sexta-feira, 21 de abril de 2017

Desafio da Baleia Azul: mais um fruto podre colhido pela cultura da morte


Assim como as árvores sem raízes, as pessoas sem identidade podem ser derrubadas com bem menos esforço

A “cultura da morte” é denunciada com ênfase e força pela Igreja desde sempre, mas, sob este nome em particular, a denúncia ganhou novo impulso no pontificado de São João Paulo II.
Foi ele quem cunhou esse termo para se referir à crescente “naturalidade” com que governos e sociedades estão propondo e praticando o extermínio de seres humanos, tanto por meio de guerras assassinas que tentam se justificar com as mais hipócritas e esfarrapadas “argumentações” quanto mediante um sem-fim de absurdos apresentados sob o disfarce de “direitos humanos”, como o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido e até mesmo o infanticídio, além dos disfarces de “progresso científico” para maquiar práticas eugenistas e excludentes de todo tipo, inclusive contra pessoas com muito alto potencial de autonomia, caso das que nascem com a Síndrome de Down.
Não houve século incólume a essa “cultura”, mas o século XX, talvez pela maior facilidade de documentá-lo, foi notoriamente marcado pela sua sombra devastadora: duas guerras mundiais, uma vasta quantidade de guerras civis, os milhões de mortos pelo nazismo e pelo comunismo, genocídios contra vários povos como, por exemplo, os armênios, ucranianos, cambojanos e ruandeses, as guerrilhas e regimes ideológicos repressores tanto de esquerda quanto de direita, o terrorismo institucionalizado, as ações cada vez mais virulentas das máfias internacionais e das organizações de narcotráfico… e um longo etcétera, já que a lista é assustadoramente ampla.
Formas mais “sutis” da cultura da morte, se é que pode haver sutileza em matar pessoas, penetraram nos ambientes acadêmicos para defender uma alegada “relatividade” da vida humana ao sabor das conveniências do egoísmo adulto.
Entre outros frutos podres que a sociedade colhe das próprias sementes, surgiu agora mais uma pavorosa ameaça, que leva adolescentes e jovens a flertarem com o suicídio disfarçado de “jogo”: o fenômeno conhecido como o “desafio da baleia azul“.
Trata-se de um suposto “jogo” em que os participantes, admitidos em grupos secretos espalhados pelas redes sociais, devem realizar uma série de “tarefas” impostas pelos autodenominados “curadores” de cada grupo: os desafios variam de atos de automutilação até o suicídio como tarefa (obviamente) derradeira. Por mais absurdo que soe, já são muitos os adolescentes e jovens de todos os continentes que se viram envolvidos nessa armadilha quase sem volta – já que os “curadores” passam a fazer ameaças contra a família dos jovens que tentam sair desses grupos de horror.
Conforme notava Durkheim, a erosão das estruturas primárias da sociedade, em especial a família, tornam o suicídio corriqueiro, normal e, agora, “lúdico”.
Não é casual que a família natural tem sido o alvo predileto de uma vasta e arraigada guerra ideológica determinada a relativizar este conceito e seu conteúdo ao extremo.
Assim como as árvores sem raízes, as pessoas sem identidade podem ser derrubadas com bem menos esforço.

A propósito desse diabólico desafio da “baleia azul”, não deixe de conferir as reflexões do bispo brasileiro dom Leomar Brustolin, auxiliar de Porto Alegre, RS. Seus comentários podem ser acessados neste artigo.

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