quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tenha um feliz e abençoado Ano Novo

Engrandecemos a Deus por este maravilhoso ano de 2014 e que venha 2015, um ano para servirmos a Ele e vivermos a Sua Palavra em nossa vida! 
De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça” (João 1,16).
Hoje é o último dia do ano de 2014. Como Deus foi bom para conosco ao nos dar mais um ano em nossas vidas, ao nos dar a graça de viver o ano do Senhor de 2014! Quando olhamos para trás vemos que passamos por dificuldades, por momentos difíceis e por provações, mas não podemos deixar de reconhecer que a mão de Deus esteve conosco. Mesmo quando passamos por abismos, por momentos de escuridão e por momentos difíceis a mão de Deus esteve conosco. Por isso nós reconhecemos que, de Sua plenitude, todos nós recebemos graça por graça, porque tudo é graça!
É por isso que nós queremos fazer do dia de hoje um dia de ação de graças, agradecendo realmente a Deus a grandeza do Seu amor, do Seu poder, da Sua bondade, da Sua misericórdia e da Sua ternura para conosco. Agradecer a Deus porque Ele nos conduz pela mão e por nos dado o dom da vida, o maior dos dons!
A vida humana é tão desprezada, tão desmerecida, tão desvalorizada por muitos, de modo que, a cada dia vivido, nós só podemos reconhecer e engrandecer o amor desse Deus para conosco.
Nós queremos no dia de hoje também pedir perdão. Sim, perdão porque, muitas vezes, não somos gratos a Deus, não correspondemos ao Seu amor, não somos fiéis a Ele e não nos amamos como deveríamos amar uns aos outros. Perdão porque, em nosso coração, muitas vezes, as vozes do anticristo (como fala a Primeira Leitura da Missa de hoje) nos conduzem ao ressentimento, à mágoa, ao rancor e nos colocam uns contra os outros e, muitas vezes, tomaram conta do nosso coração. Perdão quando, muitas vezes, ouvimos mais o anticristo do que o Cristo.
Hoje nós queremos engrandecer Cristo Jesus, Nosso Senhor! Só Ele é Deus, só Ele é o Senhor, só a Ele pertence a nossa vida! Nós engrandecemos ao Senhor por este maravilhoso ano de 2014 e que venha 2015, um ano para servirmos a Ele e vivermos a Sua Palavra em nossa vida!
Um feliz e abençoado Ano Novo para você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/tenha-um-feliz-e-abencoado-ano-novo/

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Como São João Evangelista resgatou um cristão caído que tinha se tornado chefe criminoso

O Apóstolo lega aos seus sucessores bispos um alto patamar de comprometimento 

com a salvação das almas perdidas

Depois de correr atrás de um pecador pelos telhados do Vaticano, o papa Francisco foi visto pegando um atalho pela Torre de Nicolau V e abordando o anônimo blasfemo de surpresa, logo antes de ambos caírem, por entre vitrais espatifados do século XV, diretamente num confessionário logo abaixo de onde estavam.
 


Todos nós sabíamos que o papa Francisco era incrível, mas esse episódio é mais do que impressionante! O relato completo da perseguição, com uma foto da ação no momento em que acontecia, pode ser lido no site norte-americano The Onion.
 
Agora, acalmem-se: o site é humorístico e o relato é, obviamente, fictício.
 
Mas esta brincadeira me lembrou uma surpreendente história real sobre São João Evangelista, registrada pelo bispo Eusébio, do século IV, no Livro III, Capítulo 23, da sua História da Igreja:
"uma narrativa sobre João, o Apóstolo, que foi transmitida de voz em voz e atesourada na memória", conta Eusébio.
 
João acaba de retornar do exílio na ilha de Patmos e está viajando por vários lugares para ordenar bispos. Em uma das cidades, ele mostra especial preocupação com o bem-estar espiritual de um jovem e exorta o bispo local: "Este jovem eu confio a você com toda a seriedade na presença da Igreja e com Cristo como testemunha". O bispo aceita a missão e João volta para casa, em Éfeso.
 
O bispo repassa então a um dos seus presbíteros a tarefa de instruir e batizar o jovem. Julgando erroneamente que o jovem agora é forte na fé, porém, o sacerdote relaxa a disciplina muito cedo. É quando as coisas começam a ir ladeira abaixo.
 
Seduzido por "entretenimentos caros", o jovem começa a andar em más companhias que o convencem a roubar com eles. Sua consciência, no entanto, sabe que os seus atos são graves. Vendo o quanto os seus crimes foram sérios, ele começa, infelizmente, a perder a esperança na misericórdia de Deus. Julgando-se assim perdido para sempre, ele se atira ainda mais fundo no crime, e, como Eusébio descreve, se torna "um chefe criminoso ousado, o mais violento, truculento e cruel de todos eles".
 
Algum tempo depois, João visita aquela igreja de novo e pede ao bispo: "Restaura-nos o depósito que tanto eu quanto Cristo confiamos a ti, tendo por testemunha a igreja que presides".
 
No início, o bispo fica confuso, pensando que João se refere ao dinheiro, mas o Apóstolo esclarece que fala "do jovem e da alma do irmão". O bispo explode em lágrimas e confessa: "Ele está morto, morto para Deus. Ele se tornou mau e agora é um bandido. E, em vez de frequentar a igreja, ele assombra as montanhas com um bando de iguais a ele".
 
João, de acordo com Eusébio, "rasga as suas vestes e, batendo a cabeça com grande lamentação", clama: "A que bom guardião eu confiei a alma de um irmão! Mas trazei-me um cavalo e que alguém me mostre o caminho". João monta e parte em busca do esconderijo do agora criminoso.
 
