mesma, empenhando-se em fazer continuar a meditação discursiva quando Deus a move a uma oração mais simples e mais profunda ou apartando-a rapidamente do discurso quando ela necessita...
4) O demônio, as vezes diretamente, outras muitas, indiretamente, utilizando outras causas e aumentando sua eficácia perturbadora.
Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana
Como poder ser visto, as causas involuntárias ocorrem por muitos fatores externos que estão, muitas vezes, além de nossas forças, não sendo possível combatê-los todos, embora se possa aliviá-los. Para tanto precisamos conhecer e estarmos atentos a existência destes, buscando evitar as situações que venham provocá-los. 
Exporemos alguns exemplos mais claros e alguns meios com que poderíamos aliviá-los, não se tratando propriamente de remédios, pois são conselhos que dependem totalmente das circunstâncias, deixando os remédios mais gerais à um outro artigo.
Um temperamento explosivo faz a pessoa se irar facilmente e a irritação é completamente incompatível com a oração e a concentração.
Podemos acabar tendo dificuldades por excesso de atividades pessoais, como muitas obras de apostolado, um trabalho "manhã, tarde e noite", visitas excessivas e desnecessárias às pessoas (principalmente parentes), etc.
Quanto a doença não há muito o que se pode fazer a não ser buscar o tratamento de forma disciplinada e evitar as suas causas. O cansaço nem sempre pode ser evitado, mas uma disciplina no horário de dormir e levantar pode ajudar muito.
A direção espiritual mal feita pode ser um grande problema. Podemos encontrar dificuldades por sermos ensinados a nos prendermos excessivamente ao discurso racional, a afetividade ou a buscarmos o cumprimento do dever de ler determinada oração até o final.
A ação dos demônios é algo que pode ocorrer de diversos meios, seja com a apresentação de ocupações aparentemente mais importantes, a incitação violenta ou mais branda de nossas paixões, as dúvidas sobre a fé no momento da oração, etc.
Com isso vemos que existem muitas coisas que precisam e devem ser remediadas na nossa vida e prática de oração para que possamos adentrar cada vez mais no grandiosos "castelo" que é a nossa alma para encontrar a Santíssima Trindade que ali habita.
Vinde, Ò Paráclito, para impulsionar nossa oração com o sopro dos teus dons e nos fazer aprofundar-nos na verdadeira união com Cristo, nosso Salvador e Senhor.

http://domusmariae.com.br/joomla/vida-espiritual/oracao/25-porque-me-distraio-na-oracao

Como combater as distrações na oração?

