PRUDÊNCIA: MAIS INDECISÕES

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MAIS INDECISÕES

A negligência

            Santo Tomás, ao tratar sobre a prudência, na Suma Teológica, dedica alguns capítulos (“artigos”) à negligência.
«A negligência – diz – implica a falta da solicitude devida… Procede de um certo relaxamento da vontade, que faz com que não se estimule o raciocínio para que dele surja a determinação de fazer o que se deve e do modo devido»[1].
“Solicitude” significa zelo, empenho por atingir um objetivo. Para isso, é preciso que haja um querer, um ideal que aqueça a alma e a mantenha desperta.  O negligente não tem nada disso, nem metas de superação nem verdadeiros ideais. Só pensa com imediatismo, só fala em lugares comuns, só comenta festas, campeonatos, jogos, aventuras efêmeras, experiências etílicas e “viagens”.
Em suma, a negligência identifica-se com a frivolidade, um dos grandes inimigos da prudência. É um defeito característico das pessoas vazias por dentro: caprichosas, inconstantes de pensamento e de caráter, passivas, avoadas, volúveis, distraídas… Têm a consistência de uma bolha de sabão, embora apresentem às vezes, como a bolha, brilhos irisados.
São Josemaria alerta vigorosamente contra essa perigosa imprudência: «Não caias nessa doença do caráter que tem por sintomas a falta de firmeza para tudo, a leviandade no agir e no dizer, o estouvamento…, a frivolidade, numa palavra. – Essa frivolidade, que – não o esqueças – torna os teus planos de cada dia tão vazios (“tão cheios de vazio”), se não reages a tempo – não amanhã; agora! – fará da tua vida um boneco de trapos morto e inútil (Caminho, n. 17).
E, quando se trata da vida espiritual cristã, o mesmo santo faz um diagnóstico preciso, sobre o qual você fará bem de se examinar ponto por ponto: «És tíbio se fazes preguiçosamente e de má vontade as coisas que se referem ao Senhor; se procuras com cálculo ou “manha” o modo de diminuir os teus deveres; se só pensas em ti e na tua comodidade; se as tuas conversas são ociosas e vãs; se não aborreces o pecado venial; se ages por motivos humanos [sem pensar em Deus]» (Caminho, n. 331)

O vício de protelar 
Há pessoas que padecem de um tipo especializado de negligência: postergar tudo o máximo possível. Não sei se o fazem de propósito ou como efeito da compulsão de sua irresponsabilidade.
Chegam esbaforidos ao aeroporto e apanham o avião na última chamada, ou simplesmente o perdem. Atrasam renovar a carteira de motorista, com risco de apanhar a correspondente multa ou sanção. A mesma coisa com o passaporte. Perdem outros prazos, com   consequências jurídicas e monetárias lamentáveis. E se afobam quando já não dá tempo..
É importante compreender que a verdadeira prudência exige  decisões prontas.
Santo Tomás, reportando-se a Aristóteles afirma: «É preciso deliberar calmamente, mas pôr prontamente em ação aquilo que antes foi deliberado e julgado»[2].
Façamos um balanço. Quantos bons projetos e propósitos nossos acabaram inutilizados, mofando no quarto de despejo da vida, por falta de prontidão, porque “chegamos tarde”. Fomos adiando-os, sem razões de peso e com pesada leviandade, e depois ficamos chorando a frustração daquilo que poderíamos e deveríamos ter feito. Quantas páginas da nossa vida ficaram em branco, e nos sussurram no fundo da consciência aquelas palavras de Cristo: Servidor mau e preguiçoso, devias… (Mt 25, 27).
«A prudência exige habitualmente uma determinação pronta e oportuna – ouçamos de novo São Josemaria −. Se algumas vezes é prudente adiar a decisão até que se completem todos os elementos de juízo, outras seria uma grande imprudência não começar a pôr em prática, quanto antes, aquilo que vemos ser necessário fazer, especialmente quando está em jogo o bem dos outros»[3].

[1] Suma Teológica., II-II, q. 54, a. 1-3
[2] Suma Terológica, II-II, q.47, a. 9, c
[3] Amigos de Deus, n. 86

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