Origem e sentido da Bênção de Santo Antônio


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Nossos termos “abençoar” e “bendizer”, dos quais deriva o substantivo “bênção”, originam-se do Latim “benedicere”. Este verbo composto é formado dos radicais bene e dicere, que significam “dizer bem”.

A palavra bênção, com os verbos “abençoar”, “benzer”e “bendizer”, expressa, em sua própria essência, uma atitude religiosa, uma relação entre o homem e o sobrenatural. Mostram um vínculo de reciprocidade entre o humano e o divino. É a divindade que concede os seus dons e dádivas (suas bênçãos) e o homem que pede as bênçãos e bendiz e agradece ao recebê-las.

Por isso, vale dizer que o sentido mais amplo de bênção é “invocar a divindade, a sua proteção sobre as pessoas e sobre as realidades humanas”. E, ao receber essa proteção e seus benefícios o homem bendiz e louva.

Vale também lembrar, aqui, o fato de que a procura de bênçãos, ultimamente, foi de novo revalorizada. Inclusive, em manifestações supersticiosas e deturpadas. Mas, seja como for, o importante que se pode notar, é que o sentido da bênção foi redescoberto, tanto pelo povo como pela própria Igreja.

Origem da Bênção de Santo Antônio
Existem muito poucas pesquisas sobre a origem desta bênção. E nenhuma pesquisa séria mais recente. Até hoje, a mais citada é a dos Bolandistas. E mesmo esta é baseada numa lenda. Eles a contam assim:

“Havia em Portugal, no reinado do rei Diniz, uma pessoa atormentada por vexações diabólicas. O inimigo da nossa salvação aparecia-lhe sempre sob a forma de Jesus Cristo e ordenava-lhe que se atirasse ao Rio Tejo, para obter a remissão dos seus pecados e a recompensa celestial. A infeliz, enganada pelas mentiras de Satanás, decidiu um dia afogar-se. No caminho, encontrou uma capela franciscana e ali entrou. Ajoelhou-se diante do altar de Santo Antônio de Pádua, suplicou ao Santo para ajudá-la a salvar a alma. Depois, amedrontada com a perspectiva do gênero de morte que lhe estava reservado e bastante fatigada, adormeceu.

Durante o sono, Santo Antônio lhe apareceu, afastou-a do funesto projeto e deu-lhe um pergaminho, dizendo-lhe para o trazer sempre consigo. Ao acordar, achou suspensa no pescoço a folha preciosa, onde se liam algumas linhas, chamadas depois “Breve ou Carta de Santo António”. Imediatamente se fez sentir a eficácia do remédio celeste: a obsessão de Satanás desapareceu imediatamente.

O rei de Portugal, tendo tomado conhecimento do milagre, quis ver o maravilhoso escrito e mandou buscá-lo. Desde que se viu privada do seu tesouro, a pessoa recaiu no poder do demônio. Levaram-lhe uma cópia exata do Breve milagroso. Recebeu-a com confiança, trazendo-a dia e noite consigo. No mesmo instante, recobrou a paz e ficou livre de tais tentações. O rei conservou o original entre as relíquias da coroa.

O Breve ou Bênção de Santo Antônio

O “Breve”, tradicionalmente, vem impresso numa cruz. De um lado está o texto da bênção e, do outro lado, uma figura de Santo Antônio.

O texto da bênção é este: “Ecce crucem Domini; fugite, partes adversae! Vixit Leo de tribu Juda. Radix David. Alleluia! Alleluia!

Geralmente, a tradução vem, mais ou menos, nestes termos: “Eis aqui a cruz do Senhor; fugi, potências Inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi. Aleluia! Aleluia!”

Esta bênção é dada, em muitas igrejas de Santo Antônio, às terças-feiras. Os fiéis, devotos do Santo, têm muita fé na eficácia desta bênção. Procuram recebê-la todas as terças-feiras!

A raiz bíblica desta bênção

A Bênção de Santo Antônio (ou “Breve-) é tirada, em sua parte central, do Livro do Apocalipse (Ap 5.5). Isso já lhe dá logo um valor especial. Mesmo que a sua origem esteja envolvida em elementos lendários, ela tem, no entanto, um valor garantido por suas raizes bíblicas.

O texto do Livro do Apocalipse refere-se à vitória do Cordeiro sobre Satanás e a força do mundo. Essa raiz bíblico-cristológica lhe dá o sentido bem característico de uma bênção do Novo Testamento. E assim lhe assegura a garantia de uma bênção legítima e um valor inquestionável.

Se isso não bastasse para legitimá-la, pode-se ainda invocar a sua longa tradição de uso constante em muitas igrejas. Esse fato também lhe dá um direito de legitimidade adquirida.

Como entender hoje esta bênção

A Igreja sempre estimulou o uso das bênçãos autênticas e legítimas. Elas, em última análise, são uma forma de “exorcismo” positivo, como remédio contra o mal. Vale aqui lembrar que a melhor forma de combater o mal não é ir contra ele, diretamente, mas cultivar o bem. Onde o bem entra, e se toma uma realidade, o mal é, “ipso facto”, eliminado.

Outro fato, que convém aqui lembrar, é que o povo simples dá muito valor às bênçãos. E se não encontra as bênçãos boas na Igreja Católica, vai procurá-las em outros lugares, onde encontrará as fórmulas supersticiosas e deturpadas. E pode até ser levado a seguir falsas religiões manipuladas por exploradores, com suas “tendas de bênçãos e milagres”.

Portanto, usar e popularizar a boa bênção pode ser até uma ocasião para se fazer evangelização. São pequenas oportunidades, mas preciosas, para se conscientizar o Povo de Deus sobre valores genuinamente cristãos. E, por meio das bênçãos, pode-se conduzir este mesmo povo a amar “o Pai das luzes, de quem nos vem toda dádiva boa e todo dom perfeito” (Tg 1,17).

A Bênção de Santo Antônio, além de ter um longo valor histórico, é uma bênção de raízes bíblicas. Tem, portanto, os seus direitos de legitimidade. E, se Santo Antônio é “o Santo mais querido do povo brasileiro”, a sua bênção tem uma significação muito grande para este povo tão sofrido!

Mas vale a pena lembrar que, por meio dela, há um grande caminho aberto para uma evangelização desses devotos. Pode-se aproveitá-la para invocar os dons e dádivas boas do Pai das Luzes e levar esses devotos a imitar as virtudes do “Grande Santo Antônio”, que é o “Doutor Evangélico”. E, assim, pode-se criar nos fiéis também o mesmo amor ao Evangelho de Jesus Cristo, que Santo Antônio viveu tão profundamente e anunciou com tanta eloquência aos seus ouvintes.

Esta bênção é uma grande porta aberta para a descoberta e a vivência de muitos e grandes valores da fé cristã! Vale a pena aproveitá-la bem!

http://conventosantoantonio.org.br/origem-e-sentido-da-bencao-de-santo-antonio.html

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