Vimos anteriormente as distrações que atrapalham a nossa prática da oração e o desenvolvimento espiritual. Conhecendo agoraas origens destas, poderemos passar a apontar conselhos adequados e eficazes.
É importante, antes de mais nada, apresentarmos os conselhos com a consciência de que não é possível, somente por nossas forças, suprimir todas as distrações. A eliminação total das distrações só ocorre por intervenção divina numa vida espiritual avançada, porém podemos fazer muito amparado pela graça do Espírito Santo.
Iniciemos pelas causas que dependem de nossa vontade. Devemos destruí-las com todas as nossas energias e forças, conforme ensina o Pe. Royo Marin:
"Quanto as causas dependem de nossa vontade, as combaterá com energia até destruí-las por completo. Não omitiremos jamais a preparação próxima, recordando sempre que o contrário seria tentar a Deus, como diz a Sagrada Escritura. E cuidemos, ademais, de uma séria preparação remota, que abarca principalmente os pontos seguintes: silêncio, fuga da curiosidade vã, guarda dos sentidos, da imaginação e do coração, e nos acostumarmos a ter o foco no que se está fazendo, sem deixar divagar voluntariamente a imaginação até outra parte."
Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana
Portanto aqui vemos que a preparação próxima e remota são completamente fundamentais.
Para fazer uma boa preparação próxima devemos iniciar por determinar o momento do dia e a quantidade de tempo que dedicaremos a oração, sendo muito recomendado não deixar perto do horário de dormir ou que você sinta sono, pois neste caso o cansaço será uma porta aberta para se omitir a oração naquele dia.
Um dos horários mais recomendados é logo quando se acorda, pois estamos descansados e com a mente limpa de qualquer pensamento.
O lugar da oração deve ser silencioso, sendo ideal uma Igreja, oratório, ou um outro espaço que não contenha coisas que chamem a atenção.
A postura deve ser orante, silenciosa e humilde. Bater palmas, fazer gestos eufóricos, rezar deitado ou andando irão contribuir para dificultar a introspecção necessária.
No caso de estar em uma atividade que exija demais do corpo ou da mente, é importante procurar reduzi-la aos poucos, conforme o horário dedicado a oração se aproxima, ou ainda, buscar um horário que não seja afetado pelos efeitos destas ocupações. É sempre importante reservar um tempo, quando necessário, para se recolher e silenciar antes de iniciar a oração.
Para a preparação remota, devemos, durante o dia, evitar falar muito, ouvir muita música (especialmente as músicas de ritmo forte) ou ainda evitar deixar a alma livre para pensar mal dos outros, suspeitar demais das coisas, ficar reclamando, buscar conhecimentos desnecessários, leituras fúteis, excesso de leitura de notícias, etc. Tudo isso é como lixo que vai se acumulando na alma durante o dia e depois torna difícil a concentração, pois atrai a atenção da alma.
Quanto as causas involuntárias, este sábio sacerdote continua:
"Pode diminuir-se o influxo pernicioso das causas independentes da vontade com várias indústrias: lendo, fixando a vista no sacrário ou em uma imagem expressiva, eligindo matérias mais concretas, entregando-se a uma oração mais afetiva, com frequentes colóquios (inclusive vocais, se preciso), etc"
Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana
Não temos condições de colocar aqui remédios práticos para todas as mínimas situações, pois elas tendem a uma quantidade inimaginável e de espécies totalmente diversas, embora o Pe. Royo Marin tenha colocado de forma magnífica alguns conselhos mais gerais.
Chamo a atenção para as causas involuntárias que provêm dos demônios: neste caso podemos e devemos utilizar a água benta.
No caso de doenças, não devemos nos angustiar, mas unir o sofrimento da doença à Cristo e já estaremos fazendo uma prática muito frutuosa.
O temperamento deve ser dominado com a prática das virtudes cristãs, enquanto que um diretor espiritual que está atrapalhando pode ser trocado por um outro mais experiente, que compreenda melhor a vida de oração.
Por fim, resta-nos saber como reagir durante a oração quando a distração se apresenta. Deixemos o grande dominicano explicar com suas palavras precisas, as quais, nada tenho a acrescentar:
"Quando, apesar de tudo, nos sintamos distraídos com frequência, não nos impacientemos. Voltemos a trazer suavemente nosso espírito ao recolhimento, mesmo que seja milhares de vezes, se for preciso; humilhemo-nos na presença de Deus, peçamos sua ajuda e não examinemos de imediato as causas que motivaram a distração. Deixemos este exame para o fim da oração, com a finalidade de prevenirmos melhor no futuro. E tenha-se bem presente que toda distração combatida (mesmo que não seja completamente vencida) em nada compromete o fruto da oração nem diminui o mérito da alma."
Pe. Antonio Royo Marin, Teologia de La Perfección Cristiana
Que possamos pedir que o Espírito de Fortaleza venha em nosso socorro para nos impulsionar a combater contra estes obstáculos e consumir nosso coração com seu Fogo Divino.

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O que nos olha de frente?

A escuta, a vigilância, a atenção são ferramentas para uma viagem humana fecunda. Os Padres do deserto diziam: «O maior dos pecados é a distração». Vivemos num mundo que nos atropela continuamente, pela quantidade e velocidade da informação. As imagens que vemos também nos obsidiam, aprisionam e devoram. Na sobreposição de discursos e factos, nem sempre somos capazes de contrariar a alienação. E depois: quantos dos nossos gestos não se tornaram, entretanto, meros automatismos! Quantas das nossas escolhas não se esvaziaram de conteúdo, cabendo-nos administrar apenas a forma! É assim que acontece que numa cultura marcada por um excesso de signos, vivamos mergulhados numa inesperada e dramática pobreza simbólica. De certa maneira, enfraqueceu-se a nossa capacidade de ver, e com isso perdemos o acesso a dimensões necessárias de profundidade. O verbo mais importante é o ver, diziam os gregos. E para ver não basta olhar, não basta deslocar a visão para o outro lado da janela. É preciso, como avisa Fernando Pessoa, «não ter filosofia nenhuma». Só uma atitude de desprendimento nos permite aceder à vigilância autêntica. E não esqueçamos: só um coração pobre vigia. Só um peregrino descobre. Só o olhar do que não tem defesas consegue colher, no instante, a verdadeira presença.
Escreve o místico Silesius:: «a rosa é sem porquê, floresce porque floresce, não cuida de si própria, não pergunta se a vemos». Quando se diz ‘a rosa é sem porquê’, ou ‘a rosa é de ninguém’, propomo-nos investir num modo de construir o real que já não passa por sermos predadores e o real ser uma presa que vamos dominar ou domesticar. Entramos num espaço não já de predadores e presas, mas de vigilantes, de contemplativos, de operadores do assombro.

