sábado, 12 de janeiro de 2013

"NOSSAS AÇÕES DEMONSTRANDO AMOR A ELE"


Morte de Cruz!
Quem ama, não ama senão para ser amado; assim, diz S. Bernardo, Deus que tanto nos amou, só quer de nós o nosso amor. Dirigindo-se depois a cada um de nós, ajunta: “Homem, qualquer que seja, viste o amor que Deus te mostrou fazendo-se homem, sofrendo, morrendo por ti; quando é que Deus verá por experiência em tuas ações o teu amor a ele?”
Ah! ao ver que um Deus se quis revestir da nossa carne, levar vida tão penosa, e padecer morte tão cruel por nós, cada homem deveria arder de amor para com esse Deus tão amoroso. Oxalá romperas tu os céus, e desceras de lá! Os montes se derreteriam diante da tua face; as águas arderiam em fogo (Is 64,1). Meu Deus, exclamava o profeta antes da vinda do Messias, dignai-vos descer do céu, tomar a natureza humana e habitar entre nós! Vendo-vos os homens feito como um deles, as montanhas se derreterão, aplanar-se-ão para eles todos os obstáculos, todas as dificuldades, que os impedem de observar os vossos preceitos e os vossos conselhos; e as águas arderão em fogo: a chama que acendereis nos corações penetrará nas almas mais glaciais e as abrasará de amor por vós!
E de fato, depois da encarnação do Verbo, que belo incêndio de amor divino se viu resplandecer em tantas almas generosas! Desde que Jesus Cristo veio habitar entre nós, Deus foi certamente mais amado pelos homens num só século, do que o fora durante os quarenta séculos que precederam a sua vinda. Quantos jovens, nobres e até monarcas renunciaram às riquezas, às honras e à dignidade régia, retiraram-se ao deserto ou ao claustro, e abraçaram uma vida pobre e desprezada a fim de melhor mostrar a Deus o seu amor! Quantos mártires caminharam jubilosos e sorridentes aos tormentos e à morte! Quantas tenras virgens recusaram a mão dos grandes do mundo e derramaram seu sangue por Jesus Cristo a fim de retribuir de alguma maneira a um Deus que quis encarnar-se e morrer por seu amor!
Sim, tudo isso é verdade; mas consideremos agora o que nos deve fazer chorar. Tem-se visto igual maneira de agir em todos os homens? Têm todos procurado corresponder a esse grande amor de Jesus Cristo? Ah! a maior parte lhe pagou e ainda paga com ingratidão. E tu, meu irmão, dize-me: qual tem sido o teu reconhecimento para com um Deus, que tanto te amou? Tens-lhe sempre agradecido? tens considerado o que significam as palavras: um Deus feito homem e morto por ti?
Um homem que assistia uma vez a missa sem devoção, como fazem tantos, não fez nenhum sinal de reverência ao ou-vir dizer no fim: “E o Verbo se fez carne”. O demônio deu-lhe uma rude bofetada dizendo: “Ingrato, lembram-te que Deus se fez homem por ti, e tu nem te dignas inclinar-te? Ah! se Deus tivesse feito outro tanto por mim, eu lhe ficaria grato eterna-mente”.
Dize-me, cristão, que mais poderia Jesus Cristo fazer para merecer o teu amor? Se o Filho de Deus tivesse de salvar da morte a seu próprio Pai, que mais poderia fazer do que abaixar-se ao ponto de tomar carne humana e sacrificar sua vida para resgatá-lo? Digo mais: Se Jesus Cristo fosse um simples homem e não uma pessoa divina, e quisesse por qualquer prova de afeição obter o amor de seu Pai, poderia ele fazer mais do que fez por ti? E se um dos teus servos tivesse dado o seu sangue e sua vida por amor de ti, não te prenderia o coração e te obrigaria a amá-lo ao menos por gratidão? E porque é que Jesus Cristo, mesmo dando por ti a sua vida, não conseguiu ganhar o teu amor?
Ah! se os homens desprezam o amor divino, é porque não compreendem, digamos melhor, não querem compreender que felicidade é possuir a graça de Deus, a qual, segundo a ex-pressão do Sábio, é um tesouro infinito, e faz amigos de Deus aos que dela gozam (Eclo 7,14). Os homens estimam e procuram o favor dum príncipe, dum prelado, dum rico, dum sábio, até dum desclassificado na sociedade; e há infelizes que não fazem caso da graça de Deus: renunciam-na por uma fumaça, um prazer brutal, um pouco de terra, um capricho, um nada.
E tu, caro irmão, que dizes? queres ser também do número desses ingratos? Se Deus não te satisfaz, diz S. Agostinho, vê se podes encontrar algo que valha mais. Vai, pois, procura um príncipe mais benfazejo, um protetor, um irmão, um amigo mais amável, e quem te tenha amado mais do que Deus; pro-cura alguém que, mais do que Deus, te possa fazer feliz nesta vida e na outra.
Quem ama a Deus nenhum mal tem a temer; pois Deus assegura que não pode deixar de amar a quem o ama; e quando alguém é amado por Deus, que temor poderá ter? É assim que falava Davi: O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem pois temerei? E as irmãs de Lázaro contentaram-se em dizer ao Senhor que seu irmão estava enfermo, pensando: Jesus o ama e isso basta;Ele não podia deixar de ir em seu auxílio e curá-lo.
De outro lado como pode amar a Deus quem despreza o seu amor? Ah! resolvamos-nos uma vez a pagar com amor a um Deus que tanto nos tem amado. Peçamos-lhe sem cessar nos conceda o grande dom de seu amor. Segundo S. Francisco de Sales, é essa a graça que devemos desejar e pedir mais que toda outra graça, porque com o amor divino obtemos todos os outros bens como no-lo assegura o Sábio. Eis por que S. Agostinho dizia: “Amai e fazei o que quiserdes”. Quem ama a alguém foge de tudo que o possa desgostar e procura agradar-lhe sempre mais. Assim quem ama verdadeiramente a Deus nada faz que o possa desagradar, mas aplica-se a fazer o possível para lhe causar prazer.
Para obtermos mais depressa e mais seguramente esse precioso dom do divino amor, recorramos Àquela que mais amou a Deus, digo, à SS. Virgem Maria sua Mãe: o seu coração era tão inflamado de amor por Deus, que os demônios, no dizer de S. Bernardino de Sena, não ousavam aproximar-se dela para tentá-la. Ricardo ajunta que os próprios Serafins podiam descer do céu para aprender de Maria o modo de amar a Deus. E já que o coração de Maria era sempre todo abrasado do divino amor, continua S. Boaventura, ela comunica o mesmo fogo a todos os que a amam e dela se aproximam, tornando-os semelhantes a ela.
(Quem deseja ajuntar a estas considerações algum exemplo atinente à devoção do Menino Deus,pode escolher-se um dos que damos no fim das Meditações.)


Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo
S. AFONSO MARIA DE LIGÓRIO
Doutor da Igreja e Fundador da Congregação Redentorista
Tradução do Pe. OSCAR DAS CHAGAS AZEREDO, C.Ss.R.


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