sábado, 27 de fevereiro de 2016

O SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO

 

Se alguém quiser

Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mat 16,24). Ao dirigir essas palavras aos discípulos, Jesus fala de algo que depende de nós. Algo que podemos fazer ou não -Se alguém quiser…-, algo que pertence, portanto, à nossa livre iniciativa.
Sempre a Cruz – a mortificação pequena ou grande – deve ser tomada livremente: só se nós queremos, é que sacrificamos um fim de semana para dar assistência aos pobres; se nós queremos, deixamos de ir ao cinema para visitar um doente; se nós queremos, assumimos em casa os trabalhos mais sacrificados; se nós queremos, mortificamos a curiosidade, a gula, a destemperança no falar, etc.
Sacrifícios voluntários? Mortificação? Meter na nossa vida mais “cruzes”, quando a vida já traz tantas sem procurá-las? Por quê?
O Espírito Santo  nos responderá pela boca de São Paulo.
Este Apóstolo usa com frequência de uma comparação: a imagem dos dois homens que estão sempre brigando dentro de nós: o homem velho e o homem novo. Poderíamos traduzir por “homem modelado pelos parâmetros mundanos, pagãos” e “homem modelado – conforme a imagem de Cristo – pelo amor, pela graça do Espírito Santo”.
Assim, escrevendo aos Efésios, São Paulo pede-lhes: Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê das suas ideias frívolas [...]. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em justiça e santidade verdadeiras (Ef 4,17.22-24). É claro que lhes está propondo uma luta constante, mediante a qual deverão arrancar – como se arrancam no jardim as ervas daninhas – o homem velho, para revestir-se do homem novo.
As mesmas ideias, mais sinteticamente expostas, encontramo-las na Carta aos Colossenses: Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem dAquele que o criou (Cl 3,9-10).
Um terceiro texto, dirigido aos Gálatas, completa os anteriores: Os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências (Gl 5,24). Para entender o que quer dizer, é preciso ter presente que, na mesma carta, havia explicado o que é a carne e as suas concupiscências (palavra que literalmente significa maus desejos), mostrando que por carne entende – como é comum em textos bíblicos – a vida egoísta, afastada da graça de Deus e mergulhada no materialismo, cujo deus é o ventre [...] e só tem prazer no que é terreno (Fil 3,19).
Característica típica do homem velho é a de se deixar dominar pelos desejos da carne, que – como explica detalhadamente o Apóstolo – são fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdia, bandos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes (Gál 5,19,21).
Esta é a carne que deve ser crucificada, ou seja, mortificada, dominada e vencida com a renúncia, com a luta, com a Cruz.
Purificação voluntária
A mortificação voluntária – que faz parte essencial da luta do cristão – é um meio necessário de purificação.
Santo Agostinho tem um pensamento muito profundo a esse respeito. Lembra que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e que o pecado “deformou” essa imagem e apagou a semelhança. A graça de Deus, recebida no Batismo, fez-nos renascer para uma vida nova, dando-nos a graça. É tarefa nossa colaborar com a graça para limpar os males que nos deformam; só assim a graça nos devolverá à “forma” primeira, que é a imagem do ser de Deus [1], a autêntica personalidade dos filhos de Deus.
Como é sugestiva essa ideia, para nos ajudar a compreender que a formação cristã não se limita ao conhecimento da verdade, da doutrina – a ler, estudar, aprender- , mas exige um trabalho de purificação –de limpar, de extirpar, de endireitar, de podar o que procede do egoísmo–, para podermos “arrancar a triste máscara que forjamos com as nossas misérias[2]”, e estarmos em condições de ir reproduzindo fielmente em nós os traços do nosso modelo, Jesus Cristo.
Pensemos seriamente, nestes dias, qual é o nosso homem velho, quais são as nossas paixões e concupiscências, para assim podermos descobrir as mortificações que precisamos fazer para arrancar de nós as máscaras deformantes. Não é muito difícil adivinhar. Difícil é concretizar… e fazer.
Na realidade, todos notamos em nós mesmos defeitos que nos prejudicam, hábitos, vícios de diversas espécies, que nos dominam; falhas de caráter que atrapalham o nosso trabalho; atitudes desagradáveis ou omissões no nosso relacionamento com os outros… Pois bem, aí é que deve entrar a nossa cruz, ou seja, os sacrifícios necessários para corrigir tais defeitos e revestir-nos do homem novo.
Adaptação de um trecho do livro de F.Faus, A sabedoria da Cruz
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Ano da Misericórdia:
Quantas páginas da Sagrada Escritura – diz o Papa Francisco – se podem meditar, nas semanas da Quaresma, para redescobrir o rosto misericordioso do Pai! [...]. As páginas do profeta Isaías poderão ser meditadas, de forma mais concreta, neste tempo de oração, jejum e caridade. «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente …, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. [...]

»Se retirares da tua vida toda a opressão, o gesto ameaçador e o falar ofensivo, se repartires o teu pão com o faminto e matares a fome ao pobre, a tua luz brilhará na escuridão, e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia. O Senhor te guiará constantemente, saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos. Serás como um jardim bem regado, como uma fonte de águas inesgotáveis » (cf. 58, 6-11).
(Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 17).