Vigiar é colocar-se na disponibilidade para a surpresa, para aquilo que vem, tendo consciência que o fundamental da vida não é o que adquirimos, o que fizemos, o que de alguma maneira dominamos, mas sim a incessante prática da hospitalidade. Toda a música que ouvimos, nos preparou, no fundo, para o ato da escuta. Todos os textos que estudamos, toda a poesia que lemos nos prepararam melhor para o ato da leitura. Toda a relação em que investimos, todo o afeto que partilhamos, todo o amor com que amamos, preparam-nos para o ato simples de amar. A vigilância é isso. Não está no apego ao mapa, mas no amor pela viagem. Temos mesmo de deixar a zona de conforto dos mapas para nos tornarmos viajantes, enamorados, vigilantes, sentinelas. Dir-se-ia que a vida nos pede uma escuta que atravesse o tempo, que perfure os séculos, que transcenda a paisagem, sintonizando com aquilo que verdadeiramente temos diante de nós. E, por isso, temo-nos de perguntar muitas vezes, pela vida fora: Qual é a nossa fronteira? O que é que nos olha de frente? O que trazemos diante de nós?

José Tolentino Mendonça
Padre e poeta portugues, autor do livro "Nenhum caminho será longo" - Edições Paulinas.
Texto originalmente publicado em Diário de Notícias - Ilha da Madeira - 19.08.2011

Servir nas Fronteiras: a experiência de S. Inácio



Em todo momento histórico, quando a Igreja e a sociedade são sacudidas por grandes mudanças, surgem homens e mulheres que rompem com esquemas e seguranças envelhecidos e se deixam conduzir pelo Espírito ao deserto, às margens, às fronteiras... fugindo de um ambiente e de uma ordem asfixiantes. A fronteira, para eles, passa a ser terra privilegiada onde nasce o “novo” por obra do Espírito.

Ali aparece o broto germinal do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se um desafio ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida. Ali descobrem-se traços nunca antes vistos da pessoa de Jesus, ao olhá-lo agora a partir de uma situação inédita. Uma vez descoberta a fronteira, situar-se nela passa a significar colaboração respeitosa com o Deus presente e ativo em toda situação humana. Isso vai gerar uma maneira nova de viver, um estilo de vida, um compromisso diferente, uma ação carregada de ousadia...

Foi num contexto assim que surgiu a figura de S. Inácio, o “peregrino”  que ia buscando a pé e coxeando pelos caminhos da Europa, o futuro que Deus lhe oferecia. Este caminho não o conduzia somente à fronteira, mas ao futuro, ou seja, não se tratava somente de romper com a ordem presente, mas de distanciar-se dela para experimentar a novidade de Deus no meio deste mundo.
A experiência de Inácio começa em Loyola (1522), num momento histórico caracterizado, de um lado, pelo desmoronamento de fronteiras seculares (grandes descobrimentos) e, de outro, pelo surgimento de novas fronteiras ideológicas, políticas, religiosas... Inácio chega a Loyola, ferido e humilhado por defender fronteiras políticas, mas ambicioso por continuar conquistando outras.

Diante da leitura de “Vita Christi” desmoronou-se sua própria fronteira pessoal, aquela dos “grandes e vãos desejos de ganhar honra” (Aut. 1), que, de repente se vê rompida e invadida por Deus. Tudo começa a ser percebido como novo: “...lhe pareciam novas todas as coisas” (Aut. 30).