Quando chega perto, é feito prisioneiro por alguns dos ladrões. Ele não resiste, mas exige encontrar o líder. O jovem está de pé, armado, quando João se aproxima. Ao reconhecer João, ele "foge, cheio de vergonha".
 
João, que estaria então em seus 70 ou 80 anos, "se esquece da idade, o persegue com todas as suas forças" e grita para ele: "Por que, meu filho, foges de mim, teu próprio pai, desarmado e ancião? Tem piedade, meu filho; não temas; ainda tens a esperança da vida. Eu darei contas de ti a Cristo. Se necessário, suportarei de bom grado a morte, como o Senhor sofreu a morte por nós. Por ti eu darei a vida. Levanta-te, crê; foi Cristo que me enviou".
 
O jovem para, abaixa o olhar, solta as armas e começa a "tremer e chorar amargamente". Quando João o abraça, o jovem confessa os seus pecados, "batizando-se", como diz Eusébio, "pela segunda vez com as lágrimas".
 
Vamos deixar Eusébio contar o resto da história:
 
"João, comprometendo-se e assegurando-lhe sob juramento que ele iria encontrar o perdão do Salvador, ajoelhou-se diante dele, beijou-lhe a mão direita como se agora purificada pelo arrependimento e o levou de volta para a igreja. E intercedendo por ele com orações abundantes, e lutando junto com ele em jejuns contínuos, e fazendo à sua mente várias declarações, ele não se afastou, como se costuma dizer, até reintegrá-lo à igreja, provendo um grande exemplo de verdadeiro arrependimento e uma grande prova de regeneração, um troféu de visível ressurreição".
 
Isto é um Apóstolo.
 
Encorajo os caros leitores a orar pelos nossos bispos, para que, como sucessores dos Apóstolos, eles tenham a sabedoria e a coragem de acompanhar o exemplo de João. E o mesmo peçamos para nós próprios. 

sources: ALETEIA

domingo, 28 de dezembro de 2014

Toda família é sagrada para Deus

Toda família é sagrada para Deus, por isso Jesus escolheu nascer na Sagrada Família. A sua casa, a sua família, é sagrada aos olhos de Deus. 
O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele” (Lucas 2,40).
Nós hoje celebramos a linda festa da Sagrada Família, composta por Jesus, Maria e José. Sim, Deus quis morar no meio de uma família, quis estar na família humana, por isso escolheu uma casa, escolheu ter pai, ter mãe. E nessa casa, nessa família foi que Jesus cresceu, foi se tornando menino, homem e nos apontou a direção e o caminho da vida.
Na realidade, o Senhor começou a nos ensinar a direção e o caminho da vida não foi quando cresceu, foi quando nasceu e quando quis habitar dentro de uma família, por isso nós a chamamos de Família Sagrada.
Deixe-me dizer uma coisa a você: toda família é sagrada para Deus! A sua casa, a sua família, é muito sagrada aos olhos de Deus. Cada família tem um valor único e singular para o coração de Deus! Cada casa, cada família, é o lugar da morada de Deus!
Cada casa e a família de cada um de nós é a nossa primeira Igreja, é o primeiro lugar onde conhecemos Deus. É onde podemos conhecer a grandeza de Deus manifestada pelo amor dos pais.
Por isso, hoje, nós queremos pedir a Deus por todas as nossas famílias. Primeiro, pedindo pelo amor dos esposos, pois não se tem família se pai não ama mãe, se mãe não ama pai, e não é fácil viver este amor entre pai e mãe.
Hoje, quero dizer ao coração do homem e da mulher, do marido e da esposa: permitam que a Palavra de Deus habite no coração de vocês, assim como está nos chamando a Segunda Leitura da Missa de hoje, permitam que a Palavra de Cristo conduza os sentimentos, os afetos e a vida familiar de vocês.
Um dia vocês dois prometeram ser fiéis um ao outro e o tempo demonstra que isso nem sempre é fácil, por isso digo hoje aos esposos que estão nos escutando: se vocês querem edificar um lar santo coloquem a Palavra de Deus meditada e vivida no meio da sua família e ela dará o sentido e a condução da sua casa.
Que os filhos saibam amar e respeitar seus pais e tenham a devida obediência a eles mesmo quando, muitas vezes, isso não seja fácil, mesmo quando, frequentemente, os pais tenham seus defeitos, seus limites e não manifestem o amor que vocês tanto desejavam ter.
Meu filho e minha filha, o amor de Deus vai permanecer para sempre no seu coração se você souber amar e respeitar os seus pais, mesmo com todos os defeitos que eles possam ter!
Papai e mamãe, que a graça de Deus esteja com vocês, para que criem seus filhos segundo a vontade do Senhor! Que cada lar, que cada família, seja uma sagrada família!
Deus abençoe você!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ou Jesus é Deus ou não é nada...


Jesus não foi um homem que "pretendeu" ser Deus, mas o Verbo que se fez carne e veio morar entre nós