[1] Cfr. Sermão 125,4. Patrologia Latina 38,962.
[2] Cfr. Josemaría Escrivá: Via Sacra, sexta estação

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AS CRUZES QUE NÓS “INVENTAMOS”

Não é raro que alguns cristãos se lamentem das “muitas cruzes” que – segundo eles – Deus lhes envia.
Mas, antes de meditarmos nas cruzes que talvez Deus nos envie para o nosso bem, nos convém pensar nas “falsas cruzes” que nós mesmos “fabricamos”, e que nunca deveriam ter existido: cruzes absurdas ,que Deus não nos mandou nem quer mandar. Essas cruzes é que nos fazem mal.
De que cruzes se trata? Daquelas que aparecem só como consequência da nossa mesquinhez e dos nossos defeitos. A pessoa egoísta, ciumenta, invejosa, teimosa…, sofre muito e faz sofrer os outros. Mas esses sofrimentos não são cruzes, no sentido cristão da palavra. São apenas a secreção ácida do nosso egoísmo; trata-se de faltas mais ou menos graves, que evidentemente Deus não quer.
Se fôssemos fazer as contas, veríamos que a maioria dessas dores ruins procedem de uma dupla fonte: a fonte do amor-próprio e a fonte do amor-pequeno.
A fonte do amor-próprio
O amor-próprio é uma fonte de péssimas cruzes. Como o orgulho nos faz sofrer! Que feridas infeccionadas não provoca! Basta uma lufada de ar – uma pequena desconsideração ou indelicadeza –, e o amor-próprio se sente atingido como por um estilete.
Uma pessoa orgulhosa é incapaz de tolerar, sem ficar magoada – sem se meter num calvário de sofrimentos íntimos –, a menor humilhação, mesmo causada involuntariamente. Fica alterada, abatida; grava a mágoa na memória e a vai remoendo lá dentro; cultiva-a na imaginação, aquece-a ao fogo da autocompaixão, vai engrossando-a à força de lhe dar importância, e termina fazendo dela uma tortura insuportável. Sofre, e julga-se vítima. Escorrem-lhe pelas faces lágrimas de tragicomédia.
Bastava que fosse um pouco mais humilde, que soubesse relevar minúcias, que se esforçasse um pouco por compreender, por desculpar, por oferecer a Deus as pequenas contradições, para não ter sequer um miligrama dessa cruz inútil, que não é a cruz de Cristo.
Se a pessoa orgulhosa sofre com tormentos fabricados pelo orgulho, que dizer da invejosa? Sempre comparando-se com os outros, sente subirem-lhe no coração ondas de melancolia, depressões enciumadas, revoltas contra a sorte e até clamores íntimos – ensopados de lágrimas de revolta – contra a Providência de Deus. Essa pessoa invejosa, que chora frustrações, foi ela própria a criadora da sua falsa “cruz”. Tivesse um coração mais generoso, enxergaria, feliz e agradecida – na mesma situação em que só vê infortúnios e injustiças da vida –, dez mil bondades de Deus e motivos de ação de graças, um panorama de miúdas e saborosas alegrias, que em vez de queixas lhe poriam canções dentro da alma.
A fonte do amor pequeno
Vejamos agora a segunda fonte das falsas cruzes: a do amor-pequeno.
Já de início, poderíamos dizer que existe um sinal infalível de que o nosso amor é pequeno: o mau humor. Para quem ama pouco, toda dedicação, toda paciência, toda compreensão solicitada pelo próximo é excessiva e aborrecida, qualquer sacrifício causa revolta ou malestar.
O amor grande leva a generosidades grandes e faz com que nem se perceba o sacrifício. Como dizia Santo Agostinho: “Quando se ama, ou não se experimenta trabalho, ou o próprio trabalho é amado”. Pelo contrário, o amor-pequeno transforma uma palha numa “cruz” insuportável. Então, um sacrifício que caberia “dentro de um sorriso, esboçado por amor” 2, não cabe na vida e gera mau humor. Este humor soturno vai configurando um tipo de personalidade que se caracteriza pelos contínuos resmungos, queixas constantes e incessantes protestos. A “reclamação” é a sombra do amor-pequeno, o sinal que o dá a conhecer.
Se olharmos de perto o que há por trás dessas reclamações, veremos que, em noventa por cento dos casos, é apenas a pura e simples realidade da vida, com as suas normais incidências, lutas e esforços. Por outras palavras, o que há na raiz do mau humor é apenas a falta de aceitação da vontade de Deus no dia-a-dia.
É triste lamentar, como se fossem coisa do outro mundo, dificuldades que são normais. Não é nenhuma contrariedade inesperada o fato de que os outros tenham asperezas de caráter, de que o cumprimento do dever canse, de que alcançar metas profissionais ou melhoras nos que nos cercam – especialmente no marido, mulher, filhos – e nem digamos a correção dos nossos próprios defeitos, seja algo lento e demorado.
No entanto, é muito comum que, ao constatá-lo, nos sintamos indispostos, nos deixemos levar pelo aborrecimento, pela impaciência, pelo protesto, e percamos o bom humor. Reações de todo desproporcionadas e ridículas, pois lá onde nós imaginamos grandes “cruzes” está apenas a vida, a vida que, com um pouco mais de amor, ficaria pontilhada de alegrias e coroada de ações de graças.
Cristo pede-nos que tomemos com amor a cruz de cada dia (Lc 9, 23), é certo, mas – lembrando o que dizia João Paulo I – essa cruz deveria ser carregada com o “sorriso cotidiano” e não fazendo dela a “tragédia cotidiana”. No entanto, muitos conseguem perder o sorriso e ficar com a tragédia.
Bastam-lhes para isso duas coisas: em primeiro lugar, amar pouco. Em segundo lugar, viver num mundo de fugas imaginativas e sonhos irreais. Muitos são os que reclamam do real – que é a vida, sempre rica em possibilidades de amar, que Deus nos dá – e passam a instalar-se, esterilmente, no mundo irreal das hipóteses: se eu tivesse essas outras condições pessoais, essa sorte, essa oportunidade profissional…; se a minha mulher fosse mais bonita, pacífica e econômica…; se o meu marido desse mais atenção à família…; se o meu país tivesse uma economia estável… E, assim, enquanto vivem no mundo do “tomara que”, atolam-se no que São Josemaria chamava a “mística do oxalá”. Desse modo, estragam a realidade, que é a única que existe e que a cada instante nos oferece ocasiões de amar e de servir e, como consequência, de sermos felizes.
Quem chora injustamente por causa da cruz cotidiana perde a cruz de Deus e encontra a “cruz” do diabo. São cheias de sabedoria aquelas palavras da Imitação de Cristo que dizem: “Se levas com gosto a cruz, ela te levará. Se a levas a contragosto, acabas por torná-la mais pesada para ti e a ti mesmo te sobrecarregas. Se rejeitas uma cruz, sem dúvida encontrarás outra, e possivelmente mais pesada” (II, 12).
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Ano da misericórdia:
Misericórdia –diz o Papa Francisco – é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado (Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 2).