A partir de agora as velhas fronteiras geográficas e políticas pelas quais Inácio lutou apaixonadamente, serão substituídas por outras, aquelas do coração humano. A  conversão, para ele, passa a significar experiência de fronteira: rendição de uma fortaleza, troca de bandeira e de senhor no próprio coração; desalojamento dos falsos senhores de seu interior e oferecimento de sua pessoa ao “Senhor”, que se dá no seguimento, ou seja, vontade de situar-se com Ele nos “extremos”  humanos.

Quando S. Inácio vivia movido “por um grande e vão desejo de ganhar honra”, foi criador de fronteira. A partir do momento em que Deus invade as suas fronteiras e ele se descobre encastelado, seus olhos se abrem para contemplar “toda a grande extensão e a curvatura da terra cheia de homens” (EE. 103) fechados em infinidades de estreitas fronteiras (escravidões, necessidades, mortes...). A partir desse momento, brotam em seu interior “vivos desejos de ajudar o próximo”, isto é, de eliminar suas fronteiras.

Contemplar o olhar de Deus sobre a terra cheia de homens – isolados, entrincheirados sobre si mesmos nos minifúndios de seus egoísmos – é para Inácio experiência definitiva. A partir de então, situar-se nas fronteiras da humanidade e buscar a comunhão universal será sua nova visão, seu lugar teológico, sua nova missão...
“Ajudar as almas” passa a significar, desde então, descer com Deus às fronteiras que a humanidade levanta frente a si mesma e frente a Deus: fronteiras de morte, divisão, ódio...

Na realidade, da experiência de Inácio não brota diretamente uma estratégia de fronteiras, mas um homem internamente reconstruído, com vontade de situar-se ali onde algo limita, empobrece, degrada... ou simplesmente comporta alguma carência na condição própria do ser humano.

“Servir nas fronteiras” se traduzirá numa necessidade interior de contemplar o ser humano em  seus “extremos”  e de se comprometer com ele, para abri-lo à vida. A História, em sua densidade divina, será lida como “chamado” e será respondida na disponibilidade pessoal para o encontro, a presença e a entrega.

Além disso, o que brotou da própria experiência de Inácio foi a preocupação pessoal por formar pessoas capazes de mover-se por “vivos desejos da salvação do próximo” e, por isso, de arriscar-se nas múltiplas e variadas situações humanas de fronteiras. A importância que Inácio dá ao “desejo”, que alarga o ser humano para além de si mesmo, tem também aqui seu lugar. Descobrir os melhores desejos na pessoa, apoiá-los, alimentá-los, ajudá-los a crescer... é a melhor forma de libertá-la de suas limitadas fronteiras.

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI

quarta-feira, 22 de julho de 2015

10 Igrejas mais fascinantes do mundo

 Muitas não se sabe com foram construídas.


Sedlec Ossuary, República Checa: abaixo de um cemitério em Kutná, na República Checa, encontra-se uma pequena capela católica com decoração assustadora. Todos os santos são expostos em esqueletos, organizados para decorar a igreja.


Temppeliaukio, Finlândia: inaugurada em 1969, a igreja foi projetada pelos arquitetos Timo e Tuomo Suomalainem. O diferencial da Temppeliaukio é que ela é construída dentro de uma rocha sólida e iluminada por luz solar, que entre através do telhado de vidro


Gellért Hill Cave, Hungria: a igreja também é conhecida como Szent Iván-Barlang (Caverna São Ivan), após um eremita que viveu lá e usou águas termais de um lago próximo para curar doentes. Gellért Hill Cave também serviu como hospital de campanha durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, o local virou uma atração turística popular.


Igreja Saint George, Etiópia: esculpida no século 12, em rocha vulcânica vermelha, a igreja é conhecida como a oitava maravilha do mundo, e é parte do patrimônio mundial da UNESCO

Saiba mais sobre essa igreja no link abaixo:




Borgund Stave, Noruega: a arquitetura lembra os livros de Harry Potter. Construida entre 1180 e 1250, a igreja é feita de madeira e tem quatro cabeças de dragão esculpidas no telhado


Capela Holy Cross, Estados Unidos: construída em 1956 por Marguerite Brunswig Staude, a capela tem uma vista impressionante em meio a rochas e é um marco no Arizona


Saint Michel dAiguilhe, França: a igreja tem tudo para fazer parte de um conto de fadas, desde uma vista perfeita a uma localização imponente. Em uma rocha de 85 metros de altura, a igreja foi construída em 962 e, para visita-la, é preciso encarar uma escadaria de 268 degraus



