terça-feira, 2 de abril de 2013

As perseguições que os Santos sofreram


“Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem
falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.” (Mt 5,11)
São Raimundo de Peñafort:
“Se todos os que querem viver

piedosamente em Cristo devem sofrer perseguições, conforme
disse, com absoluta verdade o pregador da verdade, ninguém, a
meu ver, delas está excluído, a não ser quem negligencia ou não
sabe viver “sóbria, justa e piamente”.

 Quanto a vós, não permita Deus sejais contados entre aqueles que têm casas
pacatas, seguras, sem que a mão do Senhor esteja sobre eles; e que
passam satisfeitos seus dias e de repente descem aos
infernos… Exteriormente a espada se duplica e triplica quando
sem motivo se levanta uma perseguição ECLESIÁSTICA, acerca
de assuntos espirituais, em que são mais dolorosas as feridas porque vindas de
amigos” (De uma Carta de São Raimundo, presbítero).

 Santo Antônio Maria Zacaria: Quanto aos que nos combatem,
pior para eles, mas para nós são um bem, aumentam as
coroas da eterna glória, provocam sobre si a cólera de Deus;
devemos sentir antes compaixão por eles, e amá-los em vez
de detestá-los e de odiá-los. E mais, rezar por eles, não nos
deixamos vencer pelo mal, mas vencer o mal pelo bem e
ajuntar atos de piedade, “quais carvões” acesos de caridade
“sobre suas cabeças”, como nosso Apóstolo ensina; desta
maneira, provando nossa paciência e mansidão, convertam-se a melhores
sentimentos e se inflamem do amor de Deus
” (Do Sermão de Santo AntônioMaria Zacaria, presbítero, a seus confrades).

São João Bosco escreveu o seguinte diante das perseguições do Arcebispo Dom
Lourenço Gastaldi contra ele:
…Uma vez que estou
submetendo a pobre Sociedade Salesiana a esta
humilhação, pelo menos as coisas durassem! Mas receio
muito. Vai-se propalando que D. Bosco foi condenado, que
o Pe. Bonetti não irá mais a Chieri, etc. “De toda a maneira
agi com seriedade, e conservando silêncio vou para a
frente…
” (Carta ao Cardeal Nina, Turim, 18 de julho de 1882).

… As coisas com o Arcebispo sofrem diariamente

alternativas. Hoje é tudo paz, amanhã tudo é guerra e eu aceito tudo e assim
iremos para frente…
” (Carta ao Pe. Dalmazzo, Turim, 29 de julho de 1882).

Santa Teresa D’Ávila escreveu o seguinte à Madre Maria de São José:
Digo a
vossa reverência que está acontecendo uma coisa aqui na
Encarnação que creio não ter visto outra igual. Por ordem
do Tostado, veio o PROVINCIAL dos Calçados fazer a
ELEIÇÃO, há quinze dias, e trazia grandes censuras e
EXCOMUNHÕES para as que VOTASSEM em MIM. E apesar
de tudo isso, elas pouco se importaram e, como se não lhes
tivessem dito nada, votaram em mim cinqüenta e cinco
monjas, e a cada voto que entregavam ao PROVINCIAL, ele
as EXCOMUNGAVA e AMALDIÇOAVA, e com o PUNHO
SOCAVA os VOTOS, AMASSAVA os papéis e os QUEIMAVA. E deixou-as
EXCOMUNGADAS, fazem hoje quinze dias, e sem ouvir missa nem entrar no
coro, mesmo quando não recita o ofício divino, e que ninguém FALE com elas,
nem os CONFESSORES nem os seus próprios pais. (…) Não sei onde isto vai
parar
” (Carta de 22 de outubro de 1577, Obras Completas).

O Núncio Apostólico, chamado
Sega,
chamou Santa Teresa D’Ávila de “mulher
irrequieta e andarilha, desobediente e contumaz
” (Obras Completas), e dizia que
os mosteiros que ela fez era
sem a licença do Papa e do Geral (Obras Completas).
Era tal o clima de animadversão contra ela (Santa Teresa D’Ávila) que, quando
quis fundar o convento de São José, tanto o clero como outras ordens
religiosas começaram a atacá-la violentamente: “Padres, freiras e frades” —
escreve Marcelle Auclair na sua biografia à Santa — “sentiam-se ameaçados no
seu pão de cada dia, pois os tempos eram de carestia e pobreza crescentes. Já
não havia em Ávila conventos demais para repartir entre eles as parcas
esmolas? Na igreja de Santo Tomás, um pregador, referindo-se a Teresa
durante um sermão, pôs-se a trovejar contra certas religiosas que “saem dos
seus mosteiros e, sob pretexto de fundar novas ordens, procuram somente
conseguir privilégios”, e acrescentou “outras palavras tão pesadas que a sua
irmã, Dona Juana, se ruborizou com a afronta e quis retirar-se”. E isto não foi
mais que um episódio no conjunto de sofrimentos e contradições —
“FACADAS”, como as chamava a Santa — que acompanharam toda a vida de
Teresa de Ávila
” (José Miguel Cejas, Os Santos, pedras de escândalo).

