Do Tratado “sobre a Oração do Senhor”, de São Cipriano, bispo e mártir

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(Nn. 26-27)
(Séc. III)

Vigiai e orai
Ao diabo é concedido poder sobre nós com um duplo objetivo: dar-nos castigo, se pecarmos; a glória, se superarmos a prova. É o que aconteceu no caso de Jó; Deus disse a Satanás: Tudo o que ele tem está em teu poder; mas não estendas a tua mão contra a sua pessoa (Jó 1,12). No Evangelho, diz o Senhor, no tempo de Sua paixão: Nenhum poder terias contra mim, se não te fosse dado do alto (Jo 19,11).
Rogando para não cair em tentação, lembramo-nos de nossa fraqueza e miséria e, desse modo, não nos ensoberbamos e não assumimos posturas orgulhosas e insolentes, glorificando-nos pela nossa piedade e por nosso espírito de mortificação. Pois, ensinando-nos a humildade, diz o Senhor: Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26,41). A confissão humilde e submissa da nossa fraqueza nos faz atribuir a Deus tudo aquilo que, com amor e temor, almejamos a fim de obtê-lo da sua misericórdia.
Concluindo a oração, uma síntese brevíssima resume todos os nossos pedidos e súplicas. Dizemos em último lugar: Livrai-nos do mal (Mt 6,13), abrangendo com esta frase as adversidades que o inimigo possa maquinar contra nós neste mundo. Contra todas as suas tramas, estaremos firmes e seguros com o socorro de Deus: só Ele pode delas nos livrar, dando ouvidos às nossas súplicas. Tendo dito: Livrai-nos do mal, nada nos resta mais a pedir. Conseguida essa proteção, estamos seguros e tranquilos contra as maquinações do diabo e do mundo. Com efeito, que se poderá temer no mundo, se temos Deus por guardião?

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