Capela Thorncrown Eureka Springs, Estados Unidos: para os visitantes que querem se sentir em meio a natureza, a igreja localizada em Arkansas é o lugar ideal para agradecer e fazer orações. A capela é feita de madeira e rodeada de verde


Hallgrimskirkja, Islândia: com 74 m do topo ao chão, essa é a maior igreja da Islândia e a sexta mais alta do mundo. Inaugurada em 1986, a obra demorou 38 anos para ser construída e é ponto de referência no local



Salt Cathedral of Zipaquirá, Colombia: o templo é dividido em três partes, que representam o nascimento, vida e morte de Jesus, com ícones, enfeites e detalhes esculpidos a mão.


Fonte: http://www.blogdolucas.com/2013/04/10-igrejas-mais-fascinantes-do-mundo.html


terça-feira, 21 de julho de 2015

Permita que a Palavra de Deus produza frutos em sua vida

Permita que a Palavra de Deus produza frutos em sua vida, pois o que torna alguém próximo de Jesus é colocar a Sua Palavra em prática.
“Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mateus 12, 50).
Jesus deseja que eu e você sejamos Seus parentes e que façamos parte da Sua família. E família, aqui nesta passagém bíblica, quer dizer família mesmo; o Senhor quer que nós sejamos Seus irmãos e que façamos parte da vida d’Ele.
E talvez nós, que nos prendemos tanto aos laços sanguíneos, não entendamos que a dinâmica do Reino de Deus é outra. Os laços do espírito são maiores que os laços da carne. O que torna alguém próximo de Jesus e considerável para Ele não é o fato de ter tido este ou aquele nascimento, nem de ter nascido nesta ou naquela família, tampouco de ter vindo desta ou daquela ascendência. O que torna alguém próximo de Jesus é colocar a Sua Palavra em prática!
Os membros da família de Jesus ouvem a Sua Palavra com atenção, com respeito, com a reverência que esta merece e procuram colocá-la em prática na sua vida. Jesus teve muitos parentes que nem sequer deram ouvidos à Sua Palavra; assim como houve outros que a desprezaram e aqueles que quiseram expulsá-Lo do meio deles. Isso porque a Palavra de Deus, independente para quem ela seja proclamada, é um convite à conversão e à mudança de vida; e a Palavra de Jesus incomoda.
Por isso, se quisermos ser parentes de Jesus, a primeira coisa a fazer é nos deixarmos incomodar pela Sua Palavra! E, quando somos incomodados, saímos da acomodação em que a nossa vida, muitas vezes, se encontra. E, ao sairmos da acomodação da vida, permitamos que essa Palavra realize uma obra de conversão em nós.
Todos os dias precisamos nos converter a Deus e ter a humildade de dizer: “Jesus, misericórdia de mim! Eu sou pecador!”, ao fazermos isso Ele se torna tão mais próximo de nós do que daquela pessoa que se acha a mais santa do mundo e já acha que está no céu.
Jesus, hoje e sempre, nos visita nos infernos em que, muitas vezes, vivemos para nos tirar dos abismos, para nos tirar da região da morte e para conduzir a nossa vida pelo caminho da salvação. Para isso, é preciso apenas dar atenção e ouvidos à Sua Palavra e deixar que ela produza frutos em nós.
Não sejamos indiferentes à Palavra de Deus nem permitamos que a nossa vida negligencie a presença amorosa de Jesus no meio de nós!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/

sábado, 18 de julho de 2015

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Ó Bendita e Imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo!
Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário,
Olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto de vossa maternal proteção.
Fortificai minha fraqueza com vosso poder,  iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade.
Ornai minha alma com as graças e as virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me á Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado.
E, lá no céu, eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade.
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.
Amém.
Elam de Almeida Pimentel

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Ir adiante...

Para poder ir adiante é preciso aceitar a possibilidade de errar.
Não só no outro, mas também em si mesmo.
Os que não aceitam errar têm que viver iludidos.
Os que não aceitam a parte negativa dos outros,
É porque não os tinham acolhido como pessoas.
Frei José Carlos, OFMCap

terça-feira, 14 de julho de 2015

Como visitar um doente?