 São João da Cruz, em meados de dezembro de 1576, com os olhos vendados, foi
levado a um convento em Toledo…
Lá foi julgado e
declarado rebelde e contumaz…
condenaram-no primeiro a
um cárcere conventual e mais tarde a outro que se criou
especialmente para ele:
um antigo banheiro de dois metros
de largura por três de comprimento, sem janelas, escavado
na parede, que tinha por único mobiliário umas tábuas e
duas mantas velhas
. Nesse lugar desumano suportou o
rigoroso frio do inverno toledano e o calor do verão. Santa
Teresa escreve o seguinte sobre essa prisão: “
Durante nove
meses, esteve num carcerezinho onde, apesar de ser tão pequeno, não cabia
bem, e durante esse tempo não mudou a túnica, embora estivesse à beira da
morte
” (Carta ao Pe. Jerônimo Gracián, de 21-08-1578, em Obras Completas).

 Santa Micaela, Fundadora das Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade,
teve que enfrentar a hostilidade de quase todo o
clero de Madri. Ela escreve: Como
o clero, em geral desaprovava a minha obra, e estes eram
os de mais fama pela sua piedade e posição, isso não só
me prejudicava diante das pessoas de fora, como também
me deixava confusa e me feria o coração do modo mais
cruel; na verdade, fazia-me passar as horas ao pé do altar,
desfeita em pranto: — “Senhor, se não Te sirvo a Ti, a
quem sirvo numa vida tão amarga e cheia de contínuos
sacrifícios?” — “É a Mim que me serves, sim, a Mim!” —
sentia no fundo da minha alma, como um bálsamo que
curava a minha dor
” (cit. por Barrios Moneo, Mujer audaz, pág 231).
Essa hostilidade contra Santa Micaela manifestou-se de muitas maneiras e chegou
até à agressão física: certa vez, um
sacerdote chegou a esbofeteá-la. Esse fato
aconteceu nos primeiros dias de agosto de 1849, como relata uma testemunha
presencial. A Santa insistia com o padre em que confessasse uma enferma, ao que
o sacerdote se negou, contra atacando-a:
 — “Tudo isto acontece porque não há quem domine a senhora”.
— “Domine-me o senhor, se quiser” — respondeu-lhe a Santa.
Então o sacerdote deu-lhe uma bofetada, e a Santa, após tê-la recebido, disselhe
em voz suave:
— “Agora o senhor está satisfeito?”
— “Sim, senhora”.
— “Pois eu também estou satisfeita; agora, senhor, confesse a menina
” (cit. por
Barrios Moneo, Mujer audaz, pág. 232).
Esse mesmo sacerdote não cessou de insultá-la em público durante anos a fio.
Dizia ele: “
A quem quereis seguir” — perguntou um dia às alunas da instituição
dirigida pela Santa: “
a essas religiosas, umas santas que se desvivem por vós,
ou à viscondessa de Jorbalán, que é um membro PODRE da sociedade?
” (ibid).
De que acusavam Santa Micaela? Das coisas mais estapafúrdias: diziam que saía
todas as noites, disfarçada, para dançar, e que comungava diariamente! Sabiam até
a cor do vestido que usava. Outro sacerdote dizia que a Santa prostituía as moças
que tinha sob os seus cuidados (ibid).
As calúnias demoraram em ser esquecidas, e o ambiente de animadversão que se
criou contra a Santa não só a acompanhou praticamente durante toda a vida, como
se fez presente até mesmo durante o seu processo de beatificação. Influenciou o
próprio Papa Bento XV, que esteve a ponto de mandar retirar a causa.
São João Crisóstomo que foi perseguido pelo Patriarca
(Arcebispo) Teófilo de
Alexandria, Egito, escreve:
Não quero mencionar os fatos de
que alguns, só para conseguir o cargo de chefe da Igreja,
cometeram até assassínios dentro das comunidades e
devastaram cidades inteiras
” (O Sacerdócio, Livro III, 10), e:
“…o sacerdote deve temer mais os que lhe estão
próximos, inclusive os colegas de cargo”
(ibid, 14).
Tudo indica que o incendiário é o Patriarca
(Arcebispo)
Teófilo de Alexandria, terrível perseguidor de São João
Crisóstomo e amigo íntimo da Imperatriz Eudóxia
(nova Jezabel).

Existem
centenas de exemplos, porém citei apenas sete.

Caso queira conhecer as perseguições do clero contra algumas pessoas piedosas, leia os livros:
Os Santos, pedras de escândalo, de José Miguel Cejas, e João Crisóstomo, Vida e martírio, de Félix
Arrarás.

Fonte:
www.filhosdapaixao.org.br

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