Os cristãos confessam, desde sempre, que Jesus Cristo é Deus. São João escreve que a Palavra, que "estava junto de Deus" e "era Deus" ( Jo 1, 1), "se fez carne e veio morar entre nós" (Jo 1, 14). São numerosos os discursos de Cristo em que Ele deixa claro ser muito mais que um simples homem – todo o Evangelho de São João está permeado de declarações desse teor –, sendo este o motivo alegado pelos judeus para condená-Lo à morte: "Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus" (Jo 10, 33).
Se, naquela época, até quem não seguia Nosso Senhor tinha clara consciência da grandeza do que Ele anunciava, hoje, muitos – atribuindo a si o apelido de "cristãos" – têm advogado, covardemente, uma "terceira opção": ao invés de rejeitar ou aceitar de vez a mensagem do Evangelho, recorrem a uma leitura distorcida das Escrituras, reduzindo a figura de Jesus à de "um grande profeta, um mestre de sabedoria, um modelo de justiça" [1], cujas máximas valeriam, no máximo, como "guias motivacionais". Para essas pessoas, a Bíblia não é o livro que traz a revelação de Deus, mas tão somente um "manual de autoajuda"; e a Igreja não é um edifício espiritual, mas uma construção puramente material, voltada apenas aos cuidados e necessidades deste mundo.
Antes de mais nada, importa denunciar o grave equívoco desse ponto de vista, que não pode ser aceito sem se cometer um grande e grave atentado à razão. Se Jesus não é "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" ( Jo 1, 29), nem "o pão que desceu do céu" e que dá a vida eterna (Jo 6, 41), nem "a porta das ovelhas" (Jo 10, 7) – realidades que ninguém usaria senão para se referir à divindade –, então, ou é um mentiroso, que queria enganar os outros, ou um louco, que não sabia sequer quem ele mesmo era. Ora, que grandeza pode haver na mentira e na loucura?Ou Jesus é Deus, ou não é nadaEt tertium non datur [2].
É preciso reconhecer, porém, como é cômodo relegar Nosso Senhor à posição de "apenas um homem". Se é assim, as suas palavras realmente não vinculam, nem obrigam ninguém a nada; são apenas reflexões morais e sociais, como as de qualquer pensador antigo. Daria no mesmo, então, citar Confúcio, Dalai Lama, Buda, Chico Xavier ou Jesus Cristo. Afinal, se são todos homens, com igual tratamento deveriam ser acolhidas suas mensagens: como palavras humanas.
A prática da Igreja primitiva, no entanto, atesta: os discípulos sempre creram que pregavam uma doutrina autenticamente divina. Em carta a Tessalônica, por exemplo, o Apóstolo agradece a Deus "sem cessar, porque, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais" (1 Ts 2, 13). Tanto ontem, como hoje, a fé católica não mudou. Diante das vozes enganadoras que pretendem reduzir a imagem de Cristo à de um chefe religioso qualquer, urge dizer "não": a boa-nova do Evangelho não é "palavra humana", mas, verdadeiramente, "palavra de Deus".
Foi o que disse o Cardeal Joseph Ratzinger – depois, Papa Bento XVI –, na virada do novo milênio,quando publicou a declaração Dominus Iesus, "sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja". Em 2000 – ou, "em pleno século XXI", diriam os mais escandalizados –, a Igreja recordava que "os homens (...) só poderão entrar em comunhão com Deus através de Cristo" [3]. À época, os meios de comunicação "rasgaram as vestes", acusando São João Paulo II e o Vaticano de arrogância e intolerância religiosa. É que, com a Dominus Iesus, a Igreja denunciava taxativamente as opiniões mundanas a respeito de Jesus, das quais a mídia moderna se faz porta-voz tão ardorosa:
"Na reflexão teológica contemporânea é frequente fazer-se uma aproximação de Jesus de Nazaré, considerando-o uma figura histórica especial, finita e reveladora do divino de modo não exclusivo, mas complementar a outras presenças reveladoras e salvíficas. O Infinito, o Absoluto, o Mistério último de Deus manifestar-se-ia assim à humanidade de muitas formas e em muitas figuras históricas: Jesus de Nazaré seria uma delas." [4]
Nesse sentido, a fé católica é profundamente intolerante, sobretudo, porque é fiel à palavra de Cristo, que não temeu apontar a si mesmo como "o caminho, a verdade e a vida", fora do qual ninguém pode ir ao Pai ( Jo 14, 6). Essa expressão - dita pelo mesmo Jesus que perdoou os pecadores arrependidos, curou os doentes e saciou os pobres - mostra como a misericórdia divina está profundamente unida à verdade da Sua mensagem, que repele todo erro, toda mentira… e toda falsa religião.
Ao argumento dos judeus de que Jesus, sendo apenas um homem, se fazia Deus, a Igreja responde, em consonância com dois mil anos de Tradição e Magistério: Jesus não foi um homem que pretendeu ser Deus. Ao contrário, Ele foi Deus, que, não se apegando ciosamente à natureza divina, "despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano" (Fl 2, 7). Eis o que creem os cristãos.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Papa Francisco, Angelus, 24 de agosto de 2014
  2. Sobre isso, cf. RC 221: Como provar que Jesus é Deus?
  3. Dominus Iesus, 12
  4. Ibidem, 9

O Martim Procelária




Existe em certas regiões marítimas um tipo de pássaro tão branco quanto a neve, cujo prazer é andar na crista das ondas dos mares convulsionados.

Deparando-se com algo dentro d’água, mergulha inesperadamente, saindo do outro lado triunfante e com altaneria da bravura cometida, portando no bico o fruto da sua ousadia: um peixe.

Daí vem o seu nome, que é Procelária — pássaro que luta contra as procelas (procelas são as cristas brancas das ondas do mar).

Muito tempo atrás, na época em que os homens sabiam admirar, existia ao lado do paraíso uma região de tal maneira bela, que, segundo os mais famosos sábios, era o espelho da beleza divina.

A fim de evitar a invasão das forças do mal, Deus criou em sua volta cordilheiras tão majestosas e tão grandiosas, que nenhum inimigo ousava delas se aproximar. Evidentemente a paisagem não seria tão perfeita se a ela não fosse acrescentado o grandioso panorama marítimo. Sendo assim, no lado da região que dava para o mar, Deus não criou montanhas, mas fabulosas palmeiras imperiais. Nesse pequeno paraíso, os animais mais belos foram criados, não existindo cobras, nem lagartos, nem mosquitos e aranhas. Tudo era maravilha, tudo era encanto.

