Os mandamentos de Cristo

Se me amais, guardareis meus mandamentos

Este é um segundo amor que Jesus espera de nós.
A que «mandamentos» Ele se refere com essas palavras (Jo 14, 15)? Escutemos a resposta que nos dá:
  • Em primeiro lugar. O primeiro de todos mandamentos é este: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças».
Quando lemos o Evangelho, percebemos que o amor ao Pai, o amor à vontade do Pai, era a chama ardente da alma de Jesus. Eu vim lançar fogo à terra, e que quero? Oxalá já ardesse! (Lc 12, 49). Ansiava cumprir a missão salvadora dada pelo Pai.
Abá, Pai ─ pai muito querido ─, essa era a forma que Ele tinha de se dirigir a Deus, e que nos ensinou a nós, seus irmãos (Rm 8,29) [1]Pai nosso; vosso pai vê, vosso pai sabe, vosso pai cuida ─ são expressões contínuas no ensinamento de Cristo, cheias de ternura. A pessoa que não vibra de agradecimento ao pensar na grandeza dessa filiação, não sabe o que é ser cristão.
  • O segundo mandamento é este: «Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Maior do que estes não há mandamento algum» (Mc 12, 29-31).
O que Jesus manda, o que nos pede, enfim, resume-se na palavra «amar». Quer que a nossa vida, com a ajuda dEle, com a graça do Espírito Santo que nos envia, seja uma «história de amor»[2]
─ Antes de mais nada, amar a Deus como filhos muito queridos (Ef 5,1).
Esta é a «identidade» do cristão: ser filho de Deus, amar a Deus com um carinho filial, que tem por modelo o amor de Jesus pelo Pai. O Próprio Pai vos ama ─ Ele nos insiste ─, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus (Jo 16,27).
A certeza dessa filiação sobrenatural, fruto da graça do Espírito Santo na alma ─ deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1, 12) ─, enchia de gozo os primeiros cristãos.
Com que entusiasmo são João fala dela: Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos! Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus! (1 Jo 3, 1-2).
─ Ao lado do amor filial a Deus, inseparavelmente unido a ele, está o amor ao próximo. Preste atenção a um detalhe que focalizaremos a seguir: Quando Jesus fala do mandamento do amor fraterno, faz questão de dizer que não é um amor qualquer, e por isso usa duas vezes a palavra «como»:
  • Amarás a teu próximo «como» a ti mesmo (Mc 12, 31; cf. Lv 19, 18).
  • Este é o meu mandamento, amai-vos uns aos outros «como» eu vos tenho amado. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15, 12-13).
Esses dois «como» nos fazem ver claro. Por um lado, dizem-nos que o amor cristão não pode ser «autista». Não podemos viver voltados para nós mesmos, contemplando-nos constantemente num espelho, como a bruxa da Branca de Neve, e perguntando-nos: «Sou bom?». «Estou melhor?». «Estou satisfeito?». «Estou realizado?». «Sou feliz?». «Tenho sucesso?».
Para o cristão, vencer o egoísmo, viver voltado generosamente para os outros é tão fundamental, que o apóstolo são João não hesita em escrever: Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê (1 Jo 4, 20).
O que é amar o próximo? Medite a parábola do bom samaritano (Lc 10, 30-37), olhe atentamente para a vida de Jesus; fixe o olhar na sua solicitude, na sua misericórdia, na sua compreensão;  na fé que infunde, na esperança que acalenta, no amor que irradia; na sua plena dedicação a todos; na incansável ânsia de fazer o bem, de difundir a luz da verdade, de abençoar, de perdoar, de recuperar os que se tinham extraviado, de dar de comer aos que tem fome, de tratar com carinho e remediar os doentes e os pobres, de levar as almas ao arrependimento e ao  amor do Pai… ;  enfim, de ser o servidor de todos (Mc 9, 35), e dar a vida pela salvação de muitos (Mt 20, 28)..
Jamais se esqueça disso. Ao meditar, ao orar, ao comungar, olhe para Jesus nos olhos, e peça-lhe a graça de compreendê-lo e de imitá-lo: As palavras que vos tenho falado são espírito e são vida (Jo 6, 63). Eu sou o caminho… (Jo 14, 6).
Entende por que Cristo nos pede: que vos ameis «como» eu vos tenho amado?
Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018
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[1] Deus nos predestinou – diz são Paulo – a sermos conformes à imagem do seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8, 29).
[2] Cf. Bento XVI, Encíclica  Deus caritas est, n. 17

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