Como Visitar um Doente
Orientações para fazer uma boa visita e ajudar o doente a se recuperar. 1- Pedir a luz do Espírito Santo. 2- Não demonstrar medo ou repugnância da doença. 3- Não discutir, nem impor religião.Escutar e acolher. 4- Vestuário simples, crachá.Cuidar da apresentação pessoal. 5- Sorria para ele, olhe com simpatia e bondade.

O que NÃO dizer numa visita.
1- Não ir visitar doente quando se está angustiado, descontrolado emocionalmente, ou com qualquer virose.
2- Evitar frases como:
-É vontade de Deus;
- Aceite Deus quer assim;
- Coragem , você é forte;
- Jesus cura, Aleluia;
- Deus prova aquele que ama.
Estas afirmações NÃO ajudam o doente portanto deve evitadas.

http://valmirpires.blogspot.com.br/

sábado, 11 de julho de 2015

HISTÓRIA DA VIDA DE SÃO BENTO

DOCUMENTÁRIO: A VIDA E MEDALHA DE SÃO BENTO DE NÚRSIA

Medalha e Oração de São Bento


A medalha de São Bento não é um "amuleto da sorte". Trata-se de um sacramental, isto é, um sinal visível de nossa fé. 

  
    O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, com conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc. 
  
    Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica. 
  
    Todo Cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja ; provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos. 
  
    O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias, a medalha concede, também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento com São José são padroeiros da boa morte. 
  
    Para se ficar livre das ciladas do demônio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres religiosos:Oração, Missa dominical, recepção dos Sacramentos, cumprimento dos deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus. 
  
    Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das  disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados. 


Na frente da medalha (veja foto) são apresentados uma cruz e entre  seus braços estão gravadas as letras C S P B, cujo significado é, do latim: Cruz Sancti Patris Benedicti - "Cruz do Santo Pai Bento".
 
Na haste vertical da cruz lêem-se as iniciais C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux - "A cruz sagrada seja minha luz".
 
Na haste horizontal lêem-se as iniciais N D S M D: Non Draco Sit Mihi Dux - "Não seja o dragão meu guia".
 
No alto da cruz está gravada a palavra PAX ("Paz"), que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes, PAX é substituído pelo monograma de Cristo: I H S. 
 
À partir da direita de PAX estão as iniciais: V R S N S M V: Vade Retro Sátana Nunquam Suade Mihi Vana - "Retira-te, satanás, nunca me aconselhes coisas vãs!" e S M Q L I V B: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas - "É mau o que me ofereces, bebe tu mesmo os teus venenos!".
 
Nas costas da medalha está São Bento, segurando na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges e, na outra mão, a cruz. Ao redor do Santo lê-se a seguinte jaculatória ou prece: EIUS - IN - OBITU - NRO - PRAESENTIA - MUNIAMUR - "Sejamos confortados pela presença de São Bento na hora de nossa morte". 
 
É representado também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso.

Oração para alcançar alguma graça: 
  
  Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições, que nas famílias reine a paz e a tranquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça  ... que vos suplicamos, finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. 
Amém.
http://www.osb.org.br/medalha.html

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O aborto não é saída, e sim entrada para um caminho cheio de sofrimento

"Abortei por achar que não estava preparada para ser mãe. Hoje posso resumir tudo como egoísmo puro."

sadnessHelga Weber-cc

Decidi escrever meu depoimento porque finalmente encontrei o começo da paz e do perdão que tanto buscava, desde que, há um ano, optei pela decisão "mais fácil", "mais cômoda", a que "afetaria menos pessoas" e que acabou prejudicando a pessoa a quem mais amei até agora: meu próprio filho.

Há um ano, meu namorado e eu, que estamos juntos há 7 anos, descobrimos que estávamos esperando um filho. Engravidei depois de deixar de tomar anticoncepcionais, por motivos de saúde. Foi uma notícia que me deixou apavorada. Eu achava que ia enlouquecer, e não era por ser uma adolescente de 15 ou 20 anos; eu já tinha 26, era formada, assim como meu namorado. Simplesmente senti que não poderia arcar com aquelaresponsabilidade, que não estava preparada, que não poderia dar tudo o que gostaria ao meu primeiro filho. Mas hoje posso resumir tudo em egoísmo puro.

Uma das coisas pelas quais mais me sinto mal é o fato do meu namorado ter aceito a notícia com alegria e, ao ver minha negativa, ele me propôs ter o bebê e dá-lo a ele, que o criaria. Mas eu respondi: "Se eu tiver esse filho, você me perderá, porque eu não suportarei esta situação. Ou você me ajuda, ou eu faço isso sozinha". E assim, após algumas horas, ele acabou aceitando.

