domingo, 13 de janeiro de 2013

PADRE PIO EM POUCAS PALAVRAS



Isto aqui não pretende ser uma biografia do Padre Pio, mas apenas um primeiro passo ao encontro deste grande santo, hoje tão popular e querido no mundo inteiro.

Nasceu em Pietrelcina, pequena aldeia perto de Nápoles (Itália), em 25 de maio de 1887, sendo batizado já na manhã seguinte, com o nome de Francesco. Seus pais Grazio Forgione e Maria Josefa de Nunzio eram humildes e trabalhadores; viviam modestamente da pequena lavoura e de umas ovelhas que tinham, num lugar próximo chamado Piana Romana. Eram bons católicos, viviam sua fé de maneira simples; foram sempre muito piedosos. Tiveram sete filhos, mas apenas cinco sobreviveram.

Francisco gostava do recreio, mas não permitia brincadeiras de mau gosto e palavrões. Aparentemente, era um menino igual aos outros. Na realidade, porém, sua vida foi cheia de carismas especiais e de estranhas experiências. Desde os cinco anos começou a ter aparições de Jesus, de Nossa Senhora e do Anjo da Guarda – um fato que ele considerava comum a todas as pessoas. Por isso ficou admirado quando perguntou ao confessor se ele também enxergava a Madonna, e esse lhe respondeu que não. Chegou a pensar que o padre dissera aquilo por humildade.

Ademais de ser abençoado com aparições celestes, Francisco teve que enfrentar o assédio implacável do demônio, que começou a molestá-lo ainda como bebê. Em todas as suas biografias encontramos que chorava muito de noite. Um choro estranho, que nada tinha a ver com problemas de saúde, e que ele próprio explicaria mais tarde: “Depois de me colocar na cama, a mãe apagava a luz, e então se aproximavam de mim muitos monstros, que me faziam chorar de medo... Uma vez, eles até tentaram matar-me!”
 Que monstros seriam esses? Figuras criadas pela imaginação? Não, porque com um ou dois anos de idade, a imaginação da criança não tem condições de criar imagens capazes de assustá-la. 
 Sentiu-se chamado ao sacerdócio já aos cinco anos. Estava rezando, sozinho na igreja, quando viu Jesus acenar-lhe, pedindo que se aproximasse, e o abençoou paternalmente.
 Este desejo de se tornar padre foi crescendo bem nutrido, ao longo dos anos, pela oração, estudo e penitência. Depois de brincar um pouco, dava um jeito de se retirar, para rezar. Aos nove anos, a mãe o encontrou dormindo no chão. E mais de uma vez o surpreendeu assentado atrás da cama, flagelando as costas com uma correntinha de ferro.  

Em 6 de janeiro de 1903, acompanhado de seu professor e mais dois candidatos, tomou o trem para Morcone, onde se encontrava o noviciado capuchinho que os iria acolher.
 Para quem ingressa na vida religiosa, o noviciado representa a etapa básica para verificar se o candidato reúne as condições exigidas por aquela ordem ou congregação. À semelhança dos atletas esportivos, ele também aprende ali técnicas e exercícios espirituais para se tornar um “atleta de Deus” e poder levar uma vida ascética sadia.

É aqui que, em 22 de janeiro de 1903, juntamente com doze confrades, recebe o hábito capuchinho, passando a chamar-se Frei Pio de Pietrelcina. Escolheu esse nome em honra de Pio V, o Santo  Padroeiro de Pietrelcina. 

Mas, eis que, a partir do final do noviciado, a saúde do jovem Frei Pio começa a emitir sinais de alarme. 
Aparecem-lhe doenças misteriosas, que os próprios médicos não conseguem entender ...
Passa de cama dias inteiros ... 
Seu estômago não tolera qualquer alimento ... 
Tem febres absurdas, que chegam a 48º. Para tomar-lhe a febre os médicos se valem de termômetros especiais, utilizados para medir a temperatura da água. 
Sua fraqueza é geral e, às vezes, não consegue manter-se de pé. 

