O DEVER COTIDIANO

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Ponto de luz«Queres de verdade ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes» (Caminho, n. 815).

Faz o que deves

O que é para nós o “dever”? Penso que todos responderíamos falando dos nossos deveres familiares, profissionais, cívicos, etc. Com um olhar mais sobrenatural, diríamos que cada dever é para nós uma manifestação da vontade de Deus.

Todos sabemos, por exemplo, que Deus nos pede e é dever nosso:

– Sustentar a família e educar os filhos
– Trabalhar seriamente na nossa profissão
– Cumprir os deveres de um cidadão responsável
– Cumprir os deveres religiosos
– Cumprir os compromissos assumidos

Cada um desses deveres é como um recinto, que pode estar ”fechado” ou “aberto”. Pode ser como um quarto escuro com as janelas trancadas, onde não entra a luz de Deus, ou como uma sala com janelões escancarados, que se abrem para o horizonte da santidade.

Janelas fechadas e abertas

Vejamos alguns exemplos.

  • Deveres para com os filhos
– janela fechada: Achar que está tudo bem se eu digo: «Eu cumpro o meu dever, porque procuro garantir aos filhos casa, comida, saúde, educação e, dentro das possibilidades, conforto».

– janela aberta: Não basta criar filhos sadios e aptos para o trabalho. Eu devo criar «homens e mulheres de bem» que não sejam engolidos pelo ambiente geral, que tenham virtudes, que se tornem bons filhos de Deus, que aprendam a viver fora da «bolha» do egoísmo e do prazer, que saibam avançar, fazendo o bem, rumo aos bens eternos.

  • Deveres profissionais

– janela fechada: «Eu acho que trabalho com seriedade, eficiência e responsabilidade, o melhor possível. Não poupo esforços».
– janela aberta: Será que tenho uma consciência clara de quais são os meus deveres éticos no trabalho: o que é lícito e o que é errado? Mantenho sempre o maior respeito e caridade cristã para com os colegas, clientes, colaboradores, sem distinguir entre os importantes e os humildes? Encaro a minha profissão sob o prisma do meu interesse ou com visão cristã de serviço ao próximo e à sociedade? Tenho a preocupação de aproximar de Deus aqueles que trabalham comigo?

  • Deveres religiosos

Não vou repetir o que já disse. Dê uma olhada rápida ao capítulo anterior, lá onde se fala de católicos relaxados, praticantes e “vocacionados”, e aplique-o à sua vida. Não lhe custará muito descobrir quais são as janelas da sua alma que estão fechadas e as que estão abertas.

Há deveres que enganam

Há deveres que enganam, porque têm cara de bons, mas são contrários à vontade de Deus.

Podemos pensar em três tipos de deveres enganosos, que usamos como desculpa para não cumprir outros deveres mais importantes:

  • Os deveres-escudo

São aqueles que nos servem de defesa para deixar de lado outros deveres maiores com a consciência tranquila. Muitos têm, por exemplo, a doença da «profissionalite», própria do workaholic: hipertrofiam as obrigações do trabalho profissional para esquivar e até abandonar deveres religiosos e deveres familiares (com a esposa, com o marido, com os filhos, com os pais anciãos), que nunca se deveriam deixar de lado.

  • Os deveres enterrados

São deveres sobre os quais, de vez em quando, a nossa consciência nos acusa: «Eu sei que deveria fazer isso, já atrasei demais», mas temos preguiça até de pensar neles. Desculpamo-nos, dizendo: «não são urgentes, qualquer dia eu faço», e todos sabemos que esse «qualquer dia» significa nunca.

  • Os deveres enferrujados

São os deveres suportados de má vontade e apenas “liquidados”. Caímos, então, na figura do «mau burocrata», que faz  o mínimo necessário para não criar problemas para si (não ser dispensado do trabalho, não ter que enfrentar uma discussão conjugal).

Procure levar a sério a vontade de Deus, e pergunte-se como está o seu arquivo morto de deveres ignorados. Entre a fundo nesse exame. Se consegue fazer uma listinha, verá como lhe faz bem.

Trecho do livro Deus na vida cotidiana, Cultor 2019

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