Procurar alguém disposto a me "ajudar" não foi fácil. Eu me mostrava muito decidida, ainda que, no fundo, o medo me invadia e me dominava; mesmo não aceitando a gravidez, eu já estava amando meu filhinho, quase imperceptível ainda. Mas finalmente chegou o dia, fui até a clínica e, em questão de minutos, acabaram não somente com o meu filho, mas também com uma parte de mim.

Hoje posso lhes dizer que a dor física não é nada comparada com a dor que eu sentia na alma. No instante em que saí da clínica, um terrível arrependimento invadiu meu coração, como se finalmente tivesse aberto os olhos: eu havia matado meu próprio filho! Isso foi pior que se tivessem me arrancado uma perna ou um braço.

Meu namorado também se arrependeu e, desde então, só procuramos maneiras de fugir da dor. Mergulhamos no trabalho, na rotina, nas coisas materiais, mas nada fazia a dor passar nem melhorar, nada nos dava paz.

Não havia um só dia em que eu não chorasse. Pedi perdão a Deus muitas vezes, comecei a ler a Bíblia em busca de respostas, ia à missa, mas não tinha coragem de me confessar porque achava que não me perdoariam.

Depois de um ano, criei coragem e fui me confessar. Nesse dia, pude redescobrir o amor infinito de Deus e perceber que, apesar de tudo o que eu pudesse pensar, Ele me perdoava. Sim, Deus me perdoou, mas mesmo assim, eu não me sentia bem, algo ainda estava errado.

Passaram-se os dias e os meses, meu namorado e eu decidimos retomar os planos de casamento. Entre os requisitos, encontrava-se o curso de noivos. Começamos a fazê-lo só por obrigação, mas sem imaginar que esta era a oportunidade que Deus estava colocando em nossas vidas para retomar seu caminho e não nos afastarmos mais dele.

Sim, agora compreendo que o que me aconteceu foi por isso, porque me afastei dele, porque as decisões ruins são tomadas com mais facilidade quando nossa parte espiritual está vazia ou adormecida.

Durante o curso de noivos, decidimos voltar a nos confessar e foi então que descobri que o que me pesava interiormente era que eu ainda não tinha me perdoado de verdade. Deus já havia me perdoado, mas eu não. Conversei muito com o padre e esta foi uma oportunidade de ouro que hoje agradeço infinitamente.

No próprio curso, percebemos que uma coisa leva à outra e que, se estivéssemos esperado até o casamento para ter uma vida sexual, se tivéssemos vivido a castidade e a pureza, nada disso teria acontecido.

O padre me ajudou a ver que Deus realmente escreve certo em linhas tortas. Agora creio firmemente que tenho um propósito de vida, mais ainda com o que me aconteceu, e se o meu depoimento puder ajudar alguém que esteja pensando no aborto como uma saída, pode ter certeza de que o aborto é apenas a porta para um caminho repleto de sofrimento e dor, que não desejo a ninguém.

http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/o-aborto-nao-e-saida-e-sim-entrada-para-um-caminho-cheio-de-sofrimento-5824769035337728

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Padre Pio e os Anjos da Guarda

O Padre Pio, que teve vários encontros com anjos durante sua vida terrena, escreveu esta incrível carta sobre como se relacionar com o anjo da guarda


O Padre Pio, durante sua vida, teve encontros com anjos e chegou a conhecê-los bem. E também recebeu locuções interiores que teve de discernir de quem vinham e como deveria agir com relação a elas.

Em uma carta escrita em 15 de julho de 1913 a Anitta, ele oferece uma série de valiosos conselhos sobre como agir com relação ao anjo da guarda, às locuções e à oração.

Querida filha de Jesus:

Que o seu coração sempre seja o templo da Santíssima Trindade, que Jesus aumente em sua alma o ardor do seu amor e que Ele sempre lhe sorria como a todas as almas a quem Ele ama. Que Maria Santíssima lhe sorria durante todos os acontecimentos da sua vida, e abundantemente substitua a mãe terrena que lhe falta.