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

SEM CRUZ HÁ FRUSTRAÇÃO

Foi-se triste
Lembra da cena do encontro do jovem rico com Jesus? O rapaz foi correndo, cheio de entusiasmo ao encontro de Cristo. Aos pés do Senhor mostrou-se disposto a fazer tudo o que Deus lhe pedisse. Mas, quando Jesus concretizou, falando de entregar-se a Deus e segui-lo, o jovem abaixou a cabeça e foi-se embora triste (cf. Mc 10, 17-22).
Pensemos agora em nós e na razão das nossa tristezas.
Contava São Josemaría Escrivá que conhecera um menino a quem a mãe havia ensinado, desde pequeno, a rezar de manhã e à noite. Ao acordar, recitava juntamente com ela o ato de consagração a Nossa Senhora: “Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a Vós, e em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia meus olhos, meus ouvidos, minha boca…” Não terminava, porém, a enumeração, porque – como quem quer prevenir equívocos – intercalava com veemência: “menos o meu coelhinho”. Tudo estava ele disposto a oferecer a Nossa Senhora…, menos o seu coelhinho. São Josemaria, ao narrar esse episódio, dizia aos que tínhamos a fortuna de ouvi-lo que pensássemos também se não teríamos o nosso “coelhinho”.
Será que não temos mesmo? Seja qual for a nossa idade – ainda que já estejamos descendo a última ladeira da vida –, o “coelhinho” é todo e qualquer “menos isto” que nós opomos a Deus, ou seja, toda e qualquer reserva ou condição intocável.
Para o jovem rico, o problema residia nas riquezas. Para nós, onde está? Qual é a nossa ressalva, o nosso “menos isto”?
Uns colocam o rótulo de intocável no seu comodismo burguês: vida cristã, sim, mas sem falar muito em sacrifícios nem renúncias. Outros desconversam quando Deus, de algum modo, lhes pede que vivam bem a castidade: parecem-se com o governador romano Félix, que gostava de ouvir São Paulo, prisioneiro em Cesareia, até o dia em que o Apóstolo começou a falar-lhe sobre a castidade e o juízo futuro. Félix, então, todo atemorizado, disse-lhe: “Por ora podes retirar-te; mandar-te-ei chamar em outra ocasião” (At 24, 25).
Há outros, casados, que talvez tenham o seu “menos isto” no filho que demoram a ter por comodismo; outros fecham os ouvidos à sua própria consciência, quando lhes diz que a honestidade nos negócios está acima da ganância; outros ainda querem ser bons cristãos, mas sem combater os defeitos que mais os dominam e lhes estão deteriorando o convívio familiar, prejudicando o trabalho ou congelando o crescimento espiritual: tudo menos renunciar à prepotência, ao comodismo, à inconstância, à crítica, ao excesso nos “aperitivos”, à desordem nos horários, etc.
E, dentro deste triste campo das recusas, é amargamente penoso – deploravelmente melancólico – o caso dos que chegam à beira de uma entrega total, para a qual Deus os escolheu desde toda a eternidade; dos que enxergam uma vocação divina que com a sua claridade os deslumbra e, na hora decisiva, se encolhem por medo e se “retiram tristes”, escondendo-se sob o manto cinzento do medo, como o jovem rico.
Seja qual for o caso, existe em todos um denominador comum: a recusa a corresponder ao amor de Deus.
Importa gravar bem este ensinamento do Evangelho. Ver claramente que não é só a rejeição radical de Deus que leva a vida ao fracasso; é também a rejeição do plano de Deus a nosso respeito, ou de algum aspecto importante do mesmo.
Cada ser humano veio ao mundo para ser o protagonista de um programa divino. Deus não nos lançou à toa na vida, mas tem um projeto para cada um de nós, que nos vai dando a conhecer – de muitos modos – com a sua graça. Depende da nossa liberdade aceitá-lo, dizendo “sim” a cada apelo divino, ou recusá-lo. Se o aceitarmos, nos encontraremos a nós mesmos, acharemos a plenitude da nossa realização. Se o recusarmos, afundaremos na frustração.
Comentando este vazio árido de uma vida frustrada, escreve poeticamente Saint-Exupéry que, num oásis do deserto africano, «junto da fonte, uma mocinha chorava, com a fronte oculta no cotovelo. Pousei-lhe docemente a mão nos cabelos e virei para mim aquele rosto. Não lhe perguntei a causa do desgosto, por saber perfeitamente que ela estava muito longe de o conhecer. A mágoa é sempre feita do tempo que corre e não formou o seu fruto” 1.

Adaptação de um trecho do livro de F.Faus, Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens.
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Ano da Misericórdia. Ao mesmo tempo que notamos o poder da graça que nos transforma, experimentamos também a força do pecado que nos condiciona – diz oPapa Francisco –. Apesar do perdão, carregamos na nossa vida as contradições que são consequência dos nossos pecados. No sacramento da Reconciliação, Deus perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados; mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A misericórdia de Deus, porém, é mais forte também do que isso. Ela torna-se indulgência do Pai que, através da Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e liberta-o de qualquer resíduo das consequências do pecado, habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor em vez de recair no pecado (Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia e a Indulgência do Jubileu, n. 22).
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sábado, 20 de fevereiro de 2016

NOVENA DO TRABALHO a São Josemaría Escrivá

Autor: Francisco Faus Autorização eclesiástica: + D. Benedito Beni dos Santos, Bispo Auxiliar de São Paulo. São Paulo, 8 de abril de 2003