Como não poderia deixar de ser, as forças do mal, no mais profundo dos abismos, uivavam e se mordiam de ódio contra tal charme. Queriam, entre um ranger de dentes e outro, estraçalhar aquela maravilha. Mas como? Pelas montanhas, não lhes tinha sido dado o poder; pela praia lhes era impossível, pois a sublimidade da região era tal, que eles ficavam paralisados de terror. Até que se levantou o chefe das forças do mal, e disse:
— Vamos enfurecer os peixes do mar mais hediondos, dos mais profundos dos mares, e esperemos uma tempestade. Aí chegará a nossa hora, pois através dos monstros ajuntaremos grande quantidade de água, com a qual devastaremos a região.

São Francisco prega aos pássaros
São Francisco prega aos pássaros
Assim se fez. A tempestade veio e a tromba d’água assolou a região encantada. Foi uma desolação quase total. Muitos animais choravam sobre seus filhotes mortos. Os pássaros, apavorados, procuravam novas árvores para seu ninho. E caso houvesse outra borrasca como essa, a perda seria inevitável e irremediável.

Cientes do perigo, todos os animais se reuniram em torno do monárquico leão, a fim de tomar as medidas necessárias.
— Não temam — disse com rugido majestoso o nobre leão. — Isso é obra das forças do mal e seus seguidores. Deus está conosco. Ordeno aos pássaros, meus embaixadores, que vão até S. Francisco, patrono de todos os animais, e lá do céu tragam a solução.

Após sete dias de viagem, chegavam os pássaros junto a São Francisco. O problema foi de difícil solução. De início S. Francisco disse:
— Vamos construir montanhas, tão altas como as já existentes, isolando assim por completo a região terrestre da marítima.
— Isso não é possível — disse um pássaro amarelo com listras vermelhas. — Não poderíamos assim fazer, porque perderíamos a grandiosa beleza do mar.
— De fato tens razão. Vamos até Nossa Senhora. É certo que ela nos ajudará.

Nossa Senhora dos pombos, Lu-Hung-Nien, século XX
Nossa Senhora dos pombos, Lu-Hung-Nien, século XX
Nossa Senhora, contente por terem recorrido a Ela, atendeu a todos prontamente:
— Uma das coisas que o mal mais teme é a minha vocação virginal. Você — disse, apontando para um pássaro cinzento que estava pousado no ombro do patrono S. Francisco — gostaria de ter a honra desse combate?

O pássaro, com muita humildade, voou até os pés da Virgem, beijou-os devotamente, e Ela lhe disse:
— A honra desse combate se estenderá a todos os seus descendentes.

Sempre que houver tempestade, e que as ondas atentarem contra a criação sublime de meu Filho, avancem corajosamente contra as malditas ondas, bradando "Ave Maria Puríssima!" Eu lhes garanto que o mal fugirá, e as vagas das ondas se tornarão inofensivas.

Terminado o conselho, a Mãe de Deus abençoou esse seu filho, enchendo sua alma de heroísmo e amor pelo combate. Imediatamente o pássaro mudou de cor, que era cinza, e tornou-se branco como as espumas do mar. Era o pássaro Procelária. Desse dia em diante, toda a paz dos animais da região ficou confiada à estirpe dos Procelárias.

Uma coisa sabemos: a toda honra concedida por Deus correspondem sacrifícios, que Nossa Senhora nos ajuda a suportar. Portanto, o nosso Procelária teria também seus sacrifícios: não lhe foi dado o tempo de construir para si ninhos confortáveis e aconchegantes, como os demais pássaros. O Procelária e seus descendentes teriam que viver em buracos nas pedras, enfrentando dia e noite o frio e a chuva, a fim de estarem a todo momento prontos para o combate.

Ao saber das boas novas, o bravo leão, junto com sua corte, rendeu graças à Virgem, Rainha dos Exércitos. Usando de sua astúcia militar, o rei dos animais não perdeu tempo: analisou o campo de batalha e indicou os pontos estratégicos.

AlbatrozÉ de chamar a atenção o que se passou com os Procelárias: nasceram muitos filhotes, porém nem todos nasciam brancos e reluzentes. Havia os que nasciam cinzentos, e esses, ao se tornarem adultos, iam para o vale e aí formavam seus ninhos confortáveis, constituindo uma família enorme de pássaros cinzentos.

Desses cinzentos, quando algum pássaro branco nascesse, desde jovem ia para as montanhas de pedras. Em suma, a honra do combate era somente para os portadores da bênção da Virgem.

Os Procelárias brancos eram em número de vinte. O vigésimo, em certa época, chamava-se Martim Procelária, e é aqui que começa a história.

Martim era o Procelária mais cândido, o que mais luz refletia. Tal era a sua alvura, que nenhum pássaro conseguia fitá-lo por muito tempo. Nos combates às forças do mal, Martim Procelária era o mais ousado, e no brado à Virgem ele era o mais harmonioso. O mal nunca sofrera tanto como estava sofrendo agora, com o Martim.

O chefe do mal, com seus uivos medonhos, rosnando, reuniu novamente seus asseclas para maquinarem planos de destruição do vale maravilhoso:
— Precisamos eliminar um dos Procelárias. Assim, com um ponto fraco, conseguiremos derrubar o vale. E temos que eliminar o mais importante deles: o Martim Procelária.

Era quase noite. O vento frio uivava violentamente por entre as pedras e cavernas da montanha. E lá, na vigésima guarita de pedra, estava o nosso bravo Martim. De repente entra um sopro frio, lentamente, como jamais se fizera sentir. Era o sopro da tentação. Nisso o Martim pensou: "Como é dura a minha vida! Nem tenho ninho confortável! Creio até que os animais, lá no vale, nem sabem que existo". Era o começo de uma tentação.

O dia seguinte amanheceu nublado, e o pobre Martim voava de maneira diferente. O que se passava? Talvez nem ele mesmo soubesse. Mas o que sentia era um vazio na alma. Para que estaria ele fazendo todo aquele sacrifício? Talvez sua vocação fosse outra... Era a força do mal, querendo destruí-lo.

