terça-feira, 14 de maio de 2013

Aprenda com os outros – Os cinco maiores arrependimentos à beira da morte

Tinha consciência de que aquilo que foi ouvindo de uns e de outros ao longo de alguns anos era muito mais do que meros desabafos, mas ela estava, sim, diante de sentimentos profundos, de dores que machucavam, de vidas não vividas.

Para que o livro não se tornasse apenas um amontoado de depoimentos, organizou-os em grandes grupos, aos quais denominou “Os cinco maiores arrependimentos à beira da morte”. São eles:

1º – “Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse”.
Segundo Ware, esse foi o arrependimento mais comum.
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Diante da proximidade da morte, muitos olhavam para trás e tomavam consciência do que gostariam de ter feito e não fizeram, preocupados sempre com imposições externas ou com o desejo de querer agradar. Em outras palavras, poderiam escolher para a lápide de sua sepultura a frase: “A vida que poderia ter sido e não foi”.
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2º – “Eu gostaria de não ter trabalhado tanto”. Essa afirmação nascia especialmente da boca de homens que tinham passado a vida envolvidos pelo trabalho, pela luta para aumentar seu patrimônio ou para serem sempre mais famosos.
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Percebiam, de repente, que não haviam acompanhado a infância e a juventude seus filhos, que a família tinha ficado sempre em segundo plano, embora procurassem se convencer, enquanto estavam em sua roda viva, que era para a esposa e os filhos que tudo faziam.
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3º - Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos”. Alguns se arrependiam por não terem sido capazes de expressar seu amor e seu carinho ou por não terem sido capazes de fazer elogios a quem os merecia.
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Outros guardavam ressentimentos antigos, fazendo de seu coração um “freezer”, onde sua amargura estava congelada, sempre pronta a se manifestar. Agora, se perguntavam: “Para quê? De que adiantou isso?”
4º - Eu gostaria de ter tido mais tempo para meus amigos”. Muitos descobriram que não haviam cultivado velhas e sinceras amizades, e que não era naquela fase final da vida que iriam conseguir novos amigos.
5º - “Eu gostaria de ter-me permitido ser mais feliz”. Expresso isso com minhas palavras: o grande erro de muitas pessoas consiste em estragar a vida com mesquinharias, com insatisfações não superadas, com o fechar-se em si mesmas, num egoísmo que mata a alegria.
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Percebe-se que a autora do livro, não sei se premeditadamente, não entrou no campo espiritual, religioso. Por isso, sem pretender completar seu interessante trabalho, mas como expressão do que penso e acredito, faço duas observações baseadas na virtude da fé.
A primeira diz respeito a Santo Agostinho. Para que todos o situem no tempo, lembro que ele morreu no ano 430. Depois de uma vida atribulada em busca da verdade, escreveu os caminhos que percorreu até encontrá-la, no livro autobiográfico “Confissões”.
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Começou constatando: “Criaste-nos para ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti”.
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E concluiu: “Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova; tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora de mim. (…) Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. (…) Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e inflamei-me na tua paz.”
A segunda observação é de Jesus Cristo, e ele a apresentou sob a forma de uma pergunta:
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“De que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a própria vida?” (Mateus 16,26).
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Traduzindo isso em palavras muito pobres posso dizer: onde ficaram as vaidades de muitos, os bens que acumularam – muitas vezes de maneira não honesta–, os prazeres que dominaram suas vidas? O que fica de uma vida, além do amor semeado? Oportuno é, pois, o pensamento que bem poderia servir de título para um livro: “A vida nos é dada para procurar Deus; a morte, para encontrá-lo; e a eternidade, para possuí-lo”.

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil
Fonte: Site Arquidiocese de Campo Grande

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