     Consultam-se os melhores especialistas. Segundo alguns, está com tuberculose, e para evitar o perigo de contagiar os confrades, convém isolá-lo o mais possível. Segundo outros, porém, está apenas com bronquite.
 Por via das dúvidas, tanto os médicos como os superiores concordam em mandá-lo à Pietrelcina onde, aos cuidados da família e respirando ares mais puros, puderá recuperar novamente a saúde necessarária para continuar os estudos. Diante deste arranjo, Pietrelcina devia acolher o filho, quando doente e dar-lhe nova vida e os superiores, reconduzi-lo ao convento, logo que melhorasse. 
 Este processo de vai-e-vem acabou durando  uns dez anos, pois de volta ao convento, as febres altíssimas, as dores por todo o corpo se repetiam!  Uma situação anômala e estranha exisgindo novas visitas aos médicos, e levando à mesma conclusão de antes: passar mais uma temporada em sua terra natal. Simplesmente não havia lógica. 
 Era um caso que não harmonizava com a Regra da Ordem e com o Código de Direito Canônico. Uma situação difícil de resolver mesmo havendo a melhor boa vontade de ambos os lados. 
 O escritor Renzo Allegri, num de seus livros, tontou uma explicação com estas palavras: “O Padre Pio era uma pessoa especial. Viera ao mundo para cumprir a missão mais alta e sublime que se possa imaginar: ser um ‘outro Cristo’, a fim de colaborar com Ele, através do mistério do sofrimento, na redenção do mundo. Devia ser um ‘co-redentor’, como realmente o foi. Para isto o próprio Deus quis encarregar-se de educá-lo e conduzi-lo. E quis fazê-lo [...] fora dos procedimentos de uma ascese normal.
“Após tê-lo chamado ao convento, a fim de iniciá-lo nos rudimentos da vida espiritual e ascética, encontrou um jeito de o empurrar para fora e encaminhá-lo por aquelas estradas intransitáveis que reserva a certas almas eleitas. Neste sentido, pilotou habilmente situações, recorreu a doenças misteriosas, criou condições de emergência, até conseguir o que queria....”.

Apesar das difíceis circunstancias, Frei Pio não descurava seus estudos e obrigações religiosas. Fez os votos perpétuos junto com os demais do grupo, no dia 27 de janeiro de 1907. 
 Em 18 de julho de 1909, em Morcone recebeu o diaconato. Um ano depois, indo com os colegas a Benevento, superou com facilidade os exames requeridos antes da ordenação sacerdotal. Por razões de saúde sua ordenação fora antecipada de seis meses, com o compromisso, porém, de continuar seus estudos. 
 Então, aos 23 anos de idade, em 10 de agosto de 1910, foi ordenado sacerdote, na catedral de Benevento. Na tarde do mesmo dia, viajou à Pietrelcina, onde quatro dias depois celebrou sua primeira Missa solene, na presença de confrades, da mãe e muitos familiares. O pai se encontrava trabalhando na América. 
 Durante os cinco anos que se seguiram, ajudava o pároco Pannullo no que estava a seu alcance: fazia batizados, dava bênçãos, orientação espiritual aos poucos que o procuravam. Mas não podia confessar por causa da doença e por não ter concluído o curso regular de Teologia Moral.
 Esta amizade fraterna com o pároco lhe abriu as portas para contar-lhe o que acontecera em Piana Romana, em 7 de setembro de 1910. No momento em que a mãe foi à cabaninha dele para comunicar-lhe que a janta estava pronta, viu-o sair agitando nervosamente as mãos, como se acabasse de se queimar.
 – Ué! – disse-lhe em tom de brincadeira – está aprendendo a tocar violão?
 – Nada de importante, mãe – respondeu. 
 Na realidade, um fato importantíssimo. O Padre Pio acabava de receber os estigmas de Jesus, como seu fundador São Francisco. Embora aceitasse ‘morrer de dor’ pediu e Deus  os mantive invisíveis.

Outra experiência que o marcou profundamente ao final deste período foi a convocação ao serviço militar. Estava-se em plena primeira guerra mundial (1914-1918). Em novembro 1915, ele se apresentou em Benevento; com o número 2094/25 ficou incorporado na 10ª Companhia Sanitária e foi enviado como enfermeiro à Nápoles. Alí, diante da sua fragilidade e do seu pouco entusiasmo pela vida militar, o designaram para tarefas mais humildes, como sentinela, carregador e varredor. Não raro, ao fazer a faxina dos sanitários, sentia que estava sendo alvo de graçolas. 
      Viveu e viu, assim, um pouco das circunstâncias ingratas da guerra, mas, o mais duro, porém, era o fato de não poder celebrar Missa, por falta de capela no quartel. Apesar do mundo novo em que vivia, as extranhas doenças anteriores persistiam. Por isto, depois de muitos exames e vários tratamentos, em 10 de dezembro de 1915, recebeu  dispensa por um ano. 