Estava certo dia sobre uma pedra, tomando um agradável banho de sol, e seus pensamentos vagavam pelo vazio. Olhando para o alto, viu cortar o azul celeste um ponto negro. Sentiu o mesmo vento frio do outro dia. Sua alma, cheia de dúvidas, já estava preparada para ser atacada pelo inimigo.

UrubuAo se aproximar o horrível ponto negro, Martim notou que era um pássaro de vôo majestoso. Pela tranqüilidade aparente do vôo, parecia que jamais preocupação alguma cortava seu caminho, tudo era brincadeira. O misterioso pássaro contornava suavemente as brancas nuvens, que pareciam brincar com ele. Isso atraía a atenção de Martim, e Belzebu, o chefe das trevas, sorria com isso.

Instintivamente, quiçá levado pela admiração, Martim começou a voar. Subiu... subiu... até que teve um pequeno sobressalto: a aparência do misterioso voador não correspondia à majestade de seu vôo. Enquanto seguia rumo a ele, o monstro preto como urubu voltou sua cabeça despenada para Martim, e tentando ser agradável, disse:
— Oi!

Que diferença entre esse cumprimento e aquele do céu, "Ave Maria Puríssima"... Mas, já fraco pela tentação, o infeliz Martim teve vergonha de ser ridicularizado se respondesse como sabia. E então pensou: "Quem sabe se, para conquistar sua amizade, um outro ‘oi!’ não ajudasse..."
O pobre Procelária não sabia que seu brado "Ave Maria Puríssima" espantaria o demônio ali encarnado.
— Oi! — respondeu o Martim, após muita hesitação.

A alma de Martim já estava inteiramente quebrada pela tentação do conforto, do sossego...
— Menelau é o meu nome — disse o urubu, já triunfante da primeira batalha. — A mim foi dado todo este panorama. Tenho liberdade de ir para onde eu quiser. Nada me detém. Comida não me falta. Tudo para mim é conforto: minha esposa, meus filhos, meu lar... E você, o que tem?

Coitado do Martim! Ficou com vergonha de dizer que só tinha a glória. Vendo sua hesitação, Menelau insistiu:
— Venha comigo! Repartiremos juntos minha felicidade, meus vôos e meus panoramas. Para mim é fácil dar tudo isso a você. Queres? É só me seguir.

O Martim ainda se lembrou:
— Mas se as ondas vierem e...
— Nada disso! — rugiu Menelau, cortando as palavras de Martim. E depois procurou ser suave:
— Estamos na primavera. Ondas, tempestades, só daqui a seis meses, no inverno. E além do mais, daqui a três meses você será substituído. Nesse ínterim você terá aquela felicidade...

UrubuSem esperar resposta, Menelau levou Martim para conhecer outros panoramas. Tudo era novidade para o pequeno Martim. Ele estava encantado, e nem mais lhe causava estranheza a feiúra e horror do seu novo amigo. De fato o mar estava calmo, não havia perigo. O infeliz Procelária resolveu seguir o asqueroso urubu. Voaram juntos por um bom tempo, e depois a fome começou a apertar.
— Onde está o alimento? — perguntou ingenuamente o Martim, olhando um pouco inquieto para Menelau.
— Logo o teremos. Veja lá em baixo, são todos os meus parentes que estão reunidos em torno de seu banquete. Vamos até lá.

E assim, em círculos cada vez mais baixos, suavemente começaram a se aproximar do festim. "Que será aquilo? — pensava Martim. — Qual será a surpresa? Parece ser boa, pois todos comem com tal avidez. Parece que nem respiram para comer".

Na realidade a surpresa lhe foi desagradável.
— Que mau cheiro!!
— Venha rápido — gritou Menelau, com a boca cheia de carniça. — Se não chegar logo, nada lhe sobrará.
Menelau, sem mesmo ter acabado de chegar, já se atolara na carniça.
— Mas isto é o meu alimento tão prometido? — perguntou Martim.
— Ora, a coisa não é tão ruim. É só uma questão de hábito.
Aproximando-se ainda mais da malcheirosa carniça, Martim titubeou.
— O que é isso? — perguntou o raivoso urubu. — Não quer ser um dos nossos? Então coma.

A fome era grande... e o Martim comeu. Imediatamente suas penas brancas e reluzentes tornaram-se negras e opacas como um carvão. Seu bico reto e agudo, próprios para os brados à Virgem, tornou-se curvo e ensebado como um anzol velho. Seu pescoço tornou-se despenado e cheio de pelancas. Sua voz harmoniosa tornou-se um hediondo grasnar rouco e desafinado.
O bando dos urubus caiu na gargalhada.
— Agora não adianta mais. Tu serás um dos nossos para todo o sempre.

E as gargalhadas no meio da comilança continuaram. "Já não sou mais um Procelária. Tornei-me um urubu" — pensou o degradado Martim, e afundou-se na carniça podre e purulenta.

GaivotasPassaram-se dois meses. Martim não conhecia mais a alegria. A nova amizade o enganara. Martim estava enfadado da vida. Começou a voar só e muito alto. Menelau, porém, o vigiava atentamente e à distância. Em seus vôos solitários, Martim olhava nostálgico para o azul do mar, sem todavia ter coragem de retornar.

"Como eu pude abandonar minha vocação? — pensava o Martim. — Que fraqueza a minha! Deixei de ser um eremita Procelária para ser o mais podre dos animais. Quando Nossa Senhora chama alguém para uma vocação tão alta, e esse alguém volta as costas para a vocação, o tombo é grande, e se afunda no mais profundo dos abismos. Quando se tira o peixe para fora d’água ele morre, porque foi feito para viver na água. Assim também, quando Deus cria alguém para uma vocação e este se afasta dela, morre como o peixe fora d’água".