Que seu bom anjo da guarda vele sempre sobre você, que possa ser seu guia no áspero caminho da vida. Que sempre a mantenha na graça de Jesus e a sustente com suas mãos para que você não tropece em nenhuma pedra. Que a proteja sob suas asas de todas as armadilhas do mundo, do demônio e da carne.

Você tem uma grande devoção a esse anjo bom, Anita. Que consolador é saber que perto de nós há um espírito que, do berço ao túmulo, não nos abandona em nenhum instante, nem sequer quando nos atrevemos a pecar! E este espírito celestial nos guia e protege como um amigo, um irmão.

É muito consolador saber que esse anjo ora sem cessar por nós, oferece a Deus todas as nossas boas ações, nossos pensamentos, nossos desejos, se são puros.

Pelo amor de Deus, não se esqueça desse companheiro invisível, sempre presente, sempre disposto a nos escutar e pronto para nos consolar. Ó deliciosa intimidade! Ó deliciosa companhia! Se pudéssemos pelo menos compreender isso...!

Mantenha-o sempre presente no olho da sua mente. Lembre-se com frequência da presença desse anjo, agradeça-lhe, ore a ele, mantenha sempre sua boa companhia. Abra-se a ele e confie seu sofrimento a ele. Tome cuidado para não ofender a pureza do seu olhar. Saiba disso e mantenha-o bem impresso em sua mente. Ele é muito delicado, muito sensível. Dirija-se a ele em momentos de suprema angústia e você experimentará sua ajuda benéfica.

Nunca diga que você está sozinha na batalha contra os seus inimigos. Nunca diga que você não tem ninguém a quem abrir-se e em quem confiar. Isso seria um grande equívoco diante desse mensageiro celestial.

No que diz respeito às locuções interiores, não se preocupe, tenha calma. O que se deve evitar é que o seu coração se uma a estas locuções. Não dê muita importância a elas, demonstre que você é indiferente. Não despreze seu amor nem o tempo para essas coisas. Sempre responda a estas vozes:

“Jesus, se és Tu quem está me falando, permite-me ver os fatos e as consequências das tuas palavras, ou seja, a virtude santa em mim.”

Humilhe-se diante do Senhor e confie nele, gaste suas energias pela graça divina, na prática das virtudes, e depois deixe que a graça aja em você como Deus quiser. É a virtude que santifica a alma, e não os fenômenos sobrenaturais.

E não se confunda tentando entender que locuções vêm de Deus. Se Deus é seu autor, um dos principais sinais é que, no instante em que você ouve essas vozes, elas enchem sua alma de medo e confusão, mas logo depois a deixam com uma paz divina. Pelo contrário, quando o autor das locuções interiores é o diabo, elas começam com uma falsa segurança, seguida de agitação e um mal-estar indescritível.

Não duvido em absoluto de que Deus seja o autor das locuções, mas é preciso ser cautelosos, porque muitas vezes o inimigo mistura uma grande quantidade do seu próprio trabalho através delas.

Mas isso não deve assustá-la; a isso foram submetidos os maiores santos e as almas mais ilustradas, e que foram acolhidas pelo Senhor.

Você precisa simplesmente ter cuidado para não acreditar nessas locuções com muita facilidade, sobretudo quando elas se digam como você deve se comportar e o que tem de fazer. Receba-as e submeta-as ao juízo de quem a dirige espiritualmente. E siga a sua decisão.

Portanto, o melhor a se fazer é receber as locuções com muita cautela e indiferença constante. Comporte-se dessa maneira e tudo aumentará seu mérito diante do Senhor. Não se preocupe com sua vida espiritual: Jesus a ama muito. Procure corresponder ao seu amor, sempre progredindo em santidade diante de Deus e dos homens.

Ore vocalmente também, pois ainda não chegou a hora de deixar estas orações. Com paciência e humildade, suporte as dificuldades que você tem ao fazer isso. Esteja sempre pronta também para enfrentar as distrações e a aridez, mas nunca abandone a oração e a meditação. É o Senhor que quer tratá-la dessa maneira para seu proveito espiritual.

Perdoe-me se termino por aqui. Só Deus sabe o muito que me custa escrever esta carta. Estou muito doente; reze para que o Senhor possa desejar me livrar desse pequeno corpo logo.

Eu a abençoo, junto à excelente Francesca. Que você possa viver e morrer nos braços de Jesus.

Pe. Pio




Fonte: http://www.aleteia.org/

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