       Temporáriamente libre do serviço militar, retira-se a um convento em Foggia, a fim de continuar o tratamento de saúde. O lugar é baixo e de clima tórrido. Intolerável para alguém com tantos problemas pulmonares... ou bronquiais como ele.
        Afortunadamente, aparece ali um colega de San Giovanni Rotondo – o padre Paulino de Casacalenda – e o convida a passar algumas semanas com ele. Trata-se de ir à uma vilazinha insignificante, porém de clima saudável – 600 metros acima do nível do mar.Padre Pio aceita. 
        Chega a San Giovanni Rotondo em 28 de julho de 1916. Mas, ao invés de algumas semanas, acaba ficando por mais de 50 anos. Sua passagem por ali é tão marcante que, em poucos anos, a pequena vila, tão insignificante que nem constava nos mapas comuns da Itália, se tornará conhecida no mundo inteiro.

Foi ali que teve lugar o fato mais estrondoso da vida do Padre Pio. Na manhã de 20 de setembro de 1918, enquanto rezava diante de um crucifixo de madeira, no coro da igreja, viu explicitar-se o que lhe fora entremostrado oito anos antes, em Piana Romana, ao receber os estigmas invisíveis. O acontecido deixa-o em pânico. Um “misterioso personagem”, com uma lança na mão, se aproximou e o golpeou no peito, nas mãos e nos pés. Cinco chagas enormes, que haveriam de verter sangue ininterruptamente, por cinqüenta anos, indiferentes a todos os curativos, e sem nunca apresentar sinal de gangrena ou infecção.
 Trata-se de um fenômeno raro na vida dos santos, e que no caso do Padre Pio “haveria de assombrar médicos crentes e ateus, desconcertar a ciência e atrair multidões de todos os quadrantes do universo, desejosas de conhecer o ‘crucificado do Gargano’” – segundo um autor.
      Curiosamente, como tudo na vida do Padre Pio, essas feridas, durante seus últimos dias de vida, foram desaparecendo; ao celebrar sua última Missa já eram inperceptíveis. Mas a série de maravilhas não termina aqui: a pele das áreas antes tomadas pelas feridas, agora se apresentava “lisa como a de um recém-nascido”, conforme o testemunham algumas fotos batidas na ocasião.

     Em San Giovanni Rotondo, ao longo de seus cinqüenta anos de permanência ali, Padre Pio não fez outra coisa que confessar – uma atividade que se tornaria sua faceta mais característica. O “prisioneiro do confessionário” passava ali, diariamente, entre 10, 12 e até 14 horas, sempre com filas enormes pela frente que, ao invés de diminuir, só faziam aumentar.
      Com o correr dos anos, essa afluência atingiu níveis estratosféricos, obrigando a agendar as confissões com antecedência de alguns dias e até de muitos. Conforme o biógrafo Karl Wagner, que testemunhou os fatos in loco, o tempo de espera variava, segundo a estação do ano, de cinco, oito e até trinta e cinco dias.
      Em conseqüência, toda a área ao redor do convento e da igreja ficava, às vezes, coalhada de barracas, onde passavam as noites os que não conseguiam lugar nas pousadas ou não cabiam dentro de seus carros. Todos aguardando pacientemente a sua vez.

     Mas onde estaria o segredo de tamanho magnetismo sobre as multidões? Em primeiro lugar, na santidade que irradiava, na bondade com que acolhia e no seu fino tato em lidar com os mais delicados problemas. Mas estava igualmente nos extraordinários carismas com que Deus o prendara e que a Teologia Mística bem conhece. 
      Mencionamos quatro:
 – Introspecção, que é a capacidade de ler o interior das pessoas: seus pensamentos, seus temores, seus pecados, até mesmo os já esquecidos. Por isso, quantas vezes, no final da confissão, surpreendia os penitentes de memória curta ou que tentavam passar um pecado sem acusá-lo, lembrando-lhes com precisão o que tinham feito e em que circunstâncias.