PRIMEIRO DIA 
Trabalho, caminho de santidade Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá Viemos chamar de novo a atenção para o exemplo de Jesus que, durante trinta anos, permaneceu em Nazaré trabalhando, desempenhando um ofício. Nas mãos de Jesus, o trabalho, e um trabalho profissional semelhante àquele que desenvolvem milhões de homens no mundo, converte-se em tarefa divina, em trabalho redentor, em caminho de salvação.(Questões atuais do Cristianismo, n. 55). Aí onde estão os nossos irmãos, os homens, aí onde estão as nossas aspirações, o nosso trabalho, os nossos amores, aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo. Deus nos espera cada dia: no laboratório, na sala de operações de um hospital, no quartel, na cátedra universitária, na fábrica, na oficina, no campo, no seio do lar e em todo o imenso panorama do trabalho (Homilia Amar o mundo apaixonadamente). Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que Deus Nosso Senhor me oriente no esforço de procurar trabalho, e me abençoe fazendo-me conseguir um emprego honesto, digno e estável; e que me ajude, depois, a olhar para a minha tarefa profissional como um caminho de santificação e de serviço aos outros, onde o meu Pai Deus me espera a toda a hora e me pede que imite Jesus quando trabalhava como carpinteiro em Nazaré. B- Para que Deus Nosso Senhor me ajude a olhar para a minha tarefa profissional como um caminho de santificação e de serviço aos outros, onde Ele me espera a toda a hora, e me pede, em todas as circunstâncias, que imite Jesus quando trabalhava como carpinteiro em Nazaré. Oração a São Josemaría Ó Deus, que por mediação da Santíssima Virgem Maria, concedestes inumeráveis graças a São Josemaría, sacerdote, escolhendo-o como instrumento fidelíssimo para fundar o Opus Dei, caminho de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres cotidianos do cristão, fazei que eu saiba também converter todos os momentos e circunstâncias da minha vida em ocasião de Vos amar, e de servir com alegria e com simplicidade a Igreja, o Romano Pontífice e as almas, iluminando os caminhos da terra com o resplendor da fé e do amor. Concedei-me por intercessão de São Josemaría o favor que vos peço. Assim seja. Pai Nosso, Ave-Maria, Glória. 

SEGUNDO DIA 
Trabalhar por amor a Deus Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá A dignidade do trabalho se baseia no Amor. O grande privilégio do homem é poder amar, transcendendo assim o efêmero e transitório (É Cristo que passa, n. 48). Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo (Caminho, n. 813). Na simplicidade do teu trabalho habitual, nos detalhes monótonos de cada dia, tens que descobrir o segredo – para tantos escondido – da grandeza e da novidade: o Amor (Sulco, n. 489). Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que Deus me conceda a graça de conseguir logo um trabalho, que proporcione segurança à minha família. E para que, ao mesmo tempo, Ele me ajude a compreender que o que dá valor a qualquer trabalho honesto é o amor com que o fazemos: em primeiro lugar, amor a Deus, a quem oferecemos o trabalho; e amor ao próximo, a quem queremos servir e ser úteis. B- Para que Deus me ajude a compreender que o que dá valor a qualquer trabalho honesto é o amor com que o fazemos: em primeiro lugar, amor a Deus, a quem oferecemos o trabalho; e amor ao próximo, a quem queremos servir e ser úteis. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

TERCEIRO DIA 
Trabalhar com ordem e constância Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá Como é breve a duração da nossa passagem pela terra! ... Verdadeiramente é curto o nosso tempo para amar, para dar, para desagravar. Não é justo, portanto, que o malbaratemos... Não podemos desperdiçar esta etapa do mundo que Deus confia a cada um de nós (Amigos de Deus, n. 39). Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo e, portanto, poderás dar mais glória a Deus, trabalhando mais a seu serviço (Caminho, n. 80). Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que, com o auxílio de Maria Santíssima, consiga um trabalho estável e apropriado. E que, quando - por bondade de Deus - já estiver trabalhando, saiba aproveitar o tempo como um tesouro que é; e me esmere em aprimorar a virtude da ordem, de modo que consiga fazer tudo com pontualidade, intensidade e constância, sem confusões nem atrasos, seguindo um plano bem estruturado, que me permita dedicar, de modo equilibrado, os horários convenientes a cada um dos meus deveres: vida espiritual, família, profissão e relações sociais. B- Para que, com o auxílio de Maria Santíssima, saiba aproveitar o tempo como um tesouro que é; e que me esmere em aprimorar a virtude da ordem, de modo que consiga fazer tudo com pontualidade, intensidade e constância, sem confusões nem atrasos, seguindo um plano bem estruturado, que me permita dedicar, de modo equilibrado, os horários convenientes a cada um dos meus deveres: vida espiritual, família, profissão e relações sociais. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

QUARTO DIA 
Trabalho bem acabado Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá Não podemos oferecer ao Senhor uma coisa que, dentro das pobres limitações humanas, não seja perfeita, sem mancha, realizada com atenção até nos mínimos detalhes: Deus não aceita trabalhos “marretados”. Por isso o trabalho de cada qual – essa atividade que ocupa as nossas jornadas e energias – há de ser uma oferenda digna aos olhos do Criador; numa palavra, uma tarefa acabada, impecável (Amigos de Deus, n. 55). Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que tem que ser o centro do nosso dia. Se a vivermos bem, como não havemos de continuar depois com o pensamento no Senhor, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? (Cfr. É Cristo que passa, n. 154) Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que, com o auxílio de Nossa Senhora, não demore a resolver-se o problema do meu desemprego. E para que, ao iniciar o novo trabalho, Deus me ajude a colocar todo o empenho em realizá-lo com categoria, com a maior perfeição possível, sem fazer as tarefas de qualquer maneira - convencido de que um trabalho mal feito não pode ser santificado, porque lhe falta amor, que é a condição imprescindível para que qualquer atividade humana possa ser agradável a Deus. B- Para que Deus me ajude a colocar todo o empenho em realizar o meu trabalho com categoria, com a maior perfeição possível, sem fazer as tarefas de qualquer maneira - convencido de que um trabalho mal feito não pode ser santificado, porque lhe falta amor, que é a condição imprescindível para que qualquer atividade humana possa ser agradável a Deus. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