Em tudo isso Martim pensava. E quando a saudade lhe batia na alma, o negro urubu Menelau logo intervinha com sarcasmo:
— Isso é coisa do passado... Nunca mais você voltará a ser um eremita Procelária. Aliás, vou lhe revelar um segredo. Olhe bem para o horizonte. Que está vendo?
— Vejo uma enorme nuvem escura, prenunciando uma borrasca.
— Pois é, dentro de pouco tempo uma tempestade virá, e seu vale será totalmente destruído.
E assim Menelau descreveu, entre gargalhadas, toda a terrível trama dos demônios e o seu pacto com Belzebu, pois este havia prometido que, se Menelau destruísse o Martim, o vale iria ser destruído e toda a carniça do vale seria dos urubus.
— Veja! — berrou o maldito.

As nuvens negras começaram a se unir, tornando o céu sem luz e de uma escuridão quase palpável. Os ventos começaram a se tornar violentíssimos. A tempestade desabou. Raios e relâmpagos cruzavam o céu.

Os dezenove Procelárias entoavam cânticos de guerra e formavam fileiras próximo às guaritas de pedra, preparando-se para o combate. Os Procelárias sabiam que este seria um terrível combate, pois uma guarita, a vigésima, estava vazia. O que teria acontecido com o bravo Martim? Dos dezenove Procelárias, nenhum sabia dizer.

Repentinamente um raio ensurdecedor deu início à batalha. Furacões gigantescos se batiam contra a arrojada defesa do pequeno paraíso, e os Procelárias, quase esgotados pela fadiga, não se rendiam, pois tinham de seu lado a promessa da Virgem.

Nossa Senhora, Sens, catedral St-EtienneO pequeno Martim já não mais ouvia o "fala-fala" do urubu carniceiro. Uma saudade imensa invadia sua alma. Tinha saudade do tempo em que ele era alvo e luminoso, tinha saudade do tempo em que Nossa Senhora o amava.

Menelau, com sua percepção diabólica, sabia o que se passava na alma de Martim, e procurava com todas as forças apagar o entusiasmo que crescia no coração dele:
— A perda de inocência é irreparável, você não tem mais salvação, você é negro como um urubu... O inimigo que ataca os Procelárias não é nada, perto do que vem agora.

Nisso, algo de assustador desponta no horizonte. Uma onda colossal, até então jamais vista, estava se avolumando e caminhando na direção da vigésima guarita, que estava vazia. Enquanto isso os outros Procelárias davam uma mostra de heroísmo sem igual, mas combatiam na outra extremidade, levados por um plano do inimigo, e nada percebiam.

A onda que se aproximava era um verdadeiro furacão devastador. A impressão que se tinha era que os demônios retiraram todas as águas do mundo e ali as concentravam, para a satânica investida.
— Seu paraíso está irreparavelmente perdido — gritou o urubu. — A investida será feita pela vigésima guarita. Você a conhece?

O Procelária, para desespero do urubu, já não se interessava mais pelo que estava ao seu redor. No mais profundo de sua alma, ele rogava a Nossa Senhora:
— Perdão, minha Mãe. Estou arrependido do que fiz. Dai-me forças novamente. Perdão, minha Mãe. Dai-me forças...
No fundo do seu coração, sentiu uma voz que dizia:
— Coragem! Vá, meu filho, vá! Estarei contigo!
Martim, com ar decidido, esticou as asas e lançou-se a toda velocidade contra a tromba d’água, sem perceber que aos poucos suas penas tornavam-se brancas novamente.

O maldito urubu, desesperado, agarrou as patas de Martim, tentando evitar a sua conversão, e os dois afundaram na gigantesca onda. Tudo se acalmou. Tudo estava acabado. O vale estava salvo. No mar, uma grande mancha de sangue em forma de cruz trazia o corpo de Martim para a praia.

GaivotasE até hoje, quando os eremitas Procelárias marcham entoando seus cânticos de guerra, contando seus feitos nas batalhas, nunca deixam de cantar um cântico dedicado a Martim Procelária, cuja letra é a seguinte:

"Certa vez, neste mar, uma grande guerra se travou entre os nobres Procelárias e o terrível poder das trevas. Mas quando tudo parecia perdido, eis que do céu veio uma luz de grande intensidade, e ouviu-se um brado como nunca se ouvira: AVE, MARIA PURÍSSIMA! Esse raio de luz, que era o Martim, penetrou junto com Menelau num grande furacão, e assim venceu-se a batalha.

Pôde-se ver então a Justiça Divina: Martim Procelária foi ao céu; e Belzebu fugiu acovardado, levando entre os dentes o precito urubu, que teve a mesma sorte de todos os que atentam contra os filhos da Virgem. Passará a eternidade ao lado de Judas, continuamente triturados pelos dentes pútridos, mal cheirosos e incandescentes de Satanás".