– Clarividência, isto é, a capacidade de prever fatos futuros ou que estão acontecendo com pessoas distantes e desconhecidas. Como: 
o sexo de um bebê que a mãe ainda tem no ventre e que ela encarregou alguém de lhe pedir uma bênção, 
ou a situação de uma pessoa desconhecida e a centenas ou milhares de quilômetros de distância. 
Ou ainda: ... de sua casa, uma pessoa lhe fazia mentalmente um pedido. Dias depois, viajava para lá e, ao se confessar, se dava conta de que o Padre estava a par não só das graças pedidas mentalmente, senão também do número de vezes que fora invocado.

– Glossolalia – o dom de falar línguas desconhecidas, sem nunca as ter estudado, como os apóstolos em Pentecostes. Padre Pio conhecia apenas o italiano – ou, mais exatamente, o dialeto napolitano – e um pouco de latim. No entanto, conseguia atender penitentes de todas as raças e cores, cada um na sua própria língua: inglês, francês, alemão, árabe, eslovaco, entre outros, e até nos dialetos mais raros da América e do Japão.

– Bilocação. Consiste em estar ao mesmo tempo em dois lugares. Graças a esse dom, Padre Pio se transformava num “padre voador”. Sem se mexer do lugar, conseguia atender gente do mundo inteiro, que o invocasse mentalmente. Sua primeira “façanha” nesta área se deu quando ele era ainda seminarista em Santo Elias em Pianisi. Durante a noite de 18 de janeiro de 1905, encontrou-se de repente no quarto de um casal, em Údine (norte da Itália) no qual o marido (maçom) estava às portas da morte, e a esposa, prestes a dar à luz. Naquele momento ouviu Nossa Senhora lhe dizer: “Este homem se salvará... e a menina que vai nascer, quero que tome conta dela, para que venha a se tornar uma pérola na minha coroa”. O desfecho desta história você o encontra no livro Padre Pio, o Santo do Terceiro Milênio, de Olivo Cesca, pp. 177-179.
      Num tempo em que muitos católicos sofriam nas prisões de países comunistas, ele, de repente, aparecia para os confortar, como aconteceu, entre muitos outros, com os cardeais Mindzensty, da Hungria; Stepinac, da Iugoslávia, e Wyszynski, da Polônia. Ao primeiro levou um cálice, possibilitando-lhe assim celebrar Missa na prisão, acolitado pelo próprio Padre Pio. De testemunhas fidedignas sabe-se que esteve também na Sibéria, na Tchecoslováquia e outros países dominados pelo comunismo.
      Vários penitentes ou amigos tiveram ocasião de presenciar o momento em que estava em bilocação. Interrompia bruscamente a conversa ou a confissão e ficava por algum tempo imóvel, como que ausente. Notavam que estava à escuta, murmurava alguma coisa, gesticulava e voltava a ficar imóvel. Por fim dava um profundo suspiro e continuava atendendo à pessoa ou às pessoas que estavam ao seu lado.

     Concomitantemente com estes favores celestes, Deus permitia que fosse molestado e até agredido com violência pelo Maligno. Suas agressões, por vezes, eram tão ferozes que o deixavam cheio de hematomas em todo o corpo e até sangrando, como se vê em dezenas de casos em suas biografias.

     Outro particular que chama atenção na vida do Padre Pio é sua atividade exterior, que sabia exercer sem sacrificar a interior. Nele, oração e trabalho se casavam sem problemas. Não obstante passar seus dias no confessionário, como vimos, conseguiu levar avante a construção de um gigantesco hospital – a famosa Casa Sollievo della Sofferenza. Com sua capacidade atual para quase dois mil leitos e equipamentos dos mais sofisticados que se conhecem, ele figura hoje entre os mais categorizados, não apenas na Europa senão também no mundo. Um verdadeiro “oásis de modernidade”.

     O hospital fora-lhe pedido por Jesus. Inicialmente devia atender às populações pobres das montanhas, que não tinham a quem recorrer em casos de doenças. Com a certeza de que Deus proveria os recursos, lançou-se à obra sem um projeto bem definido, sem um engenheiro supervisor, sem dinheiro em caixa e sem um plano de arrecadação. Apenas com algumas contribuições vindas de seus amigos.
 O ceticismo encontrado – nem podia ser de outra maneira – foi enorme. De que forma – todos se perguntavam – pretendia ele construir uma obra daquela envergadura, sem meios, numa encosta rochosa que dava medo só de olhar, a quarenta quilômetros do centro urbano mais próximo (Foggia), tendo como única via de acesso uma estradinha estrangulada entre rochas? E a água? San Giovanni Rotondo não tinha água encanada... De onde bombeá-la até aquela altura de 600 metros, para as obras da construção e, mais tarde, para o consumo diário do hospital?
 E havia mais: a quem podia interessar um hospital assim tão fora de alcance? E quantos médicos teriam coragem de deixar os confortos de suas cidades para trabalhar naquele fim de mundo?