QUINTO DIA 
Todos os trabalhos honestos são dignos Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá É hora de que todos nós, cristãos, anunciemos bem alto que o trabalho é um dom de Deus, e que não faz nenhum sentido dividir os homens em diferentes categorias, conforme os tipos de trabalho, considerando umas ocupações mais nobres do que as outras. O trabalho, todo trabalho, é testemunho da dignidade do homem (É Cristo que passa, n. 47). Diante de Deus, nenhuma ocupação é em si grande ou pequena. Tudo adquire o valor do Amor com que se realiza (Sulco, n. 487). Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que Deus me conceda a alegria de conseguir trabalho, uma tarefa em que eu possa ser útil e desenvolver as minhas capacidades. E que se, no momento, esse trabalho estiver por baixo do meu preparo e das minhas legítimas aspirações, eu não o despreze, mas – enquanto não achar um trabalho mais apropriado – o realize com toda a responsabilidade, fazendo com que tenha a categoria do trabalho que Jesus realizou na oficina de Nazaré. B- Para que se, atualmente, o meu trabalho está por baixo do meu preparo e das minhas legítimas aspirações, Deus me ajude a não desprezá-lo, mas – enquanto não achar um trabalho mais apropriado – a realizá-lo com toda a responsabilidade, fazendo com que tenha a categoria do trabalho que Jesus realizou na oficina de Nazaré. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

SEXTO DIA 
Trabalhar em companhia de Deus e com reta intenção Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá Deves manter – ao longo do dia – uma constante conversa com o Senhor, que se alimente também das próprias incidências da tua tarefa profissional (Forja, n. 745) Como cristão, deverias trazer sempre contigo o teu Crucifixo. E colocá-lo sobre a tua mesa de trabalho. E beijá-lo antes de te entregares ao descanso e ao acordar (Caminho, n. 302). Coloca na tua mesa de trabalho, no teu quarto, na tua carteira..., uma imagem de Nossa Senhora, e dirige-lhe o olhar ao começares a tua tarefa, enquanto a realizas e ao terminá-la. Ela te alcançará – garanto! – a força necessária para fazeres, da tua ocupação, um diálogo amoroso com Deus (Sulco, n. 531). Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que Deus me conceda um emprego honesto e digno, e me abra os olhos da alma para compreender que Ele está sempre ao meu lado. Que, para não perder de vista esta maravilhosa realidade, eu me esforce em ter presença de Deus durante o trabalho, servindo-me discretamente - como de um “lembrete” - de um pequeno crucifixo, de uma estampa de Nossa Senhora, da efígie de outro santo da minha devoção...; “lembretes” colocados onde eu os possa ver com freqüência, sem exibicionismo nem alarde. B- Para que Deus me faça compreender que Ele está sempre ao meu lado, enquanto estou trabalhando. E que, para não perder de vista esta maravilhosa realidade, eu me esforce em ter presença de Deus durante o trabalho, servindo-me discretamente - como de um “lembrete” - de um pequeno crucifixo, de uma estampa de Nossa Senhora, da efígie de outro santo da minha devoção...; “lembretes” colocados onde eu os possa ver com freqüência, sem exibicionismo nem alarde. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

SÉTIMO DIA 
Amadurecer nas virtudes através do trabalho Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá Tudo aquilo em que intervimos os pobrezinhos dos homens – mesmo a santidade – é um tecido de pequenas insignificâncias que, conforme a intenção com que se fazem, podem formar uma tapeçaria esplêndida de heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados (Caminho, n. 826). É toda uma trama de virtudes que se põe em jogo quando exercemos o nosso ofício com o propósito de santificá-lo: a fortaleza, para perseverarmos no trabalho, apesar das naturais dificuldades; a temperança, para superarmos o comodismo e o egoísmo; a justiça, para cumprirmos os nossos deveres para com Deus, para com a sociedade, para com a família, para com os colegas; a prudência, para sabermos em cada caso o que convém fazer e nos lançarmos à obra sem dilações... E tudo por Amor... (Amigos de Deus, n. 72) Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que, com a ajuda de Nossa Senhora, ache o trabalho que venho procurando. E que, ao meter-me em cheio nesse novo trabalho, Deus me ajude a desenvolver por meio dele as virtudes cristãs e a amadurecer espiritualmente. Que eu procure ser paciente e compreensivo, tanto com os chefes como com os colegas e subordinados, que seja simples e humilde, fugindo da vaidade e do exibicionismo, que faça tudo, em suma, com pureza de coração. B- Para que Deus me ajude a desenvolver por meio do trabalho as virtudes cristãs e a amadurecer espiritualmente. Que eu procure ser paciente e compreensivo, tanto com os chefes como com os colegas e subordinados, que seja simples e humilde, fugindo da vaidade e do exibicionismo, que faça tudo, em suma, com pureza de coração. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

OITAVO DIA 
Trabalhar é servir, ajudar os outros Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá Pensai que através dos vossos afazeres profissionais, realizados com responsabilidade, além de vos sustentardes economicamente, prestais um serviço diretíssimo ao desenvolvimento da sociedade, aliviais também as cargas dos outros e mantendes muitas obras assistenciais – em nível local e universal – em prol dos indivíduos e dos povos menos favorecidos (Amigos de Deus, n. 120) Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que Deus Nosso Senhor me conceda o trabalho que lhe peço com tanta fé. E para que infunda na minha alma o desejo de fazer do meu trabalho, não uma atividade egoísta, fechada nos meus interesses, mas um serviço aberto ao bem e à utilidade de muitos, realizado com a certeza de que esse ideal de serviço aos outros dará um novo sentido, mais elevado e alegre, à minha vida. B- Para que Deus infunda na minha alma o desejo de fazer do meu trabalho, não uma atividade egoísta, fechada nos meus interesses, mas um serviço aberto ao bem e à utilidade de muitos, realizado com a certeza de que esse ideal de serviço aos outros dará um novo sentido, mais elevado e alegre, à minha vida. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia) 