FONTE: Contos de Lendas Medievais

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A alma pura não se deixa levar pela maldade

A alma pura não se deixa levar pela competição, pelo orgulho nem pela maldade! Só quem é justo e vive a pureza sabe reconhecer e agradecer a bondade de Deus para conosco.
Maria disse: ‘A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador’” (Lucas 1, 46-47).
Hoje nós acompanhamos um dos cânticos mais belos de toda a Sagrada Escritura: o cântico do Magnificat; o canto de ação de graças, de júbilo e de reconhecimento pela grandeza de Deus. Maria não exalta a si mesma; ela reconhece a grandeza d’Aquele que realizou nela as Suas maravilhas e as Suas graças. Maria exalta a promessa de Deus de salvação e de resgate do Seu povo.
Deixe-me falar uma coisa ao seu coração: só quem é justo e vive a pureza do seu coração sabe reconhecer, engrandecer e agradecer a bondade e a ternura de Deus para conosco. Ao passo que, quem não vive na justiça e na presença de Deus, não sabe reconhecer as grandezas d’Ele; está sempre reclamando, murmurando e amaldiçoando; está sempre querendo arrancar algo de Deus pela força da reclamação. E não é assim!
Se queremos estar verdadeiramente próximos do coração de Deus, a primeira coisa a fazer é viver na vontade d’Ele. Esse é o modo de sermos mais justos e corretos nesta vida, colocar em prática aquilo que é a vontade de Deus. Nós, muitas vezes, clamamos a justiça de Deus e somos os primeiros a viver na injustiça, a viver uma vida que não é correta.
A segunda coisa a fazer é viver na pureza do coração, é viver sem maldade no coração, é ter dentro de si repugnância a tudo aquilo que é mau e maldade para com os outros. Às vezes as pessoas arquitetam dentro de si, na mente e no coração, maldades contra o seu próximo; maldades que vêm do ressentimento, da mágoa, ou mesmo, da inveja e do ciúmes desse sentimento competitivo do mundo em que nós vivemos. A alma pura não se deixa levar pela competição, pelo orgulho nem pela maldade!
Mesmo quando não é reconhecida, e é pisada pelos homens, essa alma não deixa de reconhecer onde está a mão de Deus, onde está a presença d’Ele. Ela vive na sua intimidade, mesmo que seja no sofrimento e na humilhação, o reconhecimento pela mão de Deus, que nunca nos abandona. Ainda que, muitas vezes, os homens, mesmo os homens de Deus, não sejam para nós o melhor sinal da presença d’Ele, a pessoa pura e sábia sabe distinguir que Deus está acima de todas as coisas.
Ao Senhor o louvor, a honra, a glória e o reconhecimento! Minha alma canta e glorifica a bondade do Senhor Nosso Deus!
Deus abençoe você!

http://homilia.cancaonova.com/homilia/a-alma-pura-nao-se-deixa-levar-pela-maldade/

domingo, 21 de dezembro de 2014

Padre Pio e as modas indecentes

Pelo sim de Maria, Deus se fez carne

Deus intervém na vida de Maria e a convida para ser a mãe do Salvador do mundo, Jesus Cristo. Jesus se fez corpo no corpo de Maria, verdadeiro santuário que Deus desejava para hospedar no seio da humanidade. Graças ao sim de Maria, a palavra viva de Deus toma corpo num corpo materno. Com isso, Deus encontra uma casa para morar.
O coração da pessoa é o santuário onde Deus deseja habitar. É o templo vivo, formado por seres humanos, pedras vivas, das quais Maria foi a primeira.
O anjo vai ao encontro da jovem Maria enquanto ela realiza suas tarefas cotidianas. Assim Jesus marca presença lá nas atividades do dia a dia, onde as pessoas vivem, convivem e trabalham. Deus se faz carne para viver junto com os mortais, não para ficar preso nos santuários e trancado nas sacristias. Segundo o papa Francisco, a Igreja não pode ficar fechada em si mesma, mas deve ir ao encontro, abrir-se ás necessidades das pessoas, sair do comodismo e buscar as periferias que carecem da luz do evangelho.
A novidade da vinda de Jesus é que ele não nasce de uma personagem poderosa e influente nem em um grande centro político e religioso, mas nasce da generosidade de uma jovem inexperiente e desconhecida e numa vila sem nenhuma importância. Nazaré, de onde nada se esperava. Ele não vem com poder, como um guerreiro forte e assombroso, nem quer ser um líder triunfalista, mas é o Mestre do serviço e da doação. Veio revelar e construir o reino de Deus, reino da paz, da justiça, do amor e da solidadriedade.
Deus se faz gente na pobre criança de Nazaré para tornar divino o humano. Jesus elevou á dignidade de filhos e filhas de Deus todo ser humano que vem ao mundo. É a concretização da comunhão entre o céu e a terra, já não mediante uma instituição, mas por meio de um menino.

Pe. Nilo Luza, ssp sobre o evangelho deste domingo 21/12/2014

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Abençoado é aquele que mantém o coração temente a Deus

