domingo, 13 de janeiro de 2013

"VIRTUDES E SENTIMENTOS"



Uma das grandes vantagens das provas por que passamos é o fato de que elas nos libertam dos enganos da bondade sentimental. As virtudes não consistem em sentimentos, e menos ainda em sentimentalismos, mas em bons hábitos práticos, que devem ser vividos em todas as circunstâncias,
favoráveis ou adversas. “Sentir-se bom”, experimentar o gosto pelos bons sentimentos de amor e de bondade, não quer dizer “ser bom”. A bondade mede-se, não o esqueçamos, pela prática de atos de
virtude, especialmente dos atos de virtude difíceis.
Não pode ser considerada paciente uma mulher que sente os seus nervos calmos e inalterados durante umas semanas em que, por qualquer motivo, ninguém a perturba. Será paciente se souber manter-se serena e equilibrada no meio de uma chuva de contrariedades: falta de
dinheiro, os filhos que se tornaram impossíveis, o marido que acaba de perder o emprego e, coincidentemente, o preço da cesta básica que subiu... “Existem alguns – dizia São Gregório Magno, já no século VII – que querem ser humildes, mas sem serem desprezados; querem
contentar-se com o que têm, mas sem padecer necessidade; ser castos, porém sem mortificar o corpo; ser pacientes, mas sem que ninguém os injurie. Quando querem adquirir as virtudes, fugindo ao esforço que as virtudes trazem consigo, é como se, ignorando e nada querendo saber dos combates no campo de batalha, quisessem ganhar a guerra vivendo comodamente na cidade”.
Um sentimento não provado pode ser falso; e tem o perigo de induzir-nos à vaidosa autocomplacência de quem pensa: “Como sou bom!”, e se deixa invadir pelas emanações do orgulho, como um perfume enganoso destampado no coração.
A tentação, portanto, é boa. Em certo sentido, é até necessária. Santo Agostinho chega a dizer que “nesta peregrinação em que consiste agora a nossa vida, não pode deixar de haver tentações, porque o nosso melhoramento realiza-se através da tentação. Ninguém se conhece a si mesmo se não for tentado; ninguém pode ser coroado se não tiver vencido; não pode vencer se não tiver lutado; e não pode lutar a não ser tendo tido tentações e inimigo”.

Pe. Francisco Faus - O VALOR DAS DIFICULDADES

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