NONO DIA 
Fazer apostolado com o nosso trabalho Reflexão: Palavras de São Josemaría Escrivá O trabalho profissional é também apostolado, ocasião de entrega aos outros homens; o momento de lhes revelar Cristo e levá-los a Deus Pai (É Cristo que passa, n. 49). Faze a tua vida normal; trabalha onde estás, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem as tarefas da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando dia a dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Esse será o teu apostolado. E, sem saberes por quê, dada a tua pobre miséria, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples – à saída do trabalho, numa reunião familiar, no ônibus, ao dar um passeio em qualquer parte -, falareis de inquietações que existem na alma de todos, embora às vezes alguns não as queiram reconhecer: irão entendendo-as melhor quando começarem a procurar Deus a sério (Amigos de Deus, n. 273) Intenções [ A- para encontrar trabalho; B- para fazer um bom trabalho] A- Para que Deus, por mediação de Nossa Senhora, me faça encontrar um bom trabalho, no qual possa crescer profissionalmente e dar o melhor de mim mesmo. E que me ajude a ver, no meu ambiente profissional, um campo aberto para a realização da missão apostólica que Deus confia a todos os batizados, aproveitando as oportunidades que Ele me dá para ajudar colegas, amigos, colaboradores, clientes..., a descobrirem as maravilhas da fé cristã. B- Para que Deus me ajude a ver, no meu ambiente de trabalho, um campo aberto para a realização da missão apostólica que Deus confia a todos os batizados, aproveitando as oportunidades que Ele me dá para ajudar colegas, amigos, colaboradores, clientes..., a descobrirem as maravilhas da fé cristã. Oração a São Josemaría (como no primeiro dia)

http://www.padrefaus.org/wp-content/uploads/2011/04/novenadotrabalho.pdf

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Explicação do brasão do Ano Jubilar da Misericórdia

Católico, fique por dentro

Ano-santo-misericordia
“Que as palavras e os gestos  digam a mesma coisa”
O DESENHO símbolo do Jubileu da Misericórdia parte do Evangelho de Lucas (6,36) em que Jesus nos convida a sermos “misericordiosos como o Pai“.
O padre jesuíta Marko Rupnik preparou esta imagem trazendo uma das primeiras representações de Jesus, o Bom Pastor. Ao invés de uma ovelha nos ombros, Jesus traz uma pessoa. O Bom Pastor da humanidade carrega sobre Seus ombros o ser humano e, assim, conhecemos o mistério de Sua Encarnação e de nossa Redenção.
O olhar de Cristo
O Papa Francisco conclamou o Ano Jubilar afirmando, na bula intitulada “Rosto da Misericórdia”, que Jesus é o rosto vivo da misericórdia do Pai. Por isso, o centro da imagem é o olhar. A figura que representa Jesus carrega aos ombros uma figura alusiva a Adão e a toda humanidade. O olho esquerdo de Cristo e o direito de Adão são um só, mostrando que Deus é capaz de ver como que com nossos olhos as situações em que vivemos. E também que o homem pode ver o caminho da vida iluminado pelo olhar de Deus.
As cores
Os tons utilizados se referem ao significado milenar dado pelos artistas cristãos. O vermelho é a cor de Deus e simboliza a vida; o azul, a cor do homem, daquele que é capaz de olhar para o céu; o branco é a cor do Espírito Santo e representa a Ressurreição de Jesus; o dourado, de Adão, lembra que o homem caminha para a perfeição.
O estilo medieval foi escolhido pelo Padre Rupnik por dar ênfase na cultura simbólica, poética e metafórica. É algo que contrasta com o modelo pós-moderno que é crítico e racional.
As palavras
O lema do Ano Jubilar faz parte do desenho da mesma forma que na arte medieval as palavras e as imagens não se separam. Esta também é a proposta do Papa Francisco: que as palavras e os gestos digam a mesma coisa, que os discursos sobre a misericórdia sejam acompanhados por atitudes.
No Jubileu da Misericórdia, a principal linguagem será a simbólica. Os gestos vão transmitir a mensagem da Igreja. A figura de Jesus com o rosto rente ao de Adão, por exemplo, expressam o desejo do Papa Francisco de uma Igreja mais próxima das pessoas.