Abençoado é aquele que mantém o coração temente a Deus mesmo diante cheio de doenças e enfermidades. Que tudo a Ele entrega, se purifica dos seus pecados e oferece pela humanidade os seus sofrimentos e as suas dores.
Ambos eram justos diante de Deus e obedeciam fielmente a todos os mandamentos e ordens do Senhor” (Lucas 1,6).
A Palavra de Deus hoje mostra-nos dois personagens, um casal, um homem e uma mulher tementes a Deus, em idade avançada. No coração destes dois seres humanos podia haver certa frustração ou revolta contra Deus, porque, naquele tempo, alguém não ter gerado filhos poderia se considerar uma pessoa que não era abençoada. E quando alguém não se sente abençoado, se sente então rejeitado por Deus.
Ao contrário disso, Zacarias e Isabel sentiam-se amados por Deus apesar da contingência física, de viverem tantos anos juntos e não poderem ter gerado filhos, isso os tornava tementes a Deus, isso os tornava, cada vez, mais servos d’Ele. Não, eles não se condicionaram a servir a Deus por Ele agraciá-los ou não agraciá-los; porque, na verdade, sentiam-se muito agraciados porque Deus estava com eles.
E como é que Deus estava com Zacarias e Isabel? Deus está no coração daqueles que Lhe são fiéis, daqueles que obedecem a Seus ensinamentos e guardam as Suas Leis e Suas ordens apesar das contrariedades, apesar de muitas vezes as coisas não acontecerem, humanamente, como queremos ou planejamos.
Eles não tiraram o coração da Lei do Senhor Deus, não colocaram seu coração na revolta ou na frustração, por isso desde a juventude eram servos do Senhor e tinham um coração temente a Deus.
Deixe-me dizer a você: não importa aquilo que hoje na sua vida possa parecer uma certa frustração. Alguns estão tristes porque não tiveram filhos, outros estão tristes porque os tiveram, mas os perderam em acidentes, tragédias ou para o mundo; porque o mundo os levou, os atraiu. Outros se sentem tristes porque não foram bem nos seus negócios, não foram financeiramente bem-sucedidos.
As coisas darem certo ou não para você não é sinal de ser menos ou mais abençoado por Deus. A bênção de Deus não é pelo que temos, a bênção de Deus é por aquilo que somos diante d’Ele! Pode ser que sejamos visitados por todas as doenças e enfermidades e achemos que o abençoado é quem está sadio, aquele que é atleta, que corre para lá e para cá. Não! O abençoado é aquele que, mesmo cheio de doenças e enfermidades, mantém o coração temente a Deus e não se revolta contra Ele. Tudo a Ele entrega, se purifica dos seus pecados e oferece pela humanidade os seus sofrimentos e as suas dores.
Abençoado e agraciado por Deus é aquele que passa por dificuldades, por frustrações, por sentimentos não realizados e tudo oferece como dom a Deus. Como Zacarias, o sacerdote que se apresentava todos os dias diante do Senhor.
Um anjo de Deus vai visitá-lo, pode ser que não seja para lhe dar aquilo que seu coração tanto anseia, mas para comunicá-lo do prêmio da fidelidade ao Senhor Nosso Deus! Deixe-se ser surpreendido pelo melhor de Deus! O melhor de Deus não é aquilo que, humanamente, achamos que será melhor; o melhor de Deus é ter o Seu consolo, a Sua proteção, o Seu amor e os Seus amparos! Os Seus anjos vêm em nosso socorro, como foram ao encontro de Zacarias e Isabel para anunciar que Deus estava com eles.
Hoje, quero ser anjo de Deus, voz de Deus, para a sua vida! Não importa o que você esteja passando ou sofrendo, seja temente, obediente e fiel a Deus. Ele está com você e isso ninguém pode tirar!
Deus abençoe você!
http://homilia.cancaonova.com/homilia/abencoado-e-aquele-que-mantem-o-coracao-temente-a-deus/

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O terço da divina misericórdia e a conversão da minha avó

A idosa ganhava a vida lendo cartas, temendo a morte e era incapaz de rezar: sua neta Violetta decidiu agir

Violetta é uma jovem alemã de 20 anos que tinha um carinho especial pela sua avó. Além do amor natural, ela tinha uma razão a mais para gostar da avó: “Ela sempre foi boa conosco, defendia a mim e aos meus irmãos do nosso pai, que batia em nós”, recorda a jovem. Era algo além da proteção física, porque ela também os alimentava.

Como? “Ao longo de quase toda a sua vida, ela se dedicou a ler cartas para ganhar dinheiro. O benefício que tirava disso era que assim podia nos sustentar”, conta a moça.

Violetta é católica, assim como sua avó (pelo menos formalmente), mas a idosa, aos 88 anos e ainda gozando de boa saúde, não ia à Igreja: “Não me lembro de tê-la visto rezar ou ir à missa”.

Uma “fada boa” incapaz de rezar

Isso torturava sua neta, que tinha boa formação cristã. “Infelizmente, ela parecia ser uma 'fada boa', então muita gente a procurava para que ela adivinhasse seu futuro. Quando eu era pequena, achava que tudo isso era normal, não era consciente de que ler cartas é pecado e poderia trazer muitas desgraças”, conta Violetta.

Quando a senhora começou a ter os problemas de saúde próprios da sua idade, mudou-se para a Polônia para morar com sua filha, mas isso não mudou sua aversão à religião, aparentemente incompreensível.

Ela não via sentido na oração nem na missa. “Até quando meu avô morreu, no ano passado, ela nem foi à missa dele.” Às vezes, ela reconhecia que havia “algo” que a assustava e que tinha medo da morte, mas era incapaz de rezar. “Minha mãe queria chamar um padre para confessá-la, mas, como ela não queria saber nada disso, esta opção não existia.”

“Eu mesma me lembrava sempre da minha avó em minhas orações e pedia a Jesus que tivesse misericórdia dela, que lhe desse a graça de poder confessar-se e receber seu perdão antes de morrer", explica Violetta.

Para casos especiais: terço da divina misericórdia

Vendo que nada mudava, no final do mês de agosto, a jovem decidiu rezar o terço da divina misericórdia durante o mês de setembro.

No dia 22 de setembro, recebeu um telefonema: a idosa havia sido levada de ambulância ao hospital, devido a um infarto, e estava internada: “Eu fiquei horrorizada, imaginando que minha avó poderia não ter tempo de se reconciliar com o Senhor, mas logo depois ficamos sabendo que ela havia melhorado de saúde”.

Violetta intensificou sua oração do terço da divina misericórdia, pedindo a Jesus que sua avó não morresse naquele estado: “Eu suplicava e chorava... Pedia a Jesus que lhe mostrasse sua misericórdia e que visse as coisas boas que ela tinha feito por nós”.

E o milagre aconteceu. Foi precisamente a idosa que contou o ocorrido: “Um padre passou pelo meu quarto e eu o chamei. Ele esteve comigo duas vezes. Eu me confessei, comunguei e beijei a mão do padre. Agora eu já posso morrer”.

O padre deu à avó de Violetta uma pequena imagem de Jesus Misericordioso, com a seguinte nota: “No dia 22 de setembro, ela se confessou e recebeu a Sagrada Comunhão”. Este era o dia do aniversário de Violetta.

“Jesus, eu te agradeço de todo coração!”, conclui a jovem.

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