À revelia deste ceticismo geral, o Padre Pio foi tocando adiante sua obra. E as contribuições, chegando espontaneamente do mundo inteiro, graças aos romeiros que apareciam em número cada vez maior. E graças principalmente a algumas contribuições muito vultosas.
 Iniciado em 1946, seria inaugurado dez anos depois, com a presença de centenas de bispos, do presidente do senado italiano, de numerosas personalidades do mundo da medicina, de uns trezentos jornalistas internacionais e de uns 15.000 fiéis.
 De todas as benemerências desta verdadeira “cidade hospitalar”, a maior é o seu atendimento – mais de 80.000 internações por ano – inteiramente gratuito. Inclusive o transporte dos doentes impossibilitados de se deslocar até lá. Um completo serviço de ambulâncias os busca em suas casas e os reconduz de volta depois de tratados. Em situações de mais difícil acesso, um helicóptero se encarrega de apanhá-los onde se encontram e os desembarca no heliporto construído sobre o hospital.

     O idealismo do Padre Pio não parou aqui. Desde o início deu-se conta de que esta gigantesca obra arquitetônica, esta montanha de concreto frio, precisava de uma alma que lhe transmitisse vida, calor. Uma alma que fizesse todos os sofredores – não só os do seu hospital, mas do mundo inteiro – sentirem-se irmãos, ao saberem-se amparados pelas orações de milhares de outros.

E foi por esta razão que nasceram os “Grupos de Oração”. Colocar a oração no centro de tudo sempre fora sua preocupação, que se reacendeu quando tomou conhecimento dos apelos do recém-eleito papa Pio XII. Frente ao surto de irreligião e paganismo que invadia o mundo, com o fim da segunda guerra mundial, o Papa não encontrava remédio mais eficaz que a oração. “Rezem – pedia encarecidamente –, rezem sempre mais e com maior fervor... elevem as mãos e o coração a Deus... sem oração ninguém consegue observar por muito tempo os Mandamentos e evitar o pecado grave... a oração é a chave dos tesouros de Deus, a arma de combate e de vitória em qualquer luta pelo bem e contra o mal... deve tornar-se o alimento cotidiano da alma”.
      
      Foi dentro do espírito desses apelos do Papa que nasceram os “Grupos de Oração” do Padre Pio. Em pouco tempo eles se multiplicaram na Itália, na Europa e no mundo. Basta dizer que em 1991 já eram mais de 5.000, espalhados por 40 nações, com mais de 300.000 participantes.

O Padre Pio morreu na madrugada de 23 de setembro de 1968, quando milhares de seus filhos espirituais se encontravam em San Giovanni Rotondo para celebrar o IV Congresso Internacional dos Grupos de Oração. Pouco antes de partir, tinha perguntado inocentemente ao superior da casa se o “autorizava a morrer”. E justificava o pedido, dizendo que “do céu podia fazer ainda mais”. “Ao chegar lá, – garantia –, prometo ficar parado na porta, e só entrar depois que, todos os filhos aos quais prestei assistência na terra, estiverem dentro”.

     Seu funeral, ocorrido quatro dias depois, contou com a presença de mais de 100.000 pessoas, dentre as quais, uns 3.000 eram Padres. O cortejo transportando seu corpo percorreu as principais ruas da cidade, durante quase quatro horas. Depois da Missa fúnebre o corpo do Padre Pio foi transferido à cripta da nova igreja de Santa Maria das Graças. Desde aí, ele continua seu papel de intercessor diante de Deus, alcançando muitas graças e curas milagrosas para os peregrinos de todo mundo e de todas as classes sociais.

     Os processos de beatificação e canonização foram “desencalhados” pelo papa João Paulo II que, como jovem sacerdote, tivera a graça de confessar-se com ele. 

     O Padre Pio foi proclamado Beato em 2 de maio de 1999, e Santo, em 16 de junho de 2002. As cerimônias da canonização reuniram mais de trezentos mil devotos só em Roma. Um caso único na história da Igreja!

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