Lutero e o demônio da contestação



Em 2017 completam-se 500 anos desde que o monge apóstata Martinho Lutero afixou suas 95 Teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, início simbólico da heresia protestante, que quebrou a unidade da Cristandade.
Hoje em dia, a decadência moral e religiosa chegou a tal ponto, que até nos meios católicos já há quem fale em comemorar essa abominação. Mas não é esse, por agora, o nosso tema.
Também não pretendemos aqui insistir sobre a personalidade desse heresiarca, fautor de blasfêmias contra Nosso Senhor Jesus Cristo, contra a Igreja e o Papado, nem sobre seus incitamentos a práticas pecaminosas, nem sobre sua vida pessoal, pois era tido como bêbado, impuro, juntado com uma freira apóstata etc.
Ao leitor desejoso de inteirar-se sobre esses e outros aspectos da vida de Lutero, sugiro vivamente que leia os documentados artigos que Plinio Corrêa de Oliveira escreveu a respeito.(1)
Meu tema hoje é outro e muito específico. Trata-se de entender Lutero enquanto contestatário da autoridade do Papa e da Igreja. Desse espírito contestatário quis Plinio Corrêa de Oliveira distanciar-se explicitamente quando, em seu famoso Manifesto da Resistência, hoje mais atual do que nunca, declarou expressamente: “jamais empregaremos os recursos indignos da contestação”.(2)
A vida esclarece a História
Ficou famoso o dito de Cícero, Historia Magistra Vitae. Sim, a História é mestra da vida, pois pelo estudo da História temos elementos preciosos para interpretar muita coisa do mundo que nos cerca.
Mas também é verdade, dizia Plinio Corrêa de Oliveira, que a vida nos ensina a interpretar a História. Pois sendo a natureza humana substancialmente a mesma em todas as épocas e latitudes, com suas paixões, seus problemas e seus anseios, se compreendermos como se desenvolve a vida dos homens que caminham sob nossos olhos, teremos mais facilidade para entender os acontecimentos que se desenrolaram no passado.
Assim sendo, compreenderemos mais facilmente no que consistiu a contestação de Lutero, se entendermos os fenômenos de contestação que presenciamos durante esta nossa vida.
Para quem já vai adiantado em anos, como é o meu caso, o problema se esclarece tendo por base um conjunto de observações e análises que tive oportunidade de fazer, nos moldes da admirável escola de pensamento e estudos legada por Plinio Corrêa de Oliveira.
Entro pois diretamente no tema.
Argumentos não demovem o contestatário
 Assim como os demônios da luxúria, da inveja, da preguiça e tantos outros podem instalar-se numa alma, existe também um demônio da contestação com poderes análogos.
É de conhecimento comum que o corpo humano está sujeito a ser invadido por vários tipos de vírus que, cada um conforme sua natureza, sabem onde instalar-se — nos pulmões, no intestino, na garganta ou onde for. Assim também na alma humana, cada demônio sabe por onde entrar e onde agir. E o demônio da contestação às autoridades legítimas ― é pelo menos essa a minha observação ― costuma aninhar-se numa região muito profunda da alma, que não é alcançável por argumentos lógicos nem explicações de ordem natural.
Em outras palavras, não se queira convencer um contestatário inveterado de que ele está errado, pois os argumentos, por melhores e mais bem dados que sejam, batem contra uma muralha de proteção construída por esse demônio, que isola o contestatário e o torna infenso a qualquer argumento razoável ou de bom senso.
Um outro aspecto da contestação que é necessário ter e vista, é seu caráter obsessivo, pois a vítima como que não consegue pensar em outra coisa, nem deslindar-se da situação em que se colocou.
O pretexto: falhas e defeitos da autoridade
Mas o demônio da contestação desenvolve ainda outras atividades. Ele procura cuidadosamente, na autoridade legítima que ele quer contestar, possíveis falhas ou defeitos, que podem até ser muito reais, pois neste vale de lágrimas todos estamos sujeitos a falhas e defeitos. E tais falhas e defeitos são usados pelo contestatário como sendo a razão (de fato, são o pretexto) para contestar a própria legitimidade da autoridade.
Esse aspecto da atividade diabólica é muito insidioso, pois além de ajudar o objetante a “justificar” para si mesmo o fato de se ter tornado um contestatário, lhe dá direito de cidadania junto aos outros da mesma nação, região ou grupo em que ele se insere. Pois o contestatário sempre poderá alegar que sua posição é de zelo pelo bem e pela virtude, em face dos erros e falhas da autoridade.
Foi o que fez Lutero, atacando a venda de indulgências (real ou imaginada) por Leão X, e outras alegações do gênero, como razões para contestar em princípio a autoridade do Papa e portanto da Santa Igreja.
A frente ampla contestatária
Mas há mais. O demônio da contestação não é um ser isolado. Ele pertence a uma família de espíritos contestatários que, todos eles, possuem umas como que antenas de transmissão e recepção, por onde uns aos outros se localizam, se comunicam e se unem, com o fim de constituir uma frente ampla contestatária.
Note-se bem. Como todos os demônios do inferno, estes também estão divididos entre si e se odeiam mutuamente. Mas em face de sua finalidade contestatária, deixam de lado, põem entre parênteses, suas divergências, para melhor unir-se e fortalecer a contestação, que é sua finalidade primordial.
Lutero conseguiu alianças com numerosos príncipes alemães e boa parte do Clero, o que lhe deu uma força extraordinária para avançar contra a Roma dos Papas.
Se os impugnadores da autoridade legítima chegam a constituir uma rede suficientemente forte, os demônios da contestação podem conseguir derrubar a autoridade visada, além de, evidentemente, perderem as almas daqueles que lhes deram acolhida e se tornaram seus instrumentos. A História nos apresenta alguns casos paradigmáticos, como os da Revolução Francesa e da Revolução bolchevique.
No caso de Lutero, porém, ele não conseguiu obter seu objetivo último, que era a destruição da Igreja, porque esta tinha a seu favor a promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (Mt 16,18), e que Ele a defende mesmo nas situações mais calamitosas (como por exemplo a atual).
Pode o contestatário livrar-se do demônio da contestação?
Sem querer fazer um tratado sobre a contestação, tarefa para a qual seriam necessárias outras luzes e outros estudos, e que, em todo caso, nos levaria muito longe, é preciso entretanto dizer ainda uma palavra sobre o seguinte ponto: pode uma pessoa, na qual se aninhou o demônio da contestação, livrar-se dele? Pode essa pessoa arrepender-se de ter dado guarida a esse demônio, arrepender-se, bater no peito, expulsá-lo de si e voltar a uma situação normal? Sobretudo tendo em vista que argumentos e bom senso não são eficazes para demovê-la?
Não pretendo referir-me às vias expressas postas ao alcance dos fiéis pela Igreja, como são os exorcismos, pois esta é uma matéria muito complexa, que exige especialistas para ser tratada. Não nego que o exorcismo possa ser um meio adequado, apenas não é meu objetivo aqui tratar dele.
Meu propósito é mais singelo. Dentro das vias habituais e conhecidas da graça, pode uma pessoa livrar-se do demônio da contestação, depois de lhe ter dado guarida?
Tanto quanto consigo ver, pode. E por dois meios. O primeiro é uma ação fulminante da graça na alma, que se exerce a rogos de Nossa Senhora, e que num instante livra a vítima do demônio, e a faz como que acordar do pesadelo para a vida real.
O outro caminho, mais comum, é pavimentado pelas graças que vão sendo dadas com alguma frequência, para ir alertando a pessoa-vítima sobre a situação em que se encontra. Pois Deus não quer a morte do ímpio,“mas que se converta e viva” (Ez 33,11). Essas graças fazem com que a pessoa pergunte a si mesma: será que estou certo? Estarei no bom caminho? Eu não deveria mudar minha posição e pedir perdão? Será muito duro fazer isso, mas não está em jogo a minha salvação? São problemas de consciência que o contestatário se põe.
Se a pessoa, assim solicitada pela graça, fechar seu coração a essas perguntas, melhor se diria a essas inspirações do Espírito Santo, pouco se pode esperar de sua conversão. É o caso de Lutero, que a beata Sóror Maria Serafina Micheli viu no inferno, atormentado pelos demônios.(3)
Mas se o contestatário, pelo contrário, for obediente à voz da graça, rezar pedindo clareza, suplicar a Nossa Senhora que o conduza, renunciar a deixar-se guiar por seu egoísmo, pedir forças para fazer a imolação interior da própria vontade e o sacrifício das próprias vistas equivocadas, então tudo se pode esperar. Nossa Senhora não rejeita um coração contrito e humilhado (Sl 50,19) que sinceramente busca servi-La em todas as coisas.
Foi o que faltou a Lutero fazer. Como, pois, comemorar sua revolta?
(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

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domingo, 14 de fevereiro de 2016

A gula


A gula muitas vezes é tratada como um “pecadinho”, um pecado venial, que a maioria das vezes não é confessado, por ser identificado como um pecado comum.
Assim estimamos a Gula, e por conseqüência muitos os outros pecados que se deriva deste. São João Clímaco chega a dizer que a Gula é porta para todos os pecados, – isto é questionado por outros Santos Padres – e enumera uma lista de filhas destes pecados. O primeiro e a fornicação (Luxuria), segundo a dureza de coração, e ai vão, maus pensamentos, preguiça, fofoca, familiaridade excessiva (famoso abelhudo), vontade de fazer rir, brincadeira jocosidade, contestação, obstinação, desobediência, soberba, etc.
Gula não necessariamente significa comer demais, existem dois tipos de gula, que são nomeadas como Gastrimargia e Laimargia. Margia que dizer em grego loucura, gastri estomago, portando a Gastrimargia é a loucura do estomago, que se dá no consumir o alimento se preocupando com a quantidade. Enquanto a Laimargia quer dizer loucura da boca, que se dá em consumir o alimento só se preocupando com o saborear.
Portanto a Gula é uma atitude doentia diante da comida, mesmo que se coma pouco. Para ser mais claro, a gula é toda vez que se aproximamos do alimento esquecendo que este é dom de Deus para nossa vida. 
Santo Agostinho usa uma comparação, dizendo que muitas vezes somos como uma noiva que ganha um presente (um anel de brilhante) do seu noivo, se apaixona pelo presente e esquece-se do noivo.
Vivemos uma paixão intensa pelo alimento que temos, e deixamos de perceber que o alimento é um Sacramento de Amor de Deus para nós. E nem se quer agradecemos, e quando agradecemos dizemos “Obrigado Senhor pelo alimento de hoje.” E deixamos Deus de lado como se tivéssemos cumprindo um quesito. Não é por ai! A refeição tem que ser ação de graças e a oração tem que ser constante durante toda a refeição de forma contemplativa, apreciando em cada sabor o Dom de Deus.

Mas a gula está presente no homem desde sua criação. Não é fácil tomar um copo de água com uma tremenda sede, e antes olhar para ele e dizer “Como Deus é bom, está na água que mata a minha sede” e enxergar na água o sacramento do Amor Divino. Tomamos água com tanta voracidade, que é como se fosse encontrar a felicidade no fundo do copo, apenas saciamos um prazer do nosso corpo.
Isso não quer dizer que Deus abomina o prazer, se fosse assim não nos daria um paladar tão apurado. O paladar também é um Dom Deus, de forma que temos que usá-lo para darmos Graças ao saborear um alimento.
Na carta de São Paulo aos Filipenses capitulo 3 diz: ”Há muitos entre vós que se tornaram inimigos da cruz de Cristo... O Deus deles é o ventre”. São Paulo diz que o que acontece conosco é que vivemos para comer e não comemos para viver.
O Jejum é uma ferramenta para nós controlarmos esse espírito de consumismo pelo prazer de comer, e deve ser feito como uma prática de louvor e gratidão que abstende dos prazeres do corpo para uma real felicidade da alma. O sentido do jejum é fugir da lógica, de que a comida e fonte de alegria.
Portanto este pode ser de diversas formas, deixarem de lado comidas corriqueiras, ou comidas que despertam certos prazeres (doces, certos temperos...), não é necessário que o jejum seja total, mas sim que seja real, com um valor espiritual de contemplação.
Jejuar não é se punir ou punir o corpo, e sim quietá-lo, diante das vontades prazerosas. Quando se fala em jejum é possível ouvir os tremores e as inquietações do corpo, isto quer dizer que ainda o prazer pelo comer fala mais alto dentro de si, assim pode se dizer que está precisando do jejum.
São João Cassiano (360-435) diz: “Não devemos comer até a saciedade”, isto quer dizer que devemos levantar da mesa com um pouco de fome, este conselho espiritual hoje é confirmado pela medicina que diz que o estomago demora um certo tempo para enviar a mensagem de saciedade para o nosso cérebro. Por este atrasado de informação, na hora que pensamos que estamos saciados, quer dizer que já estávamos saciados há certo tempo atrás, e logo em seguida vem o sentido de estarmos empanturrados.
temperança que é elencada como a virtude para a gula, deve ser preservada conosco, pois ela permite que controlemos no limite de saciedade. E nos coloca de acordo com o verdadeiro sentido da alimentação e bem estar: o comer pela utilidade e não pelo prazer proporcionado. Escolher os alimentos de acordo com seus valores nutritivos e não pelo prazer. O alimento deve ser meio e não finalidade.
A finalidade de comer é a nutrição, mas gera uma conseqüência agradável que é o prazer e a saciedade. Na Gula há uma inversão onde a conseqüência se torna finalidade e vice-versa. O prazer e a saciedade é a primeira busca e por conseqüência vem à nutrição, e muitas vezes não.
E este mal também é encontrado na sexualidade do mundo atual.
Outro contemplativo da alimentação é verificar a historicidade do alimento que está à mesa. Antes de chegar até a mesa, ele teve que passar por ricos processos, alguém o plantou alguém o colheu. Quanto tempo ela passou num descanso? Quanto tempo ele percorreu para chegar até a mesa? Quanto tempo ele demorou a ser preparado? Quantas pessoas tiveram acesso a ele? Quantas histórias ele fez parte? E por ai vai.
E finalizo ressaltando: o alimento é fonte do Amor de Deus! Contemple Deus na alimentação.

Subsidio oficial elaborado por Rafael Costa para o Seminário sobre os pecados capitais realizado